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A bem da Nação

PORTUGUÊS, PALAVRA DE PAZ

 

 (**)

 

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

 

Na sequência do pedido de D. João III ao fundador da Companhia de Jesus para que trouxesse a sua Ordem para Portugal, no século XVII a Província do Oriente da Companhia tinha sede em Goa e jurisdição que se estendia do Cabo da Boa Esperança ao Japão.

 

Pese embora não ser totalmente seu, este é seguramente um dos expoentes mais sublimes da História de Portugal.

 

A língua portuguesa era então franca desde os sertões brasileiros até aos confins do oriente e esta, sim, foi obra que totalmente se deveu ao engenho português.

 

E se dentre os europeus, nós fomos os primeiros a demandar o ultramar e os últimos a regressar, certo é que actualmente, limitados ao escasso território permitido, nos encontramos numa situação equiparável à que em 1415 justificou a conquista de Ceuta. Hoje, como então, urge ganhar dimensão «lá fora» como solução única contra o esmagamento europeu da nossa soberania.

 

Independentemente da capacidade que Portugal hoje tivesse para seguir a via dos esmagamentos militares, das conquistas territoriais ou da humilhação de outras civilizações, esse seria – neste início do século XXI – procedimento criticável e vocacionado ao fracasso. O humanismo cristão que hoje nos rege não o permitiria, o cenário internacional desmoronar-se-ia sobre nós, a restante tenacidade nacional seria incapaz de tal senda até porque vem sendo moldada com vista a mais brandos desígnios.

 

Tendo numa escassa quarentena passado de cabeça de Império a membro menor duma união de Estados cada vez menos soberanos e onde a solidariedade corresponde tão-somente a chavão discursivo, cumpre-nos agora reformular o modelo de desenvolvimento que já revelou plena caducidade para, tão rapidamente quanto possível, pagarmos as dívidas que a desgovernança deixou acumular.

 

E se esta missão é inultrapassável, ela não obsta, contudo, a que procuremos ganhar no exterior a dimensão que nos falta «cá dentro». Em paralelo e com igual urgência.

 

Imunes à amoralidade resultante do pós-modernismo instalado na vida pública nacional e ao resultante derrotismo da maioria da sociedade portuguesa, há por esse mundo além inúmeras comunidades que se sentem e intitulam lusíadas, que nutrem por Portugal sentimentos de grande afeição e de longínqua nostalgia, que ambicionam pela retoma de laços de que nalguns casos se viram privadas durante séculos.

 

Quando as novas tecnologias da comunicação nos permitem estabelecer esses contactos, sem sequer nos sujeitarmos às intempéries, não haveria desculpas para que o não fizéssemos. E se o fazemos numa perspectiva de remissão de erros cometidos ao longo da História, confessamos a ideia que nos move de contribuirmos para a criação de um novo mundo lusíada baseado nos princípios do humanismo cristão de inspiração lusíada, numa base de equidade, mesmo naqueles casos em que os povos não tenham podido passar por qualquer processo de autodeterminação.

 

E se não temos a pretensão de reescrever a História, deixem-nos pelo menos sonhar com a ideia de que a língua portuguesa se possa afirmar como um verdadeiro instrumento da paz ao longo deste potencialmente desvairado século XXI.

 

ÍNDIA

 

No processo de retoma de contactos com os «portugueses abandonados», saltou a Índia para o primeiro lugar das nossas preocupações e é com grande satisfação que colaboramos em tudo que nos pedem os lusófonos de Goa que, reunidos na Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa e com o apoio da Fundação Cidade de Lisboa, já organizaram 14 cursos de português para adultos com uma frequência média de 96 alunos por curso. Distribuídos por três níveis e por duas cidades (Pangim e Margão), a aprendizagem formal conclui-se com um curso de conversação trimestral. Aqui, sim, temos colaborado entusiasticamente na procura em Portugal de professores interessados no desempenho desta função. Também este complemento suplantou as melhores expectativas pois que logo na primeira edição em vez de uma turma de 15 alunos, o professor teve que se desdobrar de modo a ensinar uma turma em Pangim e outra em Margão. O quarto curso teve 4 turmas de 15 alunos e para o que se iniciará em Janeiro de 2012, o quinto, admite-se a necessidade de deslocar mais professores de Portugal. 

