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A bem da Nação

"Também não fazem bem a ninguém"

 

 

Eis uma pronta expressão da minha amiga, assim que lhe contei de um programa que escutei esta manhã de domingo, num dos canais televisivos sobre os monges que vivem em ascese em mosteiros do monte Athos, de que mostraram belas imagens de arquitectura, trabalho agrícola, pintura e reparação de ícones e imagens antigas, conversa de monges com o entrevistador americano… Monges que vivem em oração permanente, mesmo quando trabalham, salvo talvez nas horas de sono, procurando identificar-se com Cristo, imitando-o segundo a leitura bíblica no rito ortodoxo, numa grande frugalidade e isolamento, mesmo noticiarístico, embora se não coíbam de receber fartura de visitantes, distinguindo os do rito ortodoxo dos do rito cristão.

 

Já os santos eremitas da Tebaida viviam em ascese e solidão, mas estes alimentavam-se de produtos menos bem talhados, alguns de bichos e de plantas silvestres, como bem explica Eça de Queirós na sua “Lenda de Santo Onofre” e na de “S. Cristóvão”, e como, de resto, Santo Antão, narrado por Flaubert, sujeitos, na sequência desses martírios sofridos, na busca da perfeição, a visões de concupiscências e banquetes, provocadas pelo tentador demónio que sempre se riu desses fastios voluntários, como já o fizera com Cristo.

 

Creio que os monges ortodoxos dos mosteiros do monte Athos se alimentam e rezam sem delíquios de vis tentações da carne, embora a minha amiga tenha fungado entre dentes, afeita aos despautérios do consumismo e da libertinagem hodiernos.

 

E a minha amiga concluiu mansamente:

 

- São aqueles que se fartam da vida e pronto. Têm aí uma solução, nas muitas horas de devoção. Não interessam nem ao menino Jesus.

 

Mas, sempre irrequieta, acrescentou, embora a medo, que a vida nos sai por vezes adversa:

 

- Só espero que esses convidem a filha do Raul Solnado, porque ela fala todos os dias com Jesus. Para lhes dar umas dicas. Nós, que já temos uma Fátima, e ainda temos uma Solnada, o que é que a gente quer mais? Para quem não tem nem petróleo, nem ouro… É um fartote de bênçãos, mesmo sem os produtos de extracção.

 

- Não tenho sentido o efeito bênção, exclamei com certa indignação.

 

Desprezou o remoque.

 

- Eu só fico pasmada como é que não aparece ninguém a contestar! Se não fosse filha do Solnado, nem se atreveria a propalar as suas vidências. E vende os livros todos. Nunca vi ninguém criticar. Normalmente é entrevistada quando sai um livro, como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Mas ela é que vive bem, e o resto é treta.

 

Retorqui eruditamente:

 

- O resto é silêncio, foi o Hamlet que disse, é o que nos espera a todos.

 

A minha amiga fugiu do assunto macabro, criticando mais um feriado, o de amanhã, dia da Assunção:

 

- Somos os campeões dos feriados. Houve alguém que falou em corte de feriados. Mas não devem ter coragem. A Igreja não deixa. Embora a Merkel tenha dito que é preciso trabalhar mais.

 

Mas, na sequência do sentido crítico e conceito antidogmático que encontramos em Eça, a respeito do que a busca da santidade pelo ascetismo e a penitência podem traduzir de vaidade pelo desejo de equiparação com Cristo, e de vacuidade e egoísmo no desligar do mundo, cito, de Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o seguinte passo:

 

«Disse-me ele (Quincas Borba) que a frugalidade não era necessária para entender o Humanitismo e menos ainda praticá-lo; que esta filosofia acomodava-se facilmente com os prazeres da vida, inclusive a mesa, o espectáculo e os amores; e que, ao contrário, a fragilidade poderia indicar certa tendência para o ascetismo, o qual era a expressão acabada da tolice humana. “- Veja S. João, continuou ele – mantinha-se de gafanhotos, no deserto, em vez de engordar tranquilamente na cidade, e fazer emagrecer o farisaísmo na sinagoga”.»

 

Por mim, defendo democraticamente o viver que cada um entenda para si, desde que não ofenda a integridade alheia.

 

E também gostaria de peregrinar até àqueles mosteiros dos monges bizantinos da “Santa Montanha do Athos”, e outros sítios, percorridos outrora por gentes e barcos e cujos enredos de fantasia ou de mito assente no real, para sempre permaneceriam no imaginário dos povos ocidentais, por eles enfeitiçados.

 

 Berta Brás

A FRAQUEZA DA TÉCNICA

Fiamo-nos nas «coisas» e tomamo-las como garantidas; quando elas falham sentimo-nos perdidos.

 

Eis o que vem acontecendo com a "banda" que se tem revelado mais estreita do que a largura anunciada não me dando acesso à Internet durante as «horas cristãs».

