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A bem da Nação

CURIOSIDADE DE FIM DE ANO

 

 

Zubin Metha é o nome artístico de Zerome Mendes nascido em Salcete, Goa.

 

Basta que este super-maestro tenha nascido antes de Dezembro de 1961 para que tenha sido português.

 

O seu primeiro emprego foi como condutor de autocarros entre a praia e a sua terra, mais no interior mas depois foi para Bombaim e ninguém mais o parou numa deslumbrante carreira musical.

 

 

Desejo a todos um bom 2008

Tchim - tchim, à la santé !!!

Estarei de volta no dia 2 de Janeiro

Henrique Salles da Fonseca

CRUZEIRO DO SUL

As  FARC,  os reféns  e...

 

Lindo, maravilhoso, o gesto do poderoso Mao Tsé Chavez ao atropelar o presidente da Colômbia para falar diretamente com o seu colega revolucionário Mao Tsé Marulanda Vélez, o dono das FARC, o braço armado do partido comunista colombiano, que vive nababamente na selva com os bilhões que lhe rendem as drogas, e com o seu amante.

Sorte para os três reféns que são libertados, uma delas que entretanto se envolveu com um dos terroristas assim que foi sequestrada e com ele fez um filho.(A selva colombiana deve ser muito erótica).

Para assistir ao solene acto de entrega dos reféns, irão emissários de alguns países, neles incluído o Brasil. E quem vai representar o Brasil? Sexa Mao Tsé Marco Aurélio Garcia, o soviete supremo brasiliense.

Estará também presente um dos afilhados do Mao Chavez, ex da Argentina e marido da atual presidente, que se elegeu com vultuoso apoio financeiro do sheik Mao venezuelano.

Não é necessário pensar muito para ver que esta operação deve envolver uma cartada decisiva em cima do sr. Uribe, presidente da Colômbia, não comuna.

Juntam-se os maus todos, aliás os maos; o Mao Hugo Chavez incentiva o colega revolucionário colombiano, com o apadrinhamento do brasiliense, e a Amazônia poderá ser um corredor perfeito para fornecimento do que quer que seja às FARC (armamento pesado?), com dinheiro da cocaína ou do petróleo, e os olhos fechados do Brasil, que nem forças armadas têm para controlar o território.

Na cara dura, a guerrilha avança, livre, apoiada pela loucura do caudilhismo «a la Fidel» e dos saudosos dos sovietes, que mandavam e aterrorizavam os seus povos.

O mundo assiste, não intervém, porque no fim das contas, o fabrico da cocaína é também um bom negócio para os EUA de onde saem os produtos químicos para a sua elaboração.

Com tecnologia militar actual, satélites, GPSs e tudo o mais não seria possível desmantelar o exército das FARC? Seria. Mas quem está interessado nisso?

De um lado vai a matéria prima e talvez do outro as armas. É um grande negócio.

Muita gente, miúda e graúda, a mamar nas costas da progressão dos débeis mentais.

 

Rio de Janeiro, 27 de Dezembro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

Receita da minha avó açoriana

 

  

Bolo de nozes

 

 

Ingredientes

 

2 chávenas de açúcar

2 chávenas e 1/2 de farinha de trigo

1 chávena de leite  para o recheio e outra para o bolo

4 ovos

2 colheres de sopa bem cheias de manteiga

2 colheres de chá bem cheias de fermento em pó Royal

Uma pitada generosa de sal

Uma pitada de noz moscada

2 chávenas bem cheias de nozes picadas

Nozes inteiras descascadas para decorar

 

Modo de fazer o bolo

 

Misturar numa tigela a manteiga, as 4 gemas, uma chávena de açúcar, a pitada de sal e de noz moscada. Bater até ter um creme uniforme. Acrescentar a chávena do leite caramelado, já frio (ver com se faz na receita do recheio). Mexer bem. Aos poucos colocar a farinha. Misturar bem e tornar a bater até ter uma massa lisa e uniforme. Por fim, acrescentar as 4 claras batidas em ponto de neve e as 2 colheres de chá de fermento em pó, com movimentos delicados, sem bater, incorporando as claras e o fermento à massa.

