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A bem da Nação

CONVERSA DE AMIGOS

 

 

 

Dizia-me há dias um amigo que o “A bem da Nação” é o blog da Oposição. Fiquei estupefacto.

 

Creio que nenhum dos Autores que em Portugal me acompanha na feitura do blog se posiciona na Oposição porque para se ser contra alguma coisa é necessário que exista um contraponto e nós não escrevemos em função da actuação de alguma personalidade específica individual ou colectiva, pública ou privada.

 

Em relação a Portugal nós pugnamos pelo que pensamos ser o bem da nossa Nação, não atacamos, apontamos caminhos, damos sugestões. Quem acreditar na bondade do que afirmamos, que nos siga e se estiver em posição de fazer, que o faça.

 

O campo das ideias é infinito; o dos factos é amplo; o das pessoas bem pequeno. Por isso eu peço a quem me acompanha que lance ideias para a arena da discussão, que se limite a referir factos para ilustração das ideias expostas e que nunca refira pessoas, sobretudo se vivas.

 

Este caminho não vai contra ninguém, é o que entendemos correcto.

 

Do negativismo já temos que baste na comunicação social e nos políticos e por isso convido-vos para me acompanharem na indicação dos caminhos positivos.

 

Lisboa, Janeiro de 2008

 

Henrique Salles da Fonseca

 

A PROVÍNCIA PLATINA - 6

O TROPEIRISMO NO BRASIL
 
   Final da parte 5: As lutas de 1801 definem a conquista da região missioneira, que fica incorporada novamente em área portuguesa até o corte do Uruguai. É o final do ciclo dos tropeiros, que vivera primeiro do gado em pé seguido da matança dos animais para obtenção do couro e sua comercialização.
   Na fase seguinte acontece a distribuição das sesmarias que possibilita o surgimento das estâncias. O gaúcho começa a valorizar a carne como alimento. Aprendem a salgá-la para durar mais tempo. Com a salga da carne, denominada charque, surgem os frigoríficos, que facilita o desenvolvimento da exportação daquele produto.
   No Rio Grande do Sul a cidade de Viamão, e Laguna em Santa Catarina foram os principais centros de comércio e formação de tropas com destino a São Paulo. Era o comércio paulista tropeiro. Com ele diversas cidades em São Paulo prosperaram. A principal foi Sorocaba com seu comércio de animais.
   O comércio de mulas e gado a partir do Rio Grande do Sul com os mercados distribuidores em São Paulo para abastecer as Minas Gerais, que durou um século e meio, promoveu a ocupação do interior, contribuiu para consolidar o domínio português fundando vilas e cidades. Integrou o sul a outras regiões da colônia.
   (...) Interesses mercantis visando a economia mineradora foram responsáveis por toda essa integração. A atividade dos tropeiros ganha importância à medida em que garante efetivar esses interesses e contribui para a formação do território português.
 
 
   A segunda parte desse ciclo de conquista é semelhante, em seu processo, ao desenvolvimento platino. Apresenta contradições, ímpeto de independência e os arremessos da gente da campanha.
   Na fase em que acontece a luta pela independência dos povos platinos, a situação tulmutuosa e confusa é alterada. Acentua-se a tendência para ocorrer a eliminação dos contrastes entre os dois tipos de sociedade. Cada um impõe à outra os seus padrões.
   Quando o choque entre os platinos ameaçam repercutir em território português, surge a necessidade de intervenção nesta luta e ao mesmo tempo a oportunidade de prevalecer a soberania lusa nas regiões onde o tratado de Santo Ildefonso a retirara. Por essa época o governo metropolitano já se encontrava instalado no Rio de Janeiro. Em 1811 Dom Diogo de Souza invade a Banda Oriental. Conduz as suas tropas ao conflito platino e afirma a intenção de posse e povoamento de toda a região de pastagens fronteiriça à Banda Oriental sempre contestada. Para concretizar o seu objetivo concede sesmarias onde a posse não estava ainda consolidada.
D. Diogo de Sousa, 1º conde de Rio Pardo
D. Diogo de Souza (1755-1829)
1º Conde de Rio Pardo
 
   O período posterior à autonomia dos povos platinos foi marcada pelos constantes choques militares na região da fronteira gerando instabilidade, recrutamento e correria pelas coxilhas. Como os dragões do Rio Pardo constituíram a mais importante força militar organizada para enfrentar os acontecimentos, esse período ficou conhecido como o ciclo dos dragões. Em conseqüência das condições ligadas às lutas militares a sociedade sulina passou por transformações de efeito duradouro e expressivo. O surgimento e o desenvolvimento da estância altera o contraste anterior entre a cidade e a campanha, entre a agricultura e o pastoreio.
 
