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A bem da Nação

BULLYING, SINAL DE VIOLÊNCIA

 

 
Ilustração: Editora de Arte/G1
 
 
De tempos em tempos as manchetes dos noticiários  mostram actos de violência nas escolas. No momento as pessoas se espantam, mas logo se esquecem ou até interpretam o ocorrido como se fosse uma situação  de "normalidade”, reflexo da sociedade em que vivemos.   Mas para aqueles pais ou educadores mais atentos, que percebem a gravidade da coisa, ela pode ser precocemente identificada e combatida.
 
Observar os filhos, suas atitudes e palavras, conversar com eles, participar de suas vidas, dar limites, orientá-los e corrigi-los, é o primeiro passo para descobrir e prevenir sinais de possível violência. Crianças que mudam o comportamento, que se tornam  arredias ou agressivas, que de repente não querem ir ou fogem da escola, que se isolam ou aparecem com sinais físicos de agressão, precisam ser “ monitorizadas”, podem estar sofrendo o que a mídia moderna chama de bullying, palavra estrangeira que corresponde ao nosso antigo e conhecido termo "judiar", acto de mal tratar, menosprezar ou ridicularizar outrem.  E para isso a escola tem cada vez mais um papel  importante, porque o que mais se vê são pais sem vocação ou sem tempo, que habitualmente se alienam da educação dos filhos transferindo para babás, instituições ou para as “ruas” os ensinamentos que deveriam dar às suas crianças. Quem não gosta de educar, não tem condições, preparo ou tempo não deveria ter filhos, pois as crianças são os protótipos  da violência, como vítimas ou como origem, tudo vai depender  da atenção e da educação recebidas.  
 
Os antigos já sabiam e diziam: "A educação começa em casa".  E se estende na Escola, com o aprendizado da cidadania.  .
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 03/05/09

HERÓIS DE CÁ - 6

 TOMÁS DA FONSECA - II

 

 
 
(1877-1968)
 
 
Seguramente, a pessoa mais erudita e afável que alguma vez conheci.
 
E quando me refiro a essas duas características, faço-o cumulativamente: pode ter havido alguém mais erudito e pode ter havido alguém mais afável mas dado que me coloco no centro do conhecimento, posso calmamente afirmar com a certeza absoluta de que nunca conheci ninguém que combinasse essas duas características em grau tão elevado.
 
Estou obviamente a aplicar aqueles dois adjectivos nos respectivos sentidos escolásticos: eruditoaquele que tem vasto saber; afável delicado na maneira de tratar, cortês.
 
Nascido em plena serra do Caramulo, cedo ambicionou saber mais do que as primeiras e rudes letras que por ali aprendera. E mesmo esses rudimentos de alfabetização que aprendeu em casa já eram um avanço extraordinário para a época e para o local: ser filho de quem sabia ler e escrever era uma vantagem rara em relação ao resto do país mas tendo a escola paroquial a dezenas de quilómetros[1] por caminho serrano (inseguro mesmo para um adulto quanto mais para uma criança por muito determinada e forte que fosse) era um problema de grande dimensão, inultrapassável perante a falta de estrada. A escola laica mais próxima situava-se para além da centena de quilómetros pelo que, se queria estudar, lhe restava a solução do internato no Seminário de Coimbra.
 
Até ao final do Curso de Teologia – que propositadamente não concluiu para não tomar ordens – essa foi a instrução que formalmente obteve. Note-se que nessa época (finais do séc. XIX) a única Universidade existente em Portugal, a de Coimbra, se limitava aos cursos de Direito, Letras e Medicina. Ou seja, não era uma alternativa credível para quem já então considerava imprescindível ampliar e modernizar a educação em Portugal[2] em simultâneo com uma laicização geral da sociedade.
 
E porquê essa sentida necessidade de laicização? Por dois tipos de razões muito distintos: sociais e intelectuais.
 
As razões sociais tinham sobretudo a ver com a predominância do Clero sobre a vida das populações: a inspiração do temor da ira divina levando os crentes a uma atitude medrosa, incapacitante do pensamento criador e sobretudo do pensamento especulativo; generalizada baixa qualificação intelectual do Clero rural e frequente prestação de maus exemplos morais – vulgar assédio sexual e por vezes a usura em clamorosa transgressão dos votos de castidade e de pobreza.
 
