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A bem da Nação

O CONTRABANDISTA

 

 

Quem se lembra do fado-canção de Alberto Ribeiro, que foi grande sucesso lá pelos anos 40 ou 50, “O Contrabandista”?

 

Ai! Não há maior desengano

Nem vida que dê mais pena

Do que a vida do cigano.

Atravessar a fronteira

Para ser atravessado

Por uma bala certeira.

E tudo porque o destino

Que fez dele um peregrino,

Companheiro de luar

Um triste judeu errante

Que não tem pátria nem lar!

 

Portugal com a sua economia também triste, e com uns dois milhares de quilómetros de fronteiras terrestres e marítimas, sempre foi uma atracção e um mercado para os arrojados contrabandistas, perseguidos, às vezes, pela Guarda Fiscal, quando esta não fazia vista grossa. Também eram clientes!

 

Não era ainda tempo, que bom, do imenso contrabando que hoje domina o mundo, das armas e sobretudo das drogas, a que deixou de dar o nome de contrabando e passou à “categoria” de tráfico.

 

Hoje trafica-se tudo, incluindo crianças, mulheres e também os “inocentes” e baratos produtos chineses.

 

Lá no antigamente eram mercadorias “comezinhas” como alguns frascos da boa “água de Colónia” que faziam os vizinhos espanhóis, nosso maior fornecedor de contrabando. Lembro especialmente o famoso “Coñac Três Cepas” de Pedro Domecq, bem mais barato e melhor do que a maioria das aguardentes portuguesas, que ainda hoje se encontra até pela Internet, e do “Fundador”, de mais categoria.

 

No início dos anos 50 conheci um jovem militar, Tenente, incorporado na Guarda Republicana, cuja primeira função foi comandar o posto fronteiriço de Chaves (para quem não sabe, Chaves fica no Norte de Portugal, a uns escassos dez quilómetros da fronteira com a Espanha) que, rindo, nos contou a sua primeira aventura na “luta” contra o contrabando.

 

Jovem, saído há pouco da Escola do Exército, resolvido a endireitar o mundo, como a mocidade em geral julga ser capaz, decidiu que havia de acabar com o contrabando que, naquela região, era intenso.

 

Informado com os guardas que conheciam os principais fornecedores além fronteiras, um dia meteu-se no seu carro particular, desfardado, para tentar passar por um “turista” qualquer, aí vai ele a Espanha. Em dois ou três lugares comprou uma jaqueta de couro (óptimas as que vinham de Espanha), umas garrafas de conhaque e mais algumas coisas assim banais.

 

Compra efectuada, pergunta aos comerciantes se lhe podiam entregar a mercadoria em sua casa. Em Portugal. Todos, com a mais natural simplicidade, lhe disseram que sim.

 

Regressou a casa, sentou-se numa cadeira e ficou esperando que o entregador viesse, e aí ele então se preparava para o obrigar a explicar como o sistema funcionava.

 

Não esperou muito. Nem meia hora depois batem à porta, aparece um garoto de talvez uns doze anos, pergunta se ele é o senhor “F” e, na afirmativa, entrega-lhe todas as compras que o glorioso Tenente havia feito em Espanha.

 

Como é natural espantou-se com a velocidade da entrega e obrigou o garoto a dizer-lhe como tinha conseguido tal proeza.

 

Muito naturalmente o garoto disse-lhe que, sabendo que ele era o Comandante do posto de fronteira, ninguém iria abrir a mala do seu carro. Então, foi simples: ele fora na mala do carro, esperou um pouco para se certificar que ali seria a sua casa, e... pronto!

 

Finalizava, mais tarde o glorioso defensor das nossas fronteiras:

 

- Não há como lutar com esta gente. Eles inventam mil e uma maneiras de nos enganarem!

 

Ainda hoje assim é!

 

Rio de Janeiro, 17 de Junho de 2010

 

Francisco Gomes de Amorim

À MINHA MÃE

 

Em prosa, em poesia também,

Procuro encontrar palavras belas

Que vos falem da minha velha Mãe.

Vejo-a rodeada das panelas,

 

Postas em cima do velho fogão

A lenha e muito, muito antigo.

A minha irmã sentada no chão,

Brincava com um vizinho Amigo.

 

E os olhos da minha Mãe, marotos,

Sorridentes, num rosto de carmim,

Como nós, pareciam dois garotos,

 

Brincando efusivos num jardim.

