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A bem da Nação

FICÇÃO E REALIDADE

A HERANÇA MALDITA DA «PETROBRÁS»

 (*)

 

 

O primeiro plano de negócios (2012-2016) divulgado pela actual presidente da «Petrobras», Graça Fóster, não deixa margem para qualquer dúvida: o de­sempenho da estatal vem retroce­dendo desde que o PT chegou ao po­der, em 2003.

 

Depois de verificar que a empresa não vinha cumprindo as metas de produção estabelecidas, Graça Foster decidiu rever esses números para um patamar que definiu como mais "realista", deixando clara a sua repro­vação em relação à herança — por que não dizer maldita — recebida de seu antecessor, Sérgio Gabrielli.

 

Ao reconhecer o atraso em mais de um ano na operação de novas plata­formas, a presidente da estatal bai­xou em 700 mil barris de petróleo por dia a estimativa de aumento da pro­dução até 2020.

 

Essa parece ser a primeira de uma série de mudanças na gestão da esta­tal, que ao longo dos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu forte pressão política e acabou tendo parte de seus cargos técnicos e díretorias dividida entre aliados da base governista.

 

A interferência política na gestão da «Petrobras» ficou bastante clara em 2007, após a descoberta do campo de Tupy no pré-sal e da decisão do go­verno Lula de alterar o marco regulatório do petróleo — de comprovado sucesso formulado e implementado no governo do PSDB — em meio a uma intensa campanha publicitária vinculada ao projecto eleitoral do PT, em 2010, que acabou garantindo a eleição de Dilma Rousseff.

 

O resultado desta "reforma da re­forma" foi um desastre para o sector e para a «Petrobras».

 

Aos poucos os prejuízos estão sen­do percebidos e contabilizados. Gra­ça Foster tenta consertar a irraciona­lidade e o aparelhamento partidário dentro da empresa na medida do possível, mas o sector foi desorganiza­do e o modelo institucional perdeu bastante credibilidade.

 

Sob a batuta de Fernando Henri­que, com a flexibilização do monopó­lio da «Petrobras», uma actuação firme da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a realização de leilões anual­mente, o Brasil viu sua produção de petróleo crescer em 150%.

 

Com a suspensão dos leilões desde 2008, deixamos de arrecadar algo em torno de R$ 15 biliões nos últimos quatro anos.

 

Além disso, a área exploratória sob concessão, que alcançou um máximo de 341 mil km2 em 2009, será reduzida para 114 mil km2 no final de 2012, em razão da falta de novos leilões, o que deverá comprometer ainda mais a produção futura de petróleo no país.

 

Os investimentos privados defi­nham, as empresas estrangeiras vão embora e a «Petrobras» e a OGX se desvalorizam.

 

Só na semana passada, os accionistas da «Petrobras» amargaram uma perda de R$ 22,3 biliões.

 

Esse processo de desvalorização co­meçou em 2009, quando o governo ini­ciou uma operação de capitalização da «Petrobras» que se mostrou desastrosa para o accionista minoritário.

 

Além de demorar mais de um ano, devido a uma série de indefinições e de uma total politizaçáo de todo o processo, provocou uma desvalori­zação de 43% nas acções da empresa desde então.

 

Com isso, fica cada vez mais distan­te o sonho da autossuficiência na produção de petróleo.

 

Os números falam por si: a importa­ção de gasolina, por parte do Brasil, passou de nove mil barris diários em 2010 para 80 mil, de acordo com as estimativas previstas para este ano.

 

Se não bastasse, estamos também importando diesel e etanol.

 

 SÉRGIO GUERRA (Presidente do PSDB)

 

In jornal “O Globo”

 

Rio de Janeiro, 12/07/2012

 

Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2430297-EI6578,00.html

MUÇULMANOS RADICAIS À CONQUISTA DA EUROPA

 (*)

Salafistas pregam a sua Hegemonia

 

 

Muçulmanos salafistas usam uma estratégia de infiltração eficiente em diversos meios, especialmente, na arte, Internet e juventude para uma islamização sistemática na região dos “incrédulos” (“Kuffar). Com a sua guerra santa pretendem fomentar o Islão com a Sharia (direito muçulmano) na Europa, querendo que a Europa volte à idade Média. Querem, distribuir gratuitamente na Alemanha, Áustria e Suíça, alegadamente 25 milhões de livros do Corão. Esta inventiva Árabe visa radicalizar especialmente muçulmanos moderados (na Alemanha há um número superior a 4 milhões de muçulmanos) e recrutar principalmente jovens europeus desorientados.

