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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

Soberba

 

Sem discussões ou alusões a temas políticos, apareceu agora um pequeno livro*, uma interessante «alegoria», que o autor, por simplicidade, dedica a seus netos porque lhes dará talvez que pensar!

Livro simples, sobre Pecados e Virtudes, contado para todos, até para os nossos netos, mas, coisa curiosa, a descrição do primeiro pecado é um autêntico retrato dos (des)governantes deste país continental: a Soberba. Escreve o autor que a Soberba foi o primeiro pecado criado pelo Diabo! “...por causa dela os homens se sobrevalorizaram, e se tornaram presunçosos e ambiciosos, só a si próprios atribuindo qualidades e capacidades”.

O Brasil é uma bomba-relógio: os soberbos criaram uma tremenda máquina de caçar impostos, alimentam-se vorazmente dela e deixam o país num abandono vergonhoso.

Há muito que todos vemos que é cada vez maior e mais violenta a vontade de fazer desaparecer da face da terra a mesma primeira virtude criada por Deus: a Humildade! A Ética está já soterrada pela mentira e ladroagem, e a falta de Humildade atinge as raias da loucura quando se ouve, constantemente, os grandes líderes a enganar o povo com discursos ignorantes que não dizem absolutamente nada, mas enlevam a turba ignorante.

A Soberba domina em todos os setores da vida do país: o congresso, o judiciário, o executivo a todos os níveis, a polícia, e contaminou já o submundo da droga e da pobreza. Qualquer funcionário, felizmente com honrosas exceções, infelizmente poucas, se arbitra dono das gentes, pela forma indiscriminada, descarada e violenta com que rouba o erário público, e assim a saúde, a educação, a segurança, o progresso.

A Controladoria Geral da União acaba de fazer uma minuciosa inspeção às contas de quatrocentos e tantos municípios, sorteados, em todos os estados do Brasil, e concluiu que 95,5% deles têm as contas adulteradas, roubos mais ou menos descarados, confirmando a evidência do enriquecimento vertiginoso dos "perfeitos" de praticamente todos esses municípios.

Temos também o exemplo de dois prefeitos que não quiseram participar dos esquemas de corrupção e foram simplesmente abatidos como ratos. Até hoje não se apurou quem foram os responsáveis por essas mortes... ligadas ao governo!

Isto é nos municípios, mesmo nos mais pobres. São cerca de 5.500 em todo o país e esta amostragem pode estender-se ao panorama geral. O mesmo se passa nos estados e maiormente, em escala logarítmica na União e em todas as empresas estatais como Correios, Petrobrás, bancos e quejandas.

Como diz o autor do livro, aos soberbos quando morrem, o Diabo lhes esturra o coração.

Aplausos para o Diabo.

 

* - “Os Pecados do Diabo e as Virtudes de Deus” – por Inácio Rebelo de Andrade

Editora Novo Imbondeiro – Lisboa – 2008

 

Rio de Janeiro, 6 de Abril de 2008

Francisco Gomes de Amorim

CURIOSIDADE LUSÓFONA - 2

 
 O Carro de bois
 
 
O carro de bois, que chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses, que por sua vez recebeu-o dos romanos, vem da antiga Índia, onde é conhecido há mais de 4000 anos. Chegou e se espalhou pelo Ocidente, sendo na Idade Média, o meio de transporte mais usado na Europa.
Utilizado ainda em certas regiões mais atrasadas do Globo, hoje faz parte da história e tradição de várias regiões brasileiras, principalmente MG e Goiás, onde há festas anuais com desfiles, muita comida , sanfona e cantorias.
Em Formiga, onde existem conhecidos restauradores desse veículo histórico, dizem que um bom carro de bois anda lento e com cadência e tem cantar lamentoso,  que vem do atrito entre o eixo e as rodas lubrificadas com banha de porco ou azeite de mamona
 
Na ilha do Faial, nos anos 50, lembro-me de na minha infância ver passar enfrente à casa de minha avó, na estrada do Alto da Boa Vista,  o carro de bois, tocado pelo carreiro com uma longa e fina haste de madeira. As crianças em algazarra corriam atrás,  tentando pular dentro da carroceria, que mais parecia um grande e alto cesto.
Imagens singelas que ficam gravadas na memória de um passado longínquo que não volta nunca mais.
 