   A agricultura entra em decadência causada pelas incertezas das lutas militares, da concorrência externa e da crise brasileira àquela época. O regime pastoril torna-se, pouco a pouco, absoluto, mas com características bem diversas das anteriores de simples aventura, pois articula-se em torno da estância que introduz na campanha a fixação, a hierarquia, a discriminação social, a mudança no processo de aproveitamento do gado a partir da introdução da charqueada.
   A charqueada adquire importância e peso no conjunto da economia a partir do momento em que se liga e até depende da concessão de sesmarias, da transformação que acontece quando os campos começam a ser apropriados. Até aí eles eram livres, mas a concessão de sesmarias na região de melhores pastagens confere o sentido de propriedade, que fundamenta o estabelecimento e o desenvolvimento da estância, característica econômica fundamental da região sul. A estância confere status, estabelece a sociedade de classe apenas esboçada e indefinida na fase anterior. A concessão da sesmaria representava positivo acesso na escala social. Equivalia a um título nobiliário, o ponto de partida para o predomínio econômico e político. Daí por diante as influências militares e a boa reputação nos combates só atuariam nos negócios públicos quando reunissem abundante posse de campo e de gado.
 
Continua
Campo Belo, 10 de janeiro de 2008
Therezinha B. de Figueiredo
  

A DEGRADAÇÃO DAS ORDENS

 

As recentes eleições para bastonário de várias Ordens profissionais manifestaram uma enorme perversão funcional. Mas a candura com que as coisas foram feitas e ditas mostra como até os principais responsáveis não se dão conta da sua degradação.

Um direito fundamental numa sociedade moderna é a liberdade de associação, podendo cada um criar os agrupamentos que quiser para defender o que achar conveniente. Mas as Ordens profissionais não são agremiações dessas. Trata--se de instituições de Direito Público, não de Direito Privado. Só por isso é que elas têm poderes estatais a que nenhuma associação de cidadãos pode aspirar, como o de conceder ou retirar o direito de alguém exercer um ofício particular. O motivo é fácil de entender.

Em certas actividades, o profissional exerce um poder muito forte sobre os clientes. O caso típico é o médico, que tem nas mãos a vida e a saúde do doente. Nesses casos o público precisa de se proteger dos eventuais abusos que esses especialistas possam cometer na sua acção. O problema é que só um colega do mesmo ofício consegue julgar tais abusos. Apenas um médico sabe dizer se, num acto particular, existiu maldade ou boa prática clínica.

Para resolver a questão muitos países entregaram a regulação desse tipo de actividades mais sensíveis às Ordens, constituídas pelo universo dos respectivos profissionais. Por isso elas só devem existir nos casos em que se joga um interesse público fundamental. As verdadeiras Ordens tratam apenas de valores como a saúde (Ordens dos médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e veterinários), justiça (advogados), infra-estruturas (engenheiros e arquitectos), contas empresariais (Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas e Ordem dos Revisores Oficiais de Contas), etc.

O aspecto mais importante desse tipo de instituição é que ele só pode ter como objectivo não defender os interesses dos profissionais, mas defender o público dos abusos desses profissionais. O facto de ser regido pelo Direito Público é isso mesmo que quer dizer. Trata-se, no fundo, de uma espécie de secretaria de Estado ou direcção-geral que, nesse campo concreto, se ocupa, como todas, do bem comum. Por isso tem o poder de certificar os profissionais e de julgar a sua prática pelas comissões deontológicas. Tudo isto são funções que naturalmente caberiam ao Estado mas, como ele se sente incompetente nessa tarefa particular, entrega-as a quem sabe, os membros dessa actividade.

Aqui surge uma das circunstâncias mais difíceis da natureza humana, a de "juiz em causa própria". Como a profissão se auto-regula, a tentação de transformar a Ordem numa corporação de interesses é enorme. Em alguns casos tenta-se resolver a questão criando duas instituições diferentes para a mesma actividade. Se as Ordens dos Médicos e Farmacêuticos são de Direito Público, os Sindicatos dos Médicos e a Associação Nacional de Farmácias são de Direito Privado e podem, com toda a legitimidade, defender os interesses da respectiva classe. Outro argumento muito utilizado é dizer que ao proteger os interesses dos profissionais se protege o público, porque eles só existem para servir as populações.

As recentes eleições para bastonário, como de costume, nem se deram ao trabalho de tais expedientes e eufemismos. As propostas e retóricas eleitorais foram concebidas, descaradamente, como se estivesse em causa apenas a defesa dos interesses dos que votam. Para todos os envolvidos - candidatos, eleitores, comunicação social e até o público- tratava- -se de um problema particular daquele sector, decidido pelos membros desse sector.

