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A bem da Nação

UMA ALIANÇA POR PORTUGAL

 

 

Por ordem de preferência – desde que politicamente me conheço, o digo – gostaria que Portugal fosse governado por um governo exclusivamente do CDS. Não sendo possível, que fosse então governado por um governo CDS-PSD. Não sendo também possível, então, que seja um governo PSD-CDS a governar Portugal. E ponto final. Como já neste espaço defendi, a constituição de qualquer governo dito de salvação nacional, que inclua nomeadamente o PS ou, por maioria de razão, partidos mais à esquerda, não é solução. Seria, aliás, um problema.

 

Sempre ambicionei o CDS não como um partido de protesto nem como um partido de causas ocasionais ou de bandeiras de oportunidade, mas como um partido de projecto e de poder, popular e de governo. Democrata-cristão, claro, e dirigido a todo o espaço político que começa onde acaba a esquerda e acaba onde começa a extrema-direita, o CDS, como partido de projecto, deveria ter, portanto, uma agenda de governabilidade, que significa, tão simplesmente, ter uma política própria para cada área de governação. Esta constituiria a agenda nacional própria do CDS, que deveria ser uma agenda de futuro, nova e global, não sendo nem reactiva face às agendas do governo, do país e dos outros partidos da oposição, nem justificativa relativamente aos tempos em que o CDS esteve no governo. Bem sei que este trabalho, por não ser imediatamente visível, “não marcaria” no imediato. Mas o CDS só precisaria de marcar a agenda política no tempo próprio. E o tempo próprio do CDS chegaria quando o CDS pudesse dizer a Portugal e aos portugueses que a Alternativa Política estava pronta. Para que os portugueses, em vez de votarem no CDS por exclusão de partes, votassem no CDS por ser o partido por eles escolhido para governar, por ser aquele que propunha as melhores soluções para Portugal nas mais diversas áreas de governação, dispondo também dos intérpretes para as executarem. O grande objectivo do CDS deveria ser o de, um dia, fazer das suas propostas as mais debatidas e comentadas na sociedade portuguesa. Sem demagogias nem radicalismos, “apenas” com competência, consistência e coerência. Numa palavra, com credibilidade. Eis como sempre ambicionei o CDS. Só assim é que um líder do CDS poderá um dia vir a ser Primeiro-Ministro de Portugal.

 

Quem é do CDS, quem gosta do CDS, imagine, por um momento, como estaria hoje o CDS a ser visto, considerado e avaliado pelos portugueses, face a certas ambiguidades do PSD e ao passa-culpas a que temos vindo a assistir, se, ao longo destes últimos anos, o CDS tivesse escolhido o caminho da Alternativa Política, em vez de ter escolhido o caminho do partido de bandeiras ou do partido da agenda focada! Repito: imagine-se, por um momento, como estaria hoje o CDS a ser visto, considerado e avaliado pelos portugueses se tivesse escolhido ser a Alternativa Política...!

 

Não sendo, portanto, realista que o CDS venha a conseguir governar sozinho ou sequer a liderar um governo de coligação, então, a alternativa política possível, a existir, só poderá existir por intermédio de um acordo entre o PSD e o CDS. Colocada, pois, a opção entre uma coligação pós-eleitoral e uma coligação pré-eleitoral, o CDS e o PSD deveriam fazer ainda o possível para se entenderem antes das eleições.

 

É preciso acabar definitivamente com essa ideia de que não é a oposição que ganha eleições, é o governo que as perde. Ora, partindo do princípio de que vão ser o PSD e o CDS a formar o próximo Governo, então, quanto mais depressa se entenderem, melhor. Melhor quanto à composição do Governo, mas sobretudo melhor quanto à qualidade da acção governativa futura. Já que o CDS se organizou em torno das tais bandeiras, é suposto estar sobre elas mais bem preparado; já que o PSD ainda não concluiu a sua proposta política global, seria melhor que arrepiasse caminho e, com o CDS, preparassem a proposta final.

 

Em nome da verdade perante os eleitores (agora, por todos, reclamada), deveria haver um programa eleitoral conjunto antes de haver um programa de governo conjunto. Em nome da autenticidade perante os eleitores (agora, por todos, tão propalada), haveria toda a vantagem em fazer com que o programa eleitoral fosse o mais aproximado possível do futuro programa de governo. Um programa eleitoral conjunto sufragado por uma maioria absoluta de eleitores, teria uma legitimidade que dois programas eleitorais distintos, mesmo que conjuntamente somassem a mesma maioria de eleitores, jamais lograriam obter. Havendo necessidade de mudar e de mudar profundamente, uma Aliança por Portugal não é apenas necessária, ela é essencial. Essencial para Portugal, que pede confiança, e essencial para os portugueses, que pedem esperança. Uma Aliança por Portugal é, por isso, exigível. E possível antes das eleições. Haja vontade, porque ainda há tempo.