Morreu, já muito velha e cansada.

Não no seu lar; mas sim, atropelada.

 

Luís Santiago,

Sintra, 13/06/2010

 

A minha Mãe fazia este mês 82 anos. Vivia na aldeia em que nasceu. Um dia numa visita a uma Amiga, foi brutalmente atropelada por dois carros. Um condutor com a pressa, passou pela sua frente e bateu-lhe, atirando-a para o meio da estrada. A condutora que a atropelou tinha à sua frente uma visibilidade de mais de 300 m e não parou, arrastando-a debaixo do carro. Isto tudo, dentro da passadeira de peões...

A INDISCIPLINA NAS ESCOLAS

 

 

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

 

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.

 

Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

 

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.

 

Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

 

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..

 

'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.

 

Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'.

 

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.

 

A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.

 

'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.

 

'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.

 

Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.

 

'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.

 

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.

 

Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

Fernando Savater dijo que el ...  Fernando Savater

 

PROCURANDO UMA LINHA DE RUMO - 1

 

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50 MEDIDAS PARA RESPONDER A 50 PROBLEMAS

 

 Administração Pública

 

PROBLEMA: Desperdício de Recursos. Nepotismo. Clientelismo. Cada serviço da AP tem um quadro (Lei Orgânica) que nunca está completamente provido. É corrente realizar-se concursos avulso, formatados para que vença quem já está a recibos verdes e cuja tipologia se pode caricaturar como “ só falta a fotografia”.

 

1. Contratação centralizada do pessoal da AP, mediante a criação de um Departamento Central de Recrutamento, dependente do Ministério das Finanças.

 

PROBLEMA: A determinação “Por cada 1 contratado, reforma-se 2” ( Lei.....nº / ) é absurda como qualquer princípio genérico desligado da realidade concreta do sector. Por exemplo faltam 3000 funcionários judiciais, do quais 150 procuradores.

 

2. Colocação centralizada dos funcionários; criação de um Departamento Central de Colocação de Funcionários, dependente do Ministério encarregue da reforma administrativa

 

PROBLEMA: Existe um bloqueio na mobilidade de funcionários. São tomadas medidas a posteriori para forçar a mobilidade que perturbam os serviços. Tudo isso resulta de não existir à partida mobilidade de funcionários entre serviços, uma vez identificadas as necessidades da administração e salvaguardadas questões específicas (médicos, juizes, órgãos de soberania)

 

3. Consagração do modelo de contrato de provimento público com o Estado Português e não com um Serviço em particular

 

PROBLEMA: Ausência generalizada de cultura de planeamento determina que não incentiva ganhos de eficiência dos serviços, revertendo os saldos do exercício ao Ministério das Finanças. Essa falta absoluta de planificação à escala de Legislatura seria solucionada com orçamentos plurianuais com execuções intermédias.

 

4. Modificação da leis que regem a gestão do Estado, de modo que as dotações orçamentais dos Serviços fossem definidas para uma Legislatura e não anualmente e que aos Serviços fosse permitido (sem restrições ou impedimentos) apropriarem-se dos saldos do exercício

 

PROBLEMA: Ao se prescindir da avaliação colectiva de Departamentos, prescinde-se de encorajar o aumento de eficiência que resulta do trabalho em grupo e que deve anteceder o desempenho individual

 

5. Criação de metodologias de avaliação que incidam sobre a globalidade dos Serviços e não sobre o desempenho individual; prémios em função dos resultados dos Departamentos e não da performance individual

 

PROBLEMA: O Estado viola a lei com as soluções de “recibo verde” (Lei nº … governo de Mário Soares) e cria morosidade e clientelismo

 

6. Criação de um a lista pública dos candidatos a funcionário público, com a classificação obtida; esta lista serviria como elemento de recrutamento dos funcionários;

 

PROBLEMA: Perda de eficiência causada por “entupimentos na mobilidade. Desperdícios na actividade económica do pequeno comércio. Falta de qualidade de vida para funcionários dos serviços públicos. Falta de cultura de responsabilidade.

