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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

S E N S A C I O N A L
 
O big chefe falou !
 
NOVE DIAS depois de quatro seguranças de uma fazenda terem sido assassinados pelos terroristas do MST (subsidiados, alimentados e protegidos pelo governo e seus sequazes) o big kxk falou: “É inaceitável a desculpa (dos assassinos do MST) de legítima defesa para matar quatro pessoas!”
 
Porque só nove dias depois e não na mesma hora? Porque o mundo inteiro apontou o dedo para o Brasil!
 
Mas o seu querido ministro da justiça (justiça ???) minimizou o crime e ainda teve o desplante de declarar que a reforma agrária vem sendo feita de maneira ordenada, e diz que  não vê nenhum índice de aumento de violência!”
 
Já nem é ser cara de pau. É ser pior do que os próprios bandidos, quando se sabe a quantidade de casos em que tem havido mortes, destruição de propriedades, até de laboratórios de pesquisa, e vem o senhor tarso genro, que se arroga o título de ministro da justiça dizer que tudo se tem feito de forma ordenada e sem violência!!!
 
É uma afronta às meninges mesmo dos mais mentecaptos e mal informados dos brasileiros. Que justiça é esta a que estamos a assistir? Revolução bolchevique de 1916? Pior, porque na Rússia os revoltosos assumiram o que estavam a fazer. Aqui é tudo dissimulado, mentido, e roubado.
 
No dia seguinte a imprensa divulgava o que já era do conhecimento público: o MST continua a ter treinamento de guerrilha, e que foi descoberto um arsenal com armas de guerra! Para quê? Para fazer a reforma agrária de forma ordenada e sem violência?
 
Não tarda o MST toma conta de metade do Brasil, como as FARC e talvez leve o tarso para ministro lá no mato.
 
Que desgraça de país, sem rei nem roque!

Rio de Janeiro, 3 de Março de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

LIDO COM INTERESSE – 42

 

 
 
 
Título: HISTÓRIA DOS PORTUGUESES NA ETIÓPIA (1490-1640)
Autor: Pedro Mota Curto
Editores: CAMPO DAS LETRAS
Edição: 1ª, Outubro de 2008
 
 
 
 
Com as dimensões de um verdadeiro tratado, é constituído por 494 páginas de texto mais 72 de Cronologia que começa em 1500 a. C. e acaba em 2008 a que se segue a Bibliografia com 27 páginas. Num total de 601 páginas, é sem dúvida um livro de peso.
 
Da badana se extrai que o Autor é licenciado em História pela Universidade de Coimbra, mestre em História dos Descobrimentos Portugueses pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, neste início de 2009, doutorando em História da Expansão pela mesma Universidade. Pese embora nada constar, é perfeitamente admissível que a presente obra corresponda à tese de doutoramento do Autor.
 
Quem era o Preste João? Que cristianismo professava? Onde se localizava o seu reino? Três questões que motivaram a Europa medieval desde Reis e Papas a aventureiros, comerciantes, intelectuais, loucos e sensatos. Foi necessário esperar por Portugal para que luz se fizesse; Pêro da Covilhã, D. Cristóvão da Gama e tantos outros que não cabe aqui referir, eis uma plêiade de portugueses que nos devem hoje encher de orgulho.
 
E para que se fique com uma ideia da antiguidade das relações bilaterais Portugal-Etiópia, basta referir que o primeiro Embaixador etíope chegou a Lisboa em 1452 e Pêro da Covilhã terá chegado à Corte do Négus por volta de 1493.
 
A questão fundamental que se colocava era a de os muçulmanos não quererem de maneira nenhuma perder o tráfego das especiarias do Oriente até à Europa onde tinham Veneza por principal cliente. Os portugueses estavam a quebrar essa rota meia náutica meia terrestre e, pior ainda, estavam a tentar estabelecer uma ligação perene com a Etiópia, o cristianismo encravado no meio do Islão. Depois de extintos os principais núcleos cristãos no Egipto, no Iémen e no Sudão, os portugueses protegiam o Preste João impedindo o monopólio islâmico.
 
Depois de algumas Embaixadas e de equiparável número de pelejas, o Império cristão do Preste João sobreviveu e Miguel Castanhoso «relatou as experiências [por ele próprio] vividas na Etiópia durante quase três anos, desde o dia 9 de Junho de 1541 até 16 de Fevereiro de 1544. Dos quatrocentos portugueses que desembarcaram [com ele] restavam cerca de 150, dos quais cinquenta aguardavam ansiosa e legitimamente que os fossem buscar. A maioria não regressaria nunca à Índia nem a Portugal. Aí ficaram, aí viveram, constituíram família e tornaram-se numa espécie de guarda pessoal do Imperador da Abissínia. Nos primeiros trinta anos do século XVII, os missionários portugueses jesuítas que visitaram e permaneceram na Etiópia descrevem com frequência os filhos destes 150 combatentes, que em 1630 ainda eram considerados a elite do exército etíope e continuavam a ser apelidados de portugueses.» (pág. 225)
 
Isto foi o que sucedeu enquanto o processo esteve entregue a homens normais; tudo evoluiu de forma bem diferente quando os teimosos entraram em cena. E o pior é que se a cena já era tradicionalmente de sangue, suor e lágrimas, o clerical fundamentalismo europeu só foi acirrar o processo.
 