 

Lisboa, 7 de Abril de 2011

 

 Martim Borges de Freitas

 

GERAÇÃO À RASCA???

 

Um dia, isto tinha de acontecer.

 

Existe uma geração à rasca?

 

Existe mais do que uma! Certamente!

 

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

 

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

 

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

 

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

 

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

 

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

 

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

 

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego,... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

 

Foi então que os pais ficaram à rasca.

 

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

 

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

 

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

 

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

 

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

 

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

 

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. 

 

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. 

 

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

 

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

 

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

 

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

 

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

 

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

 

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

 

Os jovens que detêm estas capacidades/características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

 

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

 

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

 

Novos e velhos, todos estão à rasca.

 

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

 

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

 

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

 

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

 

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.  

 

Pode ser que nada, nem ninguém, afinal seja assim.

 

 Mia Couto

 

ADOPTE UM TERRORISTA

Tradução da resposta que o ministro canadiano da Defesa, Brigadeiro-General Gordon O'Connor, dirigiu a uma boa alma que a ele se lamentava da sorte reservada aos «combatentes» afegãos, prisioneiros nos centros de detenção no Afeganistão.

 

National Defence Headquarters
MGen George R. Pearkes Bldg, 15 NT

101 Colonel By Drive

Ottawa , ON K1A 0K2
Canada

 

 

Cara cidadã inquieta:

 

Obrigado pela sua recente carta exprimindo a sua profunda preocupação a propósito da sorte dos terroristas da Al Kaeda capturados pelas forças canadianas, transferidos de seguida para o Governo Afegão e presentemente detidos pelos seus oficiais nos centros nacionais de reagrupamento de prisioneiros no Afeganistão.

 

A nossa Administração toma este assunto muito a sério e a sua mensagem é recebida com muita atenção aqui em Ottawa.

 

Ficará feliz de saber que, graças à preocupação de cidadãs como a Senhora, criámos um novo departamento na Defesa Nacional que se chamará P.L.A.R.A., isto é, Programa dos Liberais que Assumem a Responsabilidade pelos Assassinos.

 

De acordo com as directrizes deste novo programa, decidimos eleger um terrorista e colocá-lo sob a vigilância pessoal da Senhora.

 

O seu detido particular foi seleccionado e será conduzido sob escolta fortemente armada até ao domicílio da senhora em Toronto a partir da próxima segunda-feira.

 

Ali Mohammed Ahmed bin Mahmud (poderá chamar-lhe simplesmente Ahmed) será tratado segundo as normas que a Senhora pessoalmente exigiu na carta de reclamação.

 

Provavelmente será necessário que a Senhora recorra a assistentes. Nós faremos inspecções semanais a fim de nos certificarmos, com a mesma firmeza da sua carta, de que Ahmed beneficia realmente dos cuidados e de todas as atenções que nos recomenda.

 

Apesar de Ahmed ser um sociopata extremamente violento, esperamos que a sensibilidade da Senhora ao que descreve como o seu «problema comportamental» o ajudará a ultrapassar as suas perturbações de carácter.

 

Talvez a Senhora tenha razão quando descreve estes problemas como simples diferenças culturais.

 

Compreendemos que tenha a intenção de lhe proporcionar conselhos e educação ao domicílio.

 

O seu terrorista adoptado é temivelmente eficaz nas disciplinas de close-combat e pode dar fim a uma vida com objectos simples, tais como um lápis ou um corta-unhas.

 

Aconselhamo-la a não lhe pedir para fazer uma demonstração durante a próxima sessão do seu grupo de yoga.

 

Ele é igualmente especialista em explosivos e pode fabricá-los a partir de produtos domésticos. Talvez seja melhor que a Senhora os guarde fechados à chave, salvo se considerar (segundo a opinião que exprime) que isso o possa ofender.

 

Ahmed não desejará manter relações com a Senhora ou com as suas filhas (excepto sexuais), na medida em que considera que as mulheres são uma espécie de mercadoria sub-humana.

 

É um assunto particularmente sensível para ele, que é conhecido por manifestar reacções violentas em relação a mulheres que não se submetem aos critérios de vestuário que ele recomenda como mais próprios.

