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A bem da Nação

FELIZ NATAL

Augusto Gil (1873-1929) foi um poeta portuense, adoptado pela cidade da Guarda, formado em Direito em Coimbra, funcionário
público em Lisboa, onde morreu. Muito popular no seu tempo devido à beleza das suas poesias, ele escreveu na Guarda em 1924 as seguintes quadras das onze de 'Per Amica Silentia' (Durante Silêncios Amigos), de "A Frauta de Cana":

 
Em débil toada e com sopro enfermo
Distraio-me a tocar frauta de cana
Para encurtar as longas horas do ermo,
Com que a minh'alma tímida se irmana.
 

 
E  tão mesquinho sai, tanto se esconde
Esse meu vago cântico de poeta
Que só se torna audível até onde
A minha vaga sombra se projecta...
 
Nem há mais gémea e grata companhia!
Como lhe quero bem, à solidão!
Nela voa - liberta - a fantasia
E escuto, no meu peito, o coração...
 
Se alguém tivesse o mágico poder
De pôr-me ao lado o que maior pareça
De altaneiras cidades -- para as ver
Nem voltaria ao menos a cabeça...
................................................
Neste tumulto dissonante e rudo
E nesta vil charrice engalanada
Onde qualquer medíocre chega a tudo,
- Eu sinto a doce glória de ser nada...
............................................

FELIZ  NATAL!

 
Mário Beirão (1892-1965), natural de Beja, que lhe dedicou uma estátua,  grande poeta saudosista e português de cepa, (foi o autor da letra do hino da Mocidade Portuguesa), formado em Direito em Lisboa, onde morreria, escreveu vários sonetos, dos quais transcrevo o seguinte:
 
A Deus em nossas preces exultemos:
D'Ele dimana o sol do eterno dia!
Para que andar, de noite, à ventania,
Num vil batel sem velas e sem remos?
 

 
A Deus as nossas almas levantemos,
Porque Deus é a Verdade que extasia!
Feliz de quem, na hora da agonia,
Goza da Sua luz os dons supremos!
 
Pudesse a minha sombra dolorida,
Sob o influxo de Deus, bem merecer
As graças celestiais duma outra vida!
 
Ah, pudéssemos nós, meus bons irmãos,
Esta existência mísera esquecer!
Ah, soubéssemos nós erguer as mãos!

 
Não te esqueças que Jesus nasceu num presépio,  e de nada fez-se tudo

FELIZ ANO NOVO!
Joaquim Reis

NOITE DE FESTA NA SENZALA

 

 

Rugendas: Batuque

Fonte : Wikipédia

 

 

Júlio Ribeiro (1845- 1890) nasceu em Sabará, cidade colonial mineira, e morreu em Santos de tuberculose. Era filho de uma professora e de um americano boémio que chegou a Minas como artista de circo. Pouco depois do casamento abandonou mãe e filho, e sumiu para sempre. Do pai, Júlio herdou a agitação e a tendência a situações polémicas que se reflectiram no seu trabalho. Teve excelente formação académica, dominando inclusive várias línguas. Gramático, romancista, intelectual sarcástico e irreverente, naturalista, recebeu criticas contundentes por abordar na sua obra mais conhecida - A Carne - a sexualidade humana, coisa naquela época inconcebível.

 

Para ilustrar um aspecto da cultura negra no Brasil, um trecho que mostra como era uma “noite de festa nas senzalas”:

 

SENZALA - 1

SENZALA 2

SENZALA 3

Nota: Segundo a literatura popular, Pomba gira é uma entidade feminina de um culto afro-brasileiro que quando incorpora uma pessoa (médium) pode perverte-la sexualmente, dependendo das suas tendências.