 

Em acções de dois fins-de-semana, em Zonas de peões da Alemanha, já distribuíram 300.000 livros. Os resultados da agressão ideológica já se fazem sentir no radicalismo de manifestações na rua.

 

Emigram para um mundo que consideram inimigo e vêem-no como sua zona de combate. “Lutam por uma espécie de califado europeu, onde não se deve aplicar o direito ocidental mas sim o da Sharia”(in Der Spiegel n° 17/23.4.12); organizam-se em redes como a “Millatu-Ibrahim” (Comunidade de Ibrahin) na Alemanha, fundada por Mahmoud e pelo ex-rapper Cuspert; tornam-se muito eficientes através da infiltração em mesquitas moderadas. Com os seus songs, Cuspert consegue atingir os sentimentos da juventude em textos como “O teu nome corre no nosso sangue” referentes a seus ídolos, entre eles, Bin Laden. Muitos vivem da ajuda da assistência social do estado como refere o Jornal Stuttgarter Nachrichten no caso do pregador salafista Ibrahim Abou-Nagie que receberá para ele e família entre 2.300 e 2.500 euros por mês. Ele terá sido, segundo afirmou, o iniciador da acção da distribuição dos livros do Corão.

 

Os Salafistas usam o âmbito da liberdade europeia para missionar uma sociedade que consideram incompatível com a sua e em que a sua fronte de guerra é o mundo cristão. “A nossa arma é a Internet” afirmam salafistas que se consideram a elite da religião maometana. Na Alemanha há entre 3.000 e 5.000 salafistas, recrutados geralmente da segunda e terceira geração de emigrantes. Têm figuras ideais como o ex-pugilista Pierre Vogel e personalidades ligadas à Al-Qaida.

Tal como os extremistas nazis encontram-se sob observação do Estado.

 

O Estado sente-se de mãos atadas perante adversários da sociedade ocidental, como os salafistas. Desde que saibam empacotar a sua mensagem de maneira a não apelar directamente à violência, as autoridades não podem fazer nada, embora conheçam a cena de extremistas que preparam atentados como o de Frankfurt em que dois soldados americanos foram mortos por um companheiro de Mahmoud. Der Spiegel cita Mahmoud, o qual afirma que a diferença entre os seus inimigos e os muçulmanos crentes, é: “Eles amam a vida e nós a morte”.

 

Os salafistas são a ponta de lança dos Wahabis da Arábia Saudita. Por toda a parte se observa o aumento da radicalização de grupos islâmicos que antes eram mais tolerantes.

 

O povo indonésio que antes tinha uma tradição pacífica tem sido influenciado por forças muçulmanas radicais árabes. Tem-se observado, nas últimas décadas, uma radicalização da sociedade indonésia em que muçulmanos que tinham nomes hindus abdicam do seu nome de tradição hindu para assumirem nomes árabes, e aniquilam indígenas de Papua, transplantando muçulmanos para esta região, seguindo a política de colonos como faz a China no Tibet. É preocupante observar como tradições culturais de zonas geográficas amenas abdicam da sua alma afável para adquirirem a aspereza cultural nómada do deserto. Por todo o mundo muçulmano se tem observado uma contínua radicalização. A Arábia Saudita, o Irão, o Paquistão e o Afeganistão têm sido os maiores incrementadores do
extremismo árabe.

 

São tendências que a História corrige mas a custo de grande tributo. Segundo previsões do CBN, no ano 2030, a maioria da população de Bruxelas será muçulmana.

Aber Imran, chefe do grupo “Sharia 4 Belgium” afirma: “Democracia é contrária ao Islão” e Allah é quem diz “o que é proibido e o que é permitido”.

 

Grupos moderados muçulmanos não se levantam contra os salafistas nem contra terroristas muçulmanos porque estes se fundamentam no Corão e para os contradizerem entrariam em contradição com o Corão.