 

É comovente entrar na sede da Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa em Pangim e ouvir falar português como se estivéssemos em Lisboa.

 

O ensino de português às crianças goesas está a ser feito por professores goeses que completaram o curso ministrado localmente pelo Instituto Camões e que vêm sendo colocados pelo Governo goês na rede de escolas públicas do Estado.

 

A percentagem de lusófonos em Damão, Dadrá e Nagar-Aveli estima-se que ainda hoje ronde os 30% da população apesar da longa solução de continuidade que houve no ensino da nossa língua e apesar de a Igreja ter passado há uma dezena de anos a utilizar o inglês em todos os actos litúrgicos.

 

Sempre pela Internet, foi relativamente fácil identificar um damanense interessado em restabelecer laços culturais com Portugal e encontrar uma professora habilitada com o curso da Delegação do Instituto Camões em Macau. Tal a apetência, foi num ápice que um grupo de crianças residentes em Damão Grande passou a frequentar as aulas. O segundo curso iniciar-se-á em Outubro de 2011, passada a monção. Falta agora relançar o ensino do português no Instituto Nossa Senhora de Fátima, o que ainda não foi possível.

 

Mas também ainda não conseguimos tantas outras coisas…

 

Os católicos de Baçaim – a antiga Corte do Norte do Estado Português da Índia e hoje arredor de Mumbai (Bombaim) – terão ouvido falar da nossa acção e contactaram-nos pela Internet a fim de trocarmos impressões sobre a história do forte português daquela cidade. A propósito da interpretação das inscrições nas muitas campas existentes na igreja local, foi com a maior naturalidade que surgiu a ideia de lançar o ensino do português. Um dos objectivos entretanto definidos pelos elementos do grupo entretanto constituído no Facebook, consiste em futuramente a Missa passar a ser celebrada em português até porque pretendem que todo o processo de relançamento da Cultura Indo-Portuguesa em Baçaim se desenvolva em estreita colaboração com a respectiva Diocese.

 

Inesperadamente e com a maior surpresa dos locais, localizámos uma portuguesa residente naquela cidade com a formação necessária ao ensino do português. As aulas começarão brevemente, logo que a Diocese disponibilize uma sala para as aulas e logo que a monção deixe de convidar as pessoas a manterem-se em casa.

 

Está em constituição um núcleo de goeses residentes em Bombaim que pretende integrar este movimento de retoma da Cultura Indo-Portuguesa. Aínda estamos nos contactos preliminares com vista à confirmação da liderança local bem como à definição dos objectivos que o grupo possa vir a definir.

 

Inesperadamente, fomos contactados por um católico de Cochim que, no âmbito duma Associação local ligada à Igreja, mostra muito interesse pela culinária indo-portuguesa. Não sendo tema que dominemos de modo diverso do de consumidores, nada obstará a que lhe dediquemos o tempo necessário ao desenvolvimento de relações à distância que permitam retomar a tradição e confirmar que a língua portuguesa ali possa ser um instrumento da erudição e do bom entendimento entre duas Culturas que pretendem voltar a conviver em paz e a comer (comungar) com gosto à portuguesa.

 

Em Chaul-Korlai o processo está mais atrasado pois dizem-nos que morreu o último falante de português e o crioulo local de origem portuguesa está em vias de extinção por pressão das línguas vernáculas do Estado de Maharastra. Resta agora saber se os luso-descendentes daquelas localidades pretendem recuperar o seu crioulo ou se pretendem aprender o português moderno. Na primeira hipótese, terão que contar consigo próprios; quanto à segunda, poderemos procurar uma solução.

 

De qualquer modo, ao tempo em que escrevemos estas linhas, o processo ainda não foi interiorizado naquela população e os contactos que vimos recebendo têm origem noutros grupos católicos indianos.

 

MAIS QUÊ?

