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A bem da Nação

ENSINO

 

 
                                                           Sala de aula     
                                                                                  
Tenho presente uma reportagem do Diário de Notícias de 2/11 sobre as escolas cimeiras em resultados, no nosso país. Considera que entre as dez melhores escolas, sete colégios católicos são os primeiros, e, como base do sucesso, citam parâmetros indiscutíveis de eficácia, como sejam a disciplina, a exigência, o desenvolvimento integral da criança, a estabilidade do corpo docente, o acompanhamento dos alunos e das famílias e as condições sócio-económicas.
 
Como a reportagem vem acompanhada de uma imagem de bonitas raparigas de bonito uniforme, gostaria igualmente de exaltar o uniforme como factor valorativo. Honrar o uniforme foi expressão que dantes ouvíamos, e continuamos a ouvir nos filmes americanos antigos de militares – sejam eles actores, sejam tropas reais – que prezam a sua bandeira, o seu hino, a sua pátria, a sua farda. E que os povos asiáticos, sobretudo, manifestam, no rigor dos suas marchas, de uma beleza feita de disciplina, coesão e o fulgor de energia, própria do respeito, oposta à flacidez do desrespeito.
 
O amar esses valores começa na escola, era indispensável que começasse na escola. A liberdade trazida pela democracia apagou esses dados cívicos, que já as filosofias existencialistas desvalorizavam, a favor da pessoa, no desprezo pela razão opressiva.
 
Cidadãos do mundo” é o que alguns megalomanamente pretendem ser, desprezando a cidadania nacional. Mas sabemos que não é verdade: quem despreza a pátria não é cidadão de coisa nenhuma.
 
Por isso, esses valores deveriam ser incutidos desde o ensino básico, juntamente com a disciplina, juntamente com a exigência.
 
E isso é mais fácil nos colégios católicos, ou mesmo quaisquer outros em que as famílias que pagam exigem resultados. Mas os últimos nem sempre os obtêm, menos rigorosos do que os primeiros na imposição de normas, porque, muitas vezes, depósito de alunos insubordinados que o ensino público rejeitou.
 
Está visto que o ensino público não pode, actualmente, ter a mesma eficácia que o particular. E o primeiro motivo foi a instauração do laxismo, da permissividade, da indisciplina, do desrespeito, trazidos pela barafunda libertária acéfala – para não dizer idiota – da revolução de Abril, e o seguidismo pedagógico dos ministérios da Educação, dentro da mesma linha libertária, direi mesmo criminosa. O absentismo dos professores, tal como o dos alunos fez época, embora admire a corajosa manutenção de responsabilidade e assiduidade de milhares de professores, apesar do clima de anarquia instaurado. Mas essa época teria repercussões futuras degradantes.
 
No meu livro “Cravos Roxos” tenho um capítulo – “Memórias de um professor do liceu” – que dá conta desses percalços educativos de estarrecer, em 1976, no Liceu Passos Manuel.
 
Entretanto, anos passaram, as coisas foram-se equilibrando, lembro com amor outros anos que leccionei, com casos pontuais de indisciplina que nunca me recusei a gerir, pela participação da falta e conselho de turma, onde a minha autoridade não foi desrespeitada, tanto na Escola Secundária de Cascais como na de S. João do Estoril, onde leccionei. Sempre os Directores dessas escolas me apoiaram, porque reconheceram os motivos da minha queixa, e certamente que a de outros professores exigentes, que, por o serem, não deixavam de ser humanos.
 
Hoje, tenho conhecimento de um retorno aos inícios dos anos da Revolução, na indisciplina, na má educação, com troca de mensagens por telemóvel enquanto a professora se esforça por transmitir saberes, um desgaste total de energias de consequências futuras tenebrosas.
 
A unificação do ensino, a massificação, com camadas sociais díspares, tudo isso contribui também para o caos educativo.
 
Mas mais importante do que isso, creio bem que as actuais políticas educativas são responsáveis – no desrespeito que imprimiram no processo de avaliação docente, culpabilizando os professores pelo insucesso, exigindo justificação dele, exigindo fraudulento sucesso, minimizando os saberes, maximizando a futilidade e o aparato de mais fácil entendimento, abandalhando o sentido da exigência cultural pela carga horária que impõem ao professor, impossibilitando-o de uma real formação específica da sua docência.
 
E no entanto, as provas de exame, feitas por professores responsáveis, mantêm a exigência da seriedade, que os programas de ensino reclamam.
 
No percurso dos anos lectivos feito com tantas contingências de imposição ministerial absurda e de indisciplina grosseira, conseguir que os alunos obtenham bons resultados nos exames é acção heróica de todos os professores, certamente, mas especialmente dos do ensino público, assim desapoiados.
    
