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A bem da Nação

O JOGO DO AMOR E DO ACASO

 

 Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux

(Paris, 1688 - Paris, 1763)

 

 

Vi na TV5 a peça de Marivaux “Le Jeu de l’Amour et do Hasard”, uma história de dois jovens desconhecidos – Sylvie e Dorante – prometidos em casamento pelos respectivos pais. Estava-se no século XVIII, eram os pais franceses que cozinhavam os casamentos, de acordo com as conveniências, como podemos confirmar também no lar inglês, em “Orgulho e Preconceito” da Jane Austen, cuja inquieta mãe da Elysabeth Bennet tanto se esforçava por bem casar as cinco filhas, oriundas de uma nobreza de escassa fortuna.

 

Os jovens Sylvie e Dorante, para não se submeterem sem mais aquelas às imposições paternas, em rebeldia própria de quem já então deseja afirmar a sua personalidade e direito de escolha, decidem trocar de papel com os criados – Lisette e Bourguignon – para poderem estudar o respectivo noivo, a coberto do disfarce.

 

Orgon, pai de Sylvie, presta-se ironicamente à decisão da filha de fazer de Lisette, sabendo, por carta recebida do seu amigo, pai de Dorante, que também este tivera igual ideia de trocar o seu estatuto pelo do criado Bourguignon; o irmão de Sylvie, Mario, igualmente dentro do segredo, salienta-se na travessura, fingindo um falso amor pela falsa Lisete para estimular os ciúmes de Dorante, no papel de Bourguignon; os criados, no falso papel de amos, desempenham um papel grotesco de enamorados, com linguagem própria da paródia burlesca.

 

Duas horas de um prazer absoluto, no encanto da representação, cada actor traduzindo impecavelmente o espírito da sua personagem, numa argumentação plena de vivacidade, elegância, humor, a que nos habituara de longa data Marivaux, com as suas peças – e sobretudo esta – expressiva de conhecimento psicológico, na progressão dos seus amores, os protagonistas enganados por falsos papéis que simultaneamente se atribuem, inicialmente negando, por amor-próprio, a atracção que vão sentindo, resultante da elegância de uma linguagem própria de salão a que naturalmente estão habituados.

 

Duas horas de prazer, duas horas de esquecimento dos malabarismos em que por aqui nos enredamos, encaminhando-nos inevitavelmente para o nosso aniquilamento, como pobre nação perdida.

 

Duas horas que nos fizeram esquecer como se processa no nosso país o enamoramento dos nossos jovens, ensinados de longa data a dar primazia ao corpo, esquecendo a alma, através da urgência de uma educação sexual responsável, creio bem, pelos casos cada vez mais frequentes de assassínios de raparigas pelos namorados imaturos, que uma sociedade perversa encaminha para a imediata troca de prazeres físicos, mal entrem na puberdade e no enamoramento que julgam definitivo.

 

A educação sexual nas escolas! O desrespeito pelas sensibilidades das crianças, impingindo-lhes, numa falsa seriedade, noções de mistura com o preservativo, convidativo ao deboche.

 

Vivemos numa sociedade de deboche, grande parte em jogo de amores de acaso. Daí, cada vez mais os casos de raparigas esfaqueadas, de assassínios, de suicídios, para não falar nos casos de pedofilia que a justiça deixa impunes. Sociedade de violência. Sociedade de corrupção. Sociedade embrutecida.

 

Que importa a uma sociedade embrutecida o que acabo de citar a respeito de uma peça francesa impecavelmente representada? Não estamos em França.

 

Berta Brás

O CENTRO DO MUNDO – 2

 

 

Apesar do Humanismo e do Iluminismo, e até da Loucura, terem procurado colocar o Homem como o Centro do Mundo, alguma coisa saiu errada.

 

Buda disse que “a vitória gera ódio, pois o vencido é infeliz” e “nunca no mundo ódio acaba através de ódio. Ódio acaba através do amor”.

 

sto faz lembrar as loucuras de Hitler, as vinganças de Stalin, a estupidez de Bush, e outros “simpáticos” odientos.

 

Mais tarde Kung-Fu-tsé indicou algumas normas de vida, como “o que não queres que te façam, não faças a nenhum outro”. Jesus de Nazaré transformou esta norma em ação: “Faz aos outros o que gostarias que te fizessem”.

 

Chegamos ao “Bill of Rights” da Virgínia, base da tão aplaudida Constituição Americana: “Todos os homens são, por natureza, igualmente livres e independentes” e termina com esta sentença maravilhosa: “Cada um tem a obrigação de praticar o perdão, o amor e a caridade, um para com o outro”. Mas mantiveram a escravatura, a segregação, o ódio racial, a agressão gratuita, até hoje. E onde ficou a “Liberté, Fraternité, Egalité?”

