Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

ELE FOI À MAIA

 

Dei à minha amiga a informação que me tinha abismado quando a ouvi da boca séria do ministro Gaspar das Finanças: que a recuperação económica portuguesa se iniciaria num dia exacto de setembro, não me lembra (parafraseando Garrett) bem, se a 13 de 2013. Até comentei que 13 é uma data portuguesa célebre, pelo menos o de Maio e o de Outubro, em que a Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos nuns ramos de azinheira de Fátima, e que talvez por isso ele falou no 13, sem esclarecer as contas, ou então fui eu que não as percebi, que de contas só vejo os cortes no vencimento que me arrasam a vida.

 

Mas a minha amiga entendeu que não devia ser por analogia com as datas da Aparição, e logo disparou, sempre rápida a tirar conclusões, nem sei se fruto das suas experiências de vida:

- Se calhar, ele foi à Maia.

 

Mas logo a seguir pôs-se a troçar dessa precisão do ministro Victor Gaspar a respeito do início da escalada económica, quando o que por aí vai são mais falências, despedimentos, desemprego às catadupas, gente a precisar da sopa dos pobres, como antigamente, com os pobrezinhos que sempre foram cultivados com amor no nosso país, e não sou eu que o digo, embora os novos pobres de agora sejam muitos dos novos ricos de há pouco, que se tinham empenhado, favorecidos pelas promessas dos bancos que emprestavam para a casa e para o carro e a pequena empresa e que agora vão buscar a casa e o resto, cuja prestação já não vai ser paga, na senda dos
despedimentos…

 

Eu até confirmei, nos meus magros conhecimentos obtidos da boca dos críticos da situação, que quanto mais se afunda a economia em impostos incomportáveis, que fazem fechar as empresas, atirando para a rua tantos milhares de trabalhadores, mais dificilmente, se pode emergir da imersão.

 

Então, resolvi vir para casa esclarecer-me melhor na Internet sobre aquilo que o ministro disse, pois não gosto de fazer observações levianas e muito menos a respeito da exactidão das datas – o 5 de Outubro sendo sempre o 5 de Outubro, assim como o 1º de Dezembro sendo esse e não outro - e colhi o seguinte:

 

(*)

 

«Portugal tem de reembolsar 10 mil milhões de euros de dívida pública, que vencem a 23 de setembro de 2013. O atual programa de ajustamento acordado com o FMI e os parceiros europeus prevê que uma parte desse valor deve ser refinanciado junto do setor privado, ou seja, por essa altura, Portugal devia estar de volta aos mercados da dívida. Mas os analistas têm dúvidas se isso será possível ou se Portugal precisará de um segundo resgate para evitar o incumprimento. «Nós não vamos, por nossa conta, pedir mais tempo nem mais dinheiro», disse Gaspar. «Mas conforta-nos o facto de os nossos parceiros internacionais terem indicado que se nós enfrentarmos dificuldades imprevistas no regresso aos mercados em condições normais, eles nos dariam mais ajuda financeira, com a condição de nós cumprirmos os termos e condições do programa», acrescentou. Exportações vão ajudar à retoma…»

 

E então vi a razão por que o ministro Victor Gaspar falou na retoma. O reembolso dos dez mil milhões simultâneo de imediata retoma, não propriamente com enriquecimento pelo trabalho, mas com novos empréstimos, dada a confiança que mereceremos a quem nos vai conceder mais crédito, pois saldámos essa dívida. Já podemos fazer outra que nós ou outros pagarão. Hábitos antigos não se perdem de
imediato.

 

Lembrei-me do “D. Enguiço” do António Nobre:

 

“Farto de dores com que o matavam,

Foi em viagens por esse Mundo:

Mas os comboios descarrilavam,

Mas os paquetes iam ao fundo!”

 

Não, não foi só ele o D. Enguiço. É nosso retrato. É nossa sina que transportamos às costas desde sempre. Com menos arte. Mas com idêntica dor, causada pelas discrepâncias de sempre, entre os que se safam e os que não.

Vejamos:

 

«O bom Amigo que vou cantando,

Neto de Santos, irmão de Aflitos,

Nasceu chorando, nasceu gritando,

Nasceu aos gritos! Nasceu aos gritos!

