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A bem da Nação

AS GRÁVIDAS DESPEDIDAS E A “MERKEL” COM SETE FILHOS

 

 

Tem nome de general da Wehrmacht, mas Ursula Von der Leyen é capaz de ser a coisa mais fofa inventada pela Alemanha depois dos Playmobil. Esta política da CDU prepara-se para liderar o ministério da Defesa e, no governo anterior, foi Ministra do Trabalho e Assuntos Sociais. Nesse cargo, destacou-se na defesa da família e das crianças numa sociedade marcada pelo envelhecimento e por uma taxa de natalidade que parece o Mad Max. Neste ponto, porém, o seu exemplo é mais importante do que qualquer política. É que Úrsula Von der Leyen tem sete filhos. O futuro está aqui, o futuro da Europa tem de passar por Úrsula.

 

Não, não estou a dizer que as europeias devem ter sete filhos. Não, a mulher não pode voltar ao cargo de coelhinha parideira dos sonhos molhados do salazarismo. Mas é preciso encontrar um novo equilíbrio entre pais, mães e sociedade em geral. Não sei se repararam, mas nós, europeus, estamos a morrer. E não me venham com a conversa da crise, porque o inverno demográfico começou muito antes de 2008. Tal como Von der Leyen tem defendido, o problema é mental e cultural. Para começar, importa anular a falácia que coloca o papel de mãe em confronto com o papel de mulher de sucesso. Apesar dos sete filhos, esta Merkel gira é obviamente uma mulher de sucesso. Para compreendermos este ponto, talvez seja interessante colocar a Europa debaixo da outra perspectiva ocidental.

 

Devido a uma deslocação profissional do marido, Úrsula viveu uma temporada nos EUA. Nas entrevistas de emprego, os americanos perguntavam-lhe sempre sobre actividades extra CV, se trabalhava em associações voluntárias, se tinha filhos. Resultado? "Deram-me cargos por ter filhos", diz Úrsula. "Na Europa só me dariam esses cargos se não tivesse filhos".

 

Ela tem razão. Conheço demasiadas portuguesas que sofreram dois tipos de ameaça: foram intimadas a não engravidar pelo patrão ou mesmo pela chefe de repartição pública, ou foram despedidas depois do nascimento do bebé. Um dia destes, irei obrigar todas estas pessoas a prestar declarações em on, porque esta vergonha tem de acabar. Estes chefes são os grandes coveiros do país. Não, os grandes carrascos de Portugal não são os governos, os sindicatos e corporações. O grande sacaninha da pátria é mesmo aquele chefe, privado ou público, que diz a uma rapariga de 28 anos "olhe, não queremos cá bebés, está bem?". Além de imoral, o sacaninha é burro. Como bem explica Úrsula Von der Leyen, uma mulher com vários filhos é provavelmente o melhor trabalhador do mundo.

 

Educar várias crianças ao mesmo tempo cria um cérebro flexível, rápido, eficiente e maduro emocionalmente.

 

Escrevi há pouco que "Úrsula tem sucesso apesar dos filhos". É uma imprecisão. Esta mulher tem sucesso porque tem filhos.

 

Dezembro de 2013

 

 Henrique Raposo

PEDRAS NO CAMINHO



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


 Fernando Pessoa

(Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

 

INFORMAÇÃO

O sistema informático do Servidor SAPO informa que este «post» atingiu o número máximo de comentários permitidos, o que só pode ser falso pois não há qualquer comentário. Assim, coloco aqui o comentário da Senhora Professora Berta Brás que deveria ser colocado no local apropriado mas...

 

COMENTÁRIO:

 

RECEBIDO POR E-MAIL:

Mas melhor seria guardar notas: musicais, para a alma; em papel, também para o castelo, ou simples mansão, e mais os acompanhamentos. Um cabaz de notas!... Um belo poema para tantos de nós, nesta quadra natalícia. Serve também em outra qualquer quadra. Mas, como o "pobre" do Pessoa, temos que nos contentar com as pedras, da nossa calçada a desfazer-se. O castelo ficou para ele.
Berta Brás

 

ENSAIO SOBRE RELIGIÃO – 17

 

- P -

 

 Padre  – De presbyter, ancião. Já existiam sacerdotes na Babilónia, Egipto, Grécia, Roma, aztecas, etc.

