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A bem da Nação

FLEXIBILIDADE E PERSISTÊNCIA

 

Confesso que me sinto impressionado. Raras vezes na História é possível encontrar um exemplo de tanta persistência continuada como a que a Espanha mostra em relação ao seu objectivo final e supremo: recuperar a Soberania sobre Gibraltar, perdida em 1704 para a Grã-Bretanha.
   
 
Lembro-me de ter lido num jornal uma carta de um leitor que dizia mais ou menos isto:" A Espanha não perde de vista os seus objectivos, e reivindica com determinação para si aquilo que considera ser justo. Não desiste de Gibraltar, e proclama-o bem alto, onde quer que tenha oportunidade de fazer ouvir a sua voz. Se necessário, adapta a sua reivindicação aos tempos. É por isso, talvez, que a Espanha tende a ser um grande país, enquanto Portugal se vai deixando ficar para trás. Sobra à Espanha em auto-confiança o que em Portugal falta de orgulho e amor-próprio."
  
Tudo isto vem a propósito da notícia publicada em vários jornais no dia 28 de Outubro de 2004, segundo a qual a Espanha e o Reino Unido, sob pressão espanhola (claro!), tinham chegado a um acordo para voltar a discutir a Questão de Gibraltar. Madrid propõe-se mesmo "modernizar" a reivindicação, dispondo-se a dialogar com os gibraltinos. Para já, propõe colocar à disposição dos habitantes do Rochedo infra-estruturas espanholas (hospitais, aeroportos, etc.). Em resumo, abre mão de algumas reticências...salvo de uma Questão: a da Soberania. Neste aspecto, nada pode ser posto em causa. A flexibilidade é um meio para alcançar o fim a que, afinal, sempre, na pobreza ou na riqueza, na ditadura ou na democracia, se propôs: RECUPERAR GIBRALTAR!
  
Ainda pouco mais de uma semana antes, na O.N.U., Madrid dera alguma prova de abertura sobre a questão...embora nunca abdicando do objectivo último e imutável. Assim, esquivou-se a consentir que o diferendo fosse levado ao Tribunal Internacional de Haia. Segundo o representante espanhol,"é uma questão eminentemente política e é num tal quadro que uma solução pode ser encontrada".
  
Em Portugal, há quem admire a persistência espanhola. E aplauda. Talvez com razão. Mas bom seria que se aproveitasse tal exemplo para se começar a contestar coerentemente a continuada administração espanhola em Olivença, e não apenas em mapas, declarações marginais, ou situações-limite. Na verdade, existe um só Direito Internacional. A Espanha sabe-o, e, diplomaticamente, vai adequando o seu discurso aos ventos da História, com um propósito bem claro: recuperar o território que, acredita, deve pertencer ao seu Estado. Servindo-se de todos os meios, desde que pacíficos. Respeitando agora as opiniões dos gibraltinos... para os integrar, mais tarde ou mais cedo, harmoniosamente, na sua sociedade. Como dizia um responsável de Madrid, "a Espanha não pode, por princípio, abdicar do Rochedo. A população local, influenciada por trezentos anos de administração estrangeira, e tendo visto alterada artificialmente a sua composição étnica, terá os seus direitos salvaguardados".
  
O que distingue Olivença de Gibraltar, afinal? Acima de tudo, a atitude de cada um dos Estados Ibéricos.
  
Irá Portugal persistir na sua "timidez"? Olivença continuará e ser tema para adiar? Até quando será possível manter esta atitude?
  
Até quando pode Madrid, hipocritamente, olhar para Gibraltar e "esquecer" Olivença? Evidentemente, só o pode fazer enquanto Portugal quiser.
 
Estremoz, 29 de Novembro de2004                  
 
Carlos Luna    
 

CRÓNICAS DO BRASIL

 A face multirracial brasileira

 
 
 
Hoje, 18 de Junho de 2008, comemora-se em todo o país os 100 anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. E apesar das iniciais dificuldades de adaptação e integração ao novo ambiente, eles se renderam à maneira de ser do brasileiro, sem perder, no entanto,  a sua  cultura original. A capacidade produtiva, organização e aplicação ao trabalho fizeram deles uma comunidade de sucesso, a maior  do mundo fora do Japão.
 
Exemplo da face multirracial brasileira:
-.  Um sansei.  (Filho de casal brasileiro, neto de japonês, açoriana, italiana, e de descendente de afro-brasileiro.)
 
Uberaba,18/08/08
Maria Eduarda  

CARTAS DE AMOR – 2

 

 
RESPOSTA DO QUAMBACUDONO
TOYOTOMI HIDEYOCHI
A
D. DUARTE DE MENEZES,
VICE-REI DA ÍNDIA
 
 

1. Recebi a carta que Vossa Senhoria me mandou de terras mui afastadas, a qual, abrindo e lendo-a, me parecia de ver a distancia de milhares de legoas que há por mar e por terra. E, como nella dizia, este reyno de Japão comprehende mais de sesenta estados e senhorios, nos quaes pelo discurso do tempo passado houve grandes perturbações e guerras, e pouca quietação e paz, porque os maos e perversos, maquinando traições, se ajuntarão em grande numero não querendo obedecer aos mandados d’El-Rey.