 

 

Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 22 de Janeiro de 2011

GUERRA E PAZ SOCIAL

(*)

 

 

Recentemente o governo mostrou preocupação com a possibilidade de surgirem protestos violentos nas ruas como reacção às medidas de austeridade. O receio era justificado com o caso da Grécia, onde têm surgido vários confrontos violentos com a polícia. Várias vozes se ergueram a acusar o governo de alarmismo, intolerância e falta de sentido democrático para com as diversas manifestações agendadas. Mas quais são os limites de tolerância da população às medidas de austeridade? E em que circunstâncias poderão surgir, também entre nós, protestos violentos?

 

Desde há muitos anos foi criado na nossa sociedade um ambiente político excessivamente paternalista que conduziu a alguma desresponsabilização individual. E as coisas vão de mal a pior quando a sociedade resvala para um extremismo perigoso, criando uma culpa imaginária: se existem fracassos individuais, a responsabilidade não é do indivíduo, mas exclusivamente colectiva. A sociedade infantilizou as pessoas, criando e distribuindo subsídios atrás de subsídios, pondo em prática a frase de Thomas Hobbes: “Todos têm direito a tudo”. Portanto, vai demorar muito tempo até se alcançar (ajustado à realidade) um novo equilíbrio entre direitos e deveres; entre responsabilidade individual e colectiva. Embora este aspecto gere contestação social não será apenas por este motivo que poderá surgir violência nas ruas.

 

Um dos caminhos mais rápidos para torturar e enlouquecer um ser humano é obrigá-lo a fazer um trabalho inútil e inconsequente. Esta foi uma técnica usada nalguns campos de detenção, forçando, por exemplo, os prisioneiros a carregarem um monte de pedras de um sítio para o outro para de seguida voltarem a colocá-las no mesmo lugar de origem. Dito de outro modo, não é o esforço e o sofrimento que revolta o ser humano, mas antes a percepção da sua inutilidade.

 

Não estou totalmente certo – nem creio que o próprio governo possa garantir – de que os sacrifícios que estão a ser feitos neste momento, por milhões de portugueses, valham mesmo a pena e tenham um resultado duradouro. Se é verdade que esta dúvida pode ser um factor de instabilidade social, também é verdade que há outro aspecto que, nas circunstâncias actuais, pode ser incendiário: a injustiça. Caso a sociedade perceba que os sacrifícios que estão a ser pedidos são selectivos e que há grupos mais sacrificados do que outros, a revolta poderá instalar-se e tornar-se imparável. Esta é a linha ténue que separa a união e a insurreição.

 

O governo, para além da competência técnica e da aplicação de boas políticas, terá de explicar que os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses têm um propósito e irão conduzir o país a um futuro melhor. Além disso, os nossos governantes terão de ter um rigoroso sentido de justiça social, pois quando se junta o sofrimento inútil com a injustiça, a paz dá lugar à guerra e os regimes políticos entram em colapso.

 

Pedro Afonso

Médico Psiquiatra

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=secos%2Be%2Bmolhados&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=mr4hrdKU8WeZ4M:&imgrefurl=http://planeta-tangerina.blogspot.com/2009_12_01_archive.html&docid=pU8bD_TSS28A_M&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_emnn91NfcSM/SyeL0y2xXhI/AAAAAAAABpI/h14km2_7-jM/s640/P1060392.JPG&w=640&h=471&ei=jaP0TrfIAYv78QPLw52cAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=113&vpy=204&dur=5296&hovh=193&hovw=262&tx=125&ty=102&sig=108364103958560163334&page=6&tbnh=157&tbnw=212&start=79&ndsp=12&ved=1t:429,r:0,s:79

TERÃO OS FRANCESES SIDO EXPULSOS DE PORTUGAL, EM 1811? - 4

O «Padrão do Senhor Roubado» resistiu à gana francesa 

 

 

CONCLUSÃO

             

O Constitucionalismo nunca se casou com a Nacionalidade Portuguesa, porque foi sempre estrangeiro. Toda a obra que
um povo realizar, fora do seu espírito, não vinga, é estéril e condenada a uma morte próxima

Teixeira de Pascoais

(in “Saudade e o Saudosismo”)

   