Maria Eduarda Fagundes

PÁGINAS SIMPLES DE DOMINGO – 2

 

MOLEZA

 

 

Há momentos em que nos dá a moleza e nos perguntamos se valerá a pena batermo-nos pelas coisas que consideramos importantes. E enquanto não retomamos o fôlego para nova arrancada, apetece-nos divagar pelas redondezas das nossas principais motivações.

 

Foi isso que me sucedeu na passada deambulação semanal que fiz pela livraria-discoteca da minha rotina e eis que me encontrei numa digressão paulatina em vez de na habitual busca de novidades.

 

Comecei pela música e acabei na poesia deixando para a próxima a tradicional passagem pelas estantes da Economia, da História e da Filosofia.

 

Mas eu sabia ao que ia. Não fui sem rumo e muito menos às cegas. Comecei pelo Erlkönig de Franz Schubert, passei para o dueto Au fond du temple saint do final do segundo acto de Os Pescadores de Pérolas de Georges Bizet donde saltei para Cesário Verde de que só conhecia Os calceteiros e daí para uma antologia de António Gedeão que tomei como sendo edição recente.

 

E quando estava quase em levitação, tocou o telefone a chamar-me à realidade: as compras no supermercado estavam prosaicamente concluídas e chegara a hora da despedida do etéreo.

 

 

 

Franz Schubert (1797 - 1828) nasceu nos arredores de Viena e morreu nessa mesma cidade pouco antes de fazer 32 anos. Estroina, morreu minado pela sífilis mas apesar de ter vivido tão pouco tempo deixou uma obra enorme. Em vida, apenas houve um concerto público com obras suas; todos os outros eventos foram de cariz privado, em círculos restritos ou, de preferência, durante as noitadas vienenses a que tanto se dedicava com um ruidoso grupo de amigos. Mas isso não o impediu de pôr na pauta “coisas” de enorme subtileza hoje profusamente editadas e muito conhecidas. Bastaria referir a grande quantidade de Lieder que compôs musicando poemas dos mais ilustres da cultura alemã. Sugiro que se aprecie o que ele fez do poema Erlkönig de Goethe que inesperadamente encontrei na Internet em http://www.youtube.com/watch?v=VdhRYMY6IEc na voz de Anne Sofie von Otter com orquestra sob a regência de Cláudio Abbado. É que, apesar da qualidade que se adivinha no poema, Goethe é passado para segundo plano, o que conta é a música e o nível da interpretação. Melhor, não é fácil.

 

Georges Bizet (1838-1875) também não viveu muito mais tempo mas, mesmo assim, escreveu muito. E se a sua ópera mais conhecida é a Carmen, assinale-se que escreveu mais sete que continuam em representação um pouco por toda a parte. Eu ia à procura do dueto Au fond du temple saint cuja ópera ele escreveu quanto tinha 25 anos. Há quem diga – e eu concordo – que há trechos que suplantam a obra em que se enquadram a ponto de ganharem vida própria nas preferências dos ouvintes. Qualquer pessoa é capaz de trautear o tema principal da 9ª Sinfonia de Beethoven, o Vá pensiero do Nabucco de Verdi que também encontrei na Internet em http://www.youtube.com/watch?v=4BZSqtqr8Qk ou tantas outras melodias que passaram a fazer de suporte da nossa Civilização. Para mim, é o caso evidente do dueto que procurava e que encontrei na discoteca numa gravação nem boa nem má, antes pelo contrário e que por isso mesmo lá ficou na estante. O que eu não estava à espera era de o encontrar também na Internet no http://www.youtube.com/watch?v=4tLrPVkfCIQ numa interpretação de que verdadeiramente gostei. Ignoro totalmente o que dizem os versos cantados, desconheço quem foram os autores do libreto por muito ilustres que tenham sido, quiçá marcos importantes da cultura francesa. Considero a melodia absolutamente sublime e, até, emocionante. A não perder e a levar-nos a pensar que aquela harpa é de facto celestial.

