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A bem da Nação

SER AÇORIANO

Poça Branca
Vitorino Nemésio, homem das artes e das letras das Ilhas Atlânticas, descreve os açorianos, seus conterrâneos ...
 
“Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale tanto como a história, e não é debalde que nossas recordações escritas inserem dos cinqüenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como sereias, temos uma dupla natureza: somos de carne e de pedra. Os nossos ossos mergulham no mar”.
 
A pesar de correr o risco de ser redundante ou simplória, atrevo-me a dizer que o emigrante açoriano é um corajoso, um batalhador, que mesmo na sua simplicidade demonstra ter hombridade e personalidade.
Nascido numa terra vulcânica, instável por natureza, desenvolveu intuitivamente uma percepção aguda daquilo e daqueles que o rodeiam. Tem humor lábil, como o tempo das ilhas que muda de repente, ao sabor dos ventos e das correntes. Rijo de corpo e de espírito talhados na labuta dura de tirar da terra o seu sustento, sonha com um futuro melhor. Ama o mar, que para ele é saída e entrada para o mundo e para a vida, e a ele se integra como elemento fundamental.
Ser arraigado aos seus costumes e valores, amante e ciumento dos seus e das suas coisas, dá-lhe um caráter um tanto individualista, um pouco egoísta. É da beira do cais, olhando o horizonte, onde o mar encontra o céu, que sonha o outro lado do mundo conhecer e conquistar. E quando isso acontece, lá no estrangeiro, chora saudades do “seu” lugar e fala sempre em voltar, nem que seja apenas para as raízes reencontrar ou para na lava negra dos Açores para sempre descansar.
 
Maria Eduarda

PRESIDENTE, VÁ SE F….!

 

 Não sei se é desespero ou ignorância. Pode ser pelo convívio com as más companhias, mas eu, com todo o respeito que a "Instituição" Presidente da República merece, digo ao senhor Luis Inácio que vá se f…. Quem é ele para dizer, pela segunda vez, que tem mais moral e ética "que qualquer um aqui neste país"? Tomou algumas doses a mais do que o habitual, presidente?

Esta semana eu conheci Seu Genésio, funcionário de um órgão público que tem infinitamente mais moral que o senhor, Luis Inácio.

Assim como o senhor, Seu Genésio é de origem humilde, só estudou o primeiro grau e sua esposa foi babá. Uma biografia muito parecida com a sua, com uma diferença, a integridade. Ao terminar um trabalho que lhe encomendei, perguntei a ele quanto eu o devia. Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Olha doutora, esse é o meu trabalho. Eu ganho para fazer isso. Se eu cobrar alguma coisa da senhora eu vou estar subornando. Vou sentir como se estivesse recebendo o mensalão.

Está vendo senhor presidente, isso é integridade, moral, ética, princípios coesos. Não admito que o senhor desmereça o povo humilde e trabalhador com seu discurso ébrio.

Seu Genésio, com a mesma dificuldade da maioria do povo brasileiro, criou seus filhos. E aposto que ele acharia estranho se um dos quatro passassem a ostentar um patrimônio exorbitante, porque apesar tê-los feito estudar, ele tem consciência das dificuldades de se vencer. No entanto, Lula, seu filho recebeu mais de US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares) de uma empresa de telefonia, a Telemar. E isso,  apenas por ser seu filho, presidente! Apenas por isso e o senhor achou normal. Não é corrupção passiva? Isso é corrupção Luis Inácio! Não é ético nem moral! É imoral!

E o senhor acha isso normal? Presidente, sempre procurei criar os meus filhos dentro dos mesmos princípios éticos e morais com que fui criada. Sempre procurei passar para eles o sentido de cidadania e de respeito aos outros. Não posso admitir que o senhor, que deveria ser o exemplo de tudo isso por ser o representante máximo do Brasil, venha deturpar a educação que dou a eles. Como posso olhar nos olhos dos meus filhos e garantir que o trabalho compensa, que a vida íntegra é o caminho certo, cobrar o respeito às instituições, quando o Presidente da República está se embriagando da corrupção do seu governo e acha isso normal, ético e moral?

Desafio o senhor a provar que tem mais moral e ética que eu!

Quem sabe "vossa excelência" tenha perdido a noção do que seja ética e moralidade ao conviver com indivíduos inescrupulosos, como o gangster José Dirceu (seu ex-capitão), e outros companheiros de partido, não menos gangsteres, como Delúbio,  Sílvio Pereira, Genoíno, entre outros.