As barbaridades que os franceses das hostes imperialistas napoleónicas fizeram no território nacional foram tais que, em circunstâncias normais, nós hoje ainda os odiaríamos. Lembro que vítimas das invasões pereceram um número estimado entre 200 a 300.000 pessoas; o conflito causou mais destruição do que as 18 invasões que sofremos das outras nações peninsulares; a repressão sobre a população civil deixou um rasto de latrocínios, roubos, estrupos e violência avulsa, como nunca tínhamos experimentado e que só foram ultrapassados pelo genocídio terrorista da UPA, no Norte de Angola, em 1961, fez em Março 50 anos, etc. E, no entanto, há muito tempo, mesmo muito, que a população portuguesa perdeu a memória colectiva desta tragédia inaudita.

 

Ao menos os franceses têm esta vantagem sobre os ingleses: nunca foram nossos aliados, batem-nos sempre de frente e à bruta; ao passo que a Inglaterra fez connosco a mais antiga aliança que existe no mundo e, sempre que pode e lhe convém, atraiçoa-nos. Sempre pragmáticos, os ingleses optaram por dominar a economia portuguesa. Ambos, porém, sempre tentaram dominar-nos através de empréstimos financeiros, que a nossa fraqueza potenciava, o que durou até 1928. Aí a coisa mudou pois a dignidade nacional, que restava, ainda foi suficiente para recusar as condições leoninas que a Sociedade das Nações (outra “troika” daquele tempo), nos quis impor. Tal só foi possível por, entre outras coisas, haver vergonha na cara.

 

Com muito sacrifício o Professor Salazar conseguiu descolonizar-nos – é o termo – culturalmente dos franceses, aportuguesando a escola e a sociedade; ao passo que nos descolonizava economicamente dos ingleses, tanto na Metrópole como no Ultramar, restringindo-lhes direitos quase majestáticos, acabando com privilégios, não renovando concessões e comprando de volta as empresas. E passou a falar com eles de igual para igual.

 

Todos lhe ficámos devedores desse grande serviço.

 

Julgo não estar enganado ao dizer que hoje tudo se faz exactamente ao contrário…

 

Ainda hoje existe uma comissão, não sei se permanente, entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o “Quai d’Orsay”, a fim de tratar reclamações pendentes ou que surjam, relativamente a objectos roubados pelos franceses no período considerado. Creio ser já tempo de, pura e simplesmente, ser pedida a devolução de tudo o que for identificado terem-nos roubado.

 

Do mesmo modo já há muito seria suposto que a situação da retrocessão de Olivença fosse colocada e cima da mesa de uma das reuniões semestrais dos governos português e espanhol (e não ibéricas, como teimam em chamá-las!).

 

Para finalizar gostaria de lembrar que, em Portugal, não devemos continuar a ter partidos “franceses”, “ingleses”, ”alemães”, “russos”, ou quaisquer outros. Só devemos ter um “partido” que é o português.

 

Este partido tem um programa simples, claro e que não precisa de gastar milhões em propaganda: trata-se de defender a soberania e independência de Portugal, aumentar o poder da Nação e o bem-estar da população, baseado na nossa matriz histórico/cultural e num pensamento português que vise a perenidade da Pátria. Apenas isto.

 

Caros compatriotas, Portugal continua a valer a pena.

 

Não está é nada fácil de o colocar no bom caminho.

 

 

João José Brandão Ferreira

                                                 
               TCorPilAv. (Ref.)

WENCESLAU DE MORAIS

 

 

 

Teria eu os meus dezoito ou vinte anos quando comecei a ler os livros de Wenceslau de Morais. Não sei quais e quantos li, mas a verdade é que me “apaixonei”, como ele, pelo Japão, e sonhava em como seria bom ter para mulher uma “geisha”, com toda aquela cultura de dedicação ao lar, ao marido, procurando fazê-lo, sempre, feliz!

 

Mas nessa altura, há já alguns anos, eu tinha a minha “futura geisha” lusitana, que não largava de jeito nenhum, e prova disso é que, fora o tempo de namoro, de casados vão quase 57 anos, e os sonhos das japonesas, sempre desfeitos ao terminar cada livro!

