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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

Cartas  de  Corso

 

Um corso ou corsário era um pirata que, por missão ou carta de marca de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação (Wikipédia), além de fazer incursões e razias em terra firme com o mesmo objetivo.

Note-se bem que só podiam pilhar mercadorias e bens, repete-se, de outras nações. Não consta que os corsários ou piratas roubassem dentro da própria casa! Pelo menos com freqüência.

Teoricamente, com o Tratado de Paris de 1856 essa prática foi “oficialmente” extinta, mas todos sabem que ela continua até hoje, quando se assaltam navios, não em alto mar, mas sobretudo fundeados ou atracados em portos.

Criou-se, primeiro com os romances, e sobretudo mais tarde com os filmes hollyoodescos, uma aura de heroicidade e glamour a essa banditagem que aterrorizava os mares e populações ribeirinhas, matava e esquartejava qualquer um com um sorriso de prazer, pela ganância, pelo lucro.

Saíram os principais corsários da Inglaterra e da França, e no Mediterrâneo os magrebinos que operavam também no Atlântico, entre as Canárias, Açores e norte da Espanha.

Mataram, saquearam, roubaram, escravizaram até os que não conseguiam resistir-lhes.

Não se sabe quantas “Cartas de Corso” foram concedidas por reis e sheiks. Muitas.

Hoje em dia o corso está muito mais simplificado. O pirata não necessita de navio, nem de esperar a presa em alto mar, arriscando a vida, nem envergar a famosa bandeira negra com a caveira.

Basta ostentar uma outra, vermelha, com uma estrela branca de cinco pontas no centro, com as letras PT (que não se sabe bem o que significam!), e sair por aí pilhando nas contas dos organismos e empresas oficiais e nos donativos que, sobretudo bancos e milionários (é quase pleonasmo!) lhes oferecem para as campanhas eleitorais.

São muito mais, hoje em dia, os piratas que pilham este seu próprio país, a sua gente, do que foram todos os antigos corsários juntos, em todos os séculos que atuaram. São milhares, os que envergando essa nova bandeira da pirataria, ocupam os “lugares de confiança” para poderem enriquecer tão depressa como o famigerado “Joãozinho do Orçamento”, que “justificou” a origem da sua vertiginosa fortuna, alegando que tinha ganho largas dezenas de vezes a loteria nacional. E o tribunal... engoliu. Não engoliu mas...

O corso e a pirataria estão à solta. Sem o tal glamour de um Errol Flynn, mas com a voracidade de piranhas.

Assaltam o nosso bolso, todos os dias, todos, sem descansar domingos e feriados.

E o chefe do bando apresenta-se, também todos os dias, em todos os órgãos de informação, sorridente, qual Noé que tivesse salvado a humanidade da extinção. Os animais... aplaudem!

Só mesmo outro dilúvio!

Rio de Janeiro, 18 de Março de 2008

Francisco Gomes de Amorim

Burricadas nº 24

Ai, alan,alan. que rica herança nos deixaste - i

v      As coisas pelos mercados financeiros não estão nada fáceis. A turbulência com origem no mercado hipotecário subprime norte-americano transformou-se, no final de 2007, em crise nos mercados hipotecários. E daí para uma crise financeira em boa e devida forma nas economias ocidentais foi um pequeno passo.

v      O outro lado do mundo parece, por enquanto, imune à crise que se passeia por estas bandas. E muitos esperam que de lá venham os cavaleiros brancos para salvarem as donzelas do Ocidente em aflição.

v      Entretanto, o passar do tempo tornou possível uma leitura mais simples, não tanto do que está a acontecer, mas do porquê de tudo isto. Até porque se assiste a um jogo de luz e sombras, com a luz a incidir sobre o sistema financeiro norte-americano e as sombras a protegerem a intimidade de quase toda a Banca europeia, mesmo quando uma ou outra má notícia salta para os jornais.

v      Nos EUA, já em NOV2007, as licenças de construção residencial “vivas” tinham regredido ao nível de 2001 (1.5M) depois de atingirem 2.2M em SET2005. A Administração Bush pretende congelar por um período longo o actual serviço da dívida dos empréstimos hipotecários de taxa variável. Uma proposta legislativa em discussão (FEV2008) visa dotar a Federal Housing Administration com USD 20mM transferidos do Orçamento Federal para refinanciar créditos imobiliários que se encontrem em incumprimento. O Chairman do FED, Ben Bernanke, recomendou muito recentemente que os Bancos perdoem parte dos créditos hipotecários - e sempre foi preparando a opinião pública para um surto de falências entre os Bancos locais (à imagem da crise Savings&Loans em 1991-92).

