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A bem da Nação

POSTA EM SOSSEGO

 

No tempo em que a programação da Literatura Portuguesa no Ensino Secundário, abarcava o estudo de alguns poemas do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende no seu espírito de transição para um lirismo humanista, e bem assim o da Tragédia Castro de António Ferreira, como obedecendo aos parâmetros de coesão, nobreza e fatalismo da tragédia grega, constituíam as Trovas à Morte de Inês de Castro do mesmo Garcia de Resende, e seguidamente o Acto IV da dita Tragédia de Ferreira, pontos de partida para a análise do episódio lírico “Inês de Castro” d’ “Os Lusíadas”, no confronto entre a singeleza do relato no primeiro caso, a linguagem ainda arcaica em harmonia com o queixume brando, não despido de conceito e revolta da triste donzela, e, na “Castro”, a dignidade simples da exposição de Inês, rodeada dos filhos pequenos, ao Rei Afonso IV, quando este, dividido entre o dever e a piedade, a procura, acompanhado dos Conselheiros, para a matar. Servia esta última para confronto de verosimilhança relativamente ao discurso extraordinariamente belo e comovente mas pouco verosímil da linda Inês camoniana, dirigido ao Rei (Lusíadas, Canto III):

 

«126 :

Se já nas brutas feras, cuja mente

Natura fez cruel de nascimento,

E nas aves agrestes, que somente

Nas rapinas aéreas têm o intento,

Com pequenas crianças viu a gente

Terem tão piedoso sentimento,

Como coa mãe de Nino já mostraram,

E cos irmãos que Roma edificaram;

127 :

Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito

(Se de humano é matar uma donzela

Fraca e sem força, só por ter sujeito

O coração a quem soube vencê-la)

A estas criancinhas tem respeito,

Pois o não tens à morte escura dela;

Mova-te a piedade sua e minha,

Pois te não move a culpa que não tinha.

128 :

E se, vencendo a Maura resistência,

A morte sabes dar com fogo e ferro,

Sabe também dar vida com clemência

A quem para perdê-la não fez erro.

Mas se to assim merece esta inocência,

Põe-me em perpétuo e mísero desterro,

Na Cítia fria, ou lá na Líbia ardente,

Onde em lágrimas viva eternamente.»

 

António Ferreiraconstrói a sua tragédia à maneira clássica, em cinco actos, com o Coro acompanhando em comentários de aviso ou de sentida compaixão o evoluir de uma acção concisa na unidade temporal, ou, no final de cada acto ele próprio alertando, em comovido conceito, para a brutalidade humana ou para a vingança previsível, acção em que o reduzido número de personagens (principais: Inês, Rei, Infante: secundárias: Ama, Secretário, Conselheiros) contribui para a sua nobreza e unidade – as principais na afirmação do seu amor ou da sua piedade em luta psicológica com o dever – Rei – as secundárias na afirmação da sua experiência e sensatez ou da sua lealdade para com a nação). Uma linguagem simples, num verso branco e sem retórica, mas tantas vezes de uma argumentação lógica, deixando transparecer a formação jurídica do dramaturgo.

 

Um exemplo do discurso de Inês ao Rei, numa linguagem despojada de artifício (Cena I do Acto IV):

 

 

«Castro:

 

            Meu Senhor

Esta é a mãe de teus netos. Estes são

Filhos daquele filho que tanto amas.

Esta é aquela coitada mulher fraca,

Contra quem vens armado de crueza.

Aqui me tens. Bastava teu mandado,

Para eu, segura e livre , t’esperar,

Em ti e em minha inocência confiada.

Escusaras, Senhor, todo este estrondo

D’armas e cavaleiros, que não foge

Nem se teme a inocência da justiça.

E quando meus pecados me acusaram,

A ti fora buscar; a ti tomara

Por vida em minha morte; agora vejo

Que tu me vens buscar. Beijo estas mãos

Reais tão piadosas, pois quiseste

Por ti vir-te informar de minhas culpas.

Conhece-mas, Senhor, como bom rei,

Como clemente e justo, e como pai

De teus vassalos todos, a quem nunca

Negaste piedade com justiça.

Que vês em mim, Senhor? Que vês em quem

Em tuas mãos se mete tão segura?

Que fúria, que ira esta é, com que me buscas?

Mais contra imigos vens, que cruelmente

T’andassem tuas terras destruindo,

A ferro e fogo. Eu tremo, Senhor, tremo

De me ver ante ti, como me vejo,

Mulher, moça, inocente, serva tua,

Tão só, sem por mim ter quem me defenda,

Que a língua não s’atreve, o esprito treme

Ante tua presença; porém possam

Estes moços, teus netos, defender-me.

Eles falem por mim, eles sós ouve.

Mas não te falarão, Senhor, com língua.

Que inda não podem; falam-te co as almas;

Com suas idades tenras, com seu sangue,

Que é teu, te falarão; seu desamparo

T’está pedindo vida; não lha negues.

Teus netos são, que nunca téqui viste;

E vê-los em tal tempo, que lhes tolhes

A glória e o prazer qu’em seus espritos

Lhe está Deus revelando de te verem.”

Rei: Tristes foram teus fados, Dona Inês.

Triste ventura a tua…..»

 

Comovido com as súplicas de Inês, o Rei cede:

 

«Ó mulher forte!

Venceste-me, abrandaste-me! Eu te deixo.

Vive, enquanto Deus quer….»

 

Será na Cena II do mesmo Acto IV que os Conselheiros conseguirão convencer o Rei a mandar assassinar Inês, de que transcreverei algumas breves frases de argumentação em trocadilho sentencioso pró e contra a morte de Inês:

«Rei: Mais quero perdoar que ser injusto.

Coelho: Injusto é quem perdoa a pena justa.

Rei: Peque antes nesse extremo que em crueza.

Coelho: Não se consente o rei pecar em nada.

Rei: Sou homem.

Coelho: Porém rei.

Rei: O rei perdoa.

Pacheco: Nem sempre perdoar é piedade…….»