 

Paganismo  – Do lat. paganus, “camponês”, nome dado pelos primeiros cristãos ao politeísmo.

 

Pagode  – Do português pagoda, provavelmente do sânsc. bhagavat, “adorável, templo do

Ídolo”, nome dos templos budistas.

 

Pais da Igreja  – Nome dado aos primeiros teólogos no princípio do cristianismo conhecidos pelos trabalhos escritos conhecidos como “obras patrísticas”.

 

Panteismo  – Do gr. pan, “tudo”, e theos, “deus”, doutrina que considera Deus imanente ao mundo e existe em todo o lado.

 

Parábola  – Do gr. parabolê, “comparação”, alegoria que serve a um ensinamento moral.

 

Paráclito  – Do gr. paraklêtos, “invocado, consolador, defensor, intercessor”, o Espírito Santo segundo São João.

 

Paraíso  – Do gr. paradeisos, de origem persa, “jardim destinado às almas bem-aventuradas”.

 

Parúsia  – Do gr. parousia, “chegada”, termo exprimindo a segunda vinda de Cristo em toda a sua Glória, no fim dos tempos.

 

Páscoa  – Do hebreu pesach¸”passagem”, festa que nos judeus comemora a saída do Egito. No cristianismo celebra-se a Ressurreição do Cristo.

 

Patanjali  – Sábio hindu fundador do sistema filosófico “yoga”.

 

Patarinos  – Membros de um movimento social e religioso que se desenvolveu em Milão no séc. XI visando a reforma do clero e do governo eclesiástico e o suporte de sanções papais contra a simonia e casamento clerical. Os envolvidos no movimento foram chamados Patarini, "esfarrapados".

 

Patrick  – Saint Patrick, apóstolo da Irlanda, 390-461, herói nacional da Irlanda e seu santo patrono.

 

Pecado  – Do lat. peccare,  transgressão voluntária à lei divina.

 

Penitência  – Do lat. paenitere, “arrepender-se”, é sobretudo uma forma de sofrimento voluntário.

 

Pentecostes  – Do gr. Pentêkostê, quinquagésimo dia, festa que nos judeus comemora a entrega das segundas Tábuas da Lei no monte Sinai; nos cristãos a festa da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

 

Peregrinação  – Viagem a um lugar santo por motivos religiosos ou obter um milagre. No antigo Egipto o túmulo de Osíris em Abidos atraía multidões, na Índia sobretudo em Bénares com os seus dois mil santuários, na Arábia, em Meca, no Iraque o túmulo de Hussaim, segundo filho de Fátima e de Ali, neto de Maomé, na China as montanhas santas de T’ai-chan, Japão, etc., mas é sobretudo no cristianismo que se fazem mais peregrinações aos lugares santos de Jerusalém, a Lourdes, Fátima, a Roma, e a dezenas de lugares onde haja relíquias e túmulos de santos.

 

Pixide  – Do gr. Puxis, “caixa”, em metal onde se guardam as espécies eucarísticas.

 

Positivismo  – Doutrina desenvolvida no curso de filosofia por Augusto Comte que propôs três etapas da evolução do homem: primeiro, estado teológico, segundo estado metafísico, e terceiro estado positivo ou científico, em que a humanidade é o objecto único do culto.

 

Prajapati  – Do sânsc. “mestre das criaturas”, o “Senhor”, personificava o criador do mundo de acordo com o Brahmana.

 

Premontrés ou Norbertinos  – Religiosos de uma ordem de cónegos regulares fundada por Norbert em Prémontré em 1120.

 

Presbiterianos  – Protestantes  calvinistas governados por um presbiterium, “conselho de anciãos”, de ritos simplificados, austeridade e vida puritana.

 

Primitivos  – Religião dos povos ditos arcaicos ou primitivos, que se vão conhecendo através de estudos dos mitos, cultura, arqueologia, etc.

 

Prosélito  – Do gr. proselitus, “recém vindo de outro país, novo convertido a nova religião”.

