Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

O ESPANTOSO BOICOTE A QUEM QUIS TRABALHAR

 (*)

Piquete de greve

 

Uma das consequências da liberdade alcançada com o 25 de Abril foi o direito à greve. Assim, desde o 25 de Abril, cada um é livre de aderir à greve ou não aderir.

 

A liberdade é para isso mesmo: para que cada um opte, livremente, pelo quer ou não quer fazer.


Foi o que aconteceu ontem: uns resolveram fazer greve e outros resolveram não fazer greve. Uns e outros estavam no seu direito.


É por isso espantoso que tenha havido grevistas a tentar, por todos os meios, boicotar os que ontem quiseram ir trabalhar.


Ora, 37 anos depois do 25 de Abril, ainda há gente que não percebeu que a liberdade é mesmo para todos, ou seja, que a liberdade pode ser usada também para ir trabalhar em vez de fazer greve.

 

 Aura Miguel

 

RR on-line 25-11-2011

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=piquete+de+greve&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=gKK0nuL3vXhqsM:&imgrefurl=http://travessadenenhures.blogspot.com/2010/11/greve-geral-em-setubal.html&docid=fJMMgiRstEbhOM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_2KyoHwzS1x0/TO5JZ48FaiI/AAAAAAAAAUQ/5Ct8RIn2Oug/s1600/002.jpg&w=1024&h=687&ei=wzPRTpWoGYXIhAfd7sDGDQ&zoom=1&iact=hc&vpx=512&vpy=204&dur=6159&hovh=184&hovw=274&tx=107&ty=136&sig=108364103958560163334&page=2&tbnh=167&tbnw=243&start=20&ndsp=12&ved=1t:429,r:2,s:20

EXEMPLOS DE LIBERDADES

 

 

É tempo de rever algumas vozes dos que ao mesmo aspiraram.

 

Disse-o Bocage, nos alvores da Revolução Francesa:

 

"Liberdade onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a Hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh! venha... Oh!, venha e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!»

 

 

Disse-o Pessoa, arrasador da disciplina:

 

"Ai que prazer não cumprir um dever!

(...)

O mais do que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca."

 

 

Disse-o Éluard, como resistência à pata germânica:

 

«J’'écris ton nom.

Et par le pouvoir d'un mot.

Je recommence ma vie.

Je suis né pour te connaître.

Pour te nommer.

Liberté

 

 

Dizia-o o nosso povo, de experiências feito:

Image Hosted by ImageShack.us 

«Liberdade, liberdade

Quem na tem chame-lhe sua.

Eu não tenho liberdade

Nem de pôr o pé na rua.»

 

Mas agora já a tem. Receoso, todavia, dos raptos, dos assaltos, dos assassínios...

 

 Berta Brás

LIBERDADE, O MAIOR BEM EUROPEU

Continuam os motins na Praça Tahir, Cairo

Esta devia ser uma manhã alegre em Espanha. O país foi a votos, a maioria dos espanhóis falou e o poder mudou de mãos.

A verdade é que Espanha é esta manhã um país deprimido, como grande parte da Europa. Aqui ao lado, é sabido que, façam o que fizerem, os espanhóis têm o destino traçado e nós, em Portugal, temos a sensação de estar a rever um filme que já conhecemos.


É curioso que as eleições espanholas ocorram no mesmo fim-de-semana em que, no Egipto e na Síria, milhares continuaram a manifestar-se e a morrer em nome de uma liberdade que tarda em chegar àquelas paragens.


A Primavera Árabe esbarra no Outono das democracias europeias que, habituadas a uma vida fácil, sacrificaram a liberdade à ditadura do dinheiro.


Mudar de vida é uma inevitabilidade para a Europa, mas quem vive no Velho Continente deve olhar para os países árabes para perceber que a liberdade é a sua maior riqueza.


Mariano Rajoy assume, a partir de agora, a liderança do governo que passa para as mãos dos populares depois de oito anos de governação socialista. Tem uma tarefa difícil pela frente, mas esta é também a hora de os políticos redescobrirem que a sua vocação é o serviço ao povo e não servirem-se do povo

 

  Raquel Abecasis

 

RR on-line2011-11-21

SÍMBOLO @ (ARROBA)

 (*)

      
                 
     

Durante a Idade Média os livros eram escritos à mão pelos copistas.

Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam o seu trabalho

substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e

abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho

ser mais rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O

motivo era de ordem económica: tinta e papel eram valiosíssimos.