 

7. Obrigatoriedade dos serviços públicos estarem abertos aos Sábados todo o dia e dos horários serem assimétricos em relação aos utentes

 

(continua)

VISITA AOS CONGOS – 2

 

(continuação)

 

Já de volta a Brazzaville, onde reinava a tranquilidade, a seguir ao jantar no hotel, noite escura, decidi ir dar uma volta a pé. Depois de atravessar aquele pedaço de estrada ou caminho deserto em que me cruzei somente com meia dúzia de pessoas que me ignoraram, cheguei a um cruzamento onde havia uma espécie de boite, bar, clube. Povo. Aproximo-me, o que espanta aquela gente, talvez porque ali nunca tivesse entrado europeu algum, e pergunto se posso entrar e tomar uma cerveja.

- Bien sur! Porquois pas?

Lá dentro, muita conversa e muita dança. Dizer que a dança estava animada seria pleonasmo porque em África dança e música são a vida daquela gente. Em pé, no bar, sob o olhar curioso dos presentes, fui apreciando o ambiente e bebendo devagar a minha cerveja. Não tardou que me viessem perguntar o que eu fazia ali naquele lugar, parecendo perdido.

- Nada.

De facto tudo quanto fazia era passear um pouco. E ver. Ver o que se passava à minha volta. Acabei por dizer quem era, onde vivia, o que estava a fazer no Congo, como era a vida em Angola, e não tardou que tivesse razoável auditório à minha volta. Eu era, naquele meio, a avis rara. Conversámos, bebemos mais uma ou outra cerveja e quando achei que era hora de me ir deitar, a conta estava paga!

 

Esta era a África que eu conheci e amei.

 

Como a viagem ainda teve algumas peripécias mais, vamos seguir. Domingo, dez horas da manhã no aeroporto para apanhar o vôo para Pointe Noire.

- O vôo está atrasado, porque só sai depois que chegar o vôo de Paris.

- Quanto tempo de atraso?

Não sabiam. Comprei um livro qualquer e sentei-me ali, a ler e olhar para um pequeno avião de vôo à vela, que descia daqueles céus com uma calma impressionante. Sempre me atraiu o vôo à vela. E nunca fiz!

 

Encurtando a história, o vôo de Paris chegou com seis horas de atraso! Seis. Deu para ler o livro todo e ainda tive tempo de o oferecer à moça da companhia aérea a quem entretanto perguntei cem vezes se ainda faltava muito para sair!

 

Finalmente em Pointe Noire a estadia prevista era de dois dias. O suficiente para contactar os possíveis clientes, e a saída de regresso a Luanda prevista para quarta feira seguinte às nove e meia da manhã. O aeroporto era a cinco minutos do hotel e bastava lá estar com meia hora de antecedência porque normalmente não embarcava vivalma! No dia do regresso saí cedo do hotel para ir comprar alguma recordação para os filhos, já que em Pointe Noire os artigos de importação, sobretudo franceses, quase não pagavam direitos alfandegários e quando voltei bem antes das nove horas o gerente do hotel, aflito:

- Telefonaram do aeroporto a dizer que mudou o horário do vôo e vai sair uma hora mais cedo!

- Meu Deus! Está na hora.

Peguei nas malas e corri para um táxi. Quando este começa a andar, por cima de nós passou o avião! Perdido! Depois de ter esperado seis horas em Luanda e mais seis em Brazzaville, agora perdia o vôo, único semanal, porque adiantaram, sem me dar conhecimento, o horário! Fiquei com uma raiva...

 

Esperar uma semana em Pointe Noire, terra de mais ou menos nada... não era programa que me interessasse. Fui procurar saber como sair dali.

- Há sempre carros tanques de gasoil (óleo diesel) a sair daqui para Cabinda. Procure informar-se ali na Mobil.

Por sorte ia sair um, que se prontificou a levar-me, avisando que parecendo ser perto, em linha recta talvez menos de cinquenta quilómetros, até à fronteira de Cabinda, a estrada daí para a frente seguia pelo interior, pela floresta, e naquela época, Abril, de muita chuva, o tempo de viagem seria o que fosse! Antes um dia de viagem de camião do que uma semana em Pointe Noire.

 

Lá fomos. Dia seguinte, de manhã, bem cedo, já muitas horas de viagem no lombo, estrada esburacada e conforto de camião, a uns escassos trinta quilómetros de Lândana, a que houve pretensões de chamar Vila Guilherme Capelo em homenagem ao oficial da marinha portuguesa que assinou pelo rei de Portugal o Tratado de Simulambuco e que já se chamou Cacongo, as chuvas tinham cortado a passagem no meio da floresta.