Untar e polvilhar uma forma redonda de tamanho médio, despejar a massa e colocar para assar no formo numa temperatura de 180 a 200º, C por mais ou menos 45 minutos. O bolo está pronto quando toma uma cor dourada escura e ao se espetar um palito, ele sai seco. Retire-o do forno, e quando tiver frio abra-o, no sentido horizontal para recheá-lo. Use linha grossa ou fio dental para abrir o bolo

 

Modo de fazer o recheio.

 

Enquanto o bolo está assando faz-se o recheio da seguinte maneira.

Numa panela queime uma chávena de açúcar até o ponto de caramelo forte. Acrescente aos poucos uma chávena de leite morno, com a panela fora do lume, para que o leite não ferva e suba escapando do recipiente. Vá diluindo o caramelo com o leite, levando-o de vez enquanto ao lume até derreter, sempre com cuidado para não ferver. Obtem-se um leite cor de caramelo. Acrescente uma colher de sopa bem cheia de manteiga e as duas chávenas de nozes picadas. Mexa com cuidado em fogo brando até o ponto de recheio, ligeiramente pastoso. Não deixe endurecer se não vira ponto de rebuçado ou bala. Deixe resfriar ligeiramente, sempre mexendo, e recheie o bolo. Cubra-o com o restante da pasta de nozes enfeitando com meias nozes inteiras.

 

O recheio pode-se fazer também com manteiga batida com um pouco de creme de leite, sem soro, açúcar e nozes até se obter o ponto de pasta.

 

O segredo do bolo está no ponto do recheio que não pode virar caramelo e sim uma pasta fluida e grossa que recheia e cobre o bolo de maneira generosa e deliciosa.

 

Nota:

Receita centenária, aprendida com minha avó que aprendeu com a mãe dela, na Ilha do Faial, Açores.

 

Feliz Ano Novo

Maria Eduarda Fagundes

 

 

NATAL

 

Desde há muitos anos, muitos mesmo, talvez desde os tempos de criança, a época do Natal, me envolve com um misto de alegria, por manter vivo o contacto com alguns amigos que a geografia nos separa e ao mesmo tempo uma sensação de amargor, de peso, até de tristeza, insiste em não me largar.

É muito bonito e alegre ver as crianças à nossa volta, a abrir, com os olhos a brilhar, os embrulhos com os presentes, SIMPLES, que todos lhes dão, e como são muitas, a algazarra é também muita.

Nesses momentos não consigo deixar de pensar naqueles que nada têm, muitos nem sequer conhecem o significado desta festa de Família, e o meu coração ali fica, procurando sorrir com a alegria de uns e num profundo aperto com o abandono ou tristeza dos outros.

Árvores de Natal imensas enfeitam cidades, como o Rio, Paris, Porto, e centenas ou milhares de outras, numa doente fobia por aumentar o movimento comercial, algumas almas caridosas trabalham com muito amor para aliviar a sorte de uns tantos, poucos, pouquíssimos, mas a imensa maioria das crianças, e das famílias, deste mundo em que quer queiramos ou não, todos somos irmãos, passa a noite de consoada fugindo às balas dos terroristas, chorando de fome ou a ver os seus entes queridos a morrer abandonados num mundo de mentira, onde não se comemora a Família, mas as vendas, as vendas, o lucro a qualquer custo.

Lembro ainda todos aqueles que fizeram parte da nossa vida, família ou amigos, como irmãos, com quem passámos dias animados ou em outras tribulações, e a quem já nem um cartão de Boas Festas podemos mandar.

Esta quadra é da Família. E Família engloba não só aqueles que a genética une mas ainda TODOS os outros que a ganância do lucro não deixa que se juntem e se abracem.

É Natal...