 

Por curiosidade, neste belo tema de amor e morte, à maneira da tragédia clássica, que Shakespeare e Racine tão extraordinariamente seguiriam, e o nosso Camilo igualmente subscreveria em “Amor de Perdição”, escrito no espaço e no tempo diminutos da sua cela da Cadeia da Relação do Porto, transcrevo as singelas Trovas de Garcia de Resende, que tão vasta inspiração originaram, o próprio drama francês da modernidade o tomando como assunto, através da pena de Henry de Montherlant, em “La Reine Morte”, representado na Comédie Française em 1942. Os versos em redondilha das estrofes em décimas das Trovas, estão transpostos em estilo corrido, sem demarcação heptassilábica, facilmente identificável:

 

….Fala D. Inês:

 

«Qual será o coração tão cru e sem piedade, que lhe não cause paixão uma tão grã crueldade e morte tão sem razão? Triste de mim, inocente, que, por ter muito fervente lealdade, fé, amor ao príncipe, meu senhor, me mataram cruamente!

 

A minha desaventura não contente d’acabar-me, por me dar maior tristura me foi pôr em tant’altura, para d’alto derribar-me; que, se me matara alguém, antes de ter tanto bem, em tais chamas não ardera, pai, filhos não conhecera, nem me chorara ninguém.

 

Eu era moça, menina, por nome Dona Inês de Castro, e de tal doutrina e virtudes, qu’era dina de meu mal ser ao revés. Vivia sem me lembrar que paixão podia dar nem dá-la ninguém a mim: foi-m’o príncipe olhar, por seu nojo e minha fim.

 

Começou-m’a desejar trabalhou por me servir; Fortuna foi ordenar dous corações conformar a uma vontade vir. Conheceu-me, conheci-o, quis-me bem e eu a ele, perdeu-me, também perdi-o; nunca té morte foi frio o bem que, triste, pus nele.

 

Dei-lhe minha liberdade, não senti perda de fama; pus nele minha verdade, quis fazer sua vontade, sendo mui formosa dama. Por m’estas obras pagar nunca jamais quis casar; pelo qual, aconselhado foi el-rei qu’era forçado, pelo seu, de me matar.

 

Estava mui acatada, como princesa servida, em meus paços mui honrada, de tudo mui abastada, de meu senhor mui querida. Estando mui de vagar, bem fora de tal cuidar, em Coimbra, d’assossego, pelos campos do Mondego cavaleiros vi somar.

 

Como as cousas qu’hão de ser logo dão no coração, comecei entristecer e comigo só dizer: “Estes homens onde irão?” E tanto que perguntei, soube logo qu’era el-rei. Quando o vi tão apressado, meu coração trespassado foi, que nunca mais falei.

 

E quando vi que descia, saí a porta da sala, devinhando o que queria; com grão choro e cortesia lhe fiz uma triste fala. Meus filhos pus de redor de mim com grande humildade; mui cortada de temor lhe disse: - “Havei, senhor, desta triste piedade!

 

“Não possa mais a paixão que o que deveis fazer; metei nisso bem a mão, qu’é de fraco coração sem porquê matar mulher; quanto mais a mim, que dão culpa não sendo razão, por ser mãe dos inocentes qu’ante vós estão presentes, os quais vossos netos são.

 

“E tem tão pouca idade que, se não forem criados de mim, só com saudade e sua grande orfandade morrerão desamparados. Olhe bem quanta crueza fará nisto Voss’Alteza, e também, senhor, olhai pois do príncipe sois pai, não lhe deis tanta tristeza.

 

“Lembre-vos o grand’amor que me vosso filho tem, e que sentirá grã dor morrer-lhe tal servidor por lhe querer grande bem. Que, s’algum erro fizera, fora bem que padecera e qu’estes filhos ficaram orfãos tristes e buscaram quem deles paixão houvera;

 

“Mas, pois eu nunca errei e sempre mereci mais, deveis, poderoso rei, não quebrantar vossa lei, que, se morro, quebrantais. Usai mais de piedade que de rigor nem vontade, havei dó, senhor, de mim, não me deis tão triste fim, pois que nunca fiz maldade!”

 

El-rei, vendo como estava, houve de mim compaixão e viu o que não olhava: qu’eu a ele não errava nem fizera traição. E vendo quão de verdade tive amor e lealdade ao príncipe, cuja são, pôde mais a piedade que a determinação;

 

Que, se m’ele defendera que seu filho não amasse, e lh’eu não obedecera, então com razão pudera dar-m’a morte qu’ordenasse; mas vendo que nenhum’hora, dês que nasci até’gora, nunca disso me falou, quando se disto lembrou, foi-se pela porta fora.

 

Com seu rosto lagrimoso, co propósito mudado, muito triste, mui cuidoso, como rei mui piedoso, mui cristão e esforçado. Um daqueles que trazia consigo na companhia, cavaleiro desalmado, de trás dele, mui irado, estas palavras dizia:

 

“-Senhor, vossa piedade é digna de reprender, pois que, sem necessidade, mudaram vossa vontade lágrimas duma mulher. E quereis qu’abarregado, com filhos, como casado, estê, senhor, vosso filho? De vós mais me maravilho que dele, qu’é namorado.

 

“Se a logo não matais, não sereis nunca temido nem farão o que mandais, pois tão cedo vos mudais do conselho qu’era havido. Olhai quão justa querela tendes, pois, por amor dela, vosso filho quer estar sem casar e nos quer dar muita guerra com Castela.

 

“Com sua morte escusareis muitas mortes, muitos danos; vós, senhor, descansareis, e a vós e a nós dareis paz para duzentos anos. O príncipe casará filhos de benção terá, será fora de pecado; qu’agora será anojado, amanhã lh’esquecerá.”

 

E ouvindo seu dizer, el-rei ficou mui torvado por em tais estremos ver, e que havia de fazer ou um ou outro, forçado. Desejava dar-me vida, por lhe não ter merecida a morte nem nenhum mal: sentia pena mortal por ter feito tal partida.

 

E vendo que se lhe dava a ele tod’esta culpa, e que tanto o apertava, disse àquele que bradava: “- Minha tenção me desculpa. Se o vós quereis fazer, fazei-o sem mo dizer, qu’eu nisso não mando nada, nem vejo essa coitada por que deva de morrer.”

