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A bem da Nação

OS PORTUGUESES MAIS +++

 

 

Curioso! Esta espécie de consulta que a RTP fez há pouco tempo aos portugueses para saber quem seriam os mais "+" da nossa história!

 

Deu Salazar em primeiro ou segundo lugar, Álvaro Cunhal a seguir, e até um senhor, cônsul de Portugal numa cidade de França, cheio de mérito inegável, que durante a guerra concedeu uma porção de vistos a judeus que queriam fugir do nazismo, e só.

 

O erro da RTP foi ter limitado a cem o número de concorrentes ao "grande prémio". Sei que o Eusébio também se classificou, e tinha direito a isso. Quando este grande futebolista estava no auge da sua carreira, talvez em 1967, eu fui à Alemanha e visitei diversas fábricas. Numa delas ao ser apresentado ao big Schiffspatron e lhe disse que ia de Angola, Portugiesich Western Afrika, o gesicht, o cara, mostrou os dentes e exibiu os seus conhecimentos de geopolítica dos pés: Oh! Já! Ja! (leia-se iá, iá) Portugal, Benfica, Eusébio! Sehr Schoen!

 

Era pouco para o que eu esperava do dono de uma empresa, e sorridente respondi-lhe no meu melhor alemão (que não falo): Ja! Ja! (outra vez iá, iá) Deutschland, Hamburg, Hitler!

 

Como era de prever por ali acabou a nossa animada conversa, mas nem por isso deixámos de negociar.

 

Sem querer mostrar sapiência, creio que se o Salazar, com uma ditadura, inevitável, que a anarquia que o antecedeu provocou, conduziu o país por quase 40 anos, livrou-o da decadência econômica, da corrupção, e ainda da 2ª Guerra Mundial, merece lugar de destaque, o Álvaro Cunhal, só porque foi um comunista ferrenho... desacredita, não a consulta da RTP, mas o nível cultural, ou de interesse da população. Por Portugal nada fez.

 

Está-se bem a ver como terá sido essa votação: o chefe dos comunas avisou que quem não votasse no velho líder era considerado fascista, e então a malta toda correu a manifestar o seu voto, talvez duas ou três vezes cada um. Para votar em Salazar não é necessário ser saudosista, mas realista, e ver o que ele fez pelo país. É verdade que prendeu, torturou, obrigou a que grande número das melhores cabeças pensantes do país tivessem que fugir, esqueceu-se que a passagem pela terra é limitada em tempo e não preparou o país para a democracia nem o diálogo para que as colónias seguissem o inevitável caminho.

 

De qualquer modo Salazar, Álvaro Cunhal e Aristides de Sousa Mendes aparecerem à frente do Infante D. Henrique... é como se diz por Lisboa "é de cabo de esquadra"!

 

Há outros nomes na votação que são uma delícia. O Eusébio lá ficou em 15° lugar, mas o Salgueiro Maia e Mário Soares antes de Santo António ?!?!?! E o Pinto da Costa antes de Nun'Álvares Pereira?!

 

Por fim em 21° lugar surge, humilde, como foi em vida, o nome duma das maiores figuras dos últimos tempos em Portugal, de quem, na próxima crónica vou falar um pouco, que a muito não me atrevo, o Mestre, o Professor Agostinho da Silva.

 

Para finalizar, quantos terão votado no grande rei D. Dinis, 24° (!) a quem se deve Portugal não ter perdido uma imensidão das suas terras com a plantação do Pinhal de Leiria, que serviu mais tarde para a construção de caravelas e naus para a expansão do mundo ocidental, que ordenou que os documentos oficiais passassem a ser redigidos na língua portuguesa em vez do latinório macarrônico ainda em uso no início do seu reinado, que criou a primeira Marinha de Guerra organizada, etc. Coitado do D. Dinis... em 24°!

 

E a pensar que mais votos do que este Grande Rei teve, por exemplo, um cara que é treinador de futebol!!!

 

E o insano Vasco Gonçalves à frente de Bartolomeu Dias, ou o Jorge Sampaio de Gil Vicente, Fernão Mendes Pinto e Damião de Góis?

 

Portugal! Ignorância, maldade ou achincalhamento?

 

 

Rio de Janeiro, 7 de Junho de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um Aeroporto Internacional de Lisboa para todo o século 21


ABAIXO ASSINADO

Versão completa

http://www.civil.ist.utl.pt/~mlopes/conteúdos/Ota/OtaSintese.pdf



Nos últimos tempos, tem sido discutida, com bastante vivacidade, a questão do Novo Aeroporto Internacional para Lisboa (NAL), tendo vindo a público várias tomadas de posição do âmbito político, técnico e empresarial e também da própria sociedade civil.

