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A bem da Nação

QUINTANARES

 

 
Foi ontem que Carlos Drummond de Andrade me disse que não fora ele mas sim Cecília Meireles a inventar esse enigmático verbo «quintanar». E logo nasceu o substantivo «quintanar» cujo plural só pode ser «quintanares».
 
E do que se trata? Tão simplesmente do modo como Mário Quintana fazia poesia: vivendo e sonhando. Por isso a forma não é certa. Tanto pode ser métrica como livre e até pode mesmo ser prosa. Mas é sempre poesia.
 
Mário Quintana
(1906 - 1994)
 
 
AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida, a verdadeira,
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém, ao voltar a si da vida,
acaso lhes indaga que horas são...
 
 
Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve e o amor mais breve ainda...
 
 
O SILÊNCIO
Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...
 
E para quem foi por três vezes rejeitado pela Academia Brasileira de Letras, não espanta que à quarta vez tenha sido a própria Academia a convidá-lo e ele a rejeitar o convite.
 
Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro Mário Quintana
 
Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia – Luís Fernando Veríssimo
 
 
QUINTANARES  - Augusto Meyer e Manuel Bandeira
 
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas, luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares,
Quer no horror dos lupanares,
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.


Afinal, a autoria da expressão «quintanar» não tem importância nenhuma pois o que conta é a obra de Mário Quintana, esse poeta tão desconhecido fora do Brasil até há relativamente pouco tempo. Eu, por exemplo, só o conheci por volta dos meus 60 anos de idade em vez de o ter lido quando frequentava o ensino secundário.
 
Mas ainda estou a tempo… Espero!
 
Lisboa, 27 de Novembro de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
 
Bio-bibliografia
 
 
Mário Quintana, poeta gaúcho nascido em Alegrete a 30 de Julho de 1906, morreu a 5 de Maio de 1994, em Porto Alegre. Trabalhou em vários jornais gaúchos. Traduziu Proust, Conrad, Balzac e outros autores de importância. Em 1940, lançou a Rua dos Cataventos, seu Primeiro livro de poesias. Ao que seguiram Canções (1946), Sapato Florido (1948), O aprendiz de Feiticeiro (1950), Espelho Mágico (1951), Quintanares (1976), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), A Vaca e o Hipogrifo (1977), Prosa e Verso (1978), Baú de Espantos (1986), Preparativos de Viagem (1987), além de varias antologias.
 
 
BIBLIOGRAFIA:
 
Carlos Drummond de Andrade – Auto-retrato e outras crónicas – Ed. RECORD, Brasil
Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana
Jornal da Poesia – http://www.jornaldepoesia.jor.br/quinta.html#biografia
 

MEMÓRIAS DO PORTUGAL ATLÂNTICO

 

 
D. João V
(1689 - 1750)
 
Em meados do século XVIII, desejava D. Luís  da Cunha,   então Ministro de Portugal em Paris, que Alexandre de Gusmão, secretário privado de El-Rei D. João  V,   obtivesse a anuência real  para o seu projecto  de reunir em Lisboa a Conferência da Paz que poria fim à Guerra da Sucessão de Áustria   – na qual intervinham a  França e a Prússia, de um lado e, do outro, a Áustria e  a Inglaterra -  o que permitiria atribuir a D. João V o papel  de árbitro da paz – papel que, se assumido, dilataria a visibilidade europeia da coroa portuguesa e  consequentemente a sua ponderabilidade no concerto das nações.
D. Luís da Cunha
(1662 - 1749)
 
Gusmão cuidou  do assunto e deu conta das suas diligências  em carta a D. Luís reproduzida no livro "Inéditos de Gusmão", editado por Tipografia Guimarães, no Porto, em 1841, donde se transcreve.
 
