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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

O «cara» e o G-20
 
Foi grande o sucesso do nosso big kxk durante o G 20! Alvo de atenções e cortesias, todos se riam quando estavam a seu lado. Bonito para ele e para o Brasil. Mas...
O Brasil que cresceu com a brutal inflação/especulação que levou ao desastre que agora se está a atravessar, deve-o à política implantada por FH, o tal que deixou a “herança maldita”, com juros altos, controle da moeda e da inflação e promoção das exportações, contra o que o analfabeto grevista sempre esbracejou e gritou!
Chegou a pedir o impeachment do presidente Fernando Henrique para depois seguir de forma rigorosamente igual a sua política económica!
Entretanto em mais de seis anos de (des)governo, com um crescimento absurdo das contas públicas e a permissão para que a corrupção e a desmoralização do poder público atingissem níveis jamais previstos, não houve crescimento interno! O Brasil cresceu com as exportações, com os preços absurdos das commodities, com a esmola eleitoreira das bolsas-família e outras, mas em termos de infraestrutura, estagnou.
O PIB deve grande parte do seu «crescimento» à arrecadação de impostos e ao aumento desregrado de funcionários públicos! Segundo o Prof. Ricardo Bergamini, com base nos números conhecidos no mês de Dezembro de 2008, comparando com Dezembro de 2002, houve aumento do efectivo da ordem 316.809 servidores: Legislativo - 4.739; Judiciário -13.455; Executivo Civil - 111.346 e Ex-territórios e DF de 12.939.
Não há dúvida que o nosso big líder tem lá fora um grande acolhimento, e é mesmo «o cara», «0 boa pinta» palavras simpáticas de Barak Obama, para não lhe chamar de «o bobo». Jamais tal definição de um presidente havia sido citada em toda a história: «O cara»!
Cada vez que «o cara» abre a boca, quando não usa frases feitas e gastas, é para usar palavreado chulo ou para ofender, como no caso do loiros de olhos azuis, os culpados pela situação mundial.
Com palavras dele: depois de ter vivido, como líder grevista a insultar o FMI e sua «gangue», agora acha chique emprestar dinheiro ao mesmo FMI!
Todo o mundo sabe que o grande espectáculo que anunciou o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), foi uma estrondosa mentira. Os países têm embaixadores no Brasil e comentam, com seriedade, o que aqui se passa. Mas Lula, que vive 80% do seu tempo fora do gabinete, em viagens dentro ou fora do Brasil, leva com ele aquele sorriso dos «boa praça» brasileiros, que riem, entretêm, bebem umas caipirinhas e nada resolvem, porque não resolvendo não criam atritos com os correligionários! Empurra com a barriga, diz umas piadas bobas, faz rir os interlocutores, e vira assim «o cara», o «bobo».
Como agora, quando não quis almoçar ao lado do facínora do Sudão, mas sobre o assunto não abre a boca. Foge às responsabilidades e... fica «na dele»!
O Brasil tem tudo para crescer e se alinhar com os países do primeiro mundo.
Só não tem quem o governe com seriedade e voltado para o desenvolvimento. É sabido que qualquer presidente que chegue para transformar este país, vai viver um inferno de greves e oposições. Terá que demitir vinte ou trinta por cento, ou mais, dos funcionários públicos fantasmas ou inúteis, os mais de 20.000 cargos “de confiança” lá colocados pelo cara e pelo PT, acabar com o bodo dose constantes aumentos de salários e benefícios aos gestores públicos, deputados, senadores e até juízes, e fazer ainda muito mais estrago no statu quo actual.
Isso custa muito, muito mesmo, em termos de desgaste político. Mas sem esse choque de ordem, o Brasil não passa de um país com «caras bacanas»!
Nós não queremos ser um país de «caras bacanas», nem a república das bananas. Queremos ser um país respeitado e admirado por suas atitudes éticas e coerentes, pelo seu desenvolvimento geral e social, pelo respeito às culturas indígenas e não pelo retalhar do território, mas para isso terá por começar por se moralizar a função pública e política.
Dizia há dias uma correspondente da CNN em Moscovo que a Rússia não é um país democrático porque lhe faltam as três bases: imprensa livre (nisso o Brasil pode gloriar-se, mas o governo luta para limitar essa liberdade!), judiciário independente e eficiente (coisa rara, por aqui) e oposição política, totalmente inexistente.
Os teóricos partidos políticos de «oposição» contentam-se com os «presentes» que o big líder lhes oferece e ficam quietos. Oposição nesta terra... não há, e até dentro do suposto principal partido oposicionista a briga interna pela liderança é maior do que a externa pelo país.
Por este andar as perspectivas são de continuarmos a ter um «cara bacana», que não vê, nem ouve, nem fala... a não ser para dizer besteirol!
É assim o «país... do futuro»!
 
Rio de Janeiro, 4 Abril de 2009
 Francisco Gomes de Amorim

RODA MUNDO NO MUNDO...