Aliás é visão comum que a classificação de "Ordem" é mero título honorífico de respeito por certas actividades. As subtilezas legais são esquecidas, e ninguém parece interessado em esclarecê-las. Todo o processo das Ordens vem tornando-se num enorme embuste, permitindo a certos grupos apropriarem-se de poderes públicos para benefício privado. Mais um episódio do manso regresso da Terceira República ao corporativismo salazarista.

João Luís César das  Neves

 

João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Acordo ortográfico. Argumentos a favor.

ALTERAÇÃO RECENTE: NOVO Acordo ortográfico. Argumentos a favor.

 

   `Os argumentos de quem está muito assustado com o novo acordo e aparece na liça a combatê-lo´ são comuns, repetitivos. Rebato-os a seguir, ponto por ponto, mais uma vez.

 

Sacrifício feito ao Brasil

   Aqueles que resistem ao novo acordo apresentam argumentos nacionalistas, dizendo que há no novo acordo subserviência ao Brasil.

   Acima, pode verificar-se, nas anotações a verde, que há 18 alterações de forma `não´ facultativas para o Brasil (tópicos de exemplo: alfabeto, -oo, -eia, -eico, baiuca, para, polo, pela, -eem, -oi-, frequente, paraquedas etc., micro-ondas etc., antirreligioso etc., cosseno etc., autoestrada etc., coopositor, bibliónimos, etc.).

   Ora se somarmos as alterações de forma para Portugal, temos mais as alterações nas consoantes não articuladas (ct, cc, cç, pt, pc, pç), os pormenores de simplificação como fim de semana, hei de, fulano, outubro, disciplina de matemática; mas há mudanças para o Brasil que são grafias usuais em Portugal: -eico, -oo, -eia, baiuca, frequente.

   Onde é que está a subserviência? Sobretudo em acabarem as consoantes não articuladas? De facto as alterações são neste caso numerosas para Portugal, dado que as palavras com consoantes mudas são uma praga no português europeu. É só isto que engrossa a estatística brandida pelos opositores. Fazem por ignorar que, nas alterações de forma combinadas entre os dois países, há cedências dum lado e do outro, para se conseguir a unidade. Unidade que, aliás, é impressionante em quase todos os pontos das duas normas ortográficas, com exclusão de muito poucos casos, como este das consoantes mudas, que constitui, assim, um desentendimento incompreensível.

   Incompreensível agora, pois, com embalagem na corajosa revolução de 1911 na língua, Portugal em 1931 já tinha feito um acordo escrito com o Brasil no objetivo de se acabar com as consoantes não articuladas. Só que depois Portugal não cumpriu com essa combinação em 1945, em plena era dos nacionalismos salazaristas (que, se excessivos, deixam a dúvida de não serem hoje os mesmos) e da ufania do império colonial.

   Este conservadorismo era (e é) francamente desnecessário pois não há razões técnicas válidas (veja-se accionar, didáctica, e, num outro aspeto, note-se que pegada ou `a distinção entre pega ave e pega forma verbal´ não precisam para nada de consoantes mudas para mudar o timbre da vogal). Assim, o Brasil não acatou a nossa prepotência nessa altura; e o que fazemos agora não é mais do que cumprir finalmente com a nossa palavra de responsável progenitor na língua. Veremos se os nacionalistas portugueses poderão continuar no seu orgulho do passado quando os brasileiros catequizarem mais países a seguirem-nos no novo acordo, além daqueles que já passaram para o seu lado.

   Repare-se que não é por se suprimirem as consoantes mudas que a língua deixa de ser predominantemente etimológica, como convém que seja para se adaptar bem a várias pronúncias. Quem teve o cuidado de efetivamente analisar o novo acordo (só, por exemplo, nas Bases II, III e V) não pode deixar de concluir que houve a preocupação de respeitar a história das palavras. Recomenda-se vivamente esta análise no texto original, antes de se fazer comentários sobre a tendência exclusivamente fonética do novo acordo. As meias verdades não são aceitáveis em pessoas de reconhecida honestidade intelectual.

   É também indiscutível que a língua fica mais simples na aprendizagem sem as consoantes mudas; e não nos venham dizer que é fácil explicar a uma criança porque baptismo precisa de um p ou porque electricidade precisa do primeiro c. Fica também um pouco mais simples (mas ainda não o necessário) nas regras do hífen, nas das maiúsculas e nos acentos `das poucas palavras que os tinham para evitar confusões com termos caídos em desuso´.

   Não vejo o estudo da língua como um contraditório político, ou debate de emoções, mas uma análise de factos concretos.