Exmº Sr.
“Ainda que eu  já sabia, quando recebi a carta de V. Ex.ª, que  não havia de vencer o negócio em que V. Ex.ª se empenhou, com tudo por obedecer e servir V. Ex.ª, falei a S. Majestade, e aos ministros actuais do Governo.
Primeiramente o Cardeal da Mota ([1])  E me respondeu: - que a proposição de V.x.ª era inadmissível, em razão de poder resultar della ficar El-Rei obrigado ao cumprimento do tratado; o que não era conveniente. Em quanto fallamos na matéria se entreteve o Secretário de Estado, seu Irmão, na mesma casa em alporcar uns craveiros; que até isto fasem ali fora do lugar, e tempo  próprio.    
Procurei falar a S. Reverendíssima mais de três veses primeiro que me ouvisse; e o achei contando a aparição de Sancho a seu amo, que traz o padre Causino na sua Corte Santa; cuja historia ouvião com grande atenção o Duque de Lafões, o Marquez de Valença, Fernão  Martins Freire, e outros. Respondeu-me: Que Deus nos tinha conservado em paz, e que  V. Ex.ª queria metter-nos em arengas; o que era tentar a Deus.
Finalmente, falei a El-Rei  [seja por amor de Deus]. Estava perguntando ao Prior da Freguesia o quanto rendiam as esmolas das Almas, e pelas Missas que se disião por elas! Disse-me que a proposição de V. Ex.ª era muito própria das máximas Francesas com as quais V. Ex.ª se tinha connaturalisado; e que não prosseguisse mais.
Se V. Ex.ª caísse na materialidade [do que está muito livre] de querer instituir algumas Irmandades, e me mandasse falar nellas, haviamos de conseguir o empenho e ainda merecer-lhes alguns prémios”
A pessoa de V. Ex.ª ª guarde Deus como desejo, para defensa e crédito de Portugal.
Lisboa a 2 de Fevereiro de 1747.Alexandre de Gusmão, em óleo de Oswaldo Teixeira, acervo do Museu Paulista, em São Paulo
                                      Alexandre de Gusmão
                                             (1695 - 1753)
 
 
João da Mota e Silva
Cardeal da Mota
(1685 - 1747)
 
"O tempora, o mores", diria Cícero. Como as coisas mudam! Pouco mais de dois séculos e meio depois, reuniam-se em Lisboa os chefes de Governo europeus para ratificarem o instrumento diplomático que estabelece a nova Constituição Europeia e leva o nome de Tratado de Lisboa. Os sonhos e desejos de D. Luís da Cunha (discretamente partilhados por Gusmão)  realizaram-se mas para isso foi preciso primeiro acabar com "as arengas" europeias. E isso levou o seu tempo.
 
Estoril, 5 de Dezembro de 2009
 
 Luís Soares de Oliveira
 


[1] Primeiro Ministro

 

LUSOFONIA – 8

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O MODELO DO FUTURO E
O SIGNIFICADO DA PALAVRA – 2
 
 
 
 
A primeira pergunta que coloco é muito simples: haverá alguma alternativa plausível ao cenário de globalização em curso?
 
De resposta muito dúbia, parece mais fácil procurarmos um modelo próprio de desenvolvimento compatível com o que nos é servido do que estarmos a tentar mudar por nós próprios o rumo da História do mundo. Não temos hoje a importância relativa que tivemos no séc. XV mas também nunca tanto como hoje a decisão colectiva passa pelo somatório das decisões individuais.
 
E se não podemos discutir a História e o rumo que ela se prepara para tomar, entremos nesse barco e viabilizemo-nos dentro dele.
 
E é nessa tentativa de viabilização que as perguntas continuam:
  • Com que massa cinzenta poderemos contribuir para o desenvolvimento desta aldeia global?
  • Que teses académicas com inquestionável repercussão científica internacional são na origem escritas em português?
  • No ranking mundial de Universidades, em que lugares se colocam as instituições da Lusofonia?

Universidade de Évora - visit the school website

Universidade de Évora

 

  • Que estrangulamentos existem no mundo lusófono para que ainda hoje, séc. XXI adentro, continuemos sujeitos ao flagelo do analfabetismo?
  • Que forças gravitam na actualidade em torno das nossas elites: centrífugas como antigamente ou finalmente centrípetas?
 
Se não dermos respostas a estas questões, então não teremos lugar na História e não mais haverá centro, periferia nem palavra digna de nota.
 