 

Explicada a interrupção no ritmo diário das publicações a bem da Nação numa época em que elas mais se justificam, fica a garantia da minha perene militância e a confissão de evidente impotência perante a fraqueza da técnica.

 

E, das duas, uma: ou o assédio alheio à "banda" abranda ou os Técnicos alargam a dita.

 

Se tais hipóteses não acontecerem, lá virá mais daquilo a que os eruditos chamam "soluções de continuidade" e a que nós, os normais, chamamos interrupções.

 

Assim como fazemos perante a Troyka, mantenhamos a Fé na vinda de melhores dias.

 

Entretanto, apesar dos males carpidos, a água do mar está a 24 graus centígrados. Deo gratias!

 

Votos de boas continuações para todos que nos lêem...

 

Henrique Salles da Fonseca

A SINISTROSE

 

Londres 2011

 

 

Esse neologismo não é meu (nem do Roberto Campos, seu maior fabricante). É de Louis Pauwells, autor de um quase best-seller: Carta aberta à gente feliz, que é, diga-se de passagem, de ruindade literária quase homogénea (para usar a expressão de Colin Clark sobre um livro de Galbraith), mas de muito boa filosofia e de sadia reacção contra um pessimismo que, nos tempos que correm, se vai alastrando com fundamentos tão mórbidos quanto desconexos.

 

O livro denuncia essa raiva da felicidade que é uma espécie de poluição intelectual, diz o autor, transmitida por professores mentalmente desequilibrados, os quais, sob pretexto de salvarem a humanidade, pregam o desespero.

 

O quadro é bem desenhado: “Somos contaminados por uma teoria do fracasso e do absurdo, infiltrada em quase toda a literatura contemporânea, formando-se uma igreja do pessimismo, onde se encontram os descontentes com a civilização, os que sofrem com a felicidade alheia e os que buscam notoriedade a qualquer preço, todos para pregar a cruzada da destruição”.

 

Só se reputam bons artistas e verdadeiros intelectuais os que vivem à sombra do apocalipse. Há mais de meio século que uma literatura imbuída de niilismo propaga no seio da juventude o espírito da revolta e a gana da destruição.

 

Superpopulação, poluição, consumo obsessivo são os veículos que disseminam o veneno Não vêem, como diz Aron, a propósito da poluição, que só a técnica permite curar os males criados pela própria técnica.

 

A ideia de que o mundo ocidental é inviável atormenta os espíritos dos que, de outra forma, tudo teriam para serem felizes.

 

Não se trata de reacção de massas descontentes, nem de marxismo. Vem das elites de psicopatas que se pretendem intelectuais e que propagam negação e destruição. Profetizam a revolução pelo simples fundamento de que as coisas não podem continuar assim e de que a era da energia nuclear, da viagem à Lua e dos raios-Laser impõem radicais transformações (que eles não dizem quais são) para a vida dos homens.  

 

Um dos mais caudalosos afluentes dessa doutrina é a esquerda sacerdotal, que, na ânsia de uma notoriedade que a vida religiosa não proporciona, vem nos últimos vinte anos intoxicando a alma da juventude desprevenida e indefesa.

 

Herbert Marcuse, o mais proeminente dos ideologistas da nova esquerda, escrevia em 1967: “Por enquanto, a alternativa (à sociedade ocidental) é ainda e somente a negação”.

 

A sinistrose não admite o exame da evolução, económica e social das sociedades humanas, nem o progresso realizado pelo homem nos últimos cem anos para compreensão do universo em que vive.

 

Nada disso. A tarefa construtora seria árdua demais para a capacidade dos contestatários e não teria uma fracção sequer da audiência e da receptividade que conseguem os negativistas. Daí a confusão que domina a mocidade, só sabendo expressar-se pelo volume capilar, pela sujeira e pelos entorpecentes, elementos com que pretende promover a revolução social que não sabe qual é.

 

O autor de Carta aberta à gente feliz, Louis Pauwells, não fez parte da juventude desorientada que por aí anda parasitando, nasceu pobre, filho do povo. “Eu ia à escola”, escreve ele, “com as pernas enroladas em papel de jornal e uma lanterna na mão, nos dias de mau tempo”. O que confirma a tese de um trabalho do Prof. Nisbet, publicado o ano passado em Encounter, de que é nos estudantes das classes média e abastada que se encontra a grande maioria dos negativistas.

 

O livro de Pauwells é expressão sincera e corajosa de alguém que não se arreceia de abrir luta contra o pessimismo, a negação e a contestação sistemática, que desnorteiam os espíritos e procuram destruir a felicidade onde a encontram.

 

(19/11/71)

 

 Eugénio Gudin Filho

 

Por gentileza de

 

  Ricardo Bergamini

 

PARABÉNS, BERTA BRÁS!!!