 

Rio de Janeiro, 26 de Dezembro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

Burricadas nº 12

 

Os nossos Meritíssimos

v      O Governo quer estender o regime do funcionalismo público aos juizes – e os juizes barafustam.

v      O Governo argumenta que se trata tão-só de tornar coerentes todas as remunerações que se alimentam do Orçamento Geral do Estado – e os juizes respondem que nem pensar! São titulares de um órgão de soberania, o que os torna credores de um estatuto remuneratório muito só deles.

v      Os juizes têm razão? Nem tanto (ainda que o Governo capriche em argumentar de forma canhestra, mas essa é outra história).

v      E não têm razão em três pontos que eles, juizes, cuidadosamente evitam abordar.

v      Primeiro, contrariamente ao que se passa com os titulares dos restantes órgãos de soberania, o cargo de juiz é não-electivo e vitalício – como a generalidade dos funcionários públicos, aliás.

v      Depois, porque sendo o cargo não-electivo e vitalício, haverá que fixar-lhe condições de admissão, carreira, passagem à situação de reforma, regras de assistência e por aí adiante – como na generalidade da função pública, aliás.

v      Enfim (e esta é, sem dúvida, a razão mais forte), enquanto titulares de um órgão de soberania democrática, deveriam prestar, de tempos a tempos, umas contas ao Estado (isto é, a todos nós, cidadãos, politicamente organizados). Não o fazem, porém. Nem querem ouvir falar em tal.

v      Protegem-se os juizes com o princípio da irresponsabilidade – que, forçoso é reconhecer, interpretam com generosa amplitude. Ora este princípio visa, de facto, afastar a possibilidade de um juiz ser chamado a reparar os danos que as suas sentenças causarem na esfera de terceiros. O que não deve ser confundido com a recusa de lançar pública luz sobre as doutrinas, melhor, as subjectividades doutrinárias em que eles, juizes, se inspirem para administrar justiça.

v      Administrar justiça? Ou fazer (no sentido de criar) justiça? Toda esta querela parece girar em torno desta alternativa ambígua – já que não prestar contas, não explicar o como e o porquê fora do círculo fechado da corporação, nada mais é que ir fazendo, ao sabor dos casos, uma justiça muito sua.

v      Esta aversão visceral que o corpo de juizes tem à accountability (o verdadeiro reverso de qualquer poder que seja democraticamente exercido) remete-nos direitinhos para a Época das Luzes - e traz-nos à ideia as lutas que dilaceraram a nossa 1ª dinastia.

v      Falemos sem rodeios. Os juizes crêem-se possuidores únicos das “luzes da justiça” – e é por isso que, para eles, prestar contas é um ferro inútil: como pode um iluminado fazer-se entender por quem só conhece a escuridão?

v      É que, desde a queda do absolutismo, geração após geração, cultivamos com desvelo, por pensamentos, palavras e obras, um aparelho estatal que se arroga das “luzes” do soberano absoluto – e que trata como brutos empedernidos todos aqueles que não têm a fortuna de o integrar. Neste particular, os nossos juizes não são excepção.

v      Para nós, o Estado é sinónimo de poderes que não têm que dar satisfações. À imagem do Absolutismo que, na verdade, nunca abjurámos - e dos poderes feudais que esperamos um dia também nos caiam no regaço (o fidalgote de província que todo o bom português sonha ser).

v      Ao longo dos primeiros séculos de Portugal as coisas passaram-se assim também, mas de forma certamente mais crua: (1) uma nobreza que queria apropriar-se dos três poderes públicos fundamentais (o de definir o que é bem e o que é mal - ou seja, a justiça; o de administrar a “sua” justiça, impondo as “suas” sanções; e o de proceder a exacções) para com eles subjugar os não nobres - e, mesmo, alguns que outros nobres de mais baixa estirpe ou menos aguerridos; (2) os homens livres, ciosos de direitos costumeiros que só se distinguiam dos poderes feudais pelo facto de serem detidos, e exercidos, por instituições diferentes - onde o papel das linhagens era mais esbatido; (3) um soberano que se apoiava ora nuns ora noutros (por norma, os reis buscavam o apoio dos homens livres; os príncipes herdeiros, impacientes, punham-se à frente das hostes feudais) para afirmar o seu próprio poder sobre reino, território e gentes – poder que só os nobres feudais lhe disputavam.

v      (Não, Leitor, nos idos da 1ª dinastia os grandes combates não foram nem contra mouros, nem contra castelhanos, como a historiografia oficial, de pendor acentuadamente romântico, faz crer. A luta que a todos arrastava era uma guerra civil sem descanso que só terminou quando o Rei conseguiu, por fim, ser o Soberano - o detentor do poder absoluto. A partir daí, as intrigas de Corte passaram a ser a continuação dessa guerra civil por outros meios. Definitivamente arredados de cena ficaram os homens livres que não tivessem acesso franqueado às antecâmaras palatinas. Déjà vu?).

