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A bem da Nação

ENQUADRAMENTO GEOPOLÍTICO E ...

 

GEOESTRATÉGICO DAS CAMPANHAS ULTRAMARINAS 

1954-1974

 

II

 

O Ataque

 

“Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa!”.

 Aniceto do Rosário

(Para o governador do Estado da Índia, antes da ocupação dos enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli, pela União Indiana, em 20 de Julho de 1954)

 

           

            Como se sabe Portugal foi atacado, militarmente em quatro locais diferentes, se deixarmos de fora a ridícula e mesquinha ocupação pelo Daomé, da nossa fortaleza de S. João Baptista de Ajudá, em 1 de Agosto de 1961, porque - segundo eles - “constituía um perigo para a paz mundial”… Resta dizer que a Fortaleza estava ocupada por dois funcionários, a mulher e a filha de um deles e um serviçal, os quais se portaram com grande dignidade.

            Estamos a falar do Estado da Índia e de Angola, Guiné e Moçambique.

            Há aqui, todavia, que estabelecer uma diferença entre o que se passou no primeiro e nos outros três territórios; de facto a agressão a Goa, Damão e Diu configurou um conflito clássico enquanto os restantes três foram objecto de uma acção subversiva que degenerou em guerrilha.

            Assim, no caso primeiro foi a União Indiana como estado soberano que se assumiu como agressor - com o apoio da URSS e da maioria dos países terceiro - mundistas (mas não da China); enquanto que, nos restantes casos foram criados vários movimentos independentistas que tinham as suas principais bases de apoio nos territórios limítrofes aos nossos e uma vasta ajuda do bloco soviético ou por eles influenciados, China, países da OUA e, até, o apoio moral e financeiro de alguns países do bloco ocidental que se diziam aliados de Portugal.

            O ataque da União Indiana a Portugal pode ser dividido em quatro fases: a primeira fase teve início em 1947 e durou até ao ataque ao enclave de Dadrá e Nagar-Aveli, em 1954. Foi a fase de persuasão e pressão política para negociar a entrega; a ocupação dos enclaves marcou o fim da via pacífica.

            A segunda fase diz respeito à reacção indiana às tentativas de recuperação dos enclaves por parte de Portugal. A estas diligências Nova Deli respondeu com violações de fronteira, subversão interna, propaganda, guerra de nervos, agitação internacional, bloqueio, perseguições às comunidades goesas na União Indiana, etc.

            A terceira fase foi a do debate internacional que se prolongou de 1955 a 1960 e que culminou com a sentença do Tribunal Internacional da Haia, favorável ao nosso País.

            Pode dizer-se que Portugal conseguiu ultrapassar e vencer todas estas fases. Quando o governo indiano se deu conta que Lisboa não cedia e vendo frustradas todas as suas maquinações, urdidas durante 14 anos, resolveu deitar mão ao método que lhe restava: a invasão militar para a qual nem sequer tiveram a decência de nos declarar guerra. Tal aconteceu na noite de 17 para 18 de Dezembro de 1961, utilizando 45.000 homens (mais 25.000 de reserva), várias esquadrilhas de aviões de combate e a esquadra que incluía um porta-aviões.

            As forças portuguesas com cerca de 3.500 homens, mal equipados, armados e municiados (e também mal estruturados), sem aviação e apenas com um navio de combate com 30 anos de serviço, renderam-se em menos de 24 horas, depois de algumas acções heróicas isoladas.

 

(continua)

 

João José Brandão Ferreira

                TCor/Pilav (Ref.)

ENQUADRAMENTO GEOPOLÍTICO E...

 

...GEOESTRATÉGICO DAS CAMPANHAS ULTRAMARINAS 

1954-1974

 

I

 

 

 INTRODUÇÃO

 

“Não deixeis que ninguém toque no território nacional. Conservar intactos na posse da nação os territórios de além-mar é o vosso principal dever. Não ceder, vender ou trocar ou por qualquer forma alienar a menor parcela de território, tem de ser sempre o vosso mandamento fundamental. Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação”                                                    
Norton de Matos

(“Exortação aos novos de Portugal”, 1953)

 

      

            Em 1974 (até ao 25 de Abril), as FAs portuguesas dispunham de cerca de 220.000 homens espalhados por quatro continentes e outros tantos oceanos, que combatiam em três teatros de operações distintos: Angola, Moçambique e Guiné. O grosso das forças militares pertencia ao Exército que integrava cerca de 190.000 homens; a Marinha cerca de 13000 (190 navios com 90.000 t) e a FA cerca de 17.000 homens (e 700 aeronaves). Cerca de 50% destes efectivos pertenciam ao recrutamento local e não incluíam as milícias.

            A situação militar em Angola estava resolvida; em Moçambique havia alguma actividade de guerrilha, sobretudo nos distritos de Cabo Delgado e Tete; e na Guiné tinham surgido algumas dificuldades em consequência da exiguidade e clima do território, do reforço em armamento recebido pelo PAIGC e, sobretudo, porque as nossas tropas tinham perdido a supremacia aérea, desde Março de 1973.