 

Pelo qual eu na flor de minha idade de continuo me entristecia e affligia, e de longe fui considerando o modo maravilhozo e importante para sogeitar as gentes e governar bem os reynos, fundando-me em três virtudes, scilicet, amoroza affabilidade em tratar com os homens, discreta prudência em julgar as couzas, e esforço e valor de animo; com os quaes sogeitei e governo todos estes reynos, tendo compaixão dos lavradores que trabalhão em cultivar a terra, e favorecendo-os, e opprimindo e castigando rectamente os homens. E com isto restitui a paz e tranquilidade a estes reynos, e em breves annos se unio a Monarquia de Japão e ficou tão forte e quieta, como huma pedra muy grande que se não pode abalar; e assim athé dos reynos estranhos e lugares remotos vierão conhecer sogeição e dar obediência. Pelo que agora por todas as quatro partes destes reynos hé El-Rey, meu prudente senhor, obedecido, e por sua ordem exercitei e manifestei o poder de bom capitão, de tal maneira que todos estes estados lhe estão sogeitos, matando eu os maos e perversos; e tirando os ladrões por mar e por terra, faço viver em paz os lugares e povos de todos estes reynos, de modo que gozão agora de huma summa tranquilidade. E em todo cazo tenho determinado que hei-de passar a tomar o reyno da China, e em breves dias navegarei para lá, nam tendo duvida de o sogeitar à minha vontade. E assim chegando-me mais para esses reynos haverá commodidade para mais e mais nos communicarmos.

 

 

2. Quanto aos Padres, este reyno de Japão hé reyno dos camis, os quaes temos que são huma mesma couza com o Xin, que hé principio de todas as couzas, o qual Xin hé a substancia e verdadeiro ser de todas ellas; e assim todas as couzas são huma mesma couza com este Xin e nelle se rezolvem. O qual se chama na China Jutô e no Tengicu Buppô. E na observância das leys destes camis, consiste toda a policia e governo de Japão, a qual policia nam se guardando não se conhece a diferença entre os senhores e vassalos, e pelo contrario guardando-se, se aperfeiçoa a união que deve de haver entre elles, e entre os pays e filhos e maridos e mulheres; pelo qual assim o governo interior, como exterior dos homens e dos reynos, está posto na observação desta união e policia.

 

3. E os Padres vierão estes annos atraz a estes reynos a ensinar outra ley para salvar os homens, mas, porquanto nós outros estamos assentados nestas leys dos camis, não temos para que dezejar de novo outras leys: porque mudando a gente varias opiniões e leys, hé couza prejudicial para o reyno, e por esta cauza tenho mandado que os Padres se vão de Japão, e prohibido que se não promulgasse esta ley, e que nenhuma pessoa venha daqui adiante a pregar leys novas a esta terra. Com tudo isto dezejo que tenhamos communicação, a qual de lá querendo, está este reyno franco e limpo de ladrões por mar e por terra; e aos que vierem com suas mercadorias, dou licença que possão vir e vender tudo livremente sem ninguém os impedir, e V. Senhoria assim o haja por bem e faça disto entendimento.

 

Recebi as couzas que me mandou de prezente dessas partes do Sul, todas assim como na sua me dizia, com as quaes folguei; e mando outras destes reynos com hum rol em outro papel apartado, com as peças e nomes de quem as fez. E no mais me remeto ao embaixador que o diga, e por isso não sou mais largo.
 
Escrita aos 20 anos da hera Tenxó, aos 25 dias da 7ª lua (1 de Setembro de 1592)
Toyotomi Hideyoshi
Quambacu
(1536-1598)
E no fim está a chapa de seo sello.
 
 
Lista dos presentes ao vice-rey da Índia
 
Ofereço-vos os seguintes:
Tachi (espada comprida) da autoria de Cunifusa *
Yöken (espada de cinta) da autoria de Mitçutada *
Wakizaxi (espada pequena) da autoria de Sadamune
Nagagatana (espada comprida) da autoria de Akifiro
Catchu (armadura de duas peças) *
Fôate (protector do rosto)
Sode (colete de seda)
Tetçugai (capacete de ferro)
Axiate (protector das pernas)
 
Aos 20 anos da hera Tenxó, aos 25 dias da 7ª lua
 
 
* - Encontra-se indevidamente na Real Armeria, em Madrid, em vez de em Portugal, por exemplo, no Museu Militar
 
(extraviados os originais da carta e da lista de presentes, apenas são conhecidas a tradução castelhana que consta das Cartas Anuais da Companhia de Jesus no ano de 1592 e a tradução portuguesa do Padre Luís Fróis SJ publicada na sua Historia de Japam)
 

CRÓNICAS DO BRASIL

 

Ensaios de masoquismo
 
Sem envolver qualquer erotismo nestes exercícios, o teimoso que insiste, todos os dias, em tomar conhecimento com o noticiário do país, pode considerar-se um super masoquista.
 