Lula, eu acredito que o senhor não saiba nem o que seja honestidade, uma prova disso foi o episódio da carteira achada no aeroporto de Brasília. Alguém se lembra? Era início de 2004, Waldomiro Diniz estava em todas as manchetes de jornal quando Francisco Basílio Cavalcante, um faxineiro do aeroporto de Brasília, encontrou uma carteira contendo US$ 10 mil e devolveu ao dono, um turista suíço. Basílio foi recebido por esse senhor aí, que se tornou presidente da república. Na ocasião, Lula disse em rede nacional, que se alguém achasse uma carteira com dinheiro e ficasse com ela, não seria ato de desonestidade, afinal de contas, o dinheiro não tinha dono. Essa é a máxima de Lula: achado não é roubado.

O turista suíço quis recompensar o Seu Basílio lhe pagando uma dívida de energia elétrica de míseros 28 reais, mas as regras da Infraero, onde ele trabalha, não permitem que funcionários recebam presentes. E olha que a recompensa não chegava nem perto do valor da Land Rover que seu amigo ganhou de um outro "amigo".

Basílio e Genésio são a cara do povo brasileiro. A cara que Lula tentou forjar que era possuidor, mas não é. Na verdade Lula tinha essa máscara, mas ela caiu. Não podemos suportar ver essa farsa de homem tripudiar em cima na pureza do nosso povo. Lula não é a cara do brasileiro honesto, trabalhador e sofrido que representa a maioria. Um homem que para levar vantagem aceita se aliar a qualquer um e é benevolente com os que cometem crimes para benefício dele ou de seu grupo e ainda acha tudo normal! Tenha paciência! "Fernandinho Beira-Mar", guardando as devidas proporções, também acha seus crimes normais.

Desculpe-me, 'presidente', mas suas lágrimas apenas maculam a honestidade e integridade do povo brasileiro, um povo sofrido que vem sendo enganado, espoliado, achacado e roubado há anos. E é por esse povo que eu me permito dizer: Presidente, vá se f….!

Adriana Vandoni Curvo

Professora de economia, consultora, especialista em Administração Pública pela FGV/RJ.

E-mail: avandoni@uol.com.br

          Blog: http://argumento.bigblogger.com.br/

O VICE-REINADO DO PRATA

DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA
              A ANARQUIA E O CAUDILHISMO  - A ÉPOCA DE ROSAS
 
 
 
     Em As Razões da Fragmentação vimos que a nova política comercial espanhola continha a semente da contradição e que a prosperidade da metrópole espanhola induziu o movimento pela autonomia das suas colônias na América do Sul. O desenvolvimento das colônias continha , por sua vez, a semente da penetração inglesa e o seu domínio posterior. Como o grupo mercantil portenho aceitara e se beneficiara das medidas do novo sistema de comércio, esse mesmo grupo aceitaria e se beneficiaria do sistema imposto pela expansão inglesa. Sem constituir capital comercial suficiente para construir a produção manufatureira, mantendo unicamente o setor de circulação comercial, a burguesia portenha seria empresária de uma revolução pela autonomia frustrada, reduzida ao plano político. A Argentina constituiria, como o Brasil, dependência econômica e financeira da Inglaterra por todo século XIX e em grande parte do século XX, quando representou o último suporte do imperialismo inglês nesta parte do continente - o último a ceder lugar ao norte-americano.
 
 
                  A ANARQUIA E O CAUDILHISMO - A ÉPOCA DE ROSAS
 
    Buenos Aires conservava a primazia econômica e política desde que se tornou independente do julgo espanhol.
    Para consolidar a primazia política apoiou na sua alfândega, que lhe assegurou a fonte de enriquecimento e a influência sobre o território do antigo vice-reinado garantindo os direitos de entrada e distribuição de mercadorias. Para consolidar a primazia econômica, procurou estabelecer uma estrutura unitária de que seria o centro, ditar uma constituição escrita e adotar uma solução monárquica na pessoa de D. Carlota Joaquina. As bases de apoio para assentar a estrutura do novo País iriam ferir as demais partes do antigo vice-reinado. Em particular a segunda, uma vez que o sistema de monopólio imposto pela cidade comercial do estuário representava uma alteração do sistema de monopólio espanhol vigente até a autonomia. Sendo assim, a primazia econômica teria o papel apenas de cobertura em relação à primazia política. Ao contrário de promover a unidade, a autonomia transformou em agudas as antigas contradições e fez emergir as causas de fragmentação existentes no vice-reinado. A luta agora seria das províncias contra Buenos Aires.
 