             Em mais nenhum território português houve qualquer problema, tendo apenas sido necessário ultrapassar certa agitação registada em Macau, em 1966, devido à Revolução Cultural em curso na República Popular da China.

            Em todo o lado havia forças militares, policiais e serviços de informação, em vigilância permanente, incluindo na então Metrópole, onde já se tinha verificado uma ou outra perturbação da ordem pública e até actos de sabotagem com origem no PCP e organizações de Extrema Esquerda.

            Os territórios portugueses que formavam o Estado Português da Índia, estavam ocupados militarmente, pela União Indiana, o que constituía uma ocupação “de facto” mas não “de jure”, já que o Conselho de Segurança da ONU não validara tal acto (o que foi vetado pela então URSS), e o Tribunal da Haia tinha dado razão a Portugal na questão de Dadrá e Nagar-Aveli. Por outro lado o governo português nunca reconheceu qualquer direito à UI sobre Goa, Damão e Diu e continuava a eleger deputados à Assembleia Nacional, por aqueles territórios.

            Vamos ver sucintamente como chegámos até esta situação.

 

            O Mundo pós II Guerra Mundial

 

“Em todas as partes do mundo por onde andei, ao ver uma ponte perguntei quem a tinha feito, respondiam, os portugueses; ao ver uma estrada fazia a mesma pergunta e respondiam: os portugueses. Ao ver uma igreja ou uma fortaleza, sempre a mesma resposta, portugueses, portugueses, portugueses. Desejava pois que da acção francesa em Marrocos daqui a séculos seja possível dizer o mesmo.”

                                                     Marechal Lyautey

 

            No fim da guerra, Portugal era um país mais coeso e próspero do que no início da mesma. E não perdera nada de seu. Apenas Timor tinha sido invadido e ocupado, primeiro por holandeses e australianos e, depois, por japoneses. Virtuosismo diplomático e firme determinação do governo português, de então, fê-lo retornar à nossa soberania plena, em Setembro de 1945.

            No fim da guerra emergiram duas super potências: os EUA e a URSS.

            Com a Europa em ruínas e os exércitos desmobilizados a Oeste, veio o mundo ocidental a ser confrontado com a ameaça ideológica e imperialista da URSS e dos seus satélites. Deste modo foi criada a NATO, em 1949, para fazer face à nova ameaça militar, e deu-se início ao plano Marshall para ajudar a recompor a vida económica e social na Europa, que estava fora do jugo soviético.

            Do outro lado desenvolveu-se o Pacto de Varsóvia, em 1955 e o COMECON.

            A situação política militar entrou num impasse, com os diferentes exércitos alinhados frente a frente pois, entretanto, tinha surgido a arma atómica cujo efeito destruidor era de tal forma poderoso que, há partida, garantia a destruição mútua dos contentores. Entrou-se, deste modo, numa espécie de equilíbrio do terror.

            Para obviar a este impasse desenvolveram-se diferentes estratégias indirectas de fazer a guerra, a mais importante das quais foi a capacidade de influenciar países terceiros.

            Para tal tornava-se necessário obrigar à retirada política dos países europeus, ditos colonialistas, de todos os territórios que tutelavam fora da Europa. Tal desiderato foi facilitado por três grandes ordens de razões: primeiro porque as derrotas ocidentais no Oriente tinham quebrado o mito da invencibilidade do homem branco; depois porque quase todas as potências ocidentais fizeram promessas aos povos indígenas de autonomia progressiva, se estes os ajudassem contra as potências do Eixo; finalmente e mais importante, porque a saída dos europeus de África e da Ásia, interessava por razões diferentes mas confluentes no propósito, à URSS e aos EUA. 

            Na América Central e Sul o conflito entre as duas super potências prolongou-se através da política da canhoneira e protecção a ditaduras que defendiam os interesses capitalistas dos EUA, e à criação de movimentos subversivos por parte da URSS. Cuba é, ainda hoje, o expoente vivo deste confronto.

            Estas posições vieram a confluir no movimento anti - colonialista e terceiro-mundista que teve o seu ponto alto na conferência de Bandung, em 1955, onde pontificaram três líderes mundiais da causa: Nasser, Tito e Sukarno.

            Começaram, assim, a surgir um pouco por todo o lado movimentos emancipalistas, normalmente liderados por naturais dos diferentes territórios, formados na respectiva Metrópole. A esmagadora maioria deles era de inspiração marxista com pendor, estalinista, trotskista ou maoísta. A luta no terreno passou, também e progressivamente, para a ONU.

            Portugal, que não tinha em rigor, nada a ver com tudo isto, foi apanhado na tormenta e sofreu-lhe as consequências.

            Primeiro no sub - continente indiano, onde após a sua independência da Inglaterra, a União Indiana - sem qualquer razão da sua parte - começou a reivindicar a posse dos nossos territórios de Goa, Damão e Diu; depois, quando entrámos para a ONU, em 1955, e nos foi perguntado se, ao abrigo do artigo 73 da Carta, tínhamos a declarar algum território não autónomo sob a nossa administração.