Hoje por exemplo, as manchetes do jornal «O Globo» são aterrorizantes! Vejamos:
- O TSE (tribunal SUPERIOR eleitoral) vai permitir que indivíduos com ficha criminal possam candidatar-se às próximas eleições! Argumento dos crâneos jus: mesmo condenado, ao ladrão, corrupto, etc., ainda cabe recurso, pelo que... pode ser inocentado. Como os recursos demoram anos, os bandidos aproveitam para mais uma lambança!
- O MST, o famoso grupo armado, maoísta, (que afirmou poder dispor, em 24 horas, de 250 mil homens armados – o que ninguém duvida) comanda invasões em 13 estados! Destrói vias férreas, laboratórios de pesquisa agro-pecuária, usinas hidrelétricas, industrias alimentares, etc., e os big lideres desta anarquia que dá pelo nome de Brasil, nada fazem, nada dizem, não deixam o exército intervir, enfim, uma festa!
 

 

Reading the newspaper: Brookgreen Gardens in Pawleys Island, South Carolina, United States

 

Reading the newspaper: Brookgreen Gardens

Pawleys Island, South Carolina, United States

 
- A prefeitura do Rio vai licitar um serviço de bicicletas de aluguer! Depois que os (des)governantes desta terra foram a Paris e se encantaram com o Folies Bergère e as bicicletas, querem criar o mesmo serviço no Rio! Só que não existe nem um metro de ciclovias na cidade, exceto em frente às praias! Vai ser um festival de atropelamentos.
- Depois de vir a lume que a venda da VARIG foi uma tremenda duma roubalheira com o “alto” (altíssimo!) patrocínio do nosso big líder (o amigalhaço dele só recebeu cinco milhões de reais para intermediar a vigarice) o documento com os pareceres favoráveis do alto escalão do (des)governo à negociata... sumiu do processo! A VARIG foi vendida num repente aos amigos por 24 milhões, que alguns meses depois a repassaram por 275! Está agora a base aliada a movimentar-se para evitar que os indicados vão depor no Senado! Mas, afinal, para que servem os amigos?
- O ex secretário de SEGURANÇA do malfadado garotinho e sua amantíssima esposa, o casal que se governou durante oito anos no Rio de Janeiro, conseguiu com as avultadas somas que fez extorquir através do bando de delegados e policiais que comandou, eleger-se deputado. Agora que o inquérito da PJ o denuncia, bem como ao tal garotinho, ninguém, na assembléia estadual do Rio, se atreve a ser o relator do processo de cassação do famigerado! É evidente! Quem vai garantir a vida dele se tiver coragem de se meter com a quadrilha?
- O big líder, em cerimônia discursiva na Faculdade de Medicina de São Paulo, afirmou que nada há melhor, para controle da próstata do que o «toque com o dedo»! Ahh! Big líder, assim é que se fala! Resta saber qual o dedo que sexa tanto elogia!
 
E o jornal segue: o governo quer lançar novo imposto; o Ministério de Educação divulgou uma nota informando que o ensino médio piorou no Rio, mas a triste assembléia legislativa quer obrigar ao ensino de xadrez nas escolas, quando os alunos não aprendem nem português, nem matemática, nem ciências; o procurador geral do estado, em Roraima, foi preso por comandar uma quadrilha de tráfego de drogas e prostituição infantil; um desgraçado que não pagou uma dívida que começou em mil reais há dois anos e estava agora em 30 mil (juros de milícia que comanda a favela!) foi assassinado; só este ano já foram autuados 12.285 veículos que faziam transporte irregular de passageiros; e...
 
É ou não um exercício masoquista, ser todos os dias bombardeado, motu proprio, com a leitura desta tremenda desgraça?
 
Rio de Janeiro, 11 de Junho de 2008
 
Francisco Gomes de Amorim

FRANCISCO LUCAS PIRES

 

 
 
Quis o destino que Francisco Lucas Pires saísse do CDS quando eu era Presidente da Juventude Centrista e quis também o destino que ele nos abandonasse a todos quando eu trabalhava no Parlamento Europeu onde nos cruzávamos amiúde.
 
Naquela sexta-feira, dia 22 de Maio de 1998, em que Francisco Lucas Pires, aos 53 anos, morreu, encontrava-me, pois, em Bruxelas. Tomei conhecimento da notícia, como tantos portugueses, pela televisão. Dez anos depois, também senti esse apelo de escrever alguma coisa, simples, mas diferente de tudo quanto já foi bem escrito e bem dito, sobre esse homem que me havia habituado a ouvir desde os meus catorze, quinze anos. É. Com catorze, quinze anos – e, depois, mais velho -, gostava de o ouvir também porque, para além de muitas das suas ideias e do conteúdo do que dizia, ele recorria muito a metáforas, sempre apropriadas e não raramente engraçadas, que nos cativavam e nos davam logo uma noção muito clara do que queria realmente dizer. Eis a imagem que dessa época dele guardo.
 