          " Sacudiram o julgo da Espanha para receber Buenos Aires ..."
 ( ...)  " O governo de hoje, como o de Maio, é o governo dos povos argentinos por Buenos Aires e para Buenos Aires". ( ...) A soberania da Nação é uma palavra; sua dependência colonial em relação a Buenos Aires, é um fato".
"Todos os gêneros e artigos que do estrangeiro se introduziam em Buenos Aires pagavam ali os impostos de alfândega e pagavam também os impostos de extração que dela se fazia para as províncias".
"Na alfândega de Buenos Aires pagava-se um direito de depósito, um direito de reembarque; e todos esses impostos gravitavam sobre os demais povos argentinos, a que tais mercadorias eram levadas para consumo". "A federação era uma palavra sem sentido. A realidade era um poder tirânico da alfândega de Buenos Aires que, com os recursos de toda a nação, mantinha as províncias humilhadas".
 
 
     O desenvolvimento da navegação a vapor surge como uma nova condição e fator de agravamento do desequilíbrio platino. A navegação a vela era mais trabalhosa, consumia tempo e dificultava o fluxo das importações e sua distribuição. A função política dos rios data aos primeiros tempos da colonização, porque possibilitavam as penetrações e o povoamento. A função econômica ligada ao transporte encontrava obstáculo na vela. Ao longo dos rios de águas profundas do Paraná, Paraguai e Uruguai nasceram  e desenvolveram, dependentes de suas águas, praças comerciais importantes que em alguns casos eram subordinadas à lenta e difícil navegação a vela anterior à máquina a vapor. As localidades servidas pelos rios e roteiros terrestres ressentiam do contato direto com o exterior, contato esse monopolizado por Buenos Aires, de que dependiam. O advento da navegação a vapor possibilitava o uso das águas interiores, o transporte rápido, barato e volumoso e por isso os portos fluviais passaram a ter nova importância. Na navegação a vapor estava o progresso das áreas ribeirinhas. Santa Fé, Corrientes, Paraná, Assunção, Salto teriam nela o seu futuro econômico assegurado e, com elas as regiões que serviam. Abertos os rios, livres para o comércio, desenvolver-se-iam extraordinariamente e também as regiões delas dependentes.
 
Continua.
 
 
Campo Belo, 11 de agosto de 2007
Therezinha B. de Figueiredo   
 

CRÓNICAS DO BRASIL

A DOLCE VITA
 
Finalmente! Algumas regiões do Brasil atingiram níveis tais de desenvolvimento que os funcionários públicos pouco têm que fazer. Como exemplo, o Pará. Terra bonita, floresta ainda deslumbrante, gente hospitaleira, Estado com 6,5 milhões de habitantes, 1.250.000 quilómetros quadrados (2,5 vezes a França), o PIB per capita anda por cerca de 1.000 Euros por ano (tudo gente rica!), só 66% das crianças em idade escolar frequentam as escolas, a taxa de analfabetismo nas zonas urbanas ronda os 11% e no interior chega a 30%, 3.800 quilômetros de estradas pavimentadas e 31 mil de terra, sexa madama governatriz dona Ana Carepa, do PT, como é evidente, liberou, "oficialmente", os funcionários públicos do trabalho às sextas feiras! Beleza pura!
Diz sexa governatriz que, populescamente, nada mais fez do que "oficializar" uma prática já tradicional naquelas paragens. Dona Carepa em vez de se eleger para valorizar o seu Estado e o país, valoriza assim as praias onde nada o pirarucu!
E com estas medidas de grande alcance sócio económico é natural que se consiga reeleger, e depois fará outro decreto para que não se trabalhe também às quintas. Acho que me vou mudar para lá!
Entretanto mais pelo Centro começa a definir-se o novo, futuro, presidente da res publica. O nosso grande líder já disse quem é o garotão que lhe agrada e a quem gostaria de passar a faixa. Jovem, solteiro, rico, boa pinta, governador minêro, vive metade do tempo nas boates de São Paulo, assegurando assim o voto das solteiras farristas, pertencendo ainda ao implodido e defunto partido que teoricamente deveria estar na oposição.
O jovem todo se derrete em frente de sexa grande líder, secretamente, no país onde os jornalistas tudo sabem e só divulgam o que lhes convém, trocam juras de amor, mas terá que mudar de partido para que o apoio seja mais ostensivo. Vai assim ter que criar um desentendimento com o ex-chefe FH para se justificar perante os eleitores e bandear-se para o PMDB, partido onde lutou o seu democrático avô, que, quando ministro da justiça mandou fechar o jornal que criticava o governo a que pertencia. Tudo gente fina. Que é outra coisa!
Fiquem atentos ao evoluir desta novela, aliás deste drama, porque ninguém se candidata a qualquer governo para governar, mas para SE governar.
Não se preocupe com isso, Aécio. A gente continua a pagar.
E continuará a obedecer às ordens de sua magestade o «puro» fidel, cada vez que algum cubano queira desertar no Brasil. Aqui não é país para acolher exilados políticos de países "muy amigos". Já o foi, de portas abertas a imigrantes de todos os tipos. Mas agora está a retroceder aos tempos vergonhosos de Olga Prestes, entregue por Getúlio aos nazis.
Mais outra derrota nacional para o grande líder e seu conselheiro Marco Aurélio, que lhes permitirá rir e fazer gestos ignominiosos de vitória sobre a democracia!
Esta é de amargar.
 
