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A bem da Nação

ALENTEJANANDO - 2A

 (*)

Produz-se pouco, limita-se a ser bonito.

 

Nado e criado em Lisboa, creio que a primeira vez que visitei o Alentejo foi na minha excursão no último ano do curso, com a obrigatória visita à Estação de Melhoramento de Plantas, em Elvas, já nessa altura a fazer bom trabalho em prol da agricultura portuguesa. Posteriormente tive dois bons períodos de contacto com o Alentejo, o primeiro precisamente em Elvas, na Estação de Melhoramento de Plantas, onde durante seis anos e meio exerci o cargo de Chefe do Laboratório de Citogenética . Ali pude fazer os primeiros tetraplóides de centeio, cevada e fenacho (a Trigonella foenum-graecum L.) e os triticales (os anfidiplóides de trigo x centeio). Também ali realizei os estudos de acções sobre os cromossomas que me levaram a concluir que não estavam correctas as mais usadas teorias para explicar a anafase . A anafase é a parte da divisão das células dos organismos biológicos, quando os cromossomas, se dividem longitudinalmente em duas metades, marchando cada uma para seu lado, para garantir que a nova célula tenha uma cópia exacta do seu código genético. Foram esses estudos que, posteriormente, me permitiram propor uma nova e, na minha opinião, mais correcta explicação desse fenómeno. O segundo período iniciou-se em 1982, como professor da Universidade de Évora onde, na regência de algumas cadeiras, dei a minha contribuição para a formação de cerca de um milhar de engenheiros no âmbito da agronomia e alguns centos de biólogos. Perdoem-me este longo arrazoado que me pareceu de certo modo necessário como introdução a alguns comentários à bela e muito correcta descrição da sua visita ao Alentejo apresentada pelo Dr. Salles da Fonseca. Como uma parte desses judiciosos comentários se referem à agricultura - bem expressos na frase "o que ele poderia ser se a política agrícola dos sucessivos Governos fosse boa… E como seria Portugal se há décadas não estivesse a ser vítima de políticas grosseiramente erradas?" - não quis deixar de chamar a atenção para alguns pontos, no âmbito desse sector tão importante para a economia nacional. Há muitas décadas que tento chamar a atenção para o que há a fazer para que a nossa agricultura seja bem diferente da que temos hoje. A base primeira desse desenvolvimento é uma investigação agronómica com grande desenvolvimento e de alto nível, de que há anos tínhamos algo (embora menos do que seria necessário) e que tem sido escandalosamente e criminosamente desmantelada nas últimas décadas, com feroz intensidade no primeiro governo Sócrates e que no actual apenas foi atenuada, nada se tendo ainda feito na direcção correcta. O que isso custou ao país foi já muito mais que o famigerado défice e uma parte da astronómica dívida. A direcção correcta, na minha opinião, expressa já há bastantes anos, é o Ministério da Agricultura iniciar um Programa Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão Agrícola, que fará a nossa agricultura (e, portanto, a nossa economia) dar um muito grande passo em frente. Alguns casos de progresso da agricultura no Alentejo têm estado a ser feitos com ciência agronómica... de Espanha, pois a nossa foi desmantelada! (Que, naturalmente, leva para o estrangeiro uma parte dos lucros). São muitos os casos a investigar e actuar mas, para que não fique a ideia de que apenas dou ideias gerais, posso apontar alguns casos específicos de actuação sobre os quais já tenho escrito algo. Há muito que estou convencido - na base de alguns elementos válidos - que quando o Alentejo drenar melhor as suas terras e encontrar melhores rotações de culturas (a definição da sucessão de culturas mais eficiente) até talvez possa cultivar cereais a preços competitivos. Num outro sector, a subericultura, ainda não há muito publiquei um artigo ("O montado português") em que mostrava o que é hoje um montado plantado há mais de cinquenta anos, sob a direcção de dois ilustres engenheiros agrónomos (um deles também engenheiro silvicultor), comparado com o que vemos na maioria dos casos. Como estes, muitos outros problemas poderão mudar drasticamente o Alentejo e a economia de Portugal. Como eu gostaria que, daqui a algum tempo, numa outra visita ao Alentejo, o Dr. Salles da Fonseca, que tão bem descreveu o estado actual, pudesse, com igual perspicácia, descrever o início dessa tão necessária evolução!

 

 Professor Miguel Mota.jpg Miguel Mota

 

NB: o presente texto foi-me enviado como comentário ao ALENTEJANANDO - 2 e assim foi colocado no blog. Contudo, parece-me importante de mais para que fique escondido nessa qualidade de comentário. É uma pena que o SAPO não evidencie os comentários e os mantenha na sombra. Eis por que decidi repeti-lo como texto original e dar-lhe o relevo que me parece necessário.

