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A bem da Nação

Burricadas nº 9

 

Chuva de molha-tolos (cont.)

v      Finalmente, estão a vir a lume os primeiros números seguros sobre o colapso do mercado norte-americano das hipotecas residenciais de risco elevado (subprime). Para um total de capitais aí em risco que se estimava em USD 160 mil milhões (mais coisa, menos coisa), cerca de USD 100 mil milhões foram já (até 30/09) escriturados como perdas.

v      UBS, Merril Lynch, Stanley Morgan, Citigroup, Credit Suisse-First Boston, vários Bancos britânicos, enfim, todos os “grandes nomes” da Banca internacional nas duas margens do Atlântico (à excepção de Goldman Sachs que, parece, previu a tempo a tormenta que se estava a formar) acabam de divulgar prejuízos na casa dos nove dígitos (mil milhões) nas suas carteiras de hipotecas residenciais.

v      No universo dos hedge funds as coisas também não têm corrido bem: só em Agosto passado os prejuízos divulgados foram da ordem dos 1.32% (segundo HFR/Hedge Fund Research), contra lucros bem acima do índice S&P 500 nos doze meses anteriores. Alguns entraram mesmo em liquidação, como o Basis Yield Alpha Fund da UBS (USD 2 mil milhões), vários da Bear Sterns e tantos Quantum Funds de menor dimensão.

v      Dos Fundos de Pensões e de outras Entidades de Investimento Colectivo, nada se sabe, ainda.

v      É certo que nem todas estas perdas ocorreram no segmento subprime, muito menos tiveram origem no mercado norte-americano. Deste, sabe-se (cortesia da Federal Reserve) que o número de hipotecas accionadas passou de 225,000/trim (média no período JUL2006-JUN2007) para 320,000 no 3º trimestre de 2007 – o que é dizer, um “salto” de +42%. Há 6 meses, as taxas de incumprimento irreversível (medido este em valor) no segmento subprime oscilavam entre 5% e 8%, mas no trimestre agora findo atingiram 16%.

v      No segmento prime, as taxas de incumprimento têm permanecido no patamar histórico de 1%; mas no segmento Alt-A (aquele cujos devedores, não sendo prime, também não representam um risco por aí além), subiram de 1% para 3% - uma evolução preocupante porque, ela sim, afecta directamente os Balanços das Agências de financiamento (e refinanciamento) hipotecário nos EUA (FHLB, FNMA, FHLMC, GNMA – estatutariamente impedidas de operarem no segmento subprime). Acontece que estas “agências de dívida” são, de par com o Governo Federal norte-americano, os maiores emitentes de obrigações de taxa fixa, no mundo.

v      Para surpresa de muitos, os créditos hipotecários não-residenciais, precisamente aqueles que mais preocupavam a Federal Reserve no início do corrente ano (e que haviam estado na origem da crise das Savings&Loans, em 1991/1992 – crise que, recorde-se, custou ao contribuinte norte-americano quase USD 1.0 trilião), parecem por enquanto alheios a toda esta turbulência.

v      E nós, por cá? A avaliar pelas vozes autorizadas do Ministro das Finanças, do Governador do Banco de Portugal e de tantos analistas: por cá tudo bem, obrigado. Eu não estaria tão optimista assim. (cont.)

 

A. PALHINHA MACHADO

Novembro 2007

Algumas marcas de Galiza nos Açores e Brasil

 

 

Bandeira de Galicia 

 

Desde 1475 o arquipélago dos Açores recebeu povoadores vindos inicialmente de Portugal Continental-que trouxeram consigo alguns escravos de África- e depois , em menor quantidade, de Flandres, Galiza, Inglaterra, França e Estados Unidos.

 

Naquela época em Castela ocorria uma disputa para a sucessão do trono entre D. Joana (a Beltraneja) e Isabel, irmã do rei Henrique IV de Castela.  D. Joana, filha de Joana de Portugal e talvez do rei, era considerada ilegítima pelos nobres espanhóis, uma vez que Henrique IV era considerado impotente. Mas Portugal e Galiza  apoiavam-na. Os partidários de Joana, perseguidos, abrigaram-se em Portugal. Quando a paz foi restabelecida esses refugiados tornaram-se incômodos ao reino português, que não sabendo o que fazer deles, resolveu encaminhá-los para as ilhas atlânticas recentemente descobertas e que precisavam ser povoadas.

 

Nas ilhas açorianas do Faial e Pico  instalaram-se  as famílias galegas ABARCA, ANDRADE, GARCIA, ORTIZ, PORRAS, LEDESMA, TROJILLO. Quando apareceram as dificuldades de sobrevivência, trazidas pelos desastres naturais que acometiam o arquipélago de tempos em tempos, a emigração para o Brasil surgiu como a solução. E assim muitos dessas famílias se transferiram para o Brasil à procura de uma nova vida.

Dizem que João Garcia Pereira deu origem aos “Garcia" faialenses e  João Luis Garcia aos picoenses.