 

A barafunda das duplas grafias

   Não é verdade que o acordo de 1945 tenha eliminado completamente as duplas grafias do nosso léxico europeu. Lembre-se por exemplo ervanário e herbanário que aparecem nos dicionários, ou tenha-se o cuidado de estudar todos os casos de inúmeras entradas que remetem para outras nos dicionários mais completos.

   É verdade que, para evitar as duplas grafias António e Antônio, o acordo de 1945 considerava que o acento agudo poderia funcionar como circunflexo nos casos de diferença de timbre; mas temos de aceitar que a ideia era bizarra, e não admira que os brasileiros não a tenham seguido.

 

Sacrifício das editoras portuguesas nos países africanos

   Esta é na verdade uma questão da maior importância, que deve ser ponderada com cuidado, pois o mercado brasileiro permite muito maiores tiragens que o português. Isto será relevante nos dicionários. Mas sê-lo-á nos livros destinados ao ensino? O mercado a ter em consideração não será sempre aquele a que estes livros de ensino se destinam?

   Sublinha-se que o que tem havido é um favoritismo gentil destes países de língua oficial portuguesa no facto de seguirem a ortografia europeia, diferente da do Brasil. Mas se o Brasil avançar, como já pode, com o novo acordo, lá se vai o favoritismo em todos os países que preferirem a grafia unificada e um pouco mais simples. Então, ficaremos nós blindados por nosso lado. Os políticos que tomam presentemente as decisões neste caso, e demonstraram coragem noutros, devem também ponderar esta hipótese desfavorável.

   As editoras portuguesas com visão de futuro já estão a dizer que lhes basta um período de adaptação de 4 a 5 anos. Outras estão já a montar as suas gráficas em países de língua oficial portuguesa; e, neste caso, será o nacionalismo desses países que tenderá a preferir produtos neles realizados e provavelmente mais económicos, sem custos de longos transportes.

 

Falta o vocabulário comum

   Pois falta. Mas este argumento para a não ratificação é falacioso, pois o vocabulário só é indispensável quando o acordo entrar mesmo oficialmente em vigor. Nada impede que a ratificação seja feita agora, como decisão sem retorno, e que o vocabulário comum apareça depois. Aliás, consta que é possível Portugal ter pronto um vocabulário moderno de 150 000 entradas em poucos meses. Em conjunto com o completo vocabulário da Academia Brasileira de Letras, de 1998, e com recurso à atualização do também completo Vocabulário da Academia das Ciências de Lisboa de 1940, seria possível uma equipa de lexicógrafos de boa vontade combinar rapidamente esse Vocabulário Comum.

   Note-se que as dúvidas que presentemente o exigem até não são muitas. É perfeitamente possível, escrever já com base no novo acordo unicamente com recurso às obras publicadas que têm termos do futuro, como, por exemplo, o «Prontuário» da Texto Editores.

 

O novo acordo vai trazer muitos custos económicos.

   Claro que vai. Mas também a reforma de 1911, o acordo de 1945 e até a simples alteração de 1973 (palavras derivadas) trouxe custos económicos, pois obrigou a novas impressões para a nova ortografia. É preciso não esquecer, porém, que esse obstáculo impediria sempre mudanças na ortografia da língua, quaisquer que elas fossem e que as implicações económicas não inibiram os corajosos políticos do passado.

   O adiamento da ratificação de Portugal ao Protocolo, prometido ao Brasil para 2007, é um mau sintoma quanto à alardeada coragem dos nossos governantes.

 

O novo acordo é uma confusão

   O estudo foi elaborado por distintos linguistas, que devem ser respeitados. Há neste país uma indelicadeza generalizada para os estudiosos da língua (quando estes sugerem mudanças) como se cada um dos `indelicados´ fosse dono ou um guardião do património linguístico, afinal comum. O que se passou no caso da TLEBS é paradigmático. Considerou-se, muitas vezes com termos ofensivos, que a TLEBS devia ser ignorada, que fosse mesmo considerada de todo inaceitável. Ora, afinal a TLEBS depois da Revisão volta com o mesmo nome, incluindo cerca de 60% dos mesmos termos e mais aproximadamente 100 novos termos...).

   O defeito que o novo acordo tem é de ser insuficiente …na mudança… Quem o estuda conclui que, pelo contrário,  houve um esforço de conseguir a uniformidade com um mínimo de alterações possíveis, depois do chumbo alarmista da proposta inovadora de 1986.

   Também se diz que o novo acordo ortográfico tem defeitos científicos. Ora abusa-se um pouco do termo científico. Existe erro científico quando as regras e o método são mal aplicados, e as conclusões deixam de ser científicas (válidas para o universo da ciência). Pode-se dizer que foi isto o que se verificou no novo acordo? Não, pois, contrariamente, não havia o propósito de estabelecer decisões cientificamente irrefutáveis. Então para quê falar de ciência, em vez de convenção, simplesmente de …acordo?

