Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

Burricadas nº 44

 

UMA CRISE, AFINAL, DÉJÀ VUE - IV
v    Durante muitos anos era voz corrente que as crises na Banca (crises sistémicas) se propagavam sempre da mesma maneira: os depositantes, em pânico, a correrem de Banco para Banco e a levantarem os seus depósitos.
v    Mais recentemente, com a desregulamentação e a preferência dos Bancos Centrais pelas operações de open market, os mercados interbancários ganharam enorme importância, tornaram-se densos (muitos créditos recíprocos em todos os prazos) e começaram a ser vistos como uma outra via, extremamente rápida, para os problemas saltarem de Banco para Banco (Greenspan deu-lhe bom uso, mas ao revés: injectava liquidez nos mercados interbancários ao primeiro sinal de que as coisas não iam bem).
v    Cautelosos, os Reguladores instituíram nos mercados interbancários a compensação automática dos créditos recíprocos logo que um Banco contraparte entrasse em colapso. Deste modo, a liquidez a movimentar ficava reduzida ao saldo final devido - o que permitia encurtar o processo de ajustamento e limitar os danos nos restantes Bancos.
v    Mas, sem que ninguém se apercebesse, duas vias mais tinham sido entretanto abertas: uma, pela desintermediação; a outra, pelos instrumentos de dispersão do risco.
v    Para melhor contrariarem os efeitos da desintermediação, muitos Bancos rodearam-se de uma constelação de entidades (Bancos especializados, Fundos de Investimento, etc.) – e a reputação deles era, agora, indissociável do que acontecesse aos seus séquitos.
v    É certo que os supervisores vigiavam para que cada grupo bancário dispusesse de Capitais Próprios suficientes. Só que: (a) aos olhos do mercado (isto é, dos clientes e dos restantes Bancos), a reputação não ficava confinada à ligação jurídica entre a Casa-mãe e as suas Subsidiárias; (b) não surgiu entretanto nenhuma regra explícita sobre a liquidez mínima, nem para os grupos bancários formais, quanto mais para o conjunto alargado das entidades que o mercado associava à reputação de cada Banco.
v    Ou seja, em conjuntura de crise, um qualquer Banco, para preservar a sua credibilidade, poderia ver-se na obrigação de socorrer entidades: (a) que não pertenciam ao seu perímetro de consolidação; (b) que não tinham entrado no cálculo dos seus Capitais Próprios; (c) cujas necessidades de liquidez não tinha previsto. É o que está a acontecer.
v    Quanto à última destas vias (a quarta), com Basileia 2 e os novos modelos de medição do risco, as exigências de Capital (Capitais Próprios) aumentaram. A preocupação maior de todos os Bancos (e, em geral, de todas as instituições financeiras sujeitas a supervisão) passou a ser encontrar soluções de dispersão do risco que fossem aceites pelo supervisor – e, com isso, poupar o seu precioso e escasso Capital.
v    Surgiram os CDS, os CDO e outros instrumentos mais rebuscados, emitidos, entre outros, por Bancos e Seguradoras. Mas surgiram com um pecado original: quem os tomasse (isto é, quem ficasse coberto por esses instrumentos, o Tomador) poupava mais Capital do que o Capital que o respectivo Garante tinha de afectar a essa sua responsabilidade.
v    Uma tal assimetria valia dinheiro – e os CDS/CDO foram emitidos com largueza (os USD 62 biliões a que já fiz referência), tendo em vista a obtenção de comissões, sem que alguém, alguma vez, imaginasse que, um dia, essas garantias poderiam ser reclamadas. E, quando Tomador e Garante eram ambos Bancos, o risco permanecia no interior do sistema bancário, como é bem de ver (mas, na altura, parece que ninguém viu).
v    Por ironia do destino esta crise está a propagar-se através das três vias mais recentes (mercados interbancários, séquito e instrumentos de dispersão do risco) mantendo-se, por enquanto, deserta a via tradicional (uma outra via que em tempos referi, traçada pelos riscos de mercado, também tem tido, por enquanto, pouco tráfego). Acontece que duas delas estavam completamente entregues às opiniões das Agências de Rating.
v    Em boa verdade, não eram os CDO/CDS que permitiam assim, do pé para a mão, a poupança de Capital que acima referi. Acontecia, apenas, que uma carteira coberta por CDO/CDS (e por contratos de liquidez, outros dos tais “derivados”) recebia das Agências de Rating, facilmente, uma boa notação (investment grade).
v    E os supervisores, perante uma tal notação, consideravam que o risco de crédito a que o Banco titular dessa carteira se encontrava exposto seria mínimo - pelo que o Capital que lhe exigiam para absorver as perdas não esperadas nessa carteira era menor.
v    Encontrar uma medida para a incerteza e para o risco nunca é tarefa fácil – e não há como evitar a subjectividade. No caso, as Agências de Rating dispunham dos registos históricos das hipotecas executadas, e de pouco mais. Fosse quem fosse que tentasse inferir o risco de crédito no mercado hipotecário não encontraria melhor base de dados. Então, nada se lhes pode apontar? Foi só a incerteza a pregar partidas?
v    Pelo contrário. As Agências de Rating falharam em toda a linha (e houve quem avisasse):
Ø         Falharam quando estenderam tal qual aos créditos hipotecários residenciais o método de medição do risco que usavam correntemente para as Obrigações de empresas – esquecendo que, contrariamente ao que se passa com estas últimas, naqueles, um primeiro incumprimento é, as mais das vezes, um incumprimento definitivo e que só a venda da casa hipotecada pode ressarcir o credor (cúmulo de risco de mercado no bem dado em garantia);
Ø         Falharam quando supuseram que, na estrutura dos “derivados hipotecários” (invariavelmente, uma cascata de classes de prioridades sobre os rendimentos financeiros gerados por uma carteira de créditos hipotecários), as classes mais graduadas estavam imunes ao que acontecesse às menos graduadas – mas os devedores individuais, habitualmente, não fazem entregas por conta, pelo que o incumprimento atingiria todas por igual (cúmulo de risco no activo subjacente);
Ø         Falharam quando trabalharam por operação e, não, por entidade causadora do risco (o devedor) – e, por isso, não se aperceberam de que boa parte dos activos subjacentes aos “derivados hipotecários” ou eram já 2as hipotecas, ou eram a 1ª hipoteca de uma 2ª casa de alguém que já devia um outro empréstimo hipotecário sobre a sua residência principal (cumulo de risco no devedor);
Ø         Falharam quando ignoraram a exposição directa dos Garantes dos CDO/CDS (e dos contratos de liquidez) ao mercado hipotecário (cúmulo de risco na contraparte);
Ø         Enfim, falharam quando não ponderaram o efeito da execução em massa de hipotecas sobre casas nos preços do mercado imobiliário residencial – e como isso iria afectar o valor dos créditos hipotecários ainda vivos (de novo, o cúmulo de risco de mercado - com a consequente degradação do rácio de cobertura da dívida pelo valor do bem dado em garantia (Loan-to-Value) a “consumir” mais Capital).
v        Em sua defesa podem alegar que a presente crise não foi desencadeada por uma conjuntura económica recessiva – mas unicamente por investidores que perderam interesse nos “derivados hipotecários”, por Bancos em roda livre e por uma enorme bolha especulativa no mercado imobiliário norte-americano (e em alguns outros países).
v        Mas é hoje óbvio que as Agências de Rating não compreendiam (se é que havia alguém que compreendesse...) o risco dos instrumentos financeiros a que iam atribuindo notações favoráveis (investment grade) – e, em poucos meses, perderam o capital de credibilidade que tinham vindo a amealhar nas últimas décadas (a recente recusa do IIF/Institute of International Finance em aceitar como útil o modelo de avaliação de risco desenvolvido por S&P só veio pôr a nu a situação em que elas se encontram).
v        E este colapso da credibilidade das Agências de Rating vai fazer com que uns quantos capítulos de Basileia 2 tenham de ser reescritos – uma vez que alguns modelos de supervisão aí consagrados se baseiam, precisamente, nas notações que elas atribuam.
v        Sem ratings (notações de risco) credíveis: não há referências que sirvam para as decisões de investimento; as Entidades de Investimento Colectivo (Fundos de Investimento, Fundos de Pensões, Hedge Funds, Trusts, etc.) não saberão como pautar as suas estratégias; os investidores ficarão impossibilitados de pedir contas e avaliar desempenhos. Em poucas palavras: vai andar tudo às aranhas e a toque das últimas novidades, com os mercados financeiros a ficarem ainda mais imprevisíveis. (cont.)
 