 

Fim: Dous cavaleiros irosos, que tais palavras lh’ouviram, mui crus e não piedosos, perversos, desamorosos, contra mim rijo se viram; com as espadas na mão m’atravessam o coração, a confissão me tolheram: este é o galardão que meus amores me deram. »

 

Henry de Montherlant explorou livremente o mesmo assunto em “La Reine Morte”, “drama em três actos”, com as três personagens conhecidas – O Rei (Ferrante), seu filho Pedro, Inês de Castro – a que associou a “Infanta de Navarra”, como desejada noiva para Pedro, figura orgulhosa de noiva repudiada, numa acção de peripécias várias e falas conceituosas de uma filosofia moderna e intenção crítica que naturalmente não poupa a governação do país Portugal, onde se passa a acção, sobretudo no final do III acto, com mistura de peripécias um tanto facetas fora do âmbito de uma acção una, que Ferrante descreve a Inês, na cena III do Acto II do modo seguinte (La Reine MorteÉditions Gallimard, 1947):

 

«Sabeis o que eles querem? Uma política de intimidação contra Dom Pedro e contra vós. A Infanta, ai de mim, parte amanhã. Ela deixa-me só e nestas salas bombardeadas de todos os lados pelo seu génio, roendo-me eu intimamente por não ter podido reter este gerifalte por vossa causa e das vossas sentimentalidades. E todavia eu não vos detesto. A Infanta é uma moça inspirada e febril; foi embalada num berço de bronze; vós, dir-se-ia, nascestes num sorriso…»

 

A Infanta de Navarra, caprichosamente, esforça-se por salvar Inês, levando-a para Navarra, proposta a que esta não acederá, presa ao amor de Pedro, mandado aprisionar por seu pai, e ao amor por seu filho prestes a nascer.

 

A relação amigável de Ferrante com Inês prolongar-se-á num suspense sobre a sua morte que o rei vai adiando, cedendo no final às instâncias dos vários conselheiros, sem bem perceber o motivo da sua ordem de execução e morrendo a seguir. Uma peça que se lê com muito interesse, pela originalidade e riqueza psicológica das figuras principais e dos conceitos de um humor por vezes de paradoxo, por vezes sarcástico, bem longe da seriedade e do rigor seco da figura do Rei da peça deAntónio Ferreira.

 

Mas é com o remate do episódio narrativo da “Linda Inês” d’ Os Lusíadas que finalizo esta breve retoma saudosista de temas de que a vida profissional possibilitou outrora o estudo – neste caso o tema do amor jovem que a morte eternizaria, a que, como ninguém, Camões soube dar a projecção lírica e dramática capaz de desencadear lágrimas, pela beleza ímpar do seu conceito e da sua expressão formal (estrofe 135):

 

As filhas do Mondego a morte escura

Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lágrimas choradas transformaram;

O nome lhe puseram, que inda dura,

Dos amores de Inês que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Que lágrimas são a água, e o nome amores.

 

 Berta Brás

NÃO, SENHORES REITORES, AÍNDA NÃO SÃO

 

 

Não está em causa a enorme importância das universidades para o futuro do país. Qualquer mal que as afecte, seja por erros internos – como, infelizmente há – seja por limitações impostas do exterior, prejudicam o país em muitos aspectos, especialmente o cultural e económico. Nunca serão demasiados todos os esforços que se façam para que os seus diplomados e a sua investigação tenham o mais alto nível. Como Professor Catedrático jubilado certamente que defendo acerrimamente esses dizeres e, quando estava na actividade oficial tudo fiz, dentro do que estava ao meu alcance, no sentido de atingir esse objectivo.

 

Após algumas reuniões preparatórias, os reitores das universidades públicas portuguesas apresentaram em 9 de Novembro de 2012 uma “Declaração conjunta” a propósito do que Portugal perde com os inadmissíveis cortes que os seus orçamentos têm sofrido e do que está previsto cortar, no orçamento para 2013.

 

Concordo com muito do que ali se diz. Mas não posso deixar passar sem correcção uma frase do ponto três dessa Declaração. Ali se diz que “As universidades constituem a única base sólida em que assenta o sistema científico e tecnológico nacional”. O que está em bold é assim no original.

 

Tenho de dizer aos Senhores Reitores que não é verdade. Ainda não são a única base sólida em que assenta o sistema científico e tecnológico nacional.

 

Como há muito venho denunciando, tem estado em vigor uma lei, não escrita mas rigorosamente seguida, que manda destruir toda a investigação que não seja das universidades. Em obediência a essa criminosa “lei”, já muito se destruiu, com ela causando perdas astronómicas tanto à ciência como à economia de Portugal. A ela se deve uma parte – outra parte é de outros criminosos actos, de gestão danosa – do estado em que estamos e do escasso ou nulo crescimento económico, que culminou na recessão actual.

 

 

Em 1936, com a criação da Estação Agronómica Nacional (EAN), iniciou-se uma nova era na investigação científica em Portugal. Foi a primeira instituição de boa dimensão e em moldes modernos criado no nosso país devotada a essa actividade e para ela foi, ao mesmo tempo, criada a carreira de investigador científico, paralela da carreira docente universitária. Em breve a sua produção científica era notada, nacional e internacionalmente. Dez anos depois e decalcado dela, foi criada, em sector diferente, outra grande instituição de investigação científica, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Outros se seguiram, sempre com o mesmo modelo. Em 1942 foi criado outro, de âmbito especificamente mais limitado, a Estação de Melhoramento de Plantas, em Elvas (EMP). Os resultados económicos que estas três instituições deram ao país foram muitas vezes superiores ao capital nelas investido, que assim rendeu uns juros que os nossos economistas não sabem que existem, mas são reais. Conheço bem os dois relativos à investigação agronómica e alguma coisa o LNEC.