Já pressentia, menino estranho,

O que no Mundo cá o esperava,

E assim pedia, num dó tamanho,

Não no tirassem lá donde estava…”

“Olá, Senhoras, que ides na frota,

Que ides às Ásias, enquanto eu fico,

- Boa viagem!... E tomai nota,

Dai lá saudades ao compatriota…

Meu pobre Chico! Meu pobre Chico!»

(“SÓ” - Paris, 1893)

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=chuva+de+dinheiro&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=Vet_egORCk4iTM:&imgrefurl=http://internetaseufavor.com.br/&docid=F29UbuBJN2iVIM&imgurl=http://internetaseufavor.com.br/wp-content/uploads/2011/11/chuva_de_dinheiro.jpg&w=287&h=280&ei=1vhwT66MNc_68QOh2-DRBg&zoom=1&iact=hc&vpx=88&vpy=22&dur=2153&hovh=222&hovw=227&tx=141&ty=102&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=128&tbnw=126&start=0&ndsp=23&ved=1t:429,r:0,s:0

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 1

 Território português ocupado por Espanha desde 1802
 
"ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE

A inesperada recuperação do português em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)



INTRODUÇÃO



Portugal é um País de contradições. Ambiciona ser conhecido, reclama que a sua cultura é pouco divulgada... mas, contraditoriamente, parece envergonhar-se de assumir manifestações concretas da sua cultura.


Desde 2008 (em Março de 2011, celebrou-se o terceiro aniversário), algo de novo surgiu no panorama cultural português... ou, se se quiser, lusófono.
Previamente, a União Europeia chamou a atenção para a falta de protecção de que a Língua Portuguesa era vítima por parte do Estado Espanhol em Olivença e Táliga (antiga aldeia de Olivença).
Mais importante, na própria Olivença, um grupo de locais fundou a Associação "Além Guadiana", que, sem se preocupar com a questão, que se mantém, algo discretamente, sobre a soberania legal (ou efectiva) sobre a Região, decidiu meter "mãos à obra", e começar a lutar pela recuperação da sua cultura e da sua História.
Entenda-se: Cultura e História portuguesas.


Menos de um ano sobre a sua fundação, o grupo conseguia, em 28 de Fevereiro de 2008, organizar uma "Jornada do Português Oliventino", que decorreu na Capela do Convento português de São João de Deus (em Olivença, naturalmente).


Quer se queira, quer não, fez-se História: pela primeira vez desde 1801, a Língua Portuguesa manifestava-se livremente em Olivença, com a "cobertura" das autoridades espanholas máximas a nível local e regional.


Quase 200 pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio Torres, o "herói" do mirandês Amadeu
Ferreira, e outros!

Vale a pena fazer um resumo do que então se passou.

 Carlos Luna
(continua)

ÁGUA VS ENERGIA: UM DILEMA OU UMA TOLICE

(*)

 

 

O trabalho apresentado hoje (20FEV12) no DN sobre “O estado do ambiente!” inclui um artigo sobre a barragem do Tua que me chamou a atenção para, mais uma vez, ser essencial analisar a questão que é: a gestão da água das barragens ser realizada pelos responsáveis pela energia em vez de o ser pelos responsáveis pela água.

 

Para começar vejamos o que se passa com essa água, o que é fácil pois ela vem da chuva que cai no nosso território.

 

Se nos dermos ao trabalho de analisar os registos da pluviosidade ao longo das últimas décadas pode concluir-se o seguinte:

 

1º - O volume de água anual é suficiente para as nossas necessidades de for devidamente capturada;

 

2º - Há enorme irregularidade quer ao longo de cada ano quer ao longo dos anos;

 

3º - Há também irregularidades do ponto de vista geográfico.

 

Daqui se pode inferir que, para garantir a segurança do abastecimento de água ao País, terá que ser feita a sua gestão abrangendo períodos da ordem dos dez anos e nunca de dois ou três e além disto ter mais albufeiras menores e interligadas de forma a diminuir os impactos ambientais provocados pelas grandes albufeiras e poder controlar mais eficazmente os riscos das cheias. Com a vantagem adicional de ter albufeiras de reserva alimentadas nos períodos de elevada pluviosidade sem custos de consumo de energia.