       

O caso espanhol

   A Academia espanhola até conseguiu, há bem pouco tempo, uma gramática uniformizada para toda a hispanofonia…

 

A unidade na língua

   A unidade da língua portuguesa na lusofonia é obtida com o novo acordo pois passa a haver um único dicionário no universo da língua. A unidade é também conseguida no facto de deixar de haver necessidade de duplos textos em documentos oficiais (como, por exemplo, somos até obrigados a fazer em Ciberdúvidas, para não confundir os irmãos brasileiros que nos leem ). Todos os termos que figurarem no Vocabulário Comum passarão a ser legais em qualquer dos países de língua oficial portuguesa que tenham novo acordo em vigor.

 

As novas dificuldades na escrita

   Claro que há necessidade de adaptação à mudança, aliás não muito difícil, como se pode observar até neste texto, válido também o Brasil no novo acordo (diferenças para o novo acordo no texto corrente [excluindo os termos apresentados como exemplos, ou duplas grafias]: a vermelho sublinhadas com um traço interrompido para Portugal; a verde e traço grosso para o Brasil e em itálico para ambos). São muitas? Contem!

   Lembra-se finalmente que, qualquer que seja a nossa idade, espírito jovem é o daquele que aceita o devir de Heraclito como uma lei natural e não o de quem está sistematicamente contra a mudança, sem sequer atender ao seu lado positivo.

 

                                                                                                                                                                                                                                                Lisboa, 4 de Janeiro de 2008

                                                                                                                         

D'Silvas Filho

CRÓNICAS DE MOÇAMBIQUE

QUANDO RETORNARÁ A ILHA-MUSEU AO EXERCÍCIO (EFECTIVO) DA SUA SECULAR VOCAÇÃO TURÍSTICA?

 

(Governo distancia-se da intervenção nuclear, que considera ser de estrita competência da UNESCO)

 

Esta é a interrogação que crepita no espírito da generalidade dos nampulenses. Será desta feita que a Ilha de Moçambique deixará, finalmente, de continuar a configurar “um barco encalhado”, como a apodou sugestivamente o meu ilustre amigo e reputado escritor Álvaro Belo Marques na sua magistralmente elaborada novela homónima?

 

As perspectivas emanadas do recente mega-encontro, que teve por palco a própria Cidade-Museu, sugerem esse auspicioso vaticínio aos seus afeiçoados habitantes. Eles acreditam piamente que, a concretizarem-se, de facto, as aliciantes infra-estruturas endógenas (na zona insular) e exógenas (no continente fronteiriço) delineadas para substanciarem a almejada reabilitação, a Ilha de Moçambique poderá, efectivamente, reassumir a sua vocação congénita de pólo de invulgar atracção turística. Não apenas da província de Nampula, mas de todo o país, e, quiçá, do universo inteiro.

 

“Incha Alah, que os anunciados projectos venham, efectivamente, a ser materializados!” – exclamariam, a propósito, vários ilhéus que tivemos o ensejo de contactar aleatoriamente.

Mas, na minha modesta opinião, torna-se imprescindível que esta nova vaga de projectos de relevante dimensão seja, realmente, convertida em realidade.

 

E não se confine ao bolor das gavetas, a exemplo de muitas outras anteriores. Que, também, aparentavam fiabilidade e consistência, e, entretanto, ruíram como meros castelos de areia.

 

Aliás, eu próprio fui integrado (a contra gosto, devo confessar), nos anos oitenta, em algumas das instituições envolvidas na pseudo gestão ou monitoria desses utópicos e malfadados projectos. E conservo, ainda, bem presente na memória o desenrolar pungente dos respectivos descalabros.

 

Por isso, na conferência de imprensa de final do ano transacto, concedida pelo governador da Província de Nampula, não resisti à tentação de questionar a razão porque o governo não investe decididamente no almejado restauro da Ilha de Moçambique por forma a catapultá-la aos píncaros do turismo mundial.

 

A resposta do governador Felismino Tocoli, mesclada, obviamente, de teor político, estribou-se nos projectos firmados há duas semanas, na própria cidade da Ilha de Moçambique, em reunião presidida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, e que contemplam a edificação de duas unidades hoteleiras de elevado gabarito na região continental do Lumbo e o funcionamento inédito de um navio-hotel ao largo da baía adjacente. E depois de se deter numa incursão algo exaustiva às diligências que têm sido empreendidas pelo governo no sentido de equacionar a dramática situação sócio-económica em que, há cerca de quatro décadas, vegeta aquela histórica cidade, ressalvou que o ingente resgate da estrutura física da Ilha de Moçambique é de absoluta competência da UNESCO (Fundo das Nações Unidas para a Cultura e Educação), desde que foi declarada Património Cultural da Humanidade.