 

Refeito das emoções mais etéreas, passei à livraria à procura de Cesário Verde (1855 - 1886), o poeta da realidade. Várias alternativas à escolha do cliente. Folheei a esmo e gostei do que li en passant como sempre faço com os líricos. Deu para reter o que transcrevo de seguida pois não estava minimamente à espera de tal estilo em quem morreu tão novo, tuberculoso, aqui bem perto de Lisboa, em Linda a Pastora:

Manias!
O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.
 
Eu sei dum bom rapaz, – hoje uma ossada, – 
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.
 
Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,
 
Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ouvia missa!
*  *  *
Esperava dele uma poesia acabrunhada pelas cavernas pulmonares mas,
como esta, encontrei outras em que o poeta não se mostra minimamente
constrangido com a falta de saúde e, pelo contrário, revela uma dose de
libertinagem que nada tem a ver com o materialismo dos calceteiros. Afinal,
até devia ser um fulano bem divertido, ao contrário da imagem que nós, os
ignorantes, dele fazemos.

foto de Rómulo de Carvalho

Já ao Professor Rómulo de Carvalho (1906 – 1997), dando nome a António Gedeão, todos os portugueses o conhecemos; por mérito dele próprio e também pela música com que lhe decoraram a sua Pedra FilosofalEles não sabem que o sonho é uma constante da vida…

 

Uma antologia por que não esperava e eis-me embrenhado a folhear menos aleatoriamente do que é meu hábito na poesia. Espero ter ficado com uma ideia mais aproximada da obra do poeta e que a leitura breve não tenha sido uma

 

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

*  *  *
Eis como deambulei esta semana a moleza que me atacou. 
Espero voltar brevemente à realidade. Mas este foi um modo claramente
 diferente de saborear esta nossa Velha Lusitânia. 

 

Lisboa, Abril de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL

OS TRATADOS DE 1810 - Introdução
                           
 Napoleon I of France:Napoleon Bonaparte
Napoleão Bonaparte
(1769-1821)
 
       Em 1807, Napoleão venceu os russos em Friedland e os forçou a aceitar a sua política fundamentada principalmente no bloqueio da Europa ao comércio inglês. Para alcançar seu intento era preciso impedir o acesso dos ingleses aos portos continentais. A Península Ibérica oferecia maior facilidade à penetração britânica, em particular o reino de Portugal, tradicional aliado inglês em sua política de expansão comercial comandada por Londres. Em agosto de 1807, o governo de Lisboa recebeu a ordem franco-espanhola exigindo de Portugal declaração de guerra à Grã- Bretanha, o fechamento dos seus portos aos navios ingleses, a retirada do seu representante em Londres e a retirada do representante britânico em Lisboa. Ordenava ainda a prisão dos súditos ingleses no país e confisco dos seus bens. O representante britânico junto à Corte Portuguesa, Visconde de Strangford, ao se inteirar da nota, começou a tomar as providências que o caso exigia.
      A situação deixou a Corte de Lisboa em dificuldades, pois os Cruzados britânicos haviam ajudado na luta pela expulsão dos árabes para o sul e na conquista do Porto do Tejo. Desde então ficou firmada a aliança anglo-lusa em sucessivos episódios. A partir da Restauração, em 1640, essa aliança se confirmou tendo em vista o expansionismo comercial inglês. O tratado de 1654, firmado em acordo diplomático por ação de Cromwell, estabeleceu a Portugal só comprar navios na Inglaterra; permitia aos ingleses negociarem por conta própria da metrópole para o Brasil; concedia o direito aos ingleses de navegarem para a Índia e possessões portuguesas na África nelas podendo demorar e negociar. Definiram, além dos direitos comerciais, os políticos e os civis, como por exemplo, assegurar-lhes o pagamento de dívidas quando algum devedor tivesse bens confiscados pelo Santo Ofício. Em 1661, novo contrato firmava o anterior e estabelecia novas e onerosas concessões. O tratado de Methuen em 1703, sancionava o passado de alianças e consolidava o seu futuro.
 