No entanto, foram 150 anos de presença portuguesa que deixaram rastos genético e arquitectónico. Se os traços genealógicos são hoje dificilmente identificáveis a olho nu, as ruínas de Gondar são marcas indeléveis que levaram Elaine Sanceau a pensar que naquelas “(…) torres ameadas (…) paira ainda a melancolia indefinida de uma visão que passou”. Sobre o que o Autor conjectura: «Mais uma presença portuguesa em terras tão distantes. Do Uruguai à Califórnia, Terra Nova, África do Sul, Índia, China, Japão, Indonésia, Austrália. Melancolia de visões que passaram ou alegria de visões que regressam?».
 
Pelo que me toca, alegria de visões que regressam. 
 
Lisboa, Março de 2009
 
Henrique Salles da Fonseca
 
 

Burricadas 57

 

os passivos do nosso descontentamento -VI
 
v        E o Governo, o que faz? O que todos os Governos, entre nós, sempre fizeram, porque só isso sabem fazer bem. Atira o dinheiro dos contribuintes (da actual geração e das gerações futuras) para cima dos problemas – e dá conferências de imprensa.
v        Num alarde da incultura financeira que há séculos nos atormenta, crê que a CGD é pau para toda a obra. Sem ver que: (1) pela sua estrutura patrimonial, e pelo perfil do risco a que está exposta, a CGD é, hoje em dia, um Banco particularmente vulnerável a esta crise; (2) a descarada instrumentalização da CGD pelo Governo só agrava ainda mais o risco que os Bancos estrangeiros (de que ela fundamentalmente depende) lhe atribuem.
v        Não vê também que não são tantas assim as empresas portuguesas (no número das quais não se contam os Bancos) capazes de dar um destino útil a mais dívida, sem virar os pés pela cabeça, porque possuem Capitais Próprios suficientes. Em tais circunstâncias, anunciar mais linhas de crédito é um exercício de puro humor negro.
v        Mal avisado, o Governo parece buscar algum alento no modo como a economia portuguesa reagiu à crise de 1982-1985, sem se aperceber de que a realidade actual pouco se assemelha à de então.
v        Há 25 anos: a crise era, sobretudo, local, bem nossa; dispúnhamos ainda do instrumento cambial (e uma desvalorização cambial súbita é a medida de política económica mais democrática que se conhece: num primeiro momento, todos são atingidos por igual); muitos dos que, nas cidades, ficaram desempregados mantinham ainda ligações estreitas com o campo e com uma economia agrícola de auto-suficiência que lhes ia mitigando a fome; os movimentos de capitais com exterior estavam sujeitos a controlos administrativos apertados (embora de eficácia duvidosa); a Banca, ainda que minada por crédito malparado, devia uma insignificância nos mercados interbancários internacionais (e o que devia estava avalizado pelo Estado, mas tinha um ponto fraco: as sucursais no estrangeiro, fortemente endividadas, que passaram despercebidas ao FMI) – e, por isso, não estava no epicentro da crise (aí estavam, sim, as contas públicas e a ameaça de ruptura nos pagamentos ao exterior).
v        Hoje: temos uma crise internacional a sobrepor-se a uma crise local ainda mal resolvida; a política cambial já não nos pertence (está nas mãos do BCE); a geração que ficara no campo desapareceu por completo e, com ela, a retaguarda de subsistência alimentar para os que fiquem desempregados; os movimentos de capitais com o exterior estão liberalizados; no epicentro da crise encontramos, cá dentro e lá fora, a Banca e os deficits das BTC.
v        Em comum, apenas, os deficits da BTC (mas a ruptura dos pagamentos ao exterior provocaria, hoje, o colapso total, não do Banco Central, mas de todo o sistema bancário - e, por arrastamento, do sistema de pagamentos interno). Haveria, então, que descobrir um modo, necessariamente novo, de lidar com a presente crise. Os primeiros passos, porém, não foram auspiciosos.
v        Um erro já foi consumado, fruto de promessas imprudentes: o aumento aos funcionários públicos. Outro está na forja: investir em betão, sem efeitos evidentes na competitividade externa da economia portuguesa. Crê o Governo que o produto potencial vai aumentar só porque chama “investimento” ao que começa por ser, apenas, um gasto. Santa ilusão!
v        Construir estradas dá trabalho a uns, poucos, gabinetes de projectistas, a cimenteiras, a uma ou outra siderurgia no estrangeiro, à GALP (asfalto), a umas quantas pedreiras próximas, a contingentes relativamente pequenos de mão-de-obra pouco qualificada e nada mais - se fizermos orelhas moucas aos futuros encargos com a conservação e manutenção. O mesmo se diga para o TGV - onde a componente importada fará tremer a nossa já muito periclitante BTC. Por isso, em épocas de crise faz mais sentido reparar que construir.
v        Que fazer, então? Começar por distinguir entre o que sejam, por um lado, medidas temporárias para mitigar os efeitos da crise (dirigidas às pessoas necessitadas de protecção, mas com os subsídios e outras prestações sociais atribuídos por um só organismo para evitar oportunismos) e, por outro, programas que visem evitar a contracção do produto potencial.
v        A acção governativa prioritária (e já vem atrasada) consistiria em corrigir os erros legislativos que apontei anteriormente – dotando-nos finalmente de meios eficazes no combate às crises (a esta e a todas as que se lhe seguirem).
v        E, se não for exigir demais do legislador, fixar prazos máximos, supletivos, para o pagamento dos créditos comerciais demonstráveis – de tal modo que, transcorridos esses prazos, a dívida adquirisse automaticamente uma natureza financeira e se tornasse exequenda, com os correspondentes juros compensatórios também fixados supletivamente.
v        Havendo dinheiro (ou capacidade de endividamento), pôr o Sector Público, de uma vez por todas, a pagar pontualmente, conforme o que estiver formalmente contratado (sem abuso de posição dominante, naturalmente). O mesmo, para os reembolsos fiscais.
v        Finalmente, concentrar à la Obama o pouco que sobrar (de capacidade de endividamento externo, de espaço nos Balanços dos Bancos e de capacidade contributiva do cidadão):
-            No aproveitamento das fontes renováveis de energia eléctrica;
-            Na dinamização da agricultura (uma das zonas mais densas do tecido económico), com especial ênfase na reorganização dos mercados de 1ª transacção (aqueles por onde os produtos alimentares entram nos canais de distribuição);
-            Na reabilitação dos edifícios, de forma a torná-los acessíveis a todos (mesmo aos deficientes motores) e mais eficientes (quer quanto a consumo de energia, quer quanto a efluentes) – o que permitiria dar trabalho ao sector da construção civil (tão importante em termos de emprego e de relações inter-industriais) sem aumentar a oferta imobiliária;
-            Em isenções fiscais à produção de bens transaccionáveis (mas sem repetir o erro cometido na Qimonda, onde, de forma completamente insensata, se considerou estratégica uma empresa com um só fornecedor e um só cliente, reunidos na figura do accionista);
-            No alargamento dos seguros de crédito à exportação (desde que a metodologia de avaliação do risco e os acordos com os Estados onde o risco reside sejam aperfeiçoados), através de um Fundo de Resseguro financiado com Títulos de Dívida Pública.
v        Ah! E na capitalização dos Bancos (com Títulos de Dívida Pública, obviamente), que bem necessitados estão. Mas acompanhada da contratualização de Planos de Negócios (sem esquecer os critérios de gestão do risco e as estratégias de dividendos) com aqueles que queiram receber essas entradas de capital. (FIM)
Fevereiro de 2009
 A. PALHINHA MACHADO
 