Mais tarde, lembro-me também da sua inesperada candidatura à liderança do CDS num célebre congresso, o do Maria Matos, em Lisboa, onde Francisco Lucas Pires, surpreendentemente, conquistou a liderança do partido. Como me lembro de tantos outros momentos políticos vividos com alegria, como todos aqueles que vão do início à consagração da sua carreira europeia. Enfim, matéria, pois, para inúmeros artigos...
 
Apesar de nestas alturas não ser habitual falar de momentos menos bons, também os houve. Tive oportunidade de falar sobre eles com Francisco Lucas Pires então, o que me permitirá, digo eu, escrever sobre eles agora. Aliás, a bem dizer, nem é isso: o que me permite escrever sobre eles é o (pouco) que conhecia de Lucas Pires. Foram, então, três, esses momentos políticos.
 
O primeiro foi em 1985, quando o CDS, fiado nalgumas sondagens que lhe conferiam cerca de 20% dos votos, recusou uma coligação pré-eleitoral com o PSD do seu recém-eleito Presidente, Cavaco Silva. Não pelo número de deputados – mais de quarenta – que o CDS poderia ter obtido, mas por não ter sido levada a sério a ideia de que, em Portugal, sempre que ocorre uma mudança política da esquerda para a direita, o CDS dever fazer parte dela. É que, se assim não for antes da mudança, então, ocorrida a mudança, o CDS será sempre dispensável.
 
O segundo momento foi quando, em 1990-91, Francisco Lucas Pires hesitou e acabou por recusar ser candidato à Presidência da República, já o PSD oficial tinha resolvido apoiar Mário Soares para um segundo mandato. No CDS, fui um dos que mais se bateu a tentar convencê-lo a ser candidato. Não foi. Da nossa área política, acabou por ser Basílio Horta que obteve cerca de 14% dos votos.
 
O terceiro momento foi quando Francisco Lucas Pires decidiu sair do CDS. Era eu Presidente da Juventude Centrista, teve o gesto de se me dirigir por escrito justificando a sua decisão.
 
Também nestes três casos, Francisco Lucas Pires tinha, obviamente, as suas razões. Todas válidas, todas lógicas. Disse-lhe, apesar de tudo, que teria preferido que o CDS se tivesse coligado com o PSD em 1985, que ele tivesse sido candidato a Presidente da República em 1991 e que não tivesse saído do CDS. Ficámos assim. Hoje, como ao longo de toda esta década, o que preferia mesmo é que ele estivesse entre nós.
 
 
 
Lisboa, 30 de Maio de 2008.
Martim Borges de Freitas
 

O viver nos sertões do oeste mineiro

 

 
Rugendas
 
 
Nos séculos XVIII e XIX os sertões do oeste mineiro foram paulatinamente ocupados pela pelos luso-brasileiros, que fundaram a atual sociedade triangulina. Vinham para preencher espaços, seguindo a política de Pombal que distribuía sesmarias, extensas parcelas de terras, àqueles que resolvessem desbravá-las por sua conta e trabalho. As dificuldades eram imensas, desde as pessoais às locais. Precisava-se de braços fortes para derrubar as matas, defender o território, e trabalhar o solo para o sustento.
Os colonos traziam suas tralhas e família. Usavam a madeira derrubada para construir, com o adobe, rústicas moradias, cercas e currais, sempre num local próximo a algum riacho ou nascente, para garantir a água do dia a dia. Os móveis eram simples. Uma mesa, poucos bancos, canastras, cama de palha, bacias. Quando tinham, traziam também pilão, máquinas de fiar e cozer e o algum raro tear. Conforto, médicos e lei ficavam a muitíssimas léguas de distancia, lá na “capitar”.
 
No fogão de lenha, postado a um canto, colado à parede escura de fuligem, descansavam sobre a chapa de ferro, de dois a três buracos, tachos de cobre, panelas, chaleiras e caçarolas também de ferro, negras do uso. Raladores, artesanalmente feitos de lata de banha, e colheres de pau, pendiam de prateleiras de madeira. Tudo isso numa cozinha, levantada a  meia-água, que dava para o quintal onde galinhas e porcos rastreavam comida.  
 
Os precedentes grupos ameríndios e quilombos que habitavam a região foram aos poucos desbaratados, expulsos ou assimilados pelos fazendeiros e criadores de gado que chegavam das áreas auríferas do centro do estado. Eram paulistas, baianos, pernambucanos, cariocas, portugueses e açorianos que, sós ou acompanhados de seus escravos africanos e indígenas, após a corrida do ouro, vinham em busca de terras e espaço.   Esse “meeting pot” de influências gerou a cultura do oeste das Minas Gerais. A geografia do cerrado, em platô, como um tabuleiro, favoreceu o desenvolvimento da agropecuária, hoje a nossa maior riqueza. 
 