          A Grã-Bretanha baseara sobre a ruína das outras marinhas mercantes e a absorção das colônias de outras nações o seu almejado monopólio do comércio marítimo. O comércio tornara-se para ela, a primeira necessidade da sua vida econômica e o objetivo principal da sua atividade. A Agricultura, como era no século XVIII, se transformara em atividade industrial, benefício alcançado graças à reconstituição das grandes propriedades de luxo e do forçado êxodo dos camponeses para as aglomerações urbanas".
 
         (Oliveira Lima: Dom João VI no Brasil, 2ª ed., Rio, 1945, p.38, I.)
 
 
Continua
Therezinha B. de Figueiredo
Belo Horizonte, 3 de abril de 2008

LIDO COM INTERESSE – 25

Título: RIO DAS FLORES

                                  Autor: Miguel Sousa Tavares

                                  Editores: Oficina do Livro

                                  Edição: 1ª, Outubro de 2007

 

 

                                               

 

Em Portugal todos o conhecemos. É uma figura pública no sentido literal do termo porque qualquer residente o conhece dos telejornais de um certo canal em que aparece semanalmente a comentar algumas notícias da ocasião. E também todos sabemos que tem boca e não manda assoprar. À semelhança do pai, diz o que pensa e transmite-nos a certeza de que não está com a preocupação de saber se a sua é a opinião politicamente correcta. O pai também não esperava que lhe dissessem o que devia ou não afirmar e assim foi que, quando era Director do jornal “A Capital” nos idos 70 post-revolucionários, ajudou decisivamente à reposição dos princípios democráticos no meio da revolução que se bolchevizava a olhos vistos. O filho não esconde ser filho do pai. Pode não o fazer de propósito mas que o faz, faz. Também o sabemos fanático do Futebol Clube do Porto e filiado ou simpatizante do Partido Socialista (qualquer lisboeta benfiquista ou sportinguista e democrata cristão seria levado a dizer que «não se pode ser perfeito»…) mas isso só lhe dá mais verve quando lhes zurze.

 

É claro que me refiro ao Autor deste livro que gostei de ler. E também no livro, Miguel Sousa Tavares não engana ninguém: dá as sua opiniões claras e quem não concordar com elas só tem a solução de … discordar (Monsieur de La Palisse não diria melhor).

 

E as opiniões vão desde o regime de Salazar, à Monarquia, à República, à Democracia, às gentes e por aí além de tal modo que não posso referi-las a todas sob pena de transcrever aqui o livro o que não só não faria qualquer sentido como retiraria interesse a quem o vá ler de seguida.

 

Mas como se trata de um romance, caracteriza certas facetas que se está mesmo a ver que ele próprio não subscreve. Dentre muitos exemplos que poderia repescar, cito o que ilustra o pensamento dos apoiantes da Ditadura Militar que em Portugal se instaurou em 1926:

 

“ (…) O ideal seria vivermos sempre num país civilizado, como a Inglaterra, onde toda a gente tivesse uma opinião abalizada e respeitável sobre os assuntos de que fala. Mas isto é Portugal, meu querido mano: aqui falam todos e ninguém se entende, porque a República deu a todos o sagrado direito constitucional à asneira. Mas, como bem sabemos, vozes de burro não chegam ao céu e não acrescentam nada aos males da terra – só os agravam. Como dizia o nosso pai, nenhum país progride se as elites não assumem o poder. E, se não o assumem porque aquilo a que tu chamas democracia faz com que as elites sejam esmagadas pelos ignorantes ou pelos simplesmente invejosos, então há alturas em que o único caminho é a força. O da ditadura, justamente. Eu acho que este é um desses momentos. Prefiro ver Portugal restaurado em ditadura do que destruído em democracia. (…)” – Pág. 80