Falando da India...

 

( Foto do livro de J. Duarte Amaral " O livro do Chá")
 
 
 
Depois que a TV Globo lançou uma nova telenovela de Gloria Peres, O Caminho das Índias,  muito se anda especulando sobre a cultura desse povo, que há muitos séculos interagiu com a nossa. Pode ser que agora a curiosidade  popular leve as pessoas a redescobrir  Vasco da Gama, o caminho marítimo para as Índias, e a relembrar que as trocas culturais e comerciais  entre Índia- Açores-Portugal e Brasil são muito antigas e que influenciaram o nosso mobiliário e hábito alimentar condimentado, a nossa arquitetura e até escultura,  principalmente dos santos católicos, como  nas obras de Aleijadinho onde se vê a influencia nirvânica .
O açoriano Vitorino Nemésio deixou gravada a  sua fascinação pelas coisas da Índia neste texto:
 
"Lembrou-me, como se fosse hoje, do espetáculo da chegada dos caixotes de pau de cânfora de que iam saindo por milagre as loiças de tons quentes, as caixinhas de teca e sândalo recheadas de colchas de seda em que voavam pássaros esquisitos e em que flores de matiz precioso me pareciam lume a arder. Saíram cadeirões de encosto cinzelados de palmas e de Budas de ventre lêvedo; saíram estampas e umbelas de papel de arroz e seda pura, que abriam e fechavam de repente. Minha mãe teve um leque que a fazia corar de felicidade e de pudor ao quebrar pelo unido das varetas a sua desdobrada paisagem de tigres e de tetos de pombal. E uma miniatura  do túmulo de São Francisco Xavier levava tanta prata e um trabalho de estilete tão miúdo que venceu logo, a meus olhos, o prestigio do real presépio da nossa capela do Rosário.
Começou então a minha viagem imaginária à Costa do Malabar...
Algumas estampas da Índia Portuguesa de Lopes Mendes, encadernada em dois volumes na grande consola da sala que tinha o Crucifixo de marfim, elucidavam-me sobre aquele mundo remoto e fantástico do meu tio.”
o sol quando nasce » Blog Archive » NATAL CHIQUE Vitorino Nemésio
(In- Panorama Lisboa, n.o 13-14, 1955)
 
 
Maria Eduarda Fagundes
 Uberaba, 04/03/09

 

Pode-se fabricar um povo?

 

- 3 -–
As hierarquias e os sábios
 
 
Com algumas excepções, possivelmente raras, a maioria de nós durante a vida trabalhou para terceiros, quer fossem empresários ou função pública, e quantas vezes discordámos com atitudes que considerávamos erradas, que prejudicavam o público ou os clientes, chocando quase sempre nos «galões» do chefe ou do patrão, auto-alcandorado a sábio infalível, por erro de quem o promoveu ou lhe deu dinheiro para se estabelecer.
 
É quase matemático o princípio de Peter: "Em um sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência." Boa parte é promovida por carregar a pasta do chefe, por arranjar uns «arranjinhos» ao patrão, porque, ninguém sabe como foi possível, mas terminou uma faculdade, etc. E depois o mundo funciona mal.
 
Estamos hoje a assistir a uma calamidade financeira, já que a social é crónica e vai continuar, mercê dos espertos donos da verdade, que rebentaram com o mundo.
 