Berta Brás

 

LIDO COM INTERESSE – 45

 

 
 
 
Título: LIDERANÇA E PODER
Autor: Joseph S. Nye, Jr.
Editores: Gradiva
Edição: 1ª, Abril de 2009
 
 
 
O que é o poder brando e o poder forte, o que é o carisma, quais são os bons e os maus líderes, o que se pode esperar da Ética neste dealbar do séc. XXI, … eis o tipo de questões que o Autor trata com sabedoria ao longo de cerca de 190 páginas de suave leitura.
 
Sim, a boa liderança é importante no sentido de que essa bondade tem que ser eficaz e ética.
 
Quase todas as pessoas podem ser líderes porque a liderança pode ser aprendida; pode existir liderança a qualquer nível, com ou sem autoridade formal.
 
Uma frase que me saltou à vista por influência das causas que geraram a actual crise: «O líder de um bando de delinquentes não possui as capacidades necessárias para ser um académico de sucesso, e vice-versa.»
 
Na prática quotidiana, o sentido de obrigação moral das pessoas tende a provir de três fontes. Uma destas é o sentido de consciência, pessoal ou religioso, que leva os indivíduos a tentarem alcançar um sentido de integridade moral. Uma segunda envolve regras morais comuns que a sociedade exige a todos os indivíduos, e uma terceira corresponde aos códigos de ética profissional e às expectativas convencionais inerentes aos deveres de um indivíduo. - pág. 157
 
Eis como um livro que à primeira vista parecia um arrazoado de banalidades se revelou bem mais substancial do que tantos outros que se apresentam com pompa e circunstância.
 
Novembro de 2009
 
 
 Henrique Salles da Fonseca

Casamento – o referendo

 

 
Seria grave que o Estado violasse o dever de proteger a família como elemento natural e fundamental da sociedade
 
O artigo 16.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem consagra que o homem e a mulher têm o direito de casar e constituir família e acrescenta que "a família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado". Sendo de Direito Natural, não era preciso que o afirmasse. O preceito traduz a realidade quantas vezes dita, ouvida, proclamada, repetida, no elenco dos direitos humanos fundamentais: a família é a célula-base da sociedade. Mas, positivistas que andamos, é melhor tê-lo claramente consagrado na Declaração Universal, cujos sessenta anos celebrámos com entusiasmo há um ano e para cujo valor jurídico interno a nossa Constituição também remete expressamente.
 
O primeiro-ministro, com o país e os portugueses assolados por tantos problemas e dificuldades, decidiu anunciar que quer promover legislação para instituir "o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo". E tem a acompanhá-lo na aventura, que os promotores dessa agenda designaram de "fracturante", a movimentação do BE e do PEV, que já apresentaram projectos de lei de alteração do Código Civil com aquele alcance.
 
Aqui chegados, uma das questões que se põem é a de saber se o quadro político actual tem legitimidade de decisão política para operar uma transformação com aquela dimensão, sem primeiro consultar o povo em referendo. Não tem.
 
Executar uma transformação tão radical na célula estruturante da sociedade, sem ao menos ouvir a sociedade e esta se pronunciar claramente, constituiria uma violência legislativa. E violência tanto mais brutal quanto mais se pretendesse, como alguns parecem, passar apressadamente pelo assunto como cão por vinha vindimada.
 
Seria grave que o Estado violasse o dever de proteger a família como elemento natural e fundamental da sociedade. Pior ainda, se negasse e impedisse a sociedade de o poder fazer.
 
A Assembleia da República tem legitimidade formal – não o questiono. Tem-na sempre sobre qualquer matéria que se enquadre nas suas competências; e tem-na até exclusivamente, mesmo com referendo, pois o referendo não é instrumento do poder legislativo.
 
A legitimidade de que falo é de legitimidade material, substantiva, uma legitimidade democrática genuína. E essas, quanto a este tema, não moram nem no Governo, nem no actual quadro parlamentar, se não houver, ao menos, um referendo prévio que suportasse directa e claramente aquele propósito.
 
Na resposta à questão contemporânea das uniões homossexuais, há diferentes modelos. O modelo radical e extremista é o de, sob vendaval ideológico, capturar a própria noção e palavra "casamento", alterando por completo o conceito e a estrutura longamente estabelecidos da família. Muito poucos países foram por aí. E, quando aqui se chega, o referendo é sempre exigível, como tem acontecido em muitos Estados.
 
Não é legítimo mexer na célula fundamental da sociedade, na sua noção matricial - e, portanto também, na sua natureza, conteúdo e identidade -, sem ao menos perguntar o que pensa a sociedade e se o quer. Dificilmente, aliás, haverá matéria mais típica de referendo: porque se trata justamente de uma questão de sociedade; e, sendo a família anterior ao Estado, o Estado não pode, não deve, mexer na sua identidade sem ouvir directamente a sociedade.
 
