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A bem da Nação

O “cluster” do Mar de 1974 a 2008 - RESUMO

 

EVOLUÇÃO E POTENCIALIDADES ACTUAIS 
 
 
1º- A origem do “cluster”, não desta palavra que é de invenção recente, vem do século XIII, conservou-se com adaptações óbvias até 1974 e coincidia com o então Ministério da Marinha. E o que é de facto este “cluster”do Mar?
     Convém recordar que a história deste “cluster” é a história de Portugal pois o que de mais importante houve realizado pelos Portugueses foram os descobrimentos marítimos e os altos e baixos da nossa Marinha foram os mesmos do País. Sem actividade marítima Portugal é um país periférico da Europa; com Marinha era um país central do Atlântico e do Mundo.
2º- Em Julho de 1974 é desmembrado e assim fica até agora o que será tratado resumidamente. O panorama actual da nossa Marinha é quase desanimador: ainda temos a Armada com as dificuldades naturais resultantes da fraqueza das Marinhas Mercante, de Recreio e de Pesca e começamos a ter actividades em investigação científica e no aproveitamento das zonas do oceano sob nossa jurisdição mas continuamos a ter grandes espaços vazios de autoridade e de interesses tanto na Administração Pública como na iniciativa privada.
3º- Serão analisadas sumariamente as causas que levaram à situação actual.
4º- Análise das potencialidades actuais dos principais componentes. As soluções globais e as soluções parciais: prós e contras. Mas que haja soluções.
5º- Análise das potencialidades do “cluster” do Mar no enquadramento nacional actual e das consequências de se conseguir ou não torná-lo operacional.
 
Lisboa, 29 de Setembro de 2008
 José Carlos Gonçalves Viana

A Roda da Vida


Cada povo, como o Homem, tem uma sina, uma queda, um jeito de ser ou uma vocação. E as dificuldades da vida e o destino vão levando-o  para a sua história. E a história do minha gente foi emigrar,  por necessidade e por inclinação, vencendo o mar, levando consigo as suas crenças e fé, a sua coragem e determinação. Sua cultura ilhoa disseminou,  por onde se fixou ou passou, ajudando, quando se ajudava,  outras terras a se transformar.

Mas para o  emigrante açoriano o Brasil sempre foi o destino preferido, a terra idealizada, até que, desiludido, com as duras experiências vividas,  mudou  no caminho  a sua direção. 

Era o século XIX . A América do Norte, terra em crescimento acelerado,  era o sonho de prosperidade e de riqueza. As muitas ofertas de trabalho no campo e nas fábricas atraíam os emigrantes europeus.
Quem sabe não fosse mais fácil agora ganhar o pão? Pensando assim,  muitos acorreram às industrias do leste do país.  Massachusetts,  New Bedford (onde a aptidão para o mar poderia ser exercida, trabalhando nos baleeiros), Fall River, Taunton, Rhoad Island, foram os locais preferidos para se instalarem.  

No interior e na parte sudoeste da América, principalmente na Califórnia(Vale de São Joaquim) as actividades agro-pecuárias, a jardinagem e a arboricultura davam ao açoriano a oportunidade de trabalhar na área onde poderia melhor se safar, já que em termos de qualificação profissional, nas cidades e fábricas,  perdia para os demais imigrantes,
tendo que ficar com os trabalhos mais duros e menos remunerados pelos
outros desprezados.

Em 1910, a Califórnia já abrigava mais de 80 mil imigrantes portugueses, e em 1960 a maior parte das leitarias do Vale de São Joaquim pertenciam a açorianos e luso-descendentes. A importância das comunidades para a região é sentida na economia local e na presença atuante de Rádios, Jornais, Clubes e Associações que cultivam e propagam a cultura portuguesa naquela parte dos USA. 

No Havaí  também muitos açorianos desembarcaram para trabalhar nas culturas de ananás e cana-de-açúcar.  Nas Ilhas Sandwich,  chegaram a conquistar influente poder económico e até político.  Mas o sonho foi fugaz e logo a roda da fortuna girou, a política mudou e esses caminhos tornaram-se difíceis de trilhar. Mas sobreviver era preciso, e lá se foi novamente o ilhéu em busca de outras terras a desbravar. 

A África estava em desenvolvimento e os dirigentes portugueses do continente, para angariar gente, facilitavam o ingresso naquelas colónias  com ajudas e promessas, numa tentativa de lá fazer um novo Brasil. Até que a revolução pela independência chegou e com o sonho tudo destruiu e arrasou,  trazendo de volta muitos que agora e novamente buscavam outros rumos. 

O Canadá foi a escolha dos açorianos. Facilitou-lhes  a  entrada no país. Permitiu que a partir da metade do século passado uma significativa comunidade se instalasse principalmente em Toronto. 

Mas o emigrante é sempre emigrante. E mesmo o bem sucedido, tem na
mente a lembrança e no coração a nostalgia e o amor pelo seu torrão natal . E é por isso que muitos voltam, agora já aposentados, à procura do passado, da felicidade  e do sossego perdidos quando deixaram o seu rincão.

Que ironia, hoje o arquipélago dos Açores, terra de emigrantes, padece pela falta de gentes!  Quem tantos filhos deu ao mundo, agora pede
braços fortes e especializados que façam a roda da vida girar.