Mas isto até vai ser bom, porque as crises geram novas soluções, novo dinamismo, e enquanto não se voltar ao mesmo princípio de Peter – sempieterno, alguma coisa pode mudar. Foi sempre assim, não só no mundo laico como no religioso.
 
Vejamos os cristãos. Quando o Império Romano acabou em Roma e se estabeleceu em Constatinopla, que era Bizâncio e acabou em Istambul, os cristãos do oriente e do ocidente, tendo seguido princípios dogmáticos diferenciados em relação a Cristo, procuraram entender-se em diversos concílios, sem terem alcançado a união que seria desejável. Entretanto o Papa, respeitado pelos tártaros que ocuparam Roma, sentiu-se um espécie de chefe também temporal dos romanos, apoiado pela aversão destes aos invasores e procurou desde então unir os cristãos de todo o mundo sob a sua sege. O resultado foi o afastamento das várias igrejas, primeiro do oriente e norte de África, e culminou no século XVI com a Grande Reforma, os protestantes, que por sua vez se dividiram em "n" outras linhas teológico-filosóficas, como calvinistas, anglicanos, etc.
 
E a Igreja Católica continua cheia de problemas, não já por razões de dogmas (e até...) mas por dissensões motivadas pela dificuldade em se adaptar aos tempos modernos. Tudo isto pela quantidade de patrões” que comandam a igreja e, talvez com medo de perder seus purpúreos cargos, não sejam capazes de perceber que põem assim a perder, cada vez mais, o número de católicos em todo o mundo. A falta do tal aggiornamento!
 
No Islão algo se passa também, e desde que o Profeta morreu. Quem devia assumir o comando do mundo muçulmano? Quantos califas apareceram? Os descendentes de Fátima e Ali, de al Abbas, tio de Maomé, de Abu Talib pai de Ali, de todos eles e muitos mais? Os descendentes da família do Profeta, que se multiplicaram em milhares através dos tempos, todos tinham hierarquia e trato especial e nem eram julgados pelas leis comuns! Quem aceitava, sem se afastar, de interpretações diversas de vários homens sábios sobre algumas passagens do Corão? Se hoje os grandes grupos no Próximo Oriente são sunitas e xiitas, ainda há sauditas, alauitas no Marrocos, e outros mais, separados exactamente por causa da hierarquia e do comando dos povos, e a forma encontrada de os manter, por enquanto, em relativa união, depois das muitas guerras e disputas entre eles, além das orações obrigatórias em determinados horários, a que ninguém pode faltar, está a peregrinação anual a Meca.
 
O pensador Ibn Arabi, de origem andalusa, foi de entrada desprezado, e só reconhecido quase quatrocentos anos depois, por um dos sultões otomanos, que depositou os seus restos num imponente túmulo que virou lugar de peregrinação, em Damasco.
 
Pelo fato do Irão se ter tornado uma potência nuclear, o equilíbrio de toda a região está seriamente ameaçado, mesmo que todos os muçulmanos se considerem, forçadamente, irmãos, mesmo assassinando-se como no Darfur, onde o genocídio não pergunta, antes de dizimar, qual a religião do outro! Tudo pelo poder. A hierarquia.
 
Finalmente algumas considerações sobre os judeus. Os mesmos problemas se passam com esta gente. Hoje a luta pelo poder em Israel é grande, mas como qualquer judeu, de qualquer parte do mundo, é considerado cidadão israelita, na altura das eleições, rabinos de todo o lado, os mesmos fariseus do tempo de Cristo, avançam, demoram o tempo suficiente para votar nos partidos rabínicos e, a continuar assim, a evolução para um estado democrático, de direito, jamais vai acontecer.
Os judeus deixaram de seguir a Bíblia porque o original (?) contém algumas passagens que os incomodam. Preferem a Torá e o Talmude, com as interpretações e sumiços que os grandes sábios fizeram e continuam a fazer, porque é esta a única maneira de manter o seu status quo.
 
Pode dizer-se que há também no universo judaico muitos «protestantes». Mas como não têm um papa, o seu afastamento é menos sentido. Mas é fácil ver o comportamento dos judeus, por exemplo, aqui no Brasil. A sinagoga para uma grande parte deles é um lugar de culto, sim, mas onde só se vai por estricta obrigação, alguns mesmo uma única vez na vida e às vezes nem isso. Também eles não precisam de rabinos, sobretudo dos farisaicos e intransigentes.
 
Em qualquer religião os homens SANTOS são fundamentais (e eu tive o privilégio de ter conhecido alguns), pelo seu exemplo, a sua ética, a sua moral e nestes casos até mesmo se for ateu. Mas sábios que intrepretam a "palavra de Deus" a seu bel prazer e conveniência?
 
Não sabemos se foi Sócrates o primeiro a mandar-nos: conhece-te primeiro a ti mesmo! Ele não negou a necessidade de aprendizado, mas negou a hierarquia quando, como mestre, se recusava a ter discípulos.
 
Para terminar esta apreciação sobre as hierarquias, é bom repetir o pensamento de Gabriel Garcia Marques: “Um homem só tem o direito de olhar outro por cima quanto está a ajudá-lo a levantar-se!”
 
Vamos ver na continuação quem está a ajudar quem e o porquê dos desentendimentos...