Corvo negro do pecado

 

 

 

Leio o livro "Os Portugueses” de Barry Hatton que, vivendo há 25 anos em Portugal, como jornalista e escritor, traça um  retrato, que consegue ser simpático, do povo português, em toda a parte ironizado, ao longo dos tempos, pelos povos mentalmente mais desenvoltos, como povo timorato, fechado na sua timidez de incultura, e que em várias épocas da sua história conseguiu ultrapassar economicamente esses outros, por, mau grado o seu atraso espiritual, ter contribuído para o alargar dos espaços da esfera terrestre, nos altos e baixos da sua condição humana, ora selvagem e brutal, ora no proselitismo da fé que espalhou, ora na ambição doenriquecimento pela conquista e domínio de outros povos.

 

Hoje em dia, os povos cultos não lembram esses factos passados desse povo hispânico, sorrindo das suas inépcias resultantes, acima de tudo de um índice de analfabetismo superior, resultado da luta constante pela conquista da terra da sua lavra, ou do mar da sua ambição, obtidos na sujeição sempre aos senhores que muito os exploravam, e pouco lhes davam em troca, ao contrário de outros povos europeus mais conscientes, criados numa ideologia que foi igualando servos e senhores, obtida pelos muitos letrados que uma governação mais equilibrada possibilitara, pela criação das estruturas culturais necessárias.

 

Mais tarde, esses outros povos, já traçados os caminhos marítimos de longínqua escala, lançar-se-iam igualmente na descoberta e ocupação de terras, com mais capacidades técnicas e saberes das gentes superiores donde provinham.

 

O livro de Barry Hatton vai-nos dando conta, através da História, da Literatura e da Política actual, dessas características de um povo “único, fascinante e contraditório”, no seu dom de simpatia e afabilidade ao estrangeiro e servilismo ao poderoso, no seu esbanjamento do tempo, por um “dolce far niente” na cavaqueira sem consequência, na indisciplina e irracionalidade de adepto, não da ordem mas do improviso, não do esforço metódico mas da preguiça mental, e da anedota e das tiradas revisteiras mais ou menos grosseiras, dum convencionalismo parolo que a imposição dos dogmatismos católicos mais acentuou, povo cuja mediocridade favorece a ostentação, a inveja e o não reconhecimento da competência, tendo Camões como paradigma do génio não reconhecido na sua época, mas povo que
simultaneamente é capaz da gargalhada sadia, ao estilo de Eça, do gesto grotesco à Zé Povinho, ou das graças de um Solnado dos bons velhos tempos e de tantos outros bons humoristas antigos e actuais nos seus papéis de humor, onde Victor Espadinha sobressai, contra a tal indiferença da mesquinhez que nos corrói. Um povo “sui generis” que construiu uma nação “sui generis”, com uma história “sui generis”, imortalizada por nomes que mereciam maior atenção universal, tal como o fado e os alegres ranchos folclóricos, que metem velhos e crianças, numa despretensão de gente saloia mas carinhosa, que, por outro lado, é capaz de matar, por um desvio de água das suas terras, e se lança corajosamente aos cornos dos touros nas pegas pelos forcados.

 

Mostrou Barry Hatton a forma pouco judiciosa de aproveitamento dos dinheiros europeus, dando azo ao desperdício e às extorsões, como já dantes fora, da parte dos que comandam os destinos da nação, contou a nossa história segundo algumas boas leituras, entre as quais Antero e as três “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” – governos absolutos prepotentes e narcisísticos, educação jesuítica obsoleta e desligada da ciência moderna, exploração económica colonialística que habituou o país à mândria – a que se acrescentaria o desastre de 1755, as invasões francesas, a perda temporária da corte portuguesa, mas onde um liberalismo de empréstimo possibilitou a implantação de reformas mais humanas. E tudo o que seguiu de reformas tecnológicas na Regeneração, com o Fontismo e a dívida ao estrangeiro, e uma primeira República desordeira, uma segunda economicamente e socialmente estabilizadora mas mesquinha e amordaçante, seguida das mudanças trazidas pela romântica Revolução dos Cravos, de uma democracia mais fútil do que real.

 

Um belo livro, que cita aversões e amores de gente estrangeira, que, odiando o povo na sua situação de miséria e atraso, admirou, como Lord Byron, as paisagens naturais, de uma beleza edénica não merecida por seres tais embrutecidos.

 

Mas ouço as histórias da minha portuguesa mãe, que uns dias canta outros dias chora. Esta tarde cantou fados de Coimbra, cuja letra eu já esquecera. Creio que foi em minha homenagem, que amanhã faço anos e vou fazer doces, e fiquei feliz a ouvi-la, alargando a homenagem, generosamente – característica nossa - a Rui Knopfli e a Jorge Amado, que em igual dia viram a luz:

 

Do Choupal até à Lapa

Foi Coimbra os meus amores,

A sombra da minha capa

Deu no chão, abriu em flores.