v      No mercado financeiro norte-americano, o Índice ABX/AAA (a fatia do índice dos valores mobiliários com garantia hipotecária aos quais foi atribuído um rating AAA ou equivalente) caiu, em FEV2008 para 62, quando era de 100 ainda em JUL2007. Veio a apurar-se, entretanto, que das operações de crédito originadas por Thrifts cerca de 30% tinham a garanti-las apenas 2ªs hipotecas (operações conhecidas por Home Equity Loans) que cobriam menos de 110% do capital em risco - e isto já desde 2006. Outra fatia importante (talvez 1/3) dos empréstimos subprime corresponde, de facto, a 2ªs residências. E o Office of Thrift Supervision anunciou a suspensão temporária das exigências de capital regulamentar correspondente à parcela dos empréstimos hipotecários que não esteja coberta pelo valor da garantia.

v      Ainda nos EUA, o JPMORGAN CHASE revelou que, numa carteira de USD 95mM, o peso dos empréstimos sobre 2ªs hipotecas cujo valor de mercado não cobria o capital em risco era, em DEZ2007, de 10% (em JAN2007, 3%); as perdas registadas até FEV2008 ascendiam a USD 17mM.

v      O CITIGROUP começou por anunciar perdas de USD 12mM; mais recentemente admitiu ter de abater ao Balanço, neste I trimestre de 2008, USD 15mM que não se encontram cobertos por provisões – e o aumento de capital lá terá de ser superior aos USD 18mM prometidos.

v      O MORGAN STANLEY revelou, até agora, perdas de USD 9mM (incluindo USD 700 M em operações alavancadas). E o MERRIL LYNCH, corrigiu uma estimativa inicial de perdas da ordem dos USD 8mM para os USD 18.5mM.

v      O BEAR STEARNS encerrou, em SET2007, os seus dois Fundos Imobiliários alavancados. Já em MAR2008 foi alvo de uma operação de salvamento por parte de JPMORGAN-CHASE e FED, com perdas estimadas que ultrapassam USD 20mM.

v      CARLYLE CAPITAL entrou em colapso em FEV2008. A sua carteira, inicialmente avaliada em USD 15mM é composta por créditos hipotecários com origem, na sua quase totalidade, nas Agências FANNY MAE e FREDDIE MAC (estes créditos hipotecários, que exibiam uma notação (rating) AAA, não são subprime, mas ALT A e prime).

v      As Agências hipotecárias para-governamentais GINNIE MAE e FREDDIE MAC anunciaram perdas excepcionais não divulgadas no IV trimestre de 2007. FANNIE MAE registou, até FEV2008 perdas de USD 24mM e o FED teve de intervir. Estas Agências são os maiores emitentes de Obrigações de Taxa Fixa, logo a seguir ao Tesouro dos EUA.

v      AIG/ AMERICAN INTERNATIONAL GROUP (a maior seguradora mundial), no final de 2007, estimava as suas perdas em USD 5.29mM; em MAR2008, subiu a parada para USD 17.7mM. Diversas instituições financeiras especializadas em empréstimos hipotecários e na prestação de garantias sobre hipotecas (THORNBURG MORTGAGE, MBIA, AMBAC FINANTIAL GROUP, ASSURED GUARANTY) anunciaram, entretanto, dificuldades financeiras muito graves e procuram afanosamente quem esteja na disposição de reforçar os seus capitais. Os Bancos norte-americanos continuam a contar com estas contragarantias.

v      Em contrapartida, outros Bancos de primeira grandeza, como GOLDMAN SACHS e NEW YORK MELLON não parecem ter sido afectados ainda pela crise do mercado hipotecário.

v      Na Alemanha, o DEUTSCHE BANK reconheceu, até ao momento, perdas insignificantes (€ 44M). No IKB/ DEUTSCHE INDUSTRIE BANK, pelo contrário, perdas de € 1.5mM ameaçaram seriamente a solidez do grupo KfW e, por isso, as autoridades federais alemãs foram obrigadas a tomar medidas excepcionais. O WESTL BANK reconheceu já perdas de € 1.0mM e eliminou 1,300 postos de trabalho. Sobre a Banca alemã, como um todo, o que se sabe é que absorveu 46% da liquidez emitida excepcionalmente pelo BCE entre SET2007 e JAN2008, quando representa apenas 26% do Total dos Activos na Banca da zona EURO. Os analistas vêem nesta desproporção indícios de problemas que ainda não vieram à luz do dia.