 

Insistindo no valor do Homem vem a seguir a Declaração dos Direitos do Homem e repete que “os homens nascem livres e de direitos iguais e assim se conservarão”, que a Declaração Geral, da ONU volta a repetir. Mas onde está essa igualdade tão proclamada e teoricamente (só teoricamente) defendida desde a Magna Carta?

 

Que evolução teve o homem, para primeiro, ter necessidade de afirmar e reafirmar que todos são iguais, que nascem iguais, etc., e depois assistir todos os dias, desde sempre à grande maioria olhar para o outro simplesmente como um degrau para subir? Pisar na cabeça do outro, esmagar o outro, espoliar o outro, tirar-lhe tudo quanto for possível, para “meu” enriquecimento individual!

 

Promover guerras para vender armas, estrangular o mais fraco para lhe extorquir os últimos centavos, será este o Homem que todos os pensadores e legisladores tinham em mente?

 

De 24 a 26 do corrente haverá em Genève o 4° Congresso Mundial sobre a Abolição da Pena de Morte! Que hipocrisia leva estes pseudo congressistas a discutir um tema quando os mais fortes fazem o que querem, matam, dizimam sem qualquer julgamento, sem possivelmente consciência de culpa, além de criminosos, os opositores e milhares de civis e jovens militares que são obrigados a cumprir o seu dever “pela pátria”!

 

Vai adiantar alguma coisa condenar a China ou o Irão porque ainda têm pena de morte? E os Estados dos EUA que continuam com ela, de forma absolutamente aviltante que é condenar um indivíduo e depois fazê-lo esperar, por vezes mais de dez anos para ser executado?

 

Estes e outros congressos nada mais são do que um altíssimo negócio, e é aqui, também, que o Centro do Mundo aparece em toda a sua plenitude e verdade: o dinheiro. Congresso é negócio.

 

O dinheiro, a ganância, a ferocidade nas operações de bolsa e comerciais, a violência da China em querer dominar o mundo – e pouco falta – têm em mente o valor do Homem? Não. Tem unicamente como objectivo o brutal enriquecimento de alguns, a manutenção do poder de outros, a palavra de vida e de morte sobre mais outros, como essa Pena de Morte ou a declaração de guerras.

 

Não. O Centro do Mundo, por muito que façam declarações universais ou parciais, que se façam congressos, se insista com a ONU, o Centro do Mundo não é o Homem. É a ganância, o dinheiro, o poder.

 

A única igreja que, finalmente, parece dirigir-se para os pobres é a de Roma, mas está a custar-lhe adaptar-se aos tempos actuais, e vai perdendo vocações, fiéis e seguidores.

 

Em certa altura da minha resolvi arranjar uma propriedade agrícola, na montanha, onde pus umas dezenas de ovelhas. Tinha uma cadela, guarda, maravilhosa, que me seguia por todo o lado e se atirava a tudo que percebesse que eu não gostava.

 

Um dia o rebanho de cabras invadiu uma pequena plantação de feijão, que despontava cheio de esperança, e comeu aquilo quase tudo. Quando eu as vi a devorar o “meu” feijão zanguei-me, gritei para correr com as ovelhas e a cadela, “Uanga”, foi-lhes em cima e mordeu a perna de uma delas. Chamei-a logo, porque afinal ela era a guarda do rebanho, e fui ver a perna da ovelha mordida. Não tinha nada, nem sequer arranhou. Mas a ovelha começou a definhar e ao fim de uma semana, aparentemente sem nada, morria.

 

Aquilo fez-me muita confusão, e ouvi de velhos agricultores que as ovelhas eram, psicologicamente, muito sensíveis; quando agredidas ou mal tratadas morriam “de tristeza”! Sempre fiquei com isso na cabeça, até que um dia se fez luz; e está nos Evangelhos!

 

As ovelhas são os animais mais dóceis que existem. Os mais humildes.

 

Jesus expulsou os vendilhões, os comerciantes, e os fariseus, os pseudo-sábios. Disse-nos para olharmos os lírios dos campos e os passarinhos, que o Pai os vestia. Mandou que apascentássemos as “suas ovelhas”, o povo simples. Ele mesmo se intitulou o “Cordeiro de Deus”, o último, o mais humilde, e por isso mesmo o Primeiro.