Rio de Janeiro, Agosto de 2007
Francisco Gomes de Amorim

LIDO COM INTERESSE - 19

 
 
 
Título«Diário de Leal Marques sobre a formação do primeiro
                 Governo de Salazar»

Fátima Patriarca.jpg

AutoraFátima Patriarca

 
Editora – Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
              
Edição – “Análise Social” – Vol. XLI, 1º Trimestre 2006, pág. 169 e seg.
 
 
 

Antero_Leal_Marques_1930_1941.jpg

 

 
Poucos serão os portugueses actualmente vivos que já tenham ouvido falar de Antero Leal Marques e ficarão por certo espantados ao saberem que este farmacêutico foi Chefe do Gabinete de Salazar durante uma dúzia de anos, entre 1928 e 1940.
 
Dá para imaginar, num país com 900 anos de História, quantas personalidades ainda estarão envoltas nas brumas da nossa ampla e faustosa ignorância …
 
Pois foi esse desbrumar que a Dr.ª Fátima Patriarca, Investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, nos proporcionou com este trabalho.
 
Trata-se da explicação do manuscrito do «Diário» em apreço que abarca o período compreendido entre os dias 28 de Junho e 11 de Julho de 1932, ou seja, o relativo à formação do primeiro Governo do Doutor Salazar e nele se compreende como foi complicado gerir um processo cheio de nuances.As subtilezas tinham muito a ver com o regime – República ou Monarquia – mas também havia que considerar a indisciplina que grassava no Exército, na Marinha e na Guarda Nacional Republicana.
 
A mudança de regime foi claramente um processo de transição morosa e traumática em que o alevantamento dos espíritos era frequentemente fomentado por quem pretendia ver satisfeitas mordomias a que se habituara ou a que se queria habituar. O jogo de interesses e a “prestação de serviços” está claramente exposto neste «Diário»: por ele se vê como os quartéis tiveram que “ser postos em sentido” e como foi necessário induzir o “sentido de Estado” a todos aqueles que se queriam manter na política.
 
Transparece como evidente que a preparação do terreno que o Doutor Salazar pisou em muito se deveu ao trabalho do General Domingos de Oliveira que não contou com polícias secretas nem terá recorrido a procedimentos democraticamente menos deontológicos. O autor do «Diário» tece-lhe mesmo assinaláveis encómios com os quais o General se comoveu e … comover um General não será uma tarefa de cumprimento diário, presumo.
 
O «Diário» é antecedido de uma breve apresentação em que a Autora resume a biografia de Antero Leal Marques, nomeadamente nos períodos anterior e posterior à época em que trabalhou directamente com o Doutor Salazar e ao longo do texto do documento transcrito vai produzindo Notas do maior interesse identificando as personalidades amiúde nomeadas de tal forma que o leitor se consegue integrar no ambiente descrito.
 