Acresce que não é verdade que os portugueses tivessem expressado nas últimas eleições a sua vontade na questão. Além de esta ter estado praticamente ausente da campanha, não há tão-pouco maioria de representação de partidos que tivessem assumido programaticamente o tema. De todos, apenas o BE incluiu o propósito legislativo claro de revolucionar o conceito de casamento de forma a incluir as uniões homossexuais e fazendo-o com os efeitos inerentes, nomeadamente quanto à adopção. O PS incluiu o tema do casamento, mas não o da adopção – o que cria um outro problema, mais grave. E o PCP ou a CDU nada disseram especificamente.
 
Mas o problema quanto ao PS, que quer liderar, é maior. No plano constitucional, por força da norma de não discriminação em razão da orientação sexual, é cristalino que a modificação da noção de casamento arrastaria necessariamente como consequência jurídica imediata a questão da adopção, bem como todas as matérias (e são inúmeras) que estão referidas ao casamento.
 
Hoje, não existe qualquer inconstitucionalidade, como o Tribunal Constitucional já declarou, uma vez que o casamento é - sempre foi - uma união de homem e mulher. Não há desigualdade, mas especificidade. Mas, se, em engenharia jurídica estratégica, fosse mudada a noção de casamento para corresponder a uma outra coisa, tornar-se-ia gritantemente inconstitucional, quanto à adopção ou qualquer outra matéria, discriminar o estatuto jurídico dos novos "casados" porque uns "casados" fossem de uma orientação sexual e outros doutra.
 
E, por isso, o primeiro-ministro, ao ter reconhecido expressamente no Parlamento que não possui qualquer mandato quanto à adopção por uniões homossexuais, está a reconhecer implicitamente que também não tem mandato real, legítimo, quanto ao casamento – uma vez que este arrasta inexoravelmente aquela.
 
Seria grave para uma maioria parlamentar ad hoc – e bem pior para um Governo digno e responsável – avançar de forma obscura e furtiva, sobretudo em matéria de tanta sensibilidade e tão vastas implicações, ao modo de "adopção escondida com casamento de fora". E também por isto, a questão não pode deixar de ser colocada, directamente, sem ambiguidades, nem reservas mentais, à cidadania, para que discuta abertamente e decida o que entende, o que pensa, o que quer.
 
  José Ribeiro e Castro
In Público, 16 de Novembro de 2009

“Caim” de José Saramago

 

 
 