 

Ficavam, assim, demarcadas as responsabilidades. E, consequentemente, deslindada a razão de morosidade que flagela o ressurgimento da Ilha de Moçambique à sua condição (dos tempos áureos) de “galinha de ovos doirados”.

 

 

Mas, será que o governo não poderia, ante a prolongada letargia do empreendimento, dar uma “tchova”, ao invés de se amodorrar numa atitude contemplativa, alijando toda a responsabilidade sobre a UNESCO? Creio que sim.

 

Porque o estado de agonia que caustica a histórica cidade não se compadece com mais delongas. Exige uma aglutinação de esforços para ser debelado.

 

Recorde-se que a decadência sócio-económica e subsequente degradação física da Ilha de Moçambique começou a desencadear-se mercê dos seus sucessivos despojamentos de capital territorial (primeiro) e distrital (mais tarde). E veio a culminar com o escancaramento pleno do porto de Nacala ao tráfego marítimo.

 

Agora, a alternativa para a sua sobrevivência condigna restringe-se ao exercício da sua secular vocação turística.

 

Vasco Fenita

 

Nampula, 8 de Janeiro de 2008

In "Moçambique para todos"

CRUZEIRO DO SUL

O Pinóquio continua à solta

 

Em Agosto de 2003, escrevi um texto - “O Orçamento do Pinóquio  - comentando as deslavadas mentiras do (des)governo sobre a verdade e isenção do orçamento de Estado.

Agora, após uma feroz luta político-interesseira, o Congresso acabou com um roubo chamado CPMF, uma taxa (imposto, juridicamente não podia ser) sobre movimentação financeira. Qualquer dinheiro que passasse pelos bancos era logo mordido numa fatia, teoricamente para ajudar a resolver os problemas de saúde do país, mas utilizado... Deus talvez saiba como. E rendia ao Estado (ou aos governantes?) uns 40 biliões de reais/ano.

O (des)governo quis revalidar essa roubalheira, que terminaria no final de 2007, gastou um monte de grana - sim, um monte, fala-se em mais de um bilião de reais - para comprar votos, mas... finalmente a taxa foi anulada.

Perguntado se para compensar a perda dessa verba iriam ser criados novos impostos, o grande líder, da baixaria da sua cátedra afirmou: Essa ideia de aumentar impostos é uma loucura e a CPMF é coisa do passado. Esta afirmação, a nível nacional, foi feita nas vésperas do final do ano.

No primeiro dia útil de Janeiro o (des)governo anunciou uma série de medidas, com NOVOS IMPOSTOS que não só compensa, como ultrapassa, a arrecadação da antiga taxa.

Surpresa!? Não. Já estamos habituados à mentira deslavada e quando se afirma que, ou não aumenta o combustível, ou não se criam novos impostos, etc., é sabido que não tarda a vir arrocho em cima do povo.

O ministro da Fazenda, um escorregadiço Mantega, explicou que a afirmação do chefe, de que novos impostos seria uma loucura, se referia somente para o ano de 2007!

Nós somos um povo de babacas. O presidente diz as maiores barbaridades que lhe apetece, mente mais que ladrão de banco, é desacreditado por afirmações infelizes, infelicíssimas dos seus ministros, e continua a ter mais de 60% de aprovação do seu (des)governo!!!

Que tristeza. Se Gepetto ou Collodi fossem fazer o retrato dele, seria alguma coisa como esta adaptação sobre uma caricatura do grande cartoonista Diogo. 

Rio de Janeiro, 5 de Janeiro de 2008

Francisco Gomes de Amorim

A PROVÍNCIA PLATINA - 5

O TROPEIRISMO NO BRASIL
 
 
Final da parte 4: A partir do distrato de El Pardo os choques militares criaram uma situação nova. Portugueses e espanhóis voltaram a defrontar-se no sul. A essa época a sociedade já se encontrava presidida pela Comandância Militar dependente do Rio de Janeiro. Os reforços chegavam por via marítima apoiados no Rio Grande, no Porto de Casais e em Rio Pardo. Surgiram dois grupos de população: um no litoral e outro no interior do continente. Eles uniam-se nas lutas militares.
 
