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A bem da Nação

É triste não ter amigos?

    Ainda mais triste é não ter inimigos. 
 
    Porque, não ter inimigos,  
    É sinal de que não tem 
    Talento que faça sombra,  
    Carácter que impressione,  
    Coragem para que o temam,  
    Honra contra a qual murmurem,  
    Bens que lhe cobicem, 
    Nem coisa alguma que lhe invejem...
 
    François-Marie Arouet (21 de Novembro de 1694, Paris - 30 de Maio de 1778, Paris), mais conhecido pelo pseudónimo Voltaire

CRÓNICAS DO BRASIL

 

O Brasil nunca pertenceu aos índios

 

Quem quiser se escandalizar, que se escandalize.
 
Quero proclamar,  do fundo da alma, que sinto muito orgulho de ser brasileira. Não posso aceitar a tese de que nada tenho a comemorar nestes quinhentos anos. Não aguento mais a impostura dessas suspeitíssimas ONGs estrangeiras, dessa ala atrasada da CNBB e dessas derrotadas lideranças nacional-socialistas que estão fazendo surgir no Brasil um inédito sentimento de preconceito racial.
 
Para começo de conversa, o mundo, naquela manhã de 22 de Abril de 1500,  era completamente outro. Quando a poderosa esquadra do almirante português ancorou naquele imenso território, encontrou silvícolas em plena idade da pedra lascada. Nenhum deles tinha noção de nação ou país. Não existia o Brasil. 
 
 
 
 

 

Os actuais compêndios de história do Brasil informam, sem muita base, que a população indígena andava por volta de cinco milhões. No correr dos anos seguintes, segundo os documentos que foram conservados, foram identificadas mais de duzentos e cinquenta tribos diferentes. Falando mais de 190 línguas diferentes. Não eram dialectos de uma mesma língua. Eram idiomas próprios,  que impediam as tribos de se entenderem entre si. Portanto, Cabral  não conquistou um país. Cabral não invadiu uma nação. Cabral apenas descobriu um pedaço novo do planeta Terra e, em nome do rei, dele tomou posse.
 
O vocabulário dos actuais compêndios não usa a palavra tribo. Eles adoptam a denominação implantada por dezenas de ONGs que se espalham pela Amazónia,  sustentadas misteriosamente por países europeus. Só se fala e nações indígenas.
 
Existe uma intenção solerte e venenosas por trás disso. Segundo alguns integrantes dessas ONGs, ligados à ONU, essas nações deveriam ter assento nas assembleias mundiais, de forma independente. Dá para entender, não?
É o olho na nossa Amazónia. Se o Brasil aceitar a ideia de que, dentro dele, existem outras nações, lá se foi a nossa unidade.
 

Nos debates da Constituinte de 88, eles bem que tentaram, de forma ardilosa, fazer a troca das palavras. Mas ninguém estava dormindo de touca e  a Carta Magna ficou com a palavra tribo. Nação, só a brasileira.  
 
De repente, os festejos dos 500 anos do Descobrimento viraram um pedido de desculpas aos índios. Viraram um ato de guerra. Viraram a invasão de um país.  Viraram a conquista de uma nação. Viraram a perda de uma grande civilização.
 
De repente, somos todos levados a ficar constrangidos. Coitadinhos dos índios! Que maldade! Que absurdo, esse negócio de sair pelos mares,  descobrindo novas terras e novas gentes. Pela visão da CNBB, da CUT,  do MST,  dos nacional-socialistas e das ONGs europeias, naquela tarde radiosa de Abril teve início uma verdadeira catástrofe.
 
Um grupo de brancos teve a audácia de atravessar os mares e se instalar por aqui. Teve e audácia de acreditar que irradiava a fé cristã.  Teve a audácia de querer ensinar a plantar e a colher. Teve a audácia de ensinar que não se deve fazer churrasco dos seus semelhantes. Teve a audácia de garantir a vida de aleijados e idosos. Teve a audácia de ensinar a contar e a escrever. Teve a audácia de pregar a paz e a bondade. Teve a  audácia de evangelizar.
Portanto, vamos parar com essa paranóia de discriminar em favor dos índios. Para o Brasil, o índio é tão brasileiro quanto o negro, o mulato, o  branco e o amarelo. Nas nossas veias correm todos esses sangues. Não somos uma nação indígena. Somos a nação brasileira.
 
Não sinto qualquer obrigação de pedir desculpas aos índios, nas festas do Descobrimento. Muitos índios hoje andam de avião, usam óculos,  são donos de sesmarias, possuem estações de rádio e TV e até COBRAM pedágio para estradas que passam em suas magníficas reservas. De bigode e celular na mão,  eles negociam madeira no exterior. Esses índios são cidadãos brasileiros,  nem melhores nem piores. Uns são pobres. Outros são ricos. Todos têm,  como nós,  os mesmos direitos e deveres. Se começarem a querer ter mais direitos do que deveres, isso tem que acabar.
 

 
Mais tarde, vieram os negros. Depois, levas e levas de europeus e orientais. Graças a eles somos hoje uma nação grande, livre, alegre, aberta para o mundo, paraíso da mestiçagem. Ninguém, em nosso país pode sofrer discriminação por motivo de raça ou credo.
 
O Brasil é nosso. Não é dos índios. Nunca foi.
 
Junho de 2008                
 
 Sandra Cavalcanti

Chegou a hora da fogueira

 

Chegou a hora da fogueira!
É noite de São João...
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão...
Pensando no caboclo a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração...

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão...
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão...

Hoje em dia o meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais...
O balão da ilusão...
Levou pedra e foi ao chão...

(Lamartine Babo)

 

As fogueiras, as bandeirinhas coloridas, as quadrilhas (danças), os fogos de artifício, as barquinhas de palha com comidas à base de milho, pamonhas, canjica, pipocas, doces de batata doce, amendoim, coco, abóbora, e quentão. Tudo isso para comemorar, de uma forma mestiça, abrasileirada, a noite de São João, um dos santos da época junina ( joanina)mais festejados no nordeste brasileiro.

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 24/06/08

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