Um livro de fantasia, a fantasia poderosa de um espírito atento ao mundo e aos homens, insubmisso perante muitos dos valores estabelecidos, afundado  no desespero da impotência humana perante o problema do Mal e da Injustiça que regem o Mundo, mergulhado na orgia da sua própria imaginação e do seu próprio saber, na arte de uma linguagem escorreita, de verbo fácil e desinibido, de estilo tantas vezes chocarreiro, de um humor amplo de experiência humana fortalecida pela cultura livresca.
No fundo, a história de Caim, apoiada nos sinuosos enredos do Génesis, com citação onomástica e toponímica frequentes, nele colhidas, não traduz mais do que um hábil manejo do narrador, que, identificado com o protagonista  da ficção, desmistifica  esses enredos, em função de uma tese que pretende troçar de Deus como criador do Céu, da Terra e dos seres animados, um Deus criado pelo Homem, à sua imagem, pondo em causa os critérios de justiça e pertinência que movem o Senhor, segundo as tais histórias bíblicas forjadas por homens, em séculos recuados.
Deste modo Caim, o desesperado, por ter sido injustiçado, matará Abel – por não ter podido matar Deus - e à conta disso viverá exilado, mas salvaguardado, pelo mesmo Deus, afinal generoso – quem sabe se arrependido - com a marca protectora daquele na sua testa. Terá descendência, mas ao contrário de uma Bíblia omissa na revelação da sua vida e morte, Saramago entretém-se a transpor essa vida no tempo e no espaço, acompanhando-o no seu vaguear, em ziguezagueios anacrónicos que ora implicam o caso de Isaac, salvo por Caim, por atraso dos anjos destinados a evitar que Abraão consumasse esse sacrifício do filho, imposto por Deus, não tão injusto assim, porque o evitou, apenas desejando testar a obediência e devoção de Abraão; ora com a participação de Caim na confusão das línguas aquando da construção da Torre de Babel e sua destruição pelo Senhor indignado pela arrogância humana de atingir o Céu; ou nos sofrimentos e reconciliações de Job; ou na sua participação inesperada como passageiro da Arca de Noé, por imposição piedosa do mesmo Deus que, segundo a Bíblia, decidido a matar a humanidade pecadora por ele criada, só salvará do dilúvio o homem justo Noé e a sua família, mais um casal de animais de cada espécie terrena. Na ficção de Saramago, contudo, o rancor de Caim pelo Senhor que criou nele o remorso pelo fratricídio que cometera, fará que, embarcado na Arca, indiferente à bondade do Senhor para consigo, depois de conviver eroticamente com as várias mulheres dela, acabe por matar todos os passageiros da Arca, em gesto vingativo e desafiante ao poder de Deus, assim relativizado.
Um desafio que já Torga, hostil à ditadura de Salazar, utilizara no conto dos “Bichos” – “Vicente” – o corvo rebelde que, farto da humilhação suportada durante quarenta dias fechado na Barca, se lança espaço fora à procura de terra e de liberdade, obrigando o Criador, “para salvar a sua própria obra” a fechar, “melancolicamente, as comportas do céu”.
Uma mistificação afinal, não superior à da imaginação dos criadores das histórias em banda desenhada ou dos filmes de animação, férteis em proezas desmedidas de magia dos seus heróis, que vencem o tempo e as forças do homem real.
Mas a obra de Saramago é escrita num estilo seguro, de intenção filosófica, de alguém que, recusando Deus, como pura criação do Homem, sem admitir a eterna angústia humana perante o Incognoscível, se propõe troçar das histórias criadas por homens, numa irreprimível vontade de destruição do mito, pondo em causa isso que várias gerações deixaram registado, e onde tantos souberam mergulhar para traduzir beleza, sensibilidade e também humor, ou paralelismo com as vivências próprias.
É o caso do extraordinário soneto de Camões “O dia em que nasci moura e pereça”, transposto directamente das lamentações de Job, é o caso do exemplo infra, de Victor Hugo que, na “Légende des Siècles”, descreve, em terno quadro expressivamente romântico, o encontro em Belém da moabita Rute com Booz adormecido, a ela destinado. A aliteração, pelo predomínio dos sons f, fl, l da quadra citada, favorece a recriação do ambiente, numa paisagem nocturna de estio acariciante, com uma brisa tranquila envolvendo o casal predestinado:
“Booz ne savait point qu’une femme était là
Et Ruth ne savait point ce que Dieu voulait d’elle.
Un frais parfum sortait des touffes d’asphodèle
Les souffles de la nuit flottaient sur Galgala. »
E tantos mais  exemplos a referenciar, na literatura de todos os tempos, no cinema, na arte, para contrapor, à amargura e violência da tese de Saramago, algumas amostras de arte e beleza, presentes nesse livro que se tornou “O Livro” da Humanidade, no extraordinário engenho das suas várias revelações, síntese de uma religião –  credível ou não – que admite um só Deus Criador, contrariando outros mitos – igualmente belos e igualmente cruéis – mas poderosa e necessária a todos os que, com ou sem recursos de apoio às misérias humanas, aceitam no coração esse apoio único de uma fé salvadora.
Berta Brás

MENINA E MOÇA!

 

Luanda

 

Nada de confusões com o fado de Coimbra! Estamos a falar de Luanda. Já não era tão menina, mas ainda era moça a Luanda dos anos cinquenta! Menos de dez por cento dos habitantes que terá hoje!

Diz o fado que “Coimbra...  era o rouxinol de Bernardim...”. Era! E Luanda, no Bairro que se chamou da CAOP, que ainda hoje tem uma rua com o nome do nosso grande poeta e escritor do século XVI? Nosso, por todas as razões e porque era em português que se expressava, tal como o angolano de hoje.

“Menina e Moça” é o nome do poema mais conhecido de Bernardim que foi publicado com o título “Saudades”!

Que título mais apropriado para quem lembra aquela terra bonita e, pior ainda para quem morou naquela rua!

Por isso, peço desculpa à grande maioria dos leitores deste blog, saudosos de Angola, mas este texto tem que ser dedicado aos vizinhos. Aos daquela rua e duma outra, cuja porta de entrada não ficava a mais de 20 metros da nossa! A Ana e o António Ravara Belo e a Madalena e António Nuno Melícias! Todos, jovens, claro, viram filhas e filhos ali nascerem!

Na foto abaixo vê-se a rua e as três casas assinaladas com o nome de cada família! Distância máxima de uma a outra... sessenta metros!

 

Como era bonita e simples aquela vida! E lembram tantas histórias que ali se passaram. Aqui vão algumas. Com os vizinhos.

Todos fazíamos o nosso café, depois das refeições, com o velho e melhor sistema do mundo: a “máquina do balão e da tulipa”. Vai aqui uma foto para a lembrar a quem conheceu e mostrar a quem não conhece. Balão e tulipa de vidro, volta e meia, por muito cuidado que se tivesse... lá quebrava. Ou a parte de cima, ou de baixo. E como só se encontravam acessórios em Portugal, e era uma tarefa delicada pedir alguém para trazer de Lisboa uma peça assim frágil, a solução era recorrer ao vizinho. E lá vai o criadito. “Vai lá pedir à dona Ana se pode emprestar o balão para quatro xícaras”! Ou então “a dona Madalena manda pedir emprestada a tulipa! Outras vezes facilitava-se o assunto ou indo tomar o café com os vizinhos ou levando até a “máquina” para o preparar em casa dos outros. E andavam os “balões” e as “tulipas” passeando, horas mortas pelo calor do meio dia ou pela suposta frescura da noite, pela Bernardim Ribeiro!