Para além do mérito científico que o trabalho evidencia, trata-se de uma leitura muito agradável que nos faz compreender os acontecimentos sem a influência da actual propaganda política e que nos incentiva à descoberta de outras personalidades ocultas que nos espreitem lá dos recantos em que se encontrem na História de Portugal.
 
 
Tavira, 10 de Agosto de 2007
 
Henrique Salles da Fonseca

A presença negra em São Jorge (Açores)

 
 
Segundo Gomes Eanes de Zurara, os primeiros captivos africanos chegaram a Lisboa em 1433 e, em meados do século XVI, havia numa população de 100 000 pessoas
10 000 escravos negros e mouros -(dados do padre Manuel Azevedo da Cunha).
 
Quando famílias portuguesas vieram para ilhas dos Açores (séc. XVI), para povoá-las, trouxeram serviçais negros, cuja origem mais freqüente era Cabo Verde e Brasil. Alguns constituíram família entre si e outros com sujeitos de raça branca.
 
Com o final da escravidão e o tempo, as pessoas negras foram desaparecendo ou se diluindo na miscigenação.
Lembro-me que quando menina, na Ilha do Faial, onde nasci, nunca ter visto pessoas da raça negra. Só em Lisboa, quando passei por lá (1955), rumo ao Brasil, é que as vi pela primeira vez.
 
 Na Ilha de São Jorge, a presença negra é constatada através da toponímia, romances, relatos e lendas.
Baía do Negro (sul da ilha), Baía do Mulato (costa norte), Grota do Negro (na freguesia da Ribeira Seca), romance da Bela Infanta (menciona os escravos da casa), e de Frei João do Romanceiro de São Jorge (de Manuel da Costa Fontes) são demonstrações da presença negra na colonização açoriana.
 
Na atualidade, com a grande onda imigratória vinda das antigas colônias africanas e do Brasil, pode-se ver com muita freqüência pessoas negras nas ilhas açorianas.
 
Maria Eduarda
 
Ref. Bibliográfica: O Nosso Falar Ilhéu
(Olímpia Soares de Faria)

CARTA ABIERTA A JOSÉ SARAMAGO




Muy señor mío

Me perdonará Usted mi pobre castellano, pero desde anteayer me entero de la urgencia de praticarlo. Al "Diário de Notícias" de Lisboa predijo Usted esto: "acabaremos por integrar-nos" en España. Preguntado por el periodista Joao Ceu e Silva si nuestro país seria entonces "uma província de Espanha"(le sigo citando en nuestro antiguo idioma), Usted contestó: "Seria isso.
Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal".
Claro, nos asegura, podremos conservar nuestra lengua, nuestras costumbres, y así mismo creo yo nuestro fado, pero (no lo dijo, uno entiende) nos gobernaria el jefe de estado madrileño del momento. Y aunque diga Usted que no es profeta, no hay que olvidar su proverbial modestia. En fin, para gente sencilla como yo, sus palabras son un caritativo aviso del destino.
Pues, señor, no y no. Usted, el más famoso de mis compatriotas, se permite en público unos juegos muy guapos de futurología. Pero se los guarde para sus libros, los cuales están perdiendo el suspense de antaño. Créame, el real futuro de un Portugal integrado en España lo conocemos ya muy de cerca.
Está visible en la Galicia de hoy, donde la lengua dominante, y los derechos dominantes, y los partidos dominantes, son los de Madrid. Esto no es futurología, si no lo qué uno ve. Si quiere verlo.
No creo que sea su caso, Don José. Me contaran que, hace poco, visitó Usted Galicia invitado por el Pen Club. Le rogaran que hiciera su discurso en Portugués. Todos podrían entenderle, sin problema, si hablara en nuestra hermosa variedad de gallego. Usted - como otras veces ya en Galicia – recusó y habló en Español.
Muchas gracias en realidad. Ahora sabemos cómo hablarán, en la Província española de Portugal, los futuros traidores.