Setembro de 2008
 
A. PALHINHA MACHADO

CRÓNICA DO BRASIL

 

Afinal... de que tamanho é o Brasil ? (texto de um militar)

 Muito importante que os jovens de hoje tomem conhecimento do perigo que corre o  Brasil de perder parte do seu precioso território a troco de nada.
 
 PERIGO DE INVASÃO MILITAR EM RORAIMA - depoimento de uma testemunha ocular –
 
 No momento em que tanto se fala da cobiça internacional sobre a Amazônia, da ação de ONGs de todos os tipos agindo livremente na região Norte, de estrangeiros vendendo pedaços da nossa floresta, da encrenca que está sendo a homologação da Raposa/Serra do Sol, de índios contra índios, de índios contra não-índios, das ações ou omissões da Funai, do descontentamento das Forças Armadas com referência os rumos políticos que estão sendo dados para esta quase despovoada mas importantíssima parte das fronteiras da nação, é mais do que preciso falar quem sabe, quem conhece, quem vivencia ou quem tenha alguma informação de importância.
Assim sendo, para ficar registrado e muito bem entendido, vou contar um acontecimento de magna importância, especialmente para Roraima, e do qual sou testemunha ocular da História.
Corria o ano de 1993 - portanto, já faz 15 anos. Era governo de Itamar Franco e as pressões de alguns setores nacionais e vários internacionais, para a homologação da Raposa/Serra do Sol, eram fortes e estavam no auge. Tinha-se como certíssimo de que Itamar assinaria a homologação  Nessa época, eu era piloto da empresa BOLSA DE DIAMANTES, que quinzenalmente enviava compradores de pedras preciosas para Uiramutã, Água Fria, Mutum e vizinhanças.
 No dia 8 de setembro de 1993, aí pelas 17:00, chegamos em Uiramutã, e encontramos a população numa agitação incomum, literalmente aterrorizada.
 Dizia-se por toda parte, que Uiramutã ia ser invadida, que havia muitos soldados "americanos", já vindo em direção à localidade.
 A comoção das pessoas, a agitação, o sufoco eram tão grandes que me contaminou, e fui imediatamente falar com o sargento PM que comandava o pequeníssimo destacamento de apenas quatro militares, para saber se ele tinha conhecimento dos boatos que circulavam, e respondeu-me que sabia do falatório.
 Contou-me então que o piloto DONÉ (apelido de Dionísio Coelho de Araújo), tinha passado por Uiramutã com seu avião Cessna PT-BMR, vindo da cachoeira de ORINDUIKE, no lado brasileiro, (que os brasileiros erradamente chamam de Orinduque), contando para várias pessoas, que havia um acampamento enorme, com muitos soldados na esplanada no lado da Guiana, na margem do rio Maú, nossa  fronteira com aquele país.
 Aventei a necessidade de que o sargento, autoridade policial local, fosse ver o que havia de fato e falei com o dono da empresa, que aceitou, relutante e receoso, emprestar o avião para o sargento. Como, entretanto, o sol já declinava no horizonte, combinamos o vôo para a manhã seguinte.
 Muito cedo, o piloto Doné e seus passageiros, que tinha ido pernoitar na maloca do SOCÓ, pousaram em Uiramutã. Eu o conheci nessa ocasião, e pude ouvir dele um relato. Resumindo bastante, contou que na Guiana havia um grande acampamento militar e que um avião de tropas estava trazendo mais soldados para ali.
 Estávamos na porta da Delegacia, quando chegou uma Toyota do Exército, com um capitão, um sargento e praças.,vindos do BV 8. Ele ia escolher e demarcar um local para a construção do quartel de destacamento militar ali naquela quase deserta fronteira com a Guiana. BV 8 é antigo marco de fronteira do Brasil com a Venezuela, onde há um destacamento do Exército, na cidade de Pacaraima. Muito interessado e intrigado com o fato, resolveu ir conosco nesse vôo.
 O capitão trazia uma boa máquina fotográfica e emprestei a minha para o sargento. O vôo foi curto, apenas seis minutos. Demos tanta sorte, que encontramos um avião para transporte de tropas, despejando uma nova leva de soldados, no lado guianense. Voando prá lá e prá cá, só no lado brasileiro, os militares fotografavam tudo, e o capitão calculou pelo número de barracas, uns 600 homens, até aquele momento.
 Fiz diversas idas e vindas e, numa delas vi o transporte de tropas 
decolando e virando para a esquerda. Exclamei para o capitão: eles vem pra cima de nós! Como é que você sabe? Perguntou. Viraram para a esquerda, que é o lado do Brasil e, não da Guiana, respondi. Girei imediatamente a proa para Uiramutã e, ao nivelar o avião, o capitão me disse muito sério: estamos na linha de tiro deles! Foi então que olhando para a direita, vi à curta distância e, na porta lateral do transporte, um soldado branco, com um fuzil na mão.
 Confesso que foi um grande susto! O coração parecia-me bater duas e falhar uma. Quem conhece a região, sabe que ali naquela parte, o Maú é um rio muito sinuoso. Enfiei o avião fazendo zig-zag nesses meandros, esperando conseguir chegar em Uiramutã. Se atiraram, não ficamos sabendo, mas após o pouso, havia muita gente na pista, que fica juntinho das casas. Agitadas, contaram que aquele avião tinha girado duas vezes sobre nós e a cidade, tomando rumo de Lethen, na Guiana, onde há uma pista asfaltada, defronte de Bomfim, cidade brasileira na fronteira.
 Com esse fato, angustiou-se mais ainda a população, na certeza de que a invasão era iminente. O capitão determinou ao sargento e a mim, que fizéssemos imediatamente um relatório minucioso, para ser envido ao comando da PM, em Boa Vista e partiu acelerado de volta ao pelotão de fronteira no BV 8.
 Na delegacia, o sargento retirou o filme da minha máquina fotográfica, para enviar ao seu comando e eu datilografei um completo relatório que ele colocou em código e transmitiu via rádio para Boa Vista. Naquela época, o chefe da S2 da PM (Seção de Inteligência), era o major Bornéo.
 Uns quatro dias depois que cheguei desse giro das compras de diamantes, tocou a campainha da minha casa, um major do Exército. Apresentou-se e pediu-me para ler um papel, que não era outro, senão aquele mesmo que eu datilografara em Uiramutã , e do qual o comando da PM enviara cópia para o comando do Exército em Boa Vista. Após ler e confirmar que era aquilo mesmo, pediu-me para assinar, o que fiz. Compreendi que tinha sido testemunha de algo grande, maior do que eu poderia imaginar, e pedi então ao major, para dizer o que estava acontecendo, uma vez que parte daquilo eu já sabia. Concordou em contar, desde que eu entendesse bem que aquilo era absolutamente confidencial e informação de segurança nacional. Concordei.