 * - * - *
O tratado de Madrid em 1750 entregou a Colónia do Sacramento à Espanha e em troca Portugal ficou com a posse das Missões.
O tratado de Santo Ildefonso sancionou uma série de choques militares desfavorável aos portugueses. A predominância da Espanha acabou por retirar ao domínio luso a região das Missões e a Colónia do Sacramento. O território sulino ficou restrito à faixa em que a colonização e os postos militares estáveis haviam consolidado o domínio a favor dos portugueses; e uma faixa de campo no interior próxima aos açoritas, estreitando para o sul, onde se encontravam os melhores campos para as pastagens. Independente do tratado entre as Cortes, a partir das regiões de colonização estável, os aventureiros preadores de gado da Campanha não reconheceram as discriminações dos tratados. Permaneceram em sua actividade de arrebanhar o gado solto naqueles campos de posse oficial espanhola. É a fase tulmutuada das "arriadas", ou seja, de saques, invasões e expropriações.
 
(...) "São os fazedores de arriadas, que justamente por isto, se constituem também os primeiros apropriadores da grande planície . (...). Não são apenas pilhadores de mulas e cavalos ou gado para a courama; são também guerrilheiros, porque na planície desafogada, ainda sem dono, eles encontram, a cada passo, pela frente, o espanhol disputando o direito de prea aos rebanhos bravios. Por isto o choque entre as duas expansões - de que resulta um estado de tropelias contínuas na fronteira. Na do Rio Pardo, por exemplo, os conflitos são constantes e constituem a forma normal por ali. (...). Fazedores de arriadas eles têm a função culminante: são os apropriadores, os desbravadores e os pré-civilizadores da planície gaúcha. Conquistando-a, limpando-a do espanhol e do índio para que nela se possam estabelecer a seguro os verdadeiros colonizadores". (Oliveira Viana: Populações Meridionais do Brasil, II - O Campeador Sulino, Rio de Janeiro, 1952, pág.130).
 
      
A acção desses homens sempre prontos à luta estende a penetração lusa.Viamão e Rio Grande representam a primeira fase do apossamento das terras sulinas de povoamento estável e contínuo. Numa segunda fase, segue-se o avanço e surge a região do Rio Pardo. A terceira incorpora o antigo território missioneiro, quando Portugal e Espanha, no início do século XIX, entraram em nova fase de conflito. As lutas de 1801 definem a conquista da região missioneira, que fica incorporada novamente em área portuguesa para no futuro tornar-se brasileira até o corte do Uruguai. É o final do ciclo dos tropeiros. Vivera primeiro do tráfico do gado em pé. Em seguida, da matança dos animais para a obtenção dos couros.
  Porto Alegre, ex-Viamão
A fase seguinte é a do comércio de couro e da distribuição das sesmarias. Destas surgem as estâncias e com elas a valorização da carne como alimento, antes desprezada. Os gaúchos aprendem a salgá-la para durar mais tempo. Com este aprimoramento criam os frigoríficos e acontece o desenvolvimento da exportação do charque.
 
No Rio Grande do Sul a cidade de Viamão e Laguna em Santa Catarina foram os principais centros de comércio e formação de tropas com destino a São Paulo. Era o comércio paulista tropeiro. Com ele diversas cidades em São Paulo prosperaram. A principal foi Sorocaba com seu comércio de animais.
  
O comércio de mulas e gado a partir do Rio Grande do Sul, com os mercados distribuidores em São Paulo para abastecer as Minas Gerais, que durou um século e meio, promoveu a ocupação do interior, contribuiu para consolidar o domínio português fundando vilas e cidades. Integrou a região sul a outras regiões da colónia.
 
"A economia mineira permitiu integrar as diferentes regiões do sul do país. A actividade pecuária expandiu induzindo a uma utilização mais ampla das terras e do rebanho. Fez interdependentes as diferentes regiões. Umas especializadas na criação, outras na engorda e distribuição e outras os principais mercados consumidores. É um equívoco supor que foi a criação de gado que uniu essas regiões. Quem uniu foi a procura do gado que se irradiava do centro dinâmico constituído pela economia mineira".  ( Celso Furtado, 1979 ) 
 
Interesses mercantis, visando a economia mineradora, foram responsáveis por toda essa integração. A actividade dos tropeiros ganha importância à medida em que garante efectivar esses interesses e contribui para a formação do território português, depois brasileiro.
 
Quanto a Porto de Viamão, no século XVIII, foi o primeiro nome dado à região actualmente ocupada por Porto Alegre. Para lá começaram a chegar, em 1752, os primeiros casais vindos das ilhas dos Açores.
 