Eis que, assim, o modelo do futuro
 
  • Passa pela transformação das elites em elementos agregadores das nossas sociedades não mais podendo constituir instrumentos da repulsa;
  • Passa pelas Diásporas a servirem o engrandecimento dos Centros;
  • Passa pela pluricidadania lusófona;
  • Passa pela vulgarização da palavra.
 
E se as elites têm que passar a congregar o resto das gentes, teremos que:
 
    • Banir os resquícios de corporativismo que ainda nos entorpecem a actualidade, v.g. as Ordens profissionais e seu imperial magistério;
    • Promover rapidamente a concorrência inter-universitária dentro de cada país, no espaço lusófono e no mundo inteiro;
    • Garantir uma claríssima elevação do nível médio cultural dos nossos povos;
    • Promover o analfabetismo adulto a “coisa” do passado.
 
E se as Diásporas devem passar a servir os Centros, isso significa que a emigração não mais deve continuar a ser uma tábua de salvação a que os deserdados se agarram avidamente, para passar a ser um instrumento de obtenção da dimensão empresarial que o mercado doméstico é incapaz de garantir.
 
E se a solidariedade não é palavra vã, então Portugal tem a obrigação histórica de promover um estatuto de acolhimento especial a todos aqueles povos que alguma vez governou por esse mundo além, tudo culminando num processo de pluricidadania lusófona, em clara fraternidade internacional.
 
E se “é a falar que a gente se entende”, então temos que fazer com que o Instituto Camões deixe de divulgar a nossa palavra apenas nas Academias e Universidades para passar a fazê-lo com as portas abertas directamente para a rua, que é onde os povos se cruzam.
 
Por tudo isto eu digo que o modelo vigente se esgotou.
Por tudo isto eu digo que não me preocupo mais com o “politicamente correcto”.
 
Felizmente, temos um grande sentido claustrofóbico, não cabemos no nosso Centro e, sem pretensões hegemónicas, levamos a nossa Cultura onde os caminhos do mundo nos conduzem. E é por não querermos a hegemonia que por vezes a obtemos, porque somos admitidos pelos que nos recebem, porque a nossa é uma perspectiva de vida, de a todos deixarmos viver, com todos vivermos e até com todos nos misturarmos em pé de igualdade, sem sobrancerias mas cujo grande problema da actualidade é, afinal, no território europeu, o da reposição demográfica. Assim, com a naturalidade da vida, vemos os factos que se nos apresentam.
 
E já que Cultura é a perspectiva com que se observa o facto, façamos com que onde nós estivermos esteja a Cultura Lusófona.
 
Este, o meu convite ao significado da saga dos filhos de Ofiuza, a terra da serpente.
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 

A BATALHA DE MONTES CLAROS ...

 

... E O SEU SIGNIFICADO NA ESTRATÉGIA DA RECONQUISTA DA NOSSA INDEPENDÊNCIA
                                                     
                                                     
 
      A batalha de Montes Claros, ferida em 1665 no lugar alentejano conhecido por esse nome, foi a cartada final da estratégia militar portuguesa para a defesa da independência nacional. Longo fora o percurso iniciado no Terreiro do Paço em 1 de Dezembro de 1640, mas a decisiva vitória alcançada em Montes Claros conduziria ao acordo de paz entre os beligerantes.
 
      A vitória obtida nesta batalha foi, assim, o corolário de toda uma estratégia geral iniciada por D. João IV que, em crescendo, e tendo mais tarde à frente o 3º conde de Castelo Melhor e o conde de Schomberg, viria a aprontar Portugal com as condições necessárias para se poder opor, decisiva e energicamente, aos desígnios unificadores da Espanha.
 