 Maria Eduarda
23 de Setembro 2004

CRÓNICA DO BRASIL

 

O GÉNIO IMBATÍVEL DO CARIOCA
 
O Rio é, sem qualquer dúvida, ainda, a mais bonita, espectacular, simpática, cidade do mundo.
Tem assalto e homicídio a toda a hora, parece não ter governo ou administração que se interesse a fundo pela solução dos seus problemas, mas o Rio não perde a beleza, nem o carioca de gema perde o seu bom humor, a sua simpatia, o seu jeito de viver alegre e tirar partido de tudo que a sua imaginação fértil e sensacional criatividade lhe «propõe»!
As escolas de samba, um espectáculo único de cor e vida, é invenção carioca e hoje o grande cartaz mundial do Rio.
Mas... lá está a ausência de disciplina e administração, e então o carioca «quebra» o galho!
Todos os anos os órgãos de informação reclamam de falta de sanitários públicos onde o folião possa, depois de passar a noite a pular o Carnaval e a beber cerveja, tirar toda aquela «água do joelho»! E vai de fazer contra qualquer árvore, poste, esquina etc. Se não fizer isso, o desgraçado, apertado e já a caminhar de joelhos encostados, e que só tem esses três dias de liberdade total... irá parar ao hospital!
Este ano um dos génios cá da terra resolveu um pedacinho, unzinho só, desse imenso problema: levantou um boeiro da rua, montou à sua volta uma barraca (toda a decência é pouca!) e cobrando cinquenta centavinhos a cada «apertado/a»... aliviou um monte de gente e levou para casa mais uns Reais que certamente lhe deram muito jeito!
 
 
Viva ele!
E os alugadores de cadeiras, toldos, etc. nas praias?
No começo da Barra tem outro génio! Aluga cadeiras a 2 Reais cada, toldos, mesas, vende bebidas geladinhas que são o refrigério de quem gosta de se tostar no calor amoroso das lindas praia do Rio e ainda fornece um balde para que os fregueses ao saírem da água e atravessarem o areal até às cadeiras, lavem os pés!
Como chamar o «fornecedor» quando se quer uma bebida ou um petisco fica difícil e gritar na praia não adianta, o nosso génio, conhecido como Russo, fornece a cada freguês um espelho! Para quê? Para com o reflexo do Sol acertar na cara dele ou do seu colaborador que imediatamente ficam a saber quem os está a chamar! O atendimento é impecável e rapidinho! Genial, né?
E ainda fornece um «extra» para os clientes VIP: o balde para carregar água até à entrada do carro, para tirar a areia dos pés, que o cliente pode deixar na calçada. O retorno é com ele que o manda buscar!
Se tudo isto não fosse mais do que suficiente para deixar qualquer um beirando a entrada do céu, o Russo ainda recebe o pagamento com o cartão VISA.
Só no Brasil! Só carioca!
Vocês aí, que moram longe, o que estão esperando para vir ao Rio?
 
Rio de Janeiro, 16 de Março de 2009
 Francisco Gomes de Amorim

O ESTUÁRIO DO TEJO

 

 

 

Nota introdutória ao encontro na Sociedade de Geografia sobre o estuário do Tejo: sua importância para a Marinha, para os transportes e outras actividades económicas e para a sua sustentabilidade ambiental.
 
 
Durante séculos em particular após os reinados dos reis D. Afonso III e D. Dinis o estuário do Tejo foi a base do desenvolvimento da Marinha (constituída pela Armada, pelas Marinhas Mercante e de Pescas e mais recentemente a de Recreio e ainda por todas as actividades relacionadas como os estaleiros navais, instituições de investigação científica, etc.). Aquilo que os recém chegados a estas actividades chamam agora o “cluster” do Mar.
 
Do desenvolvimento da Marinha e do País pois tanto a consolidação da nossa independência como da nossa identidade foi baseada quase totalmente nas nossas actividades marítimas que originaram os descobrimentos e a actual globalização. Quando Colombo chega à América já os navegadores portugueses tinham navegado por todo o Atlântico norte e parte do Atlântico sul o que permitiu a negociação das Tordesilhas e as viagens de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.
 
E tudo isto baseado no estuário do Tejo.
 
Além de local de estacionamento de navios e esquadras e de meios de ligação quer entre as margens mas também com o interior através de navegação fluvial foi sempre fonte de criação de fauna piscícola e afins bem como zona de pesca e de desembarque de pesca realizada no exterior como convinha, sendo ele o centro da zona do País mais populosa.
 
A partir de Abril de 1974, por razões já tratadas noutro momento, a Marinha foi desprezada restando hoje a Armada com as limitações derivadas da situação actual, uma Marinha Mercante residual, a de Pesca a diminuir, a de Recreio incipiente, nada do “cluster” que havia excepto muitos e variados discursos manifestando intenções excelentes mas não realizações concretas. Embora o País precise como de pão para a boca de investimentos produtivos e preferencialmente nas áreas de actividade em que temos vantagens comparativas como os factores geográfico e o humano deste estuário, verifica-se haver actualmente três ameaças que põem em risco a possibilidade de se inverter o rumo desastroso deste desprezo pelo Mar, embora também seja de notar o paradoxal interesse no aumento da área das nossas zonas oceânicas, a saber:
 
1ª - As ocupações das margens com actividades e edifícios que nada tem a ver com o Mar e vão impossibilitando as actividades marítimas que só aí se podem desenvolver.
2ª - As ocupações da área líquida com travessias eventualmente desnecessárias que inviabilizarão a utilização marítima do estuário.
3ª - A falta de medidas estruturais para melhorar a sustentabilidade do estuário e zonas adjacentes (como é, por exemplo, o caso do canal da barra e da Caparica), incluindo a condição essencial de ser definida uma entidade responsável pela gestão do estuário que evite as soluções parciais que poderão ser correctas em si mas incorrectas na globalidade.
 
Os diversos potenciais deste estuário são, resumidamente, os seguintes:
 
Marinha Mercante ou de Comércio
1 - O transporte de produtos e matérias prima quer importadas quer exportadas é realizado em grande percentagem por navios estrangeiros e as soluções para a sua optimização estão a ser tratadas pela APL o que é essencial pois este porto está no centro da zona metropolitana da grande Lisboa a que está também em parte ligado o porto de Setúbal.
 
 
2 - A Marinha Mercante Portuguesa, que é agora uma sombra do que foi, estava em 1974 em expansão como terceira bandeira e dada a nossa privilegiada posição geográfica, que do ponto de vista do transporte marítimo não é periférica mas central, poderá ser a base para desenvolver actividades lucrativas e criar inúmeros postos de trabalho bem como melhorar as condições de segurança dos abastecimentos essenciais, se os nossos Governantes e Empresários entenderem o que isto representa e o que é necessário fazer para se poder realizar.
 