 Disse o major, que a embaixada brasileira em Georgetown tinha informado ao Itamarati, que dois vasos de guerra, um inglês e outro, americano, haviam fundeado longe do porto, e que grandes helicópteros de transporte de tropas, estavam voando continuamente para o continente, sem que tivesse sido possível determinar o local para onde iam e o motivo.
 Caboclos guianenses (índios aculturados) tinham contado para caboclos brasileiros em Bomfim, cidade de Roraima na fronteira, terem os americanos montado uma base militar logo atrás da grande serra Cuano-Cuano, que por ser muito alta e próxima, vê-se perfeitamente da cidade. O Exército brasileiro agiu com presteza, e infiltrou dois majores através da fronteira, e do alto daquela serra, durante dois dias, filmaram e fotografaram tudo. Agora, com os fatos ocorridos em Orinduike, próximo de Uiramutã, nossa fronteira Norte, fechava-se o entendimento do que estava acontecendo.
 E o que estava acontecendo? As pressões internacionais para a demarcação da Raposa / Serra do Sol apertavam, na certeza de que o Presidente Itamar Franco assinaria o decreto. Em seguida, a ONU, atendendo aos "insistentes pedidos dos povos indígenas de Roraima", determinaria a criação de um enclave indígena sob a sua tutela, e aí nasceria a primeira nação indígena do mundo.
 Aquelas tropas americanas e as inglesas, eram para garantir militarmente a tomada de posse da área e a "nova nação".
 Até a capital já estava escolhida: seria a maloca da Raposa, 
estrategicamente localizada na margem da rodovia que corta toda a região de Este para Oeste, e divide geográfica e perfeitamente a região das serras daquela dos lavrados roraimenses que são os campos naturais e cerrados.
 Itamar Franco - suponho - deve ter sido alertado para o tamanho da encrenca militar que viria, e o fato é que, nunca assinou a demarcação.
 Nessa mesma ocasião (para relembrar: era começo de setembro de 1993), estava em final de preparativos, o exercício periódico e conjunto das Forças Armadas nacionais, na cidade de Ourinhos, margem do rio Paranapanema, próxima de Sta. Cruz do Rio Pardo e Assis, em São Paulo, e Cambará e Jacarezinho, no Paraná.
 Com as alarmantes notícias vindas de Roraima, o Alto Comando das Forças Armadas mudou o planejamento, que passou a chamar-se "OPERAÇÃO SURUMU" e, como já estava tudo engrenado, enviou as tropas para Roraima. Foi assim que à partir da madrugada de 27 de setembro de 1993, dois aviões da VARIG, durante vários dias, Búfalos, Hércules e Bandeirantes despejaram tropas em Roraima. Não cabendo todas as aeronaves militares dentro da Base Aérea, o pátio civil do aeroporto ficou coalhado de aviões militares. Chegaram também os caças e muitos Tucano. Veio artilharia anti-aérea, localizada nas cercanias de Surumu, e foi inclusive expedido um aviso para todos os piloto civis, sobre áreas nas quais estava proibido o sobrevôo, sob risco de abate.
 Tendo como Chefe do Comando Militar da Amazônia (CMA), o general de Exército José Sampaio Maia ex-comandante do CIGS em Manaus, e como árbitro da Operação Surumu, o general de Brigada Luiz Alberto Fragoso Peret Antunes (general Peret), os rios Maú, Uailã e Urariquera enxamearam de "voadeiras" cheias de soldados. Aviões de caça fizeram dezenas de vôos rasantes nas fronteiras do Norte. O Exército também participou com a sua aviação de helicópteros, que contou com 350 homens do 1º, 2º e 3º esquadrões, trazendo 15 Pantera (HM-1) e 4 Esquilos, que fizeram um total de 750 horas de vôo. Vieram também cerca de 150 pára-quedistas militares e gente treinada em guerra na selva. A Marinha e a Força Aérea contribuíram com um número não declarado de homens, navios e aeronaves.
 Dessa maneira, não tendo Itamar Franco assinado o decreto de demarcação da Raposa / Serra do Sol e, vindo essas forças militares para demonstrar que a entrada de soldados americanos e ingleses em Roraima, não seria feita semgrandes baixas, "melou" e arrefeceu a intenção internacional de apossar-se desta parte da Amazônia, mas não desistiram.
 Decepcionando muito, embora sendo outro o contexto político internacional, Lula fez a homologação dessa área indígena, contestada documentalmente no Supremo Tribunal e, ainda tentou à revelia de uma decisão judicial, retirar "na marra", os fazendeiros e rizicultores ("arrozeiros") dessa área, que como muita gente sabe - inclusive os contrários - tem dentro dela propriedades regularmente documentadas com mais de 100 anos de escritura pública e registro, no tempo em que Roraima nem existia, e as terras eram do Amazonas. Agora, entretanto, os interesses difusos e estranhos de muitas ONGs, dizem na Internet, que esses proprietários são "invasores", quando até o antigo órgão anterior ao INCRA, demarcou e titulou áreas nessa região, e que a FUNAI, chamada a manifestar-se, disse por escrito, que não tinha interesse nas terras e que nelas, até aquela ocasião, não havia índios.
 As ONGs continuam a fazer pressão, e convém não descuidar, porque nada indica que vão desistir de conseguir essas terras "para os índios", e de graça, levarem além de 1 milhão e 700 mil hectares – quase o tamanho de Sergipe – tudo o mais que elas tem: ouro, imensas jazidas de diamantes, coríndon, safira de azul intenso, turmalina preta, topázio, rutilo, nióbio, urânio, manganês, calcáreo, petróleo, afora a vastidão das terras planas, propícias à lavoura, área quase do mesmo tamanho onde Mato Grosso planta soja que fez a sua riqueza.
 Isso, é o que já sabemos, porque uma parte disso foi divulgada numa 
pesquisa da CPRM, Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais, em agosto de 1988 (iniciada em 1983), chamada de Projeto Maú, que qualifica essa parte da Raposa/Serra do Sol, como uma das mais ricas em diamantes no Brasil, sendo o mais extenso depósito aluvional de Roraima, muito superior ao Quinô, Suapi, Cotingo, Uailã e Cabo Sobral. Essa pesquisa foi inicialmente conduzida pelo geólogo João Orestes Schneider Santos e, posteriormente, pelo também geólogo, Raimundo de Jesus Gato D´Antona, que foi até o final do projeto, constatando a possibilidade da existência de até mais de 3 milhões de quilates de diamantes e 600 Kg de ouro. Basta conferir a cotação do ouro e diamantes, para saber o que valem aquelas barrancas do rio Mau, só num pequeno trecho.
A "desgraça" de Roraima é ser conhecida internacionalmente na geologia, 
como a maior Província Mineral já descoberta no planeta. Nada menos que isso!
 E o que ainda não sabemos? Essa pesquisa, feita em pouco mais de 100 quilômetros de barranca do rio, cubou e atestou a imensa riqueza diamantífera da área. Entretanto, o Estado de Roraima ainda tem coríndon, manganês, calcáreo e urânio, afora mais de 2 milhões e 100 mil hectares de terras planas agricultáveis, melhores que aquelas onde plantam soja no Mato Grosso.