Rio de Janeiro, 6 de Março de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

MOITA MACEDO

“O Sentido da Esperança”

12 a 19 de Março de 2009

Palácio Rocha Conde de Óbidos

Sede Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa

Jardim 9 de Abril, 1 a 5 | 1249-083 Lisboa






No Natal de 2008 a Cruz Vermelha Portuguesa vendeu Esperança para poder oferecer um pouco mais de futuro com Esperança a muitos que dele necessitavam.

Na Páscoa de 2009 vamos continuar este propósito. Porque queremos dar mais um pequeno contributo ao SENTIDO DA ESPERANÇA no mundo que teima em nos lembrar que “na escuridão a escada tem sempre mais um degrau”.

Vamos agora, nesta caminhada, chegar a mais um momento de contemplação de Esperança na contemplação da obra de Moita Macedo (1930-1983) um artista que “pintou versos, escreveu quadros” e encarnou criativamente em toda a sua produção artística, um notável sentido estético e vigoroso da Esperança. Um diferente sentido da Esperança de viver num Mundo Melhor.

E queremos que, desta forma diferente de olhar e antecipar um futuro diferente e neste momento de emergência social em todo o mundo, venha contribuir para apoiar uma Causa que a Cruz Vermelha Portuguesa quer continuar a construir e viver serenamente.


Luís Eduardo da Silva Barbosa
Presidente da Cruz vermelha Portuguesa






REFLEXÕES DE HENRIQUE MEDINA CARREIRA

 

Extracto de recente entrevista televisiva
 

"Vocês, comunicação social, o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»....Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias...mas é sem açúcar..."

"Eu não sou candidato a nada e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularuxo» porque não dependo do aparelho político!"

"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino...é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!"

"Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1% em 2...esta economia não resiste num país europeu."

"Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse."

"Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis? P'ra gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela? Quer dizer, isto está tudo louco!"

"Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for..."

"Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:
- Um desapareceu;
- O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
- O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
- E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim e fazer alguma coisa..."

"O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado."

"Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da policia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!"

"De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no Tratado.   É, mas não passa disso. É só para entreter a gente..."

"Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: -Prometem aquilo que sabem que não podem."

"A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"

"Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! "

"A minha opinião desde há muito tempo é TGV- Não! Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo. "Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe... Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!"

"Nós em Portugal sabemos é resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios... Receber os prisioneiros de Guantanamo? «Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!"

"A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!"

"Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?"

"Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade. Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."

"Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."

"Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo... Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a «bandalheira»."

"Há dias circulava na Internet uma noticia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina... Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina... Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação... Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."

"É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar. Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe."

"Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho... Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho... Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem..."

"Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem... No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa."

"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sitio. Esta inter-penetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas... Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si... Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política... Um político é um político. E um empresário é um empresário. E não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro...é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade."

"Este país não vai de habilidades nem de espectáculos. Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!"

"Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista».... Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito... Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir. O Português está farto de ser enganado!
Todos os dias tem a sensação que é enganado!"
RECEBIDO POR E-MAIL - COMPILAÇÃO ANÓNIMA
 

 

Burricadas 56

 

