Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

BRUXO

 

A magia é arte antiga

Que veio pelo tempo fora,

Até ao tempo de agora

Com bastante obstinação,

Passando por La Fontaine

Que era céptico e brincalhão.

Mas agora

A coisa tem mais requinte

Apesar da muita treta:

Mete Cristo na conversa

Feita de forma brilhante,

E traduz em livro a mensagem

Para a alma descontente,

Enchendo com bom dinheiro

O seu divino mealheiro.

Não há como ser-se crente

Para assim cair em tamanha

Patranha!

Todavia, eu diria,

Que toda a forma de magia

Tem o seu quê de espantoso

Quer em carismática cabana

Quer em local luxuoso.

E as artes mágicas são tais

Hoje em dia,

Que os milagres se sucedem

Com um virtuosismo

De autêntico malabarismo,

Que nos põe de boca aberta,

Ainda mais que a La Fontaine

Que só estranhava o capital

Obtido sem ser por mal,

Da fama da mulher esperta

Para aquela gente tonta.

Mas eu própria também digo

Quando o azar anda comigo:

“Preciso de ir à bruxa,

Puxa!”:

Disse então La Fontaine

Na sua verve infrene:

«As Adivinhas»

«Muitas vezes o boato é o acaso que o gera

E o boato é que faz sempre a voga e a quimera.

Eu poderia fundamentar esta asserção:

Tudo é cabala, teimosia, prevenção;

E a Justiça, nem sempre vem à mão.

Que fazer? A moda é como uma torrente:

É preciso que ela siga o seu curso, fatalmente.

Sempre assim foi e será.

Uma mulher, em Paris, fazia de Pitonisa;

Iam consultá-la sobre cada acontecimento,

Estivesse brisa ou mau tempo.

Na perda de um fato, na dúvida sobre a existência

De amante no horizonte,

Ou no desejo crucial de saber

O tempo que o marido

Iria ainda viver,

Uma mãe irritadiça, uma esposa ciumenta…

Corria-se à adivinha

Só para se receber

O anúncio do que se desejava obter.

O jogo desta consistia

Em usar de muita habilidade

Eu hoje até diria

De muita psicologia.

Por vezes o acaso também concorria,

E tudo isso, era tão surpreendente,

Que a gente, extasiada,

Logo dizia

Ser milagre fascinante.

Enfim, embora de uma ignorância

De vinte e três quilates,

Ela passava por oráculo

Mesmo para cá do Eufrates.

Oráculo alojado num casebre;

Aí, a mulher encheu a bolsa,

E sem nenhum outro recurso,

Ganhou para o seu marido

Uma posição de relevo que os repousa;

Compra um cargo, uma casa.

Eis o casebre preenchido

Com uma nova hospedeira, a quem toda a cidade,

Mulheres, raparigas, criados,

Senhores respeitáveis, tudo, enfim,

Ia, como outrora, sem muito tino, embora,

Perguntar pelo seu destino.

O casebre tornou-se no antro da Sibila

Na vila.

A outra fêmea trouxera ao lugar, freguesia

Que fartasse.

Por mais que esta última mulher protestasse

A sua inocência na oculta ciência:

“Eu, adivinha? Que grande impostura!

Oh! Senhores, eu nem sequer sei ler!

Eu nunca conheci mais que esta cruz de Deus,

Por pecados meus, vil criatura!...”

Não houve razões nem argumentos.

Foi-lhe necessário

Adivinhar e predizer,

E ganhar, sem dar por isso,

Na oculta ciência,

Mais do que ganham dois advogados juntos

A puxar pelos seus bestuntos.

A mobília, a engrenagem,

Contribuíam para a imagem:

Quatro cadeiras mancas, um pau de vassoura,

Tudo cheirava a sabat e a metamorfose.

Se esta mulher dissesse verdade,

Num quarto bem atapetado,

Teriam troçado. A moda estava no tugúrio;

Ganhara crédito. A outra mulher arrepelava-se.

A insígnia faz o negócio, como o hábito faz o monge,

Ao contrário do que diz o provérbio,

E ela perdera o negócio.

Eu vi no Palácio real alguém mal vestido

Mas muito sabido

Ganhar bastante bem

As pessoas tinham-no tomado

Por um digno mestre a arrastar

Muitos ouvintes atrás de si.

Perguntem-me o porquê disso.

Não saberei responder.»

Eu acho que a razão disso

Está nas artes do mundo,

Que fazem que as negociatas,

Com acertos, e consertos,

E consensos e concertos,

Se fazem mais capazmente,

Na escuridão do profundo.

Por isso o fato não conta

Na hora de ponta.


 Berta Brás

A NAÇÃO E O SEU CONTRÁRIO

 

 

 Cosmopolitismo

 

A passagem do «eu» ao «nós» é sobretudo uma experiência mental em que a consciência de si próprio se transforma no reconhecimento de pertença a qualquer coisa superior, maior.

