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A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 15

 

 

 

Título: Bocage – a vida apaixonada de um genial libertino

Autor: Luís Rosa

Editora: Editorial Presença

Edição: 1ª, Dezembro de 2006

 

 

 

Apresentado como se tratando de um romance, é contudo um passeio muito plausível pela História de Portugal no período correspondente à vida do poeta.

 

Diálogos presumivelmente fictícios entre personagens historicamente identificadas e com muitas transcrições das obras mais relevantes do poeta, são 219 páginas de leitura fácil e agradável.

 

Sem pretensões de grande elevação filosófica, não deixa o autor de nos agradar com reflexões apropriadas ao contexto histórico que se viveu em Portugal na parte final do consulado pombalino, durante a Revolução Francesa e na “contra-marcha” desencadeada por Pina Manique. Interessante a perspectiva que nos transmite da Inquisição numa derradeira tentativa de sobrevivência entre a sociedade beata personificada pela Rainha D. Maria I já abandonada pela sensatez e o jacobinismo de muitos estrangeirados também eles avessos à ponderação.

 

Breve digressão pelas Províncias do Norte do Estado de Goa e a expressão da amargura que se apoderou de Bocage em resultado dos descaminhos em que se meteu não reconhecendo que estava a lidar com uma civilização diferente da sua mas certamente de grande elevação. 

 

 

SONETO DOS GAFANOS

(ou do impossível)

 

 

                                          Quer ver uma perdiz chocar um rato,

                                          Quer ensinar a um burro anatomia,

                                          Exterminar de Goa a senhoria,

                                          Ouvir miar um cão, ladrar um gato;

 

Quer ir pescar um tubarão no mato,

                                          Namorar nos serralhos da Turquia,

                                          Escaldar uma perna em água fria.

Ver uma cobra castiçar co’um pato;

 

Quer ir num dia de Surrate a Roma,

Lograr saúde sem comer dois anos.

Salvar-se por milagre de Mafoma;

 

Quer despir a bazófia aos castelhanos,

Das penas infernais fazer a soma.

Quem procura amizade em vis gafanos?

 

 

Deserção pela porta nascente de Damão para embarque clandestino rumo a Malaca e daí até Macau onde bate no fundo da escala e acaba por ser misericordiosamente embarcado para Lisboa.

 

Regresso à estroina da cidade e prisão no Limoeiro à ordem de Pina Manique; prisão nos conventos de S. Bento da Saúde (hoje, o Parlamento) e das Necessidades (hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros) à ordem da Inquisição; libertação e regresso à libertinagem até que os médicos lhe diagnosticam um aneurisma; modorra progressiva até ao dia em que o povo da cidade acorreu ao Largo do Calhariz para chorar a morte do seu poeta.

 

O livro chega ao fim com algumas frases bem aplicadas: «Morreu de vida cheia. Falou à vontade porque nasceu do lado do futuro. Por isso foi livre.» e encerra com a transcrição do célebre soneto

 

                                  Já Bocage não sou! … À cova escura

                                  Meu estro vai parar desfeito em vento …

                                 

É pena que não apareçam mais obras deste género sobre tantas outras figuras da nossa História que entretanto se vêem presas em livros de grande erudição mas maçudos e desinteressantes para quem não pretenda aceder a níveis de transcendência meramente escolástica.

 

Meritória divulgação duma simpática figura da nossa Cultura.

 

 

Lisboa, Abril de 2007

 

 Henrique Salles da Fonseca

O VICE-REINADO DO PRATA (Parte 5)

                          
 
       No final da parte 4 vimos que a Inglaterra coloca-se atrás de Portugal e do Brasil para atuar no Prata e que a questão platina com seus episódios militares é a longa história da luta da Inglaterra para dominar o mercado sulino. Teve seu último acto com a participação brasileira na guerra contra o Paraguai para quebrar o isolamento em que vinham mantendo os governos de Francia e dos Lopes. Esta foi a causa fundamental da questão platina.
 
 
       Agora veremos as Razões da Fragmentação do território argentino após a sua independência da metrópole espanhola.
 
 
     AS RAZÕES DA FRAGMENTAÇÃO
 
 
    Um dos sintomas mais eloquentes da nova política colonial espanhola, que destaca e reconhece a função principal de Buenos Aires, esteve no facto de que a Espanha recebia os seus créditos em uma alfândega. Assim o novo sistema repousava no comércio e nos tributos, que ele proporcionava à metrópole. Essa função do porto platino, principalmente sua alfândega, contém a semente da fragmentação territorial posterior à independência. O processo de ascensão desse porto acabaria por colocá-lo em antagonismo com as zonas do interior, a tal ponto que Buenos Aires poderia chegar a ser considerado como o porto "menos argentino possível". As franquias comerciais e a reivindicação que provocam de ampla liberdade de trocas levantadas em Buenos Aires como factor fundamental de que se aproveita, e confundidas ali com a própria independência, viriam representar séria ameaça, logo concretizada, às zonas do interior.
  