 

A Internet é uma verdadeira caixa de Pandora pelo que a qualquer momento nos podem surgir novas solicitações de comunidades nossas desconhecidas. Ou seja, a qualquer momento poderemos ser induzidos a mudar as prioridades que vimos estabelecendo.

 

Mas há uma linha de rumo que consideramos perene: com o tanto que está por fazer, não avançaremos para locais onde já esteja alguém a fazer o mesmo que nós nos propomos desenvolver.

 

É o caso dos «portugueses abandonados» de Malaca onde se encontra a Associação Coração em Malaca e em Batticaloa (Sri Lanka) para onde a AMI – Assistência Médica Internacional terá enviado um professor há relativamente pouco tempo.

 

É também o caso de todas aquelas comunidades de emigrantes portugueses na Europa e na América do norte onde o ensino da nossa língua está assegurado por Associações locais.

 

As nossas prioridades continuam a definir-se pelo grau de abandono em que encontramos quem se diz luso-descendente e quer retomar os laços culturais com Portugal ou, no desconhecimento da sua própria História, se sente cultural ou religiosamente diferente de quem os rodeia sentindo necessidade de algo para que consiga preservar os padrões que herdou e quer legar aos seus próprios descendentes.

 

Estão neste caso os católicos dos arquipélagos das Celebes e das Molucas (Indonésia) e os Melungos dos Apalaches (costa leste da América do norte).

 

A todos tentaremos chegar com uma palavra de amizade e de paz, por vezes com uma visita para nosso conhecimento da realidade local, concretização da missão que esperamos das pessoas envolvidas e estreitamento dos laços de fraternidade que no nosso entendimento privado deverão definir o futuro de Portugal.

 

Um motivo a mais: a apetência social e cultural do espaço Schengen…

 

Mas fora destes padrões ficam outros a que alguém há-de um dia «deitar a mão». Referimo-nos aos descendentes de Pêro da Covilhã e dos outros 400 portugueses que há séculos perambularam por terras do Preste João. A Igreja oficial etíope poderá hoje continuar monofisista mas não terá certamente sido em vão que por lá passou a Companhia de Jesus. Lá iremos…

 

Fica na horizonte o tanto que sonhamos mas nem sequer imaginamos.

 

Agosto de 2011

 

 (*)

Henrique Salles da Fonseca

 

(*) na Gruta de Camões em Macau, Dezembro de 2008

 

(**)http://www.google.pt/imgres?q=mundo&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=xkLSybge0QZ8kM:&imgrefurl=http://agvcastroverde.drealentejo.pt/moodle/course/view.php%3Fid%3D164&docid=bTdhVeve6KwOEM&w=3091&h=3128&ei=9bOOTqavI8z74QSEzrDAAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=297&vpy=321&dur=4097&hovh=226&hovw=223&tx=123&ty=120&page=2&tbnh=166&tbnw=164&start=12&ndsp=12&ved=1t:429,r:5,s:12

O EURO, VIVO OU MORTO

 (*)

 

Um dos maiores vilões da actualidade é... o euro. A moeda é acusada de todo o mal em Portugal e Europa, anunciando-se a sua morte ou recomendando saídas, da Grécia por baixo ou Alemanha por cima.

 

Voltar a debater a criação ou composição do euro é ocioso. A única questão relevante agora é a solução para a crescente desconfiança na sua unidade e solidez. E essa deve usar critérios económicos, financeiros, qualquer coisa mais profunda que os preconceitos simplistas ou a retórica sonante das opiniões comuns.

 

A maioria das queixas nasce de uma nostalgia da desvalorização. Que bom seria reduzir o valor do nosso dinheiro na crise! Muitos falam dessa possibilidade como de um paraíso proibido embora, de facto, pareçam mais ânsias de alcoólicos anónimos. Uma desvalorização baixa custos externos e aumenta exportações sem melhorar a produtividade ou eficiência das empresas. Simplesmente enganando trabalhadores e fornecedores, pagando-lhes com dinheiro degradado. Entretanto todos desembolsam mais por tudo o que compram lá fora. A opção está longe de ser um almoço grátis.