 

(**)

 

Muitas destas barragens serão propícias para a produção de energia e para a utilização na cobertura de pontas e aqui chegamos ao ponto crítico atrás levantado: quem deve ser responsável pela gestão da água?

 

A água é o bem mais importante para a vida em geral e para a humana em particular e a sua origem principal é a chuva.

 

A energia é essencial à vida de uma sociedade mas a sua produção é possível de várias fontes a saber: combustíveis (lenha, carvão, gás natural, petróleo), eólica, solar, geotérmica, ondas e marés, hídrica (barragens), nuclear, para focar apenas as principais.

 

Em Portugal, quanto a combustíveis, os mais importantes têm que ser importados e são produtores de CO2, as ondas e marés são insignificantes, a geotérmica situada nos Açores, e ficamos aqui apenas com a eólica, com a solar, com a hídrica e a nuclear (para a qual temos matéria prima).

 

Ora sendo a energia um factor essencial da competitividade de um país, teria sido uma prática de gestão excelente pelos responsáveis portugueses privilegiarem as fontes que nos poupassem importações o que implicaria também cuidar do ordenamento do território e dos sistemas de transportes de forma a minimizar a necessidade de utilizar combustíveis.

 

Curiosamente, combateu-se o nuclear com base em preconceitos e pretensos cuidados ambientais mas não temos os mesmos cuidados nem com as barragens nem com o ordenamento, e os resultados vão aparecendo com a dimensão conhecida.

 

Com a agravante de, se alguma vez faltar a tão essencial água, os actuais responsáveis pela sua gestão não poderem ser de facto responsabilizados porque o planeamento das barragens é feito por outros, cujo objectivo é outro.

 

Por isso o título se justifica: será um dilema real ou “apenas” mais uma tolice?

 

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2012

 

 José Carlos Gonçalves Viana

 

Publicado no DN em 15 de Março de 2012

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=cani%C3%A7ada+barragem&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=pOpSGHS81lZVGM:&imgrefurl=http://www.portugal-on-line.com/gallery/album_showpage.forum%3Fpic_id%3D36%26vote%3Dviewresult&docid=Xq-eG3dBAcm3PM&imgurl=http://r29.imgfast.net/users/2912/20/58/91/album/dscf6411.jpg&w=448&h=336&ei=gyxwT5XUAqiu0QXj582NAg&zoom=1&iact=hc&vpx=90&vpy=279&dur=2496&hovh=194&hovw=259&tx=148&ty=91&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=122&tbnw=163&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:5,s:0

 

(**)http://www.google.pt/imgres?q=linhas%2Bde%2Balta%2Btens%C3%A3o&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=q4cGi9ntxTmw2M:&imgrefurl=http://maisalenquer.blogspot.com/2011/08/linha-de-alta-tensao-carregado-rio.html&docid=mGyhnoRVHiiijM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/-lmyh2sC47oY/TlPq4HuA3UI/AAAAAAAACM8/fwoE7t4rzVo/s1600/Linhas-de-alta-Tensao-de-Transmissao-de-Energia-450-338.jpg&w=450&h=338&ei=4ixwT6nAL6PF0QXH7LiOAg&zoom=1&iact=hc&vpx=115&vpy=211&dur=4691&hovh=194&hovw=259&tx=150&ty=119&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=144&tbnw=213&start=0&ndsp=14&ved=1t:429,r:0,s:0

VELHICE E SOLIDÃO

 (*)

 

Velhice e solidão.

Pior? Acho que não.

 

Nada pior que a solidão

De gente esquecida

Mesmo até por aqueles

A quem deram vida

Mas que só pensam neles.

 

Velhice e solidão

Nada resta senão

A escuridão que se entranha

Nas entranhas da alma

Um silêncio que arranha

Uma amarga calma

Uma moínha a moer

Tudo e nada a doer.

 

Uma janela aberta

Num prédio da frente

Uma esperança incerta

De um dia ver gente.

 

Um telefone calado

Um vazio colado.

 

A lembrança dorida

De gente com vida

A memória nublada

De gente enterrada.

 

Uma espera constante

Que com alguma sorte

A qualquer instante

Chegue ao menos... a morte.