 

Já sobre os homens, admito que pense exactamente o que escreve e que eu também acho fazer grande sentido:

“ (…) Todos os homens gostam de rotinas. Uns gostam de começar o dia tomando o pequeno-almoço em casa e folheando os jornais; outros preferem fazê-lo no café da esquina; outros acham que a barbearia é o lugar certo para tomar o pulso ao dia que está pela frente. Uns gostam de uma boa conversa logo pela manhã, outros só pedem que os deixem em paz e em silêncio. Uns habituam-se a escutar as queixas das mulheres ou as lamúrias dos filhos assim que acordam e esse som de fundo faz-lhes falta, outros só conseguem fixar a porta da rua e só se sentem prontos a enfrentar o dia quando a fecham atrás de si. Mas todos, todos, precisam de uma rotina logo pela manhã. Só os loucos é que não precisam disso – e por isso é que são loucos. (…)” – Pág. 397 e seg.

 

E mais não cito.

 

O romance? É claramente um enredo para ele ter a oportunidade de dizer o que pensa sobre muita coisa. Coisas passadas mas que justificam muito do presente.

 

A quem gosta de Portugal sugiro vivamente esta leitura.

 

Lisboa, Abril de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

Fala e direi quem és

 

 

O grito (de E. Munch)

 

Dizem os fonoaudiologos que a voz com o auxilio de um computador mostra quase tudo sobre um individuo. O sexo, a idade aproximada, a saúde, o nível sócio-cultural, vislumbra até o aspecto físico, a personalidade e a nacionalidade! 

 

Quando falamos emitimos sons e sinais que vêm do nosso interior, que mostram, para quem sabe ouvir, o que somos. Porém, como o nosso todo, a voz pode ser alterada pelo ambiente, pelo clima, pela idade, pelo estado emocional. As tensões, o cansaço físico e mental, as patologias das cordas vocais, orais, laríngeas e neurológicas, os traumas ou agressões aos aparelhos fonadores podem modificar a voz. Mas há uma característica que não muda, que é pessoal, intransferível, que atua como se fosse uma digital: o timbre vocal. É através dele que os investigadores e pesquisadores identificam pessoas e tiram conclusões.

Uma voz clara, de bom timbre, vem da passagem do ar por uma cartilagem laríngea de bom calibre, que provoca a vibração das cordas vocais saudáveis, que ecoa através de uma abóbada palatina perfeita onde a adequada colocação da língua e uma dentição completa permitem uma articulação verbal bem feita.

 

 

 

Segundo a fonoaudióloga Maria Carolina de Freitas, cada língua tem uma característica especial e específica de falar. A pronuncia do francês é cantada, do português é musical, do alemão é gutural, do italiano é intensa e melódica, do japonês é travada, como se estivesse zangado. As diferenças estão na maneira de articular as palavras, de respirar no meio das frases, de movimentar a boca, na anatomia dos órgãos fonadores, na tendência de copiar os modelos de casa. É a pronuncia que identifica um padrão de fala regional, mas, diferentemente do timbre, pode ser mudada com exercícios ou influência de outras culturas.

 

A comunicação verbal depende da saúde dos órgãos fonadores, da respiração, do equilíbrio emocional, do cabedal cultural e da capacidade de transmitir com clareza o pensamento, através de uma correta impostação da voz. Não grite, não fale demais, descanse, durma o suficiente, não fume, não beba líquidos muito quentes ou muito frios, cuide de suas cordas vocais!

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 30/03/08

 

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