   Pela realidade comercial, que o contrabando, em primeiro lugar e o sistema de navios de registro, depois, vinha impondo e consagrando, Buenos Aires vira crescer a sua importância, tornando-se verdadeiro mercado das zonas comerciais espanholas do sul do continente americano. Na navegação direta e na ligação terrestre com Buenos Aires estava interessado o Chile; na navegação fluvial e no comércio com aquela praça estava interessado o Paraguai; o Alto Peru encontrava maiores vantagens em trazer ao estuário a sua prata e nele sortir-se de mercadorias de que necessitava do que no norte; a grande província de Córdoba de Tucumã via em Buenos Aires o seu porto natural; todos ansiavam por emancipar-se do julgo de Lima. De Assunção, desciam o rio, em jangadas, os produtos do interior e levavam em troca, os produtos de que Buenos Aires se fizera distribuidora. Do interior, por vias terrestres, chegavam as tropas de muares e as carretas, carregadas de produtos os mais diversos, regressando com tudo aquilo que a praça platina distribuía.
 
   Esse quadro comercial de novas linhas, a que o sistema dos navios de registro viria a dar considerável impulso e legalidade, contribuiria para desenvolver muito mais rapidamente a zona próxima do que as afastadas, as zonas ribeirinhas do que as do interior. Ao mesmo tempo fundamentava a preponderância do grupo mercantil sediado no porto do estuário, vinculados aos negócios europeus e cujo enriquecimento ia, pouco a pouco, contrastando com o padrão muito mais modesto da gente do interior. Nesse grupo, de início, preponderavam os espanhóis de nascimento. Os naturais da terra viam vedado o acesso à atividade da troca ou ela lhes era onerosa em virtude das taxas que incidiam sobre os produtos. Assim, o contrabando não cessou, porque a troca não proporcionou a todos as mesmas vantagens, nem se tornou aberta a todos.
 
   É esse o quadro que a criação do Vice-Reinado, de um lado, conferindo autonomia administrativa e libertação da tutela de Lima, vem sancionar, em 1777, enquanto de outro lado, a liberdade comercial, 1778, sanciona uma situação de facto, a que não era mais possível iludir. Caindo, de súbito, quer os motivos antigos do contrabando, quer os ónus dos impostos de entrada, baixavam os preços dos produtos, circulavam francamente, desenvolviam-se as trocas e parecia começar, para os povos platinos, uma fase económica de crescente prosperidade. O acto de liberdade comercial com os portos metropolitanos - que precede de duas décadas a liberdade de comércio com todos os povos - era acompanhado de outro, criando a Alfândega de Buenos Aires. Isto importava em reconhecer a posição comercial da cidade, em conferir-lhe a primazia no sistema de trocas e em estabelecer a continuidade na ascensão do grupo mercantil e liberal que empresaria a indepedência.
 
Grandeza "porteña" à custa das pampas e do interior
 
   O sistema de monopólio firmado pelas Cortes de Lisboa e de Madrid para ser empregado em suas posses coloniais consistia na proibição do comércio com outros países e fundava-se na interdição dos portos americanos aos navios de outras bandeiras que não as das metropóles.
    Enquanto Portugal e Espanha tiveram condições para mantê-lo, mal ou bem, na sucessão de transigencias e negociações, particularmente com a Inglaterra, o comércio colonial se fez apenas com as metrópoles. Mas o contrabando foi o reverso, por vezes importantíssimo.
 
   Transcorridos pouco mais de dez anos da fundação do Vice-Reinado do Rio da Prata, desencadeia na Europa um processo político que liquidaria aquele sistema. Com o irrompimento da Revolução Francesa, o cenário europeu se tulmutua. Crescem as sementes da transformação que iria minar o regime absoluto de governo. O monopólio comercial era uma das manifestações mais específicas daquele regime. Com as campanhas napoleónicas, a Península Ibérica sofreu suas consequências. A derrota da frota franco-espanhola em Trafalgar deixou livre os mares para a acção da Marinha britânica. Seguiu-se a invasão da Península pelas forças napoleónicas, destruindo transitoriamente os poderes metropolitanos, deixando livres os povos coloniais por eles dominados, no caso espanhol. No desenvolvimento desse processo subsistiu:
 
   -- de um lado, a aliança anglo-lusa permitindo a fuga da Corte de Lisboa e seu estabelecimento na Capital Colonial, assegurando, assim, transição regular para a autonomia;
  -- de outro lado, a Espanha dilacerada pela invasão, dominada por vários governos onde os reis Carlos IV e Fernando VII transigem e capitulam. Essa divergência de governo, a derrota do poder monárquico, levam à desagregação do poder colonial, sua dispersão, o desencontro de tendências, as flutuações e contradições de luta prolongada. Esta luta começará mais cedo do que na área dominada pelos portugueses, mas conduzirá por isto mesmo, a um processo emancipador de características muito diversas.
 
   Os choques militares representam o coroamento da expansão burguesa no ocidente europeu, comandada pela Inglaterra em seu poderoso esforço industrial e comercial, que lhe permite o domínio das rotas marítimas consolidado com a vitória de Trafalgar e com reflexos profundos no processo de emancipação dos povos coloniais americanos. A Inglaterra já vinha sendo a peça fundamental do comércio no mundo. Enfrentava, desde o início, o sistema de clausura e de monopólio imposto pelas cortes de Madrid e de Lisboa. Lutava contra ele sob formas diversas, desde então. Em relação à Espanha, pela força das armas, seja pela guerra de corso, seja nas lutas militares que pontilharam o século XVIII e o início do século XIX. Em relação a Portugal, pela força de tratados que o regime de aliança lhe permitia e que visava a liquidação final do monopólio. O desenvolvimento crescente e acelerado da manufactura britânica acabaria por exigir a abertura ao comércio das grandes áreas geográficas dominadas pelo monopólio, impeditivas daquela expansão. Novas áreas de consumo tornavam-se necessárias também do lado das colonias,que necessitavam dos produtos acabados e que podiam pagar por menores preços, desde que comprados directamente; necessitavam também de colocar directamente a sua produção onerada pelo monopólio.
 
