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A bem da Nação

PARTIR E CHEGAR

 

 

Partir, sair dali, ir à’ventura,

Beber no riso gemas de loucura,

Pular a sebe, quando nasce a aurora,

Saudade pendurada num abraço,

Sair, pé ante pé, puxando o passo,

Sem dizer a ninguém que vai embora.

 

Assim é a partida de quem traz

Na mochila a penhora de rapaz,

Que não vê um caminho à sua frente.

 

Partir, abrir a porta do futuro,

Ser pardal de telhado, bico duro,

Ir longe procurar sua semente.

 

Voltar co’o vento norte, é bom também,

Se acaso se ganhou quanto convém,

Em todos esses anos na lonjura,

Nas terras do suor e do demónio.

 

É que se foi vestido de campónio

E se volta mais rico de cultura.

 

Porém, outros regressam suspirando,

Depois de anos passados labutando,

Sempre a boiar nas ondas do cansaço.

 

Deixaram lá a carne e a alegria

E mostram no sofrer de cada dia

Vergonha da pobreza e do fracasso.

 

Faro, 09-01-2012

 

  Tito Olívio

 

 

O CAMINHO DO PORTUGUÊS

 

 

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam.

 

Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito.

 

Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas. É um fato que não se pronunciam.

Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se?

O que estão lá a fazer?

Aliás, o qe estão lá a fazer?

Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.

Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" e "ascensão" se escreve com "s"?

Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome.

Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç".

Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s".

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar.

Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z".

Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z".

Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou
patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras.

Nada de "k". Ponha um q.

Não pensem qe me esqesi do som "ch".

O som "ch" será reprezentado pela letra "x".

Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não?

O "x" xama-se "xis".

Poix é iso mexmo qe fiqa .

Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x".

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .

Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex .

O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural .

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som "j".

Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu?

Para qê qomplicar?!?

Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j".

Serto?

Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem!

Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex?

Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox.

Ox asentox só qompliqam!

Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa?

Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra "a".

Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado.

Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.

Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô".

Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso!

Para qe é qe temux o "u"?

Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil!

Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e".

U mexmu para u som "ê".

Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu
"i".

I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a".

Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til" subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" – pur "ainx" i "õix" pur "oinx".

Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?...

I porqe naum?...

 

  José Manuel Fernandes



AS GRANDES CRISES

(*)

 

Rebuscando na história à procura de “Crises”, encontram-se montes delas. Umas provocadas por guerras, outras por epidemias, ainda outras por desastres naturais, as mais incómodas são as das greves, mas a grande maioria vai para a culpa da ganância dos homens, e seu total, TOTAL, desprezo pelo Outro.

 

Um dos problemas que ajudou a reduzir a influência da Igreja de Roma, foi a sua pregação contra o lucro sobre dinheiro, juros, já que era considerado pecado ganhar dinheiro sem trabalhar. As divisões cristãs que se impuseram depois da Reforma, defenderam a ideia de que o homem, enquanto está na terra, deve aproveitar TUDO que Deus “pôs” à sua disposição, incluindo emprestar dinheiro a juros. Os miseráveis e até os babacas estão à disposição!

 

Os judeus têm neste campo uma filosofia muito mais “descarada”, quando a sua lei lhes diz que não devem cobrar juros entre irmãos judeus, mas à vontade a todos os outros. Daí a história nos mostrar um dos porquês os judeus, desde sempre, dominaram o mundo da finança.

 

Hoje vamos às crises financeiras, as que, além das guerras, são provocadas pelos homens e acabam por afectar milhões dos “servos”!

 

Quando a Inglaterra se viu dona dos mares, da maior e mais potente frota de navios naquela época – século XVII – iniciou uma expansão mundo fora, achando-se com o direito de dominar o mundo! Pelo comércio ou pelos canhões! Foi mais sangrenta a guerra pela Independência da América do que as guerras coloniais de Portugal!