 

 Sorocaba Skyline
Sorocaba, SP
 
Muito já se falou sobre a importância da Semana do Escritor, criada e organizada por Douglas Lara, já em sua quinta edição, por ser um evento que congrega escritores, jornalistas, artistas, editores e público em geral, em torno de várias acções culturais como saraus de poesia, lançamento de livros, performances, apresentações musicais, etc.

A Semana do Escritor é uma grande oportunidade de encontro entre profissionais afins porque além de ser uma grande festa literária, propicia um clima para conversas inteligentes, criação de projectos, possibilidades de trabalho e parcerias, troca de informações sobre o mercado editorial, enfim, estabelece-se uma verdadeira rede de relacionamentos  profissionais pautada em qualidade, experiência, seriedade e abertura para novos contactos. Um verdadeiro “networking”.

O Roda Mundo, colectânea de prosa e poesia, também organizada por Douglas Lara, publicada pela Ottoni Editora, é um grande veículo para realizar o desejo de publicar trabalhos e participar da Semana do Escritor, agendada para Julho próximo. Esta obra contempla escritores nacionais e internacionais e conta com todo apoio da media e favorece mais visibilidade junto aos pares e leitores.

A cada nova edição do Roda Mundo amplia-se o universo de novos escritores e a sedimentação dos que já participaram. Com bom acabamento gráfico, capa criativa, apresentação feita por um grande nome do meio académico, essa obra ocupa um lugar de destaque na produção editorial contemporânea.

Importante ressaltar que a 4a. Semana do Escritor rendeu bons resultados também fora do Brasil. Vários escritores estrangeiros demonstraram interesse em participar da próxima colectânea, o que ratifica o alcance obtido por essa publicação.

Os interessados em participar do Roda Mundo 2009 deverão entrar em contacto com Douglas Lara e/ou Mylton Ottoni
 
 Douglas Lara
 
 

Contactos: Douglas Lara: douglara@uol.com.br

                  Mylton Ottoni: ottoni@ottonieditora.com.br   
  
 
Roda Mundo 2007
http://www.joaquimevonio.com:80/n40.html
 
Roda Mundo no mundo... edição 2009

http://www.classionline.com.br/noticiasregionais.detalhe.logic?id=5174
 
 
Sorocaba dia e noite

http://www.vejosaojose.com.br/sorocabadiaenoite.htm
 
 
http://www.sorocaba.com.br/acontece
Seja bem-vindo ao Acontece em Sorocaba

douglara@uol.com.br -  Telefone  (15) 3227-2305
 

A QUEM DAREI O MEU VOTO – 2

 

 
 
 
 
Tenho a Autarquia como um espaço privilegiado para o exercício da democracia dado que nela é quase directa a relação entre o eleitor e o eleito, as «coisas» bem ou mal feitas têm autoria muito identificável e a influência do eleitor mandante pode ter alguma eficácia junto do mandatário eleito. Também a acção do autarca tende a influenciar mais directamente a vida do freguês do que as distantes e frequentemente estéreis agressões verbais desenvolvidas no Parlamento. E se os tiques parlamentares já se pegaram às Assembleias Municipais e de Freguesia onde a vaidade desses mini e micro-deputados se pavoneia com teatralidade, a relação de proximidade e a dimensão das questões locais cabem melhor no espírito do cidadão comum do que o discutível pragmatismo da actividade legislativa de génese parlamentar.
 
Não é, pois, pela elevação dos temas ou sequer pela volumetria da produção legislativa que justifico a importância que atribuo às eleições autárquicas: é pela relação de proximidade, pela influência directa e permanente que as questões locais exercem na vida de cada um, pela temática prosaica que aborda; in limine, pela inequívoca influência que a Autarquia tem na qualidade de vida do cidadão-eleitor-contribuinte.
 
E se cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuso, não será útil aqui referir questões que se colocam a uma Autarquia específica seja ela a Capital do País ou a mais recôndita Freguesia do interior. Mas há temas comuns a todas elas e são esses que mais me interessam neste dilema de saber a quem dar o meu voto.
 
A quem o darei então? Muito simples: a quem me inspirar confiança. E que características tenho eu que procurar em quem se perfile como candidato para que a minha confiança apriorística possa existir?
 
Dentre os atributos que definem um cidadão exemplar, supostamente «maior e vacinado», parece-me justo excluir alguns, a saber:
 
  • Não ser Advogado – negligenciável
  • Não ser membro das Forças Armadas – negligenciável
  • Não ser membro das Forças de Segurança – negligenciável
  • Não desempenhar qualquer função no seio do Poder Judicial – negligenciável
  • Não ter cadastro – imprescindível
 
Com tanta exclusão, facilmente se conclui que não é necessário ser-se cidadão exemplar para me convencer a dar-lhe o meu voto. Ou seja, o critério da exemplaridade não é aplicável porque a definição é ridícula e não porque a exemplaridade seja negligenciável.
 
Terei, pois, que seguir outro critério quiçá mais exigente.
 