os passivos do nosso descontentamento -V
 
v        E nós, por cá?
v        Convenhamos. Esta crise surpreendeu-nos em mau momento: uma Dívida Pública muito acima do que seria prudente e sensato; Bancos excessivamente endividados no mercado internacional; as Empresas a dependerem totalmente do crédito bancário para o seu dia a dia; boa parte da população às voltas para pagar as suas hipotecas; um número de Famílias sobre-endividadas que já se faz notar nas estatísticas.
v        Uma economia mergulhada em dívidas - e, em tantos casos, com fracas perspectivas de vir, algum dia, a livrar-se delas - não é, propriamente, a melhor trincheira para resistir a uma crise que tem as suas origens, precisamente, no endividamento.
v        O endividamento dos Bancos merece uma atenção especial. Foram eles a principal causa, e o grande financiador, de uma longa sucessão de deficits da BTC/Balança de Transacções Correntes bem acima dos 8% do PIB (anos houve em que estes deficits ultrapassaram a fasquia dos 10%, chegando mesmo aos 12%) – o sinal mais claro do desnorte em que a economia portuguesa tem vivido desde que aderiu à zona Euro.
v        São eles, Bancos, deixados com rédea livre, os promotores e os maiores beneficiários deste estado de coisas - e sem disporem de Capitais Próprios para tal. Como é que isto tem sido possível? Resposta: Graças à inépcia do Regulador e à complacência do Supervisor.
v        De facto, tem sido dada cobertura a procedimentos contabilísticos que disfarçam evidentes insuficiências de Capital:
-            Empréstimos subordinados e outros expedientes a fazerem as vezes de Capitais Próprios;
-            Custos sem valor de mercado (logo, irrecuperáveis) classificados como Imobilizado Incorpóreo;
-            Gastos em imóveis arrendados (e, por isso, investimentos perdidos a favor dos senhorios) contabilizados como Imobilizado Corpóreo;
-            Em matéria de pensões (e de outras despesas asseguradas ao pessoal reformado), responsabilidades adquiridas por serviços passados ainda a pesar como dívida não especificada nos Balanços de vários Bancos;
-            Provisões constituídas inferiores às perdas prováveis nas carteiras de crédito bancário (à luz dos dados históricos, e sem entrar em linha de conta com o efeito do ciclo económico - logo, da própria crise);
-            Contas “de saco” recheadas de valores que, há muito, deveriam ter sido abatidos ao Balanço;
-            Lançamento “fora do Balanço” (extra-contabilístico) de passivos que só na aparência são contingentes.
v        Estaremos nós, a nossa organização como Estado de Direito, preparados para ultrapassar esta crise com danos graves, mas suportáveis? Duvido. Uma crise com esta magnitude exige instrumentos jurídicos extremamente aperfeiçoados, e sistemas judiciais expeditos para os aplicar com coerência, equidade e precisão cirúrgica.
v        Refiro-me, sobretudo: (1) a uma lei de falências desenhada para devolver prontamente à actividade económica os patrimónios atingidos; (2) a uma lei do arrendamento urbano que favoreça a mobilidade geográfica; (3) a um regime tributário das Empresas construído em torno da neutralidade fiscal entre juros e dividendos; (4) a esquemas de regulação bem rodados e credíveis; e (5) a uma cultura de prestação de contas e à disciplina do mercado.
v        Dê-se de barato a vertente cultural, que não se mudam hábitos de séculos da noite para o dia. Quanto ao resto, o problema não reside no facto de essas leis, esses regimes, essa regulação serem desconhecidos entre nós. Conhecemo-los bem. Só que concebidos, e praticados, como se tivessem por propósito escondido agravar os efeitos das crises que sobre nós se abatam - e tolher toda e qualquer reacção que possamos esboçar.
v        A lei e a prática judicial comprazem-se em deixar o património do insolvente a apodrecer, de mão morta, perante a passividade, ou a impotência, dos credores. Com a inevitável onda de falências que se avizinha, é fácil imaginar (mas impossível estimar) quantos bens de capital, capital físico, serão perdidos para sempre, reduzindo o produto potencial (saberá o legislador o que isso é?) – e deixando-nos ainda mais pobres.
v        A lei do arrendamento mantém aprisionadas no passado centenas de milhares de habitações, e empurra-nos para a aquisição de casa própria. Endivida-nos e bloqueia a mobilidade geográfico - um dos meios mais eficazes para mitigar os efeitos de qualquer crise.
v        A tributação directa das empresas, ao penalizar os dividendos, premeia subrepticiamente o endividamento – dando ao tecido empresarial português uma configuração particular, e particularmente frágil.
v        E quase por justiça divina, são o Fisco e a Banca os primeiros prejudicados com tamanha propensão para o endividamento. Aquele, porque se defronta com a opacidade própria das “empresas de patrão”, e a evasão fiscal que daí resulta. Esta, porque fica exposta a maiores riscos justamente numa altura em que, para segurar as suas fontes de financiamento externo, mais necessita de demonstrar a qualidade dos seus Balanços.
v        A regulação, quando é credível (logo, eficaz), diminui a conflitualidade, liberta os tribunais e assegura a todos iguais oportunidades. Quando não é – e em Portugal não é – torna-se, ela própria causa de litígio, protege à outrance o que está e entrava a mudança (a “destruição criadora” de Schumpeter), que é a outra face da crise.
v        Exemplo do que não deve, não pode ser feito é o que acontece quando se descobre (sempre de um dia para o outro - porque, entre nós, tais episódios são como a morte súbita, acts of God) que um Banco (ou outra qualquer Instituição Financeira), não tem ponta por onde se lhe pegue. Prolonga-se a situação até ao impensável, na esperança de que sobrevenha não se sabe bem o quê, posto que nada se faz de concreto para atalhar o mal.
v        E, entretanto, a descrença e o descrédito alastram ao ritmo a que o dinheiro dos contribuintes vai sendo vertido para financiar não só o que já não tem remédio, mas também o que custam as inúteis tentativas para reanimar mortos-vivos.
v        Todos, por cá e lá fora, estamos a redescobrir, agora, que, quando um Banco não se sustenta por ele próprio e os seus accionistas não têm nem saber, nem vontade, nem dinheiro para o repor no bom caminho, só há três medidas a tomar: (1) proteger o dinheiro dos depositantes (para manter incólume o sistema de pagamentos), fazendo avançar prontamente as garantias dos depósitos; (2) garantir também as posições interbancárias líquidas para conter o risco sistémico (o que, parece, não foi feito no caso Lehman Brothers); (3) colocar o Banco em liquidação forçada, com a imediata destituição dos seus órgãos sociais e auditores externos.
v        Seguir-se-á, então, o apuramento das responsabilidades pessoais. (cont.)
Fevereiro de 2009
 A. PALHINHA MACHADO

 

 

Pode-se fabricar um povo?

 

- 2 -–
 
As verdades (?) da Bíblia
 
A Bíblia é o livro dos livros, o livro sagrado, até para os muçulmanos apesar destes considerarem o Corão como o livro único.
Ninguém sabe quando a Bíblia foi escrita, nem por quem, mas por incrível que pareça há quem continue a acreditar que o mundo começou com Adão! De acordo com a Torá o mundo teria 5.763 anos, o que deixaria os dinossauros perplexos, sem terem tido tempo sequer de existirem!
Se Adão e Eva são uma metáfora, o que se dirá, por exemplo de Matusalém que teve o primeiro filho aos cento e oitenta e cinco anos e viveu até aos novecentos e sessenta e nove? E o simpático Noé que, com seiscentos, teve um trabalho imenso em construir uma barca para comportar um casal de todos os animais do mundo, e viveu até aos novecentos e cinquenta?
E Moisés? Será que conseguiu todos aqueles milagres para levar os judeus para a «terra prometida»? Para quê, se afinal sairia do Egipto para Canaan, que pertencia igualmente ao Egipto?
 