 

Em consequência da “lei” acima referida, começaram há anos a ser destruídas as instituições de investigação públicas fora das universidades. Não declaradamente, mas de forma evidente, cerceando meios de trabalho, não renovando o pessoal que foi sendo cada vez mais escasso e chegando ao descaramento de cortar a assinatura de quase todas ou mesmo todas as revistas científicas (Ao tempo ainda não havia a internet). Ao mesmo tempo, pelo menos nalguns casos, eram colocados na sua Direcção pessoas que, pelos seus actos, bem mostraram que estavam ali para destruir a instituição. Os “erros” cometidos eram de tal calibre que é difícil considerar que fossem apenas por ignorância. Nos de investigação agronómica a destruição foi mais intensa porque foi conjugada com uma bem evidente destruição da agricultura portuguesa, que atingiu o máximo de ferocidade com o governo Sócrates, que chegou ao cúmulo de devolver a Bruxelas centenas de milhões de euros. Só a actual ministra da Agricultura travou essa destruição.

 

O que resta destas anteriormente excelentes instituições é uma pálida sombra do que foram. Mas, porque ainda há uns restos dessa excelência, é que me permito dizer aos Senhores Reitores que ainda não são as universidades a única base sólida em que assenta o sistema científico e tecnológico nacional. Veremos o que o futuro nos reserva.

 

 Miguel Mota

Investigador Coordenador e Professor Catedrático, jubilado

 

Publicado no Público de 20 de Novembro de 2012

 

 

COMPAREMOS COM PORTUGAL

 

 

Puisque la FRANCE, prend toujours l'Allemagne en exemple et que nos hommes politiques nous parlent sans cesse du modèle allemand,

Quelques précisions...

 

France

Allemagne

Gouvernement

1 Président de la République
+ 1 Premier Ministre
+ 25 Ministres
+ 9 Secrétaires d'état
TOTAL : 36

1 Chancelier(e) + 8 ministres

 

 

TOTAL : 9

Coût d’un ministre

17 millions d'Euros par an

 

le soir après le" boulot"

A Paris, le 1er Ministre se détend dans son logis de fonction (310m²) à Matignon tandis que ses collègues regagnent en limousines les hôtels particuliers que la République met généreusement à leur disposition

Angela MERCKEL rentre dans son appartement, dont elle paie le loyer, les factures d'eau et d'électricité. Comme chacun de ses 8 ministres

Personnel

906 personnes travaillent à la Présidence de la République

A peu près 300 personnes en Allemagne

Parc auto

Élysée : 121 véhicules

Chancellerie : 37 véhicules

Déplacements

1 « Airbus A330-200 »
2 « Falcon 7X
2 « Falcon 900 »
2 « Falcon 50
3 Hélicoptères « Super Puma » etc. ..

Systématiquement en train ou sur des lignes aériennes régulières

Salaire

Président de la République
21 026 €

Angela MERKEL
15 830 €

Budget

l’Élysée culmine à
113 000 000€.

Chancellerie 
36 400 000 €


On commence quand Messieurs les hommes politiques?

 

DA UNIVERSALIDADE DO DIREITO AO CIRCO

 

 

A cada homem é dado criar a sua própria vida, bem como lhe é exigido que participe na definição de parâmetros gerais da família e da comunidade onde se insere. Vivemos e agimos num e para um mundo partilhado onde as identidades individuais se relacionam, se condicionam e se criam mutuamente.

Importa muito mais o que temos em comum com o outro do que aquilo que nos distingue. Hoje parece ser moda fazer da diversidade riqueza, quando, na verdade, o mais precioso é o semelhante, o que nos permite compreender o outro, criando instituições que da colaboração entre iguais geram satisfação de necessidades e anseios comuns.

A diversidade é um facto, mas a igualdade é uma conquista social, um direito. Ao Estado cabe atender às necessidades comuns, não às múltiplas esquinas da diversidade individual. Os direitos de voto, educação, saúde, protecção na velhice, etc. são universais.

Existem dois modelos de cidadania que nos permitem compreender a forma como a democracia, logo nos seus primeiros passos, parece ter sido ferida de morte... na cidades gregas era exigido aos cidadãos que participassem activamente na vida pública, responsabilizando-se todos e cada um dos cidadãos pela tomada de todas as decisões públicas. Todos os cidadãos eram políticos. Depois, no império romano, criaram-se dois patamares: um para os cidadãos e outro para os políticos, sendo que estes já eram recrutados entre as classes mais altas da sociedade. Aos cidadãos cabiam garantias jurídicas, pão e... circo.

Actualmente, os sistemas políticos apostam em garantir cidadãos à romana.

Hoje há muita gente que parece ser capaz de defender com a própria vida o seu direito ao circo. Sendo capaz de se entregar, qual mártir, a um espectáculo para o supremo bem do direito ao circo do seu próximo. Hoje, como nunca, são os cidadãos eles próprios que desejam alienar-se, distrair-se, estupidificar-se, a fim de que não tenham tempo nem espaço para os problemas mais fundos. De tudo se faz um programa de televisão, da estupidez no palco se fazem audiências, de tanta TV se fazem cidadãos cada vez mais passivos e infelizes... porque assim se perde precioso tempo para construir vidas melhores... para si mesmos e para os outros.

Com o advento da chamada web 2.0, todos os utilizadores são incentivados a criar e a partilhar conteúdos com o mundo... No mesmo sentido, caminharam os diferentes meios de comunicação social, onde cada vez há mais espaço e atenção aos que não fazem a menor ideia do que é a verdade a respeito do que dizem, reclamando invariavelmente o seu direito à... diferença. Certo é que quanto menos disserem com acerto, mais audiência geram... um circo! Em casa, muitas palmas. Aos que sabem do que falam pede-se-lhes silêncio, a fim de que não se perca nem um segundo do teatro dos tristes!

Há muito a fazer na construção de um país melhor, mas, porque não se pode confundir movimento com acção, não creio que passe por arrancar pedras da calçada, menos por atirá-las a outros cidadãos, menos ainda por se queixar por haver sofrido retaliações pelo uso abusivo da liberdade... “vítimas” da sua própria irresponsabilidade.

Cabe aos cidadãos o suporte da comunidade e não o inverso. A indignação faz sentido, mas apenas e só enquanto não atentar contra a dignidade de ninguém. Que quem nunca errou atire a primeira pedra...