 

A melhor maneira de se preparar o melhor café!

 

Mesmo em frente da casa onde nós, os Amorim, morávamos, foi instalado um poste de iluminação pública. Óptimo, progresso, mais segurança, apesar de normalmente as portas jamais se fecharem à chave, e durante o dia e até à hora de ir para a cama ficavam bem abertas para ventilar. Ar condicionado não existia!

O poste era alto e a lâmpada potente. Acontece que o ângulo do reflector é que estava errado e a luz, forte, acertava em cheio na minha cara quando me deitava! Ensaiou-se um varal com algo pendurado, mas o resultado era insignificante, e a aversão àquela lâmpada foi crescendo, crescendo... até que uma bela noite, espingardinha de pressão de ar, sem que alguém visse ou ouvisse... puff... lá se foi a lâmpada! E nessas noites, bem escurinhas, uma teórica aragem permitindo não suar muito, e os menos de trinta anos de idade, dormia-se bem, sono profundo e tranquilo.

A nossa casa, o "velho" Simca Aronde, e... quem sabe se o lençol não tentava esconder a agressiva luz!
 

Passados uns dias vinha o serviço de manutenção da Câmara Municipal e colocava lâmpada nova. Recomeçava a má disposição a crescer e não tardava saía mais um tirinho e voltava a tranquila escuridão.

Não havia como torcer o reflector para apontar a luz para baixo... a solução foi ir atirando ao alvo! Os homens que trocavam a lâmpada nunca entenderam o que se passava porque era a única que aparecia quebrada em toda aquela rua!

Coisas da juventude e de Bernardim!

Sobretudo aos sábados à noite, porque naquele tempo a semana “inglesa”, de trabalho, só terminava ao meio dia de sábado, havia em casa de uns ou de outros, mesmo em muitas outras ruas, reuniões de parceiros para jogar cartas. Uma das vezes foi em casa dos Belo, à noite, fresquinho bom, na varanda. O quarto parceiro o Xico d’Água, Francisco Rebelo de Andrade, nosso primeiro medalhista Olímpico na vela, 1952 em Helsínquia! Ele, com os homens, para a mesa de Bridge e a Gracinha com as senhoras para a Canasta.

Rua calma, noite tranquila, ninguém fala muito alto para não perturbar a grande concentração que o jogo exigia – jogava-se a dinheiro, mas pouco mais que tostões – iam-se bebendo umas Cucas, e o tempo corria com os filhos a crescer.

De repente surge da única rua que ali desaguava um garoto experimentando uma motorizada cujo escapamento fazia um barulho horrível a violentar a tranquilidade do bairro. Abrandava na curva e logo a seguir aquela maquineta infernal seguia rua fora deixando todos incomodados. Não tardava muito voltava o “corredor” e repetia a cena, e assim mais algumas vezes deixando todos com os nervos estimulados. À quarta ou quinta volta o artista, possivelmente mais confiado no treino que fazia, entrou na curva mais depressa, derrapa, cai da motoreta que foi bater num muro passando ao lado do meu carro, e fica esparramado no chão. Todos largámos as cartas e corremos em socorro daquele chato que nos estava a perturbar.

O cara no chão ainda, perguntámos-lhe: “Você está ferido? Machucado"? O garotão ainda meio zonzo sentou-se, conferiu a própria anatomia e respondeu: “Não! Felizmente não foi nada. Estou bem”! Nessa altura o Xico d’Água, com vontade de lhe torcer o pescoço, dentes cerrados: “QUE  PEEENA!”

O “corredor” levantou-se, pegou na motoca toda torcida e foi embora a pé. Nós, depois de termos rido bastante, voltámos ainda um pouco ao nosso joguinho até a dona da casa trazer uns bolinhos e mais umas bebidas, quando a reunião terminava.