 

A partir do século XVIII, consideráveis e repetidas levas de açorianos chegaram ao sul e sudeste do Brasil. Alguns se deslocaram para as regiões auríferas e de criação de gado, onde havia mais oportunidades de ganhar terras e riquezas. Destes oriundos dos Açores, de raízes galegas, a história relata um tal de Antônio Garcia Rosa, que emigrou para o Brasil em 1741 e que juntou forte cabedal em Minas Gerais , como vigário (Paróquia de Nossa Senhora da Glória). Voltou para os Açores rico. É conhecido também um imigrante João Garcia que chegou ao Rio de Janeiro em 1773, parece que se tornou fazendeiro.

Outro faialense de nascimento foi Diogo Garcia . Este casou em terras brasileiras com uma das três irmãs, que de lá também vieram em 1723 e que eram conhecidas como as três ilhoas (Antonia da Graça, Julia Maria da Caridade, Helena Maria de Jesus). Eram as três filhas de Manuel Gonçalves Correa e de Maria Nunes.

 

Antônia da Graça veio já casada com Manuel Gonçalves da Fonseca e com duas filhas Catarina e Maria Tereza.

 

Julia Maria da Caridade casou-se em São João del Rei com o conterrâneo Diogo Garcia.

 

Helena Maria de Jesus casou com o também açoriano, natural de Santa Maria, João Rezende da Costa.

 

Essas três irmãs tiveram muitos filhos e deixaram larga descendência que se espalhou por Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná e Mato Grosso, dando origem a grande parte das famílias tradicionais desses estados brasileiros.

 

Ref. Bibliográfica

FAMILIAS FAIALENSES (Marcelino Lima)

As três Ilhoas ( pesquisa dos genealogistas Marta Amato e José Guimarães)

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 10/11/07

A diferença está nas coordenadas

 Depois de ter passado algumas semanas lá pelas bandas do Norte - indo até 52° N e 0° O, o que pressupõe ter estado em cima do meridiano de Greenwich! - e algumas horas depois desembarcar em 23° S e 43° O, o choque é violento.

 Uma carreira de autocarros para a longitude 0º ...

Não foi a primeira vez que isto me aconteceu e gostaria que não fosse a última, apesar de cada vez mais a preparação psicológica para enfrentar este choque se torna mais difícil.

Depois de ter visto um trânsito de milhões de carros que flúi em perfeita ordem, em cima de ruas sem buracos, sem congestionamentos nem ultrapassagens de sinais vermelhos, onde todos os pontos de ónibus tem placas, iluminadas à noite, indicando para onde vão as diversas linhas que aí passam e seu impecável horário, onde a polícia ou o socorro aparece escassos minutos após serem solicitados, ainda alguns se atrevem a respirar de saudosismo das suas terras de além mar!

No regresso, à saída ao aeroporto, logo somos ultrapassados por um cabeça chata que em carro velho nos obriga a atirar o nosso para cima do passeio para evitar uma colisão, aos sinais de trânsito poucos são os que obedecem depois que o sol se põe (e até durante o dia!) e, quando ao fim de alguns quilómetros e largas centenas de buracos, mesmo nas vias principais, chegamos ao lar doce lar, logo as “alegres novidades” nos caiem como enxurrada em cima da cabeça: - Não se pode gastar muita água, porque desde há 3 semanas que estamos a comprar água de caminhões! As duas linhas de telefones estão mudas desde ontem, e Não adianta quererem sentar-se em frente da TV porque a Net está fora do ar desde manhã, e a ligação à Internet também não está a funcionar!

 ...e problemas do tamanho de um continente

Manhã seguinte, saudoso ainda daquelas altas latitudes norte e suas organizações, o jornal da manhã vem ajudar a desmoralização: «O gás vai aumentar 25%», «Os policiais que foram presos por ligações com traficantes, voltam a ser soltos, soltam fogos de artifício e têm à sua espera carros de luxo para os levar», «A BRA, companhia aérea, nova, com dois anos, anuncia de supetão que vai fechar amanhã e já despediu todos os 1.100 funcionários», etc.

Não leio mais o jornal. Deixo-me ficar quieto, nem sei se meditando com vontade de chorar, e  nesse silêncio desorientado começo a ser consolado pelo canto dos sabiás, dos bem-te-vis, a sentir o “silvo” dos beija flores e suas asas batendo e os gritos das maritacas que passam em casais ou em bando, e até dos tucanos que pousam no alto das árvores que (ainda) circundam a nossa casa. A seguir chegam os pequeninos saguis com os seus guinchos pedindo a banana que lhes é dada como «imposto» diário, e as latitudes norte começam a esfumar-se...

De qualquer modo a comparação é triste, porque poderíamos viver com um mínimo de ordem, desde que por aqui houvesse também um mínimo de interesse dos políticos e governantes.

Parece que estes não existem. São ausentes, e o país navega ao sabor das conveniências de momento. Será a diferença das coordenadas?

Que nos salvem os bem-te-vis e os sabiás!