 

Pior, até os benefícios acabam ilusórios, pois a desvalorização torna-se viciosa. O ajuste cambial dá às empresas grande alívio comercial sem dificuldades, mas também sem méritos. Como nada mudou na actividade, a vantagem rapidamente se esboroa, exigindo sucessivas depreciações para se manter. Portugal, que viveu 13 anos em "desvalorização intravenosa" com o ajustamento deslizante do crawling peg, sabe isto melhor que ninguém.

 

Mas romper um acordo inquebrável é muito mais do que licença para desvalorizar. Uma coisa é um ajuste cambial controlado, outra o colapso da moeda por ruptura. Se um país abandonar a união monetária sofrerá uma brutal desvalorização, com perda de acesso aos mercados internacionais. As vantagens para as suas exportações não compensariam a violenta explosão financeira, com estilhaços por toda a economia.

 

Por outro lado, a brecha no acordo implicaria custos para todos os que permanecessem na união. Um clube de onde se pode ser expulso não garante segurança aos sócios. Saindo alguém, os mercados internacionais descontariam fortemente o valor da estabilidade de que hoje, apesar de tudo, gozam todos os membros do euro. Isso significaria que pouco depois da primeira saída teriam de ser equacionadas outras. Conhecemos bem o processo, porque o vivemos nos últimos meses. A espiral de desconfiança entraria então numa fase mais profunda, minando as instituições. Em breve toda a União estaria em perigo.

 

Então não seria melhor equacionar já o fim do euro? Isso significaria um choque financeiro global de primeira grandeza. É bom lembrar que todos os preços são relativos. A desvalorização de uns é uma valorização alheia. Muitas moedas desceriam violentamente, mas o refúgio noutras teria terríveis impactos nessas economias. Em qualquer caso a perturbação geraria consequências devastadoras, e muito para lá da UE. No estado frágil em que se encontram os mercados internacionais, as consequências seriam imprevisíveis, mas sempre assustadoras.

 

Estas considerações parciais chegam para compreender que uma alteração nas instituições do euro será sempre alternativa desesperada, nunca escolha sensata. É bom não brincar com o fogo.

 

Mas será possível salvar o euro?

 

Passada a emergência então poderá pensar-se em novas regras, mas sem aproveitamentos hipócritas. Os federalistas, se amam a Europa, não devem insistir na falsidade de que só a integração orçamental ou as eurobonds são solução. O Pacto de Estabilidade, se tivesse sido cumprido, teria evitado isto. Insistir agora em avanços de integração arrisca-se a destruir tudo.

 

JOÃO CÉSAR DAS NEVES

 

DN 20111003

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=euro%2Btroubles&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=yWEX6-lXuZyPQM:&imgrefurl=http://www.bloomberg.com/news/2011-08-04/euro-s-problems-need-fixing-before-markets-lose-faith-view.html&docid=jwKLRYgpKQqkZM&w=620&h=357&ei=UmKNTum9F8vSsgaqtdzpDw&zoom=1&iact=hc&vpx=265&vpy=320&dur=8903&hovh=170&hovw=296&tx=161&ty=95&page=11&tbnh=115&tbnw=200&start=117&ndsp=10&ved=1t:429,r:4,s:117

RELEMBRANDO A HISTÓRIA...

 

 

 

Alemanha "rainha das dívidas" 

 

O historiador Albrecht Ritschl evoca em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a
Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.

 

Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.

 

Guerra-fria cancela a dívida alemã

 

Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.

 

No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra-fria.

Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.

 

À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.

 

Tiram-nos tudo, "até a camisa"

 

Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã – um haircut, segundo a moderna expressão – que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado e deixá-los aos países vítimas da ocupação.

 

E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra.

É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.

 

Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso,
"despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".

 

 

 21 Junho 2011

 

Álvaro José Ferreira                      

“O BARÃO”...

 

 

... filme de Edgar Pêra

 

Estreia Nacional – 20 de Outubro de 2011

Sinopse:

Baseado na novela homónima de Branquinho da Fonseca e no conto “O Involuntário”, do mesmo autor, “O Barão” retrata a vida de um barão, ditador e cacique, arrogante e controlador, misógino e cruel, uma personagem draculesca raramente vista no cinema português.