v      Essa luta entre nobres e vilões (repare, Leitor, como também nesses tempos se recorria à arma ideológica – uma ideologia que se impôs até aos dias de hoje), este dualismo de doutores e futricas não mais nos abandonou.

v      Os juizes são, apenas, um exemplo vivo (outros há) das “luzes” enquanto instrumento ideológico de poderes tipicamente feudais a que, no fundo, nunca renunciámos.

v      É certo que os juizes não reclamam já o poder de lançar os seus próprios tributos - sempre que o dinheiro dos contribuintes dê para pagar aquilo a que se sentem com direito.

v      (Mesmo assim, ainda há pouco, as taxas de justiça eram encaminhadas por inteiro para o Cofre de Previdência do Ministério da Justiça – ou seja, dos juizes e das “pessoas de suas casas”, num toque inconfundivelmente feudal.)

v      Não exigem eles, às claras, fazer a “sua” justiça. Mas administram justiça como se o seu arbítrio pessoal, e a aprovação pelos seus pares, fossem o critério último da justiça. Um senhor feudal não lhes estranharia o modo - se visse neles, não vilões, mas nobres, seus iguais.

v      Em resumo: os nossos juizes crêem-se nobres num Estado retalhado por poderes feudais e numa Sociedade hierarquizada, com doutores (nobres e iluminados) no topo e futricas (vilões e brutos) rés vés o chão. E, quanto a isto, têm razão.

Dezembro de 2007

A.PALHINHA MACHADO

Quem matou Benazir Bhutto?

 

Na morte de Benazir Bhutto julgo interessante meditar um pouco sobre o que se passa no Paquistão. Melhor: sobre o que se passa no mundo islâmico. Melhor ainda: sobre o que se passa no relacionamento dos sunitas wahabitas com os demais habitantes desta nave espacial a que chamamos Terra.

 

Foi por meados do nosso séc. XVIII que Ibn al Wahab disse a Ibn Saud, mais importante rei da região sul da Península Arábica, que se quisesse manter o poder temporal tinha que lhe reconhecer a ele, Wahab, o poder espiritual. Desde então e até aos dias de hoje, à família real saudita cumpre o proselitismo wahabita, ramo mais radical dos sunitas. Quando essa missão assenta numa montanha de petrodólares, facilmente se compreende a dinâmica de tal corrente de pensamento. Ben Laden é saudita.

 

Como nota intercalar, refira-se que sunitas são os seguidores de Maomé e xiitas os de Ali, genro de Maomé. Os sunitas têm uma filosofia de conquista; os xiitas de sacrifício. Os sunitas fazem uma interpretação literal e estática do Corão; os xiitas interpretam o Corão numa perspectiva de significado não estritamente literal e desenvolvem essa interpretação ao longo dos tempos.

 

Dá para imaginar a acção decorrente da interpretação literal do Versículo 5 da 9ª Surata do Corão que diz: (…) Quando os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os (…)

 

É claro que para crente militante sunita wahabita tanto o cristão como o ateu ou o muçulmano xiita são infiéis idólatras que devem ser espreitados, acossados, perseguidos, capturados e mortos.

 

E o Paquistão é hoje o grande coito dos sunitas mais radicais pois é lá que se refugiam os talibãs perseguidos pelas tropas da NATO no Afeganistão.

 

Assim se compreendem as confusões permanentes por que passou o Paquistão durante a governação de Ali Bhutto, pai da hoje assassinada Benazir. E o que pretendiam eles? Muito simplesmente instaurar um regime democrático à moda ocidental ou, de preferência, ao estilo do vizinho indiano ou do longínquo México em que o seu Partido governasse perenemente com breves interregnos que a História rapidamente esqueceria.

 

Perfilam-se, pois, três actores no cenário paquistanês: o radical talibã comandado pelo clero sunita, o seu arqui-inimigo que lhe responde com os mesmos métodos e cuja figura de proa é Pervez Musharraf e uma linha dita democrática que não assume (ou não tem coragem para assumir) laicismo e muito menos agnosticismo.