 

Rio de Janeiro, 11 Novembro de 2007

Francisco Gomes de Amorim

LIDO COM INTERESSE – 21

 

Título: Á descoberta de África

Autor: Martin Dugard

Tradutor: António Cruz Belo

Editores: Casa das Letras

Edição: 1ª, Abril de 2007

 

 

Trata-se de um livro de agradável leitura e que, ao contrário dos meus prognósticos, se revelou muito interessante pois o Autor enquadra as viagens de Livingstone e de Stanley na política internacional da época dando-lhe uma perspectiva de lógica imperial não se limitando à descrição das diatribes por que passa qualquer explorador.

  Bagamoyo, na actual Tanzânia, foi onde Livingstone desembarcou para iniciar a sua expedição em busca da nascente do Nilo

Logo pela capa se fica a saber que nos vamos deparar com «o relato de uma das maiores aventuras de sempre. A primeira travessia de África de leste a oeste». No entanto, os heróis do livro cruzam-se amiúde lá nas savanas e florestas africanas com portugueses pelo que esta não é de todo a primeira travessia mas apenas a primeira relatada por alguém da cultura anglo-saxónica. Por motivos diferentes que não a descoberta de ocorrências geográficas (a nascente do Nilo), os portugueses já por lá andavam e, portanto, a esses anónimos a glória do desbravamento inicial. E, mesmo assim, desbravamento para a cultura eurocêntrica do séc. XIX pois os árabes já por lá andavam no negócio esclavagista, à semelhança do que ainda hoje fazem com especial relevo no Darfur. Mas nem sequer esta perspectiva é totalmente correcta pois são conhecidas viagens de portugueses que em épocas bem mais antigas, idos do Egipto para sul a mando do Infante D. Henrique em demanda do Preste João, acabaram por atravessar todo o continente a chegaram a uma região a que os autóctones chamavam N’gola.

 

Esta referência inaugural às viagens de Livingstone e de Stanley faz-me assim lembrar a expressão do poeta alemão Hölderlin (1770-1843) que afirmava que «Somos originais porque não sabemos nada».

 Henry Morton Stanley meets David Livingstone in Ujiji, 1871. "Dr. Livingstone, presumo" - terá dito Stanley quando se encontraram em Ujiji

Na esperança de que os anglocêntricos se dêem ao trabalho de estudar um pouco mais, ficamos neste livro sem quaisquer dúvidas sobre o enorme papel que a Real Sociedade de Geografia desempenhou na definição do que foi o Império Britânico e de como estas explorações mais não tinham do que o objectivo dissimulado de afirmarem a presença britânica nos locais que Londres queria dominar. Portugal respondeu a estas viagens com as explorações de Hermenegildo Capelo e de Roberto Ivens para afirmar a posse dos territórios entre as duas costas africanas a sul do reino do Congo mas não colhe nesta apreciação referir todo o drama que foi o chamado Mapa Cor-de-rosa, a prerrogativa que Inglaterra se atribuiu de pôr e dispor sobre o que era português.

 Roberto Ivens (de pé) com Hermenegildo Capello em Iaca. Hermenegildo Capelo (1841-1917) à esquerda e Roberto Ivens (1850-1898) algures em África

Tudo o mais referido no livro é de certo modo supérfluo em relação a esta perspectiva fundamental da construção do Império Britânico com excepção da guerrilha de interesses que então existia entre Inglaterra e os Estados Unidos. É no âmbito dessa quezília internacional que surge o galês Stanley naturalizado americano a disputar o prestígio britânico salvando o herói Livingstone abandonado pelos seus pares. Esta é também uma faceta bem interessante e não fora este livro e quase dava para nos esquecermos de que esse antagonismo chegou a acirrar a política dos dois lados anglófonos do Atlântico. Quem diria nos dias de hoje que no séc. XIX Inglaterra se permitia ter uma opinião diferente da americana …

 

Lisboa, Novembro de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

I HAVE A DREAM !

 

Martin Luther King (1929-1968)

Foi esta a frase – Eu tenho um sonho! – que, em paralelo com o assassinato de que foi vítima, mais contribuiu para a celebridade de Martin Luther King fora dos EUA.

 

E foi dele que me lembrei quando hoje uma Senhora, ao meu lado na pastelaria, pediu ao empregado do balcão: “Oh Sô Fernando, embrulhe-me um sonho, se faz favor”.

 

Embrulhar um sonho… coisa difícil para um idealista sonhador e bem simples para um empregado de pastelaria lisboeta em época pré-natalícia.

 

Já o Fernão Capelo Gaivota (Jonathan Livingstone Seagull, no original americano) se lastimava da simplicidade com que os outros da sua espécie se dedicavam totalmente à árdua tarefa de se alimentarem sem cessar enquanto ele se preocupava com coisas bem mais etéreas, nomeadamente com a essência do belo, do sublime... E assim foi que conseguiu apurar o pensamento a ponto de se deslocar de nuvem em nuvem apenas pela força da mente. Só que entretanto se esqueceu do essencial e quase morreu de fome.

 

Primum vivere, daeinde philosophare. Primeiro viver, depois filosofar. Já os latinos assim pensavam e não foi a construção do Império que os impediu de nos legarem grandes pensadores. Devemos mesmo admitir o contrário, ou seja, que terão sido os pensadores que fundamentaram a civilização que se impôs aos demais povos e permitiu aos romanos a expansão imperial de que ainda hoje beneficiamos.