      No âmbito da estratégia política interna, foi decisiva a política de afirmação da autoridade do monarca restaurador, em simultâneo com a recuperação económica e financeira do país levada a cabo com o lançamento do imposto de guerra e outras medidas paralelas. Não foi fácil vencer a oposição de indecisos, oportunistas e prosélitos remanescentes do rei de Espanha, que se manifestaram nos primeiros anos da Restauração, congeminando erupções conspiratórias. Por vezes, foi preciso usar de pertinácia e ductilidade táctica na relação com os sectores sociais mais influentes, em especial com a Igreja e a Inquisição, quando as prioridades do Estado colidiam perigosamente com interesses particulares ou quando a finalidade da repressão religiosa se confundia sub-repticiamente com objectivos inconfessáveis
 
      Reorganizou-se a estrutura de direcção política do Estado, na metrópole e no ultramar e retomou-se gradualmente o controlo militar e administrativo de todos os domínios, à excepção de Ceuta, que nunca se recuperou. Se tivermos em conta a diferença abismal entre as tecnologias do mundo de hoje (projecção de meios militares em teatros de operações distantes, comunicações, transportes, etc) e os recursos disponíveis no século XVII, a acção empreendida por Portugal foi algo de verdadeiramente colossal, o que nos impele a reflectir sobre a tibieza e a frouxidão de ânimo que às vezes parecem tolher os nossos passos nos desafios da actualidade, tanto mais quando, ontem como hoje, éramos um país de bem menor capacidade demográfica que os seus opositores, na disputa dos mesmos interesses.
 
      Mas a estratégia militar é seguramente a menina bonita do esforço realizado por Portugal ao longo da trajectória da Restauração. Partindo de uma situação de manifesta vulnerabilidade e de potencialidades diminuídas, foi preciso mobilizar a nação para pegar em armas e defender a sua independência contra um dos mais poderosos, experimentados e modernos exércitos da Europa. Portugal não possuía praticamente exército em 1640, pelo que foi preciso recuperar os alicerces das antigas estruturas institucionais para obrar um aprontamento militar à altura das circunstâncias. A luta pela defesa da independência foi um continuum de esforço e de vontade que atingiram o cume quando o notável estadista, conde de Castelo Melhor, tomou nas suas mãos as rédeas do país. Uma das cartadas decisivas foi a escolha do Alentejo como o teatro de operações onde tudo se decidiria, bem como a percepção da importância fundamental dos serviços do conde de Schomberg, cujo papel foi decisivo na modernização e actualização doutrinária do exército e na condução das batalhas finais e decisivas.
 
      É certo que a Restauração ficou decisivamente a dever-se às elites sociais que nunca sentiram estiolar o seu amor pátrioe que, junto do seu Rei, fizeram a balança pender para o lado do Portugal livre, nos momentos em que alguns quiseram lançar a dúvida e semear o descrédito. Mas o povo anónimo, tal como já acontecera na revolução de 1385, foi uma constante de patriotismo e generosidade em todas as horas críticas, desde o Terreiro do Paço em 1 de Dezembro de 1640 ao campo de batalha em Montes Claros em 1665. O patriotismo pode, em certas conjunturas, andar aos baldões no coração de certas classes sociais, mas na alma do povo é nas horas difíceis que esse sentimento ressuscita com mais vigor e energia.
 
      Neste novo século, os desafios que enfrentamos são incomparavelmente menos espinhosos do que os que arrostámos naqueles tempos dramáticos de outrora, quando o preço a pagar pela nossa indiferença ou pusilanimidade seria por certo a perda da independência.Hoje, as armas que queremos utilizar são para um campo de batalha diferente, porventura benigno mas nem por isso menos exigente, pois a vitória que almejamos é sobre a pobreza, a doença e a ignorância. Hoje, a Espanha é um país vizinho com o qual não rivalizamos senão na porfia da inovação, do querer e da determinação, para construirmos, cada um a seu modo, sociedades humanas tão dignas e tão prósperas como as mais avançadas. Contudo, nesta encruzilhada para a construção do futuro, é importante ter sempre presente que as armas podem ser diferentes, mas a alma com que as brandimos em nada pode diferir daquela que agigantou os nossos antepassados naquele dia 17 de Junho de 1665 em Montes Claros.  
 
 
Adriano Miranda Lima

LUSOFONIA – 7

 

  UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O MODELO DO FUTURO E
O SIGNIFICADO DA PALAVRA – 1
 
Farto que estou de ver os resultados do liberalismo friedmaniano[1], apetece-me invocar Friedrich List e dizer que a livre troca universal, entre todos os países do mundo, apenas será possível num estádio último do desenvolvimento.
 