 

Protestantismo  – Vem com a Reforma, os que protestaram contra os abusos da igreja papal.

 

Ptah  – Deus egípcio de Memfis, considerado como o criador do mundo.

 

Pûjã  – Conjunto de ritos no hinduísmo nos templos dos “sacerdotes-brahamanes”.

 

Puritanos  – Membros duma seita de presbiterianos do séc. XVII que  negaram a forma episcopal e os ritos do anglicanismo.

Perseguidos emigraram para a Holanda e depois para a América na famosa “Mayflower”.

 

(continua)

 

Dezembro de 2013

 

 Francisco Gomes de Amorim

Ó RIO DAS ÁGUAS CLARAS

 

 

«O presidencialismo» é o título do artigo subtilmente acutilante de Vasco Pulido Valente, saído no «Público» em 13/12, sobre Rui Rio.

 

 rui rio

 

Muitas vezes ouvi Rui Rio, e sempre numa seriedade de rejeição, mau grado o sorriso constante nele – um sorriso hirto, fugidio, que não convencia, num rosto de importância e auto suficiência a esclarecer sobre o bem que ele criava em seu redor, aquando do seu desempenho no cargo de presidente da Câmara do Porto, em contraste com outros rivais de cena, igualmente ambiciosos e com truques de progressão na carreira que ele não precisou nunca de utilizar por se sentir o melhor de todos.

 

Há dias escutei-o novamente, com a boca cheia de bazófias e mais sorrisos fugidios perante a maralha dos que o analisam, e a minha alergia foi idêntica à que sentia nos seus tempos camarários, de par com Meneses, da Câmara da Gaia.

 

O artigo de Vasco Pulido Valente traça bem o perfil desse homem que, aparentemente defensor dos princípios de uma democracia centrista, na realidade sempre se regeu por considerandos de desprezo pelo parlamentarismo apoiado no pluripartidarismo, porque se considerou provavelmente apto para assumir sozinho um governo “uniárquico”, assente sob o poder de um só, cargo para que talvez sempre se tenha achado com vocacão, tal como o tal rio das águas claras que vai correndo para o mar, segundo a canção de Clara, a pupila do Sr. Reitor, irmã da enjeitada e sempre triste Margarida do nosso Júlio Dinis. E assim vai o Rio, aparentemente de águas transparentes e cristalinas, a correr para o seu mar largo, imperturbável, como também corriam aqueles outros “espertos regatinhos”, que, na caminhada para Tormes, de Jacinto e de Zé Fernandes, “fugiam rindo com os seixos, de entre as patas da égua e do burro” - as nossas - no rio do esperto Rio, que nada de construtivo aponta, no vago e ambíguo discurso do seu espírito vaidoso e pobre:

 

“O presidencialismo”

 

Rui Rio acabou de condenar o regime político em que vivemos. Condenou a justiça e os partidos (e, não se percebe porquê, foi omisso sobre as forças de segurança).

 

Os partidos, na opinião dele, que se estão dia a dia a “afunilar”, trabalham para si próprios e não para o país. Para isto, Rui Rio propõe que eles se “abram” à sociedade, uma velha panaceia sem qualquer espécie de sentido, e que se instituam eleições primárias para a escolha de candidatos. Não lhe ocorre aparentemente que eleições primárias iriam estabelecer o caos, com o “cross vote” da oposição no candidato mais fraco do outro lado. Mas sem estas fantasias, Rui Rio acha que não se conseguirá evitar uma “ditadura sem rosto”, uma pura “ausência de democracia”, nada parecida com o salazarismo, mas talvez como o salazarismo em estado larvar.

 

Os regimes parlamentares não têm dado muito bom resultado em Portugal e o ódio aos partidos, que hoje vai crescendo, não difere em essência do ódio aos partidos na última República espanhola, na França da III República e nos tempos que precederam o “28 de Maio”.

 

Só que a pregação nessa altura, como agora, não representou qualquer espécie de reforma e levou tranquilamente ao Estado Novo cá em casa, a uma guerra civil em Espanha e a uma guerra civil em França. Rui Rio não proclama que a presente crise “não é económica”, “é política”. Infelizmente, quando chega ao momento de oferecer soluções, ele, um político, não avança mais do que com ideias vagas, contraditórias, por exemplo a de que são necessárias mudanças na Constituição e a de que não são) e, em geral, uma crítica fluida e obscura às desgraças por que passamos.