v      Na Suíça, o credit suisse / first boston anunciou perdas de USD 6.85mM. Quanto ao UBS, começou (NOV2007) por referir perdas de USD 4-5mM; em DEZ2007, essas perdas eram já de USD 8.7mM; e presentemente, situam-se em USD 12mM, tendo sido necessário reforçar os capitais próprios em mais USD 18mM com fundos vindos da China e de Singapura. A SWISS RE registou, até agora, perdas de CHF 1.5mM (já incluindo um ajustamento no valor de mercado de diversas posições em CDS, que teve lugar em JAN2008)

v      No Reino Unido, foi o NORTHERN ROCK BANK que, logo em NOV2007, perdeu mais de 40% do seu capital. Acaba de ser nacionalizado, por problemas de liquidez insuperáveis. A FSA/ FINANCIAL SERVICES AUTHORITY (Autoridade de Supervisão), em finais de OUT2007, veio a público dizer que estava a rever toda a metodologia de supervisão.

v      Na Itália, pensa-se que o UNITCREDIT (maior Banco italiano) poderá apresentar perdas de € 18mM.

v      Dos Bancos espanhóis só se sabe, até à data, que absorveram cerca de 10% da liquidez que o BCE tem vindo a injectar na zona EURO (quase o dobro do peso que têm no sistema bancário da moeda única europeia). Entretanto, as cotações em Bolsa das empresas imobiliárias espanholas (com presença importante nas carteiras dos Bancos espanhóis) caíram em média 43% entre JUL2007-DEZ2007. Mas, nalguns casos, a quebra chegou aos 88%.

v      Enfim, circulam notícias de que a verdadeira dimensão do problema subprime não são os USD 160mM inicialmente (OUT2007) previstos pelo FED, mas cerca de USD 400mM. Quanto à sinistralidade nos créditos hipotecários prime e Alt A, que tem subido desde OUT2007 (ver Burricadas nº 9) ninguém se arrisca a fazer prognósticos. (cont.)

NOTA: M-Milhões; mM-mil Milhões

 

Lisboa, Março de 2008

 

A. PALHINHA MACHADO

A PROVÍNCIA PLATINA - 8

                         O TROPEIRISMO NO BRASIL
 
 
      Final da parte 7: A estância e a charqueada impõem mudanças econômicas que abalam a sociedade sulina e introduz os mais profundos e novos traços no quadro social e político do Rio Grande.
     Na Campanha surge a hierarquia - o proprietário, o estancieiro, elemento dominante, aquele que recebeu a posse da terra com a distribuição das sesmarias e que estabelecia ou não a charqueada. Em torno do estancieiro girava a peonagem vivendo as diversas formas de remuneração de trabalho. Os peões dependiam do estancieiro e a ele deviam obediência motivada pela subordinação econômica já consolidada. A estância era o latifúndio, que exigia mando, o exercício da autoridade sobre os que dele dependiam ou a ele se ligavam dentro ou à margem da lei; por cobiça ou por instinto de conservação. A indisciplina da fase anterior impunha aos recentes proprietários a aplicação de métodos enérgicos. O estancieiro significou um condensador das queixas e aspirações dos grupos locais; o líder junto ao governo, armando-os muitas vezes, ora contra ou a favor do governo; para defesa sua, deles ou da Pátria. A sua influência resultava da soma das dedicações pessoais com que contava por simpatia, temor, relações de parentesco, gratidão ou por dependência de interesse.
 *  *  *
Parte 8: Nas lutas de fronteira em que o Brasil se envolveu, e em outras, o estancieiro desempenhou o papel do recrutador absoluto, quase sempre o chefe do seu bando que armava, montava, pagava e alimentava. A tropa era mais sua do que do país ou do Imperador. Com essas tropas e esses chefes o Império conseguiu efetivar a guerra contra Lopes, que presidia o Paraguai e a sua presença nos assuntos platinos. O fato da concessão das sesmarias extender-se até às pastagens entre o Ibicuí e Quaraí e além desse último rio, conferiu aos seus proprietários a condição e o direito de opinarem e lutarem todas as vezes em que se sentiam ameaçados, prejudicados ou ofendidos. Nessa base, além dos motivos comerciais, os brasileiros lutaram contra Artigas e depois incorporaram a Banda Oriental ao Império. O Brasil se envolveu a fundo nos problemas e choques da formação da Argentina. Esse envolvimento representava, no que diz respeito aos povoadores do Rio Grande, a luta pela posse das pastagens onde vivia o gado. Quando o Império foi forçado a aceitar a autonomia do Uruguai, inúmeras propriedades de brasileiros ficaram localizadas em território do novo país. Alguns proprietários possuíam, ao mesmo tempo, terras de um lado e de outro da nova fronteira e dos dois lados eram reconhecidos como autoridade temida.
 