 

Os salafistas no Egipto (“Partido da Luz”) conseguiram 30% dos votos. Todo o norte de África se encontra a caminho duma radicalização nunca vista.

 

As diferentes civilizações ainda se encontram muito subdesenvolvidas e primitivas no que toca ao seu estádio espiritual. Só uma atitude de respeito de todo o Homem e de toda a cultura para com o Homem e para com a natureza poderão levar à paz. De momento, o  extremismo ideológico político-religioso e o extremismo económico dominam os povos.

 

 António da Cunha Duarte Justo

 

(*) Uma rua de Marselha à hora da oração muçulmana ,in http://www.google.pt/imgres?q=pri%C3%A8res+musulmanes+%C3%A0+Marseille&um=1&hl=pt-PT&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbnid=1fU65_aoxevdUM:&imgrefurl=http://pasidupes.blogspot.com/2010/12/islam-et-laicite-le-blocage-illegal-de.html&docid=S6EaPmm553_eWM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_vW8FXbVhlic/TQiSBfBzpyI/AAAAAAAASYg/w6SlFLFg3Yo/s400/blog%25252B-priere-rue.jpg&w=400&h=266&ei=xAcJUNPADKSa1AXZ-NHECg&zoom=1&iact=hc&vpx=291&vpy=345&dur=1814&hovh=183&hovw=275&tx=171&ty=184&sig=109766553202599468647&page=1&tbnh=150&tbnw=198&start=0&ndsp=19&ved=1t:429,r:13,s:0,i:109

JÁ ERA

 

- Aquela tabletezinha que o seu marido recebeu do Expresso, e que os jornalistas trazem nas mãos, para aceder aos mais diversos assuntos, já vai passar à história. Está para sair – vi ontem num programa – uma tabletezinha de eficiência superior. O que se vai passar com os livros de papel… já era. Ainda não saiu. Qualquer criancinha vai ler o livro que quiser naquela coisa. Não precisa folhear livros. As novas gerações hão-de perguntar: “Mas o que é isso de livraria?” Assim como os correios. Estão a desaparecer. Já não se vêem carteiros…

 

Despertei da modorra que a excitação da minha amiga provocara, com os seus dados sensacionalistas, colhidos na véspera nos seus programas favoritos. Horrorizada perante a perspectiva da morte dos livros.

 

- Então como é que me chegam as contas da água e da luz para pagar? E os postais dos anos ou os avisos vários? Os carteiros deixam tudo isso na caixa. Não são só as publicidades nem os cartões das pessoas em busca de trabalhos, que os lá põem.

 

A minha amiga ignorou a interrupção:

 

- Veja-me bem isto dos livros. Aquilo está para sair. Ainda não chegaram a Portugal. Estes aparelhos mal chegam, esgotam-se. Como serão as gerações futuras? Com certeza é pior para as pessoas. Amizades não as podem cultivar porque eles têm o aparelho. Ele absorve tudo o que não seja a atenção ao brinquedozinho polarizador.

 

Eu também achei que um aparelho desses seria cada vez mais desmotivador na formação da personalidade, no interesse pela busca, na desatenção pela vida, pela expansão da preguiça, mas fiquei ainda mais estarrecida com o que a minha amiga contou sobre um ship que os cientistas americanos estão a fabricar que passa à frente de todas estas maravilhas de estarrecer. Põe-se no cérebro da criança rica, que ultrapassará todos em saber:

 

- Se tem poder económico, passa à frente. Um ship, e a criança aprende tudo. É colocado no cérebro. Então e depois? Também não é preciso saber tudo… Se isto for assim, a diferença entre as pessoas vai ser cada vez maior.

 

Eu aproveitei para insinuar que o Miguel Relvas já devia ter um ship instalado, pois também passa à frente de tudo na busca simples da ciência, e desatámos a tecer considerandos sobre a eventualidade de ser antes na simples busca da ciência ou na busca da ciência simples, ou ainda na busca da simples ciência, e até deixámos outras probabilidades de construção sintagmática para o ship do Relvas, colocado em vez do cérebro inexistente do Relvas, por muito que existisse Relvas.