Para quem sempre se pautou por uma evidente moral cristã, esta imoralidade clerical na terra beirã chocou-o fortemente desde a juventude e moldou-lhe a acção política ao longo de toda a vida.
 
No plano da intelectualidade, criticava a pregação de um Deus castigador e vingativo por oposição à de um Deus do perdão e infinitamente bom e preconizava a completa separação entre o estudo da Filosofia e o da Teologia[3].
 
Assim partiu para a vida…
 
Lisboa, Maio de 2009
 
Henrique Salles da Fonseca
 
 


[1] - Em Mortágua, sede do Concelho
[2] - Só em 1911 foram criadas as Universidades de Lisboa e do Porto.
[3] - Por antecipação ao que cerca de 50 anos mais tarde Karl Popper afirmou no sentido de que a Teologia só se justifica pela ausência da Fé

DEUS NOS ACUDA!

 

 
Imagem obtida pelo Hubble
Tanto se conjecturou sobre o aparecimento da ideia de Deus, para continuarmos, ainda hoje, sem encontrar para isso explicação. Quando foi? Como?
Os judeus acham, ou crêem, ou simplesmente aceitam, que in illo temporae, o próprio Deus se manifestou aos homens, dizendo-lhes que Ele era tudo, o Eterno, sem principio nem fim, o Criador dos céus e da terra.
Os homens não tinham porque duvidar, e sobretudo muito a temer, inscreveram essa passagem na Bíblia, tornando-a lei, quase universal. Os cristãos a seguiram, bem como os muçulmanos e outros povos sem bíblias, mais ou menos descobriram por seus próprios meios que acima de nós, simples e rápidos mortais, haveria algo que dominava todo o Cosmos.
Não existe povo tão selvagem nem tão bárbaro que, embora ignore o que deve pensar de Deus, não saiba que deve crer na sua existência; e a ideia de Deus é para o homem como que uma recordação e um reconhecimento da sua origem. A beleza da criação, a ordem majestosa dos corpos celestes, obrigam-nos não somente a confessar a existência de um Ser supremo, mas a reconhecê-lo e a adorá-lo. Deus, tal como o concebemos, apenas pode conceber-se como um espírito puro, independente e livre de todo o elemento material. Um espírito que percebe todas as coisas, que a tudo imprime movimento, encerrando em si próprio o princípio do movimento eterno. Cícero!
Uns temem-nO, outros adoram-nO, outros estudam-nO, outros ainda querem duvidar e procuram uma alternativa para Deus sem jamais a encontrar. Mas todos, todos, em algum momento da vida lançaram os olhos para cima, lá bem para o alto, e crentes ou quase descrentes, pediram a esse Deus mais ou menos desconhecido, para lhes dar uma mãozinha. Sobretudo nas alturas de desconforto, de desespero, da perca da esperança de uma solução terrena.
Uma vela acesa, às claras ou às escondidas, dentro ou fora do coração, para alimentar e mostrar uma fé que não se pode mensurar, e que fica à espera que essa mão, a Divina Providência, o venha ajudar.
Fazem-se sacrifícios de toda a ordem, desde a imolação de pessoas e animais, a auto flagelação, orações infindas, promessas (promessas...) de «generosas» dádivas à Igreja ou a pobres, mas tudo isso sempre em momentos de grande desesperança.
Alguns optam pelo sacrifício da própria vida, quando muitas vezes esgotadas a esperança e a fé o desânimo os domina, outros procuram o refúgio de um mosteiro, já que o tempo dos eremitas está ultrapassado, os mais covardes aproveitam para despejar em cima dos fracos o ódio à sua própria incapacidade humana.
Difícil é encontrar nos templos, quaisquer que eles sejam, a alegria contagiante, a alegria de viver, o ânimo para continuar a lutar por si mesmo e pelos seus irmãos, porque aqui haveria a paz interior, sem necessidade de fugir deste mundo complicado, feroz, implacável.
Esquece-se o homem que é ele próprio o Templo máximo! A paz não se encontra nos grandiosos templos dos cristãos, muçulmanos ou budistas, nem junto ao Muro das Lamentações. A paz está, em algum lugar dentro de cada um de nós, mais ou menos escondida, mais ou menos dominada por interesses materiais, pelo desvario, egoísmo, etc., e quando estes interesses começam a causar problemas, quando aparecem catástrofes naturais ou produzidas pelos homens, dívidas difíceis de saldar, ou desaparece um ente querido, nesses momentos, de forma muitas vezes exagerada, é que se pede ajuda: Valha-nos Deus! A maioria da vezes no entanto... Deus não nos acode, e o homem reclama, duvida da Sua existência, blasfema!
Como disse Camilo Castelo Branco: Deus não se deixa entender justamente para não sofrer confronto com estes miseráveis que nós somos!
A felicidade de encontrar Deus é um exercício que só cada um pode fazer e com a maior simplicidade, assim, humilde. Há sempre o reverso do negativo. Nesse reverso encontra-se a parcela de paz e felicidade, por mínima que seja. É essa que deve ser explorada e desenvolvida. É nesse cantinho, escondido, que Deus, o incompreensível, está à espera que lhe demos as mãos. A paz de cada um está no quanto formos capazes de apreciar e agradecer o que temos e não em chorar pelo que não temos.
Se tens um grão de pimenta, planta-o. Ele vai germinar, crescer e transformar-se numa árvore frondosa e dar-te sombra e paz. Essa sementinha está dentro de cada um.
 
Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2009
 Francisco Gomes de Amorim

DIÁLOGO CIVILIZACIONAL (continuação 1)

 

 
Neste país, a idade da pessoa mede-se pelo número de horas que passa regularmente nas salas de espera dos consultórios médicos. Aqui há dias, dois reformados da carreira diplomática encontraram-se num desses purgatórios e,  como é próprio da sua condição, foram matando o tempo presente com lembranças do tempo passado. Falavam assim:
….
U - E, portanto, terminaste a tua carreira em Viena de Áustria. Ficaste contente?
 
O  – Sim. A Áustria é o país mais civilizado do mundo. Foi uma grande oportunidade. Atingi o topo civilizacional
 
.
Wiener Staatsoper
 
U - Curioso! Eu então  considero o Brasil o país mais civilizado do Mundo.
 
 
Carlos Drummond de Andrade
(estátua em bronze do calçadão de Copacabana)
 
O – Olha, na Áustria os médicos não fazem esperar o doente. Se tal acontecer, o médico continua obrigado a dar consulta mas perde o direito de cobrar honorários.
 
U – Abençoado país esse. Mas há que distinguir entre organizado e civilizado. Eu considero o Brasil o mais civilizado de todos os países porque ali o convívio social se desenvolve com um mínimo de constrangimento. A ideia do pecado foi abolida logo de início e.... pelos jesuítas. Nem mais.
 
O - Julgo saber, e concordar com, os atrativos e razões que embelezam a tua dama. Tivesse eu com ela convivido não me custaria a partilhar a tua crença. A defesa da minha dama "germânica" é mais difusa por abrangente de países e modos de vida bem diferentes mas ligados pelo mesmo fio. É isso: - como disse,  trata-se de uma questão civilizacional.
 
U – Vejo que ficaste mestre na arte da comunicação não informativa, arte que nada tem de germânico. Configura mais uma deformação profissional. Será o caso?
 
O - Talvez,  dubitando ad veritatem pervenimus. Vienna é de novo notada pelas  artes e instituições  culturais, tais como a famosa  Opera, pelos belos parques e pela arquitetura continental que se espraia pelas margens  do Danúbio. O céu é limpo e sol brilha ali tanto que a Mercer, uma companhia  internacional de recursos humanos, atribuiu a Viena o número 1 mundial da qualidade de vida e apontou a harmonia política e social que ali reina como mais um motivo para tanto.
 
U - São argumentos poderosos mas não esgotam o assunto. Civilização requer algo mais. Irradiação faz parte do algo. De Viena veio Mahler, Freud e  Wittgensntein. Todos eram judeus. A minha impressão é que a irradiação vienense se esgotou com o anschluss   e nunca mais se restabeleceu. Pode ser que eu esteja enganado.
 
O - No passado, também fez o Beethoven, que era de Bonn. Uma proeza diplomática austríaca: Hitler, passou a alemão; Beethoven, passou a vienense. Mas não estás enganado. A Áustria faz parte de uma Europa que já nada irradia.
 