Verifica-se que os técnicos tomaram, em esmagadora maioria, uma posição muito reservada, relativamente à opção de localizar o Aeroporto Internacional de Lisboa, na Ota. As questões levantadas prendem-se com as condicionantes que se verificam, ao nível da construção e da operação, nomeadamente, em termos aeronáuticos.

Por outro lado, os sectores regionais e as forças vivas em cada região, têm vindo a assumir posições de defesa de localização do aeroporto, apenas baseadas em interesses e critérios regionais.

Verifica-se também que, em todos os partidos, têm havido muitos que vêm pondo em causa a opção da Ota, questionando a razão de se ter escolhido aquela localização.

Considerando:

Que todos os estudos comparativos, realizados antes da última tomada de decisão, em Novembro de 2005, indicavam que as alternativas de localização do Novo Aeroporto de Lisboa, na Península de Setúbal, (nomeadamente na zona entre Rio Frio e Poceirão) eram mais favoráveis do que na Ota, para a esmagadora maioria dos parâmetros (em termos aeronáuticos, de construção civil, de ordenamento do território, de interligação com outros meios de transporte, de custos, de possibilidade de faseamento, e de expansão, etc.);

Que os estudos de impacte ambiental, para comparação das duas soluções, foram realizados a um nível preliminar, e numa primeira abordagem punham em causa a opção de construção de qualquer Novo Aeroporto. Por outro lado, os estudos elaborados foram considerados demasiado preliminares para poderem ser conclusivos;

Que o aeroporto internacional de Lisboa na Ota tem problemas de construção, porque vai ocupar uma zona muito sensível sob o ponto de vista geotécnico, hidráulico, agrícola, ecológico, e ambiental;

Que o aeroporto internacional de Lisboa na Ota será muito caro e terá de ser feito de uma só vez;

Que o aeroporto internacional de Lisboa na Ota não tem capacidade de expansão após a sua saturação, prevista para 2040 (a sua construção estará concluída em 2017, pelo que teria apenas 23 anos de amortização);

Que se estima que as taxas de aeroporto serão muito elevadas;

Que as questões ambientais que justificaram o parecer negativo ao aeroporto na Península de Setúbal só se têm aplicado ao caso do aeroporto, não se compreendendo porque é que neste caso a questão ambiental tenha mais importância do que para outros investimentos efectuados na zona;

Que é preciso construir um novo aeroporto quando a Ota saturar e nessa ocasião haverá impactes mais gravosos: mais um aeroporto em operação na zona da Mega-Lisboa; escolha de um local para o novo aeroporto que em princípio terá de ser entre Rio Frio e o Poceirão, ou então no meio da planície alentejana;

Proposta
Os abaixo assinados vêm:

· pôr à consideração dos órgãos de soberania (Presidente da República, Assembleia da República e Governo da República) as suas preocupações sobre a localização do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, na Ota;

· solicitar que sejam realizados estudos que permitam definir qual a melhor localização de uma infraestrutura aeroportuária para a zona de Lisboa

que melhor sirva Portugal e os Portugueses, a curto, médio e longo prazo;

que melhor sirva Lisboa e a sua mancha de crescimento (Mega Lisboa), e que tenha em conta um desenvolvimento francamente elevado, mas também harmonioso e sustentável do território em volta da capital;

que seja muito favorável sob o ponto de vista aeronáutico;

que seja a que conduz à construção mais barata e mais rápida;

que seja aquela que possa ser feita por fases e que tenha a possibilidade de ser evolutiva, evitando um investimento inicial muito elevado;

que tenha capacidade de expansão para todo o século 21;

que esteja bem integrada nos vários sistemas de transporte existentes e a criar e nas bases logísticas e a criar;

que permita o crescimento de uma interface intermodal com os outros modos de transporte rodoviário, ferroviário (rede normal e rede de alta velocidade), portuário e logístico;

que considere a questão ambiental, com coerência e bom-senso, evitando tomadas de posição fundamentalistas e potencialmente comprometedoras do desenvolvimento económico do país.