Viveremos bem sem circo. Muito melhor que agora. Mas há que acordar toda a gente que precisa tanto de circo como do pão de cada dia.

 

José Luís Nunes Martins José Luís Nunes Martins

 

i-online 17 Nov 2012

CAFÉ E CACHAÇA *

 

Faz 50 anos que deixei Évora, depois de ter vivido cinco na saudosa Mitra! Até hoje Évora está dentro do meu coração, e ainda a considero a mais bonita cidade de Portugal!

 

Lembro os bailaricos no Lusitano, no Harmonia e o “hotel” onde pagávamos 2$50 para dormir: a estalagem onde ficavam as carroças e mulas, no edifício onde depois foi a Rodoviária! Como se pode imaginar o “quarto do hotel” era qualquer espaço que se encontrasse em cima dum bocado de palha! Saudades? Sim!

 

Aprendi muito nessas terras. Não só na velha Escola de Regentes Agrícolas mas com o povo simples, cheio de sabedoria tradicional.

Não esqueço nunca uma “aula” recebida no Café Arcada! A meio da tarde, o Café quase vazio, entrou um casal, forasteiro, com um casalinho de filhos nos seus quinze anos, e sentaram-se numa mesa perto do balcão do bar. O criado aproximou-se, profissional, e aguardou ordens.

 

O velho Café Arcada antes de ser destruido pelo fogo

 

O pai de família: Eu quero um café. A mãe: P´ró meu marido não pode ser muito forte. O pai: Mas eu quero quente. A mãe: Para mim pode ser forte, mas não muito quente. O garotão: Para mim é forte e quente. A donzela: Para mim fraco e morno.

 

O criado, imperturbável, repetiu tudo, obteve a confirmação dos fregueses e foi ao balcão encomendar os cafés. Registou na máquina enquanto pedia ao colega:

 

- Sai quatro cafés.

 

Eu, sentado ao balcão, ouvi tudo aquilo e fiquei curioso para ver como o criado se desenvencilhava. Pegou nos cafés, colocou na bandeja, dirigiu-se aos clientes, e ar de interpretação da “mercadoria”:

 

- Forte e morno? Para mim. Quente e fraco? Eu. E por aí fora. Todos tomaram os seus cafés “individualizados”!

 

A minha admiração foi grande! Cumprimentei o esplêndido criado, agradeci a “lição” e dei-lhe uma gorjeta no valor de dois cafés: 1$00!

Agora, há já vinte e cinco anos que peregrino pelo Brasil, onde há pouco uma pesquisa feita para o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, concluiu que o imposto que os portugueses impuseram na cachaça serviu para reconstruir Lisboa, arrasada pelo terramoto de 1755 e ainda manter as duas Universidades, em Lisboa e Coimbra.

 

Gravura francesa da época

 

Se isso assim aconteceu considero uma genialidade ter-se conseguido, com tão pouco, fazer tanto!

 

Quem, e onde se bebia essa cachaça toda? No Brasil? E recolhia-se tanto dinheiro assim que deu para reconstruir uma cidade violentamente arrasada por um terramoto? Ou em Portugal, concorrendo com as aguardentes locais, as bagaceiras, os vinhos, a geropiga, os abafados e até o Vinho do Porto?

 

Partindo do pressuposto que era no Brasil o principal consumo, devia por aqui andar tudo bêbado. E o índio que pouco dinheiro tinha, não deve ter contribuído para a reconstrução nem de uma pobre oca, nem os escravos, de uma modesta banza. Sobram os colonos. A beber assim não durariam duas gerações!

 

E quem sustentava as Universidades, se Lisboa consumiu rios de dinheiro para se reconstruir? Que bêbados?

 

Como não parece muito verosímil que tal sustentação fosse baseada no imposto sobre a cachaça, e como também não pretendendo desmentir a resultado da tal pesquisa, por falta de dados, sou levado a concluir que a cachaça deve ter, isso sim, contribuído para levantar o moral dos trabalhadores que reconstruíram Lisboa, dando-se a cada um, por dia, uma boa canada.

 

Nas Universidades, apesar de ser tradicional haver um ou outro professor chegado ao álcool, bem como alguns estudantes que ficaram famosos por terem levado dez e mais anos para concluir os cursos enquanto esvaziavam incontáveis barris, não consta nos anais daquelas venerandas instituições de ensino, que os professores fossem pagos com barris de pinga.

 

Quem sabe se foi por falta de suficiente número de bebedores que o Marquês “se viu obrigado” a fechar a Universidade de Évora? Com a descoberta que esta famosa pesquisa nos proporcionou, deve rever-se toda a história, e talvez não tenha sido por raiva dos jesuítas!

Valha-nos Deus. Já só faltava esta para ainda mais acirrar os ânimos contra os portugueses.

 

Em vez de guerra proponho que levantemos todos um bom copo de cachaça, e nos saudemos TODOS como irmãos. Ou será melhor bebermos um copo do milenar Tinto de Peramanca?

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

* Escrito em 30/03/2001 (Há mais de onze anos!)

A RESPOSTA DO PRÓXIMO

 

 

Esta crise inverteu o efeito relativo dos mecanismos comunitários. Portugal mudou e é daí que sairá a resposta aos nossos males, apesar de não darmos por isso.

 

Nas décadas de facilidade e endividamento aprendemos que os nossos problemas se resolviam através de duas formas principais: política e economia. Os meios válidos para o sucesso social eram o poder ou o dinheiro. O resto não interessava. Ora foi precisamente aí que a crise bateu, com défice orçamental e recessão produtiva a paralisar os sistemas político-económicos. Hoje a maioria das pessoas vira-se para aqueles lados que o dirigismo e materialismo das últimas décadas descuraram ou agrediram: família e Igreja.

Com Estado e economia manifestando incompetência, as pessoas aflitas regressam às redes informais. O papel dos institutos e mercados é indiscutível, mas se não fossem os parentes e as paróquias muita gente estaria perdida. Isto é irónico, pois as análises e políticas continuam a seguir a linha tradicional, esforçando-se por desacreditar esses velhos laços e substitui-los por métodos modernos e técnicos, em repartições públicas e relações comerciais. Pior, as agressivas medidas laicistas e anti-família lançam ataque feroz contra essas formas sociais básicas.