Amsterdam, 17 de Julio de 2007
Fernando Venâncio
(Professor universitário e crítico de literatura)

CRÓNICAS DO BRASIL

PUBERDADE DIFÍCIL
 
Povos há, países, ou nações, que há séculos ou milénios viram o seu nascer, crescer atravessar o apogeu e hoje pouco mais do que subsistem, como o Egipto, a Grécia, e até o Portugal da época quinhentista. Outros que, lá pelas bandas da Mesopotâmia, perderam Babilónia e Passárgada procuram, pela demagogia, força e petrodólares afirmar-se na conjuntura económica mundial. Esses vão buscar à história, ou deveriam fazê-lo, as raízes para se soerguerem e voltarem a ocupar lugar de destaque entre as nações modernas. Todos pertencem ao hemisfério Norte. No Sul só a Austrália e Nova Zelândia caminham a passo certo, sem hesitações nem pretensões hegemónicas e com o respeito da comunidade internacional. Com responsabilidade.
Por aqui, nesta América ao Sul, a puberdade encontra os «jovens» países, de duzentos anos, meio perdidos, raízes esquecidas ou propositalmente ignoradas e deturpadas, por terem origem colonial, e lembram aqueles garotos rebeldes que atribuem todo o mal das suas ações aos pais! Aos pais ou a governos anteriores, ou a outrem, sempre a outrem, sem que os (ir)responsáveis assumam uma postura de dignidade, verdade e interesse nacional. Parece terem medo de assumir-se como adultos.
Depois deste desenrolar catastrófico do último acidente de aviação da TAM, do anterior com a GOL, do apagão aéreo sobre a Amazônia, o total desmoronar do congresso, a implosão da oposição por desmedidas ambições, ficou, mais uma vez evidente o abandono, o descaso com a res publica.
Em Janeiro deste ano o (des)governo anunciou o famoso PAC com investimentos de bilhões em áreas menos essenciais, porque esqueceram as infraestruturas!!!
São passados sete meses e o tal PAC de R$ 500 bilhões não sai do papel! Anunciou-se esse PAC com festa e alarde e os economistas na ocasião já afirmavam que tudo isso era pura mentira porque esses $500 bilhões não existiam, nem se antevia onde os ir buscar!
O grande líder foi vaiado no Maracanã. Primeiro atribuiu as vaias às elites. Agora diz que foi a classe média. O povo, segundo ele, não vai ao Maracanã e nem dinheiro tem para isso, porque não existe formação de empregos nem melhoria na redistribuição de renda, continua a achar que o Lula é que é bom porque é comanóis! Está certíssimo. É inculto e, pior, desonesto. Há anos a enganar o povo, vai passar à história, ele e o PT, como uma fraude e um atraso no desenvolvimento do país. O desenvolver um país é, antes de mais, dar instrução e cultura, sofrer com os desastres e alegrar-se com as vitórias. Aqui dá-se «bolsa-família» para o miserável não trabalhar e votar no PT.
Não cresce, o Brasil, em consciência e sabedoria.
O tal país do futuro, continua, intencionalmente, a protelar esse futuro, parecendo não querer sair da puberdade. Pode comparar-se a essas garotas, como as Hilton, as Lindsay e as Britney, milionárias, bêbedas, drogadas, arrogantes, que são o delírio dos papparazzi e a vergonha da sociedade que pensa e trabalha.
Como aqui. Os altos escalões pertencem a um clan rico, inescrupuloso, só deles, arrogante e fechado, que ri dos dramas nacionais, dos quais parece nem sequer tomar conhecimento!
Difícil.
 
Rio de Janeiro, Agosto de 2007
Francisco Gomes de Amorim
 

O JOVEM E A SEXUALIDADE

 
Apesar das regras sociais contemporâneas mais liberais e dos avanços médico-científicos,  a discussão da sexualidade dos jovens ainda para muitos pais e educadores é um tabu, um receio que gera sentimentos de insegurança e ansiedade, principalmente quando se trata dos próprios filhos.
 
As motivações para o sexo na adolescência são muitas. Desde o chamado biológico, quando o jovem desperta para a sua função reprodutora, aos estímulos e solicitações ambientais, que vão da inclusão na ”turma”, passando pelas deseducadoras influencias da mídia, através da moda e novelas da TV , até os comerciais recheados de erotismo, na tentativa económica de abarcar um público que compre o seu “peixe”.
 
É obrigação dos adultos prepararem e alertarem a geração mais nova para os problemas de saúde que o sexo sem protecção e responsabilidade acarreta. O difícil é que muitos daqueles que deveriam ensinar são reprimidos por tabus que trazem do seu histórico pessoal-familiar ou do pouco conhecimento sério que têm sobre o assunto. Alguns até apresentam problemas com a sua própria sexualidade, precisando eles também de  assistência especializada.
 