 

Em 1600 fundaram a “Honourable East India Company” (gosto muito do “honourable”!), que não conseguia rivalizar com a sua concorrente holandesa, de enorme sucesso, a “Veereennigde Oostindishce Compagnie”, de capitais privados. De repente é feito rei dos britânicos o holandês William de Orange e sua mulher Mary (que reinaram em simultâneo) que levou consigo a “técnica holandesa”: onde buscar capitais. Para desenvolver o comércio e arranjar dinheiro para o rei fazer as suas guerras, dois monstros foram criados: em 1694 o Bank of England, só de capitais privados, e em 1711 a nova “South Sea Company”. Movimentava-se muito dinheiro e os navios que iam e vinham à América, Índia e Oriente, davam lucros imensos. Em 1719 os directores da nova companhia britânica “inventaram” transformar uma enorme fatia da dívida pública em empréstimos em que o governo pagaria juros inferiores aos que tinha contratado. E criou o “mercado” de acções, os “bonds”, £1 para £1 do débito do governo, para logo a seguir venderem esses títulos a preços bem mais altos. E começa a especulação desenfreada. Não tardou a que se emprestasse £250 a quem tinha £100 de títulos e garantindo um juro de 5%. A manipulação de preços variou de £1 a £1.000. O comércio crescia e todo e qualquer cidadão britânico queria ficar rico. Todos queriam mais e mais dinheiro. Gente houve que empenhou tudo quanto tinha para aplicar nesse mercado fictício, à espera de lucros imensos.

 

Em 1720 a “bolha” cresceu demais, e a “South Sea Company”... estourou! E na miséria ficaram milhares de otários!

 

Em 1929 foi Wall Street que estourou. Por razões muito iguais: a loucura do dinheiro fácil inflacionou o valor das acções da Bolsa, o povo desconfiou que estava a ser enganado e decidiu livrar-se daqueles “malditos papéis” de qualquer forma. Depois correu aos bancos para levantar o que ainda lá pudesse encontrar. E na miséria ficaram mais uns milhares ou milhões de americanos.

 

Há ainda poucos anos os japoneses “inventaram” outro sistema de “fazer” dinheiro. Como o bem material mais precioso para qualquer família é a posse da sua casa, a sua propriedade, os economistas bancários decidiram que quanto mais alto fosse o valor deste bem mais dinheiro se poria a circular. E concedendo créditos para a compra do imóvel a 30 anos, a rentabilidade da banca ficaria assegurada por muito tampo. E assim fizeram: os preços dos imóveis foram às alturas, a japonesada toda achou que estava rica, endividou-se e... chegou a um ponto que não podia mais pagar!

 

Os Estados Unidos, sempre bonzinho$$$, decidiram ajudar o Japão a não se enterrar muito, mas de qualquer forma aquelas levas de turistas japoneses, de repente, sumiram.

 

Finalmente a crise de 2008. Tal qual, tal qual. A repetição da ganância, do dinheiro fácil, do empréstimo à vontade para qualquer um, até inadimplentes, para depois cada banco vender a outro a sua “carteira de clientes”, até que chegou o mesmo, mesmissimo, momento da verdade.

 

Governos e povo achando-se sob uma torrente de maná! Outro estouro. E não foi, nem será o último.

 

Os países da Europa e os EUA ficaram de calças nas mãos. O povo então já nem as calças deve ter, mas, e os bancos?

 

Ah! Os bancos sempre saem dando risada. Nunca ganharam tanto dinheiro como agora, porque carregaram nos juros, e o dinheiro para alguns nasce mesmo na seca.

 

E vai ser sempre assim.

 

O contra-senso de todo este drama, primeiro é não se atender aos exemplos da história. Mas disso ninguém quer saber. O preciso é enganar o otário.

 

Mas, como se justifica o crescimento vertiginoso do numero de milionários? Com a China, Rússia e até Brasil?

 

Sempre a mesma coisa: crise é para os que estão por baixo. A crise é de homens, de ética, vergonha, fraternidade. E isto será para todo o sempre, enquanto neste planeta houver homos que sapien se apropriar de tudo. Como Caim, Jacó e outros milhões.

 

Rio de Janeiro, 04/04/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=dinheiro+f%C3%A1cil+e+r%C3%A1pido&start=265&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&addh=36&tbm=isch&tbnid=nIZPysIWB64X9M:&imgrefurl=http://www.dinheiroextraweb.xpg.com.br/&docid=yApjlOkOgsHBUM&imgurl=http://www.dinheiroextraweb.xpg.com.br/imagens/riosdedinheiro.jpg&w=224&h=225&ei=B3ahT8-NCsnn8QPPk6jJCA&zoom=1&iact=hc&vpx=574&vpy=229&dur=890&hovh=180&hovw=179&tx=100&ty=115&sig=109573699884915906692&page=17&tbnh=171&tbnw=169&ndsp=17&ved=1t:429,r:2,s:265,i:194

CAPITALISMO CORONÁRIO

 (*)

 

A ampla e sistemática falha de regulação é o elefante na sala quando se trata de reformar o capitalismo ocidental de hoje. Sim, muito se tem dito sobre a insalubre dinâmica política-regulatória-financeira que levou ao ataque cardíaco da economia global em 2008 (iniciando o que Carmen Reinhart e eu chamamos "A Segunda Grande Contracção"). Mas o problema é exclusivo do sector financeiro, ou denota uma falha mais profunda do capitalismo ocidental?