 

Não deixámos de augurar a cadeira eléctrica para os cientistas americanos do monstruoso ship desumanizante, mas ponderei que as clonagens também me repugnaram na altura da ovelha Dolly, sobretudo se aplicada aos humanos, e parece que a moda não pegou.

Também augurámos para a tablet substituta da biblioteca um lugar modesto na comodidade humana futura, crentes que o bom senso alternará sempre com a desmesura ao longo da caminhada histórica. A Terra é um planeta que por vezes se excede em desmandos, mas que generosamente recompõe a seguir os estragos. Também a história humana tem girado em alternâncias de humores, o Bem e o Mal
empurrando-se mutuamente.

 

Empurremos o ship robotizador dos filhos e netos dos nossos filhos e dos nossos netos... para o tal buraco negro, antes que nos despenhemos definitivamente. Lá.

 

 Berta Brás

O QUE É O ILUMINISMO?




(...) É tão cómodo ser menor!

Se eu tiver um livro que pensa por mim, um diretor espiritual que tem consciência por mim, um médico que decide por mim sobre a dieta que me convém, etc., não terei mais necessidade de me preocupar por mim mesmo.

Embora eu goze da possibilidade de pagar, não tenho necessidade de pensar: outros assumirão por mim essa enjoada tarefa. De modo que a estrondosa maioria dos homens (e com eles todo o belo sexo) considera a passagem ao estado de maioridade, além de difícil, também muito perigosa e proveem já os tutores que assumem com muita benevolência o cuidado vigilante sobre eles. Depois de num primeiro tempo os terem tornado estúpidos como se fossem animais domésticos e terem cuidadosamente impedido que essas pacíficas criaturas ousassem mover um passo fora do andador de crianças em que os aprisionaram, num segundo tempo mostram-lhes o perigo que os ameaça caso tentassem caminhar sozinhos.

Ora, este perigo não é assim tão grande como se lhes faz crer, pois ao preço de alguma queda eles por fim aprenderiam a caminhar: mas um exemplo deste género torna-os em todo o caso medrosos e em geral dissuade as pessoas de qualquer tentativa ulterior (...)

 

Immanuel Kant

Königsberg, (22.04.1724 — 12.02.1804)




Já tinha a certeza há muitos anos, mas ao reler este extracto de um ensaio escrito pelo filósofo Immanuel Kant há exactamente 228 anos, fui lembrado que depois dos efeitos nefastos de mais de quatro décadas de comportamento linear intensivo, precisamos de um novo iluminismo.

Das duas, uma: para sairmos desta, ou agimos, ocupando-nos nós próprios desta “enjoada tarefa” (aplicando as regras conhecidas da cibernética social) ou caímos de vez nas mãos dos referidos “tutores que assumem com muita benevolência o cuidado vigilante sobre nós” e que nos querem “tornar estúpidos como se fossemos animais domésticos”.

Com a agravante que desta vez os tutores alegadamente bondosos, são cada vez mais pessoas elas próprias desnorteadas e incompetentes – incluindo o crescente número dos falsos doutores e plagiários – que têm como objectivo o mero saque egocêntrico. Depois deles que venha o dilúvio.


 Rolf Dahmer



P.S. Diga-se de passagem: quem se reger pelas regras conhecidas da cibernética social, vai alcançando automaticamente os ideais postulados não apenas por Immanuel Kant mas também por todos os filósofos antigos e modernos deste mundo.

PÉRONISMO À BRASILEIRA

 «CUSTO LULA»

 

Uma das broncas do então presidente Lula com a Vale estava no assunto siderúrgi­cas. A companhia brasileira deveria progredir da condição de mero fornecedor de minério de ferro para produtor de aço, tal era o desejo de Lula.

 

Quando lhe argumentavam que havia um problema de custo para investir no Brasil — e não apenas em siderúrgicas — o ex-presidente apelava pa­ra o patriotismo. As empresas privadas nacio­nais teriam a obrigação de fabricar no Brasil.