Professores do Instituto Superior Técnico




[Seguem-se as assinaturas de 114 Professores do Instituto Superior Técnico]

http://www.civil.ist.utl.pt/~mlopes/conteúdos/Ota/OtaSintese.pdf

Os OTÁ...rios

 

Voei a primeira vez em 1954, entre Luanda e Benguela. No melhor avião que já se construiu até hoje, o famoso "Dakota - DC3". Desde esse tempo, perdi a conta ao tipo de aviões em que andei, desde os "teco-tecos" monomotores aos "Jumbo" (horríveis, com tanta gente).

 

 

Milhas voadas? Nem sei. Gosto de andar de avião, gosto de viajar, mas aeroportos... detesto! Muita gente, muita burocracia, muita hora perdida em esperas inúteis - só uma vez, numa viagem de 5 dias e 3 vôos esperei sentado em duros bancos mais de 24 horas!  O que me tem lavado a por vezes trocar o avião pelo combóio ou trem, como se diz e não usa por terras brasileiras. Não se usa, porque trens de longo percurso não existem, ou não funcionam, ou...

 

Neste momento a bagunça nos aeroportos, sobretudo do Rio e de São Paulo é aviltante. Atraso médio dos vôos: 3 a 4 horas e o governo... não sabe, não vê, não ouve, não...

 

Entretanto vão chegando informações e polémicas sobre um novo aeroporto em Lisboa! Aumenta-se a capacidade do atual, vai-se para um novo ao sul do Tejo em Rio Frio ou em Ota?

 

Pelo que as minhas coordenadas geográficas me permitem entender da questão, e porque já li pareceres de gente que raciocina sem intere$$es em qualquer das alternativas, tenho por mim, cuja opinião nada vale, mas que assim mesmo a emito, que:

 

1.- Ou há grande negociata atrás de tudo isto ou os intervenientes são, em sua maioria... burros;

 

2.- Como seria muita falta de modéstia classificar tão ilustres técnicos que se debruçam sobre o assunto, de burros, cheira a que tudo está mesmo à volta de altí$$ima negociata.

 

3.- Aumentar a capacidade da Portela seria certamente a decisão do tão querido e agora votado Salazar: economia é a base da riqueza, ou produzir e poupar, manda Salazar.

 

4.- Se o volume de tráfego aéreo e de passageiros esperado nos próximos anos for de muito considerável aumento, talvez tenha que se prever outra alternativa:

 

4a.- Rio Frio (os donos das herdades não receberam já, talvez há uns 15 a 20 anos um primeiro pagamento feito pelo Estado?): lugar desafogado, até bonito, que vai ter que abater uns milhares de sobrêras e acabar ou diminuir a criação de gado bravo, tão querido aos resíduos marialvistas portugueses. Segundo os especialistas o impacto ambiental será mínimo.

 

4b.- Ota: hipótese mais recente, terrenos envolventes já adquiridos, dizem as más línguas, pelos espertos, para depois serem indenizados, movimentação de terras em volumes quase inimagináveis, o desmonte de um monte, um custo muitissimo superior a qualquer das hipóteses anteriores, sem possibilidade de mais tarde (quando?) poder crescer, e um complicado ataque ao ecosistema.

 

Vem agora a público um autorizado político afirmar que Rio Frio é um deserto! Beleza, né? Dubai é um deserto, Riyad é outro, mas Rio Frio, ó excelência! péraí! Vosmecê já lá foi? Conhece? Ou pensa, como já corre por terras lusitanas, que os dromedários são de lá oriundos?

 

Porque tanta ferocidade e tão cáustica opinião sobre Rio Frio? Será que vexa já comprou também terrenos à volta de Ota?

 

E pior ainda quando sexa ameaça os futuros utentes de Rio Frio com os terroristas!!! Diz o famigerado político que eles podem dinamitar a ponte Salazar (a mesma que ele e seus comparsas renomearam para "25 de Abril").

 

Vou-lhes contar um segredo, baixinho: eu não sabia que havia assim tantos terroristas em Portugal. Mas o tal sexa político do partido interessado na Ota... sabe. E não será esta afirmação uma espécie de "ameaça terrorista"?

 

Enfim, porque não se ficam na Portela, com umas obras que custam incomparavelmente menos, já que não se antevê que Lisboa venha a ser o destino turístico por excelência dos europeus!

 

Só as excelências políticas que estão agora no governo insistem em Ota! Porque? Aqui há gato!

 

E se os portugueses forem nesse papo furado, financeiramente furadíssimo, o habitual dos políticos... serão uns grande OTÁRIOS.