 

Mas isso não impede que continue a ter pela leitura de Wenceslau de Morais o mesmo gosto.

 

Um homem que “jogou tudo para o ar” para gozar a sua independência, a sua paz, enfim, a sua vida sem interferências de chefes, burocracias, e outros males semelhantes que nos torturam e aprisionam.

 

O texto que segue mostra o sofrimento de um homem, que conquistou a sua liberdade, a sua paz, ao ver um semelhante, sim, semelhante, preso, a sofrer.

 

 

OS BICHOS, NOSSOS IRMÃOS

 

Visitei hoje, pela segunda vez, uma exposição zoológica que aqui se estabeleceu há poucos dias e vai já seguir para outra parte, colhidos alguns cobres. Entrando no recinto, relanceei apenas o belo tigre, voltei as costas ao urso branco e não fiz caso da outra bicharia; passando rapidamente entre gaiolas até ao meu destino, pois ia ali com o único propósito de dizer adeus a um amigo, o orangotango.

 

Lá estava ele, na sua estreitíssima prisão, entre grades, como eu o vira anteriormente e desde então lhe votei intensa simpatia.

 

Que olhar!... Naquele olhar, que abismo de profundíssima tristeza!... Que epopeia inteira de angústias!... Só vendo-o, só vendo-o como eu o vi, é que se pode compreender tamanha dor!...

 

Fazia um frio cortante, de princípio de Fevereiro. Fora, junto das grades, de uma velha lata de folha improvisara-se um braseiro, onde ardiam carvões, em atenção ao pobre bruto. É que o orangotango (a palavra é malaia e quer dizer — homem dos bosques), tirado de Bornéu, a sua ilha de clima ardente, e trazido para climas frios, morre de tísica; por certo, a boa alma que comprou, e talvez caro, o exemplar que eu tinha à vista, cuidava de retardar quanto possível, por óbvios motivos económicos, o triste desfecho inevitável.

 

Por cerca de meia hora, pus-me a contemplar o homem dos bosques. Tinha a aparência de um velho, ou antes de um pobre ente envelhecido de sofrer. Na face, emaciada, quase humana, traduzia-se principalmente a expressão de uma enormíssima canseira, de uma enormíssima desesperança, amenizadas por uma resignação quase cristã!... Conservava-se de ordinário deitado sobre a enxerga. Tinha entre as mãos um martelo, que o guarda, julgo, lhe lançara por dó, para com ele se entreter, como um brinquedo, nos seus constantes ócios. Maquinalmente, ora mirava a cabeça do martelo, ora mirava o cabo, abandonando-o após, enfastiado. Variando de diversão, começou a puxar da enxerga rota algumas palhas que metia entre os dentes, mordiscando-as. O guarda então zangou-se, berrou, ameaçou o prisioneiro com os ferros com que ia atiçando o fogo do braseiro, o que lhe provocou um gesto e um olhar terríveis, gesto e olhar de medo, justificado sem dúvida por experiências anteriores, gesto e olhar de ódio, de impotência, de alucinação, mas que só durou um momento, voltando o homem dos bosques à sua compostura habitual, de mártir resignado. Passou a mão nervosa sobre a fronte, encostou a cabeça às grades da gaiola; parecia querer chamar o sono, mas o sono não lhe vinha...

 

A populaça ria.

 

Eu estava aterrado, pensando, pensando, nem eu sei em que pensava!...

 

No divagar do pensamento, julguei ter visto já e ser-me mesmo familiar a fisionomia do cativo. Ah, não havia dúvida, era ele!... Eu via-me em presença daquele tipo, já hoje legendário, do bem conhecido Zé-povinho, que Rafael Bordalo, o grande artista, tantas vezes traçara com o seu lápis, há vinte ou trinta anos, nos papéis. Tive então a ilusão nítida de contemplar naquele cárcere um mísero homem do povo, um carpinteiro português, a quem por escárnio houvessem consentido que trouxesse consigo a ferramenta do ofício; condenado, sem culpa formada, a cativeiro perpétuo, até que a tísica... o indultasse!...