Já na infância a criança deve ser orientada. A curiosidade sobre de onde vêm os bebés e as perguntas sobre as diferenças sexuais devem ser respondidas com naturalidade e simplicidade, à medida que surgirem. As figuras materna e paterna, primeiros modelos do feminino e masculino, reflectirão na criança e a ensinarão a lidar com as individualidades. Depois a escola e a interacção com os colegas deverão complementar e ampliar esses aprendizados. Aulas elucidativas darão aos adolescentes maior aprofundamento e compreensão que eles precisam ter para uma vida naturalmente saudável.
 
No entanto a discussão da sexualidade na escola, e de uma forma geral, ainda não é consenso. Enquanto alguns pais encaram com certo alivio a possibilidade dos professores assumirem essa responsabilidade, tirando-lhes um peso dos ombros, outros acham que esse assunto não deve ser explorado para não despertar precocemente a criança para essa área, negando assim ao estudante o acesso ao real conhecimento.
 
No Brasil, o Serviço Público de Saúde oferece programas específicos para os adolescentes onde eles podem receber atendimento, orientação e recursos para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas. As estatísticas confirmam: Entre as jovens mais escolarizadas e esclarecidas há menor  índice de gestações e de DST que entre aquelas que não frequentam as escolas.
 
Maria Eduarda Fagundes
27/07/07

CRÓNICAS DE TIMOR

 
Cooperação Agrícola – Inauguração de Estação de tratamento de café em Ermera
 
O PADRTL – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural de Timor-Leste – promove o apoio à comunidade rural na actividade agrícola e agro-florestal, contribuindo assim para o aumento dos seus rendimentos, e por conseguinte, para a melhoria da sua situação económica e das condições de vida. São três as grandes áreas de intervenção:

A) No distrito de Aileu, onde a partir da Quinta de Portugal e em estreita parceria com as comunidades, a aposta vai para a produção de espécies para a reflorestação e diversificação de culturas, como as hortícolas e frutícolas. Abrangendo também o distrito de Manufahi, o PADRTL promove ainda a expansão das culturas de rendimento, como as especiarias e a baunilha.

B) Capacitação Institucional e promoção de parcerias com departamentos da administração pública, com a UNTL, ONG e outras agências de desenvolvimento, através de acções de formação, atribuição de estágios, e iniciativas de divulgação e sensibilização, bem como de informação, como é caso de programas de rádio, por exemplo.

C) Sobretudo no distrito de Ermera, onde apoia a produção do café, que é a principal do país e que constitui a maior exportação não petrolífera. O PADRTL forma os agricultores, promove a criação de associações de produtores e estabelece a ponte com as empresas compradoras. Ao mesmo tempo assegura a distribuição de plantas de café e promove a plantação de novos cafezais. A pensar no sucesso da cultura do café, foram criados 56 viveiros comunitários, cuja produção ascende a 450.000 plantas, na sua maioria sombreadoras essenciais à boa produção do café. Para além dos viveiros, a infra-estrutura criada pelo PADRTL inclui a criação de estações de tratamento de café, dotadas de terreiro de secagem e armazéns e apetrechadas com máquinas de despolpagem. São já 11 as estações em funcionamento.

Foi precisamente por ocasião da última inauguração da estação de Leguimea, em Hautuletan, Ermera, que o coordenador do PADRTL, Eng. Miguel Nogueira, escreveu um testemunho que reflecte o trabalho desenvolvido e que agora se partilha com os utilizadores do site.



"
RETOMAR O PASSADO NAS MONTANHAS DE TIMOR

Muito se fala de Timor e dos problemas que atravessa deixando uma imagem dessa terra fascinante que nem sempre é a melhor. Mas em Timor muito mais se desenrola do que agitação política, desentendimentos e processos eleitorais.

Lá nas montanhas imponentes e cheias de verde envoltas na bruma da manhã e nos vales rochosos onde aqui e acolá se destacam correntezas de água que alimentam os tradicionais terraços de arroz, à semelhança do que acontece um pouco por todo o Sul da Ásia continua a correr também o dia a dia dos camponeses ao ritmo dos passos do cavalo e dos labores agrícolas e longe das preocupações da cidade de Dili, onde muitos teimam em alimentar empoladas querelas de uma cidade capital.