 

  31 de Maio de 2007

Rio de Janeiro,

Francisco Gomes de Amorim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O MAR COMO DESTINO

Se a diáspora é o preço que temos a pagar pela sobrevivência do nosso Centro, isso resulta de cá dentro não termos a dimensão suficiente para alcançarmos a viabilização no âmbito deste segundo processo de globalização.

 

É que, quando fizemos a primeira globalização do mundo, fomos nós que lhe definimos os contornos, as condições; hoje não controlamos o modo como esta segunda globalização se processa. Da primeira fomos os donos; na segunda pertencemos ao grupo das vítimas.

 

Foi o Império que nos salvaguardou da cobiça vizinha e chagámos a 1974 com um modelo mercantilista que diluiu por completo o esforço material de guerra; foi em 1975 que por exaustão política entregámos o Império a quem mais o cobiçava e, de regresso aos limites europeus, encetámos um processo de distribuição de riqueza … sem cuidarmos de saber se a riqueza existia.

 

E que riqueza poderia existir? Despojados do materialismo imperial e herdeiros de uma situação aviltante no que respeita à valorização humana (estimando-se o analfabetismo adulto em 1910 nos 90% e contando em 1974 com uma taxa ainda de 25%), não se via que desse modo pudesse existir forte estrutura intelectual, profissional e produtiva para que alguma coisa sobrasse e pudesse ser distribuída. E quando tudo indicava que primeiro haveria que fazer crescer o bolo, logo as bandeiras acenaram para a distribuição do que não existia, para o desequilíbrio comercial com o exterior, para o endividamento externo. Se a isto somarmos o encerramento da fraca estrutura produtiva abalada pelas canções revolucionárias, eis que a Administração Pública surge como o local certo para conseguir uma colocação vitalícia. E se a doutrina então vigente se compatibilizava com a tutela pública sobre as mais recônditas partículas da vida nacional, eis que o funcionalismo público cresce desmesuradamente alcandorando-se a um dos principais pilares do desequilíbrio das Contas Públicas e da geração de importantes tensões inflacionistas.

 

Estrangulado o Ocidente das matérias prima africanas, foi o líder comunista português condecorado Herói Soviético mas havia ainda que cercear a liberal Europa da sua franja atlântica pelo que foi nesta “parte mais fraca” que rufaram os tambores do colectivismo e da solidariedade proletária. E se desta última perspectiva nos libertámos imediatamente sem ajuda externa, já na perspectiva do longo prazo nos foi apontada a Europa como a tábua de salvação de mais misérias e desgraças. Corriam os tempos em que o Ministro das Finanças passava diariamente pelo Banco central a saber qual a disponibilidade momentânea de divisas e perspectivando desse modo o seu dia de trabalho; desvalorização monetária como artifício para a salvaguarda da competitividade nacional, espiral inflacionista, “cabazes de compras” com preços controlados, descrédito no sistema, incredulidade na viabilidade nacional, recurso ao Fundo Monetário Internacional. E no meio de tudo isso a mulher do então Primeiro-ministro a telefonar indignada ao Ministro do Comércio queixando-se de que no Chiado não encontrara uma única gravata de seda para o marido … A ser verdade o que se conta, Maria Antonieta também terá sugerido ao povo que comesse croissants, já que não havia pão …

 

Assente a poeira nos caminhos, constata-se com amargura que “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. E se tivéramos um modelo de desenvolvimento de lógica imperial e mercantilista, rapidamente constatámos que nada sabíamos por nós próprios fazer e que era chegado o momento de esmolar. E é precisamente isso que a Europa vem fazendo: dar-nos as esmolas que sublimamos com o faustoso apelido de Quadros Comunitários de Apoio.

 

Mas diz-se por aí que 2013 é o limite dessas esmolas. Ou seja, a partir dessa altura vamos ter mesmo que fazer alguma coisa de jeito.

 

E se Friedrich List (1789 – 1846) se suicidou em antevisão do insucesso internacional das suas ideias e, pelo contrário, Milton Friedman (1912 - 2006) tenha morrido já velho e em plena glória, isso não obsta a que o primeiro tivesse a razão dos pobres e o segundo a dos ricos.

Portrait of Friedrich List (1839)

Friedrich List - Avô da Economia Alemã

 

Eis que neste cenário da globalização friedmaniana se nos impõe afinal o regresso bem rápido à primazia dos bens transaccionáveis como “pão para a boca” em que – bem àquem da imagem parabólica – o mar se revela como sendo de novo o nosso destino.

 

Como há cinco séculos.