Alguém quer continuar este diálogo?

O NICHO

 

         
                                                Torta de Amoras
 
A propósito de uma crónica da minha amiga Margarida Mascarenhas, respondi-lhe que uns comem poeticamente amoras e outros entram em cheio na presente quadra das cerejas, como ora acontece, com grande delícia minha e da Idalina, minha mulher. Mas amoras temo-las também num vasto quintal anexado a uma antiga casa sita nas traseiras do nosso prédio, complexo que foi posto à venda mas ainda resistindo heroicamente ao betão mais moderno e edificador. Esse quintal é um precioso nicho ecológico onde os melros predominam por entre outros seres alados que ali habitam. Coisa rara e preciosa, um repouso restaurador dos olhos e da mente ao fim de um dia de canseira ou de ócio inexplicavelmente desgastante. O dono, um velhote de cabelo branco como a neve, tinha nesse espaço um universo concentracionário, onde fazia a contabilidade diária das suas predilecções, dos seus devaneios e dos seus sonhos antigos. A idade já avançada não o tolhia de modo algum, cavava, semeava, regava, podava, quando não ficava horas seguidas a olhar, embevecido, para os pássaros, os seus e outros que ali pousam e trazem alvíssaras de outras terras. Apercebi-me de que esses animais não se intimidavam com aquela presença humana, antes pelo contrário pareciam cada vez mais atraídos para o lugar, certamente descobrindo encantamentos que escapam aos nossos sentidos. Os melros e outros pássaros passaram a ser tantos que uma verdadeira orquestra ali se instalou com todos os aparatos, dando um espectáculo de sonho todas as primaveras.
 
MELRO PRETO"MACHO"(Turdus merula)
 
Estacionava o meu carro ali perto, e sempre que calhava dava dois dedos de conversa ao senhor Pina, também um apaixonado pela caça e pela pesca fluvial, pelo que os seus cães eram outros companheiros inseparáveis e amistosamente rodopiantes à sua volta. Ninguém lhe dava a idade que tinha, tal a agilidade com que subia às árvores ou manejava a ferramenta agrícola. Mas ele tanto se punha em trajos de circunstância para aquele lugar de reencontro consigo próprio, como se aperaltava com requintes burgueses para frequentar o Café Paraíso. Mas um dia verifiquei que o senhor Pina pareceu não me reconhecer quando lhe falei. Porém, os dias continuaram a fluir naquela rotina do homem feliz no seu recolhimento ecológico. Noutra ocasião, voltou a ter para comigo mais um procedimento incoerente, mostrando-se alheio ao fiozinho pessoal que eu também queria tecer naquele lugar com o meu espanto de citadino e o meu preito ao homem e à natureza. Depois desapareceu e não mais o voltei a ver.
 
Viria então a saber que lhe fora diagnosticada doença de Alzheimer e por isso internado num lar. Compreendi a razão por que me parecera que um qualquer invisível interruptor cortara a luz humana que iluminava aquele lugar. Não durou muito o seu internamento, pois a morte abreviou a injusta escuridão sentenciada a quem tanto amara a luz, a terra e os pássaros. Depois li no jornal da terra um poema em que uma neta recordava e homenageava a natureza solar do avô, a sua simplicidade, a sua bondade e a sua ternura para com todos os seres do planeta. Nessa altura, conhecendo eu a razão e o sentido das palavras ditas, perguntei-me se uma das nossas grandes angústias não é uma fugaz ilusão da intemporalidade em que a ambivalência das nossas sensações nos faz cair.
 
Contudo, os melros devem sentir uma qualquer convergência entre o princípio e o fim do tempo, o desperdício de inúteis contagens de nascentes e poentes que se sucedem. Continuam a embevecer-nos todos os anos com o seu canto pletórico, num palco já não enfeitado à maneira do senhor Pina, mas entregue à entropia a que pertencem os bichos e as plantas. Não posso dizer ao certo, mas é possível que eles sintam a falta do olhar manso e apaziguador daquele ser que se comportava com a mesma solícita naturalidade das oliveiras em que pousavam o seu cansaço. E vem a propósito recordar as seguintes palavras de Proust: “Quando mais nada subsistisse de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas, sozinhos, mais frágeis porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, – o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício da recordação”.
 