 

Carros querendo seguir para o interior, atravessar o lago que se formara, e nós na nossa “margem” sem podermos passar para a costa.

 

 

 http://www.berggorilla.de/english/pic/cabinda-maiombe.jpg

 

Mas valeu a pena atravessar, mais uma vez a floresta do Maiombe! É uma beleza, imponente.

 

Agradeci muito a boleia que me deram, arregacei as calças, mala e sapatos na mão, atravessei o lamacento lago e convenci um outro camião a regressar a Lândana, onde apanhei um táxi que, voando, me levou a Cabinda. No último minuto, já o avião a fechar as portas, consegui entrar no vôo da DTA para casa. Foi uma odisseia e tanto.

 

Mas África tinha destas coisas (e muitas outras) que são páginas inesquecíveis da nossa história e muitas delas, apesar da idade, gostaria de repetir.

 

Francisco Gomes de Amorim

 

Do livro “Loisas da Arca do Velho”, inédito, 2001

FÁBULA PARA UMA AMIGA AUSENTE

 

 

Como vai estar ausente

Num seu empreendimento,

Deixo-lhe a marca presente

Do meu apoio constante,

Uma fábula traduzindo De La Fontaine,

Em agradecimento

Do que de si vou colhendo

Alegremente:

 

O gato e os dois pardais

 

Um Gato, de um jovem Pardal contemporâneo,

Perto dele desde o berço foi crescendo:

Gaiola e cesto tinham iguais penates,

Às vezes o Gato sendo

Importunado pelo Pássaro buliçoso,

O que o punha furioso.

Um com o bico esgrimia,

Outro com as patas arranhava,

Este último, todavia,

O seu amigo poupava,

Apenas pela metade o corrigindo:

Teria sentido um escrúpulo maior,

Em armar de pontas a sua férula, com rigor,

O Passaroco, menos circunspecto,

Dava-lhe boas bicadas.

Sábio e discreto Mestre Gato desculpava estas jogadas:

Entre amigos, não nos devemos nunca abandonar

Aos rasgos de uma cólera séria, sem, pelo menos, avisar.

Como eles se conheciam ambos desde tenra idade,

Um longo hábito os mantinha em paz e amizade:

Nunca em verdadeiro combate o jogo se transformava.

Mas um Pardal da vizinhança

Veio visitá-los e fez-se companheiro

Do petulante Pierrot e do sábio ratoneiro;

Entre os dois pássaros surgiu uma questão

E o Ratoneiro tomou, é claro, o partido do seu amigão:

“Este desconhecido está a caçoar

Ao vir assim o meu amigo insultar!

O Pardal do vizinho vir comer o meu parceiro!

Não, por todos os gatos!”

Então, no combate entrando,

Ele trinca o estrangeiro.

“Na verdade, diz mestre Gato,

Os pardais têm um gosto fino e delicado!”

Feita a reflexão,

Vá de trincar também o seu amigão.

Que moral poderei eu inferir deste facto?

Sem ela, toda a fábula é uma obra imperfeita.

Julgo aqui ver alguns traços; mas a sua aparência é estreita.

Príncipe, vós tê-los-eis imediatamente encontrado:

São jogos para vós, e não para a minha Musa;

Nem ela nem as suas irmãs têm o espírito que vós tendes

E a experiência profusa.

 

A La Fontaine faltou a coragem

De explicar a «Monseigneur le Dauphin»

O Príncipe referenciado,

A moral desta sua fábula.

A imagem

Que me acode

Para a actualidade, pelo menos,

É a dos apoiantes

Caídos em desgraça

Em caso de ingratidão

Dos príncipes da Nação

Depois destes saborearem

Os eflúvios do poder:

Papam aqui, papam ali,

Ganham-lhe o gosto

Digo, de papar,

E logo vão esquecer

Quem os fez nascer

Para o poder.

 

É um exemplo, mas outros mais

Casos de pardais

Poderia contar,

Se a minha Musa

Fosse mais profusa

E me pudesse ajudar

Dando-me a conhecer

As várias intrigas

Do mundo das brigas

De que enferma a Nação

Sem justificação.

Mas tudo o que eu soubesse,

Se o dissesse,

Poderia ser tomado

Como demasiado

Atrevido

E talvez um processo

Me fosse movido,

Pardais que somos

Para o Poderoso

Orgulhoso

E esquecido.