   A Inglaterra estava, assim, interessada na autonomia dos povos americanos de colonização ibérica.
 
 
 
   Tem ainda a parte 6, a última dessa série.
 
   Belo Horizonte, 11 de abril de 2007
 
   Therezinha B. de Figueiredo

MOMENTO GRAVE

César Augusto, antes da queda

Jupiter prius dementat quos perdere vult. Assim despachavam os Antigos aos poderosos à beira da queda. Hoje falamos da entropia, quando a energia dos sistemas não se consegue transformar em trabalho.

Algo de semelhante se está a passar em Portugal.

Surpreendentemente, para alguns!" Afinal, somos um país da União Europeia. Nem sequer dos piores classificados em muitos dos rankings da OCDE. Funcionam as garantias do estado de direito. E 30 anos de democracia sustentada pela "pachorra" dos portugueses criaram uma estrutura de fazer inveja a outras classes políticas europeias, sempre em bolandas de mudar de partidos ou de pessoas.

Somos um país atlântico situado na Europa. E como outros, partilhamos poderes de governação, permitindo que o orçamento seja pilotado de Bruxelas – o que nem é um mal – e que a política externa dependa dos faxes de Washington – o que nem sempre é um bem. Muitas das nossas decisões deixaram de ser soberanas. Isso não é o problema. Fomos independentes 4 séculos antes de se reinventar a palavra soberania. O problema é se sabemos utilizar a independência que nos resta.

Isso exige tomar decisões esclarecidas e cada vez mais urgentes sobre o nosso futuro. E aqui vemos uma crescente entropia e desordem dos políticos republicanos – chamemos-lhe com o nome do regime que temos – acompanhada de uma incapacidade de encomendar as soluções aos nossos técnicos e sabedores, de estimular o capitalismo popular para que nasçam empresários a sério, de apoiar o emprego dos jovens em vez de os seduzir com a pasmaceira ou de os atirar para a emigração. Temos de aproveitar a sério a independência que ainda temos e uma das últimas oportunidades é ordenar o país, tornar viável uma série de cidades região que se estendem pelo norte até à Galiza e pelo leste até Castela e pelo sul até ao Maghreb e que pelo mar e ar podem ser ponto de encontro com o resto do globo.

Mas em vez de agarrarmos essa margem de independência e de arrumarmos a casa, deixamos a loucura crescer. Veja-se os projectos faraónicos da Ota e TGV; já se calculou que a remoção das terras na Ota equivaleria a 6 pirâmides de Gizé. A classe política que nos governa – republicana pois que assim se auto identifica o regime – deixou de ter amarras nos sabedores. O episódio da "espécie de engenheiro" é um epifenómeno disto mesmo; do modo como a classe politica se desamarrou da classe dirigente: de como a classe dirigente deixou de acreditar noutros compromissos excepto os seus próprios interesses; de como o que resta de bom senso, de dedicação e de coragem se vê afastado das decisões nacionais. De tudo isto resulta que estamos num momento grave em que os poderosos fazem actos estúpidos e dizem coisas estúpidas, como se estivessem loucos. Porque os deuses os querem perder! Mas somos nós, portugueses, que nos temos que salvar a nós próprios!

 

Lisboa, Abril de 2007

 

Mendo Castro Henriques

Curtinhas XXXVI

o novo aeroporto de lisboa (nal) – I

(Tipos de Aeroporto)

O que queremos?

v      A fazer fé no que se ouve e lê, tudo o que há a discutir a propósito do NAL é a sua localização. Nada mais errado.

v      O que importa saber, antes do mais, é que posição quer Portugal ocupar no novo mapa do transporte aéreo à escala global, mapa que começou a ser completamente redesenhado de há uns poucos anos a esta parte. Ou, posta a questão de forma mais directa, que tipo de aeroporto se planeia para o NAL?

v      E, logo a seguir, a pergunta incómoda: o que acontecerá à TAP em cada uma destas alternativas?

v      Sobre o que pensa o Governo disto? Nada. Sobre o que pensa disto a Oposição? Nada. Sobre o que pensam disto peritos e técnicos? Nada de substancial que tenha vindo a público, também.

v      E, pese tanto silêncio, são estas as perguntas a que é imperioso responder antes de discutir locais e complicados esquemas de Project Finance.

v      Sem respostas seguras, ninguém saberá o que vale o projecto nem como financiá-lo – excepto se se tiver por adquirido que o dinheiro dos contribuintes está aí para o que der e vier, hoje, amanhã e sempre.

v      Não duvido que é com o dinheiro do contribuinte que contam todos aqueles que querem que o projecto avance, não importe bem para quê. Para esses, o negócio é construi-lo – não operá-lo e explorá-lo. Convencidos como estão de que sempre serão poupados aos prejuízos de um mau investimento que foi levado por diante em nome do interesse nacional. E, hélàs! o passado dá-lhes razão.