 

A força da mente a dominar a matéria.

 

E o que vemos por aí? Precisamente o contrário: a matéria a bloquear a mente. E, pior um pouco, quase todos a disputarem uma escassa fauna de insectos e poucos a visarem a imensa manada de bisontes que vagueia pela pradaria. Pouco ultrapassámos a artesania medieval do trabalho por encomenda para o cliente específico; grande parte dos nossos agentes económicos a sentirem sérias dificuldades na lide com o mercado anónimo, a não ultrapassarem a barreira imposta pela esquina da rua em que moram à semelhança dos artífices do Souk de Marraquexe, manietados pela burocracia e estrangulados pelo Fisco. Estaremos porventura destinados à busca de nichos de mercado como agora se chama à dimensão artesanal? Estará para nós ultrapassada a era da produção em massa? Que modelo devemos procurar para o desenvolvimento que desejamos?

 

Todas estas questões me ocorrem quando por esta época do ano ouço os doutos deputados da Nação a discutirem o Orçamento passando por cima de todas as matérias que me parecem fundamentais mais parecendo apostados em não lhes tocar sequer. Haverá um pacto de silêncio que leve os magníficos a discutir números não referindo as políticas que eles encerram? Serve o Orçamento ao modelo que ninguém discute? Serão já as GOP’s (Grandes Opções do Plano, caduca terminologia marxista) autêntico documento proscrito e votado ao Índex?

 

Com o objectivo de tentar descortinar alguma coisa sobre essas matérias me encaminhei para os locais habituais da Internet onde estão os prognósticos das Contas do nosso Estado.

 

Compulsada a Lei do Orçamento de 2007, constatei que um pouco mais de 60% das Receitas dos Serviços se incluem numa rubrica denominada “Passivos Financeiros” e que em 2008 essa relevância sobe para os 66%. Os “Impostos Directos” navegam pela escala da dezena de pontos percentuais, os “Impostos Indirectos” pela das duas dezenas e às migalhas restantes chama-se “Outras Receitas”.

 

Habituado à ideia de que do lado das Receitas constam os Activos e do das Despesas os Passivos, fiquei um pouco abalado ao constatar que a grande fatia das Receitas dos Serviços se chamava “Passivos Financeiros”. Temendo estar a tresler, perguntei a ilustres colegas do que se tratava e qual não foi o meu espanto quando me devolveram a pergunta no estado em que a colocara. Avançando para outro nível de investigações, perguntei aos Serviços e apurei que se trata da emissão de títulos da dívida pública. Ou seja, o que o Tesouro espera encaixar pela venda de papel. Sanada a dúvida, continuei a ler a informação disponibilizada e passei para outros mapas, desta feita para os que se referem às receitas e despesas dos Serviços e Fundos Autónomos. E se as minhas preocupações quanto à origem previsional de fundos se baseavam não apenas nas percentagens mas sobretudo nas verbas absolutas, o meu espanto redobrou quando constatei que, afinal, a parte pode ser maior que o todo. Sim, os montantes absolutos dos tais “Passivos Financeiros” referidos nos mapas relativos a Serviços e Fundos Autónomos são menores do que os que eu lera nos mapas que se referiam exclusivamente aos Serviços. Aqui, quase deixei de tentar perceber e encaminhei-me para a triste conclusão de que estava a ensandecer.

 

Foi em desespero de causa que pedi ajuda a outro colega que me disse que também ele nunca se entendeu com os mapas das Leis orçamentais e que por isso sempre se baseara na informação disponibilizada nos Relatórios dos Orçamentos.

 

Segui de imediato a sugestão, arquivei os traumas anteriores e procurei a nova informação. Aqui constato que o universo é diferente, com rubricas agrupadas de modo diferente, com denominações genéricas e nenhum esforço para esmiuçar conceitos. Basta constatar que para 2008 se prevê uma receita oriunda de Impostos Directos (IRS e IRC) correspondente a 0,06% das receitas totais, de 1,41% de Impostos Indirectos (p. ex. o IVA) e 90,08% de Outras Receitas Correntes. As Receitas Correntes correspondem a 91,45% do total das receitas e os remanescentes 8,45% são, portanto, as Receitas de Capital. No campo das despesas a elucidação não se aprimora grandemente e apenas se percebe que as Despesas com Pessoal tendem a diminuir de posição relativa dos 18,8% (4 095 milhões de €) em 2006 sobre a totalidade das despesas para 17,5% (4 211 milhões de €) em 2007 e para 15,2% em 2008 (3 663 milhões de €). Dá para perceber que as Transferências Correntes (38% em 2008) têm muito a ver com a Segurança Social mas ficamos sem grandes explicações para as Outras Despesas Correntes (32,3% em 2008).

 

E que se conclui de tudo isto? Pouco, creio. Mas volta a assomar ao espírito a questão inicial: não estará a economia estrangulada resultando a grande fatia das receitas previstas do aumento da dívida? Sim, parece que é disso que se trata a um ritmo muito significativo de 29.989,5 milhões de € em 2006, de 27.542,5 milhões em 2007 e 30.354,7 milhões previstos para 2008, verbas estas claramente superiores a todas as outras que constam como financiadoras do nosso Estado. Triste resultado da deambulação que fiz pelo site da Direcção Geral do Orçamento.