Izidro Simões
66 anos, aposentado em 2005, 42 anos de aviação, sendo 31 por toda a Amazônia, dos quais, 20 em Roraima, onde reside.
izidropiloto@oi.com.br
 
 
Como é sempre bom confirmar veracidade do texto e autor – e são autênticos – achei que seria útil obter, mesmo veladamente, a opinião de alguém que muito prezo e admiro, e, caso raro, não metido nas corrupções, de qualquer ordem, mas que vive entre as altas esferas do poder, e que me respondeu assim:
 
Meu caro,
Espero que todos estejam bem.
Sem insultá-lo com desculpas relativas ao volume de trabalho, que é mesmo grande, mas o fato é que ando viajando com frequência mas sem ir ao Rio. As andanças envolvem seminários e palestras que exigem preparação, então...
Tenho acompanhado todas as tuas mensagens e o quanto posso as notícias. Por sorte tenho gente que está lidando muito de perto com este problema das reservas e te asseguro que ninguém está dormindo. O problema é complexo e tem muito fogo amigo na jogada atrás de faturar. A traição é fato comum na história dos homens.
Todos aqui vão bem e adaptando-se bem à cidade e à vida aqui. A ver o que virá.
Mando os melhores desejos de que tudo lhe sorria e prometo visita quando por aí for.
“x
Como se vê o assunto é grave. Gravíssimo. Há MUITO em jogo nas chamadas terras indígenas, tais como ouro, petróleo, gás, e tudo o mais quanto a imaginação de cada um for capaz. E atrás dessas riquezas, os índios... olham, e esperam para ver qual o conjunto dos mais ricos que abocanhará o bolo!
Entretanto, hoje saiu no jornal mais um texto interessante. Do prof. Denis Rosenfeld, em que deixa no ar a pergunta: e os agricultores, que estão em áreas hoje chamadas reservas indígenas e cujos terrenos lhes foram concedidos legalmente, alguns há mais de 20 anos, dom títulos de posse, tudo perfeitamente “legalizado”?
O problema é extremamente complexo, mas com o super governa-se a perdoar os vergonhosos calotes dos vizinhos e muy amigos, Morales e Correia, não seria para admirar que “vendesse” também um substancial parte da Terra Brasilis à comunidade internacional.
O país corre perigo. De fato. Tomos temos que estar muito atentos
 
Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2008
Francisco Gomes de Amorim

PASSE DE MAGIA – 10.2.