 

Todos sabemos que “quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão” e nunca vimos ninguém no seu perfeito juízo meter-se entre o toiro e o forcado.

 

Por isto tudo me parece que o projecto Bhutto não faz sentido nesta era no Paquistão pois estão a lidar com um problema de feudalismo clerical e não será com “falinhas mansas” que lhe poderão fazer frente.

 

Resta a pergunta: - Quem matou Benazir Bhutto?

 

Lisboa, 27 de Dezembro de 2007

  Henrique Salles da Fonseca

CRUZEIRO DO SUL

COMMODITIES 

Para quem não entende nada de economias mundiais, como eu, há-de achar estranho que, de repente, essas economias estão todas a melhorar, os PIBs crescem, as cidades  transbordam de gente e de carros, os ares estão cheios de aviões cheios e os mares de imensos navios carregando milhões de contentores de um lado para o outro, enfim um frenesi que poderia estar a diminuir a fome e a pobreza no mundo, mas está a fazer cada vez mais biliardários.

Só em Londres, catalogados, há cerca de uma centena. A loja da Rolls-Royce tem uma lista de espera de oitenta clientes, desde 2004, para um modelo de 460 mil Euros!

Mas este frenesi econômico cheira a falso.

Em 1973 o preço do barril de petróleo que era de US$ 2,90 saltou para $13 chegando no final de década a quase $80. O mundo parecia sufocar com esse aumento, gerando uma tremenda crise mundial. Depois baixou para cerca de $30. E a economia continuava em crise, porque nenhum produto, móvel ou imóvel, acompanhara a valorização louca do petróleo. Os sem petróleo resolveram que para injectar mais dinheiro em circulação a solução era o aumento do custo dos imóveis que a classe média leva 20, 30, 50 anos para pagar, o que significa que estão indefinidamente a alimentar os comilões.

Como commodities são mercadorias úteis que se podem vender e comprar em futuro, com movimento de imenso manancial de dinheiro, é óbvio que quanto mais caras as tais commodities, maior o lucro dos negociantes envolvidos, desde o produtor ao retalhista. Uma coisa é ganhar 10% sobre 10 e outra é ganhar os mesmos 10% sobre 100 ou 500! E assim o petróleo está a bater na casa dos US$100, as grandes companhias distribuidoras a ganhar cada vez mais dinheiro, os produtores a esbanjarem, como alguns sheiks, entre os quais o venezuelano e o nigeriano, sem que o povo consiga mais uma migalha que seja para se alimentar e instruir.

Enquanto isso os chineses, para garantirem o fornecimento actual e futuro desse desgraçado combustível, invadem África, investindo em obras imensas que os países depois se obrigam a pagar com os tão cobiçados barris.

Cresce o movimento das tais commodities, surgem milionários como cogumelos em esterco na floresta, cresce a economia chinesa à velocidade de foguete e o povo, o povo... sempre o povo ficará a ver passar Rolls-Royces de ouro, enquanto luta desesperadamente para sobreviver no meio de guerras fratricidas, AIDS e Ebolas, secas e inundações, terrorismo de esquerda e de direita, jogado como bola de farrapos e esquecido dos governantes que se pavoneiam em mansões no Dubai ou dentro de carrões com ar condicionado!

Este mundo não tem conserto! Prega-se o entendimento, o amor ao próximo, o desapego dos bens terrenos, o respeito pelo meio ambiente, durante esta quadra do Natal trocam-se votos de boas festas e de um novo ano muito feliz, votos esses que se limitam a um muito restrito número de amigos ou parceiros comerciais, jamais deixando de ter como primeiro objectivo as commodities e outros negócios, sobretudo da bolsa, que tanto e tanto lucro dão.

Boas Festas... para quem? Para o Darfur, hoje exemplo da bestialidade humana?

Melhor Ano Novo... para quem? Para os vendedores de Rolls-Royce?

Mundo cão. Mesmo.