            A resposta negativa e pronta de Portugal desencadeou uma tempestade política e diplomática dentro daquela organização, que pretende ser a fonte principal do Direito Internacional, e que nunca mais parou até ao 25/4/1974.

 

(continua)

 

16/02/12

 

João José Brandão Ferreira

                TCor/Pilav (Ref.)

XÁCARA DAS MOÇAS DONZELAS

(*)

A noite é de estrelas

Pelo céu brilhando

E as moças donzelas

As moças donzelas

Rezando rezando:

 

Não vem um ladrão

Não vem um banqueiro

Ou um trovador

Ou um cavaleiro

 

A noite é de estrelas

Pelo céu ardendo

E as moças donzelas

As moças donzelas

Dizendo dizendo:

 

Não vem um senhor

De alto coturno

Não vem um polícia

Ou o guarda-nocturno

 

A noite é de estrelas

Pelo céu luzindo

E as moças donzelas

As moças donzelas

Sorrindo sorrindo:

 

Não vem um amigo

Ou um inimigo

Não vem um soldado

Não vem um mendigo

 

A noite é de estrelas

Pelo céu redondo

E as moças donzelas

As moças donzelas

Supondo supondo:

 

Não vem um vadio

Ou um peregrino

Ou um saltimbanco

Ou um assassino

 

A noite é de estrelas

Pelo céu profundo

E as moças donzela

As moças donzelas

Sozinhas no mundo

 

 Eduíno de Jesus

 

in Os Silos do Silêncio (Poesia, 1948-2004), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, pp. 63-64.

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=mo%C3%A7as%2Bdonzelas%2Bsonhadoras&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=ihE51rgmDpQEdM:&imgrefurl=http://orebate-martaperes.blogspot.com/2010/03/poetas-e-o-dia-internacional-da-mulher.html&docid=OfsNNTCKJFEhFM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_AVvXF8sh7BA/S5U6wwTf3eI/AAAAAAAAKc0/1egOd62bzBQ/s400/ATYAAADcOvXexXisI2UqLkbrIN7OKTAUw8z0-NMtaCLYvXllzs5lQ8bRM2BrTcBglAKzRfRbimzp3Z9q0oPAzljPvPUVAJtU9VBZ9nNLS3DRrJ8DNcGyC2mjmlw87Q.jpg&w=400&h=398&ei=aWPnT_P4M8u4hAeUnIDMCQ&zoom=1&iact=hc&vpx=282&vpy=207&dur=3899&hovh=224&hovw=225&tx=140&ty=134&sig=109573699884915906692&page=2&tbnh=163&tbnw=158&start=25&ndsp=20&ved=1t:429,r:11,s:25,i:186

TEOLINDA - 1

COMO VAI A NOSSA GRAMÁTICA? 

 

Como vai a nossa gramática.....para mim é completamente incompreensível... certamente não serei a única...e os alunos??? Como é que ficam com tudo isto? Quem inventou tudo isto? E serve para quê???

Beijinhos e bom Domingo!

 Teolinda Gersão

 

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles.

 

Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

 

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

 

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas).

 

E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser:

 

Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade e o enunciado é de polaridade negativa.

 

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

 

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado.

 

Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas.

 

Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa.

 

Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

 

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.

 

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática?

 

Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

 

(*) 

João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática)

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=adolescente&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=0yIk_IRMgvPwYM:&imgrefurl=http://bbel.uol.com.br/filhos/post/adolescente-feliz-e-adolescente-mais-saudavel.aspx&docid=FYh4jahcQsCGmM&imgurl=http://bbel.uol.com.br/upload_2009/conteudo/adolescente_saudavel_g_196110162639750.jpg&w=528&h=307&ei=c9LmT9G3IYa90QXg8tSlCQ&zoom=1&iact=hc&vpx=293&vpy=389&dur=186&hovh=171&hovw=295&tx=162&ty=97&sig=109573699884915906692&page=2&tbnh=163&tbnw=190&start=22&ndsp=19&ved=1t:429,r:6,s:22,i:159

DO PADRE FRANCISCO DE GOUVEIA PARA O PADRE DIOGO MIRÃO (i)

 (*)

1564

 

Depois de partida a outra gente no batel que se fez em Pambalungo, ficámos aqui quatro pessoas cristãs das que viemos, s. o senhor Paulo Dias e eu e dois moços, e passámos muitos trabalhos, porque, além de nos não darem muitas vezes nada, nos espancam muitas vezes, pelo que a gente nos foge e deixa sós, e dizer isto a el-rei não muda nada, pelo que nós sofremos acomodando-nos com vender secretamente esta pobreza que temos, farrapos, coisas velhas, a fidalgos da terra a troco de mantimento. — Na cristandade se não faz
nada.

 

Os reis grandes que são nomeados em Angola são Manicongo e Cutange e têm seus reis negros. Os fidalgos e pessoas nobres com que falamos não dão pelas coisas de Deus e o rei vemos mui poucas vezes e, quando lhe falamos nas coisas da fé, faz que não entende e, depois de importunado, diz que êle vira a aprender, e isto cheio de riso e zombando de nós.