 

Gente que vive e morre sozinha

Que morre tão discretamente

Que até a gente vizinha

O ignora totalmente.

 

Helena Salazar Antunes Morais

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=velhice%2Be%2Bsolid%C3%A3o&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=D_oiiaXTYurrSM:&imgrefurl=http://cinediario.blogspot.com/2009_11_01_archive.html&docid=u4NVqSC0BTPKrM&imgurl=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o6d073cad/9392835_3OOz7.jpeg&w=520&h=350&ei=rmJuT5khqp_RBby8vI4C&zoom=1&iact=hc&vpx=438&vpy=275&dur=831&hovh=184&hovw=274&tx=115&ty=119&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=120&tbnw=177&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:7,s:0

A CRISE E OS EUA

 

Pode haver quem não goste do Obama. Se há políticos a quem eu tiro o chapéu, certamente este é um deles.

 

Assumiu um país em véspera de derrocada, ainda não igual ao trágico crash de 1929, mas a passos largos caminhando para lá.

 

Só que desta vez, os republicanos, donos do dinheiro, das fábricas de armamento e mentiras para continuarem guerras, não estão dispostos a colaborar para levantar o país.

 

E, racistas, querem também livrar-se da “vergonha” de terem um “preto” a mandar neles.

 

Assim, os EUA jamais se levantarão.

 

Todos sabem que para acabar, ou pelo menos enfraquecer grandemente a guerra com árabes, ou com o terrorismo islâmico, é preciso resolver o problema da Palestina. Obama assumiu a verdade e, com valentia, fez declarações que não agradaram aos donos do dinheiro,
e... é assim que esta gente vai fazendo os impossíveis para o derrubarem.

 

Vale a pena ler o texto abaixo, de um americano, Prémio Nobel.

 

 (*)

O PÂNICO DOS PLUTOCRATAS

 

Ainda é preciso ver se o movimento “Ocupem Wall Street” vai mudar o rumo dos EUA. Mas os protestos já causaram uma notável reacção histérica de Wall Street, dos super ricos em geral e de políticos e especialistas que servem lealmente os interesses daquele
1% mais rico. E esta reacção revela algo importante: os extremistas que ameaçam os valores americanos são aqueles que Franklin Delano Roosevelt chamou de "monarquistas económicos" e não as pessoas acampadas no Zuccotti Park.

 

Considere em primeiro lugar como os políticos republicanos descreveram as modestas, porém crescentes, manifestações, resultando em confrontos com a polícia – que reagiu exageradamente – mas nada que possa ser descrito como baderna. Não houve, aliás, nada
remotamente parecido com o comportamento das multidões do Tea Party no Verão de 2009.

 

Apesar disso, Eric Cantor, líder da maioria da Câmara dos Representantes, denunciou as "gangues". Os candidatos presidenciais do Partido Republicano também criticaram, com Mitt Rommey acusando os manifestantes de provocar uma "guerra de classes", ao passo que Herman Cain os chamou de "antiamericanos". Mas o meu favorito é o senador Rand Paul, que, por alguma razão, teme que os manifestantes roubem iPods, por achar que os ricos não merecem tais aparelhos.

 

Michael Bloomberg, Prefeito de Nova York e um titã do sector industrial, foi um pouco mais moderado, mas, ainda assim, acusou os manifestantes de tentarem "roubar os empregos de pessoas que trabalham nesta cidade", uma declaração que não tem nada a ver com os objectivos do movimento. E se você acompanhou os debates com "comentaristas" na CNBC, aprendeu que os manifestantes estão "alinhados com Lenine".

 

O modo de compreender tudo isso é perceber que o fenómeno faz parte de uma síndrome mais ampla, na qual os ricos americanos, que se beneficiam de um sistema manipulado a seu favor, reagem com histeria a qualquer um que aponte exactamente o quão manipulado é o sistema.

 

Em 2010, um número de magnatas do sector financeiro-industrial explodiu ante uma leve crítica do Presidente Obama. Eles denunciaram Obama como sendo quase um socialista, por apoiar a chamada regra Volcker, que simplesmente proíbe que bancos que receberam ajuda
federal especulem. E quanto à reacção a proposta de fechar uma brecha que permite que alguns desses ricos paguem impostos extraordinariamente baixos?

