Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

HERANÇAS BINLADESCAS

 

 
Apesar de não ser novidade é bom, de vez em quando, rememorar as heranças que nos deixaram os nossos vovozinhos, parentes dos binladen da vida, a quem nos ensinaram a chamar de mouros, sarracenos, árabes, infiéis e outros epítetos, mais ou menos pouco honrosos para quem tanto tempo andou por Portugal e, certamente, deixou em muitos um sanguinho lá das bandas da Mauritânia, do Magrebe e do Médio Oriente.
 
Além do sangue, muita coisa ficou, sobretudo no vocabulário das ciências agrícolas e náuticas. E na toponímia. Apesar de não se terem demorado muito tempo para cima do Douro, no resto do país permaneceram entre quatro a cinco séculos, mas ainda lá deixaram, por exemplo a Alfândega da Fé e uma Arrábida no Porto!
 
Para o Brasil como a quase totalidade da imigração veio do norte e centro interior, daí não terem chegado ao Novo Mundo os magarefes mas somente açougueiros! Mas vieram ovelhas, aldeias e argolas, porque os navegadores, antes de encontrarem o Brasil, já sabiam calcular o zênite de qualquer lugar, traçar azimutes e fazer cálculos algébricos.
 
Com os emigrantes vieram, nas suas mochilas, os pêssegos, as azenhas, as noras com seus alcatruzes e os açudes e as casas dos mais endinheirados não dispensaram os muxarabiés nas janelas e os azulejos nas paredes, e assim mais ao abrigo do calor destes trópicos, podiam deleitar-se ao som dos adufes e das rabecas!
 
Imaginem que se não tivessem trazido o alambique talvez estivéssemos ainda privados da melhor bebida do mundo, a caipirinha, que se faz com açúcar! (A melhor, bom... a seguir ao vinho, claro!) E os tremoços, aquela maravilha amarelhinha, simples e deliciosa para acompanhar uns quantos chopes?
 
Por vir do norte de Portugal o pessoal não trouxe a ceifa, simplesmente a colheita, mas com eles veio o calão, e de todo o mundo as calamidades, além dos muitos vocábulos começados com o pronome al como almofada, almoxarife, algema que alguns «colarinhos brancos» não gostam de usar ao serem presos! E mais: o açafrão e o azeite, a beringela e o espinafre, a bolsa, a faixa e o enxoval, além do sapateiro e da secular técnica de construção de casas de taipa! E muito, muito mais.
 
Esses nossos vovos estimularam muito a cultura em todo o El Andaluz, e no Al Garb, onde o Califa de Córdova, Aláqueme II, chegou a juntar mais de 400.000 volumes na sua biblioteca.
 
Em Portugal como em Espanha deixaram-nos arrábidas e azóias, as primeiras como madrassas fortificadas, onde se ensinava o «quadrivium» e se mentalizavam os alunos sobre a «guerra santa», e nas segundas, pequenas ermidas, viviam retirados alguns religiosos e seus seguidores. Os campónios, os saloios, chamavam aos estudantes dessas madrassas na velha «Olissipona», a Luxbona dos mouros, os madraços, os que não «faziam nada»!  Eles, os saloios é que levavam vida dura para produzirem os alimentos que a cidade consumia.
 
De Portugal muito dessa herança passou ao Brasil, e oxalá que por aqui, uma das metas, quando um dia houver governo, seja de elevar, bem alta a cultura do povo! Que deixem de ser faquires, pobres, e se tornem todos madraços, cultos!
E aí, rapaz, gostou? Salamaleque.
 
Rio de Janeiro, 27 de Julho de 2008
 
Francisco Gomes de Amorim

"COISAS" POLÍTICO-MILITARES QUE SE PASSAM AQUI, AO LADO

 


 
Não nos temos cansado de dizer – com o êxito a que já estamos habituados – que tudo o que de importante se passa na nossa vizinha Espanha devia ser objecto do melhor estudo e atenção.

Mas como para a opinião pública se clama que entre nós e a Espanha já só há bom vento e melhor casamento – embora ali para o lado de lá de Jurumenha, haja quem não seja da mesma opinião … –, para quê perder tempo com preocupações que só têm cabimento em mentes obtusas que insistem em andar com o passo trocado com a História? Bom bom, é a gente derramar a vista numa lânguida praia mediterrânica bebendo uma caña e petiscando uma tapita.

A espanholada também vai nisto, mas entre eles há quem se preocupe em, por exemplo, ir reforçando o seu Poder Militar. Vamos tentar ilustrar com alguns exemplos.