De Montaigne a Kant, o cosmopolitismo significa um «ponto de vista» que tomamos sobre nós próprios e que suaviza a nossa fidelidade nacional.

Pierre Guenancia

In. Revue Esprit, Junho de 2008

 

O cosmopolitismo despreza as fronteiras geográficas considerando que a humanidade segue as leis do Universo em que os homens formam uma única Nação, não vendo diferenças entre as mesmas, avaliando o mundo como uma Pátria.

 

Na actualidade o termo é bastante associado a uma ideologia que vê com desprezo a História e os acontecimentos do passado, valorizando apenas o mundo moderno, tanto na área da urbanização — como as metrópoles, as megacidades, as megalópoles, etc. — além de outros factores, a maioria incluindo a moderna alta tecnologia.

 

Dos dicionários se extrai que cosmopolitismo é a atitude ou doutrina que prega a indiferença ante a cultura, os interesses e soberanias nacionais, com a alegação de que a pátria de todos os homens é o Universo.

 Nação

Nação, do latim natio e natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando a mesma língua e tendo os mesmos costumes, formando deste modo um povo, trazendo consigo as mesmas características étnicas e mantendo-se unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional.

 

Mas, a rigor, os elementos território, língua, religião, costumes e tradição, por si sós, não constituem o carácter da nação. São requisitos secundários, que se integram na sua formação. O elemento dominante, que se mostra condição subjectiva para a evidência de uma nação assenta no vínculo que une estes indivíduos, determinando entre eles a convicção de um querer viver colectivo. É, assim, a consciência de sua nacionalidade, em virtude da qual se sentem constituindo um organismo ou um agrupamento, distinto de qualquer outro, com vida própria, interesses especiais e necessidades peculiares.

 

Nesta razão, o sentido de nação não se anula caso seja esta fraccionada entre vários Estados, ou porque várias nações se unam para a formação de um Estado. O Estado é uma forma política, adoptada por um povo com vontade política, que constitui uma nação, ou por vários povos de nacionalidades distintas, para que se submetam a um poder público soberano, emanado da sua própria vontade, que lhes vem dar unidade política. A nação preexiste sem qualquer espécie de organização legal. E mesmo que, habitualmente, seja utilizada em sinonímia de Estado, em realidade significa a substância humana que o forma, actuando aquele em seu nome e no seu próprio interesse, isto é, pelo seu bem-estar, pela sua honra, pela sua independência e pela sua prosperidade.

 

Conclusão

 

Como se vê, somos cosmopolitas porque temos como nossa a civilização ocidental (processo facilitado pela poliglotia) mas não abdicamos de promover o bem-comum da nossa própria Nação como a essência das nossas especificidades e, nesse sentido, somos nacionalistas.

 

Agosto de 2012

 

 Henrique Salles da Fonseca

BIBLIOGRAFIA: Wikipédia

MILAGRE NO LAGO PARANOÁ

 

 

 

Para quem não sabe, o Lago Paranoá é um lago artificial em Brasília, no Distrito Federal, Brasil.

 

***

Há já alguns anos o homem surgia de mansinho, ninguém sabe de onde, e ia sentar-se junto ao lago. Ali ficava longe da confusão, do incessante barulho do trânsito, e a procurar ouvir cada pequenino chuá-chuá que as marolinhas daquelas águas vinham fazer junto aos seus pés.

Ainda relativamente jovem, deslocava-se com dificuldade, sempre com uma pequena vara na mão, dando a entender àqueles que o observavam com mais cuidado que devia ser cego.

Alimentava-se de algum pão, uns restos de quentinhas que algumas almas mais atentas lhe levavam, e à noite saia da borda do lago e desaparecia no tumulto. Ninguém sabia quem era, nem onde dormia, mas de dia a sua presença, sempre no mesmo lugar, era como um imóvel.

 

 

 

Um dia o Senhor olhou aquele homem, abandonado, e compadeceu-se. Demóstenes, era o seu nome, ouviu um suave chamado, e uma voz macia, perguntou-lhe como se chamava. Demóstenes Lula de Dirceu. Nome estranho diz o Senhor. Foi meu pai, que faleceu era eu ainda menino, que me deu este nome complicado. Demóstenes, porque um dia alguém lhe falou que devia por-me esse nome, de um grande orador grego, e que talvez assim eu pudesse chegar a ser deputado ou senador! Meu pai, pescador, pobre, no dia em que nasci pescou lá no sul do país uma grande lula e achou que era um bom sinal do bom Deus e decidiu que me chamaria Demóstenes Lula. Meu pai gostava muito de lulas! Escorregadias, difíceis de preparar e cozinhar, mas bem fatiadas, e fritas... E a minha mãe, que também já cá não está, sabia através de uma vizinha, senhora professora, que o mais lindo poema de amor composto no Brasil se chamava Marília de Dirceu. E acabei com o nome complicado que, quando criança, na escola e ainda os meus olhos viam, os coleguinhas me chamavam um monte de nomes para implicarem comigo.