v      Que tipo de aeroporto, então.

v      Atendendo às características do tráfego aéreo que os demanda, os aeroportos podem ser arrumados em três tipos (além dos aeródromos que, mesmo quando cumpram as normas internacionais, não são utilizados para voos regulares). Por ordem crescente do volume de carga que movimentam, do número de passageiros que os utilizam e da importância que revestem para a indústria da aviação comercial:

v      Aeroportos locais – cujos tráfegos (passageiros e/ou carga) têm origem e destino, exclusivamente, na zona geográfica em que se encontram localizados; que possuem uma bacia de atracção de tráfego aéreo pouco extensa; com ligações aéreas regulares para um ou dois aeroportos de tipo superior, não mais – todos eles localizados, por regra, no mesmo país (voos internos).

v      Aeroportos regionais – cujos tráfegos (passageiros e carga) têm origem e destino, predominantemente, na zona geográfica em que se encontram localizados; que possuem uma bacia de atracção de tráfego aéreo já bastante ampla e profunda, servida principalmente por outros meios de transporte; com ligações aéreas regulares a uma pluralidade de outros aeroportos regionais e a hubs, através de voos directos de médio curso (com duração não superior a 4 horas), muitos deles transfronteiriços.

v      Hubs (plataformas de tráfego aéreo) – que servem tráfegos (passageiros e carga) de e para outros hubs, ou para aeroportos de outro tipo, em voos de longo curso (com duração superior a 5 horas); cuja bacia de atracção de tráfego aéreo abrange vários aeroportos regionais.

v      Os hubs concentram tráfego (passageiros e carga) proveniente de aeroportos locais e regionais destinado a rotas de longo curso e/ou intercontinentais e, em sentido inverso, distribuem tráfego (passageiros e carga) proveniente das rotas de longo curso e/ou intercontinentais por aeroportos regionais e locais situados à distância de um voo directo de médio curso. Estas rotas de médio curso que alimentam as rotas de longo curso e/ou que destas recebem tráfego para distribuir pelos respectivos destinos, são designadas feeders.

v      Mas há mais....                                                                                                                                          (cont.)

Lisboa, Abril de 2007

A. Palhinha Machado

CRÓNICAS DO BRASIL

ÀS  AVESSAS

 

 

Fazer uma reforma, profunda, a sério, em algumas das estruturas fundamentais do país, como a fiscal, a política, a da segurança social, a agrária, e diversas outras... é só p'ra macho. E sendo macho antagónico de democracia, que significa jogo político, que significa sorrir e empurrar os problemas com a barriga, é evidente que tais reformas, indispensáveis para o progresso do nação - leia-se povo - só serão feitas quando a democracia, no mínimo, esmorecer.

 

Não é necessário ser-se mais esperto ou mais bem informado para se constatar que só se elege e mantém elevado o seu índice de popularidade, quem conseguir estar em permanente exposição de sorriso na cara, mesmo fazendo e dizendo um monte de bobeiras.

 

É o caso do nosso grande líder. Governar, o país que se governe sozinho, mas aparecer, sim, que isso é o principal objetivo.

 

Diariamente, só no jornal "O Globo", sexa aparece, SEMPRE, pelo menos em cinco ou seis fotos, sorrindo, sem que a notícia que acompanha tenha o mínimo valor, quando não é caricata.

 

 

Alguém está pagando, e caro, por essa publicidade indirecta, constante, massiva, esmagadora. E como anda agora mais bem vestido do que no tempo em que liderava greves, o povão acha que o Governo merece uns 60% de aprovação!

 

Em democracia, reforma significa perca de popularidade. Ninguém quer isso? Só os utópicos. O fundamental neste sujo, sujíssimo, jogo político é manter-se na crista da onda, roubar o máximo possível enquanto lá estiver e candidatar-se, sempre, a novo mandato, que significa a mesmice, o empobrecimento do Outro, a eternização das soluções.

 

A criminalidade deixa de ser um problema social para ser um caso de polícia, a corrupção um status quo aceite pela sociedade, a sonegação a práctica mais comum, a reforma agrária entregue na mão de baderneiros, sem que haja uma palavra de ordem, uma orientação, nem a mínima intenção de se envolver e resolver o intrincado problema.

 

Dizem os cientistas políticos que quanto mais democracia, mais fácil se torna resolver estes problemas. Pura filosofia barata. Demagogia. Tem-se assistido à evolução da democracia e ao aumento de miséria no mundo.

 

Democracia tem que ser como foi há dois mil anos: quem for capaz de pensar, vota. Para ser capaz de pensar tem que ter cultura. Para ter cultura precisa de instrução. Para ter instrução é preciso que os governos encarem a sério as bases do ensino e não queiram começar por reformar o ensino universitário. E, evidente, é preciso acabar com a fome.

 

Aqui a democracia funciona às avessas: de cima para baixo. Começa-se por querer reformar as Universidades sem se atentar ao ensino básico. Vamos assim formar Doutores ignorantes, continuando a maioria na ignorância total, adorando e votando naquele que aparecer mais vezes e com o sorriso mais simpático - e falso - nos órgãos de informação.