Sem a capacidade logística do estuário do Tejo a pleno nada disto será possível e portanto teremos que nos resignar à perda de uma actividade essencial para atingirmos o nível da qualidade de vida e da capacidade de sermos independentes que já tivemos.
 
Pescas
Resolvida a questão essencial da primeira venda, que o Governo da AD recusou fazer e até agora ninguém fez, estas actividades deverão ser desenvolvidas neste estuário desde a protecção efectiva às zonas de “nursery” até à criação de zonas de pesca de captura limitada e de pesca desportiva com devolução ao mar do pescado, passando por zonas para aquacultura e ostricultura e ainda com locais para desembarque de pescado vindo do exterior.
 
Coimbra no cais de pesca longinqua da Gafanha da Nazaré
 
Marinha de Recreio
1ª - A ideia desenvolvida em 74 de que a marinha de recreio era “fascista” e portanto a evitar tem que ser banida de vez e assumir-se o interesse social e económico do seu desenvolvimento, pois trata-se de actividade com profundo interesse educativo para a juventude e além disto proporcionará a entrada de divisas resultante das visitas de navios estrangeiros possivelmente superior à dos paquetes que actualmente nos visitam e que já justificaram avultados investimentos.
2ª - Os investimentos em infra-estruturas para a marinha de recreio poderão e deverão ser realizados por privados, mais concretamente sem recorrer ao OGE, embora sempre enquadrados em sistemas de concessões, e realizados de forma menos agressiva para o ambiente, por vezes mesmo contribuindo para a sua protecção.
3ª - O número de postos de amarração de 20 000 para o conjunto do estuário previsto há cerca de 25 anos continua a ser uma referência a considerar.
4ª - O número de postos de trabalho gerados por estas actividades ultrapassará certamente e em pouco tempo os 5000.
 
Sociedade de Geografia de Lisboa, 2008.10.30
 
 José Carlos Gonçalves Viana

MENSAGEM ALÉM-TÚMULO

 

Ficheiro:Maccari-Cicero.jpg 

 

 
 
O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro aprovisionado, a despesa pública reduzida, a arrogância dos dirigentes moderada e controlada e a ajuda externa condicionada de modo a que Roma não vá à falência. As pessoas têm que reaprender a trabalhar em vez de viverem da assistência pública.
 
Cícero – 55 a.C.
In “República”

SE A ESPANHA QUER GIBRALTAR, QUANDO TENCIONA DEVOLVER OLIVENÇA?

 

 
 
Daniel Hannan*
 
   
E se tivesse sido ao contrário? E se a Espanha tivesse tomado um pedaço de território de alguém, forçado a nação derrotada a cedê-lo num tratado subsequente e o mantivesse ligado a si? Comportar-se-ia Madrid como quer que a Grã-Bretanha se comporte em relação a Gibraltar? Ni pensarlo!
   
Como é que eu posso estar tão certo disso? Exactamente porque existe um caso assim. Em 1801, a França e a Espanha, então aliadas, exigiram que Portugal abandonasse a sua amizade tradicional com a Inglaterra e fechasse os seus portos aos navios britânicos. Os portugueses recusaram firmemente, na sequência do que Bonaparte e os seus confederados espanhóis marcharam sobre o pequeno reino. Portugal foi vencido, e, pelo Tratado de Badajoz, obrigado a abandonar a cidade de Olivença, na margem esquerda do Guadiana.
 
Quando Bonaparte foi finalmente vencido, as Potências europeias reuniram-se no Congresso de Viena de Áustria para estabelecer um mapa lógico das fronteiras europeias. O Tratado daí saído exigiu um regresso à fronteira hispano-portuguesa (ou, se se preferir, Luso-espanhola) anterior a 1801. A Espanha, após alguma hesitação, finalmente assinou o mesmo em 1817. Mas nada fez para devolver Olivença. Pelo contrário, trabalhou arduamente para extirpar a cultura portuguesa na região, primeiro proibindo o ensino do Português, depois banindo abertamente o uso da língua.
   
Portugal nunca deixou de reclamar Olivença, apesar de não se ter movimentado para forçar esse resultado (ameaçou hipoteticamente com a ideia de ocupar a cidade durante a Guerra Civil de Espanha, mas finalmente recuou). Embora os mapas portugueses continuem a mostrar uma fronteira por marcar em Olivença, a disputa não tem sido colocada na ordem do dia no contexto das excelentes relações entre Lisboa e Madrid.
   
Agora vamos analisar os paralelismos com Gibraltar. Gibraltar foi cedida à Grã-Bretanha pelo Tratado de Utrecht (1713), tal como Olivença foi cedida à Espanha pelo Tratado de Badajoz (1801). Em ambos os casos, o país derrotado pode reclamar com razões que assinou debaixo de coacção, mas é isto que acontece sempre em acordos de paz.
   
A Espanha protesta que algumas das disposições do Tratado de Utrecht foram violadas; que a Grã-Bretanha expandiu a fronteira para além do que fora estipulado primitivamente; que implementou uma legislação de auto-determinação local em Gibraltar que abertamente é incompatível com a jurisdição britânica especificada pelo Tratado; e (ainda que este aspecto seja raramente citado) que fracassou por não conseguir evitar a instalação de Judeus e Muçulmanos no Rochedo.
 
Com quanta muito mais força pode Portugal argumentar que o Tratado de Badajoz foi derrogado. Foi anulado em 1807 quando, em violação do que nele se estipulava, as tropas francesas e espanholas marcharam por Portugal adentro na Guerra Peninsular. Alguns anos mais tarde, foi ultrapassado pelo Tratado de Viena.
   