 

Lisboa, Junho de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

LÁGRIMAS DO BRASIL

 

OS MEDICAMENTOS

 

É sabido que, com excepção d’aqueles que per obras misteriosas se vão com aposentadorias milionárias – os compadres da corrupção – os demais mortais, à medida que os anos avançam, mais dificuldade têm em arranjar dinheiro para os indispensáveis medicamentos que os ajudem na velhice.

Também não é segredo algum que a indústria farmacêutica está em segundo lugar no comércio mundial, só ultrapassada pelo armamento. É portanto um chorudíssimo negócio.

Na Europa a Segurança Social paga um percentual variável dos remédios da população e na velhice, a sua quase totalidade.

Aqui, país tropical, onde os beija-flor, papagaios e tucanos vêm com regularidade alegrar a nossa vista pousando a poucos metros dos nossos já cansados olhos, a (in)segurança social não prevê essa ajuda no prolongamento menos sofrido da última parte da vida da população.

Neste momento, e Deus sabe se não será pelo resto da vida, tenho que tomar nove medicinas diariamente. Tive que estabelecer um check-list para não me enganar o que é de manhã, ao almoço, ao deitar, etc. Uns são para o coração, outros para anemia, outros ainda para equilibrar os efeitos colaterais de alguns deles e por aí vai a festa.

Os preços dos mesmos medicamentos variam de farmácia para farmácia, tal como um bife com batatas varia do boteco para o restaurante cinco estrelas, com a diferença que a pílula não tem odaliscas a servirem-nos, nem copos de cristal para as engolirmos (as pílulas!).

Há que fazer uma consulta à praça!!! Piada? Não é piada. É assim mesmo. Vejamos o que se constatou em cinco farmácias

                                      Preço Mínimo          Preço Máximo          Dif. em %

Medicamento   A                  28,40                          67,98              + 139 %

                      B                    6,38                            8,86               + 39 %

                      C                    3,63                            8,10              + 123 %

                      D                  10,16                          12,70               +  25 %

                      E                    6,82                          10,42              +   53 %

e por aí vai. O pior é que não é uma farmácia que tem todos os melhores preços, e assim os vovôs peregrinam para salvar uns Reais aqui e outros além, antes de seguirem de vez para o tal Além. Descansados, sem preocupação de consultas a ladrões!

Mas muita sorte ainda temos, porque nos concursos públicos para fornecimento a hospitais a roubalheira é tanta que por vezes os mesmos medicamentos, sem impostos, de lucro reduzidíssimo, em embalagens hospitalares, aos milhares ou milhões, etc., chega a custar aos cofres públicos mais do que nas ditas farmácias!

Faltam oftalmologistas e otorrinos! Porque ninguém vê, ninguém sabe, ninguém ouve, o clamor dos doentes que se acercam dos hospitais e estes estão com a medicação em falta, as salas cirúrgicas a necessitar de obras, os médicos e restante pessoal com os salários em atraso, os leitos e as macas podres ou enferrujadas.

Enfim! Uma festa. Fúnebre.

 

Rio de Janeiro, 30 de Maio de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

A REVOLUÇÃO COMERCIAL - Parte 5

                                    A Nova Sociedade
 
 
Final da parte 4: O desenvolvimento do comércio e da indústria, durante a Revolução Comercial, acentuou a necessidade de sistemas monetários mais estáveis e uniformes. O problema foi resolvido mediante a adopção, por todos os Estados mais importantes, de um sistema-padrão de dinheiro para ser usado em todas as transacções dentro de seus limites geográficos.
 