Bem, Stephen Schwarzman, Presidente do Grupo Blackstone, comparou a proposta à invasão da Polónia por Hitler. 

 

O que está a acontecer? A resposta, os mestres do universo de Wall Street, lá no fundo, já sabem: o quão indefensável moralmente são as suas posições. Eles ficaram ricos ao impulsionar esquemas industriais e financeiros complexos que, longe de trazer benefícios claros ao povo americano, ajudaram a empurrar-nos para uma crise cujos efeitos continuam a afectar a vida de dezenas de milhões de seus
cidadãos.

 

E, apesar de tudo, os ricos não pagaram qualquer preço. As suas instituições foram ajudadas pelos contribuintes sem que tivessem que se comprometer. Continuam a beneficiar de garantias federais explícitas ou implícitas. Esse tratamento especial não tolera uma revisão — e, portanto, segundo eles, não pode haver revisão.

Qualquer um que aponte o óbvio, não importa o quão moderadamente, deve ser diabolizado e expulso do palco.

 

Então, quem está sendo anti-americano aqui? Não os manifestantes, que só querem ser ouvidos. Não, os verdadeiros extremistas aqui são as oligarquias americanas, que querem suprimir qualquer crítica às fontes de sua riqueza.

 

     PAUL KRUGMAN
Prémio Nobel de Economia e articulista do"New York Times”

 

 

Rio de Janeiro, 15/10/2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://oglobo.globo.com/in/3243705-03d-ad4/FT712A/Occupy-Wall-Street.jpg&imgrefurl=http://oglobo.globo.com/economia/integrantes-do-movimento-ocupem-wall-street-sao-expulsos-de-parque-de-ny-3243709&h=408&w=712&sz=64&tbnid=2AHsKVHw3WS5vM:&tbnh=72&tbnw=125&prev=/search%3Fq%3Docupem%252BWall%252BStreet%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=ocupem%2BWall%2BStreet&docid=cIp4W8RyXwOSoM&hl=pt-PT&sa=X&ei=3YdtT-aeEon68QObjbnADQ&sqi=2&ved=0CE4Q9QEwBA&dur=1000

CONFUNDIR PARA REINAR

 

A estratégia não é de agora e foi alvo de denúncias há mais de 15 anos pela Santa Sé. Em causa, a tentativa (bem sucedida) por parte de alguns ‘lobbies’ feministas e ‘gays’ em mudar, ao nível das legislações mundiais, algumas palavras de significado claro, por outras mais ambíguas. Por exemplo, em vez de “sexo”, passar a usar-se a palavra “género”.

 

Subjacente está a tentativa de eliminar as diferenças entre homem e mulher, considerando-as um mero condicionamento sócio-cultural. “Sexo” é uma palavra que sublinha a diferença entre homem e mulher, enquanto “género” é muito mais abrangente, porque em vez de apenas dois tipos – feminino e masculino – a nova expressão da moda abrange cinco: feminino, masculino, homossexual feminino, homossexual masculino e híbrido.

Em Portugal, a esquerda rasga as suas vestes por a nossa Constituição (escândalo dos escândalos…!) ainda usar a palavra sexo… e propõe uma nova formulação do artº 13º para se eliminar, de uma vez por todas, esta expressão ultrapassada…

A estratégia de confundir para reinar, sempre foi uma estratégia de Poder. É por isso que é sempre bom saber o que está por trás das boas intenções daqueles que nos querem baralhar.

 

 Aura Miguel

O DESEJO DE AFIRMAÇÃO

 

 

Mais um texto de militante convidado – o deputado do PS, Acácio Pinto - que o DN de 19 de Março publicou na rubrica “Fórum” sob o título “Afirmar o português no mundo”, a embirrar com os detractores do Acordo Ortográfico –“no momento em que um vasto conjunto de portugueses lhe decidiram fazer um ataque cerrado mas, em grande medida, serôdio.”

 

E o adjectivo ao jeito frutícola resulta da irradiante euforia de Acácio Pinto pelo facto de já não ser passível de eliminação o tal Acordo. A.P. joga pelo seguro e sabe que não haverá anulação, mesmo que seja disparatada grande parte dos argumentos dos que os protagonizaram e isso o faz ironizar com eloquência e saber, embora sem ter lido nunca os argumentos dos seus contrários.