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://bitu.blogs.sapo.pt/arquivo/Alentejo%2520na%2520primavera.JPG&imgrefurl=http://bitu.blogs.sapo.pt/42671.html&usg=__PsFqSakafDJOYkqXfV2wCwvkUlo=&h=270&w=358&sz=26&hl=pt-pt&start=12&zoom=1&tbnid=PAAlI7oQxjFkAM:&tbnh=160&tbnw=200&ei=Ov-GTfGdMc6C4Qbh3qTMCA&prev=/images%3Fq%3Dalentejo%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:10%2C408&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=523&vpy=278&dur=234&hovh=195&hovw=259&tx=135&ty=100&oei=L_-GTbvkCcSytAa4iLGBAw&page=2&ndsp=12&ved=1t:429,r:2,s:12&biw=1007&bih=681

ALENTEJANANDO – 2

 

 

Verde como há muito o não via, o Alentejo estava lindo. Mas se fosse no Verão estaria amarelo e lindo na mesma. Como assim? Muito simplesmente, o Alentejo é lindo em todas as circunstâncias.

 

E sempre que o vejo, imagino o que ele poderia ser se a política agrícola dos sucessivos Governos fosse boa… E como seria Portugal se há décadas não estivesse a ser vítima de políticas grosseiramente erradas?

 

É claro que não vou aqui dissertar sobre o modelo de desenvolvimento português, dos erros de que enferma e do fácil que seria alterá-lo de modo a que pudéssemos rapidamente passar o actual Cabo de Tantas Tormentas…

 

Mas essas soluções – já tantas vezes explicadas no “A bem da Nação” tanto por mim como por outros Autores meus convidados – não me saem da cabeça quando deixo os olhos correrem pela paisagem deparando com cenas que preferia não ver: campos abandonados ou escassamente aproveitados, aldeias com pouca e envelhecida gente, quintas de recreio onde deveriam estar unidades produtivas. Enfim, aqui vai um palavrão: oligopsónio – eis o nome por que dá o grande mal da agricultura portuguesa. E, no entanto, seria tão fácil pôr tudo a funcionar…

 

Mas também vi coisas de que gostei. Pena que tivessem sido edificadas com dinheiros provenientes dos meus impostos e não «do pelo do mesmo cão», ou seja, resultantes da pujança da economia local.

 

As estradas principais, secundárias e municipais por que passei estavam impecáveis – não vi um único buraco de que tivesse que me desviar.

 

No Alandroal (onde nunca fora) vi tudo arranjado com muito esmero mas o Centro Cultural Transfronteiriço estava fechado àquela hora pelo que desejo que esteja aberto noutras horas… Como sobre ele nada pude saber, espero que tanto dinheiro ali metido seja de alguma utilidade para alguém do lado de cá da fronteira que os do outro lado têm por certo quem deles cuide.

 

 (*)

O Centro Cultural Transfronteiriço no sopé do Castelo do Alandroal

 

Perguntei-me sobre qual o modelo de desenvolvimento desta região e não descortinei nada que não a asfixiada agricultura. Ou seja, tudo o que de bom lá vi, é pago pelos meus impostos e não pela pobre economia local. O que acontecerá a esta pobre gente quando o fisco confirmar que faliu?

 

Juromenha: apetece-me dizer «que miséria» pois tenho vergonha de dizer «que vergonha». Como foi possível concentrar num ponto tão alto dose tão grande do desmazelo nacional? Qual a marca da tinta preta com que os responsáveis por tamanha vergonha deverão pintar as caras?

 

(**)

Desmazelo tão concentrado, nunca eu vira

 

Dali segui contristado pois tenho a certeza de que não são necessários dinheiros públicos para recuperar tudo e pôr a «coisa» a render.

 

Rumei a Campo Maior onde vi progresso a sair por todos os poros. Sim, é claro que esse progresso cheira a café. Que contraste formidável quando comparado com as outras localidades, as penduradas no Terreiro do Paço de Lisboa. Uma ilha rodeada por déjà vu.

 

Almoçado o magnífico bife na pedra, passei a raia seca e dei uma espreitadela na monarquia e seus súbditos. Badajoz estava lá, exactamente no mesmo sítio em que a deixara da vez passada. Lembrei-me de Giraldo, o sem pavor, da perna de D. Afonso Henriques, dos fuzilamentos na velha praça de toiros durante a guerra civil e, como não poderia deixar de ser, do lusitano Café Camelo. E lá fui de seguida em busca do cenário da «guerra das laranjas»…

 

Foi então que, olhando para ocidente, me lembrei do Marquês de Alorna, D. Pedro de Almeida Portugal, que daqueles montes que eu estava naquele momento a enxergar, observara as tropas franco-espanholas a invadir Olivença perante o cúmplice silêncio do Duque de Lafões, então Ministro da Guerra do inapto príncipe regente D. João. Que «aventais» terão servido tão secreta mas óbvia traição à Pátria?

 

Para além das obras em curso, era o dia da Feira de Olivença pelo que havia severos condicionamentos ao trânsito automóvel. Não se podia ir ao centro a não ser a pé mas como havia concerto de música duma espécie minha desconhecida, decidimos dar uma volta exterior e confirmar o que eu queria saber: a toponímia voltou a estar em português com os nomes antigos das ruas; não apenas no centro histórico (como eu admitia) mas sim até à periferia. Gostei, claro!