Assim, darei o meu voto nas próximas eleições autárquicas a quem provar dispor e usar regularmente os seguintes atributos não hierarquizados:
 
·         Ética – democrática ocidental;
·         Integridade – de conduta recta, pessoa de honra, educada, imparcial, briosa, pundonorosa, justa, que não se vende; pessoa para quem a moral não tem preço e é indiscutível;
·         Responsabilidade – obrigação de responder pelas próprias acções induzidas por razões ou motivos plausíveis, no exercício do livre-arbítrio, tendo plena consciência das consequências dos actos praticados, sempre em favor do bem-comum;
·         Respeito pela Lei – nunca legislar em benefício próprio mas apenas tendo em mente o interesse geral;
·         Respeito pelos direitos do próximo – nunca se esquecer de que não é «dono» da Autarquia mas apenas mandatário ao serviço dos eleitores na busca do bem-comum;
·         Transparente – ser pública e privadamente de boas contas.
 
Desejo que não seja necessário imitar Diógenes que em pleno dia caminhava por Atenas com uma lanterna acesa «à procura de um Homem».
 
Assim ele se candidate para que lhe possa dar o meu voto.
 
Lisboa, Abril de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 

A SOLUÇÃO DA BENDITA CRISE


Portugal está em crise e regressa a habitual rapsódia do desânimo. Todos zurzem os responsáveis e lamentam que "este país" não tem emenda. Ninguém nota os enormes progressos desde anteriores recessões. Pior, as críticas são tão ociosas quanto os criticados. Afinal que aconteceu e como se cura?

A situação tem contorno definido e solução simples. Em 1985, ao entrarmos na Europa, o primeiro-ministro Cavaco Silva falava em desafios, dificuldades e pedia "deixem-nos trabalhar". Ao fim de dez anos de esforços, em 1995, os eleitores quiseram descansar e acreditaram ser possível crescer sem esforço. Realmente a segunda metade da década de 1990 viveu uma prosperidade aparentemente fácil. Muitos avisaram à época que tal só era possível com endividamento.

Esta ilusão é paralela à euforia consumista americana que tantos condenam. A nossa dívida pública externa triplicou de 12% do PIB em 1995 para mais de 45% em 2007. No total do País, a "posição de investimento internacional", indicador da situação financeira global, subiu de uma dívida de 8% do produto em 1996 para 40% em 2000. Agora, ao atingir os 90%, os jornais acordaram.

Como foi possível chegar aqui? Um país pequeno não se endivida sem a sua moeda entrar em colapso. Portugal aprendeu isso em 1977 e 1983, quando chamou o FMI para pôr a casa em ordem. Mas na grande Zona do Euro as dívidas portuguesas deixaram de ter impacto e pudemos acumular sucessivos défices externos. Desde 1998 que o nosso desequilíbrio na balança corrente e capitais está acima dos 4% do PIB. Desde 2005 ultrapassamos os 8%, nível da crise revolucionária de Abril. A moeda única tem muitas vantagens, mas o pior defeito é esta perda do sinal de alarme cambial: endividamo-nos sem custos.

Mas não ficámos indefesos, pois permanecem dois avisos. O primeiro, o Pacto de Estabilidade, por ser político, foi violado sem problemas. Portugal foi o primeiro país europeu a ultrapassar os limites de 2001 a 2007. Existe porém um outro mecanismo para forçar a corrigir o descalabro: o mercado financeiro. Quem está demasiado endividado paga taxas altas ou perde acesso ao crédito.

Infelizmente, na euforia inicial do euro e da bolha especulativa, os mercados não discerniam correctamente entre os países, tratando por igual todos os membros da moeda única. Por isso é excelente a notícia da passada quarta-feira, de descida na classificação de risco (rating) da dívida portuguesa. Finalmente, com a crise financeira mundial, os mercados voltam a cumprir as suas funções de vigilância.

Os próximos anos serão duros, mas vamos entrar no bom caminho, quer queiramos quer não. Portugal será forçado a corrigir a sua situação financeira. Não há desculpas. Bendita crise, se nos der juízo!

Ao começar finalmente a recuperação, os actuais lamentos e críticas são inúteis. Quando faziam falta, não se ouviam. Pior, são também hipócritas porque a culpa do endividamento não é dos políticos, mas de todos. Um indicador simples mostra o problema.

A grave situação externa vem da baixa competitividade de Portugal. Mas, ao contrário do que se diz, o mal não está na produtividade. Desde que entrámos no euro (1999--2007) o produto por trabalhador português cresceu um total de 10,4%, enquanto na média dos Doze crescia 10,9% e a Espanha só 4%. Por que razão ficámos para trás? Porque os salários portugueses aumentaram um total de 7,7% no mesmo período, enquanto a média dos Doze subia só 5,5% e em Espanha caíam 4,5% acumulados. As nossas dificuldades externas e endividamento não vêm de produzirmos pouco, mas de ganharmos de mais para o que produzimos.

O problema não está nos salários dos operários, que na indústria vivem intensa concorrência europeia. São os ordenados dos ministros, funcionários, bancários, professores, médicos e outros. De todos, até dos críticos. A solução para a crise não vem da qualidade da classe política e outros temas habituais dos lamentos. Passa, em boa medida, por uma expressão que Cavaco Silva usava há 15 anos e nunca se ouviu desde então: moderação salarial.