Pouco depois do meu pai morrer comecei a ver mal, os médicos disseram que nada podia ser feito, deixei a escola e a minha mãe cuidava de mim. Mas tanto desgosto levou-a também e acabei, com pouco mais de dez anos, sózinho!

Agora estou nesta terra, todos os dias fico na borda da água que me traz algum fresco e vivo dos restos que algumas pessoas me trazem. Sobretudo crianças. Já ouvi até uma dizer aos pais que deviam levar-me lá para casa que ela cuidaria de mim. Só criança, mesmo. Lembro da resposta dos pais: está louca, minha filha! Um homem cego, imprestável, sabe-se lá se até é ladrão! Nunca mais apareceu.

Demóstenes, disse o Senhor, Eu me compadeci de ti e vou repor a tua visão. Quando daqui sair tu vais voltar a ver, bem. Como está um dia de sol terás que andar com os olhos bastante cerrados; com o pouco de dinheiro que sei que tens contigo, compra logo uns óculos escuros.

E lembra-te deste conselho: fala pouco, e dirás sempre que não viste nada, que não sabes de nada, que não conheces ninguém. Nesta terra é a melhor maneira de te dares bem.

A seguir, um silêncio profundo, Demóstenes começa por ver um clarão, muito sol, muito reflexo na água, e não sabia se havia de gritar de alegria ou de se ajoelhar agradecido. Olhou, com dificuldade ainda, à sua volta e não viu ninguém.

Olhos semi-cerrados corre à procura dum camelô que venda óculos a cinco reais, que logo encontrou.

Ainda pediu um troco aqui outro além e foi sentar-se num café – há tantos anos que ele desejava tomar um café, sentado numa mesa – e saboreou, confuso, o arôma, o gosto e sobretudo o que se estava a passar com ele.

Ouvido atento, que tantos anos foi o único sentido de orientação que possuia, além dum raro cheiro a churrasco que nunca alcançara, ouve com facilidade as conversas que se passam ao seu redor.

Curioso e cheio de vontade de começar algum trabalho que o tirasse da pobreza, pareceu-lhe entender que alguém, ali por perto, numa conversa entre dois homens, precisava duma pessoa, séria, desconhecida, humilde, que pudesse servir de “pombo correio” entre alguns importantes, e até dar seu nome para transações... escusas.

Demóstenes continua a ver ali a mão de Deus que tão logo lhe parece mostrar um caminho fácil.

Quando um deles se levantou e saíu, Demóstenes, humildemente cumprimenta o que ficou e diz-lhe que, mesmo sem ter querido, ouvira a conversa. Óculos escuros, continuando a parecer cego, atraveu-se a dizer que não tinha trabalho porque havia sofrido duma doença rara, mas que agora tinha saúde e precisava trabalhar.

- Você pode andar, a pé, distâncias maiores?

- Sim senhor, felizmente as minhas pernas sempre foram fortes.

- Apareça amanhã, pela manhã neste endereço – e deu-lhe um cartão de visita. E como é o seu nome?

- Demóstenes, meu senhor.

- Demóstenes? Que maravilha! Para o que estamos a pensar você será a pessoa ideal.

Demóstenes, logo que sózinho, levantou um pouco os óculos e leu: “Demóstenes – Senador; Senado Federal”!

Dia seguinte, bem cedo o nosso Demóstenes aguardava já à entrada do Senado. O glorioso senador chegou quase ao fim da manhã e quando o avisaram que estava ali um homem à procura dele, logo o mandou entrar.

- Oiça bem: tudo quanto eu lhe der para fazer fica só entre nós. Bico calado e boca pequena. Vou nomeá-lo para o meu gabinete, com o ordenado de quinze mil reais por mês, dos quais você, quando receber, me entrega quatorze. Quer dizer você fica com mil para si. O que acha?

Demóstenes não entendeu bem a jogada, mas os mil por mês para quem nada tinha, era já por si um milagre.

- Sim, excelência.

- Agora para começar você vai entregar este envelope, vazio, ao sr. Cachoeira. A minha secretária lhe dará o endereço. O sr. Cachoeira saberá o que fazer com o envelope. Passar bem.

- Até mais, excelência.

Demóstenes correu para o endereço indicado. Cachoeira recebeu o envelope vazio, entendeu a mensagem, recheou-o com notas de 50 e 100 reais, e disse-lhe para retornar ao senador.

Além desse tinha mais um outro envelope, também gordo, que mandou para o lulinha.

Por fim disse-lhe para voltar no dia seguinte que teria mais envelopes para distribuir.

- Mas atenção você, não ouviu nada, não sabe de nada, nunca aqui esteve, nem vê nada!

- Não senhor; aliás eu vejo muito mal!