  Quando os interesses coincidiam, os dos proprietários sulinos e os do Império, as forças regulares e irregulares lutavam juntas com predomínio destas. Havia entre elas contradições também. Nesse caso, deflagavam em lutas. A Farropilha foi a mais destacada. Emergiu, nesse conflito, o velho contraste marcado pelas reminicências heróicas da Campanha entre duas áreas de colonização. De um lado, os estancieiros à frente dos gaúchos pobres, que constituíam a sua tropa e a sua peonagem. A eles o governo devia grande quantidade de fornecimentos não pagos. A sua produção e o seu comércio tributava com rigor para auferir rendas que saíam da província. Do outro lado, os elementos dependentes da autoridade pública constituída pela população estável, pertencente à classe média das cidades, do litoral marítimo e lagunar e das regiões onde a colonização alemã começara a ser introduzida a partir de 1824. Este novo tipo de colonização conferiu traços de fixação e de estabilidade, que a Campanha desconhecia.
 Lenço decorado usado pelos Farroupilhas. Acervo do Museu Júlio de Castilhos Lenço usado pelos Farroupilhas - Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
  A rebelião dos farrapos começou em Porto Alegre(atual capital do Rio Grande do Sul), mas teve na Campanha a sua base de sustentação. Lá encontrou os seus motivos, as suas idéias, os seus anseios, a sua sede política onde foram ditadas as suas leis. Assim, desenvolveu e viveu ao longo de dez anos na luta pela independência do novo país.
 
Continua
Belo Horizonte, 18 de março de 2008
Therezinha B. de Figueiredo

CRÓNICA DO BRASIL

 

O direito de ir e vir

 

Emigrantes portugueses à espera de navio para o Brasil, início do séc. XX

 

 

Seja por necessidade ou por curiosidade, o homem migra sobre a Terra desde os primórdios do seu aparecimento, num movimento de permanente ir e vir. Lentamente no principio, quando eram os pés o seu único veículo, e celeremente, agora, quando tem ao seu dispor o avião a jato, que em algumas horas leva-o ao outro lado do mundo, encurtando drasticamente distancias entre paises e continentes. Graças a esse movimento o homem sobreviveu, nações se fizeram, civilizações apareceram e o mundo se transformou. 

 

As constantes guerras, as fugas, as conquistas, a procura por uma terra ou pela sobrevivência, da antiguidade aos tempos atuais, foram e são os fatores que mais contribuíram e contribuem para a migração.

Paises como o Brasil, Canadá e os Estados Unidos são exemplos do quanto a mobilização de gente, com a entrada no país de mão de obra, incrementou a força de trabalho, fortaleceu a economia, diversificou a cultura, aumentou a tolerância ao diferente e contribuiu com a prosperidade.

 

Em recente pesquisa, constatou-se que nos últimos sete anos a metade dos doutores (PhDs) americanos e um terço dos seus Premio Nobel são estrangeiros ou de origem estrangeira. Não é à toa que a estátua da Liberdade expõe o poema de Emma Lazarus, dando destaque aos imigrantes.

Mas se tudo isso é verdade, também não podemos negar que as rápidas mudanças populacionais dos tempos modernos, induzidas pelos altos fluxos migrantórios, levam a disparidades socioeconômicas gritantes, com o aumento dos encargos sociais, do número de desempregados, da insegurança e da violência, situações difíceis de serem controladas pelos paises de menor área geoprodutiva, regidos por políticas de liberdade democrática e respeito aos cidadãos de qualquer etnia.

Momentos há em que o direito e ir e vir é subordinado a interesses maiores que evitem desestabilizar o país questionado.

 

 Isso aconteceu recentemente entre Espanha e Brasil quando obstruções à entrada de brasileiros na Espanha levaram a troca de agressões verbais e retaliações entre autoridades alfandegárias. Pagaram os turistas que se viram obrigados a voltar ao país de origem, depois de desconfortos e gastos, e o brasileiro que deixou de ganhar com os euros dos espanhóis, já que aqui não nos preocupa a entrada deles como imigrantes ilegais, visto que não o são.

 Dados editados na Folha de São Paulo, dizem que a Espanha recebe 1000 imigrantes por dia, sendo que em Palma de Maiorca, entre as prostitutas, já chega a 80% o número de brasileiras que entraram ilegalmente no país, como turistas.

A dificuldade que os governantes encontram em inserir esse grande número de  indivíduos na sociedade local, sem modificar a qualidade de vida da população, está levando a que os políticos de lá, agora em eleições, atuem mais duramente nas regras de imigração, limitando a entrada de brasileiros que, quando ilegais, vão em busca de melhores salários e qualificação profissional, aumentando a competitividade, diminuindo os ganhos e a oferta de vagas no mercado de trabalho espanhol.

 

Mas apesar de tudo, de uma forma geral, a migração ao longo da História trouxe mais benefícios que malefícios, foi o caminho que propiciou ao surgimento de muitas nações, principalmente no Novo Mundo.