 

Ia gritar-lhe: — Ó, patrício!... — quando volvi à noção da realidade, não muito, menos cruciante, todavia. Não era o Zé-povinho que ali estava. Era um simples homem dos bosques, um macaco, arrancado de Bornéu, da sua bela selva, ensombrada e abrasadora, arrancado da sua família de macacos e vendido a um empresário japonês; já agora, condenado a correr de terra em terra — de Kobe para Tokushima, de Tokushima para Osaka, de Osaka para Kyoto — por este clima inconstante que é o clima do Japão, onde alternam verões sufocantes, dignos de Bornéu, com Invernos rigorosos de neves e geadas; tendo por domicílio o cárcere, por divertimento um martelo, por carícia o contacto de dois ferros incandescentes e por esperança... a tísica!...

 

Quando julguei não dever mais prolongar a minha visita, aproximei-me da gaiola e murmurei ao homem dos bosques: — Adeus, meu amigo, boa viagem; e até breve, não é verdade?... — E retirei-me, sem esperar pela resposta...

 

(O Bon-Odori em Tokushima, 1916)

 

Rio de Janeiro, 15/02/2011

 

Francisco G. Amorim-IRA.bmp Francisco Gomes de Amorim

 

TERÃO OS FRANCESES SIDO EXPULSOS DE PORTUGAL, EM 1811? - 3

 

 

Com os militares ingleses a mandarem na Metrópole, o General Gomes freire de Andrade, afrancesado, segundo no comando da Legião Portuguesa que tinha combatido ao lado das águias de Napoleão e Grão-Mestre da Maçonaria, intentou um golpe de Estado, em 1817, a fim de depor Beresford e obrigar a Corte a regressar. Tal representa a 1ª intervenção dos militares na Política, em Portugal.

    

No mesmo ano houve uma revolta “republicana”em Pernambuco. Ambas as revoltas falharam e os seus principais responsáveis foram enforcados. Os de Lisboa foram-no num local que veio a tomar o nome de “Campo dos Mártires da Pátria”. Gomes Freire foi também enforcado (em S. Julião da Barra), como um simples ladrão, sem terem a decência de lhe darem o direito ao fuzilamento.

      

Infâmias estas, que se pagam caro pelos anos fora e que a inauguração do respectivo busto, em 18/10/2003, na rua com o seu nome, em Lisboa, provavelmente saldará. Cerimónia a que o Exército, distraidamente, emprestou um pelotão de cadetes.

   

A 30 de Março de 1818, D. João VI, publicou um Alvará em que proibia as sociedades secretas (visando a Maçonaria), a quem se atribuía a origem das duas revoltas referidas. O Monarca foi, ainda, surpreendido com a existência de uma loja maçónica na própria Corte, no Rio de Janeiro, que mandou extinguir de imediato, alegando “que conspiravam contra o seu governo”. O que não deixava de ser verdade…

    
Porém, a próxima conspiração teve êxito. Aproveitando a ausência de Beresford, que tinha ido visitar a Corte ao Rio de Janeiro, uma loja da mesma agremiação, de seu nome “O Sinédrio” – por sinal o nome do tribunal que tinha condenado Cristo à morte – revoltou tropas e civis no Porto, em 1820. O protagonista do grupo era o jurista Fernandes Tomás, que morreu pobre e goza, até hoje, fama de pessoa íntegra.

    
Foi a vitória do “Liberalismo”, que veio a ser consubstanciada na Constituição de 1822, documento que passou a ser visto como a “salvação da Pátria”!...

    
Desta vez o Rei foi mesmo obrigado a regressar, o que fez em 1821.