No outro dia o envelope, mais gordo ainda foi para o dirceuzinho.

E nesta vida anda o nosso Demóstenes, ex-cego, correndo para um lado e outro, ganhando só mil por mês, parte gasto em sapatos, até que um dia, até que um dia... é preso pela Polícia Federal!!!

Ele, um homem humilde, simples, que mal ganhava para comer, e continuava a morar quase de favor num canto duma garagem, era acusado de ser sócio de grandes empresas!

- EU ????? Sócio do quê?

- Sim senhor, quer saber?

- Claro que quero saber!

- Sócio duma construtora, Delta, com ações no valor de quinhentos mil reais; e de mais sete empresas diversas que lhe somam um patrimônio de mais de quatro milhões! Onde você arranjou esse dinheiro?

- Você vai ter que se explicar em tribunal e na CPI.

Demóstenes perdeu a fala. Arrenegou o Senhor e a sua fé, o xará senador, cachoeira, lulinha e dirceuzinho.

Além da fala perdeu de novo a visão. Cairam-lhe os óculos da cara. Estava cego!

De repente caíu para o lado; morto.

Na Delegacia foi um pandemônio. Eles sabiam que Demóstenes só podia ser um pobre laranja. Asustaram-no e... perderam a melhor testemunha!

A CPI não ia mesmo dar em nada.

 

Rio de Janeiro, 22/06/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

SANTA IRMANDADE

 (*)

 

Encontrei na Internet, entre as fábulas de Florian

- Um fabulista francês posterior a La Fontaine -

A fábula introdutória da colectânea -

«A Fábula e a Verdade» -

Que, no meu stress,

Li com muito interesse, por ver nela

A explicação da expressão tão bela

“Verdade nua e crua”

Como a que estava no poço

Da fábula de Florian,

Despidinha, coitadinha,

Antes de encontrar uma irmã.

Vejamos a qualidade

De tanta fraternidade:

«A Verdade, toda nuinha,

Saiu um dia do seu poçozinho,

Qual Carochinha

Postada à janela

Da sua casinha.

Com o tempo, a sua graça

Estava um pouco esvaída.

Jovens e velhos fugiam à vista dela,

Que maçada!

A pobrezinha

Ali andava amarfanhada,

Sem lugar achar onde habitar.

A Fábula, ricamente vestida,

Com plumas e diamantes,

Falsos na sua maioria

Mas muito brilhantes,

Como ouropéis imponentes

Disse-lhe com simpatia: “Bom dia!

Que faz você neste caminho

Tão sozinha, pobrezinha?”

Responde a Verdade

Com a seriedade

Da sua temeridade:
“Como vê, estou gelada;

Em vão peço a quem passa

Uma casa como abrigo,

Muito embora sem postigo.

Mas, coitada!

A todos eu meto medo,

Credo!

E sem nenhum amigo!

Vejo bem

Que uma velha já nada obtém.”

“Você, todavia, é mais jovem do que eu,

Responde a Fábula, com a lealdade

Da sua sinceridade.

“Sem vaidade,

Em toda a parte eu sou bem acolhida,

Minha amiga. Mas também, Dama Verdade,

Porque anda tão despida?

Isso não está nada certo: olhe, alindemo-nos:

Que um mesmo interesse nos reúna.

Venha para a minha capa,

Cubramo-nos

E juntas caminhemos.

Em casa dos sábios, por sua causa

Eu não serei repelida;

Por minha causa, em casa dos loucos,

Você não será escarnecida:

Servindo, por este meio, cada uma o seu prazer,

Graças à sua razão, e graças à minha loucura,

Com alegria,

Verá, minha irmã, que por onde quer que andemos

De parceria,

Faremos boa figura.»

Ainda hoje é assim

Para ti e para mim,

Já o li em qualquer parte,

Creio que foi em Camões:

Por vezes a Verdade é tão estranha

Que mais parece patranha,

E a Mentira, tão arteira,

Que parece verdadeira.

Leiamos então Camões

Que para tudo tem soluções,

E vendo o desconcerto do Mundo

Que dá mais vantagens à Sorte,

Por ordem do Profundo

Do que ao Mérito real

- O que sucede ainda hoje, em Portugal –

Achou melhor voltar-se para Cristo

Para perceber melhor o porquê disto:

«Verdade, Amor, Razão, Merecimento,

qualquer alma farão segura e forte;

porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte,

têm do confuso mundo o regimento.

Efeitos mil revolve o pensamento

e não sabe a que causa se reporte;

mas sabe que o que é mais que vida e morte,

que não o alcança humano entendimento.

Doutos varões darão razões subidas,

mas são experiências mais provadas,

e por isso é melhor ter muito visto.

Cousas há i que passam sem ser cridas

e cousas cridas há sem ser passadas,

mas o melhor de tudo é crer em Cristo.»

A Verdade irmã da Fábula,

Foi Florian que o mostrou.