 

Totalitarismo assistencial e promoção do aborto e divórcio permanecem virulentos. Apesar de todos os esforços, família e Igreja sobrevivem e com elas contamos nesta terrível crise do Estado e economia. São mesmo a única hipótese em certos traços da crise, que os mecanismos oficiais descuram.

Aquilo que mais aflige as análises comuns é a terrível sorte dos mais pobres. Mas não são os pobres os mais afectados pela crise, como se vê bem em alguns indicadores esquecidos. As taxas de desemprego das pessoas sem graus de escolaridade ou com o primário continuam abaixo das do terceiro ciclo e secundário, os quais são quase metade dos desempregados. Mesmo as medidas de austeridade vêm com uma ressalva para os rendimentos inferiores. O peso da crise está pois a cair na classe média. Muitos que tinham certa prosperidade estão agora a apertar o cinto, ou mesmo a cair na pobreza. Aliás são esses que protestam: funcionários, professores e outros profissionais dominam a contestação ao governo.

É importante notar que este facto não reduz, antes aumenta o sofrimento. A pobreza é sempre dramática, mas a pior vem quando a queda na miséria se faz a partir do conforto. O embate, surpresa, desajustamento são muito maiores, precisamente porque essas pessoas nunca conheceram a privação. Em geral domina a vergonha e o desespero. Não só ignoram os apoios disponíveis, mas os próprios mecanismos de assistência identificam ou lidam mal com casos que surgem de lados inesperados. Esta nova e inesperada pobreza é muito mais grave que a endémica, precisamente por ser inusitada. Estado e empresas têm dificuldade em reagir. Só os próximos acodem.

D. José Policarpo disse-o há dias: "Penso que houve uma coisa muito bonita desta crise que estamos a viver que foi que a participação da Igreja não foi de palavras, foi de obras. E graças a Deus com uma grande resposta. Desafiámos os nossos cristãos a estar atentos ao seu próximo, ao seu vizinho e a agir. Em vez de estar a tomar posições solenes de condenação de soluções governativas, olhar o que as pessoas estão a viver... é isso que é a nossa missão. Esta foi uma opção muito simples de realismo da caridade cristã." (Rádio Renascença, 4/Out.)

O grande valor destas declarações está numa forma totalmente diferente de olhar a situação nacional. Uma sociedade saudável precisa de equilíbrio entre família, economia, Estado e Igreja. A crise nasceu do desequilíbrio e mesmo hoje a generalidade das análises continua a assumir uma solução político-económica, mesmo quando a crise mostra a fragilidade desses mecanismos. Reduzimos a eles a nossa opinião, acusando credores e políticos e acreditando que basta mudar ministros ou leis e tudo volta a funcionar. Mas a solução mais próxima é normalmente a mais eficaz.

 

 JOÃO CÉSAR DAS NEVES

 

DN 12-11-2012

 

EM BREVE... NOS TRIBUNAIS!

 

 

Cena de tragicomédia

 

Gostei! Gostei, mesmo! O tribunal “mandou” que os “homo-pares” passassem a ter os mesmos direitos dos casais, os tais anormais, os hetero: na declaração de impostos, na herança, na adopção de crianças (quase votada, a lei), etc.

 

Não prevêem como a humanidade se reproduzirá, mas há a esperança da clonagem e da gemiparidade. Sempre sobra uma esperança, por pequena que seja.

 

E os “pares”, e as “paras”, beijaram-se e lamberam-se em público, para mostrar ao mundo – e às crianças que vêem televisão – o quão jubiloso havia sido este oficial (ou oficioso?) reconhecimento da união dos “plus” mais diversos!

 

Mas... não há bela sem senão. Assim que isso tomou forma jurídica, uma marida de um dos paras, abandonou a ex-amada/o, artista, cantor/a, rica/o, como é de calcular, e... entrou com um processo em tribunal para lhe caçar metade dos bens!

 

Olhem, não é para me gabar, mas gostei desta!

 

Marmeladaram à vontade enquanto não era lei, e agora, que estão juridicamente consolidados, vamos assistir a uma porção de pedidos de “desconsolidação”, que partirão dos mais pobres, ou mais novos!

 

Quem não acreditar, pode apostar e esperar para ver.

 

Estou já a imaginar a sessão na côrte: juiz (ou juíza) de toga, ar grave, a/o queixosa/o com lágrimas nos olhos, a confessar, lembrando, os momentos de grande farra que houve entre ela/ele, e a/o ré/réu, o advogado deste/a a arguir que a sua/seu constituinte apesar de ter vivido momentos de grande gozação, agora não estaria mais interessada no plus da/o outra/o marida/o!

 

Do outro lado, a/o ré/réu, e seu defensor, replica: excelência: o que a/o queixosa/o pretende com toda esta encenação é a grana do meu/minha constituinte. Ela/ele cantou toda a vida, dançou, exibiu o corpo para cobiçosos olhares de homens, estes desconhecendo ou não os apetites do plus da/o artista, sempre uns famintos, e para se defender desses ataques masculinos, decidiu curtir as suas mágoas com um/uma outro/a parceira/o, considerando que tendo plus semelhantes, o “negócio” entres eles/elas, seria mais estável.

 

Agora, a/o queixosa/o, a única coisa que vislumbra é a grana do par. Para o meu/minha constituinte, que já tanto dançou em público, não é justo que tenha que dançar mais uma vez, pagando à ex marida o que ela/ele, vergonhosamente reclama. O que deve fazer é reclamar o plus de qualquer um/uma outro/a.

 

O juiz/a a esta altura não sabe mais quem é quem. Nem as maridas.

 

Cai o pano, porque o resto é demasiado pornográfico. E cai o juiz da cadeira!