O valor das fazendas era medido pela qualidade do solo e extensão da propriedade, importantes para o cultivo e pastagem. Quando havia monjolo, quintal, casa e curral construídos, aumentava o valor do patrimônio. As terras virgens, ricas em árvores (aroeiras, jatobás, ipês, bálsamo, peroba rosa,...), davam boa madeira para levantar casas, mobiliário e carpintaria. Depois de desbastadas, terreno fértil para cultura. As capoeiras, matas secundárias, que já haviam perdido parte da sua fertilidade, por terem sido antes plantadas, eram menos valorizadas, serviam só para pastagens.
 
Era comum naquela época usarem a técnica indígena, a coivara, de derrubar arbustos e arvores, deixar secá-las e atear fogo, para obter área para plantar.  Essa técnica e a falta do rocio desgastavam o solo e facilitavam a erosão do terreno. Os instrumentos de trabalho eram simples, facão, foice, enxada. O arado era pouco utilizado, pois boa parte das terras tinha um tipo de solo com camadas profundas mais pobres em nutrientes.
 
Com os índios o branco aprendia outras técnicas de caça, pesca e de sobrevivência na mata. E criava novos hábitos alimentares que lhe propiciaram a fixação e adaptação ao novo meio ambiente.  
 
A economia principal dos geralistas daquele tempo era a criação de gado, vendido para as cidades maiores, principalmente Rio de Janeiro, tocado em grandes manadas pelos caminhos dos tropeiros.
 
No inicio de tudo, os homens do sertão, os fazendeiros e agregados, viviam nas fazendas com a mulher, filhos e escravos, de maneira muito simplória, mesmo os mais abastados. Tinham um sistema de produção familiar que lhes garantia a subsistência. Plantavam milho, arroz, feijão, mandioca, árvores frutíferas e hortaliças. Subsistiam do que produziam e da união e solidariedade que havia entre eles; do leite, dos queijos, da manteiga, da banha e das carnes de porco, de caça e gado, além do peixe que pescavam nos abundantes rios da região. O algodão colhido era beneficiado, limpo, cardado e transformado em fios que nos teares se convertiam em tecidos rústicos para uso doméstico e para vestir os escravos. Em janeiro, na altura da colheita do milho, cereal essencial na alimentação dos homens e dos animais da colônia, era a época dos mutirões, quando as mulheres da família e até de fazendas próximas se juntavam para fazer pratos e quitandas saborosas. O curau, os biscoitos, bolos e pamonhas recheadas de queijo ou lingüiça enchiam a mesa do sertanejo.
 
Quando estavam acomodados, era comum os fazendeiros mandarem buscar parentes e amigos para tê-los como vizinhos. O casamento entre eles era freqüente para promover laços familiares, aumento de propriedades, manter fortunas, e obter  poder político ou material.
Os homens casavam por volta dos 20 a 35 anos. A cada dez rapazes só dois permaneciam solteiros, diferentemente dos centros maiores onde o imigrante do sexo masculino, em certa época, mantinha uma percentagem de 76% de celibato.
 
 
 
Nas áreas rurais, os grupos familiares se dividiam, quando os filhos casavam para constituir novo grupo familiar, em terras próximas, dadas ou herdadas pelos pais. Era a reforma agrária à maneira antiga!
 
Os tempos passaram e a maneira de viver nas áreas rurais mudou. Hoje os fazendeiros moram na cidade e as fazendas viraram empresas. O elemento humano foi substituído pela máquina e o romantismo sertanejo cantado nas modas de viola é cada vez mais raro de se ver!
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 15/06/08
 
Dados bibliograficos: A Oeste da Minas  ( Luis Augusto Bustamante Lourenço- 1998)

CARTAS DE AMOR - 1

 

 
 
CARTA DE D. DUARTE DE MENEZES,
VICE-REI DA ÍNDIA
AO
QUAMBACUDONO TOYOTOMI HIDEYOCHI
 
 
Ao mui alto e poderoso quambacudono
Dom Duarte Visorrei da Índia
 
 
Como quer que polla distancia das terras não ouve ate agora entre nós comunicação todavia pollas cartas dos Padres que estão nesses reinos de V. A. soube a grandeza de suas vitorias, e obras, e fama, & nome, que ainda nas partes, que estão mui longe se ouve de Vossa Alteza e como sugeitou a seu império os mais snores e reinos das quatro partes de Japão cousa que nunca foi ouvida des dos antigos ate gora o que sem duvida he admiravel o favor do Ceo e cousa de grande admiração de que grandemente me alegro. Soube também que os Padres, que estão nesses reinos recebem muitos favores de V. A. e com o resplandor de seu favor vão promulgando, pregando, e ensinando a lei para salvar aos homens, os quais são religiosos destes reinos dignos de veneração, que conforme a seu instituto passam a todas as partes do mundo pera ensinar o verdadeiro caminho da salvação e com saber delles os favores que V. A. lhes faz me tenho allegrado muito. E por elles me pedirem que escrevesse a Vossa alteza e lhe mandasse um embaixador dandolhe as graças disto, folguei de o fazer. E porquanto o Padre Visitador estes anos atras foi outra vez a esses reinos de V. A. e eh ai conhecido nessa terra lhe encarreguei esta embaixada, e peço a V. A. por esta carta que daqui adiante mais, e mais o queira favorecer. E podendo destes reinos servir a Vossa alteza em alguma cousa, folgarei muito de o fazer. Em sinal de amor mando a V. A. dous montantes; 2 corpos de armas; 2 cavalos com seus arreos; 2 pistoletes e hum tersado; 2 pares de guademecins dourados, e hua tenda pera campo. Feita nestes reinos da Índia no mês de Abril do anno de 1588.
 