 

 

Rio de Janeiro, 11 de Abril de 2007

Francisco Gomes de Amorim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LIDO COM INTERESSE – 14

  

Título: D FERNANDO II – UM MECENAS ALEMÃO REGENTE DE PORTUGAL

Autora: Marion Ehrhardt

Editora: Livraria Estante Editora – Aveiro

Edição: Maio de 1987

 

 

 

 (Coburg, 1816 - Lisboa, 1885)

 

A minha curiosidade sobre D. Fernando de Saxe-Coburg-Gotha, marido da Rainha D. Maria II e “autor” do Castelo da Pena, foi-me satisfeita pelo meu amigo António Teixeira Homem que me emprestou o documento que rapidamente li com interesse.

 

Considerando que o texto é bilingue em português e alemão, que há uma parte de Notas Explicativas e algumas gravuras e que tudo cabe em 60 páginas, temos que concluir que se trata de um pequeno opúsculo, passe o pleonasmo. Consiste a publicação na transcrição da conferência proferida pela Autora em Dezembro de 1983 na abertura da «Exposição de Ex-libris Alemães» realizada pelo Instituto de Estudos Alemães da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Göthe-Institut, vulgo o Instituto Alemão.

 

Devo desde já esclarecer que nunca compreendi com precisão como é que há quem atribua a D. Fernando o título de Rei pois, ao abrigo da tradição portuguesa – onde não se aplica a Lei Sálica – o critério sucessório do trono sempre recaiu sobre o mais velho dos filhos varões do Rei e, inexistindo filho varão, na filha mais velha. A mulher do Rei é Rainha mas o marido da Rainha titular do trono é Príncipe consorte. Veja-se o caso britânico actual com a Rainha Isabel II, titular do trono, sendo o Duque de Edimburgo, seu marido, o Príncipe consorte. A lei portuguesa é igual à inglesa e creio que isso sucede desde o reinado do nosso D. João I cuja mulher era inglesa, a Rainha D. Filipa de Lencastre, e terá sido ela que trouxe a lei. Mas como nós, os meridionais latinos, somos mais sanguíneos que os frios nórdicos britânicos, admitamos que o marido da Rainha possa ser Rei consorte em vez de apenas Príncipe consorte. Essa condescendência vinha do tempo da Rainha D. Maria I cujo marido, o seu tio D. Pedro, Príncipe do Brasil, ficou conhecido como D. Pedro III Rei consorte. Face a este precedente juridicamente espúrio, admitamos que o marido da Rainha D. Maria II possa ter ficado conhecido por D. Fernando II Rei consorte mas nunca sem este último complemento. Rei por via do contrato pré-nupcial e não por direito próprio.

 

E de tal modo o título resulta apenas da convenção pré-nupcial que o Príncipe deveria «renunciar à considerável fortuna a que tinha direito por morte de sua mãe e que, em contrapartida, receberia uma determinada dotação anual que seria dobrada logo que nascesse o príncipe herdeiro que traria a D. Fernando também o título de rei». Aliás, o primeiro marido da Rainha, o Príncipe Augusto de Leuchtenberg, nunca foi Rei. Assim sendo, porque é que D. Fernando, o segundo marido, haveria de o ser?

 

Dessa convenção pré-nupcial constava também que D. Fernando seria comandante em chefe do Exército português, missão a que se furtava sempre que podia. E se numa das vezes que deveria ir de Lisboa a Setúbal passar em revista as tropas do General Vinhais foi encontrado em Cacilhas em casa do Contador da Marinha a cantar um dueto da ópera «Semiramis» de Bellini (1801 - 1835) com a filha do dono da casa, de outra vez foi encarregue de ir a Coimbra combater os revoltosos comandados pelo Marechal Duque de Saldanha mas chegando a Santarém mandou fazer um alto a fim de auscultar os “ares”. Tendo concluído que a generalidade da população e das suas próprias tropas estavam do lado dos sublevados, dirigiu-se lentamente até Coimbra e uma vez lá chegado dialogou com os emissários de Saldanha em vez de pegar em armas. A retirada foi paulatina. Ficou definitivamente por esclarecer se se tratou de um gesto de sensatez se de cobardia. O que não ofereceu dúvidas foi o fim da carreira militar de D. Fernando.

 

A partir de então D. Fernando dedicou-se à procriação, sua principal função no campo extra-militar.  Fê-lo com afinco e a Rainha acabou por morrer durante o seu 11º parto.

 

Grande amante das artes, utilizou as ditas dotações pecuniárias de origem alemã para patrocinar inúmeros artistas portugueses não só adquirindo-lhes obras como financiando-lhes os estudos no estrangeiro. Reuniu uma notável colecção de pintura de que seleccionou 83 quadros para constituir a Galeria Nacional de Pintura de Lisboa cujo espólio pertence actualmente ao Museu Nacional de Arte Antiga. À sua fortuna se devem as reparações de fundo levadas a cabo no mosteiro da Batalha, na Torre de Belém e no mosteiro dos Jerónimos bem como a construção do Palácio da Pena e a reparação do Castelo dos Mouros em Sintra.

