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A bem da Nação

ESPÍRITO SANTO

 

 

Fonte: Arquivo particular

 

 

No Brasil, as tradições açorianas chegadas a partir do século XVIII deitaram raízes, passaram a fazer parte da vida e do quotidiano do povo que aqui se estabeleceu, principalmente nos Estados do sul e sudeste do país.

 

Uma dessas tradições, o culto ao Espírito Santo, a força divina que nos guia, ganhou influencias culturais de outros povos, novas cantigas, outros adeptos e formas de se exteriorizar, manteve-se a essência.

 

Reafirmando a tradição antiga, um poema popular açoriano:

 

Senhor Espírito Santo

Lá da casa da Ribeira

Cheira a cravo, cheira a rosa

Cheira a flor de laranjeira.

 

Tenho tantas saudades

Como folhas tem o trigo

Não as conto a ninguém

Todas trago comigo.

 

Minha triste saudade

Vamos nós mais devagar

O amor é criancinha

No correr pode cansar

 

Pus-me a cantar saudades

Ao pé de uma verde cana

Respondeu-me uma folhinha

Triste vida tem quem ama.

 

Uberaba, 04/07/10

 

 Maria Eduarda Fagundes

EXPRESSÕES POPULARES - 5

 

O saber não ocupa lugar

 

À grande e à francesa

 

 

[180px-JeanAndocheJunot.jpg]

 

http://bp1.blogger.com/_LRhb-FbFyJE/Ru2wWGLiFRI/AAAAAAAAA2U/cAtTTA-rDLE/s1600-h/180px-JeanAndocheJunot.jpg

 

 

Significado: Viver com luxo e ostentação.

 

Origem: Relativa aos modos luxuosos do General Jean Andoche Junot, auxiliar de Napoleão que chegou a Portugal na primeira invasão francesa e dos seus acompanhantes, que se passeavam vestidos de gala pela capital.

PORTO LIVRE

“Como uma pedra caída na superfície lisa das águas,

origina círculos cada vez mais afastados do centro,

diluindo-se, também, assim, o catolicismo português;

verificando ainda que, neste caso, os círculos tanto

podem ser centrífugos como centrípetos" 

 

D. Manuel Clemente, Bispo do Porto,

in DIÁLOGO EM TEMPO DE ESCOMBROS,

pág. 68, Editora Pedra da Lua, 1ª edição

 

 

 

A caneta cria sulcos de Palavras no papel, tal como o arado projecta regos paralelos na terra que se abre.

 

A caneta é puxada pela mão, tal como o arado era puxado, no princípio dos tempos, pelas parelhas de animais, substituídas, mais tarde, pelas máquinas.

 

Os sulcos na terra são os recipientes que acolhem as sementes para gerar frutos; sendo estes elaborados em vários géneros e categorias; suporte da nossa vida física, após transformações destinadas a cumprir objectivos específicos, nas áreas da alimentação, calçado, vestuário e medicamentos naturais ou químicos, estes últimos em segundas, terceiras ou mais múltiplas transformações.

 

As Palavras, estruturadas em sulcos a que chamamos linhas, no papel, têm a função de suporte da nossa vida emocional. Coligidas e guardadas, residem em edifícios que conhecemos por Livros. Armazenadas, também, em lugares a que designamos arquivos, são as guardiãs do nosso Conhecimento Individual e Colectivo. São as fiéis depositárias da nossa Memória Individual e Colectiva. São as detentoras e os espelhos da nossa História Comum ou Pessoal. São a Quadratura geográfica e planetária dos elementos da Natureza que nos rodeiam.

 

Sem Palavras não há Registo da Memória, não há Passado, não existe Futuro, não frutifica o Fundamento da Vida, não colhe a Existência, não cresce a Essência.

 

Sem a Palavra, escrita ou falada, não há Vida antes ou depois da Morte. Existe Nada.

 

A Palavra é o nosso Porto Seguro.

 

Sem a Palavra não há Porto Livre onde nos recolhamos. Não há Liberdade. Não há Escolha...

 

A Palavra é a Dinâmica e o seu Contrário.

 

Escreva-se:

 

Com Gestos estudados

Na Síntese dos Dias.

Com Palavras mecânicas

Na Sequência Imóvel dos Gestos.

Aparentemente civilizados.

Virtualmente cultos.

Caminhamos nus!

E não o sabemos.

Caminhamos descalços!

E não sentimos a aspereza

Das pedras.

 

Sintra, 31 de Julho de 2010

 

Luís Santiago

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