Comecemos pela Marinha: por alturas de Abril foi lançado à água em, Ferrol (Galiza), um novo Porta-aviões e plataforma marítima, o Juan Carlos I, que só tem paralelo nos Marines americanos. Vai juntar-se ao "Príncipe das Astúrias"…
Construíram ainda nos mesmos estaleiros cinco fragatas da classe Álvaro de Bazan que incorporam a mais moderna tecnologia, incluindo a de defesa aérea "aegis".
Construíram ainda dois modernos navios polivalentes logísticos, capazes de exercerem comando e controle, transportar tropas, navio hospital e reparação em alto mar.

Estão em vias de comprar ainda 20 mísseis de cruzeiro "Tomawak" aos EUA, para o que é necessário obter autorização do Congresso.

Quanto à Força Aérea procederam à modernização (MLU -midle life update), das três esquadras de F18 (Torrejon, Saragoça e Las Palmas); dos Mirage F1 que têm em Albacete e já está operacional a primeira esquadra de Eurofighter (caça de última geração) em Moron, cuja construção partilham com a Inglaterra, a Itália e a Alemanha.
Num outro projecto em que participam, o avião de transporte estratégico Airbus 400M, verão a sua 1ª aeronave ser entregue em Junho, de um total de …17! O mesmo MLU foi também feito aos vários P3M (anti-submarina) que possuem.
Em Madrid existem dois centros de satélites a funcionar, um a ser operado pelos países da UE, que integram o programa e outro só por eles…

O Exército está a ser equipado com a última versão do carro de combate "Leopard", que já é fabricado às dezenas em Sevilha. E já operam 30 UAVs – veículos armados não tripulados – de alta tecnologia fabricados também em Espanha e até produziram doutrina sobre o seu emprego.

Estamos a falar de exemplos…

Significativo é o facto de se registar um desenvolvimento exponencial das Indústrias de Defesa, que incorporam muita tecnologia de outras indústrias civis e que está apostada na exportação, como é o caso das fragatas. O governo espanhol tenta participar em tudo o que é projecto NATO e não só. Vai receber, em termos permanentes o TLP, Tactical Leadership Program, um importante centro de desenvolvimento de tácticas aéreas, que transitarão de Bélgica para a base de Albacete, já no próximo ano.

E tendo os EUA denunciado o acordo de Defesa com a Islândia, afirmando que cabe aos europeus garantir esse defesa, de imediato os espanhóis se ofereceram para tomarem conta da respectiva Defesa Aérea (a rodar entre outros países que também a querem fazer). No final deste esforço e neste momento possivelmente não haverá na Europa país que se lhe possa igualar em capacidade militar clássica. E isto, note-se, sendo público e notória a pouca simpatia que o PSOE e sobretudo o seu líder e Primeiro-ministro, José Luís Zapatero, nutrem pelas FAs; pelos graves problemas de recrutamento, da campanha anti militar existentes em muitos meios e ainda por em alguns pedaços da Espanha (sobretudo o País Basco e a Catalunha) serem francamente hostis à presença de unidades militares.

E no meio disto tudo não deixa de ser curioso verificar o contencioso político com os EUA desde que o PSOE é governo o que levou Zapatero a nunca visitar aquele país e à descortesia de ter proibido o desfile de uma Companhia de Marines, no dia da Hispanidad (12/10) logo a seguir à sua primeira tomada de posse condescendendo apenas à presença do embaixador. E terem sofrido, mais tarde, o amargo de boca de verem os EUA oporem-se a uma candidatura do seu representante no Comité Militar da NATO, ao cargo do respectivo "chairman" (concorreu ainda o polaco e o italiano, ganhando este).

O Estado Espanhol diz abertamente que quer afirmar a Espanha como uma grande potência na Europa e no Mundo e as FAs fazem parte desta estratégia de afirmação. O que está certo.

O que já parece menos certo é que as capacidades militares que se estão a construir, se destinam às missões de Paz e Humanitárias em que estão muito empenhados, como também afirmam. É que tal ultrapassa em muito tal desiderato.
Convinha fazer algum estudo geo-estratégico sobre todos estes assuntos, quanto mais não fosse para exercitarmos o intelecto…

Por sorte nossa ou inspiração divina, o actual primeiro-ministro português elegeu o seu homólogo espanhol como o seu melhor amigo.

Ficamos, assim, sossegados. E porreiros, pá.
 
 
    João José Brandão Ferreira
              TCor Pilav (Ref)


Pág. 4/4

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D