João César das Neves: "O normal é polémico porque o aberrante ...  João César das Neves
Professor universitário - naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

 in Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 2009  

O valor da tradição

 

                                                                    
 
      
                Festa do Divino (Acrílico sobre tela de Néri Andrade- 1998)
 
 
Didaticamente, definimos tradição tudo aquilo que foi incorporado ao estilo de vida de um grupo especifico de pessoas e que foi mantido e repetido através dos tempos conferindo-lhe um aspecto cultural.  Isso associado à constituição genético-morfológica e ao ambiente irá determinar e qualificar esse povo. Quando percebemos a fleuma saxónica do europeu do norte, o fatalismo do oriental, o fetichismo do africano e o utilitarismo do americano, estamos conferindo características especiais à sua conduta, que o identifica.
 
Dentre o pluralismo genético e cultural brasileiro podemos verificar, especialmente no povo “bate-praia” do sul do país, tradições açorianas chegadas no século XVIII que deitaram raízes e passaram a fazer parte da cultura popular brasileira, notadamente de Santa Catarina ( Florianópolis) e Rio Grande do Sul. 
 
No culto aos santos, em especial ao Divino Espírito Santo, no hábito antigo de fundar Irmandades e Associações, nas procissões e festas populares, no gosto pelo artesanato e pela música, na mesa farta, no respeito e amor à família, no sentimento arraigado aos valores da terra, na paixão pelo mar e pela natureza, vemos a tradição açoriana renovada e adaptada à região.
 
Relembrando umas quadrinhas populares açorianas:
 
Senhor Espírito Santo
Lá da casa da Ribeira
Cheira a cravo, cheira a rosa
Cheira a flor de laranjeira
 
Tenho tantas saudades
Como folhas tem o trigo
Não as conto a ninguém
Todas consumo comigo
 
Minha triste saudade
Vamos nós mais devagar
O amor é criancinha
No correr pode cansar.
 
Pus-me a cantar saudade
Ao pé de uma verde cana
Respondeu-me uma folhinha
Triste vida a de quem ama!
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 13 de Abril de 2009.
 
Foto: do livro Caminhos do Divino de Lélia Pereira da Silva Nunes.
 

 

CRÓNICA DO BRASIL

 

Povo
 
Diz o bom e erudito Aurélio amigo, que «povo» é um conjunto de indivíduos que falam a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, afinidade de interesses, uma história e tradição comuns.
Como estas circunstâncias não se coadunam com as gentes que habitam um território conhecido pelo nome de Brasil, os big lideres têm vindo, sistematicamente, a alienar partes do território, em favor de outros povos que, na realidade, em nada se identificam com a maioria dos habitantes deste Mundus Novus.
 
Começa logo pela premissa de que muitos, muitos, não falam a língua oficial, o português, logo, aos olhos dos supremos juristas da terra, começam por se desencaixar do povo brasileiro. Depois, no que diz respeito a hábitos idênticos, muito menos, e então sobre história e tradição comuns... nem se fala. Resta a afinidade de interesses, e aí é c'a porca troce a cauda!
 
Os interesses à volta da Reserva da Raposa do Sul são semelhantes aos que estão a aflorar agora depois de milénios congelados, no Ártico, onde se sabe que há petróleo, ouro, urânio, nióbio e de onde vão desaparecer os ursos, substituídos pelos grandes conglomerados exploradores de riquezas.
 
Tal qual a Raposa do Sul. Não tarda a chegada de "missionários", do tipo daqueles ingleses bonzinhos que foram missionar em África no século XIX e se apoderaram de mais de metade do continente.
 
No entanto há qualquer coisa que começa a identificar, unificando, os costumes e a tradição de elevada porcentagem da restante população chamada brasiliense, que são os moralmente elevados e altamente culturais programas de televiasão Big Brother Brasil, que, além de terem profundos objetivos educacionais - basta o nome em inglês para provocar uma corrida à cultura inglesa - leva os babacas a considerarem que neste país (país?) um dia serão todos brôderes!  Mentira. As garotas e os garotos do BBB viram celebridades e o povo... vibra de entusiasmo e aprova o (des)governo.
 
Enquanto Obama, para levantar a economia e a hegemonia dos EUA, aposta firmemente em educação, investigação, saúde e obras de infra-estrutura, o nosso (des)governo, tal como previ, afirmei e foi publicado há seis anos, não fez ABSOLUTAMENTE nada nestes anos todos, guardando uma grossa fatia do orçamento para obras eleitoreiras em final de mandato, a inaugurar em ano de eleições!
 
Propõe agora construir um milhão de casas populares - ninguém sabe com que dinheiro - mas a reserva do orçamento para aumento do funcionalismo público é cinco vezes maior do que o valor, hipotético, destas necessárias casas.
 