 

Considere-se a indústria alimentar, particularmente a sua influência, por vezes maligna, na nutrição e saúde. As taxas de obesidade estão a subir em todo o mundo, porém, entre os grandes países, talvez o problema seja mais grave nos Estados Unidos. De acordo com o Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças dos Estados Unidos, cerca de um terço dos adultos norte-americanos é obeso (indicado por um índice de massa corporal acima de 30). Ainda mais chocante, mais de um sexto das crianças e adolescentes é obeso, uma taxa que triplicou desde 1980.


Obviamente, os problemas da indústria alimentar têm sido vigorosamente destacados por especialistas em nutrição e saúde, incluindo Michael Pollan e David Katz, e certamente por muitos economistas também. E há muitos outros exemplos, dentro de uma grande variedade de bens e serviços, onde se poderia encontrar problemas semelhantes. Aqui, porém, quero focar-me na ligação da indústria alimentar com problemas mais amplos do capitalismo contemporâneo (que certamente facilitaram a explosão da obesidade em todo o mundo), e no porquê do sistema político dos Estados Unidos ter dedicado muito pouca atenção ao assunto (embora a primeira-dama Michelle Obama tenha feito um esforço importante de sensibilização).


A obesidade afecta a esperança de vida de diversas formas, que vão da doença cardiovascular até alguns tipos de cancro. Além disso, a obesidade – nas manifestações mórbidas – pode afectar a qualidade de vida. Os custos são suportados não só pelo indivíduo, mas também pela sociedade – de forma directa através do sistema de saúde, e de forma indirecta, através da perda de produtividade, por exemplo, e dos custos de transporte mais elevados (mais combustível gasto nos aviões, assentos maiores, etc.).


Mas a epidemia da obesidade dificilmente se parece com um assassino de crescimento. Produtos alimentares altamente processados, baseados no milho, e com muitos aditivos químicos, são bem conhecidos por serem um dos maiores indutores do ganho de peso mas, de uma perspectiva convencional de contabilidade de crescimento, são uma grande coisa. Os grandes agricultores são pagos para cultivar o milho (muitas vezes subsidiados pelo governo), e os processadores de alimentos são pagos para adicionar toneladas de químicos que resultam em produtos criadores de hábitos – e por isso, irresistíveis. Paralelamente, os cientistas são pagos para encontrar a mistura certa de sal, açúcar e produtos químicos para tornar a comida instantânea viciante ao máximo; os publicitários são pagos para vendê-la; e no fim, a indústria dos cuidados de saúde faz uma fortuna a tratar das doenças que, inevitavelmente, resultam de tudo isto.


O capitalismo coronário é fantástico para o mercado accionista, que inclui empresas de todos esses sectores. Alimentos altamente processados também são bons para a criação de emprego, incluindo nas áreas da pesquisa, publicidade e saúde.


Assim sendo, quem é que se pode queixar? Certamente não os políticos, que são reeleitos quando o emprego é abundante e os preços das acções estão em alta – e recebem doações de todas as empresas que participam na produção de alimentos processados. De facto, nos Estados Unidos, os políticos que ousam falar nas implicações dos alimentos processados na saúde, ambiente e sustentabilidade, em
muitos casos, vêem-se privados de fundos para a campanha.


É verdade que as forças do mercado têm estimulado a inovação, que tem baixado continuamente o preço dos alimentos processados, mesmo que o preço das boas e velhas frutas e vegetais tenha subido. Este é um ponto justo, mas denuncia a enorme falha do mercado aqui.


Os consumidores recebem muito pouca informação nas escolas, bibliotecas ou campanhas de saúde; em vez disso, são bombardeados com desinformação através da publicidade. As condições para as crianças são particularmente alarmantes. Com poucos recursos para ter uma televisão pública de qualidade, na maioria dos países as crianças são cooptadas por canais pagos pela publicidade, incluindo da indústria alimentar.