 

De regresso à república e seus cidadãos, passámos o Guadiana pela nova Ponte d’Ajuda (assim, em português) se bem que à saída de Olivença visse sinais a indicar o caminho para «Puente Ayuda» e para Portugal.

 

Tenhamos calma…

 

Março de 2011

 

 HSF - retrato por FGAHenrique Salles da Fonseca

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://farm2.static.flickr.com/1178/747796818_b9cf9ee1b2_o.jpg&imgrefurl=http://www.meteopt.com/forum/seguimento-meteorologico/seguimento-julho-2007-a-1181-11.html&usg=__fUMu-Ljpw7ZB3yblJDXScvbgIAE=&h=480&w=640&sz=45&hl=pt-pt&start=30&zoom=1&tbnid=6TdypFsotBZ1rM:&tbnh=180&tbnw=258&ei=ZLyFTfeVNs664Qa44dWOCQ&prev=/images%3Fq%3Dalandroal%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:10%2C1123&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=704&vpy=314&dur=16&hovh=194&hovw=259&tx=156&ty=100&oei=TryFTaXxA4jPtAbXlYyZAw&page=3&ndsp=12&ved=1t:429,r:7,s:30&biw=1007&bih=681

 

(**)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.casadasao.com/PT/Castelo-de-Juromenha.jpg&imgrefurl=http://www.casadasao.com/PT/Homepage.htm&usg=__X5apMlh3mQoCeOR0PJ5HNMFXkts=&h=353&w=581&sz=68&hl=pt-pt&start=3&zoom=1&tbnid=-8q4-gkqY3ooYM:&tbnh=81&tbnw=134&ei=H72FTbrDBYbCtAaSyYjFBg&prev=/images%3Fq%3Djuromenha%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1

O FUTURO, O QUE SERÁ?

 

Foto: Arquivo particular de Maria Eduarda Fagundes

 

"Le monde bouge, ma très chère amie," dizia minha saudosa amiga e professora Soeur Marie Rose, ao ver os abusos que o homem faz com a sua terrena morada. Além dos incontroláveis desastres que assolam periodicamente a Terra, como o terramoto e o devastador tsunami que atingiram nesta sexta-feira ultima (11/03/2011) os japoneses, o homem na sua infindável e desproporcional ambição de domínio, destrói sem dó e escrutínio, o que de maior riqueza o planeta lhe dá: a maravilhosa e inigualável natureza, lar de todos nós.

 

Na busca pelo poder e grandeza, constrói-se armas e usinas nucleares, represas gigantescas, maravilhas arquitectónicas pelos antigos inimagináveis. Na desculpa esfarrapada dos políticos que dizem que é preciso combater a pobreza, florestas são devastadas, rios são desviados, cidades inteiras de repente são levantadas sem respeito ao meio ambiente. No consumismo desenfreado que o ilusório progresso traz, espalham lixo por todos os lados, na atmosfera, no solo, nos rios e mares. É o omnipresente plástico, as matérias e materiais radioactivos, os venenos químicos, os resíduos, uma infindável lista de substancias e gases que poluem e sujam o mundo em que vivemos.

 

Caso ainda estivesse viva, a freirinha de Albi veria com tristeza o vaticínio das suas eloquentes palavras se confirmar a todo o momento. Estamos morrendo aos poucos, num processo de auto-suicídio colectivo e insidioso que provocamos e, violentamente, quando a natureza cobra o seu soldo. Talvez, quem sabe, se não mudarmos a tempo de caminho, se não ensinarmos as crianças a amarem as plantas, os animais, a valorizar o que é verdadeiramente importante, o homem e a sua milenar herança, a terra, felizes sejam os que já se foram, porque não precisam mais temer o que trará o futuro.

 

Maria Eduarda Fagundes

 

Uberaba, 13 de Março de 2011

ESTADO E NAÇÃO

 

 

Ontem ao ver na RTP um documentário cabo-verdeano sobre Eugénio Tavares, poeta da ilha Brava, falecido em 1930, ouvi um apologista da memória do poeta, dizer que política era a ciência de fazer bem ao Povo, favorecendo os pequenos e pobres, de modo que aumentasse o bem estar da população. Parece que é isto o que faz este actual governo socialista português, não é verdade??!!

 

NÃO! Não é verdade, é a mais rematada mentira.

 

Este governo, ou porque é estúpido, ou porque é eticamente mau, ou ambas as razões, não governa para o bem da Nação, mas finge governar, zelando não pelo bem-estar do Povo, mas sim pelas contas da U. E.. Diz que se a sua "política" não for seguida, haverá um desastre para o Estado. Que Estado? O Estado não é a Nação.