 

Estou convencido de que, com o tempo, a Senhora virá a apreciar o anonimato que oferece a burkha. Recorde que isso faz parte do «respeito pelas crenças religiosas», como escreve na sua carta.

 

Mais uma vez, obrigado pelos seus cuidados. Apreciamos bastante que cidadãos nos indiquem como fazer bem o nosso trabalho e ocupar-nos dos nossos congéneres.

 

Tome bem conta de Ahmed e lembre-se de que a observaremos.

 

Boa sorte e que Deus a abençoe.

 

Cordialmente,

 

 (*)

Gordon O'Connor

Ministro da Defesa Nacional

 

Texto gentilmente enviado pelo Cor. Adriano Miranda Lima

 

(*)http://en.wikipedia.org/wiki/Gordon_O'Connor

LUZ DO MUNDO

 

 

Santo António foi luz do mundo porque foi verdadeiro português; e foi verdadeiro português porque foi luz do mundo. (…)

Bem pudera Santo António ser luz do mundo sendo de outra nação; mas uma vez que nasceu português, não fora verdadeiro português se não fora luz do mundo; porque ser luz do mundo nos outros é só privilégio da Graça [mas] nos portugueses é também obrigação da natureza.

 

(*)

Padre António Vieira, Sermão de Santo António pregado em Roma na igreja de Santo António dos Portugueses no dia 22 de Maio de 1670.

 

In «PORQUÊ E PARA QUÊ – Pensar com esperança o Portugal de hoje», D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, ed. Assírio & Alvim, Novembro de 2010, pág. 15

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_HUi9w1vimO8/R62ZgcQnSSI/AAAAAAAAAFU/fRzwESmEhGY/s320/Padre%2BAnt%C3%B3nio%2BVieira.jpg&imgrefurl=http://dizedores.blogspot.com/2008/02/padre-antnio-vieira.html&h=217&w=267&sz=8&tbnid=EEq1lz8-phA98M:&tbnh=92&tbnw=113&prev=/search%3Fq%3DPadre%252BAnt%25C3%25B3nio%252BVieira%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=Padre%2BAnt%C3%B3nio%2BVieira&hl=pt-PT&usg=__E1pqy8vUXrAR1ilqYOXOX-9XtYc=&sa=X&ei=PnedTfqUGJSYhQeG_62_BA&ved=0CCoQ9QEwBw

Curtinhas LXXXVII

(*)

 

É PRECISO TER LATA!

 

v      Os mesmos que, com campanhas agressivas, espicaçaram a procura interna até aos limites do razoável,

 

v      Os mesmos que não se limitaram a financiar os deficits monstruosos da BTC, mas, antes, os estimularam por todos os meios cantando loas às virtudes do endividamento,

 

v      Os mesmos que desconsideraram com sobranceria as actividades produtivas no Sector dos Bens Transaccionáveis (excepção feita a uma ou outra “grande empresa”) a pretexto de que casas de habitação e remunerações penhoradas é que eram garantias - e das sólidas,

 

v      Os mesmos que preferiram emprestar dinheiro a quem nada percebia de “produtos financeiros”, a colocar ao alcance da economia portuguesa soluções para a cobertura dos riscos financeiros que a tolhiam,

 

v      Os mesmos que, todos as manhãs recitavam, comprazidos, “Espelho meu! Espelho meu...” gabando-se da excelência da sua gestão e da profundidade do seu saber,

 

v      Os mesmos que diziam que só o altruísmo os retinha por cá, uma vez que “este país” não os merecia e que le grand monde é que era o seu habitat natural,

 

v      Os mesmos que receberam prémios simpáticos só por fazerem o que arruinava lentamente a economia, sem disso terem a mínima consciência,

 

v      Os mesmos que exigiam da clientela comissões e encargos a pretexto de tudo e de nada, mas que se recusavam a reconhecer a fiança ad perpetuum com que os contribuintes portugueses os amparavam,

 

v      Esses mesmos – vêem agora exigir que o Governo patrocine (e, naturalmente, avalize, mas isso fica nas entrelinhas) junto da UE um apoio de €15 mMao abrigo de uma modalidade que ninguém conhece?

 

v      E não lhes ocorre ir mendigar esse apoio aos seus accionistas, a sede apropriada para tal, talvez para evitarem perguntas impertinentes que abalem a sua auto-estima e para não terem de se confrontar com as explicações fantasiosas que têm vindo a prestar todos estes anos?

 

v      E não lhes ocorre pôr os seus lugares à disposição, dada o óbvio e manifesto falhanço das suas actuações?