 

SUGERIR PORTUGAL
 
O Senado. O passado e o presente
I
Passado
 
 

“O rebanho é um só; mas as ovelhas são diferentes”
                         Pastor Anónimo
 

 
 
 
 
 
Quando sugeri reintroduzir no actual sistema político português a ideia do Senado, não descobri a pólvora. Fica aqui um brevíssimo apontamento da História de Portugal. Este órgão existiu em Portugal, na Monarquia Constitucional (1820 a 1910) e Primeira República (1910 a 1926). O Senado era eleito pelo Povo e constituído por representantes de todas as regiões do País. Com o golpe de 28 de Maio de 1926 o Senado ficou com os dias contados, quando o Professor Oliveira Salazar, assumiu a Presidência do Conselho de Ministros, depois da sua passagem, por Ministro das Finanças, a União Nacional reservou-se o papel de partido único, com uma assembleia de fachada, onde se faziam debates, mas cuja força e influência política como Orgão era quase nula. O Conselho de Ministros presidido por Oliveira Salazar detinha o poder executivo e legislativo, muito embora parecesse o contrário.
 
No final do Sec. XIX dealbar do Sec. XX, tiveram lugar as transformações políticas que nos levaram ao Estado Novo. As quezílias constantes dos Partidos e dos Deputados da Primeira República deram origem a 8 Presidentes da República e 50 Governos num período de 16 anos. Naquele período da nossa História, apareceram mentes brilhantes, mas conturbadas pela paixão da política. Eça de Queirós retrata nos seus escritos esta época. Alguns dos seus textos são de uma actualidade assombrosa. Existem debates fabulosos, onde o dom dos oradores, mestres na retórica era usado sem parcimónia e muitas vezes com violência verbal e ingenuidade. Era um ambiente variado e difuso, diria quase bucólico-político, como a Natureza efervescente de Vida que me faz lembrar uma passagem deliciosa de Guy de Maupassant: “Borboletas, abelhas, vespões atarracados, mosquitos desmesurados que se assemelham a esqueletos de moscas, mil insectos voadores, bicharocos cor de rosa e sarapintados, bichos nojentos com reflexos esverdeados, outros negros com cornos, povoavam aquele poço luminoso e quente, cavado na sombra gelada das folhagens pesadas” (Guy de Maupassant, Uma Vida, pág. 36, Edição do Círculo de Leitores). Isto foi o passado. Já não existem mentalidades do Sec. XIX e do início do Sec. XX. Penso que não, mas se as houver ainda por aí, não terão, certamente, uma grande influência negativa nas grandes decisões nem nos grandes acontecimentos. Estamos na era da robótica e da 5ª geração da informática, proveniente do Japão e já há quem fale da 6ª. Mas, voltando ao tema, na actualidade há países que continuam a dar-se bem, quer com a Monarquia Constitucional, quer com o biparlamentarismo republicano. Pessoalmente, é-me indiferente, o que pretendo é que o sistema político em que viéssemos a viver fosse evoluído e cuidasse dos nossos interesses, como Povo. 
 
 
 
II
Presente
 
No presente, o Senado não existe, mas tem lugar reservado no Edifício da Assembleia da República. Falemos então do presente para dar respostas às dúvidas que me foram colocadas quanto à legitimidade, legalidade e constitucionalidade do que afirmei, nomeadamente, quanto à figura do Referendo e ao facto de eu não considerar os Juízes, funcionários públicos e, portanto, independentes das regras gerais aplicáveis aos funcionários públicos por serem membros de um Orgão de Soberania, com Estatuto próprio. Começo por esta dúvida que é mais fácil de responder.
 
Com efeito, estão previstas nas alíneas j) e m) do artº 288º que discorre sobre os limites materiais da revisão constitucional, que passo a transcrever: “j) A separação e independência dos órgãos de soberania” e a “m) A independência dos tribunais”. Não é, portanto, matéria sufragável. Depois o artº 110º vem dizer no seu nº 1 que são Orgãos de Soberania, o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais e o nº 2 deste supracitado Artigo esclarece que a formação, a composição, a competência e o funcionamento dos Orgãos de Soberania são definidos na Constituição. E mais, reparem no reforço e relevância que o texto constitucional dá a esta matéria, através do nº 1 do artº 111º: “Os Órgãos de Soberania devem observar a separação e interdependência estabelecidas na Constituição”. Creio não ter feito nenhuma afirmação ilegítima, ilegal ou inconstitucional quanto à independência dos Tribunais e dos seus membros, para que conste.
 
Gostaria de esclarecer que, quando abordei o tema das normas de salvaguarda constitucionais, não estava a referir-me aos limites materiais da revisão, previstos no artº 288º do texto constitucional, mas aos artºs 284º e 285º, no tocante à competência, tempo e iniciativa de revisão em matérias de natureza jurídico-constitucional e à alínea a) do nº 2 do artº 115º por excluir do referendo as alterações à Constituição, quando penso que qualquer alteração da Constituição que nos beneficie ou afecte, como Povo, deve ser considerada de relevante interesse nacional. Temas que surgirão naturalmente no próximo texto.
 
Partamos, pois, para o futuro Senado Português.
 
 Luís Santiago
Cidadão Português
 

PASSE DE MAGIA – 16.1.

 

 
PORNOCRACIA
(continuação)
 
Por: DuxBellorum
 
 
Aspectos psicológicos

A maioria dos cargos de direcção é ocupada por homens com mais de 45 anos. Muitos atravessam a chamada “crise de meia-idade”, um período de transição entre a juventude e a velhice. Nesta fase de vida, o homem sofre um decréscimo dos valores hormonais (sobretudo de testosterona), o que se reflecte na diminuição do vigor físico e em alterações psicológicas (mudanças de humor, fragilidade emocional e problemas de auto-estima). A “crise” chega quando o homem maduro começa a questionar o seu próprio valor e a sentir-se decadente.
           
Como a auto-estima é um dos pilares fundamentais do equilíbrio psicológico, o homem de meia-idade produz fantasias tentando fugir à sensação de decadência. Alguns pintam o cabelo, fazem correcções cirúrgicas, recorrem à cosmética e adoptam socialmente uma postura jovial. No entanto, estas “muletas” psicológicas não são suficientes para compensar a sensação de velhice e a necessidade de afecto. A diminuição hormonal e a procura da juventude perdida fazem com que o homem em crise de meia-idade precise de estímulos cada vez mais fortes e procure pessoas jovens para se relacionar social e sexualmente.
           