Naquele tempo as mamãs tinham os filhos em casa. Estava para nascer a Helena, nossa filha, já a número quatro, e a Avó Zé tinha ido de Lisboa para estar presente ao acontecimento. Esta Senhora tinha tal fobia de cobras que só de ouvir esta palavra já ficava a levantar os pés do chão. Grande parte da cidade não tinha ainda saneamento, esgotos, mas todas as casas tinham fossas que sempre funcionaram perfeitamente. Final de Março, tempo de chuva grossa, uma noite caiu um toró respeitável, e de manhã, nas traseiras da casa as águas tinham aberto uma “cratera” talvez com um metro de diâmetro. Vovó Zé, logo de manhã quis ver os estragos! Naquele momento saía do buraco uma distraída cobra a quem também apeteceu um pouco do belo sol da manhã! Quando a minha Mãe viu aquele horrível monstro apanhou um susto de tal ordem que correu para dentro de casa, subiu em lapsos de segundos para o andar dos quartos e foi pôr-se em cima duma cama com as saias levantadas! Foi um problema convencê-la a descer novamente, mesmo com a garantia dada pelo heróico filho de que já tinha matado a fera e levado os despojos para longe de casa!

Poucos dias depois as dores do parto chegaram. Chama-se a parteira da Cuca, a grande parteira Adriana, eficientíssima, bem disposta e alegre, e no dia cinco de Abril a Helena viu a luz do dia!

Pela mesma época as outras duas casas foram igualmente presenteadas com duas garotinhas, lindas como seria de esperar: a Ana Melícias e a Leonor Belo!

Alegria, muitos cuidados de todos os amigos de Luanda, sobretudo dos geograficamente mais chegados, incansáveis a querer ajudar!

Depois eu conto mais enquanto não vamos para a rua Cabral Moncada!

Rio de Janeiro, 13 de Novembro de 2009

  Francisco Gomes de Amorim

DOS PRINCÍPIOS E DA SUA FALTA

 

 crise_economica
 
As Finanças são a perspectiva mais evidente da crise por que globalmente passamos.
 
Contudo, isso não passa de uma consequência de causas remotas de que pouco se fala. E também essa evidência tem consequências igualmente evidentes tais como as de índole económica sendo, dentre todas, a mais dramática, o desemprego.
 
E quais são, então, as causas estaminais? A falta de ética e a amoralidade dominante.
 
A Moral tem a ver com os princípios enquanto a Ética se reporta aos factos.
 
O sentido de obrigação moral provém fundamentalmente de quatro fontes:
  • Da consciência pessoal de formação tanto laica como religiosa que leva os indivíduos a tentarem alcançar um sentido de integridade e consequente tranquilidade perante a sua própria consciência;
  • Das regras comuns que a sociedade exige aos seus membros – por exemplo, todo o quadro legal;
  • Dos códigos de ética profissional;
  • Das expectativas convencionais inerentes aos deveres de um indivíduo.
 
Se por acaso alguma destas fontes seca, mingua ou se polui, o sentido de obrigação moral é automaticamente abalado nos seus alicerces, a atitude ética dilui-se e a sociedade fica desgovernada e desprotegida.
 
Eis as verdadeiras causas da actual crise.
 
Para a ultrapassar não basta regulamentar os mercados e construir códigos de ética profissional por muito férreos que se apresentem. Há que recuperar o sentido do dever individual por contraponto à panóplia de direitos e outras benesses que os demagogos apregoaram para ganharem eleições; há que reintroduzir conceitos que claramente recuperem o sentido do bem-comum; há que não hesitar na identificação do mal-comum. Só reformatando as consciências se poderá ultrapassar a actual crise que resulta da amoralidade reinante.
 
E os princípios em falta nem sequer necessitam de fundamentação divina. Basta que a cada um se faça saber desde a tenra idade que as mordomias se conquistam com esforço, por contrapartida do contributo que cada um dá para o bem-comum da sociedade em que se integra.
 
Sem cairmos na rudeza do princípio de «a cada um segundo a sua capacidade», não nos mantenhamos monoliticamente no de «a cada um segundo a sua necessidade» pois isso transformou-se na actual prática de «a cada um segundo a sua vontade». Mais prosaicamente, há deter a actual prática do «fartar vilanagem» em que o politicamente correcto é «laissez faire, laissez passer». Não é!
 
Novembro de 2009
 
Henrique Salles da Fonseca
 
 
BIBLIOGRAFIA:
Nye Jr,Joseph S.– LIDERANÇA E PODER, – Gradiva, 1ª edição, Abril de 2009

CAPITALISMO

 