O que é um facto

Várias vezes observado

É que, colhidos os sabores,

Apreciados os valores,

Com nova ciência,

Perdida a inocência,

Circunstâncias maiores

São por vezes causa

Das reviravoltas

Nos comportamentos

Dos superiores.

E o que se passa entre os superiores de uma Nação

Para com os inferiores

Pode igualmente ver-se

Entre nações de diferente dimensão

Aparentemente amigas, mas com a intenção

De estabelecer puros ajustes

Para as grandes poderem engolir

Paulatinamente

As pequenitas,

Pardocas indecisas

Sem noções precisas

Do que seja ser.

 

Berta Brás

VISITA AOS CONGOS – 1

 

 

Em 1963, por sugestão do distribuidor da cerveja Cuca em Cabinda, foi decidido fazer um rápido estudo de mercado para a eventual exportação de cerveja para o Congo, ex-francês, hoje Zaire, e da decisão de gabinete à acção foi um instante.

 

A viagem revestiu-se de algumas situações caricatas hoje, mas cansativas. Começa com a saída de Luanda, num vôo da Air Congo, uma subsidiária da Air France, num avião quadrimotor. Dois passageiros para embarcarem para Brazzaville. O avião, quase o único ali estacionado em frente ao edifício do aeroporto, horário de saída de acordo com o previsto, tudo aparentemente em ordem, vou aguardar na esplanada, onde havia um pequeno bar. Só outra mesa ocupada, com o outro passageiro. Chegada a hora vêm avisar que o vôo ia sair um pouco atrasado. Uns trinta minutos. Depois destes trinta, mais trinta.

 

Da esplanada via-se algum movimento em volta do avião. Um ou dois mecânicos e mais uns tripulantes, o que pressupunha problema técnico.

- Afinal o que se passa? Já estamos com três horas de atraso e nada?

- É o motor de arranque que não funciona, mas já estão a terminar.

Mais uma hora.

- Então?

- Quebrou-se a corda.

- Essa agora! Quebrou-se a corda? Qual corda? Não me diga que aquilo é como os motores “outboard” que pegam com uma corda?

- Não sei. Mas foi o que me informaram.

 

Nessa altura os dois únicos passageiros para aquele vôo, e também únicos clientes no bar esplanada do aeroporto, já conversavam e dividiam cervejas que iam bebendo em conjunto, e quando olham para o avião, vêem, com espanto q.b. um pequeno trator a ser engatado a uma corda, por sua vez enrolada à volta do motor do avião!

- Querem ver que é verdade! Que aquilo pega mesmo como os motores dos barcos!

Azar o nosso porque o tratorista não era marinheiro, e arrancando de repente, voltou a quebrar a tal corda. Matámos a charada, continuámos esperando, já se fazia noite e no aeroporto não havia mais cordas! Decidi intervir.

- Se vocês continuarem a usar o trator de esticão, não há corda que aguente!

Expliquei a complexa tecnologia da corda! Passado um bocado chegou outra corda, e eu gritava do alto da esplanada:

- Cuidado. Devagar. Devagar.

Duvido que tenham ouvido alguma coisa mas assim mesmo procederam e o motor pegou. Não foi necessário que nos chamassem. Corremos os dois, passámos o controle (só havia dois a controlar e já tínhamos sido convenientemente controlados), e levando um monte de vento e poeira no nariz, porque o motor ficou ligado, e era o que ficava do lado da porta do avião, lá nos acomodámos.

 

O vôo fazia escala em Pointe Noire, na costa, um pouco ao norte de Cabinda, onde aí sim, entrou um bom número de passageiros, sem que o motor fosse desligado. Chegámos, só com seis horas de atraso a Brazzaville!

 

O hotel, reminiscência do savoir vivre francês nos trópicos, era uma delícia. Fora da cidade, no topo de um morro, uma maravilhosa vista sobre o rio Congo, enorme, larguíssimo, caudaloso, vendo-se em baixo a cidade e na outra margem a capital do ex Congo Belga, Leopoldville, hoje Kinshasa. Quartos amplos, confortáveis, muito bom gosto, bela sala de jantar, larga varanda em toda a frente sobre o rio... Muito bom.