Isto significa:
1.- enquanto não houver adequada instrução, da primária ao superior, o povo BBB vai aplaudir o demagogo kxk, o samba e o futebol porque de pouco ou nada mais entende;
2.- a maioria do «povo brasiliense» acaba se transformando em funcionário público e junto com os beneficiários das bolsas família, bolsas dos mensalões, bolsas dos correios, das eternas e imensas propinas, das bolsas-cuecas, da possibilidade de enriquecimento mais rápido que um pequeno relâmpago de trovoada, como aconteceu ao filho do big kxk, que foi de empregado primário num zoológico a grande fazendeiro latifundiário e exportador de carne para a Europa em menos de 24 horas - votará SEMPRE na continuação do status quo que o alimenta e de quem pouco ou nada se exige;
3.- com a imensa inflação da máquina governamental, com elementos escolhidos entre os apaniguados, controlando o país de norte a sul, favorecendo as sociedades poderosas, sobretudo os bancos, com os juros mais altos do mundo e ainda subsidiando movimentos terroristas capazes de enfrentar as Forças Armadas, se as houvesse bem estruturadas, é evidente que o Brasil não tem por onde enxergar e almejar subir para o patamar das nações desenvolvidas, apesar de ser considerado hoje o celeiro do mundo!
 
Dizem os árabes, desde há muitos anos, que a civilização ocidental está chegando ao fim, porque não possui mais aquele acervo de valores que lhe deu sua proeminência. (Sayyd Qutb, Cairo, 1964).
 
O Brasil não tem esse acervo. Podia ter um ainda mais rico, com a mistura de povos que o constitui. Mas não. Despreza-o, como despreza a sua história ensinando-a deturpada.
 
A esperança está, muito ténue, na diversidade de imigrantes que aqui procuraram refúgio, depois de terem vivido diversas formas de insegurança e/ou perseguição nos seus países de origem, desde a Inquisição, à fome na Europa no século XIX, às políticas, à esperança de um El Dorado, etc., e hoje o que querem é paz.
 
No tipo de governo actual, aliás (des)governo, a esperança até há pouco estava na emigração, que a crise mundial está a afectar.
Dentro, para progredir, evidente, na função pública, basta «matricular-se», não em qualquer escola, mas nos partidos que são os «senhores da terra»!
 
Ou então no futebol ou no BBB.
 
Viva a cultura.
 
Rio de Janeiro, 26 de Março de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

A QUEM DAREI O MEU VOTO – 1

 

 
 
 
Aproximam-se as eleições europeias, as autárquicas e as legislativas. 2009 é um ano em cheio para quem tenha o hábito de votar. Vou, portanto, ter um ano politicamente muito activo.
 
Dentre tantas eleições, não hesito em atribuir a maior importância às legislativas. Reconheço que as autárquicas são muito importantes na perspectiva que lhes compete, a local, mas às europeias continuo a não levar muito a sério. Porquê? Porque o Parlamento Europeu não manda nada que se veja e quem produz a legislação europeia são aqueles conjuntos anónimos de funcionários apátridas que pululam em Bruxelas acolitados por funcionários nacionais que por ali passam a dar o corpo como presente e a dizer coisas que os Governos se comprazem em ignorar com base no pressuposto de que aos funcionários competem assuntos técnicos e os governantes só se metem na política. E é deste modo que aparecem cá fora Directivas e Regulamentos elaborados por anónimos de cujos detalhes e consequências os eleitos se alheiam. Nós, os contribuintes comuns, só temos que pagar, cumprir e calar.
 
É para mim claro que esta realidade vai ter que ser radicalmente alterada e por isso mesmo sou favorável à urgente entrada da Turquia na UE. Porquê? Porque quando a Turquia entrar – e Obama já deu as suas ordens aos que por cá lhe obedecem – os desequilíbrios e a confusão vão ser tão grandes que a metodologia vai ter que ser completamente alterada sob pena de haver uma implosão que acabe com toda esta alucinada encenação unitária – unicitária, diria mesmo.
 
Tendo, portanto, a União Europeia como uma utopia sem nexo, não lhe vejo qualquer solidariedade nem lhe atribuo a menor importância como inspiração estrutural para os interesses estratégicos de Portugal nem de qualquer outro país europeu não dominante. Muito menos lhe vejo qualquer acção que a faça relevante para o resto do Mundo. Portanto, et sans blague, nas eleições europeias vou votar no Partido – democrático ocidental – que preconizar a mais urgente adesão turca.
 
Lisboa, Abril de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca

POR QUE RAZÃO PORTUGAL QUASE NÃO TEM MARINHA – II

 

Apesar disto em 1974 estávamos em plena expansão particularmente a Nacional e a Insulana, tínhamos cerca de 185 navios, mas a revolução de Abril ao fim de poucos anos destruindo as empresas privadas e introduzindo na nossa vida económica preconceitos políticos iniciou a ruína da nossa marinha cujo golpe de misericórdia seria dado na década de 85-95.
 
Hoje temos uma marinha mercante residual, uma marinha de recreio incipiente, uma Armada com enormes dificuldades resultantes desta situação e com que perspectivas?
 
Mas antes de prosseguirmos vejamos num ápice o que é de facto uma Marinha.
 