 Sonia Abrao compara muro de Berlim com o muro de BBB9
 
Na segunda-feira, 9 de Novembro, celebraram-se os 20 anos da queda do muro de Berlim. Nesse dia, a BBC publicou um vasto inquérito sobre o sistema económico. Os resultados são devastadores: «Só 11 por cento dos inquiridos em 27 países consideram que a economia capitalista funciona correctamente e 51 por cento acham necessária mais regulação e reforma para a corrigir.» (Lusa 2009-11-09 às 12:25). Karl Marx no túmulo deve ter rido. Duas décadas após a suposta morte do seu sistema, o detestado capitalismo encontra-se doente. Na actual crise, muita gente relembra as críticas, se não mesmo as propostas d'O Capital.
Em grande medida, estamos hoje como há 150 anos, antes da intervenção dos reformadores socialistas. O nosso sistema é censurado pela injustiça que gera, pela instabilidade que promove, pela competição que instiga, precisamente as críticas que Karl Marx, com o seu inimitável estilo, arremessou contra a burguesia e a economia mercantil em 1867. Em muitas dimensões os seus diagnósticos mantêm-se válidos. É verdade que evoluímos muito e temos sindicatos, segurança social, regulação, participação dos cidadãos, defesa do consumidor, ambiente, etc. Mas a crise mostrou os erros que se mantêm.
Não há dúvida de que o capitalismo é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros. Pode-se aplicar à economia de mercado o mesmo que se diz da democracia. Aliás, pelas mesmas razões. Com o fiasco do sistema de Marx aprendemos que as alternativas ao capitalismo, que pareciam tão promissoras, se revelaram muito piores.
 
12 | 11 | 2009  
 
 João César das Neves

PORTUGAL, UM ÍCONE MUNDIAL - 8

 

UM PAÍS DE MISSÃO
 
 
UM PARADIGMA NA DIÁSPORA
 
16. Dos Portugueses que emigraram para o Brasil, a maioria aqui
se radica e por aqui fica, como no seu próprio chão. Noutros lugares pelos quatro cantos do mundo não é diferente.
Vivem no Brasil, totalmente integrados, pessoal e profissionalmente.
Aqui falam a mesma língua de sua terra e a terra de adopção como sua consideram. Seu povo é também este povo. São construtores de civilização.
 São plenamente brasileiros sem deixarem de ser plenamente portugueses. (Com as excepções costumeiras, é claro)
 
Em Portugal têm suas raízes. Para esta terra se transplantam.
Dão sua contribuição efectiva ao desenvolvimento deste país, como se no seu estivessem..
Suas novas famílias, aqui implantadas e radicadas, cumprem a missão que de Portugal herdaram: ajudar este país a ser um grande país, cívica e espiritualmente, com desenvolvimento científico, tecnológico, social e humano.
            Militam algumas dezenas de anos nas mais diferentes profissões com atitudes de soma e multiplicação enquanto as forças físicas o permitem. Não se acomodam.
Contribuem para deixar no Brasil um povo mais amante de sua terra, mais competente e mais solidário.
 
O português por toda a parte, aonde quer que vá, aí se radica e adapta, como se daí fosse originário. Vivencia a lição, que herdou de seus ancestrais, explícita nesta recomendação de nossas mães:
 
 “À terra aonde fores ter, faz como vires fazer”
            Seu vinho, seu azeite e seu bacalhau é prato de dia de festa, para rememorar seu torrão natal.
À sua terra natal sempre estará ligado pelo cordão umbilical, imaterial, que se mantém como uma aliança imortal. Esta é a força que às suas origens sempre o chama sem da nova terra de adopção arredar pé.
 
17. Termino com dois textos de Fernando Pessoa, onde ele nos incita a ousar, a sair de nós e ir além:
“Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer da asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar”.
 
Diz-nos Pessoa que é sina do português e marca de coragem e ousadia ir para novas terras, formar novo lar.
Aqui, Pessoa convida-nos à grandeza de coração e da mente à plenitude:
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago
A lua toda brilha,
Porque alta vive”
Este poema merece ser colocado num quadro em letras garrafais.
 
FIM
 
Setembro de 2009
 
 
 José Jorge Peralta

PORTUGAL, UM ÍCONE MUNDIAL - 7

 

UM PAÍS DE MISSÃO
 
 
DESTINO TRAÇADO À LUSOFONIA
 
 
            15. O bem e o mal vivem lado a lado por toda a parte, em todos os países. No País, muitos vivem metidos num caos de corrupção e de falcatruas. Não sabem qual a sua própria missão; nem sei se sabem que têm uma missão. Vivem num turbilhão...
            Buscam bens para si e comprometem a auto sustentação da nação.
“Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.”(F. Pessoa)
        
            Se Diógenes fosse a alguns espaços políticos, quantos Homens encontraria, com seu lampião aceso?!
            São momentos de dúvidas; horas de virada. É o dinamismo da vida.          
            Mas o destino de Portugal está traçado para ser, junto com o Brasil e com todos os povos lusófonos, uma luz que aponta novos rumos, à Nova Era, que parece alvorecer no horizonte.
            Do caos há-de nascer nova luz.
 
            Concluo com dois pensamentos de Fernando Pessoa, como programa:
·        “Fazer tudo para criar uma Pátria Portuguesa, criadora de civilização”
·        “Considerar que o conceito de Pátria é um conceito puramente místico e que, portanto, nenhum elemento de interesse deve estar nele.”
 