     

Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal

anterior. Se reparar bem, verá que o til é um enezinho sobre a letra.

     

O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado

para Phco e Pco – o que explica, em Espanhol, o apelido Paco, comum

a quase todo o Francisco.

     

Ao citarem os santos, os copistas identificavam-nos por algum detalhe

significativo de suas vidas.

 

     

Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que

resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente

conhecido como e comercial em Português, e ampersand,

em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.

     

E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os

copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad,

que tinha, entre outros, o sentido de casa de.

     

Foram-se os copistas, veio a imprensa – mas os símbolos @ e &

continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o

número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro

contábil 10@£3 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma.

Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).

     

No século XIX, na Catalunha, o comércio e a indústria procuravam imitar

as práticas comerciais e contábeis dos ingleses. E, como os espanhóis

desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em),

acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso

contribuíram duas coincidências:

     

1 - A unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba,

cuja inicial lembra a forma do símbolo;

     

2 - Os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em

fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele

mesmo registo  de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada

uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar

a arroba.

     

O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta

parte: uma arroba (15 kg, em números redondos) correspondia a ¼

de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo

português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg.

     

As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua

forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos

Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar os seus

originais dactilografados), trouxeram no teclado o símbolo @, mantido

no de seu sucessor, o computador.

     

Então, em 1972, ao criar o programa de correio electrónico (o e-mail),

Roy Tomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa

máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim

que Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor

X.Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X.

     

Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa

parecida com sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol);

em Sueco, snabel (tromba de elefante);

em Holandês, apestaart (rabo de macaco).

 

Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular:

shtrudel, em iídisch;

strudel, em alemão;

pretzel, em vários outros idiomas europeus.

No nosso, manteve a denominação original: arroba.

     
É curioso que ainda se empregue no Algarve a expressão "à da"
(p. ex. «vou à da minha avó») tal como o proposição latina
@ad – indicativa de "a casa de     
     

 

     

Autor não identificado; recebido por e-mail

 

(*) http://www.google.pt/imgres?q=%40&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=CCtTa1Vt-8v05M:&imgrefurl=http://www.colourbox.com/media/1473527&docid=wqsdNX1JLn6NqM&imgurl=http://www.colourbox.com/preview/1473527-518471-at-sign-symbol-of-computer-communication.jpg&w=480&h=320&ei=dsfPTpWfHovJswbnhcnTDA&zoom=1&iact=hc&vpx=628&vpy=339&dur=308&hovh=183&hovw=275&tx=145&ty=119&sig=108364103958560163334&page=12&tbnh=165&tbnw=207&start=156&ndsp=13&ved=1t:429,r:7,s:156

     

 

OLIVENÇA CELEBRA DERROTAS


Olivenza van a celebrar la Guerra de las Naranjas con una gran representación del acontecimiento. Supongo que habrá soldados españoles que ataquen la fortaleza, ciudadanos oliventinos que la defiendan, sean soldados, sean civiles, y al final habrá conquista española, quizás algún saqueo si se quiere ser fieles a las guerras de antaño y después se celebrará algún evento gastronómico para festejar la fecha. La celebración se las trae. Los oliventinos celebran que fueron conquistados y derrotados, algo impensable en otras ciudades, que suelen celebrar sus victorias y triunfos, nunca sus derrotas. Esta 'Macrorrepresentación de la Guerra de las Naranjas' está levantando muchas ampollas en Portugal, aunque lo más destacable es la esquizofrenia que supone celebrar que a tus antepasados se los cargó un ejército enemigo, aunque tú ahora formes parte del país que te conquistó y estés encantado de ello. Solo conozco un caso parecido en Extremadura, se trata de la llamada Torre de Bujaco de Cáceres, nombrada así en honor del caudillo árabe Abu Jacob, que se cargó en esa torre a los últimos caballeros cacereños en una de las varias reconquistas de la ciudad. Aunque en ese caso pudiera haber truco y llamarse de Bujaco en honor a un 'muñeco' que en ella había. Sería más lógico pues a nadie se le ocurre ponerle a una torre el nombre del caudillo que mató a los tuyos. A nadie salvo a los oliventinos, que han tenido la idea de festejar la guerra que los derrotó y celebrar la conquista que acabó con tantos de sus antepasados.

J.R. Alonso de la Torre

"HOY", 21-Novembro-2011


Resposta do Dr. António Marques enviada ao HOY, publicada em 17-11-11

Al igual que con los individuos, las comunidades humanas también pueden vivir un proceso de alienación, olvidando o negando su realidad, su esencia y su identidad.