É o conjunto de frotas de transporte marítimo de todos os tipos, de pesca, de recreio, de formação, de hotelaria, de investigação científica, de defesa e de todas as actividades que se processando no mar, nos rios e nos lagos exigem a colaboração de autoridades públicas, de empresas e de cidadãos quer como tripulantes e colaboradores quer como clientes quer ainda como eleitores que com o seu voto decidem quem nos governa.
 
Ao fim e ao cabo o que na nova moda se chama o cluster do mar e que os portugueses tinham nos finais do século XV, naturalmente adaptado à época.
 
Quando observamos a nossa história podemos afirmar que nunca fomos um país de marinheiros mas sim um país que algumas vezes usou marinheiros para atingir alguns objectivos que implicavam navegar. Mas as nossas populações na sua maioria nunca deram provas de gostar de navegar, excepto as povoações piscatórias que representavam uma percentagem pequena (excepção para os Reis D. Luís e D. Carlos) e agora o gosto pelo mar costuma ser consubstanciado com a construção de restaurantes à beira mar em vez de locais onde se possam ter embarcações e com a compra de motos de água.
Mas além de não termos populações com interesse concreto pela marinha também nos faltam empresários em geral, e em particular como tem sido fatal para as actividades marítimas.
 
Para que haja empresas nesta actividade são indispensáveis dois vectores que se interliguem eficazmente a saber: o Estado principalmente como regulador e estimulador, eventualmente como investidor para cumprir obrigações de carácter público, e empresários privados que naturalmente exigem enquadramentos que lhes permitam ter a competitividade necessária e suficiente para terem êxito perante os concorrentes internacionais, pois esta é uma actividade global sujeita ás leis dos mercados globais.
 
A situação em Portugal é em resumo assim: temos enquadramentos estatais deficientes e ineficazes e embora algumas instituições como esta sociedade [de Geografia de Lisboa] e a Academia de Marinha tenham desde há muitos anos pugnado pela devidas correcções a fazer, nada tem acontecido excepto livros de várias cores, discursos, criação de comissões sem qualquer resultado prático.
 
Os contributos de vários organismos para o desenvolvimento do País, como os da Ordem dos Engenheiros, da CIP, de grupos “revolucionários” de empresários nada adiantam quanto a actividades marítimas. As cadeias hoteleiras de maior porte não entendem a importância que tem a ligação a cadeias de navios de cruzeiros para o seu negócio e continuamos a perder oportunidades como a da Taça da América por não percebermos o peso da navegação de recreio como factor económico além do educativo, que em Valência originou a criação de cerca de 18000 empregos.
 
E porquê, quando em 1974 parecia estarmos a acelerar estas actividades?
 
A explicação que defendo como mais plausível é de ordem cultural e política. Com efeito após a revolução dos cravos gerou-se um movimento de origem esquerdista mas que depressa alastrou a todos os sectores da vida portuguesa: o colonialismo era o vilão máximo e a Marinha tinha sido durante séculos o instrumento dessa desgraça. Portanto tinha que ser reduzida à expressão mínima ainda por cima havendo interesses coincidentes de intermediários com grande influência política que preferiam a fraqueza dos sectores produtivos em favor das facilidades dadas à intermediação tanto na marinha mercante como nas pescas o que explica as políticas seguidas nestes últimos 30 anos.
 
A própria Armada foi atacada por este vírus embora ainda seja o último baluarte desta resistência mas cada vez mais abalada pela falta de apoio da iniciativa privada que tem dado provas de também estar contaminada pela doença do imediatismo.
 
Com efeito, a juntar-se ao preconceito anti marinha veio a surgir como consequência da debilidade da nossa estrutura sócio-política o fenómeno do imediatismo, a que aliás estão sujeitas várias democracias, e que consiste na necessidade dos políticos terem apenas quatro anos como período fértil garantido para tirarem proveito da sua actuação.
Convém notar que a actividade económica numa democracia como a nossa se processa basicamente movida pelo binómio iniciativa do Estado (logo políticos) / iniciativa privada (logo empresários) dominada pela fraqueza empresarial que em vez de influenciar o Estado se encosta a ele para diminuir o risco e aumentar os lucros rapidamente.
 
O que conduz obviamente ao incremento de obras públicas muitas vezes desnecessárias mas sempre caras, de construção de habitações a mais e muito oneradas pelos processos de especulação, de construção de estádios de futebol etc., etc. e ainda por cima com a sobrecarga de uma Administração Pública –Central e Autárquica - a precisar de ser reorganizada em termos de operacionalidade e redução de custos em vez de se andar sempre a repisar a famigerada regionalização pois a maioria das autarquias não tem dimensão crítica para ser eficiente…
 
Tudo isto enfraquece o tecido produtivo reduzindo-lhe drasticamente a competitividade e ainda por cima desmotivando o investimento dos empresários em actividades como as marítimas que de forma alguma poderão dar tais resultados imediatos.
 
Se adicionarmos a tudo isto o facto de já não haver praticamente empresários com conhecimentos de “shipping”, ficamos com um retrato tremendamente pessimista da situação.
 