Os países só podem progredir se seguirem políticas que lhes sejam úteis, nunca políticas que lhes possam ser prejudiciais. A adopção prematura do comércio livre planetário confirma as vantagens que desse modelo alcançam os países industrializados mas os países em desenvolvimento deviam poder proteger as suas actividades nascentes até conseguirem recuperar do atraso relativo. Numa perspectiva em que coubesse a auto-defesa, não fazem sentido instituições como a Organização Mundial do Comércio e muito menos Cimeiras como as de Doha em que se pretende assegurar que todos os países se devem desarmar e deixar o comércio totalmente livre.
 
Eu, que sou rico, entrarei na tua casa com os meus produtos; tu, que és pobre, entrarás na minha se conseguires.
 
A integração entre os EUA, o Canadá e a UE fazem todo o sentido constituindo uma Convenção Transatlântica de Comércio Livre mas o livre comércio entre os EUA e o México significa a anulação deste. Nos corredores da diplomacia internacional o México fica muito agradecido aos EUA porque estes o transformam na linha de montagem dos produtos industriais que ainda requerem mão-de-obra intensiva, desde que esta seja barata. Quando deixar de o ser, a linha de montagem muda-se para outro local mais barato e assim sucessivamente até chegar ao mais fundo buraco do mundo. Entretanto, o mexicano ficou desempregado e muito provavelmente sem nada mais saber fazer do que juntar as peças daquele produto que já não existe. E se um mínimo de providência existir, o Estado mexicano que suporte esse desemprego, que se endivide para pagar esses novos custos, que negoceie nos mercados internacionais de capitais o financiamento da despesa que lhe poderá talvez evitar a eminente ruptura social.
 
 
 
Assim é que ao liberalismo friedmaniano apenas interessam a livre circulação de mercadorias e de capitais mas não a da mão-de-obra. Nisso recebeu um inesperado apoio das conservadoras forças sindicais do mundo desenvolvido que também não admitem o livre estabelecimento de pessoas, não vá a imigração “furar” o status quo, as convenções colectivas de trabalho. Eis como no mundo desenvolvido os sindicatos se transformaram nas forças mais conservadoras, adversas a qualquer espécie de solidariedade para com os efectivamente necessitados oriundos do terceiro mundo, defensoras acérrimas dos vários “Espaço Schengen” e “Fortaleza Europeia” que existam por esse mundo fora.
 
E como deveremos nós, os Estados lusófonos, enquadrar um processo destes? Ficando-nos pela discussão da sintaxe e do hífen? Como poderemos compatibilizar Schengen e a CPLP? Eis algumas das questões que merecem reflexão num quadro bem diverso daquele que nos vem sendo permitido.
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca


 

 

NAFTA - North America Free Trade Agreement


[1] - De Milton Friedman

POSTAIS ILUSTRADOS XXXIII

 

 
AUTO DA SABEDORIA PARALAMENTAR
 
O Estupefactociente
 

A dúvida é o princípio da sabedoria. Aristóteles

 
 
Ciente da sua fácil, razoável e inteligente oratória (digo razoável, porque não tenho a certeza da sua inteligência!) o Tribuno levantou-se e espantou todos de estupefacção com os seus dons de clarividência oratória tribunícia.
 
Falou ele de que o que estava “antes” e não estava “depois” afinal sempre “lá” esteve. Ou seja, transcendentemente, não foi, nem era. É! Estava estupefacto pelo Assessor que já não era Assessor e ele tinha a certeza disso porque a leitura que fizera dos jornais diários que lhe afirmavam que o Homem já era. Tinha sido corrido. Afinal não tinha sido corrido, estivera sempre no mesmo lugar, contrariando as mais elementares leis da física, de que uma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse dom da ubiquidade era da exclusiva competência do Senhor. E o próprio Senhor viera à Tribuna Mediática afirmar isso com ar muito sério, e quando o Senhor vinha à Tribuna Mediática falar ao seu Povo com ar muito sério e olhar penetrante ou os jornais diários O citavam sem qualquer desmentido, era porque era verdade.
 