 

Meditando nisto chega-se ao Génesis quando Deus ao criar o mundo proibiu o Adão de comer o fruto da árvore da sabedoria, porque sabia que esta poderia envenenar a felicidade, e por desobediência, ganancioso, foi expulso do Paraíso.

 

Afinal o que tudo isto nos quer dizer: “Sede simples”. Bem aventurados os simples... os que não almejam a impor-se aos outros, os que vivem em comunhão com a natureza, os que respeitam e amam o Outro, qualquer que ele seja, que defendem os fracos e para quem o dinheiro, infelizmente um bem hoje indispensável, não ultrapasse o suficiente para se viver.

 

Se isto assim pudesse ser, voltaríamos com o Homem para o Centro do Mundo.

 

Assim como está, não.

 

Rio de Janeiro, 23 de Fevereiro de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

O CENTRO DO MUNDO - 1

 

 

Tempos houve quando para os "ocidentais" outras terras e povos eram desconhecidos, o seu mundo, pequenino, centrava-se à volta dum pequeno mar, que por essa razão era conhecido como "Medium Terram", o Mediterrâneo.

 

Foi à volta deste mar que se desenvolveu o conhecimento ocidental, vindo do Egito e da Mesopotâmia, depois da Grécia, tendo a seguir se alastrado pelas orlas deste mar.

 

Os homens viviam com a crença que todos os males e eventuais bens que lhes chegavam eram dádivas de Deus, dum Deus qualquer, e todos os governantes não só lhe rendiam homenagens e templos, como não permitiam que alguém duvidasse das suas características divinas.

 

Esse "governo da divindade" um dia estabeleceu-se em Roma, e mesmo com a destruição do Império Romano os religiosos cristãos conseguiram segurar um pouco do conhecimento antigo, infelizmente não permitindo a sua divulgação e, pior ainda, da discussão dos princípios de que tudo seria ou não obra de Deus. Um dia surgiu um gênio que decidiu pôr em causa a sacralidade de muitos "fenômenos", estudou e pintou o homem nos seus mais ínfimos detalhes, dissecou cadáveres de crianças e adultos, gordos e magros, para procurar entender como funcionava o corpo humano que ele tanto admirava.

 

Os detalhes a que desceu foram de tal forma minuciosos que ainda hoje a anatomia lhe deve desenhos e descobertas maravilhosas, e há até quem lhe chame gay pela beleza e detalhes das suas pinturas. Leonardo da Vinci.

 

Até Freud e sua psicose de que tudo estava subjugado ao sexo, interpretou um sonho de Leonardo com um abutre, afirmando que Leonardo da Vinci havia sido um homossexual latente!

 

Tu quoque, Freud?

 

Contemporâneo deste gênio, outra figura ímpar que se apercebe que os homens não recebem o mando das mãos de Deus, e que só alguns conseguem impor-se e governar. "O Príncipe" que serviu e serve de bíblia para todos os governantes do mundo, até hoje. Ensina-lhes como governar pela força, a tirania, desprezando a justiça e humanidade. Afirma que um homem bom se por acaso chega ao poder, e se aí se quer manter, vira um homem mau, enquanto um mau, mesmo que alcance o mando, jamais será um homem bom. Ensina ainda que a grande arte de governar é fazer o menos possível e representar o máximo perante o público, com ostentação, porque o povo não quer no topo um homem modesto, humilde e fraco.

 

Ainda hoje, por todo o mundo vimos que é o Império de Maquiavel que manda e sobretudo desmanda, raros, se algum há, a lutar pelo bem estar da sociedade. As forças do mal são muito mais fortes que as do bem...

 

Parecem de Maquiavel as seguintes palavras mas foram proferidas meio século antes por Aeneas Silvio Poccolomini, mais tarde Pio II (1458-64), "um 'príncipe' que não sabe ler as lições da história, é uma presa irremediável da lisonja e da integridade"!

 

Em contraponto ao despotismo, ao "príncipe do mal" aparece um sonhador, um "babaca" como eu, com a errada idéia de que "o amor ao próximo" é que resolve os problemas do mundo, e que essa maravilha se viveria "em lugar nenhum do mundo": em Utopia! Quinze séculos antes já Alguém nos havia prometido o Reino dos Céus, desde que amássemos o próximo como a nós mesmos. Este foi logo cruxificado e o utópico Thomas More, do mesmo modo, e por benevolente "consideração do rei" foi simplesmente decapitado!