 

v      Mais uns para quem tudo o que de mal acontece é fruto da fatalidade - e a culpa mora sempre alhures. Triste sina a nossa.

ABRIL 2011

 

 A. Palhinha Machado

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://blogdoambientalismo.com/wp-content/uploads/2011/01/banqueiros.jpg&imgrefurl=http://blogdoambientalismo.com/banqueiros-europeus-discutem-saidas-para-crise-sistemica/&usg=__ED1s4lY_mmJFO8dwvm76zNI-D4Q=&h=244&w=242&sz=49&hl=pt-pt&start=59&zoom=1&tbnid=yJRFZMrpMBh2AM:&tbnh=172&tbnw=193&ei=SSGcTYGlNcqu8gO03bHuBg&prev=/search%3Fq%3Dbanqueiros%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=280&oei=GiGcTZPNBI7usgaG2fjJBA&page=5&ndsp=12&ved=1t:429,r:0,s:59&tx=82&ty=84

O SAL NA COMIDA

 

 

D. António Alves Martins (1), bispo de Viseu de 1862 a 1882, dizia que A religião deve ser como o sal na comida: nem muito nem pouco, só o preciso.

 

Cerca de um século e meio depois, Bento XVI afirma na sua encíclica Caritas in Veritate:

 

«A exclusão da religião do âmbito político e, na vertente oposta, o fundamentalismo religioso, impedem o encontro entre as pessoas e a sua colaboração para o progresso da Humanidade. A vida pública torna-se pobre de motivações e a política assume um rosto oprimente e agressivo. Os direitos humanos correm o risco de não serem respeitados, ou porque ficam privados do seu fundamento transcendente ou porque não é reconhecida a liberdade pessoal.

No laicismo e no fundamentalismo, perde-se a possibilidade de um diálogo fecundo e de uma profícua colaboração entre a razão e a fé religiosa. A razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé, e isto vale também para a razão política que não se deve crer omnipotente. A religião, por sua vez, precisa sempre de ser purificada pela razão, para mostrar o seu autêntico rosto humano. A ruptura deste diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da Humanidade.» (2)

 

Imagem figurada em termos prosaicos ou análise erudita, eis que em século e meio a Humanidade continua extremada entre o laicismo mais ou menos radical e o fundamentalismo da leitura à letra de textos sagrados.

 

Progresso?

 

Março de 2011

 

Henrique Salles da Fonseca

 

(1) - António Alves Martins, membro da Ordem dos Frades Menores (franciscano) (Alijó, 18 de Fevereiro de 1808 — 5 de Fevereiro de 1882) foi Bispo de Viseu desde Julho de 1862. Foi eleito deputado em 1842 e nomeado enfermeiro-mor no Hospital de São José em 1881. Iria viver para Viseu, Portugal, a 29 de Janeiro de 1868 e aclamado ministro do Reino quer no mesmo ano, quer em 1870. Viria a falecer pobre, no entanto, no Paço do Fontelo.

Para saber mais, v. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Alves_Martins

 

(2) inPorquê e para quê – Pensar com esperança o Portugal de hoje”, D. Manuel Clemente, pág. 39 – Assírio & Alvim, ed. Novembro de 2010

 

TEMPORARIAMENTE

 (*)

 

Ao passar ontem na Baixa Lisboeta procurei um Banco para guardar num cofre-forte um dos meus bens mais precisos: - A minha ideologia.

 

Sei que vou ter de pagar uma factura muito pesada por este aluguer, mas não tenho outro remédio.

 

Temporariamente e até que neste meu exaurido Pais haja de novo alguma riqueza para distribuir por todos, vou ter de fazer as minhas opções politicas de acordo com critérios que me convençam de que vai ser produzida uma plataforma mínima de qualidade de vida para mim e para todos os meus concidadãos.

 

Já não consigo suportar mais, sem sofrer e sem ficar angustiado, sinais de miséria extrema com que me confronto todos os dias e a que nunca tinha assistido antes de recentemente atingir os meus 65 anos de idade. Estou chocado com o que vejo e que me parece que salta aos olhos de todos nós.

 

Falando em nome pessoal, não vou deixar de agradecer ao Estado Social que tivemos os benefícios que me foram concedidos, especialmente na prestação de um esforçado apesar de não perfeito serviço público de saúde. Odeio profundamente a ingratidão ...

 

Acontece, porém, que não estou cego nem insensível perante o que se passa à minha volta.

 

Por isso vou já amanhã depositar temporariamente a minha ideologia naquele cofre-forte, até que em Portugal seja de novo produzida riqueza para distribuir por todos. Nessa altura, estarei de novo na linha da frente para que um Estado Social revigorado prossiga os seus fins e a todos dê uma justa protecção.