 
                          O Mercantilismo na Teoria e na Prática
 
Em suas fases posteriores, a Revolução Comercial fez-se acompanhar da adopção de um novo conjunto de doutrinas e práticas conhecido como mercantilismo. Em seu sentido mais amplo o mercantilismo pode ser definido como um sistema de intervenção governamental com o fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado. Embora seja muitas vezes considerado como um programa de ordem exclusivamente económica, seus objetivos eram em grande parte políticos. A finalidade da intervenção nos assuntos económicos não era somente expandir o volume da indústria e do comércio, mas também trazer mais dinheiro para o tesouro do rei, o que lhe permitiria construir esquadras, prover exércitos e tornar seu Governo temido e respeitado em todo mundo. Devido a essa estreita associação com as ambições dos príncipes, empenhados em aumentar o próprio poder e o dos Estados que dirigiam, o mercantilismo é, às vezes, chamado de estatismo. O sistema nunca teria existido se não fosse o desenvolvimento de uma monarquia absoluta em lugar da estrutura fraca e descentralizada do feudalismo. Os reis não o criaram sozinhos. Era natural que os novos magnatas dos negócios lhes prestassem apoio, pois o favorecimento activo dos negócios pelo Estado lhes traria vantagens evidentes. O apogeu do mercantilismo foi o período entre 1600 e 1700, porém muitas de suas características sobreviveram até o fim do século XVIII.
 Jean-Baptiste Colbert
Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), Ministro de Luis XIV, primeiro praticante do mercantilismo
Se algum princípio desempenhou papel central na teoria mercantilista, foi a doutrina do metalismo. Esta doutrina estabelece que a prosperidade de uma nação é determinada pela quantidade de metais preciosos existente dentro de seus limites. Quanto mais ouro e prata um país possui, mais dinheiro o Governo poderá recolher em impostos e mais rico e poderoso se tornará o Estado. Mas o que poderiam fazer os países que não tivessem colónias produtoras de ouro e prata? Como conseguiriam tornar-se ricos e poderosos? A nação que não tivesse acesso directo ao ouro e à prata devia tentar aumentar o seu comércio com o resto do mundo. Se o Governo de tal nação tomasse medidas para fazer com que o valor das exportações excedesse constantemente o das importações, a entrada de ouro e de prata no país superaria a saída. Chamara-se a isso manter uma "balança de pagamentos favorável". Faziam-se necessárias três medidas principais: primeiro, tarifas (aduaneiras) elevadas para reduzir o nível geral das importações e impedir completamente a entrada de certos produtos; segundo, prémios às exportações; terceiro, um amplo fomento à indústria, para que o país tivesse a maior quantidade possível de mercadorias para vender ao estrangeiro.
 
 António de Oliveira Salazar, (1889-1970), Presidente do Conselho de Ministros de Portugal, último praticante do mercantilismo
A teoria mercantilista incluía ainda certos elementos de nacionalismo económico, paternalismo e imperialismo. O primeiro significava o ideal de uma nação auto-suficiente. A política de promover novas indústrias não tinha em vista apenas aumentar as exportações, mas também tornar o país independente de fornecimentos estrangeiros. Da mesma forma, os mercantilistas sustentavam que o Governo deveria exercer as funções de um guardião zeloso sobre as vidas de seus cidadãos. Impunha-se a assistência aos pobres, que incluiria cuidados médicos gratuitos para os que não pudessem pagá-los. Essas coisas não deveriam ser feitas dentro de qualquer espírito de caridade ou justiça, mas principalmente para que o Estado pudesse repousar sobre sólidas bases económicas e para que tivesse, em caso de guerra, o apoio de cidadãos numerosos e sadios. Finalmente, advogavam os mercantilistas a aquisição  de colónias. Nesse caso, o objectivo principal não deveria ser beneficiar, individualmente, cidadãos da metrópole, mas tornar a nação forte e independente. Os tipos de possessões mais desejadas eram aquelas que pudessem aumentar os fundos nacionais de metais preciosos. Na falta dessas, seriam aceitáveis as colónias que fornecessem produtos tropicais, abastecimentos navais ou quaisquer outros artigos que a metrópole não pudesse produzir. Esse imperialismo baseava-se na teoria de que as colónias existiam para benefício das metrópoles. As colónias, então, não tinham permissão para se dedicarem à indústria ou à navegação. Sua função era produzir matérias-prima e consumir o máximo possível de produtos manufaturados. Com isso robusteceriam as indústrias da metrópole, dando-lhes vantagem na luta pelo comércio mundial.
 
Na maioria, os que escreveram sobre a teoria mercantilista eram filósofos e homens de acção pertencentes ao mundo dos negócios. Entre os primeiros estavam advogados do absolutismo político como o francês Jean Bodin e o inglês Thomas Robbes.
 
 
 
Belo Horizonte, 12 de Junho de 2007
Therezinha B. de Figueiredo   

A PARTILHA DO PÃO

 

Última ceia de Cristo. Conjunto de esculturas em madeira policromada da autoria do Aleijadinho, existentes no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais (Brasil).

 

Naquela noite, no fim da Ceia, o Senhor partiu o pão e disse: Tomai e comei TODOS.

Não deixou de fora nem aquele que por razões que ficarão para sempre ignoradas, o entregaria.

O Pão da Vida, ou simplesmente pão, é para ser dividido por TODOS. A ninguém pode faltar um pouco de pão, e ninguém em sã consciência consegue repousar a cabeça sabendo que cerca de dois terços da humanidade tem dificuldade, ou impossibilidade, de encontrar o pão nosso em cada dia!