 

Infelizmente, os temores iniciais tinham fundamento e assim fico a saber que não será ainda desta vez que o Senhor Fernando me conseguirá embrulhar um sonho.

 

Lisboa, Novembro de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

CRÓNICAS DO BRASIL

Estória que a história não contou

 

Alferes Joaquim José da Silva Xavier

 

 

Recostada no seu canapé, a vetusta senhora de ar altivo e risonho gostava de receber os amigos e aqueles curiosos que ao passar por Uberaba faziam questão de conhecer a neta de Tiradentes.   Na juventude fora uma jovem alta e esbelta, de pele clara, quase rosada, rosto comprido, oval, de uma beleza helénica. Usava os cabelos, agora alvos como o algodão, caídos em madeixas sobre os ombros, vislumbrando ao olhar de quem a via talvez a figura do avô. Porém sofria de um mal, a epilepsia, que a acompanhou até quando a sua vida findou.

 

Dona Carolina Augusta Cesarina contava que no final do século XVIII chegou a Vila Rica do Ouro Preto, capital da Província, um casal, que suponha ser português, com três filhas. Eles vinham do Rio de Janeiro para cuidar de uma quinta de uns frades cariocas. Os outros dois filhos do casal haviam morrido jovens, quando ainda serviam na tropa.  

 

A quinta, cercada por um muro alto de pedras, ficava perto da Estação de Ferro, próxima à vila. Os recém-chegados foram morar numa casa que vivia em tal sossego que se podia dizer que lá ninguém havia. Todas as manhãs o senhor Manuel da Silva saía para trabalhar nas terras, levando uma provisão de boca e só voltava à noitinha quando o sol se punha.   Na época das colheitas a mulher, Dona Maria Josefa Silva, e as filhas (Eugénia Joaquina da Silva, Maria Eugénia da Silva e Leonarda Eugénia da Silva) acompanhavam o velho homem para ajudá-lo no trabalho.   Cuidadosas, sempre tinham o hábito de fechar bem as portas que davam para a rua. Os produtos da quinta eram enviados ao Rio de Janeiro, para os frades.

 

Assim por alguns anos viveu essa família, em total paz e recato, até que um dia o velho Manuel se finou. Para aquelas mulheres, sem expediente para enfrentar a vida, foi uma desgraça. Inexperientes, sem um homem que tomasse à frente na lida, abandonaram o serviço dos frades. Logo a miséria bateu-lhes à porta.   A viúva não aguentou o embate, as dificuldades, os medos e privações tornaram-na demente. As filhas viram-se na necessidade de procurar fazer alguma coisa para manter a mãe e a elas mesmas. Quando a senhora se via sozinha, aproveitava a oportunidade e fugia para a rua, chamando em altos brados pelo “seu” Manuel.  A triste situação das jovens tornou-se por todos conhecida, inclusive pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, que estando na vila, condoído passou a socorrê-las sempre que elas precisavam. Tornou-se amigo e intimo da casa e do coração de Eugénia. E desse relacionamento nasceu um menino a quem deram o nome de João. Mas Tiradentes tinha outros planos. Mobilizava-o as ideias de independência que os outros inconfidentes acalentavam, talvez por não tão nobres e patrióticos motivos.

 

As reuniões secretas, longe dos olheiros do reino, o trabalho da divulgação dos ideais iluministas, as conversas de beira de estrada, eram riscos que sabia que corria e foi por isso que procurou o amigo Joaquim Almeida Beltrão. Pediu-lhe que tomasse João como seu filho e desse-lhe o nome da família, pois tinha receio que, falhando a conspiração, a criança sofresse algum tipo de retaliação. Queria dessa maneira pô-la a salvo da justiça do reino. O açougueiro, ciente da trama, mas dela não participando, aceitou levá-lo para sua casa e criá-lo como filho, deu-lhe o nome de João de Almeida Beltrão.

O tempo e a história mostraram que o receio de Tiradentes tinha fundamento. Durante a sua militância foi traído, preso no Rio de Janeiro, julgado, enforcado, esquartejado e sua descendência considerada infame até à geração dos seus netos.

 

Na casa de Joaquim Almeida Beltrão João crescia, mas não o amor dos pais adoptivos. Era com frequência que Eugénia Joaquina, que morava perto, o ouvia chorar com os maus-tratos que recebia. Para a mãe tornou-se insuportável ver o sofrimento do filho. Até que certo dia, ouvindo-lhe os gritos, foi bater à porta do açougueiro e pediu-o de volta. Joaquim de Almeida Beltrão não se recusou em devolver a criança, mas ameaçou Eugénia de revelar à Justiça Portuguesa a paternidade de João, caso ela fizesse queixa das agressões que o menino sofria. Temerosa de ver o filho ser arrancado novamente de seus braços, calou-se e levou-o para casa. Criou-o com todo o cuidado, ocultando sempre a sua paternidade.  Já havia dois anos que Tiradentes fora enforcado.