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 17/03/08

LIDO COM INTERESSE – 24

 

 

 

 Título: Longo caminho para a liberdade –

            - autobiografia de Nelson Mandela

        

Autor: Nelson Mandela

Editores: Campo das Letras

Edição: 5ª, Abril de 2006

 

 

Todos gostamos de saber que, à boa maneira dos filmes americanos, o drama tem um final feliz. Neste caso o drama desenrola-se ao longo de mais de 600 páginas enquanto a felicidade se vive durante escassas 80.

 

A capacidade de resistência que Mandela demonstrou durante tão longo martírio ficou por certo a dever-se a uma sólida formação ética e a uma grande tenacidade individual.

 

Relativamente à liberdade, diz ele que “(…) Enquanto obedecesse ao meu pai e respeitasse os costumes da minha tribo [princípio ético essencial], não me incomodava com as leis do homem ou de Deus. Foi só quando comecei a aperceber-me que a minha liberdade de criança era uma ilusão, quando descobri, como jovem, que a minha liberdade já me fora tirada, que comecei a ansiar por ela. Ao princípio, quando era estudante, queria liberdade apenas para mim, as liberdades transitórias de poder ficar fora à noite, ler o que me apetecesse e ir onde quisesse. Mais tarde, jovem em Joanesburgo, ansiava pelas liberdades básicas e honradas de realizar o meu potencial, de ganhar a vida, casar e ter uma família – a liberdade de não ser obstruído numa vida de acordo com a lei. (…)” - pág. 690

 

Cristão convicto tomou para si a moral que lhe foi ensinada na Igreja Wesleyan o que lhe garantiu a manutenção do optimismo, trave importante da sobrevivência durante tão longo martírio: “ (…) ser optimista consiste em manter-se na direcção do Sol, a caminhar para a frente. (…)” – pág. 422

 

Advogado com uma licenciatura sul-africana e uma post-graduação da Universidade de Londres obtida por correspondência durante a prisão em Robben Island, lutou durante toda a vida contra um sistema jurídico que ele considerava profundamente imoral mas não hesitou em saudar o seu opositor Frederick de Klerk, então Presidente da República, quando lhe viu sinais de tentar as reformas fundamentais para o desmantelamento do apartheid. Quando percebeu que de Klerk constatara que estava “do lado errado da História”, avançou para as negociações com uma esperança que o decorrer dos acontecimentos justificou. Em plena televisão, no final do único debate que fizeram em directo durante a campanha para as primeiras eleições não-raciais, escreve: “(…) inclinei-me para lhe pegar na mão e disse:        - Orgulho-me de lhe dar a mão para seguirmos para a frente. (…)” – pág. 681

 

Esperava encontrar referências mais longas ao guarda prisional James Gregory que escreveu um livro tão interessante acerca do relacionamento que mantiveram ao longo de tantos anos na Prisão de Robben Island e nos estabelecimentos prisionais que se seguiram até à libertação final [Lido com interesse - 22] mas a simpatia é demonstrada sobretudo em relação ao cozinheiro privativo que lhe puseram ao serviço na Prisão de Victor Verster. Julgava eu que ia ficar com uma leitura da questão sul-africana observada dos dois lados da barricada mas constato que o cenário não ficou completo. Já que não há grande correspondência entre estes dois livros, o de Mandela e o de Gregory, a visão do outro lado da barricada só ficará assegurada quando surgir nos escaparates um livro de Frederick de Klerk onde possamos observar na outra perspectiva os mesmos acontecimentos descritos nesta autobiografia do primeiro Presidente sul-africano não-racial.

 

Para quem, como eu, conhecia a África do Sul branca, este livro é uma viagem fundamental ao que se passava por trás dos tapumes que nos isolavam da África do Sul negra.

 

Mandela assegurou a transição pacífica do apartheid para a democracia e considerou essa a missão da sua vida. Cumprida a missão, sentiu-se no direito – e na obrigação – de passar o testemunho a outros. Thabo Mbeki pareceu um sucessor digno mas, pelas notícias que correm, já houve «quem lhe fizesse o ninho a trás da orelha».

 

A História continua a ser escrita na África do Sul.

 

Lisboa, Março de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

O poder da Palavra

                                               

A palavra

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.

Que resumiria o mundo
e o substituiria.

Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,

saboreando-a.


Carlos Drummond de Andrade

 

Talvez a maior riqueza  da língua esteja no sentido oculto e nas sutilezas que as palavras que a representam trazem. Podemos falar, falar e não dizer nada. São as palavras ao vento. Podemos calar no meio de uma frase ou não responder a uma indagação, e dizer tudo. Então lembramos o antigo ditado popular:

- “Para bom entendedor, meia palavra basta”.