 

Ficha Técnica:
Realização: Edgar Pêra
Argumento: Luísa Costa Gomes e Edgar Pêra
Produtor: Ana Costa
Fotografia: Luís Branquinho

Ano: 2011
Género: Drama
Duração: 105’

Elenco:
Nuno Melo (Barão)
Marcos Barbosa (Inspector)
Leonor Keil (Idalina)
Marina Albuquerque (Professora)
Paula Só (Avó)
Vítor Correia
Miguel Sermão
Jorge Prendas (Mestre Alçada)
Rogério Rosa (Criado da Taberna)

 

In http://filmesportugueses.com/o-barao/

 

 

A enorme responsabilidade que sinto pelo facto de ser neto de Tomás da Fonseca, sobrinho e afilhado de Branquinho da Fonseca e sobrinho-neto de Lopes de Oliveira foi hoje compensada pelo facto de o director de fotografia do filme ser o meu primo Luís, neto do autor da novela que fundamentou o filme. Foi com orgulho que ontem saí da sala de cinema da Fundação Gulbenkian onde fui assistir à apresentação prévia do filme.

 

Mas o Luís colaborou também na organização da pequena exposição evocativa das bibliotecas itinerantes da Fundação com uma das famosas carrinhas Citroën lindamente preservada e circundada por painéis com fotos de momentos especiais e inerentes explicações. Uma dessas fotos mostra-nos o Doutor Salazar a folhear um livro durante a visita a uma dessas carrinhas com Branquinho da Fonseca a explicar algo que não consta da legenda. A legenda fê-la o humor político da época: «A oposição a ensinar Salazar a ler»...

 

O filme transmite perfeitamente o «realismo fantástico» por que alguém denominou o estilo de Branquinho da Fonseca e foi dentro desse modo que dei por mim a pensar nos tempos por que a sociedade portuguesa tem passado neste último século: o típico cogito exaltado de finais da monarquia e da 1ª República de que Tomás da Fonseca – pai de Branquinho da Fonseca – era um praticante exímio imbuído duma ética cartesiana areligiosa mas profundamente tocada pelos princípios do decálogo; o cogito humilhado, típico dos conformados
com o salazarismo; o cogito irado da libertinagem revolucionária; o cogito ferido que é este por que agora deambulamos entre os lances bolsistas dos credores...

 

Mas Branquinho da Fonseca não seguiu qualquer desses modelos. A época em que viveu exigia subtileza sob pena de exílio ou de cárcere
e a via por que optou foi a da estética. Uma estética realista e fantástica que lhe permitiu escrever peças primorosas como “O Barão”, seu expoente.

 

O filme, esse, segue claramente a estética fantástica, a tal a quem no papel falta a música, os efeitos de luzes e sombras, tudo aquilo a que só um grande director de fotografia é capaz de dar forma.

 

Conclusão: gostei.

 

Henrique Salles da Fonseca

SOBREVIVER ou VIVER SOBRE...

 

 

 

 

Um dos assuntos mais falados, nos dias de hoje, é a sobrevivência. A luta tremenda por sobreviver, num mundo estraçalhado pela fome, miséria, desemprego, guerras e outras atrocidades semelhantes.

 

Os alemães, através de cruzamentos, criaram uma nova raça de cães, lindos, inteligentes, amáveis, o Leonberger, que quase desapareceram durante a 2ªGuerra. Animais grandes, comiam muito, e a escassez de alimentos, a devastação e a fome, fez com que a quase totalidade desses animais fosse abandonada. Não conseguiram salvar-se mais que dois ou três exemplares. Quando o país estabilizou houve quem se interessasse por esses magníficos animais, e a raça sobreviveu e continua a ser muito apreciada. Grandes companheiros.

 (*)

É um animal muito inteligente. Mas não tem Ego, porque não recebeu o Espírito! Não tem consciência do Bem e do Mal. Que bom para eles.

 

Enquanto os homens... assistem a uma cada vez maior e mais feroz concentração de renda, através de manobras, na sua origem criadas para desenvolver o comércio e a indústria, e hoje usada para pura especulação e enriquecimento.