 

Sair dali só de taxi. A pé até à cidade não era nenhuma viagem, atravessava-se uma parte de estrada sem casas, só mata, depois a área suburbana e finalmente o centro onde habitualmente se encontram, ou encontravam, os lugares de decisão económica, e além disso, África é quente! A nossa pele, segundo os especialistas e nós mesmo constatamos, aguenta mal o calor, pior ainda quando se tem que aparecer vestido minimamente decente para tratar de negócios. Não necessariamente de casaco e gravata, mas pelo menos que não se esteja coberto de poeira e suor!

 

Nas andanças pela cidade cruzei-me com um angolano, de Benguela, que eu conhecera no meu primeiro ano de Angola. Espanto mútuo, o que faz você aqui, quando chegou, etc. Ele vivia ali refugiado. Perseguido pela famigerada Pide, trabalhava como locutor da Rádio Brazzaville nas suas emissões em língua portuguesa dirigidas aos povos de Angola, mentalizando-os, incitando-os à luta contra o colonialismo. Já não me lembro, nem um pouco, do seu nome. Só tenho idéia que era bem mais velho do que eu, (uns dez ou quinze anos?) baixinho, entristecido por viver longe da terra de que tanto gostava, apesar de não ter, que me lembre, quase cor alguma nas veias. Tinha, sim, amor à terra. Mas...

 

Ficou entusiasmado com a minha presença e com a idéia de Angola, a sua terra, ter já uma indústria capaz de exportar. Bebemos umas cervejas e pediu-me para me entrevistar lá na Rádio.

- Com uma condição. Nada de políticas.

- Só quero falar da nossa terra, e mostrar aos angolanos que até temos uma companhia que pode exportar cerveja para aqui. Se eu sinto orgulho disso, penso que todos os angolanos gostarão de saber.

Combinámos os tópicos da conversa e no outro dia lá fui. Meia hora de conversa radio fundida, sobre Angola. Verdade, verdadinha, fiquei com receio de após o meu regresso ser chamado à PIDE. Não fui, mas os gajos não devem ter deixado de vasculhar a minha vida!

 

Perguntei-lhe se correria algum perigo em atravessar o rio e visitar Leopoldville. Eu era português, vivia em Angola, e do Zaire saíam muitos guerrilheiros para ali combaterem. Podia ir descansado.

 

Dia seguinte, Sábado, cauteloso, desconfiado, e porque não?, receoso, lá fui. Atravessei aquele imenso e caudaloso rio e, uma vez na outra banda achei que a melhor maneira de visitar a cidade seria de taxi. Foi. O motorista era um sujeito novo, simpático p’ra caramba, muito prestável.

- Onde o Senhor quer ir?

- Eu não conheço nada, nada, de Kinshasa. É a primeira vez que aqui venho, estou de passagem em Brazzaville, e vim fazer um pouco de turismo. Você vai ser o meu cicerone. Leva-me onde quiser, demora o tempo que quiser, e vai-me explicando o que achar que vale a pena.

 

Olhou para mim com ar de espanto e lá vamos nós beirando o rio, acompanhando a corrente. Via-se na outra margem, altaneiro, o hotel onde eu estava hospedado e, agora do nosso lado, numa imensa fortaleza em posição igualmente altaneira, fortemente guardada por soldados, a residência de sua majestade o dono do Zaire, Joseph Kasavubu.

 

Muito mal dele falou o motorista! Como todos, tinha esperado que a independência trouxesse uma melhoria generalizada para o povo! Coitado.

 

Seguimos um pouco por fora da cidade, que como qualquer cidade, em qualquer parte do mundo, pouco tem para mostrar! No regresso, numa praceta no meio dum cruzamento de duas ruas, ou avenidas, dois carros chocados e uma meia dúzia de homens todos discutindo.

 

Fomo-nos aproximando e já em cima diz-me o eficiente cicerone:

- Isto é normal. Esta gente conduz de qualquer modo e depois de chocarem saem dos carros e esmurram-se. Mas este acidente é melhor! Um dos carros é de um ministro que está apanhando porrada do outro que não quer saber se ele é ministro!

 

 

Deixámos a caricata refrega acesa! No meio dum cruzamento um ministro sai do carro, depois de chocar com um cidadão comum, para reclamar sem razão, só porque se investia na dignidade de ministro, e apanha uns chapadões no focinho! Quem dera que essa moda chegue ao Brasil! Ou a Portugal. Vamos em frente. Voltámos ao ponto de partida. Paguei a corrida, e dei uma boa gratificação ao simpático motorista, africano puro, mas gente boa. Gente simples.