 

João cresceu no lar de sua mãe. Aprendeu a ler e o ofício de ourives. Como tinha boa aparência e excelente índole, assentou praça na cavalaria. Foi destacado para Quartéis-Gerais do Espírito Santo do Indaiá para fiscalizar o contrabando de ouro e diamantes. Nesse lugar viveu e casou com Maria Francisca da Silva, filha de rico fazendeiro local. Nove filhos nasceram desse casamento, sendo Carolina Augusta a 5ª filha do casal.   Quando João passou do arraial para a fazenda Boa Vista, agora em situação mais folgada, mandou buscar a mãe (Eugénia Joaquina da Silva), as tias (Maria Eugénia da Silva, Leonarda Eugénia da Silva) e a avó materna Maria Josefa da Silva.  

 

Segundo a senhora Carolina Augusta Cesarina, sua avó Eugénia Joaquina era bastante gorda e caprichosa. Tinha a tez clara, diferentemente do que dizem alguns relatos históricos que a dão como mulata. Passava os dias no quarto, queixosa, fiando ou cuidando dos netinhos. Lá mesmo muitas vezes comia as refeições, levadas pelos escravos de João. Sua vida resumia-se a reviver os tristes episódios da morte de Tiradentes. Sentia-se presa ao passado e à memória do pai do seu filho. Mesmo com a independência do Brasil, sentia-se assombrada pela ideia fixa que algo ou alguma coisa pudesse vir a acontecer-lhe.

 

Quando João falava com seus escravos, chorava. Lembrava-se da maneira de falar alto de Tiradentes.

 

Leonarda, a tia de João, quando ia à fazenda, costumava ficar sentada na varanda contando estórias para Carolina Augusta, quando ela era ainda pequena.   Certa ocasião, vendo o sobrinho saindo para o terreiro, disse para a sobrinha-neta: “Minha filha, quem nunca viu Tiradentes o conhece vendo teu pai!” Foi assim que a jovenzinha soube do parentesco com o mais conhecido mártir brasileiro. Quando ela morreu, em 30 de Setembro de 1905, em Uberaba, deixou para sua filha Gavina Augusta Cesarina um cordão fino de ouro de pince nez, que seu pai, João, recebeu de sua mãe, que por sua vez ganhou de Tiradentes.

 

Esta estória foi tomada da senhora Carolina Augusta Cesarina, pelo seu bisneto, José Ricardo Lima, dois meses antes de ela falecer em Uberaba, aos 86 anos, e repassada ao historiador António Borges Sampaio que a registrou e está no livro:

Uberaba; História, Fatos e Homens (António Borges Sampaio).

 

Resumo e adaptação de

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 07/11/07

 

 

 

VICE-REINADO DO PRATA – DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA - 7

 

A ANARQUIA E O CAUDILHISMO – A ÉPOCA DE ROSAS

 

 

 

Final da parte 6: Rosas se sobressai no cenário argentino durante a luta contra Darrego e Lavalle. Ao subir ao poder e para governar ele deverá resolver a contradição existente entre o campo e a cidade. Deverá conjugar os dois processos para impor ao país a sua autoridade. Embora seja uma força do partido federal, fará como homem do campo e com os seus meios, a política do grupo urbano.

 

 

 

A ascensão de Rosas assinala uma etapa característica no processo histórico da anarquia e do caudilhismo: com ele uma nova ordem começa a se gerar. Ao tomar o poder, o caudilho formado na província de Buenos Aires está no mesmo plano em que vivem e se agitam os caudilhos das demais províncias. Mas como a sua é a mais importante, a mais rica, aquela que está em contacto directo com o exterior, aquela que polarizou as actividades nacionais e que sempre pretendeu submeter as outras -  ainda as que haviam alcançado a autonomia - Rosas será levado a empreender a grande tarefa de reduzir o caudilhismo dispersivo e fragmentário transformando-o em caudilhismo hierárquico. Ele será a figura central e suprema.

   

A sua época pode ser dividida em dois períodos,  em que o primeiro é preparação para o segundo:

 -  Período de consolidação: transformação do caudilhismo dispersivo em caudilhismo hierárquico;

-  Período de autoridade absoluta: a partir do acabamento daquela transformação; o caudilhismo gerara o seu contrário.   

 

Rosas empreende essa luta com tenaz energia, com áspera violência e com habilidade política própria da época, fundada no emprego de todos os meios, sem escolha; de certo modo ela encerra uma etapa da vida argentina. No primeiro período, quando Rosas se transforma de caudilho provincial em caudilho nacional, aproveita as divergências provinciais e lança uma contra as outras. Acontece, então, a redução progressiva dos poderes que resistiam à autoridade de Buenos Aires. Quiroga, caudilho de La Rioja e Bustos, caudilho de Córdoba,  lutaram contra Paz auxiliados por outros chefes menores. Paz triunfa no interior e luta contra a coligação do litoral comandada por Rosas. É o unitarismo contra o federalismo.