 

Nosso amo, que se chama Gongacinza, me diz que el-rei ainda há pouco que começou a reinar e que por isso não dá ainda pelo que lhe dizemos, mas que tempo virá em que ele me mande chamar para o ensinar. Isto faz para nos deter, parecendo-lhe que enquanto aqui estivermos virão navios de portugueses aos portos com fazenda de que tirará proveito. — Outro dia diz que somos escravos de el-rei e que vamos fazer seu serviço, como algumas vezes fazemos, como de coser-lhe capas e outros vestidos de Portugal e brear almadias em que el-rei se lava e outras coisas semelhantes; e nisto passamos a vida.

 

Neste ano de sessenta e quatro se queimou a cidade de Angoleme, onde el-rei então residia e dez vezes se pôs o fogo em diversas vezes, fazendo sempre grande estrago em casas, fazenda e gente, mas da ultima ardeu sem ficar casa, de maneira que foi necessário levantar-se el-rei para daí a duas léguas a outra sua povoação, e daí a poucos dias se veio a Cabaça, metrópole de seus reinos, onde agora reside e nos com êle, fazendo aqui nova cidade e em novo sitio; foi a coisa mais espantosa o fogo de Angoleme, que eu nunca vi nem os negros se acordam de tal, porque uma cêrca tamanha como os muros da cidade de Évora, com cinco ou seis mil casas de palha e madeira muito grossa e muros de paus altos e grossos, tecidos de palha e canas, assim por todas as ruas da cidade ateado tudo em um estranho e vivo fogo por todas as partes com mui tempestuoso vento, era o mais medonho estrondo que se podia imaginar. — Começou com uma hora da noite e acabou uma ou duas horas ante-manhã pouco mais ou menos, deixando tudo arrazado e feito em cinza e carvão; e, conquanto as gentes que acudiam a êste fogo serem perto de mil pessoas, que logo se ajuntaram ao tanger dos seus chocalhos para arrecadar a fazenda de el-rei, se queimou infinidade, assim da terra como da de Portugal. — Era tão bravo êste fogo, que, nas mui altas palmeiras de que a cidade estava toda cheia, andavam tão fortes as línguas dêle, que com serem verdes ardiam como
tochas e, como eram altas e cheias de rama, tomavam maior vento, pelo que faziam maior estrondo, e toda a terra que descobríamos com a vista estava tão clara como se fora ao meio-dia, sendo tão alta noite. Neste fogo morreu muita gente queimada que se não pode salvar, outra que se mandou queimar e lançar ao mesmo fogo para o aplacarem, que bem pouco lhe aproveitou, porque o Diabo assim
o costuma com êles e com todos os seus servos, que é obrigá-los a fazer-lhe muitos serviços e maldades que lhes ordena, sem fazer por êles nenhuma coisa das que lhe pedem, antes tudo ao contrário. — Fêz, como digo, muito espanto êste novo fogo em toda a gente da terra e o que mais espanto fêz foi estarem as nossas casas pegadas com os muros de el-rei, não lhes fazendo nenhuma das vezes
o fogo nada, antes vinha sempre morrer na nossa testada como milagrosa, e que ninguém o vira que o não atribuísse a grande milagre.

 

E outra coisa que nao fêz pouco espanto foi verem nosso fato na rua sem guarda e não se furtar coisa alguma e o seu com muitas guardas se roubou quasi todo, coisa que nêles causou mui grande admiração, e falava toda a terra nisto. Nós atribuímos a especial providência e misericórdia de Deus.

 

Todos nos diziam que a igreja e coisas que de Deus nela tínhamos nos guardavam e por isso folgavam muitos de nos ter por vizinhos, por se verem livres do fogo e crer que por isso foram livres, como êles também crêem, por estarem a par da igreja, principalmente um gentio fidalgo, parente de el-rei, bem valoroso e capitão-mór dêste reino.

 

—Ao primeiro de Novembro de mil quinhentos e sessenta e quatro.

 

- - - * - - -

 

A dureza do cativeiro aumenta. Os portugueses são espancados com frequência e, para não morrerem de fome, sujeitam-se a “vender secretamente esta pobreza que temos, farrapos, coisas velhas»!

 

Na propagação da fé cristã não havia também quaisquer progressos: o rei, ou fazia que não os entendia ou francamente zombava das
crenças dos cativos, caídos sob as garras do feiticeiro-mor Gongacinza, que os ia enganando conforme lhe convinha.

 

Todavia os portugueses já tinham igreja em Angoleme, como se vê da parte final do documento.

 

A carta dá a indicação dos reinos limítrofes de Angola: Manicongo e Cutange (Cassange?), mas fá-lo tão incompletamente e duma forma tão cortada tão cortada, que fica a suspeita de ter a carta sido truncada neste ponto.

 

Em face do grande incêndio que quasi por completo destruiu Angoleme, residência do rei, êste mudou para outra povoação, a duas léguas de distancia. Daí deslocou-se para Cabaça (ii), metrópole de seus reinos «onde agora reside e nós com êle, fazendo aqui nova cidade e em novo sítio».