A cegueira da cobiça, a ganância, deixa milhões de pães a apodrecer nos cofres de meia dúzia, enquanto alguns outros não têm mais força para levantar o braço e mendigar quaisquer migalhas.

A vergonha não é só “verde e amarela”, apesar de por estas bandas, onde plantando tudo dá, haver ainda muitos que não sabem, não querem ou não conseguem plantar para comer. O que se tem plantado muito é a planta da roubalheira. E como produz!

Diariamente assistimos a notícias que nos confrangem: milhares de desgraçados a procurarem, por meio dos maiores sacrifícios, sair de seus países de origem, a maioria em África, e entrar no que para eles é um autêntico Eldorado: a Europa. Quase todos são apanhados pelas polícias, repatriados e aí novamente entregues a si próprios, à sua miséria, ao descaso de milionários governantes.

Vê-se Dubai a crescer num esplendor luxuriante de petróleo, ouro e roubalheira, prédios imensos a saírem do chão para as alturas, onde os banheiros têm torneiras em ouro, e fora das vistas do esplendor, em míseras camaratas, os operários esfaimados vindos do Paquistão e outras vizinhanças, se acumulam, tendo que preparar a sua única refeição diária, porque trabalham 12 horas seguidas, para receberem no fim do mês $ 110. Espectáculo incessante em todas as longitudes do planeta, onde reina a mentira e a sem vergonhice.

Agora um dos ministros do nosso (des)governo foi apanhado com a boca na botija - botijinha de $ 100.000, - para liberar umas verbas públicas para a canalhada. Pressionado, teve que pedir demissão do cargo, clamando-se inocente e... pobre, que nem dinheiro tem para pagar a um advogado que o defenda de semelhante calúnia! É o máximo da desfaçatez, sabendo que o Estado tem obrigação de lhe arranjar um advogado público se ele provar a sua penúria.

Ao mesmo tempo o presidente do senado federal (minúsculas!) é denunciado, e provado, que tem inúmeros bens, propriedades e outros, em nome de terceiros porque não tem como justificar tamanha fortuna quem há trinta anos não faz outra coisa além de política. Chora e grita por sua lisura e, quem sabe, ainda acaba na presidência do país!

O pão não é para todos, nem sequer o Pão da Vida. A Terra terá uns 4,5 bilhões de anos, (cerca de um dia bramânico, igual a 4,32 bilhões de anos) e o homem, mesmo incluindo os pré sapiens somente 0,1% deste tempo. Dizem os hindus que estamos a viver a era do Kaly-Yuga, a era das desavenças, que dura 432.000 anos, a quarta e última de uma Maha-Yuga, igual a dez Kaly-Yuga, dos quais ainda só se passaram 5 mil.

Se a velha e grande sabedoria hindu estiver certa, quanto tempo ainda a humanidade vai esperar, para que com o pão nosso de cada dia o Tomai e comei TODOS seja a Verdade?

 

Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

 

CRÓNICAS DO BRASIL

CU... MOVENTE

 

 

A TV ontem deu-nos um espectáculo de fazer chorar as pedras da calçada! Em todo o Brasil não deve ter sobrado um lenço, uma toalha só, seca, de tanta lágrima ter tentado enxugar!

Povo sentimental, idóneo, isento, os de lá, sim, lá, dentro daquele covil a que só por antonomásia se chama o congresso nacional! (letra abaixo de minúscula.)

 sexa, o presidente daquela casa, ex-catedra de big chefe, pronunciou um cu... movente discurso para se ilibar das graves acusações sobre a sua corrupção. Apresentou um documento que justifica a propriedade de uma das suas fazendas e os outros... nada. Jurou inocência e garantiu que um inquérito será aberto pelas vias “competentes”. (Vias competentes em português de Brasília significa as “vias deles”, aquelas que acabam sempre por ilibar e elogiar o Ali Bábá).

 Ali Bábá guardou as suas riquezas numa caverna porque toda a gente sabia que ele as tinha roubado e por isso não as podia usar.

Tão cu...movente foi o discurso que ao seu final a corja, desculpem a camarilha, aplaudiu de pé e depois fez fila, bicha, fez bicha mesmo, para ir beijar a mão ao “injustiçado”! Cu... movia-se aquela bichona a passo fúnebre, todos os da mesma panela (deveria ler-se partido político, mas o vernáculo é mesmo panela, ou pizza) querendo abraçar, felicitar e beijar o pseudo justificado.