Além da desinformação, os produtores têm poucos incentivos para internalizar os custos dos danos ambientais que causam. Da mesma forma, os consumidores têm poucos incentivos para internalizar os custos médicos das suas escolhas alimentares.


Se os nossos únicos problemas fossem a indústria alimentar causar ataques cardíacos, e a indústria financeira provocar o seu equivalente económico, isso já seria mau o suficiente. Mas a patológica dinâmica regulatória-política-financeira que caracteriza essas indústrias é muito mais ampla. Precisamos de desenvolver instituições novas e muito melhores para proteger os interesses de longo prazo da sociedade.


Claro que o equilíbrio entre a soberania do consumidor e o paternalismo é sempre delicado. Mas, certamente, podíamos começar a atingir um equilíbrio mais saudável do que aquele que temos, dando ao público mais e melhor informação através de uma variedade de plataformas, para que pudessem começar a fazer escolhas políticas e de consumo mais conscientes.


 Kenneth Rogoff

Professor de Economia e Políticas Públicas na Universidade de Harvard, foi economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).



© Project Syndicate, 2012.

www.project-syndicate.org


Tradução: Rita Faria
 

In http://oourico.blogs.sapo.pt/213946.html

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=gordos&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=itKOmw4OYoBpxM:&imgrefurl=http://pt.dreamstime.com/fotos-de-stock-royalty-free-mi-uacutedo-e-hamburger-gordos-image11324348&docid=YMn_jVMP0_kesM&imgurl=http://pt.dreamstime.com/mi-uacutedo-e-hamburger-gordos-thumb11324348.jpg&w=400&h=276&ei=VuigT9ikHMLQ0QXDo8ylCA&zoom=1&iact=rc&dur=492&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=149&tbnw=216&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:14,s:0,i:161&tx=96&ty=91

“Huis Clos”

 

 

Falou-se, uma vez mais, na ditadura do patronato, na dificuldade de os casais poderem ter filhos, explorados como são nos seus trabalhos com excesso de horas impostas pelos patrões e de gratidão dos que os têm, por os terem.

 

- Ninguém quer uma grávida, confirmou a minha amiga. Quando uma mulher vai a uma entrevista para o emprego, uma das perguntas é: Pensa engravidar?

 

Também se falou em Marinho Pinto, mas eu não sei até que ponto se pode acreditar no seu discurso acusatório de cravo vermelho ao peito. Ele fala na justiça para pobres e na justiça para ricos, banalidades do nosso quotidiano, os pobres quando são condenados apanhando cadeia, os ricos obtendo recurso e um processo arrastando-se até prescrever, por vezes também uma prisão domiciliária, no aconchego familiar.

 

E assim nos vamos envolvendo nas temáticas do costume acerca deste país “pequenino de uma assoalhada”, como lhe chama a minha amiga, abismadas com as fraudes monumentais de que o BPN actualmente se revela como exemplo edificante no nosso reduto desde sempre fechado.

 

Lembrei a peça de Sartre que reli há pouco, “Huis Clos - Entre quatro paredes”, na tradução brasileira, mais ao sabor da caninha verde da nossa canção, a lembrar o samba deles, Natália Correia, tendo-a traduzido, antes da democracia dos cravos, por “À porta Fechada” nas contingências das nossas realidades pidescas de então, que tanto carisma proporcionavam aos que lhes sofriam os efeitos ou que apenas delas troçavam em revista ou anedotas popularuchas dos nossos prazeres espirituais.

 

Trata o seu enredo de uma chegada ao inferno, sucessivamente de três condenados – Garcin, Inês e Estelle – inferno não semelhante ao que é descrito em tantas obras do passado, como os círculos do Inferno de Dante, onde vão girando os condenados pelas suas fraquezas várias em vida, perdida a esperança, segundo inscrição à entrada da passagem para o Aqueronte: “LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH’ENTRATE” – mas em que a tortura é resultante, não só de um espaço requintado, de imutabilidade e claridade sem fuga possível, mas do próprio carácter argumentador de cada interveniente, obrigado ao convívio e ao julgamento dos outros e de si próprio, sem ilusão sobre si nem sobre os outros, capazes da mistificação nas histórias que cada um de si conta, apelativas do amor ou da admiração do outro, num universo sem Deus e sem esperança, o homem sendo o fautor do seu próprio destino, neste mundo ou em qualquer outro, onde a conclusão é a de continuar. Na imutabilidade de cada inferno: “Continuons”.