 

Aparece "A Loucura"; ela nos diz tudo aquilo que normalmente já deveríamos saber e na maioria das vezes "disfarçamos"! Que os príncipes parecem infelizes mesmo com toda a exibição de esplendor, por nunca ouvirem a verdade, como os que subornam a lisonja de um orador para ouvir louvores, puras mentiras. Como diz o provérbio "Se ninguém te louva, louva-te a ti próprio"!

 

As pessoas ouvem com prazer maior o que não entendem, pois a sua vaidade está nisso interessada. E continua a Loucura a mostrar-nos que a ignorância e a irreflexão fazem esquecer as misérias e dão a esperança de alcançar a felicidade. A estes a vida deixa de lhes ser aborrecida, como aos velhos que atingiram idades avançadas e perderam todos os traços humanos,  balbuciando, dizendo disparates, calvos, desdentados, sujos, curvados, tudo fazendo para rejuvenescer, pintando o cabelo, usando peruca ou dentaduras postiças, por vezes de dentes de porcos. Outras vezes apaixonando-se por menininhas e por elas fazendo maiores loucuras que um jovem, sabendo que essas garotas serão as mulheres de outros.

 

Ou ver as velhas que repetem que "A vida é bela". Mulheres quentes que farejam o bode, que se pintam incessantemente, estão sempre em frente do espelho, depilam as partes secretas, estendem as mamas flácidas, e solicitam com gritinhos o desejo dos seus amantes e por algumas moedas seduzem jovens.

 

Que aqueles que as acham ridículas pensem se não valerá mais deixar correr a vida nessa loucura do que procurar lenha para a forca!

 

É verdade que não lhes importa a desonra que a sua conduta lhes traz aos olhos dos outros; não a sentem ou não lhes dão atenção. A vergonha, o opróbio, a infâmia, o insulto, só são males quando se sentem.

 

E assim a Loucura, a deusa, coloca o homem acima da ciência e do jugo do mundo. O homem, e a mulher, são o Centro do Mundo.

 

Com esta idéia um homem, nascido humilde, mas gênio indomável, fogoso, insurge-se contra a vergonha da vida do papado, vida de ostentação e despesa nessa altura com Leão X que decide mandar vender pela Europa indulgências para angariar dinheiro para a Basílica de São Pedro! Lutero nega-se a cumprir as instruções de Roma e faz nascer o grande movimento da Reforma da Igreja, de que tão necessitada estava.

 

E se já em causa estava a tal sacralidade dos reis e chefes, e do próprio papado pela vida dissoluta em que vivia e se exibia, os pensadores viraram-se para o intrínseco valor do homem e para as ciências.

 

Calvino teólogo e revoltado, trocou a ordem que parecia natural. Impôs a sua opinião em estilo maquiavélico e medieval, e valorizou o dinheiro face ao homem. Nascia o capitalismo.

 

Adam Smith vem novamente dar valor ao homem e sobretudo ao seu trabalho, através do qual se deviam quantificar os valores das mercadorias. A mão de obra era abundante, e o capital mandava. Foi preciso aparecer um escocês também de humilde origem para dar valor ao ser humano, procurando resolver os seus problemas através de associações, de cooperativas, quase um tipo do "amai-vos uns aos outros", ou quando muito respeitai-vos e amparai-vos, e ninguém quis seguir o exemplo de Robert Owen!

 

Mas falava cada vez mais alto o capital, a exploração, as manobras financeiras, a mentira, e ninguém parece amar-se mais.

 

A Loucura do Amor não tem lugar num mundo atômico em que se gasta mais em equipamentos de matar do que em alimentos.

 

De repente olha para o Haiti porque parece mal ficar de fora, mas logo será abandonará à sua incapacidade e miséria.

 

Foi no "Medium Terram" que tudo para nós, ocidentais, começou. Só em Utopia poderia ter sido melhor. Com homens, não. Os homens não têm solução. É com se este mundo fosse o inferno de outro planeta! Aldous Huxley disse-o claramente.

 

Acabei de ver um filme comovente: "Hachiko - a Dog's Story" estrelado por um cão Akita e Richard Gere. Que maravilha a amizade do cão, que me faz terminar este apontamento com um dito de Shopenhauer:

 

"Quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães"!

 

Rio de Janeiro, 5 de Fevereiro de 2010

 

 Francisco Gomes de Amorim

Da Guerra no Iraque

 

 

Segundo a imprensa oportunamente relatou, em plena Guerra do Iraque, um grupo de soldados americanos realizou uma missão espontânea (solo mission). Entrou numa casa de iraquianos suspeitos e liquidou uma família inteira que ali residia. Posteriormente, ao depor num inquérito sobre o assunto, um dos soldados que integrava o grupo declarou que "foi porreiro" (it was cool). Isto mostra como a guerra – esta ou qualquer outra – é um acto de violência e crueldade praticado contra gente inocente, tanto americanos como não americanos. E esta – a do Iraque – não só não foi necessária como representa pesada responsabilidade assumida pelos EUA pois que envolve alto risco em termos de vidas humanas, dinheiro e segurança mundial.