(continua)
 
Setembro de 2009
 
 José Jorge Peralta
 

PORTUGAL, UM ÍCONE MUNDIAL - 6

 

UM PAÍS DE MISSÃO
 
 
ALMA E MISSÃO DE UM POVO
        
            12. Os Três maiores ícones do País, Camões, Vieira e Pessoa, souberam vislumbrar entre brumas, a grande missão de Portugal.
            Portugal, todo o País de Norte a Sul, é obra e projecto dos Templários, sediados no convento e Castelo de Tomar.
            Daí se irradiou por todo o país e lançando-se aos sete mares, nas caravelas descobridoras, no hábito da Ordem de Cristo.
 
            Portugal foi terra de bravos guerreiros e de dedicados colonizadores.
            Foi e é a Terra de El Rei D. Diniz e do Mestre de Avis e de muitos outros gestores, sábios e santos que deixaram o mundo melhor e o povo mais soberano e mais feliz.
            É a Terra de Cabral, de Vieira, de Camões e de Pessoa e de tantos imortais, que da lei da morte se libertaram.
         Portugal é um manancial ancestral e contemporâneo de atracções geográficas, históricas e imateriais.
            Portugal do Tejo, do Mondego e do Douro; Portugal de Lisboa, Coimbra e Porto; do Alentejo, do Algarve, do Minho, de Trás-os-Montes e das Beiras; dos Açores, Madeira e de toda a Diáspora, principalmente do Brasil, sem os outros esquecer.
            Portugal é um país contagiante por seus valores e por sua actuação e presença histórica mundial.
 
            Portugal, além de ser todo ele um espaço, com certa mística, como uma outra terra da promissão, tem dentro de si alguns lugares a destacar, por especial irradiação de energias telúricas e espirituais. Cito apenas alguns:
            O Convento de Cristo e a Igreja Nossa Senhora da Oliveira, em Tomar; Braga; Porto (Ponte das Barcas) ; Sagres; Alcobaça; Fátima; Alenquer; Évora; Torre de Belém – Lisboa; Castelo de São Jorge - na Mouraria – Lisboa; Ruínas da Igreja do Convento do Carmo – Lisboa, no Bairro Alto; a Basílica de Santo António, berço do Santo, ao lado da Sé, em Lisboa; Igreja de São Domingos – Lisboa (lembra a triste Inquisição).
 
         13. Por toda a parte moureja, de sol a sol, um povo bonito, multirracial e multiétnico.
            Um povo cordial, ousado e hospitaleiro, criativo e colonizador. Ganha o pão com o suor de seu rosto e ainda tem tempo para sonhar e amar.
 
            Um grande caldeirão de povos, deu, como resultante, um grande povo.
            Corre misturado e bem assimilado nas veias dos portugueses, não uniformemente, o sangue Celta, Ibero, Visigodo, Lusitano, Judeu, Grego, Romano, Berbere, Árabe e outros mais. Portugal é uma síntese genial, bem articulada de povos e culturas.
 
            É honroso poder dizer, de coração: nasci neste pedaço honrado de chão. Quem aqui nasceu tem cidadania global, se tem nas veias o sangue ancestral dos desbravadores dos oceanos e dos continentes.
            Aqueles que só vêem negatividade, eu digo, como R. Tagore:
Se choras por teres perdido o sol,
As lágrimas não te deixarão ver as estrelas”.
        
            14. O Português foi talhado, através dos milénios, ao som dos tambores de infinitas guerras de ocupação do território, com o embate de múltiplas culturas que foram sendo assimiladas em nova e criadora síntese. Foi um longo e duro aprendizado.
            Esta condição deu como resultado um povo aguerrido, cordial, rude e ousado, de profundos sentimentos de religiosidade e hospitalidade.
 
            Este povo, segundo as mais autorizadas convicções fundadoras, foi talhado para cumprir uma grande missão na humanidade; uma imensa reserva moral que está gravada no inconsciente e subconsciente colectivo da nação. Os apressados dizem que isto é só parolice sem razão. Pois que digam. De tanto dizer, talvez mudem de ideia.
         Para estes, o único bem que lhes basta é o pão na mesa e mais nada. Alguém disse que “nem só de pão vivem as pessoas”. Rasgamos esta página do Evangelho?!
 
         O povo caracteriza-se por uma atitude paradoxal, entre alegre e triste, consequência dos sucessos, das lutas inglórias e dos filhos que perdeu pelos quatro cantos do mundo e nas águas de todos os Oceanos. É o povo da saudade... Sempre. É um povo que canta a vida.
            Portugal é um país sofredor e só os sofredores sabem cantar... e celebrar.
 
            Por toda a parte os açoreanos desfraldam a Bandeira do Divino: uma bandeira de igualdade, de fraternidade e de solidariedade. É a missão a continuar.
 
(continua)
 
Setembro de 2009
 
Ver imagem em tamanho grande José Jorge Peralta
 

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