 Juan Perón Juan Domingo Perón Sosas (1895-1974)

O aprisionamento de Paz e a derrota de seu substituto La Madrid, representa a liquidação do unitarismo, mas não representa com clareza o triunfo do federalismo, porque o quadro não mostra o poder das províncias e sim o poder dos caudilhos. Estes nem sempre podem ser confundidos com aquelas. Rosas, enquanto representante aparente do federalismo vitorioso, fará uma política nitidamente unitária. Para caracterizar melhor a sua acção, renuncia ao poder depois de exercê-lo por menos de dois anos e vai combater os índios no sul auxiliado por outros caudilhos. Essa ausência tornará a sua pessoa desejada, porque com ela a anarquia que ameaça a autoridade de Buenos Aires retoma o seu ímpeto. Os governos intermediários entre a sua renúncia e o seu regresso ao poder mostram-se e confessam-se impotentes. A Assembleia de Buenos Aires o indica e os eleitores o escolhem. Rosas aceita e investe-se de poderes extraordinários, sem limites de tempo para exercê-los.

  Jorge Rafael Videla Redondo (1925 - )

Vai empreender então a sua tarefa específica, aquela que definiu a sua figura histórica. Para empreendê-la, usará da violência sob todas as formas, mas também de um elemento novo, corruptor e eficiente como nenhum outro: o confisco. Rosas destruirá economicamente os seus opositores e beneficiará os seus partidários. Mais do que a violência, a espoliação económica caracteriza a sua acção política. Esses opositores refugiam-se nos países vizinhos, fomentam a rebeldia anti-rosas, conjugam pouco a pouco os factores e elementos que o ditador fere ou contraria, os internos e os externos.

   

Contra Rosas levantam-se, sucessivamente, unitários, caudilhos, províncias: Beron de Estrada, em Corrientes; Mazza, em Buenos Aires; a coligação do norte (Tucumã, Salta, La Rioja, Catamarca, Jujuy), La Valle, Paz, Rivera, Madarriaga. Ao seu lado lutam outros caudilhos: Quiroga, Aldao, Echague, Oribe, Benavides, Urquiza. Os problemas complicam com as intervenções externas. Rosas, ao mesmo tempo que consolida o predomínio de Buenos Aires esmaga  ou neutraliza os caudilhos, submete as províncias, entra em choque com forças estrangeiras poderosas que, em vão, tentara conciliar. A guerra contra a sua ditadura será ao mesmo tempo uma guerra civil violenta e apaixonada e uma guerra externa. Muitos dos que lutavam ao seu lado transformam-se em adversários. Urquiza é o mais destacado dentre eles. Passo a passo,  à medida em que a essência de sua política se desvenda,  o abandono de partido aumenta. Quando a luta armada irrompe, o ditador está reduzido a resistir na praça de Buenos Aires: e suas tropas serão batidas às portas da cidade.

 

Fim.

 

Fonte:

Werneck Sodré, Nelson

As Razões da Independência, Rio de Janeiro; Editora Civilização Brasileira S.A., 1978 pgs 134, 135.

 

Therezinha B. de Figueiredo

Belo Horizonte, 6 de Novembro de 2007.

SALVEMOS A LIBERDADE

A PROPÓSITO DO REENCAMINHAMENTO DE MENSAGENS

 

 

Recebi este anexo [i] e, depois de reflectir sobre o seu conteúdo, resolvi tecer algumas considerações, como forma de mostrar a minha concordância com o que apreendi e de complementar a sugestão nele implícito.

 

Eu e, certamente, os destinatários dum modo geral,  já estamos saturados de receber anexos que nada ou pouca coisa dizem, muitos deles a repetirem-se ou simplesmente a travestirem-se, isto é, mantendo um conteúdo já muito difundido,  apenas mudando a roupagem. Sucede que muita gente vê a caixa encher-se até ao limite da sua capacidade, muitas vezes tendo de eliminar mensagens por falta de tempo para as ler, o que acaba anular a intenção subjacente à comunicação.

 