 

Mas dialogar é ainda a forma mais civilizada de trocar idéias, mesmo que estas não sejam ouvidas ou aceitas pelo Outro. É através da palavra escrita ou falada que mais nos comunicamos.  Na boca do Homem ela torna-se uma arma potente de vida ou morte, que dignifica ou arrasa, enaltece ou vilipendia. Através das palavras surgem questões, divulgam-se opiniões, propagam-se idéias, transmitem-se saberes, mantém-se ou desfazem-se uniões. Uma palavra omitida ou falada de maneira errada pode abalar amizades, romper relações. É a palavra mal dada.  Mas também pode ser salvadora, fortalecedora, anímica, consoladora, quando dita na hora certa.  É a palavra de amigo.

 

Os grandes líderes, aqueles que tiveram ou têm a força mobilizadora das “massas”, começam as suas incursões pelo poder através da palavra, para atingir a alma do povo. Afinal não foi assim que Jesus mudou o mundo? Dos tempos antigos, de reis, papas e imperadores, aos tempos modernos, de políticos e juizes, a palavra dada é fundamental, determinante de vidas e destinos.

 

Segundo a palavra e de como ela é falada é que se mostra muito do que somos e o que esperamos dos Outros. Ela tem força de decisão, transformação, atração ou repulsão. Dá lugar aos diálogos, às conversas ou às disputas. Mantém a história e a cultura vivas, tem música, preenche vazios, faz poesia, nos diferencia dos animais, nos faz humanos, nos categoriza, está no cotidiano da nossa vida, sem ela não há tecnologia e civilização.

 

Na escola, o mestre, pedagogo, professor, instrutor ou orientador- (diferentes variações da mesma qualificação profissional, inventadas pela modernidade para dar trabalho a todos, coisa que acontece na maioria das profissões, que se subdividem e se especializam à medida que novidades saturam os compêndios e alargam os conhecimentos)- deve ser aquele que já viu a história antes, que aprendeu nos livros e na vida e com dom e sabedoria mostra caminhos, vislumbra inteligências, clareia espíritos, estimula os primeiros estudos, fazendo atrativa a cultura através da palavra.

 

 E para finalizar e reiterar a importância das palavras,  recordemos o que o Senhor Deus diz na Bíblia: “Os céus e a Terra passaram, mas as minhas palavras ficarão”.

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 14/03/08

AS CONFERÊNCIAS DE LISBOA

SERÕES CULTURAIS DA

SOCIEDADE HÍPICA PORTUGUESA

1

 

Rei D. Carlos 

(1863-1908)

O Partido Regenerador e o Partido Progressista, ambos monárquicos, alternavam na governação de Portugal sem que nenhum deles resolvesse os problemas estruturais que a Nação diagnosticava mas sobre cujas terapêuticas ninguém se entendia. Cada um dos Partidos apenas revelava saber governar quando estava na Oposição e quando estava fora do Governo distribuía entre os seus proeminentes membros os vários cargos bem remunerados de algumas ricas empresas monopolistas de cariz para-público, v.g. a Companhia dos Tabacos. Os problemas mais mediáticos tinham a ver com uma flagrante sensação de fraqueza de Portugal no contexto internacional. O Ultimatum pusera essa tónica em grande relevo fazendo surgir uma onda de nacionalismo que chamou a atenção para o atraso relativo em que o país se encontrava. O próprio Rei entendia que era necessário transformar em virtuoso o ciclo vicioso em que o Regime se encontrava. Mais: do descontentamento generalizado era o Partido Republicano Português quem mais dividendos extraía assim pondo o próprio Regime em causa. Ou seja, o Rei considerava que era necessário quebrar a rotina e que era urgente fazê-lo.

 

D. Carlos convidou então o Conselheiro João Ferreira Franco Pinto Castello Branco – que ficou na História conhecido por Conselheiro João Franco – a constituir Governo uma vez que este Senhor tinha criado o Partido Regenerador-Liberal (o chamado Partido Franquista) num processo a que hoje chamaríamos de spin-off do Partido Regenerador. Neste Partido João Franco reuniu aqueles que ele considerava a nata da sociedade portuguesa entre militares experientes e coroados de glória nas campanhas africanas e civis com provas dadas de grande sentido de Estado. Mas se o Partido Franquista começou por congregar uma elite notável, ao abrir Delegações locais um pouco por toda a parte (chegaram a ser 28), introduziu um elemento de destabilização no sistema até então instalado que ao todo e por atacado pouco mais longe alcançava do que as tertúlias lisboetas e um ou outro núcleo no Porto e em Coimbra mas todos de dimensão praticamente ínfima. Até então o povo não era tido nem achado na feitura da política nacional mas aquelas Delegações locais do franquismo chamaram a atenção popular para o arranjinho há muito cozinhado no Chiado.