Ocurre esta observación à causa de Olivenza y una vez que ha sido anunciada la "Macrorepresentación de la Guerra de las Naranjas".

No por constituir inesperada ofensa contra Portugal y los portugueses, amigos de Olivenza, que han de interrogar-se acerca de la razón de la iniciativa, ni porqué sea de dar relievo al evolucionar de Olivenza de los últimos dos siglos, asunto que se va a dejar a los historiadores, diplomáticos y políticos.

Lo que es extraño, como actitud esquizofrénica, es que los oliventinos, ellos mismos, van a promover la "celebración" de un conflicto central de su historia - para algunos hoy en día patético, pero ciertamente trágico para aquellos que lo vivieron y sufrieron - en el que sus antepasados, sus mayores, se vieron atacados, derrotados, conquistados y dominados por la fuerza de las armas.

Lo amargo, es que los oliventinos de ahora admitan tratar como "un macroespectáculo de 18 días" la tragedia de los oliventinos de 1801 y que, con el "macrorepresentación" en la cual Olivenza celebra la victoria de otros y celebra derrota suya, mistifiquen los miedos y los horrores sufridos 210 años atrás, negando su historia y la memoria de sus antepasados, como quien va de tirar piedras en sus tumbas.

 Antonio Marques

                               (antigo Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença)

OS TRAIDORES IMBECIS

Para mim, todas essas figuras que fizeram o 25 de Abril, na mais completa irracionalidade de ponderações, sem cuidar de "objecções de consciência" que lhes lembrassem lealdades, amor pátrio, ideais, respeito pelos antigos construtores da história pátria, etc, não passam de figuras sinistras apenas dignas de desprezo. E no entanto continuam passeando-se por aí, tão presas à cadeira da fama como Salazar o foi à cadeira do poder, bem ciente, este, que era inteligente e sabedor, da monstruosidade das convulsões que iriam afectar o seu país, mal caísse da cadeira. Ainda hoje, quase quarenta anos passados, eles por aí andam, incitando à desobediência e à greve, ridículos palhaços senis, gozando o estrebuchar da nação, que já um dia, sem qualquer pejo ou remorso,  fizeram explodir, com igual insensibilidade, irracionalidade e futilidade desse Otelo.
Mas a boa da nação os protege, alvarmente, parolamente, igual a esses, por conveniência própria e timorata, fingindo crer nas boas intenções dos que a defendem incitando à paralisação e à morte desse país.
 
 Berta Brás

UM GRANDE GOLPISTA

 

 (*)
 
Ouviu-se há  dias o Otelo Saraiva de Carvalho afirmar da forma desenxovalhada muito sua – de  uma insensatez atropelada - que as manifestações dos militares não devem ser colectivas, por isso ele não iria à de sábado, achava que o que pode verdadeiramente realçar a importância dos militares são os golpes de Estado para  derrubar Governo, mesmo que, como já não estamos no tempo dos cravos vermelhos, mas sim pouco distantes do dia de finados, os militares tivessem que levar outras flores na botoeira, ou mesmo nos canos das armas, crisântemos que fossem.

Só não  percebi bem a exclusão da designação de colectivos para o caso dos golpes de Estado, que implicam sempre, acho eu, acompanhamento suficiente para não abortarem, embora os abortos até já sejam despenalizados nos dias de hoje, e isso se deva às aquisições libertárias da nossa revolução de 74, feita nas ruas  com tropas e cravos e povo radiosamente exaltado. Julgo mesmo que o Otelo se  esqueceu dessa característica de ajuntamento e por isso reclamou outra revolução de tipo golpista, talvez para alcançar uma graduação mais concomitante com a sua acção primeira, que segundo se disse, partiu do seu cérebro.

 

O que é de supor é que ele se encontre meio frustrado por não o chamarem para o núcleo dos governantes, pois para todos os efeitos até foi chamado então “o cérebro do 25 de Abril” e ficou-se apenas pelo cargo de major, por muito cérebro que tivesse sido, sem poder comer à mesma mesa dos outros que ascenderam ao generalato, injustiças e ofensas que jamais se podem perdoar e por isso o major
Otelo quer executar outro golpe, por muito que a hemorragia dele – do golpe – proveniente, já não seja tão visível como foi no primeiro, por o país se encontrar agora exangue, como provam os diversos cortes nas economias nacionais.