 

Por causa da bronca presidencial ou por er­ros próprios, o facto é que a Vale está envolvi­da em três grandes si­derúrgicas — ou três imensos problemas — conforme mostra em detalhes uma reportagem de Ivo Ribeiro e Vera Saavedra Du­rão, no "Valor". Em Mara­bá, no Pará, o projecto da planta Alpa está parado, à espera da construção de um porto e de uma via fluvial, obri­gação dos governos federal e estadual e que está longe de começar. No Espírito Santo, o projecto Ubu tam­bém fica no papel enquanto a Vale es­pera um cada vez mais improvável sócio estrangeiro. Finalmente, o pro­jecto de Pecém, no Ceará, está quase saindo do papel, mas ao dobro do custo original.

 

E quer saber? Seria melhor mesmo que não saísse.

Acontece que há um excesso de oferta de aço no mundo e, mais importante, os custos brasileiros de instalação das usinas e de pro-adução são os mais altos do mundo.  Não, a culpa não é só do dólar nem dos chineses. Estes fazem o aço mais barato do planeta, com seus méto­dos tradicionais. Mas o aço brasileiro sai mais caro do que nos EUA, Alema­nha, Rússia e Turquia, conforme um estudo da consultoria Booz.

 

A culpa nossa é velha: carga e sistema tributário (paga-se imposto caro até durante a constru­ção da usina, antes de facturar o primeiro cen­tavo), burocracia infer­nal e custosa, inclusive na disputa judicial de questões tributárias e trabalhistas e custo da mão de obra.

 

Dados do economista Alexandre Schwartsman mostram que os sa­lários estão subindo no Brasil na faixa de 11 a 12 % anuais. A produtivi­dade, estimado em 1,5%. Ou seja, aumen­ta o custo efectivo do trabalho e mais ainda pela baixa qualificação da mão de obra. Jorge Gerdau Johanpeter, eterno batalhador dessas questões, mostra que a unidade de trabalho por tonelada de aço é mais cara no Brasil do que nos EUA.

 

Não há patriotismo que resolva. Mas uma boa acção governamental ajudaria. Reparem: todos os proble­mas dependem de acção política
e, es­pecialmente, da liderança do presi­dente da República. Trata-se de re­formas tributária e trabalhista, medi­das legais para arejar o ambiente de negócios, simplificar o sistema de li­cenças ambientais, reforma do Judi­ciário e por aí vai, sem contar com um impulso na educação.

 

Se isso não anda, é falha de gover­no, não do mercado.

A crise global é a mesma para todo mundo, mas afeia os países diferentemente, conforme suas condições locais. O Brasil preci­saria turbinar os investimentos, mas não há como fazer isso num ambien­te tão desfavorável e tão custoso, o governo cai então no estímulo ao consumo e no proteccionismo para barrar e/ou encarecer os produtos estrangeiros. De novo, não consegu­indo reduzir o custo Brasil, aumenta o custo mundo.

 

A situação é ainda mais grave no la­do dos investimentos públicos. Uma das obras de propaganda de Lula era a Ferrovia Norte-Sul, tocada pela estatal Valec. Pois o Tribunal de Contas da União verificou que o dormente ali saía por R$ 300, enquanto na Transnordestina, negócio privado, ficava por R$220. O actual presidente da Valec, José Eduardo Castello Branco, nomeado há um ano, depois das demissões por denúncias de corrupção, conta ainda que vai comprar a tonelada de trilho por R$ 2 mil, contra o preço absurdo de R$ 3 mil da gestão anterior, que vi­nha lá do governo Lula. Claro que um presidente da Republica não pode saber quanto custa uma tonelada de trilho, muito menos o preço de um dormente. Nem pode acompanhar as licitações. Mas o ritmo "vamo-que-vamo" imposto pelo ex-presidente, junto com o loteamento político criou o ambiente para os malfeitos e, mais impor­tante, porque mais caro, para os enormes equívocos na gestão dos projectos.

 

O director do Departamento Nacio­nal de Infraestrutura de Transportes, general Jorge Fraxe, também nomea­do por Dilma para colocar ordem na casa, conta que encontrou contratos de obras no valor de R$ 15 biliões — ou "15 biliões de problemas".

 

Quando o mundo vai bem, todos crescendo, ninguém repara. Quando a coisa aperta, aí se vê o quanto não foi feito ou foi feito errado.

 

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

E-mail: sardenberg@cbn.com.br

 

In jornal “O GLOBO”

 

Rio de Janeiro, 12/07/2012

 

Francisco Gomes de Amorim

HORA DO PIJAMA

 

Na hora do pijama é que aparece

A musa que me ajuda na poesia.