 

Conselheiro João Franco

(1855-1929)

Ou seja, se João Franco tinha a oposição dos republicanos por uma questão de Regime, concitou igualmente o antagonismo daqueles, monárquicos, a quem estragou o dito arranjinho.

 

Para complicar o cenário, tanto republicanos como monárquicos eram atravessados por uma fronteira nítida entre moderados e radicais sendo que também a Maçonaria, a Igreja e a Carbonária disputavam lugares na cena global.

 

Tudo visto e ponderado, resultava um cenário muito alheado da ponderação, nada sereno e em tudo fazendo lembrar a expressão popular que reza que «em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».

 

Destabilização de arranjinhos, perspectivas goradas, ânimos exacerbados e eis que D. Carlos é por todos apontado como o responsável dos problemas nacionais.

 

Avisado por inúmeras vezes de que algo de muito grave se preparava, o Rei não deu ouvidos a todos os verdadeiros amigos que lhe pediram para que não viesse a Lisboa naquele dia 1 de Fevereiro mas que, se o fizesse, que não seguisse numa carruagem aberta. A todos ignorou e quando o Dr. Ruy d’Andrade no dia 31 de Janeiro de 1908 foi de Stª Eulália, perto de Elvas, em galope desenfreado até Vila Viçosa para prevenir D. Carlos de que o assassínio estava previsto para o dia seguinte, o Rei respondeu-lhe de modo diversivo: - Oh Ruy! Já viste que bonito está hoje o dia?

 

Puro Sentido de Estado ou mero suicídio?

 

Passados 100 anos sobre o acontecimento, os enigmas que envolvem o regicídio são ainda tantos que a tinta continua a correr e o tema a apaixonar os portugueses que bem tentam descortinar um rumo para a situação por que Portugal atravessa de novo.

 

E porque este foi o tema do primeiro Serão Cultural da Sociedade Hípica Portuguesa, a sala de conferências encheu-se no dia 14 de Março de 2008 de uma assistência culta e muito motivada que não deu pelo tempo passar ao ouvir a interessantíssima exposição feita pelo

 Professor Doutor Mendo Castro Henriques.

 

Ao longo dos seus 98 anos de existência, a Sociedade Hípica Portuguesa tem sido palco de altos momentos desportivos mas este vem certamente juntar-se-lhe como um marco da mais elevada qualidade cultural e mesmo intelectual.

 

Lisboa, 15 de Março de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

 

EFEMÉRIDE

 

 

 

 

 

Instituída em 14 de Março de 1319 por bula do Papa João XXII

 

O Rei D. Dinis deu-lhe sede no castelo de Castro Marim

 

Instrumento fundamental da nossa cruzada contra os sarracenos, o Papa lhe ordenou “conhecer até onde chegava o poder do infiel e saber se achava príncipes cristãos que quisessem ajudar contra aqueles inimigos da Fé”

 

A Ordem de Cristo sobrevive e à sua honra têm acesso aqueles que nos Órgãos de Soberania, na Administração Pública, na Magistratura e na Diplomacia se distingam por serviços prestados ao País de forma que mereça ser especialmente distinguida 

 

Daqui peço que não se banalize a sua atribuição para que a glória seja efectivamente devida a quem honra Portugal

 

 

Lisboa, 14 de Março de 2008

 

 Henrique Salles da Fonseca

CRÓNICA DO BRASIL

A  Ordem  de  Cristo  e  da  Espada

 

Seguiu mares adentro a Cruz da Ordem de Cristo, levando, com vento e espada, a palavra do Filho de Deus a todos os cantos do mundo, e foi durante séculos o orgulho e a demonstração da vontade e da fé do povo português.

A Ordem, abolida com o início da República, voltou em 1918, com a finalidade de agraciar aqueles que por obras valerosas, para com o seu país, merecessem deste uma distinção. Uma medalha! Uma honra.

As regras para concessão de qualquer distinção, melhor, condecoração, parecem ser bem explícitas nos seus regulamentos, mas são hoje usadas como moeda de troca, ou compra e venda de pepinos e rabanetes! Não tarda que seja importada da China, uma vez que adulterada, a sua finalidade, já está.

Não só esta. Qualquer Ordem, como até a Torre e Espada, que, no tempo do Valor, podia estar no peito de um soldado que os generais tinham que a saudar.

Hoje qualquer gato tem a Torre e Espada. E não tem mais porque o regulamento não permite ultrapassar um determinado número. A única limitação.

Chegou a presidente da república e toma lá uma medalha de cada para a coleção. Bem sei que é o dito presidente o chanceler de todas as ordens honoríficas do país, mas normalmente quem luta nas guerras não é general, mas soldados e sargentos e, por vezes, alguns oficiais, como Mousinho de Albuquerque e Paiva Couceiro.