 
Alguns conseguem ainda seduzir mulheres jovens, mas a maioria já não tem capacidade de atracção suficiente. Por essa razão, recorrem a estratagemas para se conseguirem relacionar com elas.
           
A “prostituta de esquina” não satisfaz os seus desejos. O acto sexual efémero, mecânico e puramente corporal, não é o que este homem procura. A prostituta oferece apenas uma experiência semelhante à masturbação: não tem contexto social, afectivo nem levanta o ego. É degradante, porque dá a sensação que ele só consegue ter companhia abrindo os cordões à bolsa.
         
O que ele quer é uma relação com alguém que tem metade (ou um terço) da sua idade. Nessa relação ele sentirá que ainda tem valor como homem e fá-lo-á experienciar a sensualidade da juventude. Numa palavra, o homem de meia-idade quer ter uma “namorada”. O problema é que ter uma namorada entre os 18 e os 25 anos nem sempre é fácil para quem já tem uma barriga respeitável, umas rugas pronunciadas, papos nos olhos e está completamente “por fora” dos assuntos que interessam à juventude.
           
Para ultrapassar este dilema, o homem de meia-idade inventou um estratagema que depende essencialmente da capacidade de se iludir a si próprio e embarcar em fantasias. Ele arranja uma amante e em troca paga-lhe as contas e oferece favores. As despesas da casa, luxos, transporte diário, viagens e compras de diversa ordem ficam por sua conta, assim como cunhas para arranjar emprego ou ascender na empresa.

No seu íntimo, ele sabe que as suas qualidades como homem não são suficientes para manter aquela mulher ligada a si. Por essa razão, ele próprio toma a iniciativa de oferecer os seus préstimos à jovem que aceitou ser sua amante. No entanto, procura justificar as ofertas que faz, criando uma ilusão. As justificações são normalmente de teor paternalista, do tipo «eu tenho muito dinheiro e devo ajudá-la porque ela precisa». Desta forma, ele convence-se que tem “uma protegida”, o que salvaguarda o seu ego. Ser protector de alguém é muito menos indigno do que ser cliente assumido de uma profissional (prostituta).
           
A relação protector-protegida assume diversas formas consoante a natureza dos participantes. Por vezes é protectora-protegido (gigolô) e outras protector-protegido (homossexual). Em qualquer dos casos existe uma relação de prostituição camuflada, entre um indivíduo mais velho em crise de meia-idade e outro mais novo que não se importa de colher benefícios em troca de uns favores sociais e sexuais.

O modelo que mais contribui para a pornocracia é o de protector-protegida, pelo simples facto de existirem mais homens em situação de oferecer cargos nas instituições. A realidade de um país ser controlado por homens em crise de meia-idade cria necessariamente uma estrutura pornocrata. As protegidas entram nas instituições de forma discreta, de olhos postos no chão, para depois se estabelecerem e passarem a ter capacidade de interferir (e, por vezes, comandar) o rumo dos acontecimentos. Na maioria dos casos, o poder destas prostitutas camufladas deriva do poder de sedução que elas têm em relação aos homens que controlam a instituição, e do conhecimento dos “podres” que eles escondem. Como tal, sedução e chantagem são dois elementos preponderantes da pornocracia.

(Continua)

O que falta

 

                                                          
 
 
Em época em que o homem vale pelo que tem e aparenta, o estudo da genealogia parece mera fantasia ou desperdício de tempo. Mas a realidade é que esse estudo, em séculos passados essencial para categorizar o homem, é uma fonte valiosa de conhecimento de factos e hábitos históricos. Em países, como a China e o Japão, conhecer a história de seus ancestrais é mais que uma deferência especial, é um costume que identifica a religião e fortifica a nacionalidade.
 
Investigar os relacionamentos de parentesco é trabalhoso, dispendioso,  requer tempo e  muito discernimento.  Não é para qualquer um.  Pessoas há que levam a vida inteira a pesquisar algumas poucas gerações, dependendo do local e das fontes de onde provêem a(s) família(s).   Enquêtes recentes dizem que os lugares menos difíceis para se achar registos dos antepassados são aqueles que se mantiveram por mais tempo isolados e que guardaram a história de sua gente nos anais locais, como nos países do norte da Europa e nas ilhas dos Açores e Madeira.
 
Actualmente o que leva as pessoas a procurar o seu passado genealógico não é mais a vantagem social que a nobreza um dia  proporcionou, e sim a curiosidade histórica, o sentimento em relação à família, a comprovação de concessão de terras e património pelo governo.
 
A final, razão tinha o povo antigo quando procurava descobrir as suas origens, pois há um dito popular que atravessou os tempos e que diz: “Quem sai aos seus não os degenera”. Talvez seja isso o que falta para as actuais gerações, embuidas de que tudo se resume na força da tecnologia e do poder económico, saber que a potencialidade de um povo está no respeito à sua história, na educação a que ele se obriga, na força moral e espiritual das suas raízes, factores que resgatam o valor próprio e consolidam a soberania.  
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 22/09/08
 
 
 

PASSE DE MAGIA - 16

 

PORNOCRACIA
(do grego porne, prostituta e kratein, governo)

por DuxBellorum

 
Introdução

A expressão “pornocracia” é frequentemente utilizada para designar um período na história do Papado que se estendeu da primeira metade do século X, com a instalação do Papa Sérgio III em 904 por sessenta anos, e terminou após a morte do Papa João XII em 963. Nesta fase, os Papas eram fortemente influenciados por mulheres, suas concubinas, cujo poder real ultrapassava largamente o dos homens que ocupavam cargos de liderança. Graças aos favores sexuais que prestavam eram nomeadas para postos-chave da oligarquia da Igreja, tendo mesmo conseguido a criação de cargos até então inexistentes, como forma de retribuição (tráfico de influências).
 
Ver o caso de Marozia, amante do Papa Sérgio III
 
Marozia e Teodora
 

 http://www.infoplease.com/ce6/people/A0831924.html

 

Em todas as sociedades podemos encontrar formas de pornocracia e seria utópico propor um modelo social imune a este género de corrupção. O que importa é entender os mecanismos sociais e psicológicos que o geram e mantêm.

(CONTINUA)

PASSE DE MAGIA – 3.3.

 

 
ACHA QUE TEMOS LICENCIADOS A MAIS?
 