 Palácio da Pena, Serra de Sintra - no ano 3000 os arqueólogos vão ter dificuldade na definição da época de construção de tanta mistura

Mas foi na música que D. Fernando assumiu uma atitude mais particular. Assim, se no campo das formalidades, financiou uma bolsa de estudos ao jovem José Viana da Mota que desse modo seguiu para a Alemanha onde estudou com vários Mestres, Liszt por exemplo, já no âmbito da privacidade a cantora Elise Hensler ficou conhecida como Condessa de Edla. Este romance foi de tal modo profundo que D. Fernando recusou por sua causa os tronos de Espanha e da Grécia que insistentemente lhe foram oferecidos, a fez sua segunda mulher e, na viuvez, usufrutuária dos seus bens que in fine reverteriam para o Estado.

 

Na morte, teve inúmeros defensores do seu nome, nomeadamente os pintores Columbano Bordallo Pinheiro e Francisco Metrass e, no campo das letras, Ramalho Ortigão.

 

Regente durante a menoridade do futuro D. Pedro V, reinou, não governou e serviu de exemplo por essa Europa além pelo exercício da Chefia do Estado sem interferência na governação corrente.

 

Em conclusão, eu diria que teve uma acção positiva para Portugal, que soube exercer a sua função de Príncipe consorte com dignidade e que teve uma vida bastante folgada. Diria mesmo que teve uma vida cheia de sorte.

 

Finalmente, uma nota que me merece muita simpatia: recusou formalmente o trono de Espanha para garantir que não seria o autor da fusão ibérica.

 

Lisboa, Abril de 2007

 

 

Henrique Salles da Fonseca

CRÓNICAS DE MOÇAMBIQUE

Turismo desequilibrando balanças

 

Repensar no marketing turístico nacional.

 

Por: Jorge Ferrão – Coordenador Regional da Área de Conservação Transfronteiriça do Limpopo, Ministério do Turismo.

 

O sector do turismo ganhou pujança nos últimos anos impondo-se como indústria de peso na economia nacional. Em 2006, o sector foi o primeiro, em termos de atracção de investimentos estrangeiros e o terceiro, na contribuição para a balança de pagamentos. Os 144 milhões de US$ de receitas atestam o crescimento e a vitalidade do sector. O turismo moçambicano assume-se como nato empregador natural de mão-de-obra pouco qualificada, gerador potencial de divisas externas e, fundamentalmente, como actividade geradora de novas sinergias em áreas marginais.

[Elephants%20in%20an%20Approaching%20Storm.jpg] Beleza a perder de vista ...

 

Em 2006 a Organização Mundial do Turismo repensou o turismo no contexto do desenvolvimento económico e criou o slogan ”turismo enriquece”.  A intenção subjacente seria a de despertar a atenção dos países menos desenvolvidos sobre a necessidade de priorizarem esta actividade. Por outro lado, ficou implícito na mensagem, a necessidade de repensar em novos vectores e factores de desenvolvimento e aumento da poupança no campo. O slogan deixou igualmente patente o desafio para que o turismo não continue, nos nossos países, como actividade marginal ou coadjuvante a reboque de outras pseudo prioridades.

 

Visitei o Quénia e, com colegas do sector, discuti horas a fio, sobre as similaridades e descontinuidades do turismo entre os nossos países. Abordamos as riquezas e os problemas, as burocracias, os crónicos problemas com os vistos, a polícia de trânsito e o incipiente turismo doméstico.

 

Moçambique, à semelhança do Quénia, gozam de altíssima reputação internacional no mercado turístico. Diversas publicações e operadores turísticos fazem apologia ao produto turístico em ambos os países, como matéria genuinamente africana. Em maior ou menor grau os dois países servem de referência, também no continente africano, pelas potencialidades e pela vasta costa que o Índico inunda e nada pede em troca. Nesta onda comparativa, Moçambique perderia, eventualmente, no requisito tradição institucional, quer dizer, o nosso (des)preparo para satisfazer grandes demandas.

  Hotel Polana, Maputo, sem dúvida um  "ex libris" do Turismo moçambicano

O Quénia assegura, por via do turismo, cerca de 12,65% do seu PIB. O turismo gera, igualmente, mais de 138.000 postos directos e outros 360.000 postos indirectos de trabalho. Eventualmente, 75% das receitas estão associadas ao turismo contemplativo, com a fauna como denominador principal. O resto é complementado pela praia, turismo de negócios e cultural.

 

Moçambique é um pouco mais modesto nas receitas turísticas. Nos últimos anos a contribuição para o PIB tem variado entre 2% a 2,5%. O sector emprega de 33.500 a 35.000 postos directos, com beneficiados indirectos que triplicam estas cifras. A maior fatia das receitas arrecadadas é originária do turismo de negócios, seguido de aventura, mergulho, cinegético e contemplativo. Segmentos transversais como transporte, telecomunicações e agricultura são, igualmente, beneficiados pelo turismo.

 

Moçambique e Quénia também possuem estatísticas semelhantes, em termos de chegadas internacionais. Rondam, por excesso, os 400.000. Ambos, recentemente, adoptaram políticas e estratégias de turismo e de marketing. Quem diria!?... O Quénia, mesmo com toda a sua reputação e tradição, apenas adoptou a sua política de turismo em meados de 2006, no mesmo momento em que o Ministério do Turismo de Moçambique aprovou a sua estratégia de marketing e recursos humanos e em 2004 foi aprovada a política do turismo.