A menos que…alguma instituição como por exemplo esta sociedade [de Geografia de Lisboa] consiga interessar os media ou pelo menos alguns media dando origem a um movimento que contribua eficazmente, como nunca se conseguiu, para mudar a cultura nacional tal como já está a acontecer em alguns sectores.
 
1 de Outubro de 2007
 
 José Carlos Gonçalves Viana
Sociedade de Geografia de Lisboa
Secção de Transportes
 
Publicado na Revista de Marinha, Outubro de 2007

PÁSCOA SACRA

 

 
Celebrações pascais no Sri Lanka
 
PÁSCOA deriva do hebreu Pasch'ah = passagem, para o Povo de Israel significando a fuga do Egipto paraaTerra Prometida com passagem pelo Mar Vermelho, e depois, para os cristãos, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo, enquantopassagem da Terra para a Eternidade ou da Morte para a Vida.
 
É, pois, rememorando essasduas passagens que hebreus e cristãos celebram a PÁSCOA SACRA, datas grandes de suas religiões, eventos maiores de suas crenças, reuniões importantes de suas tradições, mas, infelizmente, também fontes de desavenças, porquanto, desde essas remotas épocas, guerras de índole religiosa vêm ceifando muitas vidas e destruindo muitos bens, prática absolutamente contrária, oposta e ofensiva dessas mesmas religiões, agressão às ideias e aos ideais de seus fundadores, de seus patriarcas, de seus apóstolos e de seus seguidores mais sinceros, mais honestos, mais cumpridores, mais idealistas!!!
 
JVerdasca
OS LUSÍADAS [portugalclub@portugalclub.org]
 

PÁSCOA PORTUGUESA NAS CELEBES

Rituais

 

 

Na Ilha das Flores
Indonésia
Uma Páscoa Muito Antiga




Em Larantuca, na ponta oeste da ilha das Flores, Indonésia, as celebrações pascais assemelham-se às nossas. Perpetuam a tradição, luso-descendentes que a diáspora levou de Malaca a Macassar e que nas Flores se radicaram no século XVI. Com eles trouxeram a língua, um tesouro e o culto a Nossa Senhora do Rosário. A Tuan Ma, como lhe chamam em dialecto local.

Hilarius Benediktu César da Silva descende directamente de Alfredo da Silva, representante dos reis de Portugal na ilha das Flores. Um dos sersan buran (sargentos brancos) que acompanhavam e protegiam os padres que lideravam a comunidade reino residente em Macassar, nas Celebes, e que, perseguida pelo poder islâmico, viria a estabelecer-se definitivamente nas Flores.
Consta que Hilarius está a escrever a história dos seus antepassados. Não o podemos confirmar, mas ele tem todo o gosto em mostrar-nos os retratos de família, e permite que o fotografemos com a sua senhora e um dos filhos. As feições de Hilarius são claramente caucasianas. Tão pouco enganam os olhos verde-oliva do seu vizinho, o senhor Da Gomes, cuja casa faz paredes-meias com a capela Trewa (Treva), um dos inúmeros nichos de religiosidade local.
Famílias de Larantuca - Da Gomes, Cesar da Silva, Monteiro - todas elas ligadas as sersan buran de outrora.
Aconselham-nos a procurar a estirpe do DVG - ou seja, Dom Dias Vieira Godinho, rei de Larantuca - a quem cabe a honra de abrir as portas da capela de Tuan Ma, Virgem do Rosário, padroeira local. Tuan Ma é exibida em público uma só vez por ano. Precisamente na Sexta-Feira Santa.

Linhagens e Mordomos Pascais
A capela Maria, ou de Tuan Ma, situa-se em frente à antiga praia onde - diz a lenda - terá sido encontrada a estátua da Virgem. Documentos históricos fidedignos, porém, asseguram que ela foi trazida de Malaca, juntamente com outros ícones de matriz religiosa, que hoje são encarados pela comunidade local como um tesouro sem preço.
Xavier da Costa, tesoureiro da Confreria Reinha Rozari, autêntica guardiã da divindade, não esconde o seu desagrado pelo aspecto mais vistoso do templo.
Preferia a capela antiga, era mais autêntica. O senhor Costa abre-nos as portas, mas as relíquias não as pode mostrar antes de sexta-feira. Sesta Vera, como dizem em Larantuca.
A Reinha Rozari tem ali o seu secretariado. Em tudo se assemelha às confrarias portuguesas. Para além do cargo de tesoreiro, conta ainda com o de prokurador, tjamador e ouvedor. Mas a função que mais nos interessa neste período pascal é a de mordomo - entidade encarregue de alimentar os homens que erguem estacas de bambú nas ruas pequenas e apertadas por onde progredirão milhares de pessoas na procissão das velas de sexta-feira à noite, ponto alto da festividade pascal.
Em Abril, esta povoação plantada no sopé do Ili Mandari, um vulcão inactivo, acolhe dezenas de milhar de pessoas. Larantuca é - pode dizer-se - o mais relevante local de peregrinação para os católicos da Indonésia e países limítrofes.
O almoço tem lugar em casa dos Fernandes, a quem este ano coube o título (e a honra) de mordomo. Carne de cão (sinal de distinção) é um dos pratos servidos. O peixe, reservam-no para os da casa, acompanhado com banana, inhame e coco ralado.
De forma natural, com a ajuda do arak de palma, aguardente local de forte teor alcoólico, entramos no jogo de palavras. Admiram-se, alguns, de muitos dos termos e expressões do seu dialecto local (e do bahasa) terem origem no português. Outros sabem disso e até acham normal. Surpreendidos ficam ao saber que em Portugal é idêntica a tradição dos mordomos pascais.
As famílias católicas raramente casam fora da comunidade. Os Fernandes, por exemplo, estão cruzados com os Ribeiros.