A história é hoje uma ciência, quase tão precisa quanto a matemática. Mesmo quando há registo escrito, a arqueologia, para os tempos antigos é fundamental, para confirmar, duvidar, ou até negar o que nos foi transmitido.
 
Por muito que se tivesse já pesquisado, no monte Ararat não se encontra o menor indício de restos de alguma «nau», que, a ter existido, deveria ser de dimensões gigantescas. Do mesmo modo a famosa subida de Moisés ao monte Sinai. A montanha que é conhecida com esse nome fica no sul da península de Sinai, numa região por onde dificilmente o povo que teria fugido do Egito poderia ter passado! E se Moisés levou cerca de um milhão de pessoas consigo, como é possível que não apareça uma única evidência da estadia dessa multidão no deserto? E foram alimentados pelo «maná»? O maná, a seiva de um inseto que aparece nas estações chuvosas (e raríssimas, no deserto) daria para alimentar um milhão de bocas durante quarenta dias? Além disso, nessa época, que se calcula (em teoria) que terá sido cerca de 1.200 a.C., já os egípcios registavam a história com minúcia, em papiros, placas de argila ou pedra, não seria admissível que tivessem deixado em branco a descrição das desgraças que lhe teriam caído em cima como tão extraordinária aventura? Impossível.
 
Ainda a arqueologia continua a procurar evidências do grande reino de David, sem encontrar mais do que raras referências a um pequeno grupo. E Salomão? Filho de David e de Betsabé, esposa de Urias, ambos hititas? Apesar da proibição, ainda hoje, se um judeu casar com uma mulher não judia, porque seus filhos não são considerados judeus, a primeira mulher de Salomão foi Anelise, egípcia, filha do faraó, além das outras setecentas mulheres e mais trezentas concubinas! Quais seriam os filhos judeus e os não judeus?
Por aí vai a «Bíblia histórica», à qual não resta grande base científica, menos ainda para confirmar o que o actual Estado Judaico quer fazer crer: que os romanos, em Jerusalém 68 d.C., terão morto cerca de um milhão de judeus (nessa época a cidade teria no máximo 50 a 100.000 habitantes!) e destruído o GRANDE templo, que teria sido construído e reconstruído quatro vezes. Mas... até hoje não se consegue encontrar qualquer vestígio desse grande templo! É pena.
 
Alguém acredita também que Ulisses tivesse tapado com cera os ouvidos dos seus companheiros para só ele ouvir o canto das Sereias e assim salvar a sua viagem?
 
As "histórias" antigas estão cheias de mitos, como o milagre da batalha de Ourique em 1139 (mantém-se a dúvida que tenha havido qualquer batalha!) onde «apareceu» a Afonso Henriques a mesma cruz que o imperador Constantino viu em 312 d.C. antes também de uma batalha,da Ponte Mílvia, e circundada pelos mesmos dizeres In hoc signo vinces!
 
É preferível considerarmo-nos descendentes da «vovó» Lucy, que andou por este mundo há mais de 3 milhões de anos, do que de Adão e Eva há menos de seis mil, apesar da opinião de antropologistas da Universidade de Tel Aviv que publicaram um estudo, levantando sérias dúvidas sobre o papel da "Lucy" como antepassado de toda a humanidade, até porque não está de acordo com a verdade bíblica!
 
(a continuar...)

Rio de Janeiro, 1 de Março de 2009

 

 Francisco Gomes de Amorim

BURRICADAS 55

 