 

Na minha maneira de sentir, o Exército rouba a individualidade às pessoas. Considero inaceitável que um indivíduo armado de uma metralhadora se sinta no direito de abater todos os que não pensam, procedem ou falam como ele. Todos nós temos o direito, se não mesmo o dever, de seguir as nossas aspirações. O exército é perigoso pois pode servir como meio de que gente ambiciosa lança mão para impor os seus pontos de vista e defender os seus interesses pessoais. No momento em que se alistam, os recrutas renunciam à sua própria personalidade. Com o tempo, acabam por perder também o sentido de auto preservação, o que os leva a arriscar a vida em defesa de causas que não avaliam nem criticam. É nossa obrigação trabalhar e melhorar a nossa própria integridade e nunca devemos consentir que nos conduzam como peões num jogo de xadrez. Waldo Emerson disse: "Cada coração vibra como a corda de aço. Confia em ti. Ouve o som da tua corda e segue-o".

 

Milhares de milhões de dólares são anualmente gastos para custear guerras. Seria caso para pensar nos problemas na frente interna que requerem atenção. Não será absurdo gastar milhões e milhões de preciosos dólares no estrangeiro para matar americanos e gentes de outras nacionalidades, destruir cidades e famílias, praticar actos que só trazem má fama entre as nações do mundo, quando tais recursos poderiam ser aplicados na solução de problemas, tanto internos como internacionais, que contribuiriam efectivamente para a salvação de vidas humanas e para a criação de possibilidades e oportunidades para povos menos favorecidos?

 

A sociedade manipulou a nossa maneira de pensar. O medo foi disseminado e apoderou-se dos espíritos. Isso preparou-nos para abdicarmos do nosso auto controlo a favor de terceiros que se nos apresentam como elite. A partir desse momento, a nossa lista de prioridades altera-se. Voltando a Emerson, este previne-nos que " a sociedade por toda a parte é uma conspiração contra a humanidade e contra cada um dos seus membros".

 

Os primeiros governantes americanos ensinaram o povo a não se envolver em questões alheias. Eles sabiam o que diziam, mas os dirigentes de hoje não assimilaram correctamente tais ensinamentos. Os chamados "pequenos envolvimentos" americanos no Médio Oriente são causa de grande perturbação na política mundial. Sendo membros das Nações Unidas, uma guerra contra o terror (leia-se petróleo) com 10 anos de duração não favorece a imagem dos EUA. Além disso indispõe o Irão, a Coreia do Norte e a China que já de si não serão os nossos maiores amigões (biggest buddies), e prejudica a reputação americana, tanto na Europa como no resto do Mundo. Dir-se-ia que os EUA estão a juntar lenha para uma fogueira onde se podem queimar. Sendo os EUA o principal super-poder mundial, cabe-lhes a obrigação de dar o exemplo e esforçar-se por estabelecer a paz e a harmonia entre os seres humanos. Note-se: - não entre Chineses, Católicos, Americanos, Iraquianos, Turcos, Gregos, Britânicos, Gays, Pretos ou Brancos, mas entre Humanos. E, a propósito, lembro de novo palavras de Emerson: " A inveja é o produto da ignorância."

 

Nós vimos como se tomam as decisões erradas, como se desperdiçam vidas inestimáveis e dinheiro precioso para aumentar a confusão no mundo em que vivemos. Assassinam-se milhares de seres, de um e outro lado da barricada; desviam-se atenções e recursos para aplicações erradas e assim incrementa-se a perturbação das mentes dos povos e a inerente possibilidade – ainda que remota – de uma III Guerra Mundial. E tudo isto por causa do petróleo.

 

Eu peço-vos que escutem a vossa consciência interior e confiem no que ela vos diz em vez de confiar nesses políticos que se dirigem a vós, com um sorriso fascinante, aberto de orelha a orelha, que mal disfarça um evidente sentimento de culpa.

 

Lembrem-se de um episódio famoso. Há perto de cento e cinquenta anos, Henry Thoreau, poeta, discípulo de Emerson, recusou-se a pagar impostos porque o governo americano se envolveu numa guerra contra o México. Por mor dessa atitude, foi preso e, na cadeia, escreveu o seu famoso ensaio "Da Desobediência Civil" que inspirou Léon Tolstoi e, por via deste, Mahatma Gandhi. Ali proclamou que "governa melhor quem menos governa", ou seja, quem menos constrange os cidadãos e lhes tolhe a iniciativa.