Quanto às amoras, todos os anos, na época própria, pendem sobranceiras e carregadas de viço sobre a vedação que envolve o nicho. Antigamente, a Idalina colhia uma mancheia delas quando ali passava entre o estacionamento do carro e a casa. Mas mais quando o senhor Pina reinava no lugar. Contudo, a sua presença física ou a sua ausência definitiva na nossa memória pertencerá àquela dimensão incapturável do inconsciente, onde as lacunas só são transferíveis para a poesia. Resta-me rezar pela sua alma e também para que não nos roubem este cantinho ecológico.
                    
                             
                                
 Tomar, Maio de 2009
 
                             
     Adriano Miranda Lima
 

 

 
 
 
 
 

DIÁLOGO CIVILIZACIONAL

 

 
Neste país, a idade da pessoa mede-se pelo número de horas que passa regularmente nas salas de espera dos consultórios médicos. Aqui há dias, dois reformados da carreira diplomática encontraram-se num desses purgatórios e, como é próprio da sua condição, foram matando o tempo presente com lembranças do tempo passado. Falavam assim:
U – E, portanto, terminaste a tua carreira em Viena de Áustria. Ficaste contente?
O  – Sim. A Áustria é o país mais civilizado do mundo. Foi uma grande oportunidade. Atingi o topo civilizacional.
U – Curioso! Eu então considero o Brasil o país mais civilizado do Mundo.
O – Olha, na Áustria os médicos não fazem esperar o doente. Se tal acontecer, o médico continua obrigado a dar consulta mas perde o direito de cobrar honorários.
U – Abençoado país esse. Mas há que distinguir entre organizado e civilizado. Eu considero o Brasil o mais civilizado de todos os países porque ali o convívio social se desenvolve com um mínimo de constrangimento. A ideia do pecado foi abolida logo de início e.... pelos jesuítas. Nem mais.
O – Julgo saber, e concordar com, os atractivos e razões que embelezam a tua dama. Tivesse eu com ela convivido não me custaria a partilhar a tua crença. A defesa da minha dama "germânica" é mais difusa por abrangente de países e modos de vida bem diferentes mas ligados pelo mesmo fio. É isso: Como disse,  trata-se de uma questão civilizacional.
U – Vejo que ficaste mestre na arte da comunicação não informativa,  arte que nada tem de germânico. Configura mais uma deformação profissional. Será o caso?
O – Talvez, dubitando ad veritatem pervenimus


14 de Maio de 09


 
Alguém quer continuar ou comentar este diálogo?
 
Luís Soares de Oliveira

PENSAMENTO VESPERTINO

 

 
 
Engenheiro agrónomo mas professor a tempo inteiro do ensino secundário numa escola situada algures no Distrito de Portalegre, um amigo meu telefonou-me hoje a informar que não pode vir a um jantar que organizo em Lisboa na 2ª feira porque já não pode faltar mais às aulas. Que dantes podia faltar sempre que lhe apetecesse mas que agora já não é assim…
 
Registei com pena a ausência dele mas fiquei a pensar… Então os professores já não podem faltar às aulas sempre que querem? Mundo injusto este em que vivemos.
 
Maio de 2009
 
Henrique Salles da Fonseca

PENSAMENTOS MATINAIS - 2

 

 
O Homem e a História
 
No exame dos fenómenos históricos, o Ocidental procura insistentemente “o culpado das coisas”. O Oriental, sobretudo o de influência zeno-budista, nunca o faz porque sabe, à priori, que ninguém é culpado. As coisas são resultado de outras coisas e inter-reagem, isto é, produzem efeitos modificadores nas outras coisas e registam elas próprias modificações por efeito alheio. O homem, quando intervêm, fá-lo como reacção aos acontecimentos e condicionado pelas circunstâncias. Dir-se-ia que, diferentemente das restantes coisas, introduz no processo o elemento racional. Porém, o papel da razão é diminuto. A tónica da leitura humana dos processos históricos é predominantemente emocional; a razão manifesta-se mas apenas  em defesa de interesses próprios. Temos pois que o homem é  mais outra coisa que produz alterações e,  na experiência,  se transforma a si próprio. E assim até ao infinito.  
 