   

vimos que a Maçonaria também actuava no Brasil e com a saída de D. João VI, passou a influenciar o primogénito que lá tinha ficado como Regente, o Infante D. Pedro. Este Príncipe veio a revelar-se valente no campo de batalha; voluntarioso e impulsivo, mas pouco dado ao estudo e muito mais à estroinice e às mulheres (veio a ter 18 filhos de oito mulheres diferentes). Algo mais apreciado naqueles tempos no que nos de hoje….

   

O cérebro por detrás da Independência brasileira, José Bonifácio de Andrade e Sousa, atraiu-o para a organização dos “Pedreiros-Livres” e iniciou-o, em 2 de Agosto de 1822, na loja Comércio e Arte. O neófito adoptou o nome de “irmão Guatinozin – o último imperador dos Aztecas.

   

A inaptidão das Cortes e do Governo em Lisboa, fizeram o resto: o próximo e fugaz imperador do Brasil começou por dizer o célebre “Fico!” e, a seguir, deu o “Grito do Ipiranga”. O mundo português de então desmoronava-se.

    
Para além das razões ideológicas interessava à França e à Inglaterra a manutenção do regime liberal, por razões económicas. Assim o fizeram sentir e, por várias vezes, a “Santa Aliança” – uma espécie de “Troika” da altura – não se coibiu de tal nos recordar.

    

A Revolução Vintista é, sobretudo, uma revolução da burguesia. Ora os burgueses são bons a intrigar, mas maus a combater. Depois dividiram-se, originando um século de guerras civis constantes e cruentas, que só terminaram – e não completamente – em 1933.

   
Esta coisa de nos dividirmos em facções e não termos apenas a facção portuguesa, só tem dado maus resultados…

   
Muito resumidamente foi assim:

     A ala afrancesada veio a confluir em Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, 1º Conde de Subserra (Angra, 1760 - Elvas, 16/10/1832), grande militar e político, também ele maçom ilustre e cuja vida dava um filme e, seguramente, várias “conferências”; e na ala inglesada veio a pontificar D. Pedro de Sousa Holstein (Turim, 8/5/1781 – Lisboa, 12/10/1850), 1º Duque do Faial e 1º Duque de Palmela, herói das guerras liberais e diplomata (igualmente digno de figurar na 7ª Arte e em múltiplas palestras). Este cidadão tendo-se distinguido em vida, quis também distinguir-se na morte, estando sepultado no cemitério dos Prazeres, num mausoléu particular (que é o maior da Europa!), e cujo espaço exterior recria a simbólica de um templo maçónico.

 

Parece que depois de mortos já não se importam que nós saibamos quem foram.

    
Do anterior já tinha havido António de Araújo e Azevedo, 1º Conde da Barca, pelos franceses e D. Rodrigo de Sousa Coutinho, 1º Conde de Linhares, pelos ingleses.

   
Estes homens deixaram, por assim dizer, dinastias de simpatizantes e descendentes, que se foram alternando no Poder até à Segunda República.

    
Compreenderão que em tão curta missiva, não possa dilucidar todo esse período.

 

18/11/2011

 

   João José Brandão Ferreira

                TCorPilAv. (Ref.)

HOMENAGEM SENTIDA

 (*)

 

Falámos, a minha amiga e eu, naquele capitão do partido socialista que olha triste e compostinho, numa vista à miss Piggy, pálpebras descaídas sobre umas pupilas que reflectem a compaixão pelo mundo – o mundo português, esmagado pela onda drástica de extirpações sem dó nem piedade nas finanças de cada um - e que deglute com verdadeiro prazer os seus próprios discursos exaltados contra tais
ignomínias, que uma próxima subida ao poder faria imediatamente esquecer, já de olho aceso.

 

A minha amiga, embora concorde com o discurso da exaltação anti-esburgadora, que é como quem diz esbulhadora, dos novos governantes, explicita preferencialmente a matreirice de quem fala para ganhar eleições e que por isso se assume como o salvador da nação, mastigando os discursos da piedade e da condenação, a uma plateia que o vai escutando cremos que sem grande convicção.