 

Uma palavra nunca aparece na boca das notabilidades, de direita ou de esquerda, que se opõem a este governo, e essa palavra é muito simples: presidencialismo. Em 1976, o parlamentarismo constituía de facto um obstáculo à supremacia militar e a um pequeno régulo saído do exército com apoio dos restos da ditadura e de uma social democracia branda e bem comportada. Em, 2003, não existe nenhum desses perigos de 76, que foram substituídos pelo fracasso dos partidos, (que os portugueses quase universalmente desprezam ou detestam) e pela infindável série de erros que nos trouxe miséria. Um Presidente executivo apoiado por uma larga parte da população (embora sob a vigilância de uma Assembleia da República) estabeleceria quase com certeza a estabilidade institucional e legal que tanta gente pede – com Rui Rio à frente. Mas nesse ponto ninguém se atreve a tocar.

 

 Berta Brás

PAPAI NOEL, DEUS E O PODER

 

S. Nicolau de Mira, o verdadeiro Pai Natal

 

Quem não começou a vida acreditando no Papai Noel? Nunca o víamos, mas aguardávamos com ansiedade a sua passagem, os presentes, que às vezes, e não para todos, deixava, mas trazia o milagre e a alegria de juntar a família. A maioria de nós, já meninos, descrentes desse “tal” Pai Natal, continuámos sempre a mantê-lo para a festa dos filhos, mais tarde dos netos, e por aí deverá continuar.

 

Acreditávamos – e depositámos alguma esperança na qualidade do seu presente! Era uma maneira de sonhar.

 

Depois, criados em ambiente cristão, sem saber porque, acreditámos, indiscutivelmente, na existência de Deus Todo-poderoso. De entrada, sabíamos só que se fizéssemos asneiras tínhamos o inferno para nos castigar apesar de não entendermos muito bem a diferença entre o verdadeiro bem e o verdadeiro mal, e só bem mais tarde nos fomos apercebendo que afinal Deus não era assim tão mau, e até mandou à Terra o Seu Filho para nos ensinar o único caminho, o verdadeiro, da Paz: a Irmandade, o Amor.

 

Mas antes disto, o homem, em qualquer tempo, desde os mais remotos, e em qualquer lugar do planeta, sempre acreditou e venerou um Ser Superior, desconhecido mas respeitado.

 

E sempre também os que se arrogaram o direito de melhor “conhecer ou interpretar as vontades” de Deus, desde os sacerdotes citados no Génesis, passando pelos egípcios, os deuses gregos e romanos, os nganga, xamans, padres, pastores, imans e de todas e quaisquer crenças, alcandoravam-se à mais elevada elite de todo o povo.

 

E tão tremenda era a força dessa elite que, por exemplo, a Inglaterra viveu séculos batendo-se internamente somente entre cristãos: católicos, protestantes, puritanos, calvinistas, etc., “ganhando” com isso centenas de milhares de vítimas fatais e... aos vencedores o ouro, aos vencidos o desprezo e a fome, quando não a forca ou o machado no pescoço.

 

De todos os seres vivos do nosso planeta, o homem é o único que, mais crente ou mais ateu, sabe, ou pelo menos desconfia, que há algo superior. Discute-se muito o Princípio, o Big Bang; cientistas dizem que foram uma ou duas partículas de não sei o quê que se juntaram, mas ninguém sabe, nem jamais conseguirá explicar de onde surgiram essas tais partículas. E aí entra Deus.

 

E os “representantes de Deus”, em “associação com o Todo Poderoso”, exerceram desde os primeiros tempos, um tremendo poder sobre a humanidade. Ainda hoje.

 

Os budistas não entendem os cristãos, que por sua vez lutam entre si, os islamitas, além de lutarem também entre si, lutam contra os judeus e os cristãos, e por aí vai a história da humanidade. Cada um procurando impor ao “outro” a sua crença, a sua “força”!