 

A indignação de Acácio Pinto transparece no parêntese («Ou será que foi preciso Vasco Graça Moura chegar ao CCB e desautorizar o primeiro-ministro, para que este assunto voltasse à ribalta?»)

 

Realmente, Vasco Graça Moura chegou ao CCB e fez tropelias no Acordo ao rejeitá-lo no seu espaço de trabalho, em protesto inútil, tal como o é o dos mais reaças, que não seguem os ditames daquele.

 

Quanto a mim, admiro a sua coragem em desautorizar os fabricantes do A. O., talvez por se considerar um ser com peso intelectual bastante para se permitir fazê-lo. Quanto ao PM não sei se se achou desautorizado. Afinal, ele antes de o ser, também já o era, tal como a pescada, isto é, era contra o Acordo antes de ser PM. A menos que a sua posição passada visasse já o seu presente ministerial, infelizmente temos que admitir essa hipótese, já que agora o PM atirou com a querela às malvas.

 

Todo o texto de A.P. é um acervo de lugares comuns sobre os vários acordos, desde 1911 sem envolvimento da Academia Brasileira e os posteriores, de acordo com ela, de 31, 43, 45, 71/73, 75 e 86, em que “foi, finalmente, encontrado um texto comum que, podendo ter lacunas, é um acordo internacional e um acordo é, em si mesmo, um facto que encerra convergência, que é positivo e que importa, pois, enfatizar.”

 

Para além da alegação, talvez irónica, de que um acordo encerra convergência, ainda que não tenha sido solicitado referendo, e do falso argumento de que se trata de um acordo internacional, omitindo propositadamente os Palops que o não ratificaram, propõe os conhecidos exemplos de substituições antigas, de duplas consoantes: ph>f – (pharmacia>farmácia), sc>c - (sciencia>ciência, ct>t (aflicto>aflito), xh>x – (exhausto>exausto), cuja mudança em seu tempo também provocou excitações, gradualmente extintas.

 

Ninguém põe em dúvida a natural evolução das línguas, sujeitas a um processo simplificador, com leis específicas, como a do menor esforço, que origina fenómenos fonéticos como assimilações, dissimilações, nasalações, síncopes, apócopes, próteses, etc., etc., e que têm como efeito as transformações gráficas correspondentes. Nessa lei do menor esforço se integram as duplas supressões consonânticas citadas, como, por uma ordem de racionalidade, se propõe a passagem do ditongo único antigo, ãi de mãe, ao actual ãe, por inexistência do primeiro e sua assimilação gráfica ao ditongo do plural ães de cães, pães, proveniente do latim –anes. A língua brasileira, por arrastamento, o fez também, sem precisar de acordo.

 

O texto de Acácio Pinto omite tudo o que existe de insensato no novo Acordo, como a criação da nova homonímia - “ato”, o presente e o pretérito –“achamos” – a criação de absurdos linguísticos, como na onomástica – Egito, egípcio - tudo isso gerador de confusões, e de dificuldades ao nível da interpretação e da escrita, originando, para mais, uma língua sem carisma, própria de um povo atrasado e desclassificado como é, cada vez mais o nosso, indiferente ao legado clássico.

 

Por outro lado, nesta pretensão de absurda fraternidade luso-brasileira, que esconde reais sintomas de subserviência, por interesse económico, ignora-se o facto de a pretensa uniformização ortográfica não passar de falso argumento, já que tal uniformidade não é absoluta. Veja-se o caso dos binômios ou dos tônicos brasileiros com um chapeuzinho a resguardar dos calores, contra o acento agudo acutilante dos nossos.

 

Pessoas ambiciosas e idólatras como o deputado A. P. temo-las q. b. para a revolução ortográfica. Já as tivemos antes, para a revolução política. Estamos aqui. Assim.