 

Seria mais normal, quando anoitece

E o cão, farto do alerta em todo o dia,

Se estira na casota e adormece;

Mas não, anda de noite e assim porfia

Pra que não seja vista por ninguém.

 

Eu sinto-a aqui, mas nunca a vi também.

 

Na hora do pijama é que visita

Este triste poeta, que sou eu,

Quando, com sono, já deixara a escrita.

 

Chega devagarinho. É jeito seu.

 

Faz-me sentar de novo e então me dita

O que lêem de mim, mas não é meu.

 

Ó forças infernais, praga confusa!

 

Na verdade, poeta é minha musa.

 

Faro, 24-04-2012 (00h11)

 

 Tito Olívio

CARTAGO - 3

 

Camilo anglófobo

 

 

[Correcção a um erro cometido anteriormente:  O navio "Bellérophon" levou Napoleão apenas à Inglaterra. O navio que o transportou a Santa Helena foi o inglês Northumberland, se é que não estou confundido com as diferentes informações que me têm aparecido]

 

 

Pouco depois, um vaso de guerra, o Northumberland, arrostava as vagas do oceano, levando a seu bordo o homem que fora o terror do
comércio da Inglaterra e o missionário inconsciente da liberdade europeia.

 

[Inconsciente ou não, o Napoleão missionário da liberdade foi para Beethoven o Cônsul Napoleão até 1804 quando Bonaparte se proclamou Imperador. Beethoven, entusiasta da Revolução Francesa e dos ideais da liberdade, compôs a 3ª Sinfonia dedicando-a a Napoleão. Quando soube da proclamação, rasgou a página dedicatória da Sinfonia e mudou-lhe o nome para "Heróica". JR]

 

E no meio duns rochedos de granito, na solidão dos mares, na insulação completa de todas as aspirações daquela vasta e grandiosa inteligência, amarravam ao poste da mais tremenda perfídia o homem que o mundo inteiro aclamara imperador e a quem a Inglaterra, mesquinha e ridiculamente, nos seus ódios e pavores vilíssimos, regateava o ave, imperator! que duas gerações lhe votaram, mandando-o apelidar secamente: o general Bonaparte.

 

Detesto o herói mas choro ao lado do mártir. Curvo-me perante os altos desígnios da Providência que levantou sobre os broquéis da vitória o Átila moderno, o açoute de Deus e velo a fronte cheio de horror e de indignação quando considero este homem, feito à imagem do Criador, caminhando sobre cadáveres na sua sede insaciável de conquistas; e por um rasto de sangue humano subia ao trono das monarquias do ocidente depois de perdidas as ilusões com que sonhara o império da Ásia.

 

 

Morreu em Santa Helena. Napoleão meditava os comentários de César. E Alexandre, Aníbal, Cipião, César. Átila, Frederico II e Carlos XII, são pálidos meteoros, que fulgiram e passaram diante deste esplêndido luzeiro, desta majestade imensa que, como o astro do dia, tingindo de púrpura o firmamento, vai imergir-se lentamente nas vastas solidões do oceano.

 

Hudson Lowe foi a síntese dos ódios selvagens e das cobiças inexcedíveis da nação inglesa.

 

Por mais que a Inglaterra simule os entusiasmos dum povo livre, por mais que aparente respeitos e afirme sentimentos generosos e magnânimos, enquanto Santa Helena for uma ilha e Hudson Lowe uma verdade histórica, temos nós todos – nós, raça latina -- o direito e o dever de lhe atirar às faces, no soberano desprezo da nossa lealdade, com um nome só: o nome do Bellérophon.

 

Este vocábulo é o epitáfio sinistro, lúgubre e afrontoso da generosidade britânica.

 

[Nota: Como se vê Camilo era um emotivo. Esqueceu-se na sua admiração pelo "grande homem" que foi ele que mandou as suas tropas invadirem Portugal... É claro que os Ingleses também não eram boa peça. Hoje, porém, nossos sócios na UE, são, uns e outros, grandes amigalhaços de Portugal: veja-se lá os favores que deles temos recebido...]

 

FIM



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