 

Os diálogos dos mortos, desde Luciano, constituem, por vezes, sátiras, de que os Autos das Barcas de Gil Vicente são igualmente exemplo, julgados os mortos pelos arrais das Barcas, em tom mais severo ou jocoso, segundo o barqueiro do Paraíso ou do Inferno. Não têm, pois, a dimensão humanista que se detecta na peça existencialista de Sartre, sobre a condição trágica do homem entregue ao seu ser responsável pelos seus actos, embora pretendendo esquivar-se – em vão - ao inferno do olhar alheio, ou do seu próprio, também condenatório dos seus truques de ambiguidade.

 

Sem grande dimensão, pois, vivemos neste nosso reduto de farsa, criticando-nos continuamente, em círculo vicioso, dada a inutilidade da crítica, numa nação que não se toma a sério.

 

- Continuemos pois, solta a minha amiga, certa de que este universo de “huis clos” não vai parar. Sequer em vida.

 

 Berta Brás

TRADIÇÃO DAS MAIAS...

(*)

... uma Prática tradicional e intercultural

Recordação cristã e pagã

 

Segundo a tradição em parte do norte de Portugal, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, muitas pessoas colocam maias (giestas floridas) nas portas das casas para lembrarem o tempo da fuga de Jesus para o Egipto. Noutras terras colocam maias no ferrolho da porta para serem protegidos das doenças e dos espíritos maus. Em torno de Maio há muitos outros costumes de diferentes tradições.

 

Nalgumas terras alega-se que esta tradição remonta ao tempo de Jesus, aquando da sua fuga para o Egipto devida à perseguição de Herodes que ordenara a procura e morte do menino Jesus. Segundo a lenda, tendo sido identificada a casa onde a sagrada família pernoitava, um denunciador teria colocado um ramo de giesta na porta daquela casa para que os soldados de Herodes, depois de avisados, pudessem identificar a casa e levá-lo. Por milagre, quando os soldados se dirigiram à cidade depararam com todas as portas enfeitadas com ramos de giesta florida. Assim os soldados não puderam cumprir a ordem do mal contra o bem. Noutras terras as maias recordam o caminho da sagrada família para o Egipto: Maria para se poder orientar no regresso terá colocado giestas no seu caminho.

 

Em Maio condensam-se as celebrações de usos e costumes símbolos da fertilidade, por toda a Europa.

 

O ressurgir da natureza é festejado por todas as culturas ao longo da História, reflectindo diferentes expressões religioso-culturais conforme o espírito do tempo e da cultura envolvente.

 

Quando a natureza acorda para a juventude, celebra-se, com festas e ritos, a vida, a luz, o fogo e esconjura-se a treva. Estes ritos ganham expressão em tradições como a das maias, Florais, o burro, a rainha de Maio, coroa das maias, leilão de donzelas, a festa do mastro/árvore (esta festa também da virilidade encontra-se no norte da Europa e em Penafiel - costume celta?), etc. No Norte da Europa há lugares onde se comemora a chegada de Maio onde, outrora, moças em idade de casar eram apresentadas no leilão de Maio.

 

Maio recebeu o nome do deus Maius que era o deus da Primavera e do crescimento. Para outros vem de Maia, mãe de Mercúrio. As celebrações em honra de Flora, a deusa das flores e da juventude (mãe da Primavera), iniciavam o novo ano agrícola e atingiam, na Roma antiga, o seu clímax nos três primeiros dias de Maio.

 

A Igreja católica declarou Maio como o mês de Maria, a mãe e rainha. Dos 54 países que celebram o Dia da Mãe, 36 festejam-no em Maio.

 

Também no Norte da Europa havia a tradição dos rapazes colocarem um arbusto à porta da sua amada como declaração de amor, paralelamente ao costume de serem nesse dia leiloadas as donzelas em idade de “casar”.

 

Há tradições semelhantes em Portugal. Aqui, nalgumas terras, havia a tradição da “coroa das maias”, elaborada em papel com fitas de cores e que os rapazes colocavam à porta das suas pretendidas como manifestação do seu amor.

 

  António da Cunha Duarte Justo

 

(*) Valença com maias - enviado por Lourdes Carita

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