As Mães da Música
À entrada da capela de Tuan Ma amontoam-se sandálias e chinelos. No interior só é permitido andar descalço.
Depois de lavada, no maior dos segredos, por elementos escolhidos da Confraria, a estátua de Tuan Ma está à vista de todos. Aos pés dela prostram-se os mordomos da capela para este ano - chineses endinheirados de Jacarta. Seguem-se alguns dos notáveis, os membros da Confraria, e só depois os devotos em geral. O ritual prolonga-se durante todo o dia e pela noite dentro.
Em redor, mulheres vestidas de preto acendem constantemente velas e círios. E quando não cantam, rezam. Outras mulheres, também de preto, as Mama Mudji (mães da música) apenas rezam. Avé-marias, pai-nossos, salvé-rainhas. Sempre em língua portuguesa, socorrendo-se de pequenos cadernos onde as ladaínhas foram passando de punho em punho, de geração em geração. É óbvio que não entendem o que dizem, embora o digam correctamente.
Uma celebração litúrgica marca a noite, na catedral do Postoh (posto). A Lamentação de Jeremias é, sobretudo, feita de música, a cargo dos coristas da Confraria, e do som das matracas e do gongo chinês, que substituem a tradicional sineta nos momentos mais sagrados da cerimónia.
À entrada, a polícia controla as bagagens. Larantuca pode muito bem ser alvo de um atentado. É reconfortante ver, contudo, que muitos dos que fazem segurança são elementos da comunidade islâmica local.
Cristãos e muçulmanos, ao contrário do que se passa noutras províncias indonésias, vivem aqui em perfeita harmonia. Muitos deles partilham até laços familiares.

A Procissão Marítima
São traiçoeiras as águas do Estreito de Gonçalo, que divide as Flores das ilhas de Solor e Adonara. Em linha com a praia de Kota, onde se situa a capela do Tuan Meninu, assiste-se a um verdadeiro ajuntamento de barcos de pesca a transbordar de pessoas. Sentadas à proa, à popa, a bombordo, a estibordo, no convés.
Todos se preparam para acompanhar o Deus-menino, numa procissão marítima que tem origem numa tradição similar ainda hoje praticada em certas povoações costeiras de Portugal continental e insular.
Na margem, transferem agora a estatueta da capela para uma barcaça movida por dois homens com varas de bambu.
O percurso é de cerca de mil metros, sempre a escassos metros da margem onde uma multidão de crentes assiste ao cortejo. Indivíduos com motos de água funcionam como controladores de tráfego, assegurando que nenhuma das embarcações ultrapasse aquela que leva a estátua.
A entrega do Meninu dá-se num local que já foi praia, em frente à igreja de Santo António.
Enquanto isso, outros participantes preparam-se para a marcha que conduzirá Tuan Ma à catedral. O ritmo é marcado por um tambor de caixilho (de origem portuguesa) e os ornamentos pascais são transportados por crianças trajadas a rigor.
A catedral, essa noite, é pequena para tanta gente. Sentada, de pé. Dentro e fora de portas. Gente de diferentes comunidades. Destacam-se os irmãos da Confraria, na nave principal. Atrás deles, as carpideiras, Mulheres de Jerusalém, camufladas sob um pano negro. Entre os mais bizarros, os nikodemus, encapuçados que transportam o andor do Cristo morto, e Verónica, portadora do lenço com o rosto ensanguentado de Cristo.
Todos eles integram a gigantesca procissão que em passo lento percorre as ruas de Larantuca transformadas em Via Sacra. A entrada das ermidas e de muitas das casas estão alumiadas com centenas de velas. Apenas o som das matracas e o rufar do tambor interrompem o murmurar das ladainhas. No final, todos confluem para a catedral, numa manifestação de fé impressionante. A maioria logo regressa a casa. Muitos outros, integram a fila dos que vão beijar os pés da Senhora que na igreja permanece toda a noite.
Sábado de manhã cedo Tuan Ma regressa à capela. As velas são retiradas das estruturas de bambu. Resta no chão a cera derretida, com a qual muitos aproveitaram para escrever mensagens ou simplesmente os seus nomes.
Está lá o do Figo, quiçá a única referência que estes nossos patrícios longínquos têm do Portugal de hoje.
Joaquim Magalhães de Castro [texto e fotos]

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