 

Ó Coimbra, que mais queres

Que mais podes desejar,

Se tens cá lindas mulheres

E bons corações para amar?

 

Se Coimbra fosse nossa,

Como são os estudantes,

Mandava-lhe pôr no centro

Uma coroa de brilhantes.

 

Não sei onde foi buscar tais quadras, pois a letra do Zeca Afonso nem todas essas abrange, mas os 104 anos da minha mãe dão-lhe uma clarividência de memórias que definitivamente admiro.

 

Hoje de manhã contara as histórias dos seus tempos de doeira, a guardar cabras pelos montes, seguidas dos corvos que no alto iam crocitando em grasnidos ruidosos, e as doeiras, para os afastar, recitavam:

 

Corvo negro do pecado

Não me azangues o meu gado, 

Nem o branco, nem o negro

Nem o que anda misturado.

 

Se queres carne vai ao Porto

Que lá está um burro morto.
Come a carne e deixa o osso

P’r’ amanhã p’r´ó teu almoço.

 

Esta lengalenga me fez elevar o espírito em oração fervorosa contra as ameaças dos corvos negros da nossa perdição.

 

Será que uma vez mais o povo valente, capaz dos heroísmos marítimos de outrora, vai conseguir arredar o mal que sobre ele paira, tal como ainda hoje fazem os toureiros em faenas dengosas, que faz Barry Hatton escrever, na Introdução do seu livro: “E uma coisa é certa: qualquer país que luta com touros para se divertir nunca poderá desaparecer”?

 

Oxalá tenha razão. Sigo o meu pai, que não aceitava a barbárie da tourada como espectáculo.

 

Mas desejo que o novo governo se mantenha firme e criterioso nos seus compromissos com o país. E que, tal como promete, em breve levantemos cabeça, pagando as dívidas, desenvolvendo as produções, aumentando o emprego e a exportação. Sem lengalenga.

 

 Berta Brás

COMBUSTÍVEIS E CONCURSADOS

 

 

Nada melhor do que viver num país onde Deus, certamente por distracção, pôs tudo: floresta imensa, vida animal sumptuosa, infindável espaço agricultável, reservas minerais de toda a qualidade e o até pomo de toda a discórdia mundial, petróleo!

 

E então, quando o país, pela voz do seu (des)governo e da sua (deles) maior empresa – uma das maiores do mundo – anuncia aos crédulos que somos já autónomos em combustíveis, e líderes do mercado MUNDIAL em energia (quase) limpa para automóveis, o famoso etanol, derivado da cana de açúcar, não há como o cidadão não se sentir orgulhoso da sua terra, e aplaudir, com as quatro mãos o tal (des)governo!

 

Aplaudem com as quatro mãos porque, nuns casos elas são todas iguais e, em algumas excepções outras tantas (mãos) recolhem o maná discursivo que o big chefe, com a maior cara de pau, generosa, demagógica, crápula, e junto com grossa parte do erário público, corruptamente distribui.

 

E votam também com as mesmas quatro mãos.

 

Convém notar que a imprensa participa neste festim, basta ver o quanto de fotos e manchetes enganosas publica sobre essa gente. Mas enfim.

Depois, discretamente, aparecem os números, que ainda as tais quatro mãos, tapando os olhos dos entusiastas patriotas, não
deixam ver, a mentira, a grossa mentira, da nossa realidade:

 

- só na semana passada (entre 18 e 20 de Abril, só três dias úteis) foram importados, diariamente, mais de US$ 400 milhões de
petróleo
, por dia!

 

- há dias mandou-se vir da Venezuela mais uns milhões de toneladas de gasolina;

 

- e, espantai-vos, ó gentes, estamos agora a importar etanol dos Estados Unidos, para suprir a demanda, que as nossas usinas de açúcar, por puro descaso do (des)governo, não conseguem fornecer.

 

Mas tem mais tristes anedotas, ou grosseiras e criminosas mentiras, em tudo isto: a gasolina, aqui, leva uma mistura de etanol! Claro.

 

Isto é o país das maravilhas!

 

Como dizia hoje o jornalista Luiz Garcia, “nas campanhas eleitorais promete-se tudo!” Mas isso é peste mundial, porque logo a seguir,
ninguém cumpre coisa alguma.

 

Há tempos escrevi que o primeiro ministro do Reino Unido, na altura o Tony Blair, a seguir aos ataques terroristas que Londres sofreu, pediu ao parlamento que o autorizasse a aumentar o número de colaboradores para
cargos de confiança, de seis para oito.