 

 Toledo, Ohio, 27 de Março de 2010

 

 Guilherme Oliveira

 

Tradução do ensaio apresentado por um estudante português, agora a finalizar o seu curso liceal numa High School americana, e ali discutido em aula.

CURTINHAS Nº 77

 

PONTO DE ORDEM À MESA

 

 De cada vez que ouvir funcionários públicos, funcionários de empresas públicas, funcionários de empresas de capitais públicos, funcionários de fundações constituídas e alimentadas com dinheiros públicos, sindicalistas e outros que tais a gritarem que não podem ser eles, sempre os mesmos, a suportar a saída da crise, levantar-me-ei para dizer bem alto:

 

- Não me endividei para comprar o que não podia pagar;

- Não foi por minha causa que os Bancos se endividaram no exterior até à ponta dos cabelos;

- O Estado não me deu emprego (nem sequer a misericórdia de um trabalho);

- O Estado não me pagou salários;

- O Estado não me fez a atenção de uma prestação social (que também não requeri);

- O Estado não cuidou de mim (porque felizmente não estive doente);

- A Justiça não me inspira confiança;

- Se tivesse filhos em idade escolar, benzer-me-ia porque o Estado não me dá o direito de escolher a escola que melhor me pareça;

- Em suma, nada recebi do Estado (e também nada pedi) - e não terá sido por minha causa que o Estado se endividou para lá do razoável;

- E vou pagar esta crise, como todos os demais, com língua de palmo;

- E faço-o na esperança (ténue, muito ténue) de que os sacrifícios que me esperam tenham algum préstimo.

 

 Já agora, aproveitarei para esclarecer funcionários públicos, funcionários de empresas públicas, funcionários de empresas de capitais públicos, funcionários de fundações constituídas e alimentadas com dinheiros públicos, sindicalistas e outros que tais que quem tem pago crises e desvarios é, sempre e só, o contribuinte (onde eles também se incluem, naturalmente, na medida da carga fiscal que suportem).

 

 Aqueles de Vosselências que estejam na mesma situação que eu, façam o favor de se pronunciarem.

 

 A. Palhinha Machado

UMA SELA POR UMA CELA

 

Esta é a história de Telo, João e Teotónio.

 

Chegou, pois, o tempo de Deus decidir dar cumprimento ao voto formulado pelo presbítero Telo. Comprara ele, casualmente mas não sem a intervenção de Deus, em Montpellier uma sela que era muito bem trabalhada e era mais que excelente para montar a cavalo. Certo dia em que o arcediago seguia montado numa mula pela porta de Coimbra e caminhava como habitualmente pela Rua Régia, aperceberam-se dela os cortesãos que notaram o seu bom recorte. Alguém de entre os conselheiros deteve a atenção na sua elegância e propôs ao Infante que pedisse ao arcediago para lha dar. Sem demora, satisfez ele o pedido sugerindo em troca a oferta dos Banhos Régios ao fundo da judiaria. Todavia, porque o juízo real se move por outros motivos que não os nossos, o príncipe, cheio de respeito, embora dando largas à alegria com olhar rasgado e rosto sorridente, respondeu que primeiro teria de ver o assunto, bem lembrado das palavras do sapientíssimo rei Salomão “tudo faz com conselho para não te arrependeres”. Deus, porém, da atalaia da Providência, favorecia os santos desejos do seu presbítero, aos ouvidos do rei e de Hermígio, seu mordomo-mor (paz à sua alma), que ocupava o lugar cimeiro da hierarquia e era homem de grande valor e prudência e mais do que nenhum outro conselheiro do rei nosso senhor, fez chegar a inspiração de apoiar todos os planos do arcediago. Assim aconteceu. Com efeito, por sugestão divina, é-lhe passado um documento autenticado com as armas reais.

 

Filho do arcediago da Sé de Coimbra, viajara Telo a Jerusalém em peregrinação ao Santo Sepulcro. No regresso permaneceu alguns meses em Bizâncio navegando de seguida até Marselha e rumando depois a Montpellier onde decidiu comprar uma sela que lhe permitisse cavalgar com algum conforto até Coimbra.

 

 

D. João Peculiar

 

Fervoroso adepto da reforma gregoriana, encontrou no presbítero João Peculiar, mestre-escola da Sé de Coimbra, o correligionário que lhe faltava para a implantação da nova doutrina naquela que então era uma região de fronteira com o Islão.