 

Faltava ainda meia hora para o ferry sair de volta a Brazza. Numa praceta perto do cais um vigarista sacava dinheiro aos simplórios que se atreviam a apostar adivinhando onde estava estaria uma moeda escondida debaixo de um de três copos invertidos. Conhecem aquele jogo, não é? O famoso jogo da Laranjinha. O sujeito coloca a moeda debaixo de um dos copos, troca a sua posição com bastante velocidade de um lado para o outro, a gente segue com a vista o copo debaixo do qual ele colocou a moeda, aposta que está lá, mas não está. Não está nunca em lugar nenhum porque aquilo é um truque de mãos e a moeda fica sempre escondida na mão do habilidoso vigarista, que assim, ganha sempre. Rouba sempre. Uns dez ou quinze de volta do vigaristazito, largando algumas notas que eram perdidas, sempre acompanhadas dum Oohh! de espanto, porque de fato a moeda nunca estava onde todos tinham a certeza que devia estar!

 

Aproximei-me, já conhecia o truque, e fiquei um pouco a ver e divertir-me a ver aquelas caras quando perdiam! O vigarista quando me viu achou que tinha ali pato mais rico, o único claro no meio de tantos escuros, e insistia para que eu apostasse também. Não. Só ver. Quase a hora da saída do barco, achei então que para despedida, e retribuir um pouco pelo espetáculo que me tinha ocupado os últimos momentos naquela cidade e país, decidi também pagar uma nota para ver. Ainda nem tinha perdido, como todos os outros, quando surge a polícia para prender o vigarista e mais os que estavam jogando! O meu coração bateu com força, tanto mais que não era fácil disfarçar-me sendo o único facilmente diferençável! Aquela gente foi sensacional. Rodearam-me, procurando interpor-se entre mim e os polícias que corriam na nossa direção, e diziam-me:

- Foge, foge depressa!

A uns vinte metros dali havia um café, bar. Eu não podia correr porque ainda mais nas vistas daria. Rabo entre as pernas virei costas e consegui entrar no café, de onde através das janelas conseguia podia acompanhar o que se passava. O vigarista apanhado, discutia com a polícia que acabou por levá-lo. Os apostadores e meus protetores mostravam-se satisfeitos por me verem a salvo, e faziam-se sinal para que me mantivesse ali escondido ainda um bocado. Pedi uma cerveja que bebi com a mão trémula e deixei-me ali ficar até que a vida naquela praça e os batimentos do meu coração voltassem ao normal. Logo que pôde fui para o cais e no primeiro barco voltei para Brazzaville, para o hotel! O susto foi forte! Ficou-me de Kinshasa a saudade daquela atitude do povo que, parecendo impossível, protegeu o único branco que por ali se tinha arriscado a “jogar” com eles!

 

Continua...

 

Rio de Janeiro

 

Francisco Gomes de Amorim

 

Do livro “Loisas da Arca do Velho”, inédito, 2001

NASCEM AS "LUSOFONIAS" EM OLIVENÇA

 

 

A Associação Cultural Além-Guadiana prossegue na defesa da cultura oliventina:

http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/94560.html#cutid1

 

No Sábado, 12 de Junho, levou-se a cabo em Olivença a primeira edição das "Lusofonias", espaço dedicado à cultura do âmbito dos países de língua portuguesa.

 

As "Lusofonias" nascem com a vocação de ser um ponto de encontro e difusão das mais diversas manifestações culturais das quais poder fruir, vitalizando as raízes portuguesas de Olivença e fomentando a aproximação a Portugal e aos países de herança lusa.

 