E aquela coisa de a ubiquidade ser da exclusiva competência do Senhor até lhe tinha sido sussurrada ao ouvido por... Aristóteles? “Por isso, caros Tribunos! Estou estupefacto e ciente de que Vossas Excelências também estão!” – arengou ele. “Será isto um problema de escutas?” Risada geral no areópago. “Não, não! Não são os escuteiros que também visitaram a Casa do Senhor! São as escutas, aquelas coisas secretíssimas, mas que toda a gente sabe e que não podem ser ouvidas por todas as orelhas, só por orelhas privilegiadas!
 
Qual a razão da minha estupefacção? Pergunta Vossa Excelência? Estou estupefacto, ciente de que Aristóteles... Vossa Excelência conhece Aristóteles, presumo? Aristóteles mentiu na sua lógica. Um corpo pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo! Isto só é admissível enquadrando a lógica aristotélica na teoria dos tropos, se é que Vossa Excelência conhece essa teoria: a dos tropos! O Senhor provou-me esta insondável Verdade!” Um Tribuno da oposição, farto de tanto palavreado tribunício inútil, pede a palavra e conclui. “A sua estupefacção só me prova que Vossa Excelência é um herege e não conhece as Sagradas Escrituras! Leia A Palavra, porque está escrito nas Sagradas Escrituras:...,”quem dentre os homens sabe as coisas do homem excepto o espírito do homem que está nele? Assim, também ninguém veio a saber das coisas do Senhor, excepto o espírito do Senhor” Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: 2.11. Daí, concluir-se que insondáveis são os caminhos da governação. Não fique estupefacto, não desespere... Tenho dito! ”
 
MORAL DE AUTO
 
“Se tem vivido em desespero, então por mais que ganhe ou perca, para si tudo está perdido”. Kierkegaard.
 
 Luís Santiago

LUSOFONIA – 6

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O DESTINO– 2
 
Logo que se dê um pão a quem nunca o teve, logo há-de querer um chouriço. E disso bem estão cientes os dirigentes que tão bem vêm explorando a insatisfação, a reivindicação e a inveja das massas populares. Os próprios órgãos da comunicação vivem desse mesmo filão sem quererem notar que se transformaram no “coito dos bufos” acautelados pelo segredo profissional. Lembram a Inquisição acautelada pelo segredo do confessionário.
 
Assente a poeira nos caminhos, constata-se com amargura que “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Hoje, como no séc. XV. E se tivéramos um modelo de desenvolvimento de lógica imperial e mercantilista, rapidamente constatámos que nada sabíamos por nós próprios fazer e que era chegado o momento de esmolar. E é precisamente isso que a Europa vem fazendo: dar-nos as esmolas que sublimamos com o faustoso apelido de Quadros Comunitários de Apoio.
 
Mas diz-se por aí que 2013 é o limite dessas esmolas. Ou seja, a partir dessa altura vamos ter mesmo que fazer alguma coisa de jeito.
 
E se Friedrich List (1789 – 1846) se suicidou aos 57 anos em pura antevisão do insucesso internacional das suas ideias (de que a integração só se pode fazer entre quem esteja num mesmo patamar de desenvolvimento) e, pelo contrário,
 
 
Milton Friedman (1912 - 2006) tenha morrido aos 94 anos e em plena glória (pugnando pela globalização como ela se está a processar), isso não obsta a que o primeiro tivesse a razão dos pobres e o segundo a dos ricos.
 
Eis como neste cenário friedmaniano se nos impõe afinal o regresso bem rápido à primazia dos bens transaccionáveis como “pão para a boca” em que – bem àquem da imagem parabólica – o mar se revela como sendo de novo o nosso destino.
 