E o Brasil segue viagem. sexa nosso grande líder no final acabou também por se pronunciar com uma isenção impressionante: Ele é um homem honesto! e não pensou mais no assunto, porque daqui para a frente temos pelo menos um mês de apuração das falsidades e de preparação da grande pizza.

Comentar, chamar ladrão e outros nomes simpáticos, está já tão gasto que o melhor é juntar-me à bichona, seguir (só atrás) e beijar o facínora, aproveitando para lhe segredar ao ouvido: Ó seu filho de???, vá roubar a sua mãe!

Não há muito o que possa ser feito! Os ignorantes tecem teorias sobre o agir e roubar que até se comovem, de coração mesmo, quando se lhes demonstra que estão errados. A inocência do hábito. Assim, jamais o pão será para TODOS.

Rio de Janeiro, 29 Maio de 2007

Francisco Gomes de Amorim

A DIÁSPORA E O CENTRO

 

 

 

 

Sobranceiro à baía e bem por baixo da minha varanda, localizava-se em Lourenço Marques o Miradouro dos Duques de Connaught donde se dizia que se dali olhássemos com muita força havíamos de ver Lisboa.

 

A nostalgia dos lugares distantes que levou os portugueses à aventura, à diáspora e à conquista de um Império, revelava-se ali no sentido inverso, no das origens, da tranquilidade, do regresso ao centro.

 

E donde vem esse “formigueiro” que nunca nos deixa parar?

 

Se o povoamento da Europa se fez a partir do Levante como rezam as crónicas, das hordas que chegaram da Ásia seguindo a rota do Sol foram-se uns quantos fixando no caminho e seguindo em frente os demais. Ficavam os que entendiam que para eles bastava de aventura; seguiam os que queriam mais ou que não se acomodavam às normas sedentárias entretanto estabelecidas. Sede de aventura e inconformismo dá uma mistura que não é compatível com a pacatez dos sossegados. E se isto foi acontecendo ao longo dos milhares de léguas que distam da foz do Danúbio ao Cabo da Roca, fácil será compreender o grau de apuramento a que a dita mistura levou os que alcançaram o extremo ocidental e se debruçaram das arribas sobre o mar. Talvez seja esta a explicação para o queixume do General romano que dizia que cá nos confins da Ibéria havia um povo que não se governava nem se deixava governar . . .

 

Aqui chegados, eis o limite inultrapassável. E como já não havia fuga possível, começaram os problemas de meter num pequeno espaço tanto fervilhar de vontades.

 

Alcandorados entretanto uns quantos à tarefa do mando, cumpre a cada um garantir a sobrevivência do seu próprio feudo daí resultando na época medieval uma nobreza turbulenta mas entretida com a reconquista cristã. Quando em 1249 cai o último reduto árabe do Algarve, Silves, Portugal assume o actual território continental e ficam os irrequietos nobres portugueses sem mais com que se entreter do que com quezílias intestinas. Se a esta inquietude somarmos um clero de duvidosa formação doutrinária e moralmente desleixado, não encontramos motivos para deixar de compreender que tanto os camponeses como os pescadores fossem laboriosos à custa do embrutecimento a que foram remetidos por quem assim os queria para não levantarem ainda mais problemas do que os que já existiam. Como muito mais tarde viria a dizer Eça de Queiroz, a esta mole ignara somava-se uma população urbana de artesãos e servos que constituía uma «plebe beata, suja e feroz». E esta população urbana abandonara os campos em fuga da miséria ou a caminho do anonimato na escuridão de becos e azinhagas já que dois terços do solo português não têm qualquer vocação agrícola por serem esqueléticos, rochosos ou escarpados. E se a esta realidade somarmos um tenebroso regime pluviométrico de seca e enxurrada, bem se compreende que a escassa população medieval do Reino – um milhão, no máximo – era excessiva para a exploração das riquezas naturais do território.

 

Com permanente borbulhar de mentes inquietas em cenário de miséria interna e acossado pelo vizinho que não lhe perdoa a autonomia, Portugal só tem uma hipótese de sobrevivência: a conquista de além-mar.

 

Assim chegámos ao século XV; eis-nos de novo em tal situação neste início do XXI.

 

Afinal, também hoje temos na diáspora o preço a pagar pelo Centro.

 

Lisboa, Maio de 2007

  Aguarela de Francisco Gomes de Amorim

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

“A orla ocidental da Cristandade” – Boxer, Charles R. – Edições 70, Lisboa

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