Parte 3
 
O modelo de ensino está claramente desajustado com vista à motivação geral da juventude e essa deve ser razão suficiente para uma reflexão por parte de todos os legisladores do ensino. E não deveriam estes algozes perder mesmo o emprego por manifesta rejeição dos clientes, neste caso a população escolar?
 
O aparelho técnico educativo oficial tem que ser confrontado com a realidade do País pois está a formar ou a deformar a juventude a seu bel-prazer sem que se lhe exijam grandes responsabilidades e, pelas taxas de abandono conhecidas, pode-se dizer que está a esbanjar gerações que no futuro passarão por analfabetas e incompetentes.
 
Estamos a tratar do ensino obrigatório, de cultura geral básica, não de estudos avançados nem sequer de nível médio. Os verdadeiros cientistas formam-se noutros níveis muito mais elevados. Mas o sistema escolar em vigor quer fazer cientistas que pensem do geral para o particular logo à saída do berço e o resultado é um falhanço clamoroso. Poderá ser menos ambicioso em termos intelectuais ensinar do particular para o geral mas tudo nos leva a admitir que a motivação dos jovens seria bem maior do que actualmente em que continua a preponderar o quadro que devia ser preto em vez de suportar tanto pó – do giz que já o entranhou: tecnologia de comunicação do séc. XIX aplicada no séc. XXI.
 
Bem sabemos que vão surgindo algumas experiências de ensino verdadeiramente inovadoras que recorrem às modernas tecnologias de comunicação e que apresentam taxas de sucesso escolar claramente superiores às que se verificavam nessas mesmas Escolas enquanto ministravam os curricula tradicionais com a antiga metodologia. Mas essas experiências continuam a constituir casos isolados de grande mérito local mas ainda sem a força suficiente para moldarem o Ensino na sua generalidade. Não será aqui também caso de passarmos do particular para o geral?
 
Este tipo de questões é da maior relevância para o tecido empresarial que trabalha com gente que tem sido mal preparada para as necessidades da vida moderna, nomeadamente para lidar com tecnologias de ponta. A via profissionalizante continua com relativamente fraca expressão em Portugal. Todos queremos ser Doutores e Engenheiros e ninguém quer ser Técnico intermédio. Se o problema está no título, façamos como os americanos que aos Mecânicos e Electricistas chamam Engenheiro e aos licenciados em engenharia tratam por Senhor.
 
Se passarmos agora para um cenário um tudo menos elementar e observarmos o que se passa com o Ensino Secundário, então vejamos que em 1999, o grupo etário português dos 25 aos 29 anos tinha mais 23,7% de membros com o Ensino Secundário completo do que o grupo dos 55 aos 59 anos. O cálculo foi igual para os outros Estados membro da UE e diz-nos que o progresso educativo (chamemos-lhe inter-geracional) em Portugal foi significativamente menor que nos outros Países da coesão e menor ainda que noutros Países que todos consideramos evoluídos. Contudo, não admira que a evolução percentual tenha sido fraca na Alemanha, na Dinamarca e na própria média da UE pois todos já tinham níveis absolutos de instrução formal muito elevados. Não era esse o nosso caso.
 
Mas é com este cenário humano que temos que lidar e já temos que nos ir mentalizando de que os progressos são muito mais lentos do que aquilo que consideramos necessário. É assim que se torna imprescindível o aparelho produtivo formar a sua própria mão-de-obra. E que sucede nesta perspectiva? O cenário não é brilhante e teremos ainda muito que fazer antes que possamos começar a estar satisfeitos com os progressos que vamos conseguindo.
 
Mas será que vimos seguindo os caminhos correctos? Será admissível o método de baixar o grau de exigência para que o sucesso estatístico aumente? A resposta é certamente negativa. E, no entanto, com os «velhos do Restelo» que por aí andam, temos verdadeiros casos de sucesso.
 
Se eu citar o exemplo da tecnologia nacional da Via Verde nas auto-estradas que vende e instala o processo no estrangeiro, se eu citar a explosão nas comunicações móveis e absorção de todo o processo tecnológico inerente, se eu citar a manutenção aeronáutica de que dispomos, se eu citar o Instituto de Formação Bancária que dá formação também fora de Portugal (Países bálticos, Roménia, Moçambique, Angola, etc.), então há que perguntar se não estamos a funcionar em dois Países simultaneamente: o Portugal de cima e o Portugal de baixo. Mais uma vez a pergunta: vamos lidar com o de cima e esquecer o de baixo ou vamos tentar reduzir o fosso que os separa?
 
Creio que em democracia só podemos ter uma resposta: Portugal é de todos e não temos o direito de esquecer uns para só atender a outros. O que temos é que medir a eficácia das políticas que vimos seguindo e uma das questões mais relevantes que deveríamos desde já colocar é a de sabermos se com os meios postos à disposição dos Ministérios da Educação, do Instituto do Emprego e Formação Profissional e das Universidades, não deveríamos ter progressos muito superiores aos que vimos medindo.
 
(continua)
 
Setembro de 2008
 
Henrique Salles da Fonseca

Burricadas nº 43

 