Certamente, a Espanha pode razoavelmente objectar que, apesar dos pequenos detalhes legais, a população de Olivença é leal à Coroa Espanhola. Ainda que o problema nunca tenha passado pelo teste de um referendo, parece com certeza que a maioria dos residentes se sente feliz como está. A língua portuguesa quase morreu excepto entre os mais velhos. A cidade (Olivenza em espanhol) é a sede de um dos mais importantes festivais tauromáquicos da época, atrai castas e matadores muito para além dos sonhos de qualquer pueblo de tamanho similar. A lei portuguesa significaria o fim da tourada de estilo espanhol e um regresso à obscuridade provinciana.
   
Tenho a certeza que os meus leitores entendem aonde tudo isto vai levar. Este "blog" sempre fez da causa da auto-determinação a sua própria causa. A reclamação do direito a Olivença (e a Ceuta e Melilla), por parte de Espanha, assenta no argumento rudimentar de que as populações lá residentes querem ser espanholas. Mas o mesmo princípio certamente se aplica a Gibraltar, cujos habitantes, em 2002, votaram (17 900 votos contra 187!!!) no sentido de permanecer debaixo de soberania britânica.
   
A Grã-Bretanha, a propósito, tem todo o direito de estabelecer conexões entre os dois litígios. A única razão por que os portugueses perderam Olivença foi porque honraram os termos da sua aliança connosco. Eles são os nossos mais antigos e confiáveis aliados, tendo lutado ao nosso lado durante 700 anos – mais recentemente, com custos terríveis, quando entraram na Primeira Guerra Mundial por causa da nossa segurança. O nosso Tratado de aliança e amizade de 1810 explicitamente compromete a Grã-bretanha no sentido de trabalhar para a devolução de Olivença a Portugal.
   
A minha verdadeira intenção, todavia, é a de defender que estes problemas não devem prejudicar as boas relações entre os litigantes rivais. Enquanto Portugal não mostra intenção de renunciar à sua reclamação formal em relação a Olivença, aceita que, enquanto as populações locais quiserem permanecer espanholas, não há forma de colocar o tema na ordem do dia. Não será muito de esperar que a Espanha tome uma atitude semelhante vis-a-vis Gibraltar.
   
Uma vez que este texto certamente atrairá alguns comentários algo excêntricos de espanhóis, devo clarificar previamente, para que fique registado, que não é provável que estes encontrem facilmente um hispanófilo mais convicto de que eu. Eu gosto de tudo o que respeita ao vosso país: o seu povo, as suas festas, a sua cozinha, a sua música, a sua literatura, a sua fiesta nacional. Amanhã à noite, encontrar-me-ão no Sadler´s Wells, elevado até um lugar mais nobre e mais sublime pela voz de Estrlla Morente.
   
Acreditem em mim, señores, nada tenho de pessoal contra vós: o problema é que não podem pretender ter uma coisa e o seu contrário.
 
(trad. Prof. Carlos Luna a partir do original em http://blogs.telegraph.co.uk/daniel_hannan/blog/2009/03/13/if_spain_wants_gibraltar_when_is_it_planning_to_give_up_olivena)
 
* DANIEL HANNAN is a writer and journalist. He has authored seven books on the EU, contributes regularly to a number of European newspapers, and has served as Conservative MEP for South East England since 1999. He blogs every day at www.hannan.co.uk
 

Crise de conjuntura ou crise de estrutura

 

 
Umas notícias dizem “a crise abalou o sistema bancário”, outras dizem “a crise com origem nos Estados Unidos envolve todo o mundo”, outras ainda…iniciada em Setembro? ….
 
Por quase tudo o que se lê e se ouve poderá parecer que estamos em plena crise de conjuntura e para ajudar as medidas apresentadas pelos vários governos para a combater parecem ser de facto meramente conjunturais.
E será assim apenas conjuntural?
 
E como se poderá explicar que tantos economistas e financeiros brilhantes em cargos de grande responsabilidade nestas matérias não detectaram a tempo as mudanças em curso de forma a evitar a derrocada actual?
 
Não perceberam ou perceberam e não quiseram actuar por medo ou interesse ou ainda por outra razão qualquer?
 
E no caso particular de Portugal seria que estávamos a fazer tudo o que deveria ter sido feito nas duas últimas décadas, isto é, desde que entrámos na Comunidade Europeia e agora apenas somos vítimas de erros alheios?
 
Observemos entretanto alguns factos ocorridos nestas duas décadas:
 
1-O crescimento demográfico da humanidade: de 1bilião em 1900 para cerca de 7biliões agora
 
2-Aumento das disparidades entre ricos e pobres
 
3-O aumento da poluição
 
4-A quebra contínua da biodiversidade e as limitações à utilização de terrenos para a produção alimentar porque é necessário aumentar a área florestal e não a diminuir mais
 
5-Os empréstimos bancários internacionais cresceram na década de 80 cerca de 5 vezes
 
6-O volume mundial de transacções de acções através de fronteiras cresceu cerca de 12 vezes neste mesmo período e continuaram a crescer.
 
7-Verificaram-se neste período várias fraudes gigantescas que mostraram a fragilidade dos meios de auditoria e regulação utilizados
 
8-Verificaram-se inúmeros ataques de especuladores a moedas de vários países causando prejuízos de grande monta às populações atingidas
 
9-Verificou-se enorme desenvolvimento das tecnologias digitais e de telecomunicações que permitiram a movimentação de verbas praticamente em tempo real quase instantâneo
 
10-Verificou-se um abrandamento no esforço de regulação por parte das entidades que nos vários países tinham essa incumbência ou talvez mesmo isto, em vez de ser uma causa desta crise tenha antes sido uma consequência das suas causas mais profundas.
 
11-Verificou-se enorme incremento de actividades em sistema de “off shore” e em anonimato, ou seja sem responsáveis directos por elas
 
12-Verificou-se que em Portugal e alguns outros países se praticavam políticas imediatistas incentivando as populações a consumirem mais, mesmo quando produziam pouco, fatalmente endividando-se, aliás como os próprios governos também o faziam de forma a poderem ter muitas inaugurações antes das eleições, outros gastos supérfluos e ainda investimentos sem a racionalidade indispensável exigida a quem tem pouca capacidade financeira.
 