 

A igreja portuguesa de Angoleme escapara do incêndio. (iii)

 

 

(i) Provisão de 10 de setembro de i555 expedida a Diogo de Teive, mandava entregar ao Provincial da Companhia nestes reinos, que era Diogo de Mirão, o Colégio das Artes, para que os Padres dirigissem e lessem as Artes e tudo o mais que lessem os mestres franceses».—Historia da Literatura Portuguesa, de Mendes dos Remédios, pag. 328 (5ª edição).

 

(ii) Nbanza-a-Cabaga, segunda côrte ou segunda banza — Da Mina ao Cabo Negro, L. Cordeiro, pag. 10, nota. Ver outra derivaçao em Lopes de Lima, intr., pag. ix, nota 4ª.

  

(iii) do livro Relações de Angola (Primórdios da Ocupação Portuguesa) – Pertencentes ao Colégio dos Padres da Companhia, de Luanda, e transcritas no Códice existente na Biblioteca Nacional de Paris. Prefaciadas, comentadas e anotadas por Gastão de Sousa
Dias.
 Coimbra, Imprensa da Universidade. 1934.

 

ESTE TEXTO FOI-NOS OFERECIDO POR FRANCISCO GOMES DE AMORIM CUJA FOTO FOI DESTE LOCAL RETIRADA A SEU PEDIDO

 

(*)http://torredahistoriaiberica.blogspot.com/2010/07/os-primeiros-tempos-dos-portugueses-em.html

SEMPRE A TEMPO

 

INTERRUPÇÃO DA DANÇA DO DIA-A-DIA

Sexta-feira Santa

 

 

Na minha terra adoptiva, Kassel, no Estado do Hesse, Alemanha, há uma lei que regula os dias santos e feriados. Ela proíbe eventos de dança desde as 4 horas de Quinta-feira Santa até às 24 horas de Sábado Santo. No Domingo e Segunda-feira de Páscoa é proibido festejar entre as 4 e as 12 horas tal como nos outros feriados nacionais.

 

O partido dos Piratas e a Juventude dos Verdes recorreram ao Tribunal Constitucional, no sentido de poderem organizar danças para Sexta-feira santa, dado esse dia não lhes dizer nada. O Tribunal Constitucional, porém, não aceitou tal plano pelo facto do assunto ser da competência de outro tribunal; vários tribunais do Hesse proibiram as demonstrações contra a lei dos feriados, planeadas pelos referidos grupos, para Sexta-feira Santa.

 

Na Sexta-feira Santa, o dia do silêncio, é comemorada a morte de Jesus. O alemão para designar a Semana Santa utiliza a velha expressão ”Semana das lamentações”.

 

Interrupções no ritmo trabalho-compra-diversão revelam-se como salutares para o equilíbrio psíquico humano. Na Alemanha há uma forte aliança entre Igreja, Sindicatos e Associações no sentido de se não ocupar os Domingos e feriados com o trabalho.

 

O Homem não é de pau, nem vive só de pão, nem foi criado para estar continuamente disponível para um mercado de trabalho que quer ocupar todos os espaços humanos.

 

Na União Europeia já há muita gente que reconhece a necessidade de tempos de sossego e de calma, pelo que vários deputados europeus formaram uma iniciativa em defesa do Domingo como dia livre de trabalho.

 

Uma sociedade sem espírito público, de tendências individualistas eliminaria o estado social que se baseia em valores comuns.

 

Naturalmente que cada convicção deve ser respeitada mas não cair no extremo duma anonimidade geral. A regularmo-nos apenas pelo individualismo teríamos de abolir todos os dias santos e feriados, todos os nomes de ruas. O que para uns é afirmação para outros pode constituir uma provocação.

 

Temos que viver uns com os outros, cada qual suportando o peso e a riqueza do seu gene e apesar de tudo manter um sentimento grato pelas tradições que nos deram o ser cultural. Trata-se de nos suportarmos uns aos outros num espírito de benevolência sem nos querermos afirmar à custa dos outros. Doutro modo teríamos que criar uma sociedade irreal abstracta reduzindo tudo a números. O Cristianismo (gregos, romanos, judeus e outros) gerou-nos, como cultura, constituindo os nossos fundamentos. Trazemos em nós os genes da cultura assim como somos portadores dos genes de nossos pais, sem eles não seriámos nós, quer queiramos ou não eles são e estão em nós tanto no cómodo como no incómodo, no defeito como na virtude. Não reconhecer isto é fuga. Constituiria um testemunho de pobreza se nos fixássemos num espírito de contradição obstinado contra a nossa cultura. Importante seria reconhecer seus defeitos e virtudes em nós; só então estaremos prontos para nos descobrirmos a nós.

 

A nossa sociedade tem-se preocupado muito com a afirmação a nível individual. Não pode esquecer porém que indivíduo e comunidade são as duas faces da mesma moeda, a pessoa.