Continua.
Campo Belo, 18 de dezembro de 2007
Therezinha B. de Figueiredo 

Dez votos para 2008

Faço votos de que em 2008

·        A despesa pública corrente se reduza significativamente

·        O défice do Estado baixe para níveis sensatos

·        A carga fiscal dê mostras de redução

·        Os funcionários públicos consigam trabalho compatível no sector produtivo

·        As empresas se libertem da peia burocrática

·        A agricultura ganhe asas

·        As pescas desistam de morrer

·        O analfabetismo adulto desapareça

·        O empreendedorismo não se limite aos cafés, bares e restaurantes

·        As Universidades públicas permitam a sobrevivência das Universidades privadas

Bom ano para todos,

Henrique Salles da Fonseca

CRÓNICAS DO BRASIL

 

O macaco de cidade, o meio ambiente e a educação.

 

 

Chico é um macaquinho arteiro que nasceu e vive, pelo menos até poucos dias atrás, numa pequena área de reserva de mata Atlântica, hoje transformada num parque florestal, situado dentro da cidade de Uberaba. Após apresentar comportamento agressivo, como roubar objetos ou comida das mãos das pessoas e até mordê-las quando contrariado, passou a ser visto como uma ameaça à paz e segurança dos freqüentadores da Mata do Ipê. Não sabendo como resolver tão grave problema, a administração municipal fez reuniões e mais reuniões, até decidir com brilhantismo que o símio, nativo da região, deveria ser transferido para um outro local até ser esquecido ou reabilitado para o convívio humano!  Para compensar a perda da atração do parque, resolveram também limpar o local derrubando algumas árvores da mata para ampliar o lago artificial e trilhas, reformar banheiros, construir locais de lazer, tudo para o conforto e bem-estar da população, enquanto para os animais menos espaço vital e mais reclusão.

 

Com rapidez e selvageria predatória a região do Triangulo Mineiro vai perdendo matas nativas, capões e cerrados para a expansão imobiliária nas cidades, e para a agricultura e pecuária, nas áreas rurais. O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), com poucos recursos humanos e materiais não consegue fiscalizar todas as áreas a preservar e sequer fazer resguardar os obrigatórios 20% de mata nativa das propriedades rurais.

Nas plantações, os pivôs para irrigação tiram água dos riachos e rios, diminuindo perigosamente o volume de água potável no planeta, já escasso pela destruição das florestas, assoreamento e poluição dos rios, pela construção de barragens e represas, pela contaminação dos solos e lençóis freáticos com os defensivos (venenos) agrícolas, pela perfuração indiscriminada de poços artesianos, pelo uso indevido da água e pela falta de chuvas na nossa região.,

 São jaguatiricas, onças pintadas, teiús, patos selvagens, jacutingas, lobos-guará, seriemas, tatus, preguiças, macacos, mutuns, cobras, e muitos outros animais da floresta que se aproximam perigosamente do bicho homem, aquele que lhe rouba o espaço e destrói o habitat, na tentativa em geral frustrada de sobreviver.

 

 Mas, em meio de toda essa discussão sobre o mau comportamento do macaco Chico, enfim li num jornal regional uma declaração lúcida sobre o que se passa. Segundo a ambientalista Érika Assunção de Araújo, a polêmica levantada pelos políticos e administradores locais é o mau costume que nossos governantes têm de desviarem a atenção da população para outras situações,“varrendo os reais problemas para baixo do tapete”. Tirar o animal da reserva onde nasceu e aprendeu com os visitantes os maus hábitos comportamentais, não é a solução. O que se deveria fazer e não se faz, segundo a Sra. Érika, era construir uma cerca ou muro para proteger o parque da invasão de perigosos elementos e usuários de drogas que à noite invadem o local, aumentar a vigilância municipal, preservar o que sobrou do habitat dos animais e ensinar a população a ter atitudes de respeito com o meio-ambiente e os animais, proibindo a oferta de objetos e alimentos, num trabalho de conscientização, utilizando como veículos de ensinamento, placas ilustrativas, guardas, crianças e jovens da comunidade num programa de educação ambiental.  Porém é mais fácil, rápido e menos dispendioso para os políticos tirar o suposto problema, o macaco Chico, que promover a educação da população, nosso abismal problema social.

 

Essa miopia político-administrativa também pôde ser verificada recentemente em Fernando de Noronha onde se constatou que, apesar das progressivas agressões ambientais provocadas pelo homem, a população de garças cresceu tanto, perto do aeroporto da ilha, que vai ser preciso, segundo as autoridades de lá, matar 90% das garças, para evitar acidentes aéreos. Mas para o lixão situado ao lado do aeroporto, atrativo alimentar para as aves, não cogitaram uma outra localização ou solução...

 Com dirigentes e governantes que pensam e agem dessa maneira, medíocre e politiqueira, como podemos esperar fazer deste país uma forte e evoluída nação?

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 03/01/08

 

 

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