 

Mussolini, o rídículo mandão, que incarnava o Estado italiano, seguia o lema "Nada contra o Estado, tudo pelo Estado", enquanto em Portugal durante o Estado Novo, o lema era: "Tudo pela Nação, nada contra a Nação". Nesta diferença de conceito se encerrava nitidamente a diferença entre o Estado Fascista e o Estado Novo. Ora já lá vão três quartos de século, e renasce agora entre nós o fascismo italiano, sob a forma de Estado Caduco, alias democrático, alias oligárquico, alias plutocrático, alias hipócrita, que quer sacrificar a Nação para salvar o Estado. E quem é o Estado? Escusado é dizer quem é. Vê-se, sente-se, ouve-se.

 

O PM ameaça até, que se a sua política não for seguida, terá que haver eleições, mas ele recandidatar-se-á. Quem o protege para exibir tanta bazófia? A quem julga ele meter medo?

 

Joaquim Reis

ALENTEJANANDO - 1

 

 

Manuel Emílio Camarinhas, proprietário do restaurante «Os Conjurados», em Vila Viçosa, conhece 37 receitas de doces conventuais oriundas da meia dúzia de Conventos que in illo temporae existiram naquela Vila. Julgo que na lista se vão sucedendo uns aos outros de modo a que nenhum deles fique esquecido nem a cozinheira com o jeito encarquilhado.

 

E enquanto nos apresentava as fumegantes vitualhas, serviu-nos a agradável conversa que tivemos por companhia ao jantar. Eis como ficámos a saber coisas que não constam de todos os livros da nossa História.

 

A questão era a de saber quem ia para os Conventos inventar tais receitas. Não havendo resposta simples numa Igreja feita sobretudo por homens em que à mulher sempre esteve reservado um papel marginal – pese embora a grande veneração à Mãe de Deus – meditemos um pouco...

 

Para os conventos masculinos iam sobretudo os que se sentiam com vocação para o Serviço Divino mas aos femininos, para além de acolherem verdadeiras vocações, cabia também uma função de amparo a damas solteiras, a viúvas de militares (e, portanto, relativamente pobres) e a quem tivesse tido comportamento social menos canónico.

 

Não se estranhe, pois, a profusão de conventos, sobretudo femininos.

 

Foi nesse conceito genérico de grande vocação social que, por volta de 1514, o IV Duque de Bragança, D. Jaime, resolveu fundar nas vizinhanças do seu paço uma casa religiosa que servisse de Panteão às Senhoras da sua Casa e onde recolhessem as filhas do seu segundo casamento que não pudessem casar condignamente.

 

O Real Convento das Chagas de Cristo foi inaugurado em Vila Viçosa no dia 8 de Fevereiro de 1533 nele dando entrada nove religiosas tendo como Abadessa Madre Maria de S. Tomé, irmã da Duquesa (D. Joana de Mendonça) já então viúva de D. Jaime e mãe do novo Duque, D. Teodósio. O mosteiro possuía tenças próprias consignadas vitaliciamente pelas famílias e tutores das professas, tendo a maior parte delas pago a construção de aposentos privativos.

 

Permita-me o leitor que lhe chame a atenção para o nome religioso adoptado pela Madre Abadessa…

 

Mistério? Cai o mistério se lhe contar que houve um brioso militar então na casa dos 30 anos de idade que, sendo nomeado para as lutas que Portugal então travava no norte de África, prometeu que, se sobrevivesse à campanha de Azamor e regressasse são ao reino, faria rigorosa penitência de um mês no Real Convento das Chagas de Cristo, em Vila Viçosa.

 

Tomé de Sousa se chamava esse brioso militar e, sobrevivendo às lutas africanas, cumpriu a promessa de modo tão empenhado que até fez um filho à Madre Abadessa.

 (*)

Por aqui passearam Tomé e Tomé

 

E foi Gonçalo de Sousa – «o bitomé», por ser filho de dois Tomés – que arcou com a bastardia.

 

Mas o filho não era ilegítimo; os pais, sim.

 

Março de 2011

 

 HSF - retrato por FGAHenrique Salles da Fonseca

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://imgs.netviagens.com/files/8e759235-7336-4f11-9d7f-de4c7c97cc69_Scr_D1216400-2CDD-4118-B883-0A5E3EE93231_1_pt.jpg&imgrefurl=http://netviagens.sapo.pt/Ferias/FeriasDetalhe.aspx%3FagreementId%3D24107%26channelId%3D3503504e-9853-a420-6865-7ce2570144a8%26contentId%3DD69A815B-4AFF-4202-9569-5299EF1598C6&usg=__oKaiIgMghGw6HPDco8L4-jbX6ic=&h=218&w=490&sz=47&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=2kDJX2wjtNnK5M:&tbnh=77&tbnw=173&ei=dcyBTd_FKsTYsgbtysmHAw&prev=/images%3Fq%3DPousada%252BD.%252BJo%25C3%25A3o%252BIV%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=671&oei=dcyBTd_FKsTYsgbtysmHAw&page=1&ndsp=19&ved=1t:429,r:16,s:0&tx=81&ty=49

 

BIBLIOGRAFIA:

Convento das Chagas – http://www.portugalvirtual.pt/pousadas/vila.vicosa/pt/index.html

Tomé de Sousa – http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A9_de_Sousa

 

E TEM FORÇA DE LEI…

 

 

O art. 1º do Decreto-Lei nº 35/2010 de 15 de Abril começa da seguinte forma:

 

Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto-Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto-Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto-Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos-Leis nºs 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos-Leis nºs 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos-Leis nºs 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381-A/85, de 28 de Setembro e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos-Leis nºs 92/88, de 17 de Março, 321-B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis nºs 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos-Leis nºs 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30-D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos-Leis nºs 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos-Leis nºs 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto-Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril e 53-A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos-Leis nºs 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis nºs 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto-Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção: ........................