 

Seguro é mais um menino, bem vestidinho e aprumado. E triste, naturalmente. Não que lhe falte o alimento a ele, mas sofre por todos aqueles a quem o alimento falta. Sobretudo se por culpa de um Governo tão diabolicamente indiferente ao esmagamento do povo. Governo, é certo, assustado pela dimensão de uma dívida que, todavia, nem os sacrifícios impostos vão solucionar, por muito prolongados no tempo que forem. E Seguro sabe-o bem, mas olha triste, num olhar filtrante e compenetrado, enquanto expende os argumentos da exaltação contra a injustiça social que o demarcam do partido do Governo.

 

Mas há dias ouvi a um comentarista que, apesar da dureza das medidas governativas, as sondagens apontam para nova vitória dos partidos do Governo, e comentámos sobre o crescimento de um povo que, apesar dos discursos dos dirigentes políticos contrários, prefere o discurso honesto, embora duro, dos governantes, sentindo quanto se aplicam, nas suas tentativas de desemaranhar a teia, para lhe encontrar um fio condutor aceitável.

 

Já lá vai o tempo das largas multidões vociferantes. Embora manipuladas hoje pelos mesmos, ou outros idênticos, cabecilhas, que jogam preferencialmente na destruição e na confusão, num inegável espírito virtuoso de compaixão, não só aquelas reduziram de tamanho, como as suas vozes baixaram, dentro do esquema educado que o novo Governo criou.

 

Por isso nós nos congratulámos sentidamente ao prestarmos homenagem ao povo de que somos parte empenhada.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=sondagem+eleitoral&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=3RCh8c_rc4nBgM:&imgrefurl=http://etcetal.blogs.sapo.pt/2011/05/&docid=KrEnuzakPMMGbM&imgurl=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7f062485/8459106_75h5R.jpeg&w=312&h=265&ei=yiLyTqWNF-H14QSQocnBAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=408&vpy=313&dur=2853&hovh=207&hovw=244&tx=142&ty=106&sig=108364103958560163334&page=8&tbnh=159&tbnw=186&start=99&ndsp=13&ved=1t:429,r:2,s:99

TERÃO OS FRANCESES SIDO EXPULSOS DE PORTUGAL, EM 1811? - 2

 (*)

Comecemos pelo princípio:

   

PORQUE NÃO FORAM EXPULSOS?

 

Todos os homens dos 15 aos 60 anos se armem; cidades, vilas e povoações. Que se fortifiquem; quem o não fizer Incorre em pena de morte e as vilas que franquearem as suas portas serão arrasadas

(Real Decreto de 11/12/1808, incitando os portugueses a resistiram aos franceses)

                                                                                  
                       

À memória de Jacinto Correia, fuzilado a 25/11/1808

Se todos os portugueses fossem como eu, não restaria um só invasor…”

(placa existente no jardim fronteiro à Porta d’Armas da
Escola Prática de Infantaria, em Mafra)

  

 

A historiografia oficial portuguesa ensina-nos que existem três invasões das tropas napoleónicas: a 1ª comandada por Junot, em 1807; a 2ª, em 1809 e que teve à cabeça Soult e a 3ª, em 1810 – a maior de todas – comandada por um marechal de França, que gozava da fama de nunca ter perdido uma batalha: Massena (é claro que mais uns anos na União Europeia e estas invasões serão promovidas a “encontros de culturas”, se é que me faço entender….).

   

Olvida-se, por norma, a 4ª invasão, em 3 de Abril de 1812, talvez por só ter durado 20 dias. E esquece-se uma outra, que deveria ser considerada como a primeira invasão, que foi a Guerra da Laranjas, em 1801. Isto porque os espanhóis invadiram-nos em concertação política com os franceses, o que se prolongou até o Junot ter ficado a “ver navios no alto de Santa Catarina”.

   

E esquece-se, outrossim, de relacionar tudo o que se passou com a participação da esquadra portuguesa, ao lado de Nelson, entre 1798 e 1800, o que enfureceu Napoleão ao ponto de ditar para a História que “lá virá o tempo em que a Nação Portuguesa chorará lágrimas de sangue pela ofensa que agora faz à República Francesa”. Disse e cumpriu.