 

 Berta Brás

UNIVERSIDADE DA LUSOFONIA – 4

 

PARA A INTEGRAÇÃO DO
ESPAÇO LUSÓFONO – ANTECIPAR O FUTURO

 

Uma Universidade Virtual da Lusofonia

 

Uma outra via passaria pela criação duma Universidade Virtual da Lusofonia em parceria (da CPLP) onde professores das diferentes universidades do mundo lusófono, através da Internet, poderiam começar por ministrar disciplinas gratuitamente (“por amor à camisola”, como se diz no mundo do futebol) ou orientassem cursos. Criar-se-ia uma espécie de Universidade Popular de alto nível onde professores e estudantes on-line frequentassem, inter-comunicassem e se pudesse credenciar os estudos feitos. Isto seria tecnicamente possível e concorreria para a democratização dum ensino de alto nível (um tipo de ensino mais maternal e menos masculino). Como exemplo de funcionamento, a nível de professores e de alunos, a Universidade Virtual da Lusofonia poderia orientar-se pela iniciativa do Professor Dr. Sebastian Thrun, um projecto fantástico, que se serve de Vídeo-conferências, foros, chat, etc.

 

 

O nosso caminho faz-se a caminhar, no espírito da orto-praxia da velha escola de Sagres. O caminho feito pode tornar-se num impulso para melhor se descobrir a própria singularidade e para, no sentido da lusitanidade, cheguemos onde chegarmos, realizarmos a missão individual e comum de transformar o "Cabo das Tormentas" em "Cabo da Boa Esperança".

 

  António da Cunha Duarte Justo

UNIVERSIDADE DA LUSOFONIA – 3

 

PARA A INTEGRAÇÃO DO ESPAÇO LUSÓFONO

ANTECIPAR O FUTURO

 

Universidade da Lusofonia para a Integração do Espaço lusófono

 

 

Uma Universidade da Lusofonia para a Integração lusófona tornar-se-ia na Interface das diferentes culturas dos países da CPLP.

 

Nesta universidade deveriam privilegiar-se cursos de mais-valia na promoção duma identidade do espaço lusófono. Promoção do estudo da história e da sociologia/antropologia dos diferentes biótopos culturais sob um ponto de vista hermenêutico e fenomenológico (sinopses comparativas e sinergéticas). Os cursos a ministrar deveriam abranger áreas de interesse mútuo e direccionados para o fomento duma consciência comum: Gestão, Administração (formação de Quadros), Economia, História, Literatura, Arte, Teologia, Educação, Cultura, Relações Exteriores e Espaço lusófono, Fenomenologia das suas mitologias, Arqueologia, etc.

 

Um curso de hermenêutica das diferentes culturas e subculturas seria muito importante para se cristalizarem constantes de identificação. Curso sobre os mitos base das nossas culturas e estudo comparativo entre elas sobre modelos, atitudes e níveis de valores morais.

 

Isto promoveria, no espaço lusófono, o espírito positivo e o sentido de pertença e de vida como povo; sem sentido de vida, não se pode ter auto-estima, nem verdadeira autonomia nem rumo. O sentimento de inferioridade e o medo são a doença que leva a construir muros fortes mas que extinguem a liberdade, da qual surge o espírito criativo. Como exemplo de consistência (não de vida) podemos ter o mundo islâmico que se define não pelo específico das nações mas pelo código religioso e moral. (Naturalmente que este é um exemplo de prática antagónico ao espírito luso que se define a partir da base e da terra e não a partir de cima, como são, exemplo extremo, o sistema muçulmano e o sistema comunista da Coreia do Norte e da China. Deles só podemos aprender que a união faz a força.)

 

(continua)

 

 António da Cunha Duarte Justo

UNIVERSIDADE DA LUSOFONIA – 2

 

PARA A INTEGRAÇÃO DO
ESPAÇO LUSÓFONO – ANTECIPAR O FUTURO

 

Uma Maneira diferente de estar no Mundo implica

uma nova Estratégia ligada a uma Pedagogia diferente

 

 

Um projecto político-pedagógico do espaço lusófono terá sempre como ponto fulcral fomentar sinergias integradoras de pólos extremos (masculinidade e feminidade).

A língua portuguesa / Lusofonia é o ponto de ligações e relações cruzadas de indivíduos, tribos, raças, civilizações, culturas e valores reunidos numa atitude diferente perante si e o mundo e numa maneira própria de estar e de ser a nível individual e social no e com o mundo. Neste sentido, ao repensar-se a Lusofonia, no âmbito da CPLP, contribuir-se-ia para uma maneira diferente de estar no mundo; aquela maneira de ser que a alma lusa realizou antes nas descobertas e continua hoje a realizar na emigração colaborando para a emancipação integral. Esta maneira der estar diferente (em sociedade e no mundo) interpretá-la-ia deste modo: uma maneira de ser relacional, cum grano salis (com humor).