 

A verdade é que para uns enriquecerem de algum lado o dinheiro tem que surgir! Quem paga, então? O Zé, o povo, como sempre, desde que há homens mais ou menos sapiens sobre o planeta.

 

Na idade média pagavam com galinhas, trigo, carne, etc., aos senhores. Quando chegou a era industrial pagou com o sacrifício da sua saúde, para trabalhar 15, 18 horas por dia, para encher os bolsos dos rothschilds da vida.

 (**) Rot Shild = escudo vermelho

 

Hoje paga pela voraz vergonha das Bolsas de Valores, onde o dinheiro, que não existe, virtual, circula, mas não sai para os sectores
produtivos, para a criação de emprego, para o combate à pobreza.

 

Desde que surgiu a crise de 2008 (a crise ???) que parecia ter arruinado os bancos, nunca estes ganharam tanto dinheiro. Como era de
esperar o segundo capítulo dessa crise está já aí, as impressoras rodam sem parar a imprimir dinheiro falso, falsíssimo, os warren buffets continuam a enriquecer doidamente, e os países a afundarem, sem que não se veja a aplicação de qualquer sanção ou programa que, EFECTIVAMENTE, promova a tão anunciada “retomada do crescimento”!

 

Os países endividados, aumentam os impostos, sacrificam os mais débeis, os aposentados, os doentes e assistem (ou compactuam?) com o enriquecimento. Por este caminhar serão os países que vão falir: impostos no absurdo, poder de compra reduzido, industrias a fechar, abrindo espaço para os “emergentes” se fartarem com a carniça que sobejar! Empobrecimento iminente à vista! E depois?

 

Na Europa, os países que estão à beira de “choque anafilático”, vão ter que sair do Euro, voltar às moedas antigas, dracmas, pesetas, escudos, etc., desvalorizar essas moedas, declarar uma moratória de dez anos, nada de juros para o BCE, FMI e outros ladrões da vida, o que terá como efeito imediato um tipo de transplante do coração, mas permitirá, ainda na convalescença, que cada um cuide de si.

 

Já a CEE deixará de mandar fechar fábricas de açúcar de beterraba, para venderem o deles (o dos donos da CEE: Alemanha, Holanda, etc.) e não pagando mais aos agricultores para os terrenos ficarem incultos, cada país vai ter que apertar o cinto e comer do seu!

 

Lançar impostos sobre os ricos não resolve, a não ser, e dentro de muito estreitos limites, mostrar alguma dignidade, e recolher uma
merreca de dinheiro.

 

Mas por que não lançar um imposto sobre as operações de Bolsa? A vergonha do nosso tempo? Não sobre o lucro que eventualmente se
obtenha, mas sobre as operações financeiras, sejam elas à vista ou a prazo? Já existe? Então aumente-se mais uns tantos por cento.

 

Quantos biliões dariam por semana? No Brasil, só 1,5% deve dar uns 50 milhões POR DIA! Imagine-se o que seria se juntar as Bolsas de Nova York, Londres, Paris e mais outras, mesmo que só da Europa e das Américas! Num instante não haveria mais défices públicos (se ninguém roubasse, claro!) nem crise, nem desemprego, porque o capital teria que ser aplicado na produção.

 

Toda a gente teme que o capital, por “não ter fronteiras” possa sair do país que lançar impostos sobre a riqueza. Pois bem, que vá, que
especule onde quiser, que arruíne outros países. Sempre há-de sobrar muito para investir.

 

Estar a fazer pagar os erros de décadas de desvarios, pelos que estão a entrar no nível da pobreza é uma tremenda duma covardia.

 

E muitos, muitos, daqueles que hoje lutam desesperadamente para sobreviver, talvez consigam então sair debaixo daqueles que, à sua custa, e SOBRE eles VIVEM.