 

Tudo o que se faz ou deixa de fazer só se legitima tendo por base a defesa e o serviço da pessoa humana. Por isso é preciso tomar a sério muitas solicitações da Igreja. A Igreja preocupa-se pela defesa da pessoa no seu todo enquanto o Estado e as Empresas se preocupam mais em considerar a pessoa como indivíduo, como pagador de impostos, como cliente.

 

A Semana Santa é o dia grande da cristandade em que a metamorfose da vida e do mundo se resumem num só acontecer, num processo de morrer para renascer.

 

Para os protestantes, Sexta-feira Santa é por assim dizer o dia santo “mais evangélico” pelo facto de “no sofrimento e morte de Jesus Cristo se experimentar a proximidade de Deus neste mundo, até à morte”, como diz o bispo Martin Hein.

 

Numa realidade de morrer e renascer, defensores e contrariadores terão de aprender a levar a cruz uns dos outros, dado cada um de nós ser, em parte, a cruz do outro.

 

 António da Cunha Duarte Justo

 

NINGUÉM SE APERCEBE DE NADA

 

 

Mas Rui Knopfli apercebia-se, ele era dos que frequentavam os sítios onde havia informação. O resto do povo fazia a sua vida, a maioria trabalhava, ainda as drogas não frequentavam os espaços de uma África ampla e saudável, a mocidade brincava em liberdade. E também estudava. O 25 de Abril colheu quase todos de surpresa, até mesmo os governantes – esses, sobretudo – e as tropas de cá e de lá, chamadas a defender aquilo lá, para benefício de cá, até mesmo aqueles que traíam sobretudo lá.

 

Rui Knopfli foi dos que se apercebeu, dos que frequentou, dos que traiu por conveniência ficticiamente democrática, embora sem muita convicção, alma sensível que era e tão bem se revelara nos versos com que moldou as paisagens da sua tristeza. Mas, europeu que era, não permaneceu, para cá veio, protegido pelo bloco dos que, atraiçoando a pátria, agora distribuíam as benesses pelos da Intelligentsia traidora. Veio para cá, esteve em Inglaterra em trabalho, julgo que viveu na agonia da saudade pela terra que tão bem descreveu, no arrependimento pelos da “inocência bem – ou antes, mal–aventurada” que desprezara, burguesia do trabalho, que construíra cidades e vias e as fábricas que a Metrópole consentia que se construíssem por lá.

 

Não, ninguém se apercebeu. E nem mesmo Rui Knopfli, que, se vivesse hoje, se espantaria com o trajecto de um país a saque, um país que fora amplo e que agora se via condenado a viver dos empréstimos, usados em reformas e benefícios, sim, do país reduzido, mas a maior parte, talvez, em benefício dos habituais do saque. Nesses se incluem também os estrondosos cartões de crédito a governantes, e as mordomias dos mesmos, e os vencimentos dos trabalhadores da RTP que o povo também paga para ser tratado com muitas boquinhas pelos apresentadores de sorrisos torcidos e de outros requebros. E inclui-se igualmente a multa a Mário Soares que em cólera pela desconsideração do polícia cumpridor, solta um formidável “O país é que vai pagar!”, tão sintomático daquilo que valemos, como povo da discrepância e da mediocridade. Salvou-se o polícia cumpridor, contra os do endeusamento dos heróis fictícios da nossa “epopeia” actual, não mais marítima, mas bastante aérea.

 

Eis o poema de Rui Knopfli:

 

Winds of change

 

Ninguém se apercebe de nada,

Brilha um sol violento como a loucura

E estalam gargalhadas na brancura

Violeta do passeio.

É África garrida dos postais,

O fato de linho, o calor obsidiante

E a cerveja bem gelada.

Passam. Passam

E tornam a passar.

Estridem mais gargalhadas,

Abrindo umas sobre as outras

Como círculos concêntricos.

Os moleques algaraviam, folclóricos,

Pelas sombras, nas esquinas

E no escuro dos portais

Adolescentes namoram de mãos dadas.

De facto, como é mansa e boa

A Polana

Nas suas ruas, túneis de verdura

Atapetadas de veludo vermelho.

Tudo joga tão certo, tudo está tão bem

Como num filme tecnicolorido.

Passam. Passam

E tornam a passar.

Ninguém se apercebe de nada.»

 

E agora, que percebemos, resta-nos o “tarde piaste” da nossa inconsciência. Porque os da incontinência souberam piar mais cedo. Sem parar.

 

 Berta Brás

GÁS NATURAL – FONTE ENERGÉTICA DAS PRÓXIMAS DÉCADAS

  (*)

 

I

 

As fontes energéticas mais usadas pela indústria mundial serão em breve suplantadas pelo gás natural, existente em abundantes reservas através da extensão do planeta azul (v.g. América do Sul, Rússia, China, EUA et alia). Face ao seu inerente perigo aterrador, a energia nuclear será abandonada ou reduzida, avaliando-se o trágico desfecho da geradora nuclear japónica de Fukushima, varrida pelo forte sismo e pelo tsunami devastador. Sabe-se que o Japão imobilizou 23 das suas 24 geradoras nucleares. As geradoras eléctricas a carvão são condenadas pelos ambientalistas como responsáveis pelo aquecimento da atmosfera planetária. São diminutas as contribuições doutras fontes energéticas (eólica, hidráulica, marítima e solar) pelo dispendioso investimento exigido na sua instalação e manutenção!