 
(1537-1588)
Viso Rey da Índia
 
Quambacudono: título a que hoje corresponde Primeiro-ministro do Japão
D. Duarte de Menezes – 14º Vice-Rei e 30º Governador da Índia
 

A VIAGEM DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL, 1807-1808

 

 
Por Kenneth H Light
 
3ª Parte
 
Enfim, embora severamente castigados pelas sucessivas tormentas de Inverno que causaram avarias consideráveis, todos os navios chegaram ao seu destino. Isto reflecte a qualidade dos oficiais e das guarnições assim como do projecto e da construção dos navios; a experiência de vários séculos navegando regularmente através dos oceanos em condições de tempo variadas.
 
Em Salvador, os navios preparavam-se para a segunda etapa da viagem: consertos, recebimento de mantimentos, animais vivos e água (o Bedford terminou a viagem com 75 toneladas, o suficiente para mais 6 semanas). A Família Real desembarcou a 23 de Janeiro; a Rainha seguiu no dia seguinte.
 
A 30 daquele mês, o Príncipe Regente visitou o Bedford examinando todas as partes do navio durante três horas. Ele ficara tão satisfeito com a atenção recebida da Marinha britânica que decidiu condecorar os principais oficiais. Um problema era o facto de que todas as ordens militares eram, também, religiosas; portanto só poderiam ser conferidas a católicos. D. João resolveu reviver a Ordem da Torre e Espada, originalmente instituída por D. Afonso V, em 1459. D. João tinha plena confiança no capitão James Walker; durante a estadia em Salvador, mandou transferir para o Bedford, nos dias 14, 15 e 17 de Fevereiro, 84 cofres com tesouros para serem transportados até ao Rio de Janeiro.
 
A 26 de Fevereiro, às 10h30 da manhã, a Esquadra composta pelos navios Príncipe Real, Afonso de Albuquerque, Medusa e Bedford, pela fragata Urânia, pelo Três-Corações, pelo Activo e pelo Imperador Adriano (os dois últimos substituindo o D. João de Castro que não tinha condições de prosseguir viagem sem primeiro se submeter a grandes reparações), finalmente zarpou.
 
Ao meio-dia tiveram que parar e esperar pela maré mas logo depois estavam novamente a caminho e pelas 4h00 da tarde, estavam fora da baía e em mar aberto. A viagem até ao Rio de Janeiro foi tranquila. Todas as noites paravam, por medida de segurança pois velejavam perto da costa. A 7 de Março de 1808, entre salvas dos fortes e embarcações, chegaram ao Rio de Janeiro.
 
 Chegada da Fam�lia ral a Igreja do Ros�rio no Rio de Janeiro
 
A 4 de Junho, aniversário do Rei Jorge III, Sir Sidney Smith recebeu a bordo do London toda a Família Real. Após os brindes habituais, o Príncipe Regente além de presentear Sir Sidney com o pavilhão real que tinha usado na viagem, ordenou-o esquartelar o seu brasão com as armas de Portugal para que os seus descendentes nunca esquecessem a gratidão da Família Real pelos serviços prestados nesta jornada.
 
Sir Sidney também recebeu uma chácara, canoa e escravos em S. Domingos (Niterói). Mesmo depois da Grã-Bretanha ter expulsado os franceses (Abril de 1810), D. João continuou no Brasil (até 1821).
 
Não temos espaço, neste artigo, para tentar descrever as inúmeras obras públicas e benefícios que D. João trouxe ao Brasil, como também as qualidades de seu carácter. Como muitas vezes acontece, o passar do tempo ilumina e esclarece. Os primeiros críticos, talvez por estarem próximos demais dos acontecimentos, interpretaram-nos de forma negativa; não enxergaram a grandeza e coragem da decisão tomada por D. João, comprovada pelos eventos subsequentes.
 
 
http://cafehistoria.ning.com/profiles/blog/show?id=1980410%3ABlogPo
 
 
FIM
 
 
 
NOTA: Um exemplar do livro publicado em 1995 e cópia de toda a documentação referente à viagem encontram-se depositados pelo Autor no Museu Imperial, em Petrópolis.
 

DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL - 8

 

                OS TRATADOS DE 1810
 
 
Final da parte 7: A Inglaterra pleiteava a permanência ilimitada de uma esquadra no litoral brasileiro com prazo fixado e prolongado por ajustes sucessivos. "Não só os navios que compunham a esquadra, mas todos os navios de guerra de Sua  Majestade Britânica, sem limitação de número, em todos os portos dos domínios americanos de Sua Alteza Real, com liberdade de abastecimento e de reparos". Os portos brasileiros seriam, assim, transformados em bases navais britânicas.
 
 
 
Parte 8: Das instruções constava, ainda, que não interessava à Inglaterra o retorno imediato da Corte Real a Portugal, pois isto importaria em revisão dos acordos alcançados com a transferência daquela Corte ao Brasil. As instruções concluíam que sua Majestade Britânica cumprirá sua obrigação de não reconhecer o título de qualquer usurpador do trono português, mas não se encontra com disposição, no momento, de se comprometer sobre a sua restituição legal ao seu legítimo soberano. A Corte de D. João era constituída prisioneira dos ingleses na colónia. Como só poderia retornar com o apoio da esquadra britânica e como só se poderia manter em Portugal face aos inimigos externos mediante a aliança inglesa, o aprisionamento não tinha limites. Estas eram as instruções políticas.
 Imagem:George III of the United Kingdom-e.jpg Jorge III deu as suas ordens de modo a pôr o Brasil a render para o Reino Unido transformando Portugal numa colónia e o rei de Portugal num refém
 
Mais importantes do que elas seriam as que presidiriam a conduta de Strangford nas negociações para firmar um acordo de comércio.
 
Elas lembravam ao representante inglês que o acordo deveria limitar-se apenas às providências "imediatamente necessárias para a abertura do Brasil ao comércio inglês e assegurar protecção e segurança às pessoas que nele se empenharem. Canning pretendia direitos preferenciais para a Inglaterra, mas não estava apressado em consegui-los; impor direitos elevados à Inglaterra provocaria agravamento do contrabando. Esperava que os comerciantes britânicos viessem a transformar o Brasil em empório para as suas mercadorias destinadas ao consumo de toda a América do Sul". O Brasil, além de ser transformado em base de operações navais seria também transformado em base de operações comerciais para os ingleses, visando o imenso mercado sul-americano.
 
Um dos itens preliminares, a admissão para reexportação de mercadorias não consumidas por cada uma das partes, mas importadas, estava ligada ao problema da concorrência das mercadorias coloniais inglesas, similares das brasileiras e protegidas por tarifas especiais, e ao problema de não ser a Inglaterra consumidora de café; a vantagem inglesa estava em continuar a proteger as mercadorias de suas colónias e em distribuir o café pela Europa e obter lucros. A liberdade de importação recíproca de todas as mercadorias, sujeitas aos direitos que os governos combinassem, era falso. A exigência de Juiz Conservador continuou inflexível. Para alcançá-la, o representante inglês ficava autorizado a desinteressar-se da existência de estabelecimento de fábricas inglesas no Brasil. Isto é, ficava autorizado a desinteressar-se daquilo que, naquela fase, não interessava à Inglaterra. As instruções lembravam ao representante inglês o interesse em "obter um porto livre para a Inglaterra na ilha de Santa Catarina, onde as mercadorias inglesas seriam transferidas para os navios portugueses e espanhóis a fim de serem transportadas para consumo nas colónias espanholas, com a conivência dos respectivos governadores". As instruções referiam ainda, que qualquer tratado incluiria artigo regulando a extinção do tráfico de escravos.
 
 Continua
 Therezinha B. de Figueiredo
 Belo Horizonte, 12 de Junho de2008

A VIAGEM DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL, 1807-1808

 

 
Por Kenneth H Light
 
2ª Parte
 
Ao sair do Tejo, a Esquadra portuguesa encontrou-se com o esquadrão britânico. Este esperava, velejando em linha de batalha, com todos os navios prontos para o combate. Até pouco tempo antes, Portugal e a Grã-Bretanha encontravam-se em guerra. Sir Sidney não queria correr qualquer risco. Somente após um diálogo amistoso, houve a troca de salvas. A jornada começou com os navios velejando rumo ao noroeste, pois os ventos de tempestade do sudeste não permitiam outra alternativa. Uma vela no mastro real era suficiente para manter a velocidade evitando que as ondas atingissem a popa. As peças mais altas dos mastros (mastaréu, mastaréu do joanete e vergas) foram desarmadas e amarradas no convés para reduzir o centro de gravidade. Este rumo era mais confortável e menos perigoso, do que aproar os navios rumo à Ilha da Madeira e receber o mar de través; mesmo assim ficaram submetidos à arfagem. O navio-capitânia britânico, o Hibernia, ao anoitecer, registrou 56 navios à vista.
 