Se bem repararmos, pouco ou nada essas mensagens acrescentam à nossa informação, cultura, inteligência  ou mesmo recreação. Não raro, concluímos que o acto de aceder aos seus conteúdos é em si uma ruinosa utilização do nosso tempo, quando podíamos empregar a mesma disponibilidade mental  a conversar uns com os outros, a trocar ideias sobre questões da actualidade nacional ou internacional ou mesmo sobre problemas pessoais  ou familiares que, mesmo triviais,  revestem mais proveito mútuo do que  essa torrente de anexos quase sempre deficitários de interesse ou significado.  Mas há casos mais graves. Por exemplo, já estou farto de receber anedotas rasteiras sobre políticos ou mails carreando denúncias não provadas sobre figuras públicas, anedotas ou denúncias quase sempre convenientemente urdidas e canalizadas por quem delas espera obter a prazo um determinado proveito, uma vez que elas acabam por corroer deleteriamente a imagem dos visados, destruindo-os ou desalojando-os dos cargos que ocupam sem ser pelo escrutínio público ou por ponderada e acertada decisão de quem de direito. Acho que o cidadão civicamente bem formado deve apagar imediatamente esse tipo de  mensagem, não pactuando com o seu reencaminhando, pois é a melhor maneira de matarmos a serpente que alguns, traiçoeiramente,  sem mostrarem o rosto, inoculam dentro do ovo que espalham por esse ciberespaço fora, para consecução dos seus próprios objectivos pessoais. Sempre apaguei, sem ler,  os venenosos mails que recebi a maltratar a imagem do Santana Lopes e agora do José Sócrates, tencionando não vacilar neste procedimento no futuro, sejam quais forem os visados, por entender que quem dá a cara publicamente ao serviço de um  estado de direito e democrático deve merecer um mínimo de respeito cívico. Até mesmo os mails que recebi a visar anedoticamente o Bush passei a tratá-los do mesmo modo, eu que alinho com a crítica acérrima à política internacional do presidente norte-americano.  É que se assim não procedermos, estaremos  a fazer  figura de títere ou a servir de pau mandado de alguns mentecaptos ou gente de má índole que por aí anda e merece ser desmascarada ou, no mínimo, neutralizada.  Mal iremos nós se, com o nosso inadvertido procedimento, difundirmos no novel espaço media, a acção de gente sem princípios ou gente simplesmente despeitada com o êxito de outrem,  gente que, enfim,  não tem qualquer solução para os problemas da colectividade,  mas que se regala com o prazer sádico de perturbar a vida nacional e não deixar governar.  Como só a longo prazo poderá resultar o psicotratamento dessa gente, ao menos que não lhe estendamos hoje, incautamente,  o megafone. Saibamos, sim, é utilizar o sentido do nosso voto nos momentos próprios e não engrossar cada vez mais o efectivo dos abstencionistas.

 

É claro que de vez em quando chegam às nossas caixas alguns anexos que primam pela diferença, mas são raros como rara é a excelência do produto estético e espiritual.  Por outro lado, os anexos com mensagens de índole religiosa ou moralista têm vindo também a abusar da nossa paciência, pela sua exagerada frequência e pela  receptividade do seu conteúdo, isto para não referir a filosofia maniqueísta em que incorrem regra geral. Devemos recusar esse tipo de imiscuição na esfera da nossa espiritualidade, vindo sabe-se lá de onde.

 

Quero com isto tudo dizer que doravante passarei a privilegiar, na minha comunicação com os amigos e familiares, as mensagens de cunho pessoal que nos aproximem mais uns dos outros e nos façam reflectir mais profundamente sobre os problemas reais.  O que não quer dizer que, seleccionando,   deixe de reencaminhar conteúdos recebidos que me pareçam  ter real valor informativo ou cultural, pese embora o subjectivismo da minha escolha.

 

E isto tudo sem qualquer intenção de proselitismo, pois, pelo contrário,  o meu desejo é aprender continuamente com o vosso contributo.

 

Adriano Miranda Lima



[i] - Mensagem em power point referindo que o reencaminhamento de mensagens sem qualquer cunho pessoal acrescentado é uma manifestação de amizade por parte de quem está muito ocupado ou que não sabe o que dizer mas que se quer manifestar de algum modo.

Conselhos para dormir bem

 

 

Gerir dinheiro não é tarefa fácil, mesmo que seja de uma maneira amadora, como a maioria da população faz,  em casa ou no seu escritório, para fazer o dinheiro render, atender às  necessidades ou expectativas financeiras. Exige cálculos, disciplina nos gastos, projecção futura, atitude e constância, coisas que nós simples mortais, pelo menos a maioria, não consegue fazer. Por isso, muitos profissionais ou homens de negócios precisam de alguém que lhes ensine algumas "condutas", como as da administradora Carla Jimenez, para dormir tranquilo:

 

"1. Faça uma poupança  com no mínimo 10% dos ganhos para investimento.

2. Para quem é iniciante no mercado financeiro, o fundo de investimento deve ser atrelado a juros ou a renda fixa. 

3. Depois de acumular 10 ou 12 salários (reserva de emergência), recomenda-se  diversificar as aplicações.

4. Os imóveis devem ser até 25% do seu património. Acima disso só um tempo determinado, ou no inicio da carreira.

5.Tenha 10 a 15 % das reservas dos recursos em activos atrelados a moedas estrangeiras (euro, dólar, ouro). Primeiro para momentos de crise, segundo para património.

6. Tenha  um plano de investimento privado (não mais que 25% do valor do seu património, acima disso é um recurso parado).

 

E para administrar bem o seu dinheiro lembre-se dessas regrinhas básicas:

 

1. É preciso ter prioridades, disciplina e atitude

2. Quanto mais se ganha menos se controla os gastos

3. Ter dívidas é falta de planeamento financeiro

4. Quem não administra bem o que tem, acaba na penúria,  sem dinheiro

5. Nos gastos é preciso ter sempre auto-controle.

6. Confiança em demasia é o primeiro passo para o descontrole.

7. O tropeço começa nas pequenas dívidas.

8. Poupar é criar hábito de guardar."

 

Depois dessas dicas todas, acho que essa Sra. era mineira!

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 25/08/07

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