 

Muito Obrigado por lerem este pequeno desabafo.

 

José António Albuquerque Dias

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://economico.sapo.pt/public/uploads/articles/foto_pagina/cofre_banco_1_pagina.jpg&imgrefurl=http://economico.sapo.pt/noticias/sabe-quanto-custa-alugar-um-cofre-no-banco_78208.html&usg=__dYPU1V06cA7lgk7zmFZ4K_0mELA=&h=210&w=322&sz=21&hl=pt-pt&start=66&zoom=1&tbnid=F1IpAaMt9q5q0M:&tbnh=167&tbnw=237&ei=IXeZTcLYAceV8QOnz8EX&prev=/search%3Fq%3Dcofre%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch0%2C3065&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=717&vpy=250&dur=2137&hovh=168&hovw=257&tx=117&ty=103&oei=13aZTeHTNYT2sgaFn4iOBQ&page=6&ndsp=12&ved=1t:429,r:11,s:66&biw=1007&bih=681

A SORTE DE UNS…

 

…é o azar de outros.

 

Eu tenho a sorte de ser neto de Tomás da Fonseca, esse vulto da cultura portuguesa do séc. XX, que se dizia ateu.

 (1877 - 1968)

E porquê?

 

Porque «a ultrapassagem do metafísico pelo positivo só se sustentou enquanto este último viveu da herança dos estádios anteriores (teológico e metafísico). Porém, o sucessivo afastamento e descuido em relação àquelas fontes deixou-o animicamente esvaído e eticamente desamparado».

 

A primeira parte deste raciocínio de D. Manuel Clemente a págs. 40 e seg. do seu livro “PORQUÊ E PARA QUÊ – Pensar com esperança o Portugal de hoje” assenta como uma luva ao meu avô e a segunda parte assenta como uma palmatória à geração pós-moderna actual.

 

Tomás da Fonseca dir-se-ia ateu mas viveu sempre numa irrepreensível ética cristã de solidariedade e benevolência para com o próximo, de honradez e de trabalho. Dominava com destreza a Teologia mas nunca se deu bem com a metafísica. Contudo, a luta que travou foi contra o domínio clerical da sociedade portuguesa em que nasceu e se fez homem.

 

No início do século XX, a sociedade rural do interior de Portugal vivia numa quase hierocracia e foi contra esse domínio que ele fez a batalha da sua vida.

 

Perante perfil absolutamente ético, creio necessário que, para remissão do pós-modernismo que nos vem sendo imposto e tem conduzido a juventude ao mais refinado hedonismo, haja «uma síntese a empreender para nos retomarmos como humanidade e com o que aprendemos entretanto» (op. cit).

 

A minha sorte é a de ter testemunhado o exemplo do meu avô – e o do meu pai – por contraste com os que julgam que tudo lhes é devido sem esforço e que na crise por que passamos se sentem «à rasca».

 

No transe actual, os profissionais da demagogia política também devem fazer uma pausada análise de consciência, caso ainda possuam parâmetros que lhes permitam distinguir o bem do mal.

 

Março de 2011 (um dia após a queda do «maligno»)

 

Henrique Salles da Fonseca-16AGO16-2

Henrique Salles da Fonseca

 

Abertura do Ano Judicial 2011

  (*)

Intervenção de Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=pb8sZR-bI6o

 

 

(*)

http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://tsf.sapo.pt/Storage/ng1114216.jpg&imgrefurl=http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx%3Fcontent_id%3D1121986&usg=__LMTJ4oET3gwposzorrCRJcZZUVU=&h=220&w=184&sz=19&hl=pt-pt&start=68&zoom=1&tbnid=GSHnUvJgGi4XPM:&tbnh=162&tbnw=135&ei=aNuWTbf6GYegOqq9pccH&prev=/search%3Fq%3DMarinho%252BPinto%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=936&oei=QtuWTY6EH83ZsgaKs9T0BA&page=6&ndsp=12&ved=1t:429,r:9,s:68&tx=66&ty=80

PESADELOS NOCTURNOS

 

- "Competitividade", disse a senhora forte, penteada à Santo Antoninho.

- "Solidariedade", disse o ajudante.  

- Cale a boca seu tonto! Não sabe do que fala. Em nome da competitividade obtemos a obediência; em nome da solidariedade seremos nós os obedientes. É isto que você quer?

 

Luís Soares de Oliveira.bmp Luís Soares de Oliveira

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