 

Rio de Janeiro, 06/06/11

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

O MEL E A CANELA

 

Entre os e-mails que me chegam, a maior parte de grande qualidade de imagens ou sons do passado e do presente, alguns de uma beleza como nunca julguei que tão comodamente me viessem servir de recreio, fazendo-me viajar pelo mundo das terras e do seu conforto e arte, ou mostrando quadros de ternura humana e animal ou de beleza de composição natural, atestando a qualidade artística e humana dos seus autores, recebi um de receituário sobre os efeitos benéficos do mel com canela que transcrevo:

 

Eis os dados do texto:

 

«Qual é o único alimento que não se estraga? O mel de abelhas.

A mistura de mel e canela cura a maioria das doenças. O mel é produzido em quase todos os países do mundo. Apesar de ser doce, a ciência demonstra que, tomado em doses normais, como medicamento, o mal não faz mal aos diabéticos.

A revista Weekly World New do Canadá, na sua edição de 17/1/95 publicou uma lista das doenças que são curadas pelo mel, misturado com canela.

Observação: o mel não deve ser fervido.

1- Doenças de coração

Pasta de mel com canela: colocar no pão e comer de manhã em vez de compotas…:

Reduz o colesterol das artérias, previne problemas de coração, enfartes, diminui a falta de ar e fortalece as batidas do coração.

2- Artrite e infecções de rins:

Misturar uma xícara de água morna com duas de mel e uma colherzinha de canela em pó. Beber uma xícara de manhã e uma de noite.

Se tomar com frequência, pode até curar a artrite crónica, além de eliminar os germes que produzem infecções nos rins.

Na pesquisa feita na Universidade de Kopenhagen, os médicos deram aos seus pacientes, diariamente, antes do café da manhã,. Uma colherada de mel e meia colherada de canela em pó. Ao fim de um mês os pacientes estavam livres da dor, mesmo os que já não conseguiam andar.

3- Colesterol

Duas colheradas de mel com três colherinhas de canela misturados em meio litro de água. Três vezes ao dia. Reduz o colesterol em 10% em duas horas. Tomado diariamente, elimina o colesterol ruim.

4- Resfriados

Para curar completamente a sinusite, tosse crónica e resfriado comum ou severo, misturar duas colheradas de mel com uma colherinha de canela em pó e tomar com frequência.

5- Dor de garganta

Uma colherada de mel misturada com meia colher de vinagre de sidra. Tomar de quatro em quatro horas.

6 - Perda de peso

Diariamente, meia hora antes de deitar e meia hora antes de tomar o café da manhã, beba mel com canela numa chávena de água.

Se beber todos os dias, reduz o peso, até mesmo as pessoas muito obesas.

7 – Velhice

Também evita os estragos da idade, quando se toma regularmente.

Misture uma colherada de canela e três xícaras de água. Ferva para fazer um chá. Quando amornar, coloque quatro colheradas de mel.

Beber meia chávena, três ou quatro vezes ao dia.

Mantém a pele fresca e suave e diminui os sintomas da idade avançada.

Beber este chá alonga a vida e até uma pessoa de cem anos pode melhorar muito e sentir-se mais jovem.

6 - Perda de cabelo

Colocar uma pasta de azeite (aquecer a uma temperatura suportável à pele) com uma colherada de mel e uma colherinha de canela no couro cabeludo, durante 15 minutos, antes de lavar.

7- Dor de dentes

Fazer uma pasta com uma colherinha de canela e cinco colherinhas de mel e aplicar no dente dorido. Repita pelo menos três vezes por dia.

8 - Picadas de insectos

Misture uma colherinha de mel e duas colherinhas de água morna e uma colherinha de canela em pó. Faça uma pasta e esfregue-a sobre a picada. A dor e a coceira desaparecem em um ou dois minutos.

9- Diversos

A mistura de mel com canela alivia os gases no estômago, fortalece o sistema imunológico e alivia a indigestão.

 

Agora é que a minha amiga e eu nos vamos esmerar a rejuvenescer. Sem botox. Um quarto de chávena três ou quatro vezes por dia de água fervida com canela a que misturaremos o mel das abelhas silvestres.

 

 Berta Brás

COISAS DA ÍNDIA – 3

 

 

AS AVENTURAS DE BASTIÃO PIRES

 

CARTA DE BASTIÃO A D. MANUEL I

 

Uma longa missiva dirigiu Bastião, o Vigário Geral, a D. Manuel I datada em 8 de Janeiro de 1518. Conta que há dez a doze mil cristãos em Cochim. Denuncia Lopo Soares de Albergaria que deixou morrer à fome e à sede 300 cristãos malabares no estreito de Meca, porque não lhes deu comida nem gota de água. Em vez de carregar mantimentos nas naus, encheu-as de mercadorias para os capitães.

.

Os míninos cristãos que aqui são ensinados, tinham mantimentos assentados por Afonso de Albuquerque. Lopo Soares tirou-lhos. Nunca mais nenhum quis aprender.

 

E quase no fim desta carta lamuriante, diz a el-Rei: Mande Vossa Alteza homens que sejam de 30 anos para cima, que seja em seus feitos e hajam vergonha.
.

Em 14 de Janeiro de 1519, a cidade de Cochim concede um louvor a Bastião Pires e transmitiu a D. Manuel; o Ouvidor das suas mágoas, por tudo que se ia passando por Cochim e Índia.

 

 

 

 

O Rei Venturoso já não pertencia ao número dos vivos. As notícias de Portugal à Índia demoravam quase um ano. As queixas visavam Lopo Soares de Albergaria, Vice-Rei da Índia, após a morte de Albuquerque, seu inimigo pessoal.

.

Bastião sempre fora bem acolhido e protegido por Albuquerque, enquanto Lopo Soares não nutria nenhuma simpatia pelo Vigário Geral.

 

A respeito de Albergaria, informava: No ano que foy Lopo Soares pera Portugall eu foy com hele, como Vossa Alteza no dyto ano me enviou a resposta de huma carta que vós por mym foy enviada no ano de quynhentos e desoyto. As cousas que Vossa Alteza manda qua que se cumpram, que som servyço de Deus e noso, poucas as esmolas, que Vosa Alteza manda dar aos pobres, a symquo anos que se nom deu e muytos precem a fome// e, vemdo a nosa pouca carydade areceam muytos de se tornar crystãos...