 

Mas vejo, com tudo isto, que afinal os povos são muito parecidos. Assim, os líbios, que tendo feito a revolução lá na Líbia, sem sequer poupar o Kadhafi, vão todos recolher às suas terras, por ordem dos novos dirigentes desagradecidos.

 

É por isso que o nosso Otelo, escamado com a ingratidão do seu povo, anda a idealizar outro golpe, para ver se lhe dão o relevo governativo que merece, pois nem se lhe daria furar cabeças – as dos inimigos da revolução e as dos seus próprios inimigos, por muito poucos que ele tenha, como provam as entrevistas que ainda lhe fazem os jornalistas televisivos, encantados com o seu ar desenxovalhado de idiota impune.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=otelo+saraiva+de+carvalho&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=4Amng_O2S4n-tM:&imgrefurl=http://santa-nostalgia.blogspot.com/2009_09_01_archive.html&docid=rJ_aQjv_SQMFIM&imgurl=http://lh6.ggpht.com/_V78tgti2DFM/Srna9vJ21TI/AAAAAAAAEOM/HJ-h4qFUryI/otelo%252520saraiva%252520de%252520carvalho%252520figuras%252520e%252520figuroes%252520santa%252520nostalgia%2525209_thumb%25255B2%25255D.jpg&w=454&h=889&ei=VqvMTuX1AsqLswb4g_W6DA&zoom=1&iact=hc&vpx=342&vpy=292&dur=79&hovh=314&hovw=160&tx=86&ty=188&sig=108364103958560163334&page=5&tbnh=166&tbnw=85&start=57&ndsp=12&ved=1t:429,r:9,s:57

DO ALTO DA LADEIRA DA MINHA INFÂNCIA

 

 

Casa Maria Eduarda Fagundes Sozinha, seguindo o trajecto das minhas memórias, subi lentamente a ladeira, ainda calçada com as pedras da minha infância. O som das pegadas era o mesmo que as outras gerações haviam ouvido igualmente: cadente e abafado, lembrando que estavam ali para todo o sempre.                                 

 

Pico  Depois de tantos anos de ausência, voltar àquele sítio era como voltar a um tempo passado, agora silencioso, onde as pessoas que ali pela mão me levaram não mais existiam. Era como ver um palco iluminado, porém sem actores, mas que ainda assim me emocionava só de ser visto.

                                      

 

Hidrângeas Vez por outra um carro passava, obrigando-me a escolher a calçada estreita, em certos pontos, quase inexistente. O meio-fio, em vala, de  cimento, tinha como função drenar as águas que a natureza despejava.

 

                                     

   Jardim Faial     Na subida íngreme, quando o fôlego faltava, parava por uns instantes para respirar normalmente.  Mas ao chegar ao alto da ladeira, a visão da paisagem da Horta debruçada sobre a baía, o porto e o imponente Pico à frente, fez todo o esforço valer a pena. Ao redor redescobria o portal do Colégio Santo António, onde aprendi as primeiras letras, a casa do leão, onde vivi a minha infância, a canadinha que hoje é uma estrada, o muro em pedra escura, a rua do Cemitério...  Lá em cima da ladeira, no Alto da Boa Vista, nos dias de sol, a visão é deslumbrante. Emergindo do mar, como um gigante negro em forma de montanha, quase sempre coberto com um chapéu de largas abas brancas, rendado pela Madalena... o Pico reina.  Céu e mar disputam qual deles tem o azul mais bonito e brilhante.  As casas de janelas verdes, caiadas de puro branco,  com seus telhados de argila avermelhada, a Torre do Relógio, pontiaguda, solitária no meio de um Jardim, verdes pinheiros gigantes, azuis hortênsias. No mar, a marina plena de embarcações aventureiras, coloridas, tudo me fez sentir tão pequena, tão insignificante, perante tanta beleza. Sentei-me numa mureta que contornava o caminho. E fiquei ali, parada, quieta, cismada, sentindo a brisa do mar, respirando devagar, até que tudo desapareceu de minha cabeça, e eu diluída na natureza, sumi, como se só ela existisse naquele lugar, naquele momento.  Voltei à realidade com o barulho que um grupo de jovens turistas fazia ao incursionar pelas estradas da ilha.  Despertada, voltei ao Hotel, no centro da cidade. O tempo urgia e ainda não havia arrumado as malas. Na manhã seguinte peguei o avião para casa, do lado de lá do mar oceano, para onde o destino me levou ainda criança um dia.

 

                                

Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 04/04/2011

 

Fotos: Arquivo pessoal

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D