 

Hoje, no país das maravilhas, onde o desbocado big líder afirma que o PT vai ficar vinte anos no governo (e talvez fique mesmo enquanto for aplaudido a quatro mãos!), estão ainda hoje a mamar à custa do contribuinte 89.850 – oitenta e nove mil oitocentos e cinquenta – indivíduos, admitidos sem qualquer concurso, por contrato, para os tais “cargos de confiança”.

 

Só no (des)governo anterior, foram mais de 115 mil... Claro que estes tachos são para o partido, ou para “fazer um agrado” a qualquer um que traga mais votos!

 

Como resultado neste (des)governo, continuação do anterior, continua a proteger-se o compadrio e a esculhambar a administração pública, porque quem assume esses postos não tem a menor ideia sobre o que fazer! Os
profissionais... que se danem.

 

Vale a pena ler, na íntegra o texto de Luiz Garcia:

 

Sem concurso

Nas campanhas eleitorais, promete-se tudo. Até pureza de vestal e honestidade angelical.

Mas uma promessa é bem rara, se não inexistente: a de realizar projectos e atingir metas com moderação e inteligência nos gastos.

Em outras palavras: a cantada ouvida pelos eleitores raramente inclui uma previsão honesta sobre quanto vai custar a construção do
novo paraíso.

O governo de Dilma Rousseff, que sucedeu a oito anos de administração irmã, presumivelmente não tinha e continua não tendo um projecto revolucionário de gestão. A promessa eleitoral, como não iria deixar de ser, era singela: um tanto mais das mesmas coisas. Os oito anos Lula tiveram, entre seus traços mais marcantes, um extraordinário, digamos assim, apetite nomeador.

 

Algo do género costuma acontecer em administrações estreantes. No caso, o apetite foi particularmente assustador.

 

Esse dado foi devidamente registrado por adversários políticos e pela mídia. Nos dois casos, isso foi recebido pelo Palácio do Planalto com soberana indiferença. Do ponto de vista eleitoral, deu para entender. O fato de que, nos oito anos de Lula, 115 mil servidores foram admitidos na máquina federal não teve qualquer impacto na eleição tranquila de sua sucessora.

 

Como consequência talvez inevitável dessa indiferença da opinião publica, a farra continua na mal iniciada gestão de Dilma. Com um dado especial: cresceu extraordinariamente a percentagem de cargos de confiança nos ministérios. O que parece ser, ao menos em principio, algo preocupante. Ou mesmo errado, em prin­cipio. Numa administração estruturada com um mínimo de lógica, supõe-se que a maior parte do trabalho, principalmente em áreas técnicas, seja entregue a profissionais devidamente concursados.

 

Por dois motivos óbvios. Primeiro, o concurso assegura, tanto quanto possível, a competência dos candidatos mais bem colocados. Depois — e talvez principalmente — coloca a maquina publica a salvo de um perigoso fenómeno: a politização partidária da burocracia estatal.

 

A politização é visível no governo Dilma. É natural que, na Presidência da República, os cargos de confiança seja maioria. Hoje, eles são 85% do total. É muito; ainda assim, digamos que seja aceitável. Mas é difícil entender que, em sete ministérios nos quais as áreas técnicas são de considerável ou mesmo decisiva importância, o numero de cargos de confiança oscile entre 50% e 70%. Isso é opção técnica ou ocupação política?

 

A resposta a essa pergunta pode ser ajudada por um episódio. O Ministério do Turismo e a Embratur realizaram um concurso, e 112 candidates foram aprovados. Mas, por decisão do Ministério do Planejamento, nenhunzinho foi contratado. Pelo visto, sem concurso as portas se abrem com bem maior facilidade.

 

Rio de Janeiro, 27/04/2011

 

Francisco Gomes de Amorim

 

PARA QUÊ ESCOLA?

Ficheiro:Saladeaula itapevi.jpg
 

Sala de aula de uma escola em Itapevi, em São Paulo

Fonte: Wikipedia, enciclopédia livre.

 

 

Famílias desestruturadas, falta de instrução e educação dos pais e responsáveis, dificuldades sociais e falta de tempo, pobreza material e de espírito, têm passado para a escola, também cada vez mais despreparada, a responsabilidade de educar as crianças brasileiras.

 

No afã de se mostrar politicamente competente em tirar a sociedade brasileira da ignorância, do preconceito e do subdesenvolvimento, os últimos governos terceirizam serviços (ONGs) e aprovam programas educacionais de espantar a cabeça, a mais simplória que seja. Tudo parece ser feito sem cuidado e reflexão, atabalhoadamente. Erros grosseiros e vazamentos nas questões das provas do ensino médio (ENEM), professores tolerantes com atitudes agressivas e desrespeitosas, tudo em nome de um programa educacional equivocado que visa combater as desigualdades na Escola. É elementar, todos sabem: só a obrigatoriedade, gratuidade e qualidade no ensino fundamental dão, de fato, oportunidades iguais a todas as crianças brasileiras. Não é dando, a toque de caixa, faculdades deficientes que formam profissionais incompetentes para um mercado de trabalho cada vez mais exigente.