Agora o sr. Silva, leia-se Cavaco, decidiu dar a maior condecoração do país ao seu compadre, sr. Silva, leia-se Lula, certamente por “atos de bravura” quando era líder sindical, de que Portugal nada teve a ver.

Deve ouvir-se, sertão adentro, em Angola, os ossos de outro Silva, José Teixeira da Silva, o famoso Zé do Telhado, revolverem-se no seu túmulo, ainda respeitado pelo povo angolano, agraciado com a Torre e Espada por atos de extrema bravura nas lutas liberais, ao ver para que serve hoje uma distinção que a ele acabou por custar a vida!

Pior ainda quando lhe constar que a dona Lula foi também condecorada com a maior distinção do Ordem Militar de Cristo.

Que feitos “valerosos” fez a dita senhora? Nem pelo seu país, quanto mais para ser distinguida por Portugal!

O Silva, do Telhado, também roubou. Muito. Mas distribuiu pelos menos desfavorecidos. Foi sempre pobre, morreu desterrado da família, e não arranjou empregos nem favores milionários para os amigos e filhos.

Guardou a ética e a honra junto com os seus veneráveis ossos.

 

Rio de Janeiro, 12 de Março de 2008

Francisco Gomes de Amorim

Perfume. Amenidades.

 

 

Alfazema

                        

 

Na memória do Homem, registrado numa emaranhada e complexa rede de neurônios que se intercomunicam em flashes elétricos, o perfume tem a capacidade de despertar sensações, sentimentos ou recordações, provocando mudanças no nosso estado de espírito. Quem já não se lembrou de alguém ou alguma coisa ao sentir um determinado perfume? Ele é usado pelo animal e pelo o homem desde os tempos ancestrais para demarcar terreno, alertar do perigo e mostrar cio, como repelente ou atrativo. Dá prazer, desprezo, repulsa ou relaxamento. Aguça os sentidos, é fundamental nos jogos amorosos da conquista. Quando a mulher quer seduzir se enfeita e perfuma. Quando o homem quer agradar presenteia com um  perfume. Não é sem razão que a história da humanidade destaca e relata o uso dos incensos para desinfetar e perfumar o ar das igrejas medievais ou dos ambientes fechados, como dos hospitais. Quem já não ouviu falar dos banhos aromáticos com pétalas de flores para combater o estresse, relaxar e induzir ao sono?

 Da natureza rica em cheiros, aprendemos a tirar e a utilizar os perfumes para tratamento, encanto e deleite humanos.  As Cleópatras de ontem e as de hoje sabem bem o poder de atração que eles têm.

 

Os maus odores das gentes e cidades urbanas antigas eram disfarçados pelas poções cheirosas produzidas pelos alquimistas. O perfume diferenciava o rico do pobre, o nobre da plebe. Nas casas abastadas e educadas misturava-se flores, sementes e ervas aromáticas em pequenos saquinhos e colocava-se entre as roupas e guardados para lhes dar cheiro agradável. Lencinhos, cartas e correspondências, eram sutilmente perfumados para lembrar do seu portador ou remetente.  Perfumar-se era sinal de dignidade e higiene, ou pelo menos dava idéia de limpeza.

 

 Nos séculos XVIII e XIX, cheirar tabaco moído era costume popular que provocava espirros, na tentativa de desobstruir as vias respiratórias, para combater resfriados e melhorar a respiração, coisa nem sempre conseguida... Qual o sexagenário de hoje que não se lembra de um avô ou avó portando uma jeitosa caixinha de rapé?  

 

No oriente e em países da Europa, como a França, o comercio de perfume ficou tão importante economicamente que se passou a cultivar flores para alimentar a perfumaria. Pesquisava-se e testava-se substancias orgânicas, como o espermacete da baleia, as pedras da vesícula do boi, glândulas de animais, capazes de dar compostos odoríficos marcantes, quando misturados às flores, frutos, e resinas de árvores e plantas. Descobriu-se, assim, os fixadores de odores, que tornaram os perfumes mais ativos, duradouros e caros. Apareceram combinações e formulações químicas secretas. Às soluções cheirosas acrescentaram tons e cores, tudo lindamente engarrafado em vidros e frascos especialmente confeccionados com capricho e estilo para agradar a todos os bolsos e gostos. Nascia da experimental e secular alquimia a indústria moderna e lucrativa do perfume. Usá-lo com sabedoria e parcimônia passou a ser, mais uma vez, sinal de distinção, bom gosto e categoria social. Os artistas populares quando  propagavam algum davam charme e prestigio ao produto. Surgia o marketing comercial que valorizava e enriquecia ainda mais a perfumaria.

 

 Afinal, quem não repara em alguém ou algo que exala um bom (ou mau) perfume?

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 09/03/08

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