 

Pode ser confirmado no Diário da República, 1.ª série — N.º 73 — 15 de Abril de 2010

 

Para quê comentários?

 

Henrique Salles da Fonseca

CATURRICES 23

 

AH, MALVADOS! ENTÃO ISSO FAZ-SE? - I

 

 

 Nos dias que correm, não há cão nem gato que não se atire aos mafarricos que empestam os mercados financeiros, que atormentam o merecido descanso dos nossos governantes e que saqueiam despudoradamente, com juros de usura, os nossos já esquálidos bolsos.

 

 Especuladores! Grita-se de todos os lados, sem que ninguém cuide de saber quem são esses tais, como actuam eles e porque é que o fazem (será por serem sádicos de nascença e gozarem à grande com os nossos infortúnios?)

 

 Antes do mais, uma precisão semântica para distinguir entre “especulação” e “manipulação (de preços, do mercado)” - conceitos que confundimos a torto e a direito, talvez porque, entre nós, esta seja moeda corrente e aquela outra passe quase sempre despercebida.

 

 Tudo começa porque o futuro a Deus pertence. O que é dizer, em palavras mais laicas, que o futuro, visto de hoje, surge como um leque de situações possíveis: umas que nos são favoráveis (se se concretizarem, ganhamos); outras que nos são manifestamente adversas (se ocorrerem, é perda pela certa); outras ainda que não nos afectam de todo. E quanto mais longínquo for o futuro mais amplo será o leque de possibilidades que estão para lá do nosso controlo (“valor temporal” – é assim que a teoria da finança designa isto).

 

 Ora neste mundo há gente para tudo, até para entrar voluntariamente num destes “jogos de possíveis” na expectativa de que venha a acontecer uma situação favorável (logo, um ganho) – mesmo sabendo que no valor temporal também espreitam perdas inevitáveis.

 

 Os especuladores são gente assim: na esperança de obterem ganhos, não se importam de correr riscos e ficar expostos a perdas. [Exemplo disto mesmo são as Companhias de Seguros: lucram (os prémios) quando não acontecem sinistros; sofrem prejuízos (as indemnizações que pagam aos segurados) se um qualquer dos riscos cobertos se verificar].

 

 “Manipulação” é coisa muito diferente. Significa: (1) ou conseguir, através de artifícios vários, torcer o futuro em proveito próprio; (2) ou impor regras do tipo “caras, ganho eu; coroas, perdes tu”.

 

 Nos jogos em que o ganho de uns seja a perda de outros (jogos ditos “de soma nula”), se uma regra destas prevalecer, os jogadores não estão todos em pé de igualdade. E aqueles fadados para suportarem as perdas, aconteça o que acontecer, só se manterão em jogo se forem escandalosamente ineptos – ou se alguém os coagir.

 

 O que caracteriza a “manipulação” é que o “manipulador” entra no jogo sabendo de antemão: (1) que nada tem a perder: (2) que pode virar a seu favor qualquer situação; (3) que nunca sofrerá perdas, por mais adversa que seja para ele a realidade. Como facilmente se vê, trata-se de uma posição de privilégio que só está ao alcance de um punhado de eleitos, quando muito.

 

 Em suma: se a “especulação” é sempre um jogo entre iguais (onde, à partida, qualquer um tanto pode ganhar como perder), na “manipulação” há uns que têm artes de se tornarem ainda mais iguais (e de nunca perderem).

 

 O mercado mundial das Obrigações (no qual as Dívidas Soberanas têm a maior fatia) rondará, actualmente, os USD 80 biliões (80 seguido de doze zeros; 1.4 vezes o PIB mundial) - dos quais 39% a 43% com origem nos EUA.

 

 No meio disto, a Dívida Pública portuguesa representará uns ínfimos 0.002, se tanto – e há que ter muito boa vista para se dar por ela. A ideia de que os mercados se encarniçam contra nós é assim uma falácia – a grande maioria dos investidores nem sabe, nem está interessada em saber, que existe Dívida Pública portuguesa no mercado.

 

 Nas Dívidas Soberanas, estão em campo, de um lado, os Estados que se financiam, do outro, praticamente só investidores institucionais: Fundos Soberanos; Fundos de Investimento (em especial, Fundos de Tesouraria), Fundos de Pensões, Hedge Funds (Fundos de Investimento que recorrem sistematicamente ao endividamento para aumentar, ou “alavancar”, os lucros dos que neles participem), Companhias de Seguros (sobretudo as Seguradoras “Vida”) e Bancos. Eis os odiados mafarricos!