Como há cinco séculos.
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 
 Henrique Salles da Fonseca

Honestidade, a maior das vergonhas

 

                   
Falávamos nos casos em julgamento, em todos aqueles que são responsáveis pelo clima, dos pioneiros na criação desse clima, que até têm Fundações sem que se lhes veja proveito e que são pagas religiosamente pelas Câmaras, sem que se lhes diga que isso também é uma forma de sugar, de corromper, de convidar outros a usarem de falcatrua, de artimanhas, de dilapidação contínua, e mais outros e outros, e cuja publicidade feita pelos media, deixa os tais pioneiros indignados pelo clima de corrupção identificada, identificação que os pode atingir também um dia, quando lhes passar a aura sob a qual se têm resguardado como salvadores da pátria, na realidade como seus destruidores, aproveitadores da cegueira dos que se alimentam de falácias papagueadas a demonstrar que leram uma qualquer cartilha informativa de proveito próprio.
Falei em seriedade, em honestidade, como valor ético em vias de extinção.
- Oh! A honestidade é a maior das vergonhas!
Isto considerou a minha amiga e sobressaltei-me, julgando que estava a pôr em descrédito a minha idoneidade moral:
O quê?
- Pois! Temos que esconder a cara, se queremos apregoar moral. Isso não existe. Ainda vai presa.
- Não é assim, claro. Felizmente há muita gente séria entre nós. Mas é preciso repolitizar a escola e a família, em termos de disciplina mental e moral. Doutra forma, a sociedade vai cada vez mais descambando em charco pútrido, de papões sem escrúpulos engolindo os parolos, na sua perspectiva omnisciente, que lhes dá a imoralidade omnipotente.
- O pior é que alastra o desemprego, com o alastrar desse clima. Está na ordem do dia. Não sei como se resiste!
- E já viu o jogo de interesses que está por trás da ameaça de pandemia da gripe A? Ao pé de tais enormidades de laboratórios e farmácias, os nossos “jogadores” não passam de uns anjinhos bem vestidos. E a vacina pode ser fatal. Recebi um email com o discurso aterrador da ex-ministra da Finlândia alertando para as intenções de extermínio da humanidade, nessas ameaças sucessivas de variedades gripais, que começam por avisos e acabam em vacinas, distribuídas, no que toca à Gripe A, em quantidades já monstruosas, depois do prévio alastrar de pânico mundial.
- É o que eu lhe digo! A honestidade é a maior das vergonhas! E a nível global, não devemos ser egoístas.
                                                                                                                                                      Berta Brás

1 de Dezembro

 

RESTAURADORES EM 1 DE DEZEMBRO DE 1640
 
Afonso de Menezes, D.
Álvaro Coutinho da Câmara, D.
Antão Vaz d’Almada, D.
António de Alcáçova Carneiro, D.Alcaide-mor de Campo Maior
António Álvares da Cunha,D. 17º Senhor de Tábua
António da Costa
, D.
António Luís de Menezes, D.1º Marquês de Marialva
António de Mascarenhas
, D.
António de Melo e Castro
António de Saldanha – Alcaide-mor de Vila Real
António Teles da Silva – Governador do Brasil
António Telo
, D.
Carlos de Noronha, D.
Estêvão da Cunha
Fernando Teles de Faro
, D.
Fernão Teles de Menezes – 1º Conde de Vilar Maior
Francisco Coutinho
, D.
Francisco de Melo
Francisco de Melo e Torres – 1º Marquês de Sande
Francisco de Noronha
, D.
Francisco de São Paio
F
rancisco de Sousa, D.1º Marquês das Minas
Gaspar de Brito Freire
Gastão Coutinho
, D.
Gomes Freire de Andrade
Gonçalo Tavares de Távora
Jerónimo de Ataíde, D.6º Conde de Atouguia
João da Costa, D.1º Conde de Soure
João Pereira
, D.
João Pinto Ribeiro, Dr.
João Rodrigues de Sá
João Rodrigues de Sá e Menezes, D.3º Conde de Penaguião
João de Saldanha da Gama
João de Saldanha e Sousa
Jorge de Melo
Luís Álvares da Cunha
Luís da Cunha
Luís da Cunha de Ataíde, D.Senhor de Povolide,
Luís de Melo, Alcaide-mor de Serpa
Manuel Rolim, D. – Senhor de Azambuja