 

Rio de Janeiro, 20 de Dezembro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

A PROVÍNCIA PLATINA - 4

                              O TROPEIRISMO NO BRASIL 
 
 
Final da parte 3: Portugal e Espanha enviaram, em 1756, expedição à região onde os Jesuítas haviam fundado as reduções dos Sete Povos das Missões e São Miguel sem observar as decisões de Madri e Lisboa referente ao tratado de Tordesilhas - linha divisória dos territórios espanhóis e portugueses nas colônias da América do Sul. Naquela região a expedição lançou as bases da soberania portuguesa expulsando os religiosos de lá. A guerra desorganizou a estrutura econômica e política das reduções. As manadas de gado reunido e desenvolvido pelos religiosos nas estâncias de suas reduções espalharam pelos campos. Em lugar propício os rebanhos desenvolveram extraordinariamente e constituíram a base econômica sobre a qual teve início a etapa seguinte da vida sulina, ou seja, um mercado interligado entre a atividade mineradora em crescente atividade e o pastoreio gaúcho.
 
    A divisória de Tordesilha fixava a ponta de Laguna( no atual estado de Santa Catarina) como extremo do domínio português no sul. Desde as hostilidades entre Espanha e Portugal na segunda metade do século XVIII, após o tratado de El Pardo, que restringia a convenção de Madri, os governos coloniais portugueses confirmaram a intenção de estender para o sul o domínio da Corte de Lisboa. O núcleo de Laguna seria ponto de apoio àquela tarefa. A Colônia de Sacramento, fundada no estuário platino desde 1680, permanecia isolada, alvo de ameaças constantes e sucessivas quedas e retomadas. Para mantê-la e estar presente na Banda Oriental e no tráfico do Prata era indispensável constituir pontos de apoio no território intermediário, onde pudesse estabelecer as forças destinadas a operar na Campanha Cisplatina quando a Colônia fosse ameaçada; além dessas forças, o apoio marítimo era necessário ante a vastidão do estuário e a proximidade das bases adversárias. Para solucionar o isolamento da Colônia de Sacramento um dos atos do governo colonial foi a fundação do posto avançado de Laguna junto à barra do Rio Grande.
 
   As populações do centro-sul, dedicadas à mineração, recebiam uma parte de suprimentos vindos do norte pelo vale do São Francisco. A outra vinha do sul, formado das tropas de gado; seguiam o caminho de Laguna até chegar a Sorocaba(localizada no atual estado de São Paulo), centro distribuidor da região mineradora. A função do posto avançado de Laguna consistia em reunir os tropeiros e viajar até a região onde se encontrava o gado espalhado e abandonado na ruína das reduções. De lá conduziam os animais até Sorocaba.
   
   As necessidades de comércio impuseram a penetração nos grandes mercados localizados no estuário platino. A essas necessidades somavam a luta pelo gado, que vivia na Campanha Oriental e suas ricas pastagens, interesse dos que supriam a região mineradora. Esse interesse conferia importância a Laguna, mas entre esta e Colônia de Sacramento existia o vazio preenchido pouco a pouco por medida de autoridade ou iniciativa particular. O tráfico dos tropeiros enquadra-se nesta última iniciativa. Responsável pela formação de um extenso movimento de comércio não só de gado, de mula também, interligou diferentes e longínquas áreas da colônia ao suprir as necessidades da população em torno da região mineradora; possibilitou o estabelecimento do núcleo açorita que em 1742 e 1747 lançou as bases de uma colonização estável próximo ao estuário, no Viamão e Porto de Casais.
  Daqui partiram muitos açoritas, não por falta de beleza na terra que os viu nascer
   O início do povoamento estável permitiu o desenvolvimento das atividades dos tropeiros e as iniciativas militares com vista aos choques armados provocados pela disputa em torno da Colônia do Sacramento entre portugueses e espanhóis. Desse foco estável partiu a expedição portuguesa nos meados do século XVIII, juntamente com a espanhola contra as missões jesuíticas. Os choques militares seguintes, quando do distrato de El Pardo, criou uma situação nova. Portugueses e espanhóis voltaram a defrontar-se no sul. A sociedade já se encontrava, então,  presidida pela Comandância Militar dependente do Rio de Janeiro. Os reforços chegavam por via marítima apoiados no Rio Grande, no Porto de Casais e em Rio Pardo. Dois grupos se formaram. Um no litoral das lagunas e litoral marítimo de iniciativa do poder público nos postos militares e nos núcleos urbanos civis de base estável e hierárquica. Estes núcleos urbanos viviam da agricultura e do comércio. Possuíam o sentido da ordem e fundava-se no povoamento contínuo. O segundo, afeito ao movimento, eram nômades, aventureiros, dedicados ao apresamento do gado, à conquista das pastagens no interior do continente de São Pedro. Vivia na Campanha e era marcado por uma natureza instável e avanço intermitente. Ambos os grupos uniam-se nas lutas militares.
 