   

Na infeliz e mal conduzida “Guerra das Laranjas” perdemos a muito portuguesa vila de Olivença, cujo capitão se rendeu, lamentavelmente, sem disparar um tiro. Digo lamentavelmente, pois nenhuma força militar, seja em que circunstância for, se deve render sem disparar um tiro sob pena de não servir para nada!

   

Até hoje ainda não recuperámos a nossa Olivença: está cativa de estranhos, onde os franceses, primeiro foram coniventes e, depois, lavaram daí as mãos. Como, aliás, têm feito a maioria dos governos portugueses desde então.

   

Esta é a primeira razão que nos leva a dizer que os franceses ainda não foram expulsos.

    

Porém, a razão principal porque assim o afirmamos tem a ver com o facto de os Gauleses terem saído fisicamente do nosso território – com muito do que pilharam – mas deixaram cá as suas ideias. As ideias de Revolução Francesa e a célebre trilogia da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” (que, na sua essência, é uma grande mentira).

    

Ora tudo isto representava uma ideologia, baseada em doutrinas veiculadas pelos “Iluministas” e “Racionalistas” do século XVIII. Numa palavra, eram-nos estranhas.

    

A principal organização que veio a defender e veicular este ideário foi a Maçonaria cujo ramo especulativo viu a luz do dia (pelo que é tido oficialmente), em 1717, em Inglaterra, com a formação da grande loja de Londres, após o célebre encontro na “Apple Tree Tavern”, em Covent Garden.

   

Por isso não é de estranhar que uma delegação da Maçonaria Portuguesa (que já existia desde 1734), fosse esperar Junot, a Sacavém, para o receber como…. “libertador”.

   

Com a saída do Exército francês, as lojas maçónicas multiplicaram-se e não só por via das ideias afrancesadas, mas também por via de inspiração inglesa. E se os militares franceses saíram, os militares ingleses ficaram e continuaram a mandar no Exército Português.

   

Com a Corte no Rio de Janeiro havia um vazio de poder em Lisboa. Esse vazio foi ocupado por Beresford.

   

A Corte tinha feito uma retirada estratégica para o Brasil, que só não foi brilhante pela precipitação final do embarque; a autorização para que todo o filho d’algo a acompanhasse; não se ter dado ordem ao Exército para oferecer resistência, nem que fosse simbólica, e por não se ter acautelado melhor a abertura dos portos brasileiros ao governo inglês. Esta retirada ainda hoje é tida por muitos historiadores e políticos encartados, como uma “fuga”, o que representa um erro de análise profundo.

    

Mas erro, também, foi o facto do Rei estando no “bom bom” brasileiro, nunca mais se dispor a regressar a Lisboa, mesmo depois do perigo napoleónico ter definitivamente desaparecido, após a batalha de Waterloo, em 1815.

   

Aqui começaram os problemas políticos e político-militares, que têm desgraçado a Nação dos portugueses, até hoje.

 

18/11/2011

  

         João José Brandão Ferreira           
                             TCorPilAv. (Ref.)

 

(*) http://www.google.pt/imgres?q=estandarte%2Bnapole%C3%B3nico&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=ie-7dP9MwNUMAM:&imgrefurl=http://batalhasnapoleonicas.blogspot.com/2010_08_01_archive.html&docid=1BPu7R-AyAHsfM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_MI6URygJ6fA/THOt-ZoYHaI/AAAAAAAAAtw/6T9nNV2zKOo/s1600/SDC10219.JPG&w=1600&h=1200&ei=D6PxTtCAN4ab8gOsu5G5AQ&zoom=1&iact=hc&vpx=725&vpy=308&dur=2430&hovh=194&hovw=259&tx=145&ty=110&sig=108364103958560163334&page=2&tbnh=166&tbnw=225&start=22&ndsp=12&ved=1t:429,r:3,s:22

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