 
UMA CRISE, AFINAL, DÉJÀ VUE - III
 
v    Tudo o que se diz e escreve sobre esta crise parece ter por único propósito incutir na mente dos comuns mortais que a culpa é da complexidade: da complexidade dos instrumentos financeiros, da complexidade das operações financeiras e da complexidade dos mercados financeiros.
v    Um momento! Não estamos a falar de reacções químicas, nem de fenómenos da Natureza (acts of God, na feliz expressão inglesa), nem tão-pouco de vida extraterrestre. A finança, onde tudo começou, é obra exclusivamente humana. Compõem-na regras, liquidez e contratos (as regras servem-lhe de alicerces e traves mestras, a liquidez é a argamassa e os contratos os seus tijolos).
v    Os instrumentos financeiros não são mais que contratos - acabe-se de vez com o erro de lhes chamar “produtos” (um erro perigoso, que anestesia a percepção do risco). Contratos são também as operações financeiras. E os mercados financeiros, quando mal regulados, são apenas amontoados de contratos avulsos e dispersos. Até a liquidez sob a forma de moeda escritural tem a sua origem em contratos.
v    Perante a evidência da crise, apetece perguntar: Será que as regras falharam? Será que quem entrava num contrato não compreendia todo o alcance da sua decisão? Qual o papel da liquidez em tudo isto? E como surgiu essa liquidez que pôs o sistema financeiro norte-americano em chamas?
v    A crise, até ver, passeia-se pelos “derivados hipotecários”. Serão eles tão complexos assim? A ponto de dissimularem o risco a que se expõe quem com eles opera? E de confundirem os próprios supervisores?
v    Alguns seriam complicados, de facto - mas no fraseário jurídico que utilizavam, não na quantificação dos movimentos de liquidez a que podiam dar origem. Convém saber que um “derivado hipotecário” é um contrato que cria novos direitos sobre os rendimentos financeiros (capital e juros) gerados por créditos hipotecários preexistentes (o activo subjacente) e fixa as condições em que esses direitos podem ser validamente exercidos.
v     Ora, um crédito hipotecário, como qualquer outro crédito: ou é pago por inteiro no vencimento; ou o devedor nada paga; ou o devedor entrega um tanto por conta. Quer dizer, a taxa de incumprimento (que espelha o risco de crédito) varia entre 0 (o devedor paga tudo) e 1 (o devedor não paga nada). Como aquilo que o devedor está obrigado a pagar é conhecido de antemão, os cenários de cobrança só podem variar entre receber-se tudo (tudo aqui é o montante da dívida na data de vencimento – uma quantia que o próprio contrato de empréstimo, desde logo, determina) e não se receber nada.
v    Se for um crédito hipotecário residencial, sabe-se duas coisas mais: (a) ressalvadas raríssimas excepções, não há meio-termo - se o devedor deixa de pagar uma prestação, acabaram-se os pagamentos; (b) a sorte do credor depende fundamentalmente da situação do mercado de trabalho e do mercado imobiliário (logo, da conjuntura económica), tanto a nível nacional como a nível local.
v    São dois os problemas (um jurídico, outro financeiro) com que a concepção de um “derivado hipotecário” se depara: Como descrever as condições em que esse direito pode ser exercido - com a clareza bastante para que, mais tarde, não surjam conflitos de interpretação? Que preço atribuir a esse direito - o que é dizer, ao direito de receber um rendimento financeiro futuro que não é certo (já porque o direito só pode ser exercido em determinadas circunstâncias, já porque a contraparte pode não pagar)?
v    Postos perante “derivados hipotecários”, os Reguladores tinham também uns quantos problemas para resolver: Que valor contabilizar, uma vez que não são conhecidas de antemão as circunstâncias que permitem determiná-lo? Onde contabilizar esse valor – no Balanço (como se fosse um valor firme) ou “fora do Balanço” (qual registo pro memoria como a tradição mandava)? Qual o Capital adequado para respaldar essa posição patrimonial? Como valorar contratos que nunca tinham sido postos à prova em tribunal?
v    A solução encontrada pelos Reguladores foi a mais básica possível: (a) contabilize-se pelo valor nocional do contrato (o valor que serve de referência ao cálculo das comissões e que, frequentemente, coincide com a liquidez máxima a movimentar quando o “derivado” se vence); (b) contabilize-se “fora do Balanço”, para não influenciar os rácios contabilísticos; (c) afecte-se, no máximo, um Capital simbólico; (d) todos os contratos valem por igual, que os supervisores não são, nem jurisconsultos, nem tribunais.
v    O resultado está à vista: (a) os “derivados hipotecários” foram subscritos (subscrever, ou emitir um “derivado” é assumir a obrigação de pagar a quantia estipulada, se as circunstâncias assim o determinarem) sem limite, porque praticamente nenhuns Capitais Próprios eram exigidos ao Banco que os subscrevesse, e o Banco que os detivesse em cobertura de risco até poderia poupar algum Capital; (b) há contratos e cláusulas contratuais de todas as cores e para todos os gostos (a discussão em tribunal desta montanha de contratos marcará o 2º round da crise).
v    Neste contexto, a tentação não poderia ser maior. Financiar nos mercados interbancários o ciclo originação/ /estruturação/distribuição custaria, por cada 1000 de créditos hipotecários adquiridos para distribuir, entre 3 e 4. Mas as comissões obtidas na distribuição atingiriam facilmente 40 – um proveito líquido de, vá lá, 36, sem ser necessário dispor de um cêntimo que fosse de Capitais Próprios livres.
v    Não surpreende, pois: (a) que o volume actual de CDS (um indicador do volume de “derivados hipotecários” em circulação) ronde os USD 62 seguido de doze zeros (qualquer coisa como 4.5 vezes o PIB dos EUA) – quando os créditos subprime andarão pelos USD 400-600 seguido de nove zeros (cerca de 3.5 vezes o PIB português); (b) que o mercado das operações hipotecárias (créditos hipotecários e “derivados hipotecários”), até meados de 2007, tenha parecido uma verbena de comissões; (c) que os Merchant Banks (e não só) tenham orientado o seu modelo de negócio para a cobrança de comissões – proveitos que, segundo se dizia, não implicavam a exposição a riscos e, por consequência, não exigiam Capital. E eram gordas e fáceis as comissões que a titularização dos créditos hipotecários proporcionava.
v    Bastava que os Supervisores tivessem acompanhado mais de perto o que se passava nos mercados interbancários, e tivessem apurado continuamente a posição líquida diária de cada Banco nesses mercados, para verem que havia quem se financiasse sistematicamente aí – pelo que o risco sistémico não poderia ser baixo. Fizeram-no? Não sei. Mas se o fizeram ficaram estranhamente sossegados.
v    Dado que medir o risco é um problema e tanto, porque há sempre quem discorde, Reguladores e Supervisores passaram a louvar-se nas notações das Agências de Rating (designadamente, Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch). Elas é que sabiam - e foi assim que elas se tornaram nos verdadeiros supervisores dos mercados financeiros, deixando para as Autoridades de Supervisão o árduo trabalho de ver uns papéis e fazer, de vez em quando, umas continhas elementares.
v    Convenci-o, caro Leitor, de que: O argumento da complexidade é uma tentativa mal amanhada para sacudir a água do capote? Descodificar um “derivado hipotecário” é certamente trabalhoso, esbarra por vezes com condições inconsequentes, mas quantificar os correspondentes movimentos de liquidez não é tão complicado assim? Os mercados interbancários são, sempre, um pulso a não perder de vista quando se trata de medir a temperatura de um sistema bancário? (cont.)
 
Setembro de 2008
A. PALHINHA MACHADO

Pág. 4/4

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D