 

Tudo isto foi “muito bonito” até surgir um outro, e muito mais forte, PODER: o financeiro!

 

Tempo houve, já perto de nós, em que Roma era o mais forte potentado, pelo menos do mundo ocidental; mandava e desmandava, dividia o mundo entre os “amigos”, tirava e punha reis, fazia guerra, etc. Paralelamente os judeus cresciam em toda a parte e, perseguidos, se uniram cada vez mais, e há já alguns séculos são eles que dominam o mundo da finança, levando um senador dos EUA a afirmar: “país que não tenha judeus jamais terá peso no mundo financeiro”.

 

E Portugal sentiu isso bem profundamente com a infeliz inquisição!

 

Surgem os muçulmanos, os petro-dólarianos a avançarem de forma só reversível quando o petróleo se esgotar, e renasce imparável, como uma tsunami, a força do dragão, um bilhão e meio de chineses, com um poder que jamais tiveram.

 

Não tarda assistirmos ao eixo “City-Wall Street” com o chapéu na mão face à China.

 

Mas nada melhor que uma guerra para ir compondo “as coisas”!

 

A III Guerra Mundial, não tarda. É difícil acreditar que seja atómica, porque o medo de ambos os lados dos contendores levará a guerra para os tanques, a informática, e inevitavelmente para a perca de milhares de inocentes que acreditam estar a defender a pátria!

 

Que pátria? Hoje há só uma pátria, que se chama Poder Financeiro.

 

E é ele quem ganha com as guerras: vende armas, financia ambos os lados para os endividar e ficarem a receber os pesados juros, etc.

 

Assistimos hoje a esse poder estrangular os mais fracos. Empréstimos, empréstimos e logo a falência dos devedores, mas somente após terem pago e repago a condescendência dos financiamentos.

 

Nos EUA mandam-se para a rua os desgraçados que não têm mais como pagar a prestação da casa! Ficam rigorosamente sem nada! E como essas casas não se vendem, os bancos mandam demoli-las! Incrível a maldade! Demolir uma casa ou deixar lá dentro os desgraçados, o Poder opta por desprezar o ser humano!

 

Vê-se isso nos indivíduos, e pior, nos países. Estes, administrações ineptas, empurram o problema com a barriga, apertando a do povo, até este morrer de fome.

 

Todos os países que se vêm nesta altura em situação de extrema dificuldade, nas suas histórias já passaram por momentos difíceis. Sobreviveram. Mas hoje as garras do Poder esmagam tudo.

 

Há pouco quando a UE quis lançar um imposto sobre as operações de Bolsa, quer dessem lucro ou não, a “City”, peremptoriamente negou-se! É dessa especulação que vive. Como “Wall Street”.

 

Como vai ser o “encontro” entre os vários Poderes – EUA/Inglaterra x petrodólares x China – não parece muito difícil prever: mais uns arranjinhos secretos e dividem o mundo entre si!

 

E diz-se que o mundo caminha para a democracia! Sem falar em Sírias, Sudões, etc., a democracia tem um inimigo que não conseguirá, jamais, vencer.

 

Em 1934, David Loyd George, que havia sido primeiro-ministro da Grã-bretanha, dizia: “A Inglaterra é escrava do bloco financeiro internacional”... apontando Wiston Churchill como um dos apoiantes da Finança Internacional, afirmou:

 

a democracia tem não mais persistente ou insidioso inimigo do que o poder do dinheiro!”

 

Tudo o resto é ilusão ou ingenuidade.

 

Rio de Janeiro, 03/04/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

A liberdade de expressão é, naturalmente, uma condição inerente à democracia, embora não suficiente. Se um sistema eleitoral está de tal forma blindado que só é possível eleger, especialmente para a o parlamento (no nosso caso a Assembleia da República) quem um ou meia dúzia de ditadores permite, pode deixar-se protestar à vontade que os governantes continuam a fazer o que entendem e a só deixar eleger  quem desejam. Na enorme maioria dos casos, os protestos não obtêm quaisquer resultados e até são como que uma válvula de escape. As pessoas vão para casa satisfeitas porque puderam protestar, sem se aperceber de que nada conseguiram.