13-E verificou-se também que em Portugal se descurou a sua competitividade como é normal acontecer quando se obtêm ganhos fáceis e rápidos com jogos financeiros.
No caso de Portugal a competitividade foi particularmente mal tratada porque há cerca de vinte anos quando começámos a ter acesso às ajudas da CEuropeia não cuidámos de garantir custos de vida suficientemente baixos de forma a permitir a competitividade da nossa população com pouca preparação tecnológica, durante o tempo necessário para se preparar, além das dificuldades criadas às actividades produtivas como a pesca e a agricultura em favor dos intermediários e da existência de variados custos parasitas por deficiente organização ou pressões corporativas.
 
14-Verificou-se também em Portugal um sobre-custo na habitação em particular na que dos que menos ganham por causa da cara gestão autárquica e do deficiente ordenamento do território e respectivos sobre-custos alem da forte contribuição para a chamada bolha do imobiliário que não foi importada do estrangeiro.
 
15-Verificou-se também em Portugal haver uma gestão deficiente nas áreas das águas e da energia pois não se tem cuidado em construir barragens e outras infra-estruturas indispensáveis para garantir o seu fornecimento dentro do período natural da pluviosidade, onde a produção de energia deverá ser apenas um subproduto, nem se optou por produção de energia de forma competitiva embora a nossa empresa nacional e monopolista ande a investir no estrangeiro.
 
16-Verificou-se ter havido em Portugal total descuido com a segurança dos abastecimentos essenciais ao País pois a Marinha Mercante foi deliberadamente destruída causando também a perda de inúmeros postos de trabalho enquanto se deu excessivo incremento ao transporte rodoviário que, sendo importante, é o que mais energia gasta e mais poluição produz.
 
17-Verificou-se idêntico desinteresse pela Marinha de Recreio que tem provocado a perda de milhares de postos de trabalho directos e indirectos, além de não incentivar as actividades marítimas embora, simultânea e paradoxalmente, se gaste dinheiro em querer aumentar a nossa área de influência no oceano atlântico como se fosse possível vir a tirar proveito disto sem ter uma Marinha com a capacidade devida.
 
18-Verificou-se existir um enorme equívoco na educação nacional com reflexos muito negativos na nossa competitividade e em que a actual fractura provocada pela avaliação é apenas a ponta dum icebergue maior e mais profundo.
 
19-Verificou-se existir um sistema judicial pouco eficiente, que felizmente já está a melhorar, e que tem fortemente beneficiado os infractores com a agravante de incentivar as infracções prejudicando tanto o desenvolvimento como o rendimento económico e o moral da população.
 
Assim se pode verificar que esta crise começou de facto a tomar forma há cerca de vinte anos mas na verdade as suas raízes são bem mais antigas do ponto de vista geral e mais profundas do ponto de vista nacional.
 
Na verdade a vida económica e financeira da maioria dos países desde o século XIX tem vindo a ser regida por princípios baseados no paradigma do crescimento obrigatório correspondente à fase de expansão territorial típico dessa época, acrescido da fé no capitalismo mais ou menos liberal que após o fracasso do marxismo que serviu para sustentar várias ditaduras ainda mais duras que a nós tivemos durante quase meio século, se tornou demasiadamente desregulado e quase totalmente dominado pela ganância e pelo imediatismo.
 
Ora o Mundo e o País precisa que alguém o trate como gestor e não como um simples director financeiro com elevada participação nos lucros anuais da organização e sem preocupações com o médio e com o longo prazo.
 
Como gestor deveria seguir, pelo menos, os três seguintes princípios fundamentais da gestão eficiente a começar pelo que determina que sempre é preciso distinguir o essencial do acessório, passando pelo de ter que haver sempre responsáveis e nunca se deixar dominar por preconceitos.
 
Daqui  resulta que nas circunstâncias em que actualmente vivemos deixou de ser verdade o objectivo oitocentista do crescimento obrigatório em quantidade que tem vindo a orientar todo o mundo moderno e cujos resultados estão a aparecer, para se mudar para o objectivo essencial de sobreviver que implica uma mudança radical que tem que começar por algumas medidas globais tão simples de enunciar como possivelmente tão difíceis de serem tomadas e que são as seguintes:
 
-acabar imediatamente com todos os off-shores
 
-acabar imediatamente com tudo o que seja anónimo, isto é, todos os capitais e todas as transacções têm que ter uma cara, um nome, uma morada, aquilo que foi chamado de residencialismo e que não é mais que significar que tudo tem que ter um responsável
 
-reorganizar as bolsas de valores de forma a eliminar ou pelo menos dificultar a especulação indesejada
 
-caminhar rapidamente para uma moeda única a nível global
 
-reorganizar o sistema bancário global dotando-o da transparência necessária que permita evitar as anomalias verificadas
 
Além de outras que entretanto se verifique serem necessárias para o objectivo final
 
E tudo isto sem cair no erro já cometido de se eliminar a liberdade individual necessária e suficiente para preservar a dignidade e a felicidade das populações.
 
Para Portugal ainda há que corrigir desde já as deficiências estruturais atrás indicadas nos itens 12 a 19 porque nós não temos apenas que combater a crise geral mas ainda recuperar o atraso que aquelas deficiências têm vindo a provocar.
 
Lisboa, 15 de Janeiro de 2009.
 
 José Carlos Gonçalves Viana
(Antigo Secretário de Estado da Marinha Mercante e das Pescas).
 
 

O melro e o mocho

 

 
 
 
 
A vida pacata, porém trabalhosa e sacrificada dos antigos açorianos, as longas noites de Inverno ao redor de lamparinas e dos lumes dos fogos foram palco de conversas e histórias fantasiosas cheias de sabedoria e filosofia popular.
 