             Turismo histórico, uma vertente maior do que se pode fazer em Moçambique

Moçambique considera o Quénia como potencial concorrente. O Quénia, por sua vez, acredita que tal rivalidade existe apenas com a África do Sul e com a Tanzânia, com quem partilha uma fronteira comum. Nem com o Egipto parecem importar-se. Selva, praia, aventura, mergulho, negócios, turismo cultural e gastronómico, caracterizam a oferta e o produto turístico de ambos os países. As diferenças ficam subjacentes nas receitas arrecadadas e na geração de emprego.

 

O Quénia, que tem no turismo um sector vital da sua economia, factura, anualmente, pelo menos cinco vezes mais que Moçambique. Não admira! Os turistas, no Quénia, pernoitam um mínimo de 8 (oito) noites, enquanto que em Moçambique, em média, o número ronda os 3 (três). À partida, existe uma propensão para que os resultados no exercício financeiro sejam diferenciados. A tradição de parques como Tsavo, Serengeti e Nakuro, atraem largos milhares de turistas todos os anos. O país enveredou por políticas de substituição de práticas agrícolas de subsistência, por outras mais rentáveis e sonantes.

 

Fazendo uma analogia entre o desempenho do sector dos dois países, notamos que existem diferenças e semelhanças que deveriam ser exploradas, analisadas e repensadas.  

 

O que justifica, então, que o mercado turístico queniano seja muito mais competitivo e lucrativo que o moçambicano? Onde colocaríamos o divisor de águas, para reflectir sobre o desempenho do sector nos respectivos países - mesmo considerando que a nossa infra-estrutura turística revitalizou-se só depois dos Acordos de Paz?  O que será necessário fazer para libertarmos essa pomba do desenvolvimento que é o turismo?

 

 

O marketing turístico no Quénia faz a diferença

 

Só nos últimos 2 anos o Quénia conseguiu equilibrar as chegadas internacionais, depois de um período de agonia e instabilidade terrorista. Entre 2005 e 2006 o Quénia registou um crescimento de cerca de 10% nas suas receitas com o turismo.

 

Em Moçambique a economia vive um período de boom. O turismo trilha os mesmos caminhos. Entre 2000 e 2004, as receitas contabilizadas do turismo não ultrapassavam os 100 milhões de US$. 2005 marcou a viragem com 108 milhões e em 2006 chegou-se aos 144 milhões de US$ - aumentos significativos e prometedores.

 

Mas, comparadas e tomadas as devidas proporções entre o Quénia e Moçambique, chegamos à conclusão de que o marketing faz a grande diferença! O segredo, portanto, tem sido o marketing, a pesquisa de mercados, e a promoção da imagem do país. Segredos pequenos, porém com impacto positivo a montante, quer no volume quer na atracção de receitas turísticas.

 

O Quénia recorre ao Kenya Tourism Board (KTB) como agência especializada para as campanhas promocionais. Com uma acentuada redução de capitais do estado, o KTB abriu as portas à participação do sector privado, que aumentaram os financiamentos para as campanhas promocionais. Ao Estado cabe o empréstimo da imagem política, da promoção em circuitos que apenas o Estado tem competência e poder.

 

Moçambique, por sua vez, estabeleceu o Fundo Nacional do Turismo (FUTUR) e ainda um departamento de promoção turística, sediado no próprio Ministério do Turismo, como os carros chefe da promoção dos destinos turísticos e das potencialidades do país. A participação do sector privado, ainda assim, tem o seu espaço, mesmo que, de forma mais individualizada. São exemplos disso a Rani, Pestana, Aga Khan e até os parques da Gorongosa e do Limpopo, etc. Possuem websites com números cada vez mais crescentes de visitantes.

 ... imagens que ficam para sempre ...

 

Porém, as grandes diferenças na implementação das estratégias do turismo residem na metodologia e nas formas de implementação.

 

O Kenya Tourism Board reduziu progressivamente a sua participação em grandes feiras ou eventos no exterior. Quer dizer, pretere à divulgação massiva e sem destinatários específicos. Opta, por uma estratégia de marketing mais relacional e interpessoal. Um marketing direccionado aos nichos de mercado de cada um dos produtos turísticos existentes. Uma segunda opção tem sido os circuitos electrónicos. Finalmente, o Quénia adoptou o “road show” que estabelece relações de longa duração com os clientes. Tornou-se tão comum que até os membros do governo viraram chamariz em nome do sector do turismo.

 

Na essência o road show corresponde às campanhas promocionais “boca-a-boca” com envolvimento de equipas multi-disciplinares e uma componente significativa do sector privado. Estas equipas, servindo-se das pesquisas de mercado, desenham campanhas de promoção da imagem do país para responder às alterações do comportamento do consumidor. O objectivo é de procurar mercados não saturados, novas rotas e pacotes turísticos, esclarecer dúvidas e equívocos sobre o país. Funciona, portanto, como um contra-peso às campanhas de desinformação, que ocasionalmente os centros emissores propagam. Os road show fornecem as garantias e confiança que qualquer turista gostaria de dispor, quando planifica as férias. 

 

Nesta circunstância o KTB procurou o emergente mercado asiático, com destaque para a China e o Japão e retornou à Alemanha e aos USA. Uma subida de 10% foi registada entre 2004 e 2005. Curiosamente, até a nossa LAM iniciou os seus voos para o Quénia e vice-versa.