Dois séculos antes dele,

O nosso Camões sublinhara

O inacreditável mais crível,

O real menos de crer.

E a harmonia dos opostos

Dá para todos os gostos.

 

 Berta Brás

  

(*)http://www.google.pt/imgres?q=f%C3%A1bula%2Be%2Bverdade&um=1&hl=pt-PT&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbnid=IS4IFrEXcYHorM:&imgrefurl=http://biclaranja.blogs.sapo.pt/12637.html&imgurl=http://fotos.sapo.pt/biclaranja/pic/000tbpy5/s500x500&w=349&h=500&ei=Dn84UN_aOuPT0QX9zIDABA&zoom=1&iact=hc&vpx=541&vpy=111&dur=1089&hovh=269&hovw=187&tx=119&ty=167&sig=109766553202599468647&page=1&tbnh=137&tbnw=96&start=0&ndsp=21&ved=1t:429,r:2,s:0,i:75

2012 - A GUERRA CIVIL NA SÍRIA

 

 

(*)

A fé não se discute mas o proselitismo que os homens comuns dela fazem pode ser livremente debatido. Por isso, em torno da guerra que actualmente assola a Síria, me ocorre contar alguns factos relativos ao proselitismo sunita.

O Presidente Assad não é flor que se cheire à semelhança de Mubarak, Sadam Hussein, Kadahfi e outros que tais mas...

... mas conseguiu, na sequência do longo trabalho do pai, fazer um país que era visitável por um ocidental. Era; agora já não é por causa da guerra em curso.

Os Assad significam um regime laico de orientação alauita, ou seja, uma variante do xiismo e, portanto, em clara divergência com o sunismo. A maioria da população síria é sunita.

A sede do sunismo continua a ser a Arábia Saudita que financia todo o proselitismo dessa fé.

Muhammad ibn 'Abd al-Wahhab an-Najdi (1703–1792 da era cristã) ficou conhecido por al-Wahhab e dividiu o poder com o então rei Saud da Arábia fundador da actual dinastia saudita. Al-Wahhab exigiu ficar com o poder espiritual enquanto o rei ficava com o temporal mas financiava o proselitismo da fé. Aínda hoje assim é.

Immanuel Kant e al-Wahhab foram contemporâneos e apontaram caminhos totalmente opostos para as respectivas civilizações com os europeus a seguirem o iluminismo e os wahhabitas a proclamarem que a sua é a última e única versão do Corão e que quem ousar sequer traduzi-lo (do árabe) é condenado à morte. A interpretação do Corão é literal e não são autorizadas outras leituras sob risco de pena capital.

Daqui resulta a ainda hoje imparável evolução da nossa Civilização ocidental e o completo imobilismo do sunismo wahhabita. E mal vai a «coisa» quando no versículo 5 da 9ª Surata o Corão determina que: Quando os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os (…)

Os fundamentos do radicalismo islâmico são, pois, historicamente muito anteriores à problemática da Palestina e de Israel.

Foi já em 1949 (da era cristã) que o Sheik Hassan al-Banna (1906-1949), um dos mais carismáticos teólogos wahhabitas, foi assassinado no Cairo. Eis algumas frases «simpáticas» que ele debitou para cima das massas crentes na sua fé:

- É da natureza do Islão dominar, não ser dominado, impor a sua lei a todas as Nações e fazer alastrar o seu poder ao planeta inteiro;

- O punhal, o veneno e o revólver… Estas são as armas do Islão contra os seus inimigos.

Por oposição, a fé xiita não é imóvel e reconhece que a mulher tem alma.

O que está em jogo na Síria é uma luta renhida entre o sunismo radicalizado às últimas consequências e o alauismo.

Eis, pois, os motivos que me fazem pensar que o clero sunita tem que ter mais medo do ditador na Terra do que da ira divina e que a questão não se resolve sem uma «revolução francesa» no mundo muçulmano de modo a que o Poder temporal deixe de se confundir com o espiritual. Mas isso só é possível com a criação duma predominante classe média laicamente instruida, o que os clérigos não querem para não perderem o Poder. Neste caso sírio, como no Egipto, etc., para o reconquistarem depois de terem estado dele ausentes enquanto os ditadores não foram derrubados.

Eu gostaria de poder ver todas estas matérias à distância mas não mo permito pois os muçulmanos já estão na Europa em grande força e os políticos ocidentais (que eu considero perfeitamente patetas nesta questão), parece tudo fazerem para que os radicais subam ao Poder nesses países cortando as pernas a quem nos tem defendido da crescente agressão sunita.

Sinceramente, tirando a questão atómica, não vejo tanto perigo no Irão (cuja hierocracia está à beira do abismo) como vejo nos sunitas. Mas o Irão tem petróleo e a Síria, não o tendo, é amiga de Teherão. E isso os EUA não perdoam. Cobiçando o petróleo iraniano e o regresso dessas ramas à esfera do Dólar, não olham a meios para alcançarem esses fins.