 

 Mas lá no fundo da fila estamos nós, gente comum de Portugal e da estranja, enquanto cidadãos, investidores avessos ao risco, actuais ou futuros pensionistas, investidores com apetência pelo risco (estes, sim, apropriadamente designados de “especuladores”), segurados, simples depositantes – ou, quem sabe, accionistas. Somos nós, afinal, com as nossas exigências de retorno e de segurança, os mandantes desses tais mafarricos!

 

 O processo de decisão de um investidor institucional pouco ou nada tem a ver com o de um investidor individual. Este decide como melhor lhe parece e só a ele próprio terá de prestar contas. Para aquele, porém, a vida não é assim tão simples.

 

 Se for Banco ou Companhia de Seguros, terá de dispor de Capitais Próprios suficientes para absorver, entre outras perdas, as menos valias (efectivas ou potenciais) que a sua Carteira de Dívida Soberana for contabilizando – sob a vigilância atenta dos Supervisores.

 

 Se for Fundo de Investimento, Fundo de Pensões, Hedge Fund ou Fundo Soberano, terá de cumprir escrupulosamente com os critérios de investimento que estiverem consagrados no respectivo Regulamento - e de prestar periodicamente contas, quer aos seus participantes, quer às Autoridades que o supervisionem.

 

 Ora, quem investe em instrumentos de dívida (como a Dívida Soberana) preocupa-se, antes do mais, com o risco de crédito a que se expõe (isto é, a perda patrimonial que sofrerá se o emitente/devedor não pagar pontualmente). E é aqui que entram as malfadas Agências de Rating (Moody’s, Standard&Poor’s, Fitch - mas há outras mais).

 

 Estas Agências desempenham basicamente três funções:

- Substituem-se ao investidor no levantamento exaustivo dos instrumentos de dívida existentes no mercado (as oportunidades de investimento), e tantos são – tarefa que mesmo um investidor institucional de vastos recursos nunca será capaz de levar a cabo em tempo útil;

- Analisam a capacidade de cada emitente/devedor para servir (isto é, pagar pontualmente capital e juros) a dívida que pretende colocar no mercado;

- Emitem uma opinião (notação ou rating) sobre o risco de crédito que cada um desses instrumentos de dívida representa em cada momento – opinião que fica posicionada numa escala ordinal para permitir comparações.

 

 Não surpreende, pois, que os critérios de investimento da generalidade das Entidades de Investimento Colectivo (todos aqueles Fundos que referi mais acima) assentem nas opiniões das Agências de Rating. À falta de melhor, os participantes têm nos ratings como verificar imediatamente: se o que lhes foi prometido em matéria de risco de crédito (uma das razões que os levaram a investir) está a ser efectivamente cumprido; se quem gere o seu dinheiro cumpre o Regulamento e é diligente, capaz e honesto.

 

 Já nos Bancos e nas Seguradoras são os Supervisores que acolhem como boas as opiniões das Agências de Rating para daí concluírem se uns e outras possuem Capitais Próprios bastantes.

 

 Nada obsta a que os Supervisores dispensem as opiniões das Agências de Rating e formem a sua própria opinião sobre o risco de crédito a que os seus supervisionados se encontrem expostos – mas o certo é que não o têm feito (e a recente crise financeira terá tido aí uma das suas causas estruturais).

 

 Por outra parte, a estabilidade e o ambiente de concorrência nos mercados financeiros internacionais sairão bastante afectados se uma mesma Carteira de Dívida Soberana der origem a exigências de Capitais Próprios que variam de Supervisor para Supervisor.

 

 Concluindo: se é perigoso viver com Agências de Rating, não é menos perigoso viver sem notações de risco (ratings) que investidores e Supervisores considerem credíveis.

 

(cont.)

 

A.PALHINHA MACHADO

O AMIGO DE PENICHE

 

 

Desta vez fui eu que transmiti à minha amiga a notícia, que ouvi não sei bem em que canal, distraída que estava a descascar a cebola do meu vale de lágrimas, e a minha amiga também se sentiu inicialmente eufórica quando eu lha transmiti, pois a notícia é daquelas que no nosso país de vez em quando se propala, para continuarmos a manter a ilusão da solução, e nós assim vamos continuando, sempre que surge a notícia do ouro preto em Portugal, quer ele esteja em Peniche, quer esteja no Alentejo, quer mesmo só no Beato, embora a minha amiga considerasse, logo a seguir, ter mais fé no santo António, o que é disparate, visto os efeitos benéficos que o petróleo provoca no mundo inteiro, no meu ponto de vista deslumbrado. Talvez, nesse caso, mais valesse, segundo objectei, crer no Dom Sebastião, mesmo que ele nunca mais chegasse, pois fazia mais parte do nosso apego secular, que até se traduziu em trovas, em dramas e outros poemas do nosso engenho, de longa data a braços entre a crise e a ilusão, nosso fado triste.