 

A escola, insuficiente, dá cotas, tratamento diferenciado, evidenciando que cidadania não é a mesma para todos, que tem meio-peso e meias-mediadas, dependendo se é índio, branco ou preto, se é rico ou pobre, se é “Mané” ou presidente. E agora, para agravar a situação, corrigir erros de concordância e ortografia da língua portuguesa, acreditem, é discriminação!

 

Não é na escola que se aprende a forma culta da língua, que é bem falando e escrevendo que todos melhor se entendem? Não é a escola o meio mais democrático, a escada para ascensão sócio-econômica? Para que então estudar, “queimar as pestanas”, se é permitido e aceito falar e escrever de qualquer maneira? Afinal, nem todo o mundo pode ser jogador de futebol ou estrela da Globo para brilhar na mídia!

 

É vergonhoso e denota desserviço à comunidade estudantil distribuir livros didáticos que, não revisados pelas autoridades competentes, ensinam que 5+7=11. Para que ir à escola se esta para combater o preconceito, sem apoio de profissionais especificamente capacitados para esclarecimentos, em vídeos e livretos, mostra a crianças em processo de desenvolvimento (físico, psíquico e sexual) alterações de comportamento e experiências sexuais, com pessoas do mesmo sexo, não raramente especulativas e passageiras, que podem acontecer nessa época, como se isso fosse a constatação de uma homossexualidade embutida, patente. O homossexualismo é um desvio na formação da identidade sexual do indivíduo que pode ter origem genética, hormonal, psicossocial ou após-traumática (acidentes e doenças). Como, por exemplo, o diabético, o homossexual é um individuo que deve ser compreendido e ajudado, respeitado como qualquer outro cidadão.

 

O que se passa na mentalidade daqueles que governam este país? O que esperam para o futuro, ensinando sem respaldo consciente e competente as nossas crianças? Nessas circunstancias para quê ir à escola se a nossa constituição garante: basta ser brasileiro e saber ler, qualquer pode ser presidente!

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 23/06/11

 

Instruções que Vasco da Gama deu

 

a Pedro Álvares Cabral

 

Esta he a maneira que parceo a vasco da gama que deue teer pedrealvarez em sua yda prazendo a nosso senhor

 

Item primeiramente ante que daquy parta fazer muy bõoa hordenança pêra se nam perderem huuns nauyos dos outros nesta maneira

 

A saber cada uez que ouuerem de vyrar fará o capitam moor dous foguos e todos lhe Responderam com outros dous cada huum. E depois de lhe asy Réspomderem todos viraram saluo se allguua das naaos nam sofrer também a vella como a do capitam e a força do tenpo lhe rrequerer que ha tire

 

E asy lhe terá dado de synal que a huum fogo será por seguir E três por tirar moneta E quatro por amaynar E nêhuum nam virara nem amaynara nem tirara moneta sem que primeiro o capitam moor faca os ditos fogos E todos tenham respomdydo E depois que asy forem amaynados nam guyndará nêhuum senam depois que ho capitam mor fizer três fogos e todos Responderem e mynguando allguum nom guyndaram soomente andaram amaynados ate que venha o dya porque nom poderam tanto Rollar as naaos que no dya se nam vejam E por saparelhar fará qualquer que for desaparelhado muytos fogos por tal que os outros nauyos vaão a elle.

 

se os nauyos partindo desta cidade ante da travasarem aas canaryas os tomar tenpo com que ajam de tornar taram todo o posyuel por todos tornar a esta cidade E se allguum a nom poder aver trabalhara quamto poder de tomar Setuuel E dhonde quer que se achar fará logo aqui sauer omde he pêra lhe ser mandado o que faça. se estes nauios

partymdo desta costa se perderam huus dos outros com tenpo que huus corram a huu porto e outros a outro A maneira pêra se ajuntarem.

 

E nam lhe fazendo de noite os ditos synaes allgun dos nauios nem no vemdo pella menhã vos fares com todos os outros o vosso caminho direito a agoada de Sam Brás. Se tornaram ante a Ilha de sam nicolao no caso desta necesidade pela doença da Ilha de Sam tiago

 

E aly em quanto tomardes agoa vos poderá ho dito nauyo encalçar E nam vos encalcando partires como fordes prestes e leixar lhe es hy taaes synaes pêra que sayba quamdo aly chegar que soes pasado e vos siga

 

Item depois que em bõoa ora daqui partirem faram seu caminho direito a y lha de samtiago e se ao tenpo que hy chegarem teuerem agoa em abastança pêra quatro meses nam deuem pousar na dita ylha nem fazer nëhuuma demora soomente em quamto lhe o tenpo seruyr

 

A popa fazerem seu caminho pelo sul E se ouuerem de guynar seja sobre ha bamda do sudueste E tanto que neles deer o vento escasso deuem hyr na volta do mar ate meterem o cabo de bõoa esperança em leste franco E dy em diante nauegarem segundo lhe serujr o tenpo e mais ganharem porque como forem na dyta parajeem nom lhe myngoara tenpo com ajuda de noso senhor com que cobrem o dito cabo E per esta maneira lhe parece que a nauegaçam será mais breue e os nauyos mais seguros do bussano e jsso mesmo os mantymentos se teem mjlhor e a jente yraa mais sâa.