Mas, realmente, Assad não é flor de cheiro, não.

Tenho dito, até prova em contrário.

 Henrique Salles da Fonseca

(na grande mesquita de Delhi)

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=guerra+na+siria&num=10&hl=pt-PT&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbnid=4TPdqtMhh9tpYM:&imgrefurl=http://diarioliberdade.org/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D23074:a-guerra-contra-a-siria-o-que-aconteceu-e-o-que-acontecera%26catid%3D93:direitos-nacionais-e-imperialismo%26Itemid%3D106&docid=KxNkiwKnUdkd5M&imgurl=http://diarioliberdade.org/archivos/imagenes/articulos/0112a/020112_siria-guerra.jpg&w=427&h=336&ei=YUE3ULSfCOW60QXPooDYDw&zoom=1

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

 

A NOSSA CORTIÇA VAI BRILHAR

 

A minha amiga mostrou-se eufórica:

- Ai! Respirei!

- Então está melhor?

Ontem estava meio constipada e tinha-lhe levado o meu tubo de comprimidos efervescentes de acetilcisteína receitados pelo médico à minha mãe e que uso para mim em caso de emergência.

- Não é isso, foram as notícias que ouvi. Disseram ontem que as despesas da cimeira da NATO não somos nós que pagamos. E uma rica notícia é que os hotéis de cinco estrelas estão superlotados. Ontem a rapariguinha da televisão respondeu-me – que eu tenho muitas vezes posto a pergunta – que esta despesa é suportada por todos os países. Não fica contente? Eu fiquei muito aliviada.

Claro que me aliei ao alívio da minha amiga e disse mais, como os Dupondt, que sim, que ficava contente. Mas a minha amiga não estava à espera de resposta:

- Também gostava de saber quanto é que vai custar isso tudo. Devem dizer.

- Ora, nem pense! Eles lá não costumam dizer das despesas que fazem, só exigem que paguemos, ora essa!

Mas a minha amiga estava muito positiva, muito rigorosa nos seus dados, pouco lhe importavam as minhas respostas provenientes de ignorância dos telejornais, que são à hora do Dr. José Hermano Saraiva e do “Quem sai aos seus”, seguidos de queda nos braços poderosos do atrevido Morfeu.

- O Obama também vem. O cão dele, que é da raça algarvia, vai receber uma coleira de cortiça. Todos os da cimeira vão receber uma prenda, mas o Obama recebe duas – uma para o cão de água algarvio. As senhoras têm direito a uma carteira de cortiça. Os homens a uma gravata de cortiça. A nossa cortiça vai brilhar na cimeira. Uma promoção da cortiça portuguesa muito bem feita.

- Então e o vinho do Porto?.

Desdenhou.

- O Obama merece duas prendas. Escreveu um livro para crianças. Todo o dinheiro reverte a favor das criancinhas.

- O nosso Obama também tem o Magalhães, que ofereceu a muitas criancinhas.

Mas a minha amiga desdenhou Sócrates e uma vez mais, exaltou Obama, sempre rendida ao seu charme e bondade:

- Aquele tem tudo para ser um Chefe de Estado. Os que andam à procura de defeitos nele não passam de uns sacaninhas. É o único homem que está ali para servir o povo deles. Pôs os pobres a ter assistência médica, pois até isso pagam. Não vivem numa torre de marfim, de vez em quando enchem os jardins da Casa Branca com crianças. Eles adoram o cão, que vai ter uma bela coleira nossa, de cortiça.

A minha amiga, quando admira, é muito sectária. Mas também quando embirra. E não há cortiça que lhe ponha travão. Digo, rolha.

 

 Berta Brás

LIÇÕES DO PASSADO

 

 

A história antiga, medieval e moderna, tão clara nos seus ensinamentos, é de pasmar a sistemática repetição dos erros.

 

Tudo é fruto sempre do mesmo mal: a ganância, o luxo, as demonstrações de grandeza. Os países, impérios ou simplesmente grupos tribais, feudais, etc., todos cairam quando os chefes permitiram o luxo de gastos exgerados acima dos impostos cobrados.

 

Vem exemplos da Pérsia, do Egito, da Grécia, Macedónia, das grandes conquistas de Alexandre, sendo mais detalhadamente conhecido o declínio e extinção do Império Romano.

 

Há que reconhecer que os romanos deixaram um espantoso legado na administração e na organização militar. Mas tanto deixou crescer essas organizações que o aumento dos seus custos tornou impossível manter legiões, pretores, senadores, e até à população em geral faltou comida.

 

Em decadencia, enfraquecido, desmoralisado com tanta despesa e luxúria, não foi difícil aos povos germânicos se apossarem de Roma, que passou a viver uma época de insegurança, saques, sem comércio e sem alimentos.