   O primeiro grupo era formado pelos açoritas, enquanto o segundo, o da Campanha, era constituído por paulistas e portugueses. Toda área da Campanha próxima ao estuário do Prata era litigiosa. Os espanhóis do Prata reivindicavam o domínio sobre ela. A linha de demarcação da fronteira flutuava constantemente. Até a conquista das Missões em 1801, apesar do tratado de Madri em 1750 e o posterior tratado de Santo Ildefonso em 1777, os ataques espanhóis impediam ou dificultavam qualquer tentativa de colonização regular naquele território. Essa circunstância conduziu um número significativo de pessoas a abandonarem a agricultura. Escolheram dedicar à prea de gado nas linhas de fronteira.
 
Continua.
Therezinha B. de Figueiredo
Campo Belo, 14 de dezembro de 2007 

O preço da independência feminina

   

Com o advento da pílula anticoncepcional na década de 60, a mulher passou a controlar melhor a sua fertilidade e socialmente buscou maior independência. O casamento e a maternidade, antes disso a finalidade da vida feminina, passaram aos poucos para um segundo plano. A procura pela auto-afirmação, no trabalho fora de casa, tornou-se prioridade para a maioria das mulheres ocidentais. Mas essa meta, quando atingida, fez aumentar as suas responsabilidades. Além de continuar a educar e a cuidar dos filhos e da administração doméstica, mesmo tendo ajudantes, às vezes até o próprio marido, passou a disputar com o homem, ombro a ombro, vagas no mercado de trabalho. Ganhou mais autonomia... e também mais problemas.

 

 Diferentemente de antigamente, a mulher de hoje tem menos filhos, menstrua mais vezes, e por isso está mais sujeita às alterações hormonais e às doenças daí decorrentes, como as mastopatias, a dismenorréia, a TPM e a endometriose. O estresse da competitividade e o acúmulo de atividades levam-na com freqüência à depressão, à hipertensão, ao alcoolismo, ao tabagismo, ao enfarto agudo do miocardio, aos acidentes vasculares cerebrais, a alterações alérgicas e digestivas, doenças pouco constatadas nas décadas anteriores aos anos 70.

 

Se a mulher pode planejar a maternidade para mais tarde, quando a vida está em geral mais estabilizada, também é verdade que apesar dos modernos recursos da assistência ao pré-natal e do maior equilíbrio emocional, ela tem mais riscos de gestações, partos e filhos anormais, devido à idade. Além de que a maturidade traz hábitos adquiridos, mais irrassibilidade, mais intolerância com as infantilidades e menos resistência física às demandas que uma criança exige. Lembremos ainda as degenerações biológicas decorrentes do inicio do processo de envelhecimento que podem se agravar com uma gestação tardia.

 

A juventude por sua vez, agora liberada pela pílula e pelos novos modelos de comportamento social, ficou mais sujeita aos estímulos eróticos propagados pela TV e pela mídia. Aumentaram as gravidezes indesejadas e as doenças sexualmente transmissíveis nessa faixa etária, muitas vezes comprometendo a saúde e a fertilidade futura da adolescente. Se a mulher madura e preparada engravida menos, a jovem inexperiente e pouco atenta tem mais gestações não programadas com problemas de ordem familiar e social mais freqüentes.

 

Todas essas questões nos levam a repensar. Será que essa liberdade descompromissada e a priorização da independência feminina estão tornando a família mais feliz e a sociedade mais equilibrada?

Será que a medida dos franceses de incentivar as mulheres a trabalharem meio período, para ficarem mais tempo em casa com seus filhos, será a atitude mais certada?