Organizado pela associação cultural "Além Guadiana" com a colaboração da Câmara Municipal de Olivença, a Aderco (Associação para o Desenvolvimento Rural da Comarca de Olivença) e a Junta da Estremadura, teve lugar no Passeio Grande (antigo Terreiro do Chão Salgado) e contou com actividades de teatro, música, literatura e animação de rua, entre outras, que se desenvolveram durante todo o dia e até a meia-noite. Paralelamente e ao longo de toda a jornada, houve uma zona expositiva reservada a artesãos, à gastronomia e a instituições do espaço lusófono, bem como trabalhos ao vivo e animação por parte de agrupações musicais de Portel. Às 10:30 h procedeu-se à inauguração das "Lusofonías" e a um simbólico acto de apresentação das placas em português das ruas mais antigas da localidade, cujos nomes ancestrais acabam de ser recuperados, um acto que contou com a presença do Presidente das Câmaras Municipais de Olivença e Tálega, Manuel Cayado e Inmaculada Bonilla, de representantes políticos locais e do Presidente da Junta de Extremadura Guillermo Fernández Vara. A seguir, os gigantes e cabeçudos dos "Gigabombos do Imaginário" animaram as ruas da cidade antes de passar a um dos actos mais importantes da jornada, a Leitura Pública Contínua em Português, na qual participaram oliventinos de todas as idades lendo ou recitando na língua de Camões. A manhã encerrou com o folclore de La Encina de Olivença e das Cantadeiras de Granja. À tarde, às 17:30 h, foi projectada no Espacio para la Creación Joven o filme O Leão da Estrela, e houve actividade de animação nas ruas, e às 19:30 h. uma actuação dos alunos de português da escola pública Francisco Ortiz. As actividades continuaram com o conta-contos "Estória da Galinha e do Ovo" e, como encerramento, o concerto "O Canto dos Poetas", ambos interpretados pela associação eborense "Do Imaginário".

 

Criada há mais de dois anos para promover a cultura portuguesa em Olivença, nas suas aldeias e em Táliga, a Associação Além Guadiana foi impulsionadora de diversas iniciativas no campo da língua, das tradições e, enfim, da cultura imaterial duma terra de rica história partilhada. Realizadas só dois dias depois do Dia de Camões em Portugal, as Lusofonias, que apresentam na sua imagem promocional referências a ícones como Amália Rodrigues, Fernando Pessoa e Vasco da Gama, pretendem reivindicar que Olivença também pertence ao espaço cultural lusófono.

 

Associação Além Guadiana

Antigo Largo de Stº António, 13

Olivença

www.alemguadiana.com

alemguadiana@hotmail.com

SILOGISMOS

 

 

Da cultura geral e dos noticiários se extrai que:

 

- É crime mentir à Autoridade;

- A Autoridade concluiu que Fulano de Tal lhe mentiu;

- A Autoridade não impugna Fulano de Tal.

 

Eis um silogismo completamente roto.

 

Agora faço eu o meu próprio silogismo:

 

- Num Estado de Direito toda a Autoridade se enquadra na legalidade e existe para exercer as funções que lhe estão

  legalmente consignadas;

- A Autoridade prescinde de exercer as funções que lhe estão legalmente consignadas pelo que abandona a

  legalidade;

- Uma Autoridade ilegal não cabe num Estado de Direito e tem que ser demitida.

 

Será que a ilegalidade ainda vai subir mais alto?

 

Junho de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

REVOLTAS

 

 

Hoje tende-se a exagerar a influência da economia. Existe a sensação que tudo depende de finanças, empresas e mercados e, sem se saber muito disso, cria-se o mito da presença esmagadora dessas forças. No sistema moderno a economia tem grande poder, mas muito menos que outros aspectos humanos, familiares, sociais, políticos, religiosos, culturais, etc.

 

Na terrível crise grega a enorme dívida nacional asfixia o país. Mas dizer que a crise é financeira é tolice. A questão decisiva pouco tem a ver com as exigências de credores.

 

O aspecto que assusta mesmo, e que foi também a causa do explosivo endividamento, é a desconfiança e conflitualidade sociais. A Grécia, que antes de entrar na CEE cresceu muito, foi desde então dominada por corporativismos, corrupção, incompetência, promessas não cumpridas.

 

Como consequência, o descontentamento e revolta sociais estão latentes há muito e grupos extremistas gozam de enorme influência. Todos têm razões válidas para desconfiar de todos os outros. Este clima social, não a factura financeira, é a principal tragédia grega.

 

Portugal tem uma dívida bastante inferior, embora em crescimento acelerado. Mas, acima de tudo, tem uma sociedade serena, confiante, benevolente. Ladramos muito mas mordemos pouco.

 

Vários analistas têm avisado que podemos vir a ter graves revoltas por causa da austeridade. Pode ser, mas isso nunca sucedeu nas antigas austeridades. Dizer isso é exagerar a influência da economia, muito menos influente que os aspectos humanos familiares, sociais, políticos, religiosos, culturais.

 

João César das Neves

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