 

Quanto ao petróleo, parece que estamos ainda na fase da prospecção – tal como o regresso do D. Sebastião - por conta duma empresa brasileira e mais outras portuguesas a arriscar, embora já o Raul Solnado, há muitos anos, através de uma sua personagem, tenha explorado essa questão do petróleo que apareceu no seu quintal do Beato, quando arrancavam uma alface para a salada da família.

 

A minha amiga ambiciosa logo disse “Era uma safa se se descobrisse petróleo em Portugal” e eu bem que concordei, que de safa é que a gente mais precisa - pois quanto a safras estamos arrumados - e enquanto isso, vamos deixando que os habituais solucionadores da crise continuem paulatinamente e exclusivamente na safra do seu próprio bem, salpicando a sua promessa do bem comum com estas atoardas esmoleres, sobre um provável petróleo nacional jorrando aqui ou além, mesmo no Beato, outras vezes em Peniche e outras no Alentejo, para irmos vivendo na ilusão da solução sempre adiada, de uma crise comum - com excepções - permanentemente presente.

 

Como sempre pessimista, embora ambiciosa, a minha amiga considerou que nem uma gota lhe caberia em sorte, fazendo com isso supor que a mim caberia, o que me desvaneceu à ideia da gota, pois também sou ambiciosa, mas eu logo expliquei que, mesmo que as gotas fossem canalizadas para os sortudos habituais, outros mais receberiam a benesse – da safra, pelo menos, eliminando assim parte do espectro do desemprego, além de que deixaríamos de importar o petróleo habitual e até talvez conseguíssemos exportar do nosso, para inveja dos povos como aquele a que pertence a senhora Merckel que estendeu o braço compincha ao nosso PM, mas, se este tivesse de facto petróleo, fosse lá onde fosse, poderia ser ele a estender o seu, honrosamente, levando-lhe umas amostras do nosso crude de Peniche, para comercializar.

 

A minha amiga continuou renitente, está visto que a mania do Santo António quadra mais às suas expectativas:

 

- Um país com petróleo é um perigo enorme, porque nos países com petróleo o Zé Povo é tão pobrezinho, tão pobrezinho, tão pobrezinho… Até o Dubai tem os pobrezinhos do petróleo.

 

E voltámos tristemente à nossa condição de agarrados mais aos nossos santos da safa – não da safra – o próprio Messias fosse, que nos safasse.

 

Berta Brás.jpg Berta Brás

ERAM CRAVOS, ERAM ROSAS...

 

 

De repente Darwin faz anos, e Portugal, descobrindo-se modernaço

e europeu, põe-se em bicos de pés a celebrá-lo com entusiasmo,

esquecido já do avozinho Marx a quem ainda há pouco beijava ternamente.

(Neo)darwinistas explicam-lhe o comportamento humano, pois a ciência

justifica agora a nossa animalidade, visto verdade e ciência serem, na

sua percepção, irmãs gémeas, ou sinónimas, para usarmos mais rigorosa linguagem.

De Marx a Darwin: A Desconfiança das Ideologias, de

Onésimo Teotónio Almeida, Lisboa, Gradiva, 2009, 184 pp. (*)

 

ÉCLOGA DO CHAMAMENTO

 

Eram cravos, eram rosas,

Flores políticas d'eleição.

Símbolos perfumados

Da Liberdade,

Conseguida com a Revolução.

Odores, enfim, tão suaves,

Que atraiu políticos mil,

Para o serviço da Nação.

Um deles, de seu nome Prometeu,

Entre outros,

Que, sem entraves,

Se banquetearam com o Orçamento,

A justificar as oportunidades de Abril.

Passou a ser tal o tormento,

Que, desesperados,

Assim falaram.

 

ORÇAMENTO

 

Estou a braços com uma dívida abissal,

Dita importante, soberana,

Que me puseram neste estado

D'ansiedade esburacante,

Tal é o buraco desonroso

Em que estou metido.

Este estado do Estado,

Situação assaz insana,

É de falido! É de falido!

Impressionante!

Por tua culpa Prometeu,

Estou monstruoso,

Em crise provocada

Por excessos,

Dos mais diversos.

 

PROMETEU

 

Por minha culpa, sandeu?

Quando estás gordo e anafado?

Que eu saiba já existias,

Assim gorduroso.

Já vieras de outras partes,

De outras repúblicas tardias,

E de outros regabofes.

Fostes permitindo a engorda,

Que outros prometeus de ofício,

Príncipes consortes,

Não tiveram qualquer resquício,

Em consumir e... consumar.

E, agora, gordo como estás,

Só pensas em reclamar?

Há que fazer sacrifício,

Em benefício,

Do Estado Social.

Da dieta.

Para o Bem e para o Mal,

Estamos metidos nisto,

Afinal,

A grande meta.

 

ORÇAMENTO

 

Há eu estou gordo, forte?