Martim Afonso de Melo – Alcaide-mor de Elvas
Miguel de Almeida, D.4º Conde de Abrantes
Miguel Maldonado
Nuno da Cunha de Ataíde, D.1º Conde de Pontével
Paulo da Gama
, D.
Pedro de Mendonça Furtado – Alcaide-mor de Mourão
Rodrigo da Cunha, D.Arcebispo de Lisboa
Rodrigo de Menezes
, D.
Rodrigo de Resende Nogueira de Novais
Rui de Figueiredo – Senhor do morgado da Ota
Sancho Dias de Saldanha
Tomás de Noronha, D. - 3º Conde dos Arcos
Tomé de Sousa - Senhor de Gouveia
Tristão da Cunha e Ataíde - Senhor de Povolide
Tristão de Mendonça
 
TOTAL = 55
 
Fonte: Genea Portugal em http://genealogia.netopia.pt/home/article.php?id=67
 

 

LUSOFONIA – 5

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
O DESTINO – 1
 
Se a diáspora é o preço que temos a pagar pela sobrevivência do nosso Centro, isso resulta de cá dentro não termos a dimensão suficiente para alcançarmos a viabilização no âmbito deste segundo processo de globalização.
 
Mas quando fizemos a primeira globalização do mundo, fomos nós que lhe definimos os contornos, as condições; hoje não controlamos o modo como esta segunda globalização se processa. Da primeira fomos os donos; na segunda pertencemos ao grupo das vítimas.
 
Foi o Império que nos salvaguardou da cobiça vizinha e chagámos a 1974 com um modelo mercantilista que diluiu por completo o esforço material de guerra; foi em 1975 que por exaustão política entregámos o Império a quem mais o cobiçava e, de regresso aos limites europeus, encetámos um processo de distribuição de riqueza … sem cuidarmos de saber se riqueza existia.
 
E que riqueza poderia existir? Despojados do materialismo imperial e herdeiros de uma situação aviltante no que respeita à valorização humana (estimando-se o analfabetismo adulto em 1910 nos 90% e contando em 1974 com uma taxa ainda de 25%), não se via que desse modo pudesse existir forte estrutura intelectual, profissional e produtiva para que alguma coisa sobrasse e pudesse ser distribuída.
 

 

E quando tudo indicava que primeiro haveria que fazer crescer o bolo, logo as bandeiras acenaram para a distribuição do que não existia, para o desequilíbrio comercial com o exterior, para o endividamento externo. Se a isto somarmos o encerramento da fraca estrutura produtiva abalada pelas canções revolucionárias, eis que a Administração Pública surge como o local certo para conseguir uma colocação vitalícia. E se a doutrina então vigente se compatibilizava com a tutela pública sobre as mais recônditas partículas da vida nacional, eis que o funcionalismo público cresce desmesuradamente alcandorando-se a um dos principais pilares do desequilíbrio das Contas Públicas e da geração de importantes tensões inflacionistas.
 
Estrangulado o Ocidente das matérias prima africanas, foi o líder comunista português condecorado Herói Soviético mas havia ainda que cercear a liberal Europa da sua franja atlântica pelo que foi nesta “parte mais fraca” que rufaram os tambores do colectivismo e da solidariedade proletária. E se desta última perspectiva nos libertámos imediatamente sem ajuda externa, já na perspectiva do longo prazo nos foi apontada a Europa como a tábua de salvação contra mais misérias e desgraças. Corriam os tempos em que o Ministro das Finanças passava diariamente pelo Banco central a saber qual a disponibilidade momentânea de divisas e perspectivando desse modo o seu dia de trabalho; desvalorização monetária como artifício para a salvaguarda da competitividade nacional, espiral inflacionista, “cabazes de compras” com preços controlados, descrédito no sistema, incredulidade na viabilidade nacional, recurso ao Fundo Monetário Internacional. E no meio de tudo isso a mulher do então Primeiro-ministro a telefonar indignada ao Ministro do Comércio queixando-se de que no Chiado não encontrara uma única gravata de seda para o marido … A ser verdade o que se conta, Maria Antonieta também terá sugerido ao povo que comesse croissants, já que não havia pão …
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca

 

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