 

A independência feminina foi e ainda é uma conquista diária. Mas como mulher, que além de profissional é também, e principalmente, mãe, avó e dona de casa, estou reavaliando as minhas prioridades... sem abdicar da minha independência!

 

Uberaba 16/12/07

Maria Eduarda Fagundes

Burricadas nº 11

A justa ira dos deuses

v      Por fim, os Supervisores acordaram do seu dolce far niente. Deo gratias. Mas duas perguntas continuam por aí a envenenar os espíritos, ainda sem resposta.

v      Cadê os outros?

v      É que ninguém, em seu perfeito juízo, acredita que o BCP tenha tido, entre nós, o monopólio da gestão imprudente do risco de crédito. Talvez ele, porque desde sempre viveu obcecado com a conquista de quota de mercado a qualquer preço, tenha ido longe de mais na imprudência. Mas a diferença para os restantes Bancos cá do burgo, se diferença houver, será, quanto muito, de ordem de grandeza - nunca de substância.

v      O que é verdadeiramente reprovável na conduta das sucessivas administrações que o BCP já conheceu são os esquemas a que lançaram mão para fazer de cada emissão de acções um sucesso retumbante.

v      Financiar sistematicamente e em grande escala (mas poderia ter sido apenas em pequeníssima escala, que não é a dimensão do facto que dá razão à crítica ) terceiros para que estes acorram aos aumentos de capital (pior, pôr como condição de empréstimos a subscrição de umas quantas acções do Banco) é exemplo rematado de uma clara situação de conflito de interesses (agency problem).

v      Ganha a administração- que faz um brilharete e se perfila para receber uns bem merecidos prémios. Ganham os consultores - que a aconselhem na aventura. Ganham umas comissões mais os que distribuam essas novas acções pelo mercado. E perdem todos os outros.

v      Perdem os que já eram accionistas - os quais vão suportar um duplo prejuízo: (1) aquele que resulta do efeito de diluição das novas acções na cotação das acções existentes; (2) e aquele outro inerente ao risco de crédito agravado que esses financiamentos tão especiais sempre representam (com os devedores, inadimplentes ou apenas sem vontade de pagar, a darem essas acções em pagamento, pelo preço que as subscreveram, pondo assim termo a uma situação que não lhes era favorável).

v      Perdem credibilidade as Bolsas onde as acções antigas estavam cotadas - posto que, sem se aperceberem, foram alvo de uma manipulação de mercado grosseira.

v      Perde o sistema bancário – e perde duplamente também: (1) porque o Banco que assim procede goza, por uns tempos, de uma supremacia competitiva que é meramente fictícia; (2) porque um Banco que, por esperteza saloia ou imprudência, se tornou mais frágil vai fragilizar todos os restantes (isto é, agrava o risco sistémico).

v      Enfim, perdem os contribuintes – porque, se esse Banco entrar em crise, é a eles, contribuintes, que, no final do dia, a factura de reequilibrar o sistema bancário vai ser apresentada.

v      Os nossos Supervisores, com enorme desfaçatez, comportam-se agora como se tudo isto tivesse ocorrido ontem mesmo – vá lá, com boa vontade, algures no corrente ano. Qual quê?

v      Quase todos os factos que formam a “saga do BCP” ocorreram há mais de 3 anos. Como podem os Supervisores pretender passar para a opinião pública a ideia de que, atentos e vigilantes, estão a actuar em cima do acontecimento?

v      Não tiveram eles todos os dias destes últimos anos (e, se recuarem no tempo, outras surpresas aguardá-los-ão por certo) para detectar os actos que hoje, com pompa, circunstância e grandiloquência, declaram ilícitos?

v      Não são eles pagos justamente para prevenir, primeiro, detectar prontamente, quando necessário, e interromper com firmeza estas práticas?

v      Que contas prestaram eles, então? E que contas vão prestar, agora?

v      E tantos accionistas do BCP, objectivamente prejudicados pela actuação mais diletante (para não escrever menos escrupulosa) das suas administrações (responsabilidade contratual) e pela negligência dos Supervisores (responsabilidade extracontratual) nos quais confiavam?

v      Não vão exigir de umas e de outros a justa reparação a que têm inegavelmente direito?

Lisboa, Dezembro de 2007

 A. PALHINHA MACHADO

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