 

O carvão é fonte primária de energia nos países do Oriente, só a China tendo consumido 3,7 biliões de toneladas desse combustível em 2010. Os EUA exportaram 97 milhões de toneladas de carvão em 2011, sendo 6 milhões de toneladas enviadas ao Extremo Oriente. Está em aceso debate a questão se os EUA devem ou não melhorar as infraestruturas portuárias da sua costa do Pacífico, para incrementar a
exportação de carvão para o Oriente, contribuindo dessarte para o aumento do calor ambiental da atmosfera.

 

Países como a Rússia, a China e os Estados Unidos apostam no recurso à exploração do gás natural, usualmente encontrado já associado ao etano, metano e propano com valiosas aplicações.

O gás natural líquido (NGL) entra no fabrico de rações químicas e no fabrico de aditivos de gasolina. Dado o baixo custo de exploração, o recurso ao gás natural é recomendável preferivelmente às outras energias viradas para satisfazer a rápida electrificação dos lares de milhões de pessoas da classe média nos países em desenvolvimento na África, na Ásia, no Próximo e no Extremo Oriente. O preço de 1000 pés cúbicos de gás natural é oscilatório. Foi de US$6,80 em Fevereiro de 2007, mas baixou para US$2,46 em Fevereiro de 2012, pelo que os empresários arredam o pé nos seus investimentos á busca do gás natural.

 

As reservas do gás natural ora existentes, no país de Putin estimam-se em 45 triliões de m3, enquanto nos EUA contam-se em apenas 8,3 triliões de m3. Na Nova China, como grande potência industrial, recorre-se aos geradores eléctricos nucleares, solares, eólicos e a carvão para satisfazer as exigências da sua gigantesca máquina industrial, obrigando ao investimento anual de US$50 biliões.

 

Felizmente, os capitalistas e grandes industriais norte-americanos despertaram-se para a necessidade do recurso ao gás natural como a matéria-prima económica dos próximos tempos. Várias empresas petrolíferas e químicas dedicam-se à produção do gás natural. EXXO Mobil, grande empresa petrolífera, fundou e controla com substanciais investimentos, empresas produtoras de gás natural, dentro do
próprio país e no estrangeiro (Qatar, Nova Guiné-Papua e Austrália).

 

A produção global norte-americana do gás natural está em franco crescimento desde 2005. De 18% de acréscimo notado em 2008, ela atingiu 28% em 2011. Já em 2035 prevê-se, segundo os peritos, que a produção do gás natural atinja 60% da produção norte-americana. Em 2010 esta exploração empregou 600.000 pessoas e em 2015 prevê-se que o valor da exploração de gás natural concorra com US$118 biliões para o PIB dos Estados unidos.

 

A exploração de gás natural norte-americana é sobretudo feita com a perfuração a grande profundidade da rocha de argila xistosa, com 33,33% na actualidade. Isto demanda um processo chamado de franking (fragmentação hidráulica) e do uso de um produto químico não divulgado. Calcula-se que os EUA tenha reservas de gás natural garantindo sua exploração económica por mais de 100 anos. O grande industrial e bilionário J. Boone Pickens lamentou que o seu projecto do aumento da frota de automóveis e autocarros fosse extensivo a 700.000 novos veículos a gás natural, libertando o país do consumo de produtos petrolíferos do estrangeiro, foi simplesmente rejeitado pelo Senado norte-americano.

 

II

 

Este apontamento surgiu após a recente reportagem da imprensa local de Alcobaça que a empresa canadiana Mohave Gas & Oil Corp.
está empenhada desde 1993 na exploração de gás natural com o dispêndio de  US$100 milhões nos Concelhos de  Torres Vedras,  Porto de Mós e Alcobaça, com 30 sondagens feitas das quais 4 em São Vicente e uma  em Évora de Alcobaça. Nas próximas semanas a dita empresa vai fazer um furo de grande profundidade na área urbana de Alcobaça, a 700 metros do Mosteiro de Alcobaça, buscando o gás natural e o  petróleo em condições de exploração económica de vários anos numa estimativa de reservas de 5 a 6 milhões de m3 de gás natural.

 

O impacte da descoberta de gás natural e de petróleo em Alcobaça sobre a economia de Portugal será espectacular salvando o país de sua crise económico-financeira com a criação de empregos e de novas indústrias portuguesas. Será isso uma realidade? Será apenas um mito ou miragem?

 

Deo juvante!

 

FONTES: Magazines – FORTUNE de 9 e 30 de Abril de 2012 e TIME de 11 de Junho de 2012.