13 de Maio
 
  Luís Soares de Oliveira

POSTAIS ILUSTRADOS – XV

 

 
Anno Elécti. - I
 

“Para bem subires na vida, necessitas de duas coisas: ignorância e confiança”
Mark Twain, (1835-1919), Carta à Senhora Foote, 2/12/1887

 
 
 
Sei que sou interpelativo por natureza e, por vezes, ácido na forma de escrever, mas, a verdade, é que Mark Twain tem razão no que toca a muita gente instalada na vida por via da política profissionalizada e, infelizmente, com o nosso beneplácito.
 
Quero com isto dizer que há por aí muita gente (demasiado) ignorante e que, com um total descaramento e inconsciência, toma decisões ou ajuda a tomar decisões políticas que nos afectam a todos; o que agrava a situação, quando somamos a ignorância e a “lata” à incompetência e arrogância.
 
Não há ser humano que mais me abale o sistema nervoso do que aquele que se me apresenta arrogante e autoconvencido da sua superioridade inata e autoridade delegada, por infortúnio, por nós mesmos. Mas, no tocante a opiniões, eu tenho a minha e não é um arrogante qualquer que me faz mudar de opinião. Como afirmava a escritora americana Lawana Blackwel (1952-), em “O Dote da Menina Lydia Clark”: “Quem molda a sua vida pela opinião dos outros, nada mais é do que um escravo”. Nem da minha opinião sou escravo, por isso, estou aberto às críticas que julgarem pertinentes como, aliás, de outro modo, não podia deixar de ser.
 
Esta introdução para vos vir falar Do Ano do Eleito, que é como quem diz: ano de eleições. Não vou voltar ao tema dos pressupostos de carácter para um Eleito; esses já foram descritos pelo meu Prezado Amigo, Dr. Henrique Salles da Fonseca, segundo o seu critério e exigência; e, oportunamente, comentados no local certo: este blog “A Bem da Nação”.
 
Farei uma abordagem sistémica quanto às questões que se levantam com os excessos de democracia. Sim! É isso mesmo! Eu escrevi “excessos de democracia” e é isso mesmo que quero dizer. É que, no sistema democrático, como em todos os sistemas políticos, há defeitos e excessos: uns provocados pelo funcionamento do próprio sistema, decorrentes de factores endógenos e outros circunscrevem-se ao redor do elemento exógeno predominante: o factor humano. “Democracy is an expensive political system” Quem o escreveu ou disse já não me lembro. Que é caro é. Muitíssimo caro! Basta atentar nas despesas que alguns partidos, de forma inconscientemente perdulária, se propõem fazer, para este ano eleitoral. Basta atentar nos aumentos aprovados na Assembleia da República para o apoio financeiro do Estado aos partidos em função do número de votos obtidos. Basta atentar no último diploma aprovando um novel exemplar modelo de financiamento dos partidos. Toda esta sanha gastadora é uma afronta a quem já vive abaixo do limiar de pobreza. E ninguém pode alegar desconhecimento desta situação e, muito menos, os políticos, fazendo vista grossa, em total e frio desprezo por esses portugueses para quem a vida é ingrata, mas que estão classificados no quadro das preocupações políticas do Poder, como invisíveis, inexistentes. Mas... cuidado que estes existem, vivem ao nosso lado e toda esta sanha perdulária pode bem vir a ficar-nos tão cara que pode custar-nos a Liberdade, que os militares de Abril, arriscando os seus (deles) pescoços, nos puseram no colo. Não sejamos, pois, ingénuos, porque se não o formos, teremos a capacidade anímica e a força moral para reconhecer que as coisas não correm bem! Já temos uma Democracia com 35 anos, em idade adulta, portanto; e, como adulta que é, carece de assumir a coragem da mudança e fazer um rol do que está mal e corrigir. Se não tivermos capacidade, coragem e inteligência para assumir as culpas, os erros e emendar rapidamente este rumo, duma forma pacífica, inexoravelmente, a necessidade das grandes transformações surgirá duma forma abrupta e violenta. Vae Victi! Ao dos vencidos... que seremos todos nós, como Povo. Os sussurros já andam por aí, em pianíssimo; ignorá-los, com o medo egoísta de perder os “tachos” próprios e de defender os dos compadres das famílias partidárias é inconsciência criminosa; é abrir as portas aos ventos em crescendo do descontentamento. Os alertas já estão aí, bem claros, na rua, nos cafés, nos transportes públicos... Acordemos em tempo útil. Deixemos ir os privilégios, que muitos de nós nem ganhámos nem merecemos. Fiquemos com os dedos, deixemos ir os anéis e a ganância de querermos ganhar tudo duma só vez. Abrandemos o ritmo do desejo de querermos ser mais iguais do que os outros. Sentemo-nos humildemente à mesa das negociações, em atitude patriótica e procuremos por uma Sociedade mais justa e igualitária, por um Bem Social Comum em prol do bem estar da Nação e não por um individualismo medíocre e burro. Chamam-me idealista lunático, ou maluco, até, mas ouçam-me... enquanto é tempo.
 