 

 

Rio de Janeiro, 12/09/2011

 

Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=leonberger+dog&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=ocqOhu5Eavqq8M:&imgrefurl=http://www.dogs4sale.com.au/Breeds/Leonberger/Breed_Fact_Sheet.htm&docid=ZdHN_bWiK6c3KM&w=450&h=285&ei=gFiJTv6ONsnIswayqIjhAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=694&vpy=293&dur=3083&hovh=179&hovw=282&tx=175&ty=103&page=1&tbnh=127&tbnw=173&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:9,s:0

(**) http://www.google.pt/imgres?q=escudo%2Bvermelho&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=Hfnw5tb64r7YWM:&imgrefurl=http://servoporemlivre.blogspot.com/2011/04/impotancia-da-uncao-no-escudo-por.html&docid=eE804QgeRfIAQM&w=499&h=499&ei=JlmJTqaqNsP0sgb0stDhAQ&zoom=1&iact=hc&vpx=199&vpy=407&dur=200&hovh=225&hovw=225&tx=105&ty=94&page=1&tbnh=142&tbnw=122&start=0&ndsp=21&ved=1t:429,r:11,s:0

O POÇO

 A raposa (*)

A fábula seguinte

Da Raposa e o Bode

É de La Fontaine

Que, sempre actual,

Põe o dedo na ferida

Na questão nacional

Sem saída:

A do nosso endividamento estridente

Resultante

Do mergulho no poço

Em busca do caroço

Para satisfazermos

A sede de termos

Recursos, riquezas,

Poderes, vilezas,

E as muitas lérias

Das nossas misérias.

O bode (**)

É assim a fábula:

«A raposa e o bode»

«Comadre Raposa ia de companhia

Com um seu amigo Bode dos mais encornados:

Este não via, pobre infeliz,

Mais que dois palmos à frente do nariz,

E dos mais diminutos;

O outro, em enganos e velhacaria,

Era mestre, dos mais esclarecidos.

A sede obrigou-os a descer a um poço:

Ali, cada um deles bebe até fartar.

Depois que ambos se dessedentaram

Diz a Raposa ao Bode

Como quem lhe acode:

Compadre, que vamos fazer agora?

Não basta beber, é preciso

Sairmos daqui para fora.

Levanta os pés pelas paredes acima

E os cornos também, para que eu suba

Pela tua espinha primeiro, pelos teus cornos depois.

Com uma tal máquina, deste lugar sairei,

Depois por ti puxarei,

E sairemos os dois.

-“Pela minha barba, disse o outro, acho bem;

Eu sempre louvarei

Gentes espertas como tu

Que não enganam ninguém.

Eu por mim jamais teria

Achado tal solução.”

A Raposa sai do poço,

Num alvoroço,

E abandona o companheiro

Não sem primeiro

Lhe pregar belo sermão,

Exortando-o a ter paciência

Em abundância:

Se te tivesse um Céu propício

Dado em benefício

Tanta inteligência

Como barba no queixo

Tu jamais terias ousado

Tão levianamente,

Descer ao poço. Aqui te deixo

Prudentemente.

Estou fora.

Adeus, que me vou embora

Urgentemente.

Trata de sair daí, como puderes.

Quanto a mim, tenho um assunto a tratar

Que me não permite parar.”

Em qualquer empreendimento que tomemos,

Antes de nos precipitarmos,

É preciso ter em atenção o fim,

Com discernimento.

Só assim

Nos safamos.»

Aqui está a fábula atrevida

Que põe o dedo na nossa ferida.

Nós somos o carneiro ramalhudo

E peco,

Que mal aconselhado pela raposa ditosa

Semelhante a outra qualquer raposa manhosa,

De dentro ou de fora,

Salta para o poço com rapidez

No seu deslumbramento e avidez,

Sem pensar nas consequências

De tais extravagâncias.

Lixou-se o carneiro,

No lixo do poço.

De lá não saiu,

Atolado

Até ao pescoço.