 

.

A carta de Bastião Pires é composta de várias páginas. O Vigário Geral defende a propagação da religião em Cochim. E, também os interesses da Coroa portuguesa. Sabe converter gente ao cristianismo e dá-lhe esmolas. Assim, Portugal voltará mais forte na Índia. D. Manuel considera-o, mandou-o ir a Portugal dar-lhe conta como era que tudo por ali se passava. Albuquerque não ignora a acção evangelizadora do Vigário e apoia-o. D. Manuel e Albuquerque finaram-se e Bastão Pires fica só no mundo, não tem apoios e não escapa ao ajuste de contas.

 

  José Gomes Martins

(Bangkok)

 

http://portugalnatailandia.blogspot.com/2010/06/coisas-da-india-os-pecados-de-bastiao.html

RESQUÍCIOS LISBOETAS!

Henrique de Paiva Couceiro 

 

Como dizia o grande Solnado, “palavra puxa grunhido, grunhido puxa palavra”, e a verdade é que continua a vir-me à cabeça a estadia em Lisboa. Até parece que foi a primeira vez que ali estive. Mas...

 

Ficámos num hotel na rua Castilho, como já contei, com uma bela vista sobre parte de Lisboa, e à noite demos ali à volta alguns passeios a pé.

 

Fui ver, por fora, a casa em que morei com os meus pais aí por 1936, uma esquina da rua P. António Vieira com a Rodrigo da Fonseca e no cimo da rua Castilho a ex-Cadeia Penitenciária, abandonada, que, em Dezembro de 2006, foi alvo duma inescrupulosa vigarice do (des)governo do sr. sócrates, quando pensou que todos os portugueses eram burros e vendeu a Penitenciária, do Estado, a uma pseudo empresa pública, do Estado, para tentar esconder o descalabro que desde há muito vinham apresentando as contas públicas. E parece que até hoje ninguém sabe o que fazer com aquele complexo, mas que vai dar, ou já deu, uma grande negociata, com os amigalhaços, disso ninguém tenha dúvida. Enfim! Depois descontam nos trabalhadores e aposentados!

 

Mas voltemos à Penitenciária, desta vez em 1919!

 

Nessa altura alguns monárquicos ainda sonhavam com a restauração da monarquia, e houve uma revolução. Foi a chamada “Monarquia do Norte” comandada por Paiva Couceiro, uma das grandes figuras da história de Portugal do final do século XIX. Uma revoluçãozinha. À moda portuguesa.

 

Em Lisboa a revolução foi liderada por Aires Dornellas e João de Azevedo Coutinho, outros dois heróis nacionais, monárquicos até à medula, mas não durou mais do que cinco dias! Capitularam perante os republicanos e foram todos “engavetados” nesta Penitenciária.

Eu tenho um livro de autógrafos, que foi do meu bisavô, e que entrou na Penitenciária, até porque também fora preso um sobrinho do meu avô, e é hoje um prazer ler as assinaturas de quase todos os oficiais envolvidos, muitos deles antepassados de amigos e até mesmo de alguns dos meus netos!

 

Todos, por baixo dos seus nomes, acrescentaram “ex-T.Cel. de Artilharia”, ou “ex-Cap. de Cavalaria”, etc., e muitos deles ainda escreviam “na Cadeia Penitenciária”!

 

E lá vêm os nomes:

- João de Azevedo Coutinho – Penitenciária de Lisboa – Dia da Paz – 12 Julho 1919 (nesta altura ainda Capitão de Fragata porque se retirara da Marinha na implantação da República!)

- Ayres d’Ornellas – Penitenciária de Lisboa – 12 Julho 1919

- João de Vasconcellos e Sá – ex-major de Cavalaria – Penitenciária... – 18/7/919

- Álvaro César de Mendonça – 12-VII-919

- Augusto Mateus (?) da Costa Veiga – Te.Cel.Eng. ... ?

- Alberto de Almeida Teixeira – ex-Tenente Cel de Artª, com.te do grupo de artª ... ?

- Carlos Maria Sepulveda Velloso – Ex-Com.te do G.E. de L.N (?)

- Antonio Lobo de Portugal e Vasconcelos – ex-cap. de cav. da guarda

- Hermillo Pereira Prostes da Fonseca – cap cav.

- Guilherme Street d’Arriaga e Cunha (Carnide) – ten mil. d’Engª

- João da Cunha Monteiro – te.te milº d’artª a pé

- José Ferreira Lima – of. demitido do reg.to de cav. 4

- Theofilo Duarte – ten. cav. 7

- José Manuel Figueira Freire – capitão de cavalaria

- Jaques...(?)  Sena ... (?) – alf. m. d’arta

- Antonio Augusto Parreira – ex-Capitão de Lanceiros 2

- Antonio Lobo Antunes – Capitão de Cavalaria

- Conde de Arrochella – ex deputado por Lisboa

- Fernando Cortez (?) Sampayo e Mello –

- José (Madeira ?) de Almeida

- José Augusto (?) de Almeida

- Gonçalo Casimiro Murgueira

- Jorge Ribeiro

Onde está (?) é porque não se conseguiu decifrar correctamente o nome intermédio na assinatura.

 

E aqui está uma lista dos monárquicos... perdedores, que algumas semanas mais tarde seriam amnistiados. Alguns decidiram exilar-se e só voltaram a Portugal depois que foi declarada a amnistia geral, em 1925.

 

A João de Azevedo Coutinho foram-lhe mais tarde reconhecidas todas as suas acções militares e administrativas, reintegrado na Marinha e promovido a vice Almirante honorário.

 

Todos estes passeios por Lisboa trazem memórias, sem esquecer as “Quentes e boas”, aquelas maravilhosas castanhas assadas embrulhadas em higiénico papel de jornal (!), que nesta época do ano se vendem nas ruas de Lisboa, e quando eu era jovem custava, cada embrulhinho, cinquenta centavos ou um escudo e agora custam um euro! Só 200 vezes mais!

 

Rio de Janeiro, 19-Nov-10

 

Francisco Gomes de Amorim

 

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