Pro se quisque ac pro omnibus Deus
(continua)
 
 
Luís Santiago

HERÓIS DE CÁ - 5

 TOMÁS DA FONSECA - I

 

 
(1877-1968)
I
 
De seu nome José, vejamos o que sobre ele nos conta a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira a págs. 571 do volume 11 da edição por fascículos iniciada em Abril de 1935:
 
«Escritor, poeta, erudito professor e propagandista republicano, n. em Laceiras (Mortágua) aos 10-III-1877. Frequentou o Seminário de Coimbra, curso de Teologia, que abandonou depois. Desde muito novo se evidenciou pela ardência da sua nobre e desinteressada propaganda das ideias liberais e, depois do regime republicano, na Imprensa, no livro e na tribuna onde a sua eloquência foi muito notada. Era, ao mesmo tempo, organizador e animador entusiástico de inúmeras associações de carácter cultural, social, económica, etc. Foi uma das figuras de maior relevo na campanha intensa e acidentada que precedeu a proclamação da República Portuguesa em 1910, colaborando depois, como deputado, em todos os grandes actos dos primeiros tempos no novo regime. Teve assento no Parlamento até 1917 colaborando na reforma do Ensino Primário e Normal. Foi vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, Director das Escolas Normais de Lisboa, da Universidade Livre de Coimbra, presidente do Conselho de Arte e Arqueologia da mesma cidade. Em 1920 foi em missão ao estrangeiro (França, Bélgica, Inglaterra) em visita de estudo a escolas, museus, bibliotecas, etc. Tomou parte em muitos congressos de Arqueologia, políticos, regionais das Beiras, etc. A sua colaboração jornalística foi, por vezes, muito intensa e sempre notável em Mundo (Lisboa), Pátria (Porto), Vanguarda, Voz Pública, Norte, República, Povo, Batalha, España Nueva, Lanterna (Brasil), Alma Nacional, Arquivo Democrático (de que foi director), Diabo, etc. Escreveu e publicou, entre muitos outros, os seguintes trabalhos: Evangelho de um seminarista, 1903, após a saída do seminário, com duas cartas de Elisée Reclus dirigidas ao autor; Deserdados (poesia), 1909, prefácio de Guerra Junqueiro; Sermões da Montanha, 1909; Origem da Vida, 1912; Musa Pagã (poesia), 1921; História da Civilização relacionada com a História de Portugal, 1922; Cartas Espirituais – A mulher e a Igreja, 1922; Ensino Laico, 1923; As Congregações e o ensino, 1924; Erro de origem, Transformismo religioso, 1925; Santa-Clara-a-Velha de Coimbra, 1926; Coimbra, in Enciclopédia pela Imagem, 1929; No Rescaldo de Lourdes, 1932; O Santo Condestável, 1932; A Igreja e o Condestável, 1933. Coligiu e prefaciou Versos de um cavador – Manuel Alves, (1900), 4ª edição 1943. Prefaciou, entre outros: Alma Nova, de Guilherme de Azevedo, 1923. Escreveu em colaboração com Brito Camacho Questão Romana, 1930. No prelo em 1943: Águas Novas (peça dramática), Agiológio Rústico, Banca Rota, Novas do Calcanhar do Mundo, etc. É colaborador desta Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
 
Morreu em Lisboa em 12 de Fevereiro de 1968.
 
Mas tenho muito mais para contar sobre o meu Avô. Mais logo…
 
Lisboa, Maio de 2009
 
Henrique Salles da Fonseca
 
 

 

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