Do livro de Ângela Furtado Brum, Contos Tradicionais Açorianos,  retirei a seguinte história relatada por Lucinda Amaral, 89 anos, das Lages do Pico.
 
 
Uma certa tarde, um melro foi voando, voando, até que chegou ao pé de um castanheiro onde queria passar a noite. Pousou. Mas viu que estava lá um mocho. O mocho, assim que viu o melro, ficou muito contente e disse lá consigo:
 
- Já cá tenho ceia de primeira!
 
E começou com voz muito mansa a falar com o melro, fazendo-se muito seu amigo.
 
 
O tempo foi passando, o Sol pôs-se e o mocho estava inquieto que o melro pegasse no sono para poder comê-lo. Mas o melro estava sempre com um olho fechado e o outro aberto. E o mocho olhava pra ele e pensava:
 
- Ora, o melro não fecha os olhos.
 
Esperou, esperou e foi ficando aborrecido até que, por fim, arrebentou e disse:
 
-Ó amigo melro, por que é que não fechas os dois olhos?
 
 
Respondeu o melro espertalhão:
 
- Amigos de longe, vistos de perto, fazem com que eu tenha um olho fechado e outro aberto.
 
Uberaba, 13/03/09
 
 
Maria Eduarda Fagundes
 

Pode-se fabricar um povo?

 

- 4°  e  último -

Os “irmãos” na Palestina
 
Com a agonia do Império Otomano, e a conseqüente desagregação das regiões e países/povos a ele submetidos, no século XIX o médio oriente era quase totalmente dominado (administrado?) pela Inglaterra e França.
Após a conquista pelo Egipto da Síria e Anatólia, a Rússia acabou por intervir e a Turquia tornou-se uma espécie de protetorado da Rússia. Os ingleses apoiavam a reestruturação do império Otomano e os franceses tomaram o partido dos rebeldes egípcios.
Todo o Magreb, a Síria, Iraque, Palestina, a maior parte da Arábia e do Irão, e até o Egipto conquistado com dinheiro, ficaram sob a custódia da França e Inglaterra, deixando à Itália a Cirenaica.
Em meados do Século XIX surgem, com esta confusa situação, os oportunistas pensadores-historiadores judeus, rebuscando passagens na Bíblia, para se autodenominarem um povo, uma etnia unida pelo sangue, e não um povo unido por uma crença ou religião e, em face da humilhação e desunião em que viviam os povos árabes, a exigirem a criação dum estado judaico.
Judeu passou a ser unicamente o descendente de Abraão, através de Isaac. Ismael, filho da escrava Hagar tinha, de acordo com as antigas leis, o mesmo direito que o irmão, e era o primogênito, mas Sara, invejosa, obrigou o velho Abraão a expulsar o que não saíra do seu ventre! Começa aqui a mentalidade racista! (Já fora a Eva que dera cabo da vida de Adão!)
Em época de grande fome, Isaac e sua linda mulher, Rebeca, foram recebidos e muito bem agasalhados pelos filisteus, os palestinos!
Diz a Bíblia que após regressarem, Rebeca, estando grávida e passando mal, consultou a Deus que lhe terá dito que ela aguardava dois filhos! Ela sentiu os fetos agitarem-se no seu corpo e logo determinou que eles já estavam lutando antes mesmo de nascer. (Alguém acredita que Deus terá falado com Rebeca?)
Mais tarde, Isaac a morrer, Rebeca engana o moribundo fazendo-o abençoar a Jacob, secundogénito apesar de gêmeo, em detrimento de Esaú, o que mostra uma vez mais como as lutas e as traições começam, cedo, no meio daquela gente.
Entretanto os judeus, que em vários milhares de anos se havia espalhado o judaísmo pelo mundo, pelas regiões mais ricas e comerciais, sobretudo a bacia mediterrânea, começam a querer acreditar na propaganda do grande exílio a que teriam sido submetidos quando da destruição do segundo” templo de Jerusalém, em 70 d.C., pelos romanos. Alguns escritores chegam a afirmar que os romanos terão morto um milhão e cem mil judeus além de noventa e sete mil feitos prisioneiros! Jerusalém nessa época, talvez nem tivesse oitenta mil habitantes, e a maioria dos que lá vivia... lá continuou.
Reclamam a terra de seus ancestrais! Um dos primeiros passos foi começar a recolher dinheiro de askenazi e mandar comprar terras na Palestina. Compraram muita, e assim foram empurrando povos palestinos para fora de suas terras.
Paralelamente dedicaram-se, e ainda hoje, ao princípio de que judeu é uma etnia e não uma religião. Só os descendentes diretos de Abraão, via Isaac, são os autênticos judeus, os que têm direito a ocupar a terra de Canaã, e a desenvolver todos os esforços possíveis para concretizar a volta a Sião.
Tão ferozes foram nas suas intenções que, dentro da Alemanha se declararam um povo aparte, quando o germanismo, também feroz e racista, criava o principio do arianismo a que tão fortemente Hitler se agarrou. Consideravam-se judeus alemães e não alemães judeus! Foram cutucar em ninho de jararaca!
A insensatez chegou ao ponto de um professor judeu israelita, que já vivia em Tel Aviv, ter ido a Berlim consultar um dos piores carrascos de Hitler, no princípio dos anos 30 do século XX! O carrasco defendia a teoria da pureza da raça germânica e sua origem ariana, e o judeu a judaica em linha direta, desde Abraão! Sem se entenderem, nem discutirem qual a melhor, concluíram que se um estava certo o outro não estava errado. O professor judeu saiu do encontro feliz com a sua crença! Não tardou a começar na Alemanha a limpeza étnica. Os primeiros a pagarem essa criminosa loucura foram os ciganos, de quem aliás ninguém fala, porque lhes falta força política e financeira. Logo a seguir os próprios judeus!
Um outro intelectual, tornou-se admirador e seguidor das práticas de Hiltler. Quando este transferiu um milhões e meio de poloneses e judeus e os substituiu por alemães, escreveu: “O mundo se acostumou à idéia de migrações em massa e quase se pode dizer que passou a gostar delas. Hitler por mais odioso que seja para nós, deu excelente reputação a esta idéia!” Apesar de, como diz, ter odiado o louco nazi, ainda teve o desplante de afirmar que “um acordo voluntário entre nós (judeus) e os árabes da Palestina (não falou em Israel) é inconcebível, atualmente ou num futuro previsível, precisamente porque eles não são um mero ajuntamento mas uma nação viva”!
Com todo o seu poderio financeiro e a imensa propaganda que lhes valeu o holocausto, e porque os Estados Unidos não queriam aceitar mais imigrantes judeus, decidiu-se procurar uma terra para onde pudessem ir. Foi-lhes oferecido uma parte da África do Sul, Uganda ou Madagáscar, sem ninguém levar em consideração os nativos destas terras. Mas eles queriam Canaã. A Palestina.
Na confusão do final da II Guerra Mundial, os ingleses capitularam perante a insistência sionista e a ONU concedeu uma área grande de terra, para se criar o Estado de Israel. Fácil foi oferecer algo que não lhes pertencia!
Logo de entrada, na própria constituição israelense, se declara que são cidadãos do Estado de Israel todos os judeus de sangue de todo o mundo. Os prosélitos, os convertidos, diz a Tora, são como psoríase! Quer dizer, podem praticar o judaísmo, mas são nojentos!
Se assim pensam em relação a outros judeus imagine-se o que pensam em relação aos palestinos a quem roubaram as terras!
A certa altura, com falta de mão de obra para os kibutz, Israel lembrou-se dos seus irmãos negros, os falachas da Etiópia. Com a miséria secular que reina neste país, logo de entrada largos milhares se ofereceram para imigrar. Mas nem todos foram aceites. Ainda hoje há uma espera angustiante daqueles que acreditando ser judeus não conseguem seguir para a Terra Prometida, onde nunca se integram, porque etíope negro, de certeza não será descendente de Abraão. Pode ser de português. Das centenas destes que no século XV por lá ficaram a tentar ajudar o rei cristão e criaram famílias.
Hoje Israel, dependente de mão-de-obra barata e de maciças subvenções externas, continua a não olhar para os verdadeiros nativos da Palestina. Afasta-os, despreza-os, não lhes dá o direito de voto nem de cidadania.
O que esperam que aconteça? Um milagre do Deus do Antigo Testamento, feroz e vingativo? Que os judeus do resto do mundo se cansem de subsidiar um estado racista? Que os árabes fiquem mais 100 anos com aquele espinho atravessado na garganta?
Morrer na Jihad é uma honra e uma bênção para qualquer muçulmano. Por isso os ataques idiotas do Hamas com bombinhas.
Se não se olhar para o Outro com olhos de irmão... o conflito continuará a eternizar-se!
 