 

Alcobaça, Junho de 2012                                          

 

 Domingos José Soares Rebelo

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=g%C3%A1s+natural&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=2K4EVhxIl6RWFM:&imgrefurl=http://mpt-algarve.blogspot.com/2010/09/portugal-esta-cego-quanto-exploracao.html&docid=k-_NMpbqnelU3M&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_EAPonx4MfU0/TA2Ka6U2CDI/AAAAAAAAA7I/xnc8wM7dxXM/s1600/gas.jpg&w=490&h=265&ei=ZgzkT5-AJdCV0QXmyNisCQ&zoom=1&iact=hc&vpx=679&vpy=191&dur=2085&hovh=165&hovw=305&tx=193&ty=107&sig=109573699884915906692&page=4&tbnh=114&tbnw=211&start=45&ndsp=17&ved=1t:429,r:3,s:45,i:243

EUROPA: RENOVADA OU EM EXTINÇÃO?

 (*)

 

Todos os povos ou civilizações evoluíram sempre condicionados pela actuação das suas lideranças e das interacções com os outros povos e com as alterações naturais.

 

Sempre que esta actuação não foi a apropriada para resolver os problemas surgidos numa crise, essas civilizações extinguiram-se e foram substituídas por outra ou outras, e assim se foi fazendo a História da Humanidade.

 

A Europa encontra-se agora numa situação típica extrema que justifica esta abordagem.

 

Ao contrário do que muita gente responsável, ou melhor com responsabilidades importantes, o que não é bem o mesmo, parece pensar estamos perante uma crise estrutural e não conjuntural.

 

Após a guerra mundial de 39-45 o poder europeu, que havia dominado quase a totalidade da Terra, começou a diminuir sendo progressivamente superado por outros poderes em crescimento, e para resistir a este desequilíbrio, era essencial a Europa ganhar a unidade, que lhe permitiria atingir a dimensão económica indispensável, e simultaneamente ir criando condições para o entendimento entre a França e a Alemanha, cuja quebra tinha sido fortemente responsável pelas duas últimas guerras mundiais.

 

E isto só seria exequível se fosse gerida como um estado federal e não como um clube de boas vontades sem comando efectivo e sem objectivos claros de competitividade económica, sem a qual nunca seria possível manter o nível e a qualidade de vida conseguidos após a reconstrução do após guerra.

 

Chegámos pois a esta dependência, que parece total, dos chamados mercados, perante a até agora impassibilidade de um poder europeu, que teria a obrigação de sacudir de vez esta dependência, que dá a sensação de estar apontada quase exclusivamente à Europa e aos seus interesses.

 

A Grécia está à beira de possível bancarrota e fatal saída do euro. Os gregos têm tido um comportamento algo condenável mas não só não foram os únicos a tê-lo neste transe mas também outros países tiveram comportamentos muito pouco recomendáveis e nem por isso foram ostracizados.

 

E é bom recordar o facto de que se a Europa fosse uma federação a sério, a crise nunca teria atingido esta dimensão.

 

Portanto a verdadeira questão é esta: a Europa decide já assumir ser uma federação com um rumo de desenvolvimento e resolve de vez a dependência dos mercados, sendo assim possível tratar inteligente e eficientemente os problemas estruturais que originaram este crise, sem dicotomias de gestão inaceitáveis, como a austeridade versus o crescimento, visto que só com as duas em sintonia será possível sobreviver, ou continua na rota em que vem vivendo há duas décadas, pelo menos, e vamos assistir ao primeiro ato da sua extinção com a saída da Grécia, que, com grande probabilidade, será imediatamente ajudada pela Rússia, e a seguir pela dos outros países mediterrânicos onde a França poderá ter um papel tão essencial como difícil, e as ligações destes países com países doutros continentes com quem sempre tiveram ligações fortes será determinante numa Europa dividida e reduzida à região central.

 

Mas neste caso não será mais Europa, mas outra designação que defina o grupo de países agregados à Alemanha.

 

Pois aquela passará a ter o bloco alemão, o bloco mediterrânico (França, Itália, Espanha, Portugal e Grécia), a Inglaterra, e outros países, agrupados ou isolados.

 

Se assim acontecer, os vários países que habitam o território europeu ficarão mais fracos do que seriam se fizessem parte duma Europa a sério e dificilmente poderão fazer frente aos seus concorrentes e aos especuladores que tanto os têm prejudicado, naturalmente muito ajudados pelas omissões e pelos erros políticos cometidos até agora pelos responsáveis europeus.

 

Lisboa, 30 de Maio de 2012

 

 José Carlos Gonçalves Viana 

 

http://nossomar.blogs.sapo.pt

 

(*) http://www.google.pt/imgres?q=Europa%2Bdesunida&start=104&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=BmG_sCNNwlpZxM:&imgrefurl=http://blogs.publico.es/director/7/el-rapto-de-europa&docid=lGq3_mEpNQV2uM&imgurl=http://blogs.publico.es/director/files/2009/05/sa.jpg&w=550&h=465&ei=uSnjT_mSHc6a0QWr-eywAw&zoom=1&iact=hc&vpx=740&vpy=191&dur=1406&hovh=206&hovw=244&tx=106&ty=123&sig=109573699884915906692&page=7&tbnh=163&tbnw=196&ndsp=16&ved=1t:429,r:7,s:104,i:80

 

Publicado no DN em 15 de Junho de 2012

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