 

Mas não se pense que a liberdade de expressão é absoluta. Ela termina quando colide com a de outrem. Em Portugal parece que não se sabe isso.

 

Qualquer reunião ou assembleia tem o direito de não ser perturbada, a pretexto da liberdade de expressão de outros. Considero uma verdadeira vergonha o que se tem visto de “liberdade de expressão” nas galerias da Assembleia da República e não compreendo porque não foi já feita uma “lei” a indicar a punição (pelo menos pesadas multas) a quem de qualquer forma se manifeste nas galerias, perturbando o normal funcionamento da Assembleia. E imagino o que pensam de Portugal os estrangeiros que provavelmente vêem aquelas imagens na TV.

 

Há tempos, num texto num blogue onde se tratou dum caso desses, coloquei um comentário a dizer o que penso. Um senhor que não conheço, português a viver em Inglaterra, que nesse blogue costuma publicar textos, colocou um comentário a defender os dos protestos. Respondi sugerindo que, como está em Inglaterra, fosse um dia à Câmara dos Comuns quando em sessão e fizesse um escarcéu semelhante ao dos de cá. Depois, que nos contasse o que sucedeu. Não tive resposta.

 

 Miguel Mota

 

Publicado  no "Linhas  de Elvas" de 20 de Dezembro de 2013

ENSAIO SOBRE RELIGIÃO – 16

 

 

- O -

 

 Odin Odin  – O maior dos deuses nórdicos da Europa, soberano do céu, da terra, da agricultura, mas também da guerra, da sabedoria e da poesia. Ele julga os mortos e recebe-os no seu paraíso, a “Walhalla” onde são conduzidos pelas Valquírias que lhes oferecem um banquete sem fim.

 

Ofitas  – Do grego ofis, “serpente”, nome dado a várias seitas gnósticas cristãs e da Síria e Egipto que se desenvolveram por volta do ano 100 d.C. Estas seitas atribuíam grande importância à serpente mencionada no livro do Génesis como tentadora de Adão e Eva, considerando-a como portadora do conhecimento do Bem e do Mal e portanto como símbolo da gnose.

 

Olivetanos   – Membros da ordem do Monte Oliveto,  1313,  como uma comunidade de frades eremitas por São Bernardo Tolomei oriundo de uma nobre família de Siena. Educado pelos dominicanos formou-se em Direito. Depois que se curou de temporária cegueira, abandonou a vida mundana e retirou-se junto com os amigos Patrizio Patrizi e Ambrogio Piccolomini para o deserto de Ancona, onde conduziu uma vida de penitência e eremítica. Adoptou o nome de Bernardo, em homenagem ao Santo abade de Claraval.  

 

Orígenes  – Teólogo e Pai da Igreja – 183-252 – ensinou durante vinte e oito anos em Alexandria, mas a inveja do bispo de Alexandria, Demetrius, privou-o do sacerdócio, foi preso e morreu em Tiro depois de torturado.

 

Ortodoxo  – Do gr. orthos, “direito, justo”, e doxa, “opinião”, uma das grandes divisões do cristianismo, os que seguem em linha directa o dogma da tradição cristã, segundo herdaram dos apóstolos e dos primeiros Pais da Igreja.

 

Osiris  – Um dos deuses mais conhecidos do Egipto. No princípio Deus da vegetação, personificando a riqueza do delta, em oposição a seu irmão Seth, Deus do deserto. Pouco a pouco tornou-se um herói civilizador, o Deus do “outro lado”, onde os justos encontravam o paraíso osiriano e gozavam de uma felicidade perpétua.

 

(continua)

 

Dezembro de 2013

 

 Francisco Gomes de Amorim

ENSAIO SOBRE RELIGIÃO – 15

 

 

- N -

 

 Nazarenos  – Parte dos discípulos de Jesus, em Nazaré e os primeiros baptistas. Nome dado a cristãos  judaisantes que se tornaram heterodoxos no séc. IV.

 

Nestorianos  – Discípulos de Nestorius, heresiarca, patriarca de Constantinopla no séc. V, que lutou contra os arianos e depois criou a sua própria doutrina cristã. Não aceitou o termo Theotokos, mãe de Deus, que significava a maternidade divina da Virgem Maria, preferindo Khristokos, mãe de Cristo.