Rio de Janeiro, 10 de Março de 2009
 Francisco Gomes de Amorim

UM NOVO MODELO ECONÓMICO-SOCIAL – 5

 

 
 
Neste subtítulo de “As Leis da Economia” façamos uma revisão do que já foi dito e concluamos para passarmos aos subtítulos seguintes que abordam problemas exclusivamente nacionais e prioritários.
 
Falando de prioridades, que me permita o Senhor Primeiro-Ministro, mas não considero prioritário o problema do “casamento (?) gay”, por não se tratar de um tema de premência nacional, só justificável na agenda política, para angariar mais uns votos na próxima campanha eleitoral. O País e o Senhor Primeiro-Ministro têm assuntos mais importantes e graves com que se preocupar e que não deviam atender, neste momento, às pressões do lobby gay nacional. A seu tempo esta situação deveria ser objecto de um cuidado e intenso debate nacional, não estando em causa, evidentemente, os direitos dos gays como cidadãos, mas sim o direito de serem tratados com o mesmo estatuto dos heterossexuais, no mesmo regime de união entre casais, violando uma regra secular do Direito que já vem do jure romanus, sendo discutível e carecendo de amplo esclarecimento. Não é fazer a Lei e já está, agora entendam-se! Segundo Johann Wolfgang Göthe, poeta, filósofo e cientista alemão: “só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida”, mas as dúvidas, embora eu tenha sido assaltado por muitas, antes de ter iniciado esta dissertação, não são impeditivas de me exprimir e, de facto, continuo a saber muito pouco e não sei com exactidão, ou não sei com a certeza que gostaria de ter, mas sei, pelo menos, alguma coisa do que quero... Ora, se o Homem parasse nas dúvidas que o têm assaltado ao longo desta Civilização, ainda estaríamos certamente no período do Homo erectus...
 
Neste tema, que introduzi sobre as Leis da Economia, antes de abordar a questão da nova ordem económica internacional, gostaria de vos chamar a atenção para as crises que são normalmente o pântano onde nidificam as ditaduras e a matéria orgânica que as ajuda a desenvolverem-se com mais rapidez é, sem sombra de dúvida, a Ignorância, a inimiga pública número um dos Povos.
 
Não é fácil às ditaduras desenvolverem-se em culturas socialmente mais esclarecidas, mais atentas, cautelosas e vigilantes. Não é por acaso que em golpes de Estado, os primeiros alvos são os órgãos de comunicação! Por isso, nas ditaduras se procura tolher o passo da informação; muito embora já não sendo fácil hodiernamente acontecer que nasçam regimes ditatoriais nas modernas democracias, não é impossível que aconteçam. É, por isso que, nesta matéria da nova ordem económica internacional, a necessidade do NovoPacto tem de ficar bem entendida nas nossas cabeças.
 