 

Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=Alberto%2BJo%C3%A3o%2BJardim&hl=pt-PT&biw=1024&bih=753&gbv=2&tbm=isch&tbnid=AZzPhXMZaezV7M:&imgrefurl=http://jvnande.com/fala-de-alberto-joao-jardim-a-uma-nacao-chorosa/&docid=WYfzJWr4nFVdDM&w=500&h=333&ei=ND6IToTGCsGN4gT0mpyHDw&zoom=1&iact=hc&vpx=300&vpy=377&dur=1399&hovh=183&hovw=275&tx=161&ty=113&page=1&tbnh=155&tbnw=206&start=0&ndsp=12&ved=1t:429,r:5,s:0

 

(**)http://www.google.pt/imgres?q=Z%C3%A9+Povinho&hl=pt-PT&gbv=2&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=PVTMHSKlcZGjfM:&imgrefurl=http://clic-senior.blogspot.com/2011/03/ze-povinho.html&docid=ZUl9r01MtyTjjM&w=360&h=300&ei=wD6ITpT7AuPh4QTNkPiuDw&zoom=1&iact=hc&vpx=607&vpy=191&dur=5932&hovh=205&hovw=246&tx=117&ty=117&page=1&tbnh=161&tbnw=192&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:3,s:0

O BURRO

 Burro! Grande burro! Muito burro! Asno! Ganda burro (à moda de Portugal)!

 

O grande burro, o Equus asinus, é, de fato um animal extraordinário!

 

Dócil, incansável, frugal, teimoso “que nem um burro”, o que mostra a sua personalidade, o melhor de todos os equinos para montar e fazer longas jornadas.

 

Houve um tempo, no velho Portugal, que cavalgar burros era reservado aos reis, alguns nobres e a abades e abadessas! O restante só podia cavalgar mulas. Os cavalos, símbolo de poder, eram, além de muito custosos, reservados para guerras, e extremamente incómodos para viajar. Também se sabe que Maria, quando da matança de crianças por Herodes, fugiu para o Egipto em cima de um burro. E foi ainda um burro que carregou Jesus, na sua entrada em Jerusalém, onde foi condenado, torturado e crucificado.

 

Os burros são mesmo uns “burros de carga”! Carregam pesos enormes, e lá seguem, seu ar humilde, submisso, passo vagaroso, cadenciado, andando por veredas e encostas, com frio ou calor, sem parecerem jamais cansados, sem reclamarem, ajudando os homens nas suas tarefas mais difíceis.

 

E há quem se atreva a chamar burro a um homem como de um insulto se tratasse!

 

Todos nós, na vida, e quanto mais longa pior, fizemos disparates, dissemos barbaridades, e houve quem teve a misericórdia de nos
chamar de burros, ou nos dizerem que fizemos burrice!

 

Que honra, que elogio, que cumprimento amável, poder ser comparado a um burro!

 

 Lembro de, por mais de uma vez, quando eu tinha aí uns dez anos, uma mestra me colocar na cabeça umas orelhas de burro e me mandar para a janela, na intenção de me enxovalhar perante os que passavam na rua. Não me lembro já se alguém olhou para mim, mas lembro que aquilo era motivo de grande risada entre mim e meus irmãos! E a professora, pobre de espírito, acabava sempre
perdendo o confronto!

 

Hoje creio que já ninguém me chamaria de burro, talvez levando em consideração as minhas barbas e cabelos brancos!

 

É pena. Porque me sentiria honrado com tal comparação!

 

Por isso, que ninguém se atreva a chamar burros aos políticos! Seria elogiá-los!

 

Chamem-lhes ladrões, mal intencionados, estelionatários, sem vergonha, cafagestes, não insultem a mãe deles por muita vontade (e hábito) que se tenha, porque a senhora nada tem a ver com o descaminho dos filhos, mas jamais lhes chamem de burros.

 

Burros somos nós, bestas de carga, que temos que aguentar toda a sorte de incompetências e ladroagem dessa gente, e continuarmos humildes, a levar nas costas as nossas cargas, a procurar cumprir com os nossos deveres, a sermos espoliados, a perdermos a esperança no futuro, sobretudo o dos nossos filhos e netos, e ainda sorrir com a família para lhes manter um pouco de ânimo e alegria.

 

Tal como o maravilhoso burro, o jumento, o jegue, o asno!

 

O problema é quando os burros começam a escoicear.

 

Rio de Janeiro 25/09/2011

 

Francisco Gomes de Amorim

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