 

E se for caso que nosso senhor nam queyra que allguum destes nauyos se perca do capitam deuesse de ter de loo quanto poder por ver o cabo e hir se a agoada de sam bras E se for hy primeiro que ho capitam deue se damarar muy beem e^speraito porque he necessário que ho capitam moor vaa hy pêra tomar sua agoa pêra que dy em diante nam tenha que fazer com ha terra mas aRedar se delia ate monçenbique por saúde da jente e nam ter nella que fazer

 

E se for caso que o capitam moor venha primeiro a esta agoada que ho tal nauyo os naujos que se delle perder *.

 

* lembre que se deue dar marcas domde se façam os caminhos pêra os nauios que se asy perderem e que jsto se fará com muy booa pratica de todolos pilotos

 

(Podem conferir pelo original abaixo)

 

 

 

Rio de Janeiro, 06/08/2011

 

Francisco Gomes de Amorim

 

O CORNO DO CUSTÓDIO

 (*)

 

 

Ambas comentámos a notícia, ouvida neste domingo, de que Portugal estava entre os cinco primeiros países europeus que mais maltrata os seus velhos. Os números assustam.

 

Há muito que lemos sobre as mortes solitárias, olhamos os velhos dos bancos dos jardins, silenciosos ou jogando cartas, conhecemos casos, entre a nossa população idosa, de pessoas doentes, que se arrastam entre o café e a farmácia, contando dos seus achaques, provavelmente no susto da casa solitária, para o enfarte ou a dor súbita, embora vão gabando a filha que, coitadinha, tem muito trabalho e pouco pode aparecer… E lemos sobre a violência doméstica, e sobre os velhos que a família abandonou nos hospitais… Tudo confrangedor. Coroado pelo conceito chocante da eutanásia libertadora.

 

E, por antecipação, vemo-nos daqui a uns anos, talvez em situação idêntica, forçadas a deixar o nosso mundo familiar, tudo o que preencheu as nossas vidas de alegrias e tristezas, atiradas para um lar de idosos, se tivermos essa sorte, onde teremos que iniciar uma existência desligada de tudo o que teve significado para nós, esperando a visita da família amante, não o duvidamos, mas com os seus próprios condicionalismos de limitação de espaços e de tempo.

O envelhecimento da população, concomitante com a diminuição da natalidade, torna-nos mais sensíveis ao problema, cujo tema já Simone de Beauvoir, no seu livro “La Vieillesse”, de 1970, focara, destacando a condição dos velhos como párias que a sociedade marginalizava, retirando-lhes não só os direitos mas a própria condição humana, que a fragilização gradual das faculdades mentais e físicas propiciava.

 

Ficámos chocadas com o que se passa no nosso país, mas eu lembrei um livro da actriz norueguesa Liv Ullmann, “Mutações”, onde, entre as suas evocações autobiográficas, conta a relação de amor com a avó, que acabou num centro para idosos, bonito, acolhedor, com empregadas pacientes, mas obedecendo aos toques das regras do convívio e onde nenhuma empatia se apercebia entre as cinquenta criaturas fêmeas que o habitavam. “Lá como cá”, pensei eu na altura, com a estranheza da convicção de que a superioridade cultural dos povos impediria equiparações connosco.

 

É Alçada Baptista quem igualmente foca o problema, na sua “Peregrinação Interior”, como algo que a sociedade despersonalizou, indecorosamente, retirando o idoso doente do seio da família, que se socorre da casa de saúde ou do hospital para não atravessar o horror do sofrimento e do passamento do seu familiar, querido ou não, despegando-o de si, talvez por egoísmo, talvez por amor, no apelo à salvação ou a uma provável recusa do sofrimento próprio.

 

Mas, porque somos dos mais favorecidos nas equiparações negativas com os outros povos, não significa que todos nós tratemos mal os nossos velhos, e por vezes a televisão leva-nos a centros de diversão para idosos que nos encantam, embora quisesse que entre as diversões houvesse espaço para leituras e convívios mais do foro intelectual.


E uma vez mais, lembro a minha mãe como pessoa de sorte, a sorte que não teve o meu pai, sujeito a um final de muito sofrimento, com um passamento longe da família, no hospital.