(*)

 

Fugiram das cidades os grandes senhores, levando consigo criados e servos. Instalaram-se no campo, criando as “vilas”, onde passaram a viver do que produziam, numa agricultura simplesmente de subsistência.

 

Passado pouco a Europa foi assaltada por todos os lados. A sul pelos árabes que transformaram o Mediterrâneo, o “Mare Nostrum” dominado por Roma, num mar onde eles eram senhores e quase únicos navegadores e comerciantes. A leste as invasões de povos vindos até das estepes longíquas e a norte as devastadoras invasões dos normandos.

 

Não havia poder concentrado na mão de um rei que pudesse fazer frente a tantos inimigos, e assim foram surgindo, como as vilas dos romanos, os feudos, com caracteristicas semelhantes: uns senhores nobres, uns tantos servos e escravos, que viviam numa comunidade fechada. As feiras nesses feudos não utilizavam dinheiro; quase exclusivamente trocas: galinhas por panos, vinho por carne, etc. Sendo que para os agricultores, os trabalhadores, sobrava menos de 1/5 do que produziam. Era quase tudo para os seus senhores, em pagamento direto ou... em impostos... diretos. Os feudos eram unidades de produção fechada, mas pobre. Para crescerem tinham que guerrear algum vizinho. Muitos deles se destruiam com a guerra entre os herdeiros, apesar da lei prever que o primogénito era o único a herdar. Muitas vezes os outros irmãos não aceitavam serem jogados na miséria e combatiam o novo senhor, dividindo terras. Assim os feudos iam enfraquecendo enquanto viam as propriedades da igreja sempre em grande crescimento; primeiro porque não havia herdeiros para as dividirem e depois porque recebiam de todo o trabalhador aquele vergonhoso dízimo.

 

Foi neste tempo que a Europa viveu o chamado período “das trevas”. Tudo se reduziu de uma forma profunda; conhecimentos, cultura, e até o comércio quase deixou de existir, já que raramente alguém tinha excedentes de produção!

 

E a que espetáculo assistimos nos dias de hoje? Luxo, luxo, luxo, máquinas administrativas e militares absurdas, desemprego em alta, e os negócios ilícitos e criminosos a prosperarem: drogas e armas.

 

Chega agora um golpe duro: as secas e inundações a arrasarem plantações e encarecerem as comodities de produtos alimentares a patamares perigosissimos: os países pobres vão comprar menos, os enfraquecidos vão ter aumento no seu custo de vida e os produtores de carne e ovos...

 

Safa-se o Brasil com seus excedentes de produção e... quem mais?

 

Ninguém aprende com o passado! O que interessa é enriquecer os amigos, provocar guerras e deixar que a população viva drogada.

Morre mais depressa.

 

A chama das Olimpiadas foi criada na Grécia para avisar os povos que durante aquele período de jogos, em que qualquer poderia participar, amigo ou inimigo, cessavam todas as guerras. Mesmo se deixarem esta acesa... adianta alguma coisa?

 

Só gastará mais gás!

 

Rio de Janeiro, 04/08/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=invas%C3%B5es%2Bb%C3%A1rbaras&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbnid=2DbhbLwrCReNZM:&imgrefurl=http://comunidade.sol.pt/blogs/olindagil/archive/2009/04/29/AS-INVAS_D500_ES-B_C100_RBARAS.aspx&docid=ZBbHjbyx87ntkM&imgurl=http://comunidade.sol.pt/photos/olindagil1/images/626557/original.aspx&w=400&h=265&ei=o_Q1UNXREOOQ0AWXm4CIDg&zoom=1

Circuncisão no Islão e no Judaísmo: Acção Criminosa

(*) 

Tribunal alemão toma uma Decisão corajosa

 

 

A circuncisão de meninos no Islão e no Judaísmo, segundo a sentença do Tribunal Distrital de Colónia, constitui uma agressão criminosa.

 

Mais importante que a liberdade de religião é a integridade corporal e a autodeterminação da criança, argumenta o tribunal, na sua decisão de ontem.

 

O direito de autodeterminação das comunidades religiosas não se pode sobrepor ao direito humano da integridade corporal.

 

Este julgamento terá consequências muito importantes.

 

Esta decisão deveria ser um acto de encorajamento para políticos e outros tribunais no sentido de intervirem mais corajosamente em crimes de base cultural como casamentos forçados e crimes de honra, ainda muito em voga em determinadas culturas.

 

Até agora, o corte do clitóris das meninas (praticado em grande parte do mundo muçulmano) era considerado acto criminoso no Ocidente, mas o sofrimento do acto agressivo da circuncisão de meninos ainda não tinha chegado à consciência das pessoas.

 

A decisão do Tribunal é uma vitória contra a barbaridade e leva uma consciência mais sensível a actos culturais que não respeitam a dignidade e a integridade da pessoa e constitui um apelo ao respeito pelo direito dos que não têm voz.