 

Foram razões ideológicas que os levaram a travar amizade com Teotónio, presbítero que já estivera duas vezes em Jerusalém e que para lá tencionava regressar a título definitivo. Convenceram-no a ficar em Coimbra para fundarem uma nova congregação religiosa que, no meio da sociedade, pregasse a Palavra e desse o exemplo de vida apostólica.

 

Foi nos antigos Banhos Régios – que o Infante Afonso Henriques oferecera a Telo por troca duma sela – que no dia 28 de Junho de 1131 lançaram a primeira pedra da nova igreja, a de Santa Cruz de Coimbra.

 

 

 

Ali foi Teotónio o primeiro Prior; subiu aos altares e ficou na História conhecido como S. Teotónio.

 

Ficheiro:Valença - Estátua de S Teotónio.jpg

 

S. Teotónio

 

João Peculiar foi de Coimbra para Braga como Arcebispo defensor da nacionalidade portuguesa contra a constante ofensiva do rival Arcebispo de Santiago de Compostela; não subiu aos altares mas desempenhou a elevada função de conselheiro principal do nosso primeiro Rei.

 

Telo, fundador da Ordem de Santa Cruz, criou à sua volta um escol de letrados que viria a dar origem a uma das Universidades mais antigas do velho continente, a de Coimbra.

 

Eis como uma sela trocada por uma cela foi estrutural na criação de uma Nação.

 

Março de 2010

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

NOTA: D. Telo e S. Teotónio foram pessoas diferentes e não uma só como certa informação dá a entender nomeadamente na Internet

(v. Mattoso, op. cit. pág.80 e seg.)

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Mattoso, José – D. AFONSO HENRIQUES, Círculo de Leitores, Outubro de 2006

 

Sobre S. Teotónio, http://pt.wikipedia.org/wiki/São_Teotónio

 

Sobre D. João Peculiar, http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Peculiar

 

PATERNALISMO ESTATAL

 

 
É impossível levar o pobre à prosperidade através  de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deverá trabalhar sem receber...  O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro  alguém... 
Quando metade da população entende a ideia de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e  quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao  começo do fim de uma nação!!!...
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a...
 

Adrian Rogers

 

 

 

RENDIMENTO MINIMO

 

…VERDADEIRA QUALIDADE DE VIDA

 

 

Qualidade de vida é receber € 800,00 mensais (ou mais) para não fazer nada.

 

Qualidade de vida é levantar à hora que se quer porque os outros trabalham para ele.

 

Qualidade de vida é ter como única preocupação escolher a pastelaria onde vai tomar o pequeno-almoço e fumar as suas cigarradas, tudo pago com os impostos dos outros.

 

Qualidade de vida é ter uma casa paga pelos impostos dos outros, cuja manutenção é paga pelos impostos dos outros, é não ter preocupações com o condomínio, com o IMI, com spreads, com taxas de juro, com declaração de IRS.

 

Qualidade de vida é ter tempo para levar os filhos à escola, é ter tempo para ir buscar os filhos à escola, é poder (não significa querer) ter todo o tempo do mundo para acarinhar, apoiar, educar e estar na companhia dos seus filhos.

 

Qualidade de vida é não correr o risco de chegar a casa irritado, porque o dia de trabalho não correu muito bem e por isso não ter a paciência necessária para apoiar os filhos nos trabalhos da escola.

 

Qualidade de vida é não ter que pagar € 250,00 de mensalidade de infantário, porque mais uma vez é pago pelos impostos dos outros.

 

Qualidade de vida é ainda receber gratuitamente e pago com os impostos dos que trabalham o computador Magalhães que de seguida vai vender na feira de Custóias.

 

Qualidade de vida é receber gratuitamente todo o material didáctico necessário para o ano escolar dos seus filhos e ainda achar que é pouco.

 

Qualidade de vida é ter as ditas instituições de solidariedade social, que se preocupam em angariar alimentos doados pelos que pagam impostos, para lhos levar a casa, porque qualidade de vida é também nem sequer se dar ao trabalho de os ir buscar.

 

Qualidade de vida é não ter preocupação nenhuma excepto saber o dia em que chega o Carteiro com o cheque do rendimento mínimo.

 

Qualidade de vida é poder sentar no sofá sempre que lhe apetece e dizer: TRABALHAI OTÁRIOS QUE EU PRECISO DE SER SUSTENTADO.