É também lá nas montanhas que vive o verdadeiro Timor, o Timor agrícola, de gente simples e por vezes esquecida, mas que representa de longe a maior fatia da população e que por isso importa lembrar. É disso que trata o trabalho dos agrónomos do “Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural de Timor-Leste” e que desde há seis anos continua a tentar entender os problemas do camponês timorense e a levar-lhe algumas soluções que o ajudem a melhorar a sua condição. A eles lhes chamaram há pouco os “Missionários do Café”.

O Programa que o PADRTL/IPAD desenvolve tem tido recentemente um grande incremento, de que já foi nota em vários meios de comunicação social, sobretudo na imprensa portuguesa e timorense e por esse facto e como pareceria mal não o fazer, oportunamente se leva esta menção à “Newsletter” do IPAD e à Página da “Embaixada de Portugal em Timor-Leste”.

A história de Ermera e do seu café, de Aileu e das plantações de árvores exóticas e especiarias, de Manufahi e do cultivo da baunilha começa a escrever-se de outra forma, que não só de abandono e pobreza. Aqui a história é outra e o esforço conjunto que portugueses e timorenses têm levado a cabo, começa a ter uma dimensão e resultados que provam como se pode escrever Cooperação com letra grande.

Retoma-se uma história antiga de namoro português com a ilha do “Crocodilo” que como diz a lenda deu origem ao Timor montanhoso. E assim continuam os portugueses a insistir no café de Timor, ainda considerado por muitos como um dos de melhor qualidade no mundo e que constitui para Timor a sua maior exportação não petrolífera e mais importante que isso, a quase exclusiva fonte de rendimento do agricultor nacional.

Investe-se também nas especiarias, e já não em caravelas nem em efémero comércio marítimo, mas numa rota diferente por veredas e aldeias, fomentando plantações familiares e criando viveiros um pouco por toda a parte, motivando a “febre” da produção do cravinho, da noz da Índia, da canela e da pimenta para a qual o país tem tanta aptidão.

Estão já implantados no terreno em três dos treze Distritos de Timor cinquenta e seis viveiros prevendo-se um total de quase 450.000 plantas produzidas este ano para distribuição pelas comunidades rurais. Grande parte deste esforço centra-se na produção de plantinhas de café, pois que infelizmente o cafezal de Timor padece de ser um dos mais antigos do mundo, sendo a sua produtividade largamente afectada pelo facto.

Por esta razão o PADRTL está de parabéns pois segundo relatórios relativos ao trabalho anterior a 1975, o ritmo de replantação de então foi já substancialmente ultrapassado e isto com recursos materiais e humanos tão escassos comprovando mais uma vez a capacidade do português no que toca ao trabalho nas regiões tropicais.

Para além desta actividade muito mais se tem realizado e pequenas e grandes conquistas têm sido efectuadas agora não tanto sob a forma de feitos guerreiros e campanhas de pacificação, mas nas campanhas de arroz e de sensibilização nas escolas sobre a importância da floresta e do ambiente e no benefício do café onde ao invés de conquistar praças e erigir fortalezas, temos sido fortes em construir novos e velhos Centros de Benefício de Café, alguns de tempos imemoriais perdidos nas matas de Timor. E não contra, mas com a ajuda das populações locais contando já com mais três unidades este ano, o que perfaz onze no total. Também aqui a história está quase retomada, pois que em 1974 haviam vinte e quatro Centros a operar em Timor.

E porque não só de passado se deve falar, rumamos agora para novos Projectos e estamos já ocupados em ainda este ano avançar numa nova ideia de plantação em larga escala de centenas de hectares de plantações mistas de coqueiro para aproveitamento de óleo e cajueiro destinado a exportação de castanha de caju, intercalado com espécies de madeiras nobres, como a Teca, o simbólico Sândalo, o Pau-rosa e o Mogno. Para isso estabeleceremos novos técnicos e viveiros nas costas de Bobonaro a Norte e Cova Lima a Sul, esperando desenvolver uma rede de viveiros e plantações com uma densidade sem precedentes levando às inúmeras comunidades pobres da costa o mesmo espírito que se espalha na montanha.

Esta é realmente a nossa Missão Agrícola que retoma a história e lhe dá seguimento tendo por grande objectivo Cooperar com um povo que ainda a Portugal se teima em ligar e com uma nação que tem muito para dar, muito para aprender e sem dúvida muito também para ensinar. Esperemos que o nosso trabalho continue em direcção a “bom porto”.

Dili, 27.07.2007

Miguel R. Nogueira
 

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