 

A matança ritual de animais, como no caso muçulmano e judio, em que os animais são mortos duma maneira brutal porque morrem sangrando, não foi proibida na Alemanha por "respeito à religião". Também aqui será necessária uma consciência mais afinada.

 

26.06.2012

 

 António da Cunha Duarte Justo

 

 (*)http://www.google.pt/imgres?q=tribunal%2Bde%2BCol%C3%B3nia&um=1&hl=pt-PT&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbnid=kMu4yLyVhcgQXM:&imgrefurl=http://m.publico.pt/Detail/1554297&docid=hEjQGMVN6od6mM&imgurl=http://imagens.publico.pt/imagens.aspx/390653%253Ftp%253DUH%2526db%253DIMAGENS&w=1024&h=682&ei=mf80UJrEA6LB0QWSwIH4BQ&zoom=1&iact=hc&vpx=355&vpy=305&dur=7666&hovh=183&hovw=275&tx=161&ty=91&sig=109766553202599468647&page=1&tbnh=131&tbnw=175&start=0&ndsp=18&ved=1t:429,r:7,s:0,i:91

TOUJOURS VOLTAIRE...

«Il faut cultiver notre jardin»

 

Disse-o o sábio Pangloss,

Filósofo optimista

Do “Candide” de Voltaire,

Que nas misérias humanas

Causadas por cataclismos,

Pelas hediondezas humanas,

Sobrenaturais e outras mais,

Que ele e os seus amigos atravessaram

Que se fartaram,

O que contava

Não era manter a calma

Mas cada um

O seu jardim cultivar,

O que se pode sempre entender

Num sentido figurado,

Sem precisar de ser

Muito explicado.

O mesmo sentido não tem

A fábula de Florian,

Sobre o trabalho do campo

Sem alegoria,

Mas com alegria e eficácia,

Contra a filosofia da teoria

Com pertinácia,

E sem pertinência.

«Os dois jardineiros» de Florian

Dois irmãos jardineiros receberam por herança

Um campo,

De que cada um cultivava metade;
Ligados por estreita amizade,

Faziam juntos,

Da casa, a liderança.

Um deles, chamado João, belo espírito, bom conversador,

Julgava-se um grande doutor;

E o Senhor João passava a vida

A ler o almanaque, a olhar o tempo

E o catavento e os ventos do seu tormento

Para tentar saber.

Em breve, dando curso ao seu génio raro,

Quis descobrir como de uma ervilhinha

Milhares de ervilhas pudessem brotar tão depressinha;

Porquê o grão da tília,

Que produz uma grande árvore, é mais pequeno, todavia,

Do que a fava que morre ali, a dois pés;

Enfim, por que secreto mistério

Esta fava que se semeia ao acaso no terreno,

Sabe volver-se no seu seio,

Deita a raiz para baixo e o caule para cima.

Enquanto ele sonha e se aflige,

Por não penetrar os tão importantes segredos

Dos seus credos,

Não rega os prados:

Os seus espinafres, a sua alface

Secam de pé; o vento norte mata-lhe as figueiras

Que ele não cobre de terra.

Nada de fruta vendida, nenhum dinheiro no bolso;

E o pobre doutor, com os almanaques do seu ócio,

Tem por único recurso o seu irmão.

Este, desde manhãzinha,

Trabalhava, cantando alegre canção,

Cavava, tudo regava, desde o pessegueiro às azedas,

Vitoriosamente.

Sem querer discorrer sobre o que ignorava

Semeava honestamente,

Para poder colher.

Por isso, no seu terreno tudo se dava à maravilha,

Como na Ogígia ilha;

Ele tinha dinheiro, fruta, prazer.

Foi ele que o irmão sustentou;

E quando o Senhor João surpreendido

Lhe veio perguntar como tinha acontecido:

“Meu amigo, respondeu este, eis aqui o mistério:

Eu trabalho, tu reflectes, em busca da luz

Do saber;

Qual de nós mais produz?

Tu atormentas-te, eu divirto-me a valer;

Qual é de nós é o maior sabedor?”

Não se trata de uma fábula, é bem de ver.

É a história dos homens, é a história dos povos.

Há os que trabalham mais, os que trabalham menos,

Mais o menos do que o mais

A maioria das vezes

Entre os povos soezes.

Cultivar o jardim é bem preciso,

Em sentido próprio e figurado.

Sabemo-lo por experiência própria,

Por vergonha imprópria,

Por falta de siso,

Pelo nosso fado.

Quanto à história do Forian

Sobre dois irmãos tão diferentes,

Mais valera

Que o irmão do Senhor João

Que o alimentara,

O ensinasse como trabalhar a terra

Ou ele próprio o fizesse,

Para que a terra não secasse

E o campo não morresse.

Nós também

Deixámos secar a terra,

A floresta ardeu.

E ninguém dos que governam

Nos valeu.

 

 Berta Brás

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D