A minha mãe beneficia da presença das duas filhas, a mais velha rodeando-a de cuidados e companhia, trazendo-lhe revistas baladeiras, com direito a explicação sobre as personagens desse mundo real que consola e faz sonhar, passando, junto da mãe, horas da sua vida diária, conversando sobre os temas repetidos. Ao domingo, traz o almoço feito em sua casa, e a minha mãe, no seu trono real que é a cadeira de rodas, goza da nossa presença e recorda uma vez mais, o seu passado mais recuado ou mais recente, com que consegue ainda surpreender-nos, por vezes.


Foi o caso de hoje. Contou a história do seu tio Custódio, um dos seis ou sete irmãos da sua mãe, que um dia recebeu um corno enviado por um dos seus irmãos que fora para o Brasil. Era um corno competente, que comportava uns vinte litros do bom vinho que ele ia buscar à sua quinta do Casal Bom, junto do Vouga, para o levar para Ribeiradio, a pé, pois naquele tempo andava-se muito a pé. E à chegada apregoava, generosamente: “Quem quiser beber vinho do bom, venha ao corno do Custódio!” E a minha mãe ria-se, a contar, pela primeira vez, essa história, que nos divertiu também.


A minha mãe vive um presente de mimo, mas exige sempre mais. Nos espaços de mais solidão – ela sabe que eu estou perto – reza, chora, chama os seus queridos do passado, conversa com eles.

 

Nunca um lar lhe poderia servir. Felizmente que estamos disponíveis.

 

Que o corno do tio Custódio, lembrado hoje, verta sobre nós umas gotas de vinho benfazejo que abençoe o percurso
final de uma mãe centenária, com a presença, constante e capaz, das filhas, nos anos que seguem, também a caminho.

 

  Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=corne%2B%C3%A0%2Bvin&um=1&hl=pt-PT&tbm=isch&tbnid=yiqhazb_Kfh1RM:&imgrefurl=http://fr.123rf.com/photo_3244054_corne-de-vin-boire-dans-les-mains-du-guerrier.html&docid=ojYlqD16dDbP0M&w=900&h=1200&ei=1Hg9TvGiGZSq8QPItbyYAw&zoom=1&iact=hc&vpx=276&vpy=90&dur=2607&hovh=259&hovw=194&tx=128&ty=132&page=1&tbnh=130&tbnw=98&start=0&ndsp=19&ved=1t:429,r:1,s:0&biw=1192&bih=587

«L’ÉCUYER MIROBOLANT»

Étienne Beudant - Vallerine 

 

Le dos cambré exagérément, le nombril en avant, les pauvres jambes arquées, la tête droite comme aspirée par le ciel, les yeux écarquillés, la bouche ouverte, le vieux militaire semblait, à quatre-vingt-six ans, avoir été saisi dans son rêve, empêché dans son mouvement, coulé vivant dans le plâtre. (…) dans sa main droite, M. Beudant tenait une fine badine et, dans la gauche, serrait une rêne de bride dont le double mors étincelait dans le carrelage. Deux éperons portugais sans lanières étaient accrochés à ses charantaises informes.

 

Eis como Jerôme Garcin descreve o cenário em que o Capitão Étienne Beudant foi encontrado morto na sua cadeira de rodas. No momento da verdade, o grande Mestre da equitação erudita da primeira metade do século XX, fez-se acompanhar por um par de esporas portuguesas.

 

Sim, afagou-me o nacionalismo.

 

E ao longo do livro, há frases formidáveis que só um mestre de equitação consegue escrever acerca do que a arte mais efémera tem de sublime:

 

Quel que fût le cheval, il n’aspirait qu’à se passer des aides. Il rêvait en effet de régner sans poids ni appuis, par le seul souffle de la
botte, la caresse du cuir et la profondeur de l’assiette. (…) C’est ainsi que, à cheval, certains font de la musique et d’autres, dés bruits de casserole. (…) Cela s’appelle le tact.

 

Fascinante, a vida do Capitão Beudant contada por Jérôme Garcin num pequeno livro da editora Gallimard. É claro que o Autor sabe o que é equitação erudita mas, para além disso, bastam-lhe 180 páginas para nos conduzir através da História de França desde os finais do séc. XIX até 1949, ano da morte do Capitão, sobretudo pela Argélia e Marrocos; a dolorosa invasão alemã, o Governo de Vichy, o drama de Vallerine. E sobre esta nada mais digo pois quem me lê conhece-a de certeza.

 

Felizmente, o autor poupa-nos àquelas fotografias horríveis de Beudant em diversos cavalos que alguém retocou de modo caricatural assim perdendo qualquer credibilidade.

 

Pena é que o livro não esteja à venda em Portugal e pena é também que eu não tenha tempo para o traduzir.

 

Um livro a não perder por quem dedilhe harpa quando monta.

 

Agosto de 2011

 

 Henrique Salles da Fonseca

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