No terceiro dia, com a mudança na direcção do vento, foi possível mudar o rumo; no dia seguinte atravessaram a latitude de Lisboa, indo em direcção à Madeira. Eram 18 navios de guerra portugueses, 13 navios britânicos e 25 navios mercantes. A 5 de Dezembro, aproximadamente a meio-caminho entre Lisboa e Funchal (Madeira), parte do esquadrão britânico, após a troca de salvas com a Esquadra portuguesa, alterou rumo para voltar ao bloqueio de Lisboa. Um pequeno esquadrão de 4 navios, Marlborough, London, Bedford e Monarch, sob o comando do Comodoro Graham Moore (Capitão do Marlborough), continuaria escoltando a Esquadra portuguesa até ao Brasil.
 
A 8 do mesmo mês, com receio de se aproximar à noite de um perigo conhecido como "Oito Pedras" que fica ao norte de Porto Santo (Madeira), a Esquadra portuguesa parou. O Marlborough e o Monarch também pararam. Durante a noite com visibilidade muito reduzida devido à chuva, o Príncipe Real e o Afonso de Albuquerque partiram com suas fragatas rumo noroeste (novamente o vento soprava sudeste) sem dar qualquer sinal. O resultado foi que, na manhã seguinte, se encontravam velejando escoteiro, o Príncipe Real com a fragata Urânia, o Afonso de Albuquerque com a fragata Minerva e o Bedford. Ainda parados no mesmo local, o Rainha de Portugal, o Conde D. Henrique, o Marlborough e o Monarch. Todos os Comandantes agora tomaram a decisão correcta: partiram para os rendez-vous previamente combinados, sucessivamente, a oeste da Madeira, ao largo da Ilha de Palma (Canárias), e Praia, na Ilha de S. Tiago (Cabo Verde). A 11 de Dezembro, o Príncipe Real e o Afonso de Albuquerque, que basicamente tinham seguido o mesmo rumo, encontram-se. A 14 de Dezembro, o Bedford avistou-os e, no dia seguinte, pôde anotar que viajavam "em conserva".
 
A 21 de Dezembro, D. João informou o capitão James Walker (Bedford) que tinha decidido ir, sem parar, ao Brasil. O andamento da Esquadra era razoável e não faltavam água ou mantimentos. Naquela noite, o Minerva fora enviado a S. Tiago para avisar os demais navios da decisão do Príncipe Regente. Os quatro navios, que tinham passado a noite parados perto da Madeira, entraram para fazer aguada em S. Tiago a 24 de Dezembro e lá encontraram o Minerva. O London, que tinha sido enviado para fazer aguada na Madeira, fundeou dois dias depois.
 
A 27 de Dezembro, partiram com destino a Cabo Frio, distante 823 léguas. Tinham conhecimento que os navios, com a Família Real, velejavam num rumo paralelo ao leste. Assim, diariamente, ao alvorecer, o Monarch recebia sinal para se deslocar para o horizonte no sudeste, aumentando desta forma a área sob observação. À noitinha, recebia sinal para voltar, evitando perder-se na escuridão. A 2 de Janeiro de 1808, o Bedford reportou que estava avistando três navios no horizonte. A falta de vento e o facto de que era o único navio de escolta junto à Família Real, impedia-o de investigar. Naquela noite, colocou uma luz azul no topo do mastro. O livro de quartos do Marlborough regista, às 11h30 da noite, que viu uma luz azul no horizonte. Ao meio-dia, as tomadas de posição dos dois navios mostram uma diferença de 5 minutos de latitude e 1 grau e 5 minutos de longitude. Podemos hoje ter a certeza de que as duas esquadras, que viajavam independentemente, pelo menos durante a noite, estavam à vista uma da outra e, por pouco, não se encontraram. Caso tivesse ocorrido, será que D. João teria ido à Bahia, aonde assinou a "abertura dos portos"? Como se teria desenvolvido a História?
 
Os navios com a Família Real a bordo, aproximando-se do Equador, entraram numa área de calmarias lá existente. Levaram 10 dias para galgar 30 léguas (esta distância levaria 10 horas com um bom vento). Após as calmarias, o vento continuou vindo do sudeste, não permitindo que os navios desenvolvessem uma velocidade regular. A 16 de Janeiro, o Príncipe Real arvorou sinal, dirigido ao Bedford, que tinham mudado de planos: alterariam o rumo para poder entrar na Bahia.
 
Neste mesmo dia, o Urânia interceptou o brigue Três-Corações, enviado pelo Governador de Pernambuco, com frutas e verduras frescas.
A 22 de Janeiro de 1808, após 54 dias no mar, fundearam em Salvador. O Príncipe Real levava 1.054 pessoas a bordo. A primeira etapa da viagem havia terminado.
 
Alguns dias antes, a 17 de Janeiro, os navios que tinham velejado directamente de S. Tiago entraram no Rio de Janeiro. Aos poucos, todos os navios foram chegando: o Medusa, bastante avariado, entrou no Recife a 13 de Janeiro; o D. João de Castro, avariado e fazendo água, fundeou, no início daquele mês, na Enseada de Lucena (Paraíba).
 
(continua)
 

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