 

Nichiren  – Seita budista japonesa, “o lótus do sol”.

 

Nimbo  – Do lat. nimbus,  “nuvem”, círculo luminoso colocado em volta da cabeça das divindades indicando a radiação sobrenatural. Usada pelos egípcios, gregos, etruscos, romanos que o aplicaram sobretudo aos imperadores.

 

Nirvana  – A maioria das escolas do budismo explica Nirvana como um estado de felicidade ou paz e este estado pode ser experimentado na vida, ou pode ser inserido na morte.

 

Nout  – Deusa egípcia do céu, irmã e esposa de Geb – Gaia – a Terra.

 

Novacianos  – Seguidores de Novaciano, padre romano que, em 251, se opôs à eleição do papa Cornélio, que se seguiu ao martírio do papa Fabiano durante a perseguição, sob o argumento de que ele era muito frouxo nos seus critérios para aceitar os cristãos arrependidos, e se recusavam a readmitir em comunhão os lapsi - os cristãos baptizados que tinham renegado a sua fé e realizado sacrifícios aos deuses pagãos - durante a perseguição de Décio em 250 d.C. Foram posteriormente declarados como heréticos. Novaciano permitiu-se ser eleito como rival, o primeiro anti papa.

 

(continua)

 

Dezembro de 2013

 

 Francisco Gomes de Amorim

AS MINHAS RELAÇÕES COM CAMILLA PARKER BOWLES

 Camilla Parker-Bowles Picture  Há tempos, Camilla Parker Bowles visitou o meu Clube, em Lisboa, a Sociedade Hípica Portuguesa e eu, como ex-Presidente, fui solicitado para, em grupo, a receber na sala principal e fazer-lhe um pouco de conversa.

 

Ambiente acolhedor, sem dúvida, mas os membros da Direcção do Clube então no exercício de funções não davam oportunidade a mais ninguém para falar com a famosa convidada. Contudo, os meus bigodes devem ter despertado a simpatia de Sua Alteza que, disparando lá do fundo da sala com a mão estendida até mim, me cumprimenta e me dirige palavras tão originais como «how are you» ou equivalente. Fiz-lhe o cumprimento mais simpático de que fui capaz e disse-lhe em inglês qualquer coisa do género «grande honra a desta casa por ter cá Vossa Alteza».

 

E logo que ela passou para outra mão que alguém lhe estendia, eu pude garantir em português a quem me rodeava que não lavaria a mão nos 15 dias seguintes. Os risos contiveram-se de modo suficiente para que Sua Alteza não conheça esta história.
 
 

Henrique Salles da Fonseca

FINANCIAR ESCOLAS

 

 

Há anos que um grupo de pessoas vem desejando que o Estado financie as escolas privadas e chamam a esse movimento ”liberdade de escolha”. Em defesa desse sistema apresentam o caso da Suécia que, a partir da reforma educativa de 1992, passou a permitir a existência de escolas privadas para o ensino básico e secundário, financiadas pelo Estado, na mesma base de financiamento das escolas públicas. Chamam a essas escolas “escolas livres” ou “escolas independentes” (em sueco “friskolor”). São criadas quando há iniciativa local.

 

Naturalmente, essas escolas livres que recebem financiamento do Estado, na Suécia, estão sujeitas a algumas condições. Não podem rejeitar qualquer aluno nem podem cobrar quaisquer propinas. Condições, aliás, que defendi em artigo recente sobre o financiamento de escolas privadas.

 

Embora a grande maioria dos estudantes, na Suécia, frequente as escolas públicas, há já umas centenas dessas escolas livres. Se, nalguns casos, desejam instalar o mesmo sistema em Portugal, estou de acordo. Mas o Estado dar dinheiro a escolas privadas que escolhem os alunos e cobram propinas, considero mais uma intolerável protecção aos ricos, à custa dos pobres. Não tenho qualquer objecção a que haja escolas privadas, a cobrarem propinas mas, naturalmente, sem receberem dinheiro do erário público.

 

 Miguel Mota

 

Publicado no Público de 19 de Dezembro de 2013

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