 

Qualidade de vida é não ter despesas quase nenhumas e por isso ter mais dinheiro disponível durante o mês do que os tais OTÀRIOS que trabalham para ele.

 

Qualidade de vida é ainda ter tempo disponível para GAMAR uns auto-rádios, GAMAR uns carritos e ALIVIAR umas residências desses OTÀRIOS que estão ocupados a trabalhar OU ASSALTAR uma ourivesaria.

 

Qualidade de vida é ter tudo isto e ainda ter uma CAMBADA DE HIPÓCRITAS a defende-lo todos os dias nos tribunais, na televisão, nos jornais.

 

Isto sim, isto é qualidade de vida.

 

 

 

(Autor desconhecido, recebido por e-mail)

 

AFEGANISTÃO - 1

 

Eça de Queiroz foi um observador arguto da guerra do Afeganistão, não a do Obama, mas a dos ingleses imperiais do séc. XIX e sobre ela escreveu páginas implacáveis que talvez os nossos governantes, já que os estrangeiros não sabem português, tivessem interesse e proveito em ler e meditar.

 

Aí vão elas (escritas em 1880). Extracto do livro “CARTAS DE INGLATERRA.

 

 

 

A guerra do Afeganistão vista por Eça de Queiroz

 

"Os ingleses estão a experimentar, no seu atribulado império da Índia, a verdade desse humorístico lugar comum do séc. XVIII: 'A História é uma velhota que se repete sem cessar'.

 

O Fado e a Providência, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episódios da campanha do Afeganistão em 1847, está a simplesmente fazer uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.

 

Em 1847 os ingleses, "por uma Razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do Império, uma barreira ao domínio russo da Ásia..." e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornais tenham telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.

 

No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes enérgicos, Messias indígenas, vão percorrendo o território e com os grandes nomes de "Pátria" e de "Religião", pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o "homem vermelho", e em pouco tempo é tudo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a estrada da Índia... E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o.


Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exército refugiam-se nalguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Kandahar: os afegãos correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientais: o general sitiado, que nessas guerras asiáticas pode sempre comunicar, telegrafa para o vice-rei da Índia, reclamando com furor "reforços, chá e açúcar"! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou há dias este grito de gulodice britânica; o inglês, sem chá, bate-se frouxamente). Então o governo da Índia, gastando milhões de libras, como quem gasta água, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colinas de açúcar e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavalos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.

 

Esta hoste desembarca no Industão, junta-se a outras colunas de tropa índia e é dirigida dia e noite até à fronteira em expressos a quarenta milhas por hora; daí começa uma marcha assoladora, com cinquenta mil camelos de bagagens, telégrafos, máquinas hidráulicas e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornais. Uma manhã avista-se Kandahar ou Ghasnat;- e num momento, é aniquilado, disperso no pó da planície o pobre exército afegão com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneráveis colubrinas do modelo das que outrora fizeram fogo em Diu. Ghasnat está livre! Kandahar está livre! Hurrah! Faz-se imediatamente disto uma canção patriótica; e a façanha é por toda a Inglaterra popularizada numa estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com veemência, no primeiro plano, entre cavalos empinados e granadeiros belos como Apolos, que expiram em atitude nobre! Foi assim em 1847; há-de ser assim em 1880.

 

No entanto, em desfiladeiro e monte, milhares de homens que, ou defendiam a pátria ou morriam pela "fronteira científica", lá ficam, pasto de corvos – o que não é, no Afeganistão, uma respeitável imagem de retórica: aí, são os corvos que nas cidades fazem a limpeza das ruas, comendo as imundices, e em campos de batalha purificam o ar, devorando os restos das derrotas.

 

E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, que resta por fim? Uma canção patriótica, uma estampa idiota nas salas de jantar, mais tarde uma linha de prosa numa página de crónica…

 

Consoladora filosofia das guerras!

 

No entanto, a Inglaterra goza por algum tempo a "grande vitória do Afeganistão" – com a certeza de ter de recomeçar, daqui a dez ou quinze anos; porque nem pode conquistar e anexar um vasto reino, que é grande como a França, nem pode consentir, colados à sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanáticos, batalhadores e hostis. A "política" portanto é debilitá-los periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades dum grande império.

 

Antes possuir apenas um quintalejo, com uma vaca para o leite e dois pés de alface para as merendas de Verão…”

 

 

Foi assim em 1847, foi assim em 1880. É assim em 2009. Alguém será capaz de traduzir estas páginas para Obama? O problema é outro: será que ele ou qualquer americano "controlado" entenderá o texto?

 

 Adriano Miranda Lima

 

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