Já me referi à importância da vigilância dos Estados e do seu papel na Economia Global. Esta última Cimeira de Bruxelas deu o mote: Vigiar os paraísos fiscais e acabar com as off-shores. Eu não iria tão longe! Os Estados devem, no futuro New Deal, vigiar a livre circulação de Capitais e penalizar as transferências financeiras de forma a que a penalização seja dissuasora de manigâncias e negociatas, limitando as operações internacionais e confrontando-as com actos de negócio legítimas, ou seja, transferências que tenham suporte num negócio fiável e verdadeiro, designadamente, as denominadas engenhariasfinanceiras que fossem legais, seriam objecto de aplicação de um imposto que as tornasse muito pouco rentáveis para as entidades envolvidas em transferências pouco comuns.
 
Assim, na Nova Ordem Económica Internacional, que passarei a abreviar para NOEI, os Estados concluiriam um acordo (um contrato económico internacional) que impusesse critérios rígidos de actuação às entidades fiscalizadoras através da criação de uma nova “Interpol” de negócios financeiros, com competências próprias e bem claras, um código penal internacional que introduzisse um novo conceito de crime económico internacional.
 
Os blocos – Europeu, Asiático, Africano e Americano – estabeleceriam, nesta NOEI, as regras de criação mundial de moeda e injecção de avultados montantes nas economias internas, para que tudo isto não se transforme numa bagunça, com cada um a fazer o que quer e lhe apetece nesta matéria, onde as actuais regras não correspondem ao tipo de crimes que se praticam, acobertados pelo desenvolvimento tecnológico, atenta a diversidade de comportamentos ou até, onde as regras, pura e simplesmente, não existem. Nas novas normas, afastados os interesses proteccionistas dos Estados introduzir-se-iam critérios limite que incluiriam os níveis de produção de cada país, o peso da sua dívida pública nacional e internacional, os níveis de emprego e desemprego e outros factores que aquilatassem da verdadeira riqueza do País. Na Europa deveria redefinir-se o demagógico pacto deestabilidade*. Cumpriria que se acertassem todos pelo mesmo objectivo, para evitar novos colapsos de efeito dominó.
 
Em resumo, carecemos urgentemente de um Plano Marshal para o comportamento económico mundial que unifique todos em volta de um interesse comum: evitar um conflito à global!. Deviam rever-se as leis de mercado da oferta e da procura. São imutáveis? Quem disse? O Planeta passa-nos diariamente a mensagem de que nada é imutável, nem seguro, a começar pela própria Natureza. Os gananciosos desmascararam-se a eles próprios em tempo útil, i.e., ainda estamos em tempo de reagir e combater o mal do séc. XXI: as malformações económicas, as disparidades, os disparates e facilidades irresponsáveis do comportamento económico mundial.
 
Como já em textos anteriores referi, as leis da oferta e da procura deviam ser revistas, no sentido de acautelar a escassez, controlando as subidas de preço, nomeadamente em produtos que eu definiria como deflagrantes, em que a provocação da sua escassez no mercado interfere marginalmente com os preços de uma série de produtos derivados ou em conexão; estou a referir-me concretamente ao petróleo existindo porventura outros produtos marcantes e deflagrantes.
 
Neste caso concreto do petróleo, os países deveriam proteger-se com a intensificação de medidas de desenvolvimento e apoio a energias alternativas. As recentes notícias encaminham-nos nesta perspectiva! O que se fez até agora é muito pouco. No sentido oposto, o excesso de produção devia entrar numa cadeia internacional de redistribuição da riqueza, por povos mais carenciados, baseando esta redistribuição em critérios internacionais, comummente aceites, de índices de pobreza e produtos prioritários.
 
Destruir e deitar fora produtos excedentários, designadamente do sector alimentar é um crime contra a Humanidade. A NOEI pode mudar o Mundo e torná-lo melhor, para tanto só basta boavontade, espírito humanitário e inteligência, quebrando-se eultrapassando-se os preconceitos de raça, religião e cultura.
 
Continuarei em próximo texto para dedicar-me em exclusivo, ao Novo Modelo –  Económico e Social em Portugal, com destaque para as medidas na Saúde e Desenvolvimento Demográfico; na Educação e Cultura; no Emprego e Desemprego; na Economia e Finanças. Em relação a escrever sobre a qualidade da política e dos políticos, nem perco tempo porque se a grande maioria é honesta e dedicada à causa pública, permite, no entanto, que no seu mundo partidário proliferem jogos e influências de alguns oportunistas e ambiciosos desregrados e não controláveis, mas quem cala consente... e é cúmplice! Porém, não vale a pena perdermos tempo com o Passado – do qual só devemos aproveitar esta dura lição – sob pena de corrermos o risco de perder o Futuro. O meu modelo não é este. O meu modelo é, já o disse aqui, um modelo presidencialista: um Presidente - Uma Administração! Para que tal acontecesse era preciso mudar a Constituição da República (aqui D’el-Rei!), acabar com uns “tachos” e pôr muita gente no desemprego, já que não sabem fazer outra coisa e isso só o Povo o poderá fazer... um dia, com a arma do voto! O que fatalmente acontecerá se os mesmos insistirem em continuar a ser sempre os mesmos e com o mesmo modelo de práticas para se manterem eternamente como comensais na mesa do Orçamento. Quando chegar essa hora e só nessa, os políticos compreenderão que era muito melhor não terem deixado meia dúzia enveredar pelo caminho do enriquecimento fácil, p.ex., andado a tutelar, enquanto Governos, grandes empresas com as quais se estabeleceram negócios com o Estado, para saídos do Poder se instalarem nessas empresas para as quais negociaram essas condições e depois afirmarem publicamente, com total descaramento, que não sentem qualquer problema de consciência, nem vêem nisso qualquer promiscuidade.
(continua)
 
*Que só serve aos países mais poderosos e com economias mais confortáveis.
 
ERRATA: No Texto nº 4 “onde se lê “...e comunicar-lhe que está na ora de se despedir” deve ler-se “...e comunicar-lhe que está na hora de sedespedir”.
As minhas sinceras desculpas pelo erro.
 
 Luís Santiago

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