os passivos do nosso descontentamento - IV
 
v        Redescobre-se, agora, que as tarefas dos Supervisores estão muito longe de se resumirem a carimbar uns papéis e ter à mão uma calculadora para verificar se o débito é igual ao crédito.
v        Têm de ter ideias próprias em matéria de risco: seja o perfil do risco a que as Instituições supervisionadas se encontram expostas, seja o risco incremental que as espera.
v        Como têm de se pronunciar sobre a suficiência dos Capitais Próprios – equacionando não só a exposição actual ao risco (incluindo o risco de reputação), mas também o risco incremental implícito na estratégia que cada Banco estiver a prosseguir (sem esquecer as entidades que giram em seu redor e podem provocar-lhe substanciais perdas de reputação).
v        E têm de revelar essas ideias com meridiana clareza também - para respeitarem a disciplina do mercado , justificarem o dinheiro que gastam e merecerem o estatuto de que gozam. Descansarem na opinião das Agências de Rating (como fizeram durante os anos que precederam esta crise), e desculparem-se com elas (como fizeram quando a crise rebentou), não mais poderá ser tolerado.
v        Os Bancos Centrais, por seu turno, reféns ainda da teoria main stream (e da estratégia Greenspan), insistem em baixar o preço do dinheiro para colocar (ou manter?) as suas economias em ineficiência dinâmica – continuando a premiar todos aqueles que estiverem na disposição de contrair dívidas, cada vez mais dívidas.
v        Ora, se foi o endividamento excessivo de uns (nas economias mais desenvolvidas) a causa da presente crise (como já tinha sido a causa da crise japonesa e, antes dela, da crise dos Tigres Asiáticos e por aí fora); se Bancos Centrais e Estados estão a endividar-se sem proporção para combater esta crise; estimular o endividamento generalizado não pressagia nada de bom. Além de, à primeira vista, não primar pela coerência.
v        Os mercados imobiliários estavam sobreaquecidos pelo excessivo endividamento das Famílias? As casas, em muitos locais, tinham atingido preços considerados absurdos? Os Bancos Centrais falavam com preocupação de “bolha especulativa”? Que saída para a crise têm eles agora em mente?
v        Uma queda abrupta dos preços das casas (é o que está a acontecer nos EUA, com o índice geral a cair 17% até à data, mas as perdas em certas áreas residenciais na Florida e na Califórnia chegam aos 40%) que repusesse a “normalidade” dos preços relativos desembocaria num cenário para o qual nenhum país está verdadeiramente preparado: (1) tribunais entupidos por um sem número de execuções de hipotecas (os EUA, mais desembaraçados, lançaram mão de julgamentos rocket docket); (2) pessoas em deslocação permanente à procura, simultaneamente, de casa e de trabalho; (3) orçamentos de prestações sociais em ruptura; e (4) Bancos com prejuízos que absorveriam por inteiro os seus Capitais Próprios actuais.
v        Mas, para sustentar os preços do imobiliário (mesmo aos níveis de agora e, não, aos de há dois anos atrás) e acomodar o endividamento que eles reflectem, só um surto inflacionista muito rápido (um processo expedito de realinhamento dos preços relativos) – o que também deixaria marcas profundas no sistema financeiro e na esfera real da economia. Será esta a racionalidade que inspira a política do “dinheiro barato”?
v        Se for, é porque se aposta tudo nas intenções de investimento produtivo (por oposição aos investimentos financeiros, ou “de carteira”). Se os empreendedores responderem afirmativamente a taxas de juro anormalmente baixas e à perspectiva de substanciais “prémios de inflação” (os ganhos nominais que o deslizar dos preços pode acrescentar à rentabilidade do investimento), espera-nos inflação e crescimento – sempre que nenhuma grande economia ceda à tentação do proteccionismo. Se não, redescobriremos todos a stagflação dos anos ’70.
v        Ora as intenções de investimento só têm bases sólidas quando possuam valor temporal (trocado por miúdos, quando as perspectivas de sucesso do investimento, apesar do risco, sobrelevam, quer a possibilidade de ele vir a dar para o torto, quer as alternativas financeiras de menor risco). E, ao nível “macro”, o valor temporal só existe quando se conjugam duas expectativas: crescimento e inflação (da ordem de um dígito, não mais).
v        A procura agregada terá, então, de dar sinais de vitalidade, apesar da inflação, para que as intenções de investimento prosperem – o que aponta para uma inflação alimentada pelos salários e/ou prestações sociais. Caso contrário, muitos investimentos não serão mais que simples intermezzos que se desmoronam mal as economias reentrem em eficiência dinâmica - e o endividamento tenha, de novo, um custo efectivo.
v        Sob este ângulo, o dilema com que os Bancos Centrais hoje se debatem é mais fácil de enunciar que de resolver: como estimular a procura sem aumentar ainda mais o endividamento dos já endividados, nem os empurrar para a insolvência. Dito de outro modo: suster, ou não, a queda dos preços das casas.
v        Um simples olhar pelo mundo revela três coisas: (1) que a actividade económica assenta fundamentalmente no passivo dos Bancos Comerciais (de longe, a maior fatia da liquidez que circula); (2) que é principalmente no activo dos Bancos Comerciais que se conciliam as tesourarias díspares dos agentes económicos (uns, a quererem pagar mais tarde; outros, desejosos de receber mais cedo); (3) que os Fundos Abertos (ou Fundos de Tesouraria), enquanto veículos especializados no financiamento dos ciclos de tesouraria (através dos mercados de Papel Comercial), tardarão a recuperar a importância que tinham antes da crise eclodir - salvo se ficarem definitivamente abrangidos por um qualquer esquema de garantia pública.
v        É, pois, nos, e sobre os Bancos Comerciais que importa agir: (1) capitalizando-os na proporção do esforço financeiro que deles se espera e dos riscos a que vão ficar expostos; (2) limitando-lhes, por razões prudenciais, o desequilíbrio temporal (ou mismatch) tolerável entre Activo e Passivo; (3) redescobrindo as virtudes do modelo tradicional - no qual os Bancos assumem prioritariamente o papel de facilitadores das transacções comerciais entre Empresas; (4) arredando tudo o que possa prejudicar a actuação da disciplina do mercado (designadamente, fazendo coincidir, para efeitos de supervisão prudencial e divulgação, os “perímetros de consolidação” com os “perímetros de reputação”).
v        Como fazer? Dando plena execução a três regras simples de enunciar (as duas primeiras inspiram já o Novo Acordo, ainda que o Comité de Basileia nunca se tenha dado ao trabalho de as pôr em letra de forma):
-            Em qualquer posição do Balanço, a taxa de retorno que tiver sido convencionada deve incluir (ou cobrir) a perda esperada (a regra do pricing ou da “cobertura horizontal”);
-            Os Capitais Próprios devem superar não só as perdas não esperadas (a diferença entre a perda máxima provável e a perda esperada), mas também eventuais insuficiências no pricing (a regra da adequação dos Capitais Próprios);
-            O acesso aos Mercados Interbancários Secundários (aqueles mercados onde os Bancos trocam liquidez e transaccionam títulos redescontáveis junto do Banco Central) para tomada de fundos deve ser reservado aos Bancos que integram o sistema de pagamentos (a regra da protecção do sistema de pagamentos).
v        E percebendo sempre que o desequilíbrio persistente da BTC é, antes do mais, um fenómeno monetário. (cont.)
Fevereiro de 2009
 A. PALHINHA MACHADO
 

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