Estou talvez, à beira da Morte,

Assim atafulhado, inchado.

É fatal!

E quem é que me pôs assim monstruoso?

Foi quem me prometeu melhor Sorte!

Quem mentiu?

Quem arrostou...

Prefiro dizer... arrotou blasfémias?

Quem engendrou promessas eleitorais,

Com descaramento inaudito

E falhou?

Estou aqui cheio de ténias,

Nos meus intestinos:

Fundações,

Institutos,

Direcções-Gerais,

Entidades Reguladoras...

E sabes que mais?

Preciso de emagrecer,

Senão, vou morrer,

Por causa das tuas políticas,

Opressoras.

Evacuar as ténias intestinais,

Que me corroem, mas não me emagrecem.

Estou dependente das malhas

Que, no Império se tecem,

Das falhas dos políticos,

Que não merecem,

Sentar-se mais à minha mesa.

 

PROMETEU

 

Que tristeza!

Não vais nada morrer.

Anima-te, pois, porque sem ânimo,

Eu perco as próximas eleições

E ainda tenho umas ilusões,

Fiado que este tormento

Vai cair no esquecimento.

A populaça

É esquecida,

E, em pouco tempo,

Não se lembrará de que foi ferida.

 

ORÇAMENTO

 

Eleições?

Isso é mais uma pipa de massa

Para gastar.

Não podes parar?

Que chalaça.

É preciso coragem.

É fartar vilanagem!

 

PROMETEU

 

Credo que deselegância.

Sabes que sou, por natureza,

Optimista!

Sou aquilo a que chamam um

Corredor de Fundo.

Não há no mundo,

Outro optimista como eu.

Ou não me chamasse Prometeu.

Isto dos mercados, é só ganância,

Da mais fina,

Da internacional.

Prometo que vou mudar de concertina.

Vou acabar-lhes com a música

E a jactância.

A Nação safa-se sozinha.

Não é petulância.

Isso eu garanto.

Qual é o espanto?

Sou sempre o último que ri.

Usufruo de tal estrutura

Mental e diversa

Que me é fácil afirmar isto.

 

ORÇAMENTO

 

Sim Criatura!

Conheço-te a conversa.

Prometeu!

Promete que daqui a dois meses chamas o FMI!

 

Luís Santiago(3) Luís (de) Santiago

 

(*) http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/liv044.htm

 

 

CLEPTOCRACIA…

 

 

… um neologismo a fixar. A fixar, porque esta palavra designa, com muito maior precisão que DEMOCRACIA, o sistema político vigente no Ocidente, assim chamado, e tende por força da "Globalização", o novíssimo Colonialismo, a espalhar-se por todo o mundo.

 

Este neologismo deriva do grego:

 

Κλεπτω = (eu) roubo

Κρατω = (eu) mando, domino.

 

Logo, cleptocracia significa o poder, o governo, dos ladrões.

 

Antigamente, os políticos dominavam os ladrões, mas a situação inverteu-se, e os povos ( οι δεμοι = os demos), ingenuamente, revoltando-se pela "democracia", estão permitindo a instalação das cleptocracias, pelo que têm o apoio dos grandes cleptocratas deste mundo.

 

E agora, como re-inverter a situação? Ouçamos de novo as palavras de Virgílio, as velhas, mas sempre actuais, palavras do ilustre poeta romano:

 

Facilis descensus Averno = É fácil a descida ao Inferno;

 

Noctes atque dies patet atri janua Ditis = Noite e dia está escancarada a porta do átrio de Plutão;

 

Sed revocare gradum superasque evadere ad auras = Mas retroceder o passo e sair para os ares superiores;

 

Hoc opus, hic labor est = Esta é a obra, este é o trabalho (que popularmente se pode traduzir por "aqui é que a porca torce o rabo").

 

Plutão (Ditis) é o senhor dos Infernos. E o seu nome rima com ladrão.

 

Que fazer? Quoi faire? Che fare? Shto délat´? Was nun?

 

A minha mulher, que ouve a rádio, diz-me agora que o Rui Rio afirmou estarmos no fim da época do 25 de Abril. Quem sabe? Para melhor ou para pior?

 

A CLEPTOCRACIA que nos governa e em quem ninguém tem mão.

 

A origem desta ladroeira não é a revolução de 24 de Agosto de 1820 no Porto.

 

Manuel Fernandes Tomás, o fundador do Sinédrio, era altamente patriótico e, como nos conta o Prof. José Hermano Saraiva, morreu literalmente de fome em 1822, porque se dedicou inteiramente ao serviço público, do qual não auferia qualquer vencimento, pois era um homem de carácter e pensava que ninguém devia servir o País por interesse material.

 

A origem da cleptocracia é bem mais moderna e está, penso eu, no neo-Colonialismo e na ganância das grandes potências colonialistas, entre as quais se destacam hoje os USA, cujo materialismo e sofreguidão, acoberto da hipocrisia democrática, é agora por demais evidente.

 

Joaquim Reis

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