 

A religião, a ciência, a política, a economia e a ideologia querem-se na sociedade e na vida apenas como partes complementares e encaradas com espírito de humor. O mesmo se diga quanto à energia masculina e feminina. A acentuação exagerada das forças masculinas (virilidade) na sociedade e na pessoa conduziu-nos ao impasse em que nos encontramos momentaneamente. Seria interessante, neste contexto ocupar-nos, um pouco, com o espírito luso, um espírito mais mãe que pai e que por isso se antecipou nas descobertas e se encontra espalhado em migração pelo mundo. Aquela atitude de alma escondida no coração dos marinheiros portugueses e que seguia nas naus/caravelas para novas paragens, realizava-se na admiração e mistura com as mulheres das novas paragens. Aqueles homens entregavam-se de coração e alma, sem preconceito, nos braços delas, para nelas se perderem, e ressurgirem de novo mais acrescentados no mestiço. Assim não só o Estado cumpria a missão civilizacional de dar novos mundos ao mundo mas também a alma lusa, a nível individual, cumpria o seu destino de se rever criando e dando novos mundos ao mundo, nas novas raças, nas novas maneiras de estar. A alma lusa, um estado híbrido de homem e mulher, reconhece-se bem no mestiço. Nela se junta o indivíduo e o colectivo e nela se esvaem os limites circundantes. A alma lusa não se deixa reduzir à definição.

Não faz a distinção clara entre poesia e prosa sabendo-se reunida na prosa poética. Sim, a alma lusa é prosa poética num acontecer de prosa a deslizar na poesia.

 

A componente civilizacional lusa terá que comportar sempre os diferentes pilares civilizacionais. Ultrapassa barreiras étnicas, culturais e continentais. Em vez de cultivar um ressentimento contra os seus invasores, sabe assimilar o saber das civilizações invasoras guardando delas, na memória colectiva, o saber e tecnologias (dos fenícios, egípcios, gregos, romanos, germanos, mouros…) que lhe passaram pelo território. Por outro lado soube chamar a Sagres, os melhores especialistas da altura em questões de navegação e astronomia. Dos seus antepassados, as tribos lusitanas, soube guardar o mito de que eram pacíficas, mas valentes e bons guerrilheiros quando atacados. Este espírito esteve na base do desenvolvimento do processo de miscigenação rácica e cultural concretizado no milagre brasileiro da miscigenação. Esta componente civilizacional é hoje continuada especialmente por portugueses e brasileiros espalhados pelo mundo.

 

Onde chegam integram-se como outrora os nossos antepassados integraram o que lhe parecia estranho. Daí a sua experiência: “À terra onde fores ter faz como vires fazer”. Assim, sem se imporem, levaram ao mundo, com espírito templário simbolizado nas velas das suas caravelas ("cruz de goles"), a missionação que foi o seu contributo civilizacional europeu para o mundo.

Portugal foi precoce ao assumir, outrora, a pesquisa científica e tecnológica como política de Estado. Soube reunir o espírito cristão (convergência da fé de Israel, filosofia grega e jurisprudência romana) ao saber tecnológico colocado como tarefa e missão de Estado. Já no início da lusitanidade, a corte atraia a si os sábios e técnicos do mundo, dando-lhes trabalho; Esta tradição tem exemplo já no próprio D. Dinis que se rodeava de literatos doutras regiões. Por outro lado, a tolerância portuguesa atraia também cientistas judeus perseguidos na Espanha. Numa estratégia de afirmação complementar soube integrar o espírito tribal lusitano, godo, judaico latino e árabe, tornando-o património do português e da nação, não se afirmando pela diferença mas pela integração. Esta via constituiu a diferença lusa na sua maneira de estar no mundo. Quem hoje teria melhores condições para liderar um tal projecto de Lusofonia seria, certamente, o Brasil.

 

(continua)

 

 António da Cunha Duarte Justo

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D