 

Moçambique não tem essa agressividade e precisaria de uma boa injecção de recursos para o efeito. A estratégia de marketing precisaria de colocar as Embaixadas como pontas de lança, em parceria com agências especializadas nos respectivos mercados emissores. O país terá de apostar na Internet e nas facilidades que esse meio oferece.  O portal que se insiste seja criado e gerido pelo Ministério, poderia ser da responsabilidade do sector privado.

 

Na realidade, o envolvimento do sector privado combinado com o público é vital. O nosso “ road show” pode ser feito em escalas bem menores, mas com efeitos igualmente positivos. Poderemos começar pelos vizinhos e garantir que a imagem do país mudou. Passar férias no país são uma garantia de repouso total, sem atribulações burocráticas, sem os mesmos incómodos da polícia de trânsito e sem especulações exorbitantes nas tarifas.

 

A promoção turística seria a mais importante ferramenta para promover o turismo de paz e hospitalidade moçambicana. O turismo moçambicano é competitivo, principalmente os segmentos de mergulho, aventura, cultura e gastronomia. Moçambique até é potencial como destino cinematográfico. 

 

Esforços precisam de ser concentrados e evidenciados para que a promoção da imagem do país alcance mercados alvo e não as tradicionais generalidades. Não basta ter potencial, é necessário que se diga o que se tem e onde estão esses tesouros. Portanto, precisaremos em 2007, de encarar a promoção com a devida consistência e sistematização.

 

Para relançar a imagem do país não existem anónimos. É tempo do país encarar com outra postura o FIFA 2010 e os desafios. O Turismo será, sem dúvidas, o potencial sector para desequilibrar qualquer balança.

O AQUECIMENTO GLOBAL

 

 

O tema da actualidade. Mais importante do que a guerra no Iraque, Congo ou Darfur, a produção atómica no Irão e Coréia do Norte, mais ainda do que a fome no mundo. Estes ou aqueles podem morrer. Para quê o mundo preocupar-se, se daqui a um século, que passa num instantinho, vai estar tudo virado do avesso? Que esperem, enquanto os vivaços aproveitam e continuarão a vender armas.

 

Dizem os sábios, e bota sábio nisto, que os bons vinhos Merlot e Pinot Noir não tarda serão produzidos na Escócia, enquanto na região de Borgonha e Bordéus o café, os cocos e as bananas vão fazer a festa, que as cidades ribeirinhas vão ficar inundadas, porque daqui a 100 anos o nível do mar deve subir uns sessenta centímetros, os ursos polares desaparecerão, bem como umas quantas espécies de focas, etc., e mais etc.

 

Felizmente eu não estava vivo há 65 milhões de anos quando desapareceram os dinossauros. Já imaginaram, o pessoal todo a apontar para mim porque não salvei aqueles bichinhos?

 

Depois que o aquecimento estiver bem mais quentinho, vem a glaciação. Toda a Europa a norte dos Pirinéus coberta de gelo. Como há 20.000 anos. Aí o vinho volta a ser produzido no Iraque, Egipto e Sahara (as melhores marcas serão Sadamm - vinho forte e escuro, Cleópatra - doce como o vinho do Porto, e Kadaffi - de garrafa enfeitada, para turistas), os cocos, o café e as bananas retornam ao hemisfério sul, os pobres de hoje serão os ricos de amanhã, com os europeus do norte a esmolar com os seus Rolls-Royce conservados a 40° negativos, bem com o palácio de Buckinham, o Louvre e a porta de Brandenburg onde, in illo tempore houve um muro a separar a Europa, como ainda há na Palestina e entre os EUA e México.

 

É o ciclo da vida. Aquece, arrefece, congela, descongela, sobem uns povos, baixam outros, os séculos e os milénios passam e os homens querem encontrar sábias explicações humanas para aquilo que faz parte da vida e são os desígnios do Criador. Terremotos, tsunamis, vulcões, dilúvios, etc., só que agora o homem está a ajudar um pouco a acelerar esse processo.

 

A maioria culpa o CO2 por todo o mal do planeta, para descarregarem em cima dos EUA, enquanto outros homens de ciência entendem que o maior mal é o vapor de água na atmosfera. Há quem afirme que a salvação da energia eléctrica está nas usinas nucleares, que expelem toneladas de vapor de água que se vai misturar ao tal CO2 para ajudar a aumentar o buraco de ozono, outros ainda culpam a devastação das florestas, que não devem representar hoje nem 0,5% do que terão sido há uns milhares anos (como o Sahara), e por aí vai o choro da ciência.

 

Mas a renovação da face da Terra... isso é mais complicado. Não se renova a face da nossa Terra sem que primeiro nos renovemos interiormente. No espírito. No Espírito, que dá a Vida. Se nos renovarmos e entendermos de verdade que somos todos da mesma família, todos os seres viventes, e que assim nos devemos respeitar e entreajudar, então podemos ter a certeza de que é possível renovar a face da Terra.

Mas quem vai querer isso tendo os cofres a receber constantemente toneladas de ouro?

 

Onde mandar o ouro o Espírito será repelido.

 

 

Rio de Janeiro, 7 de Abril de 2007

Francisco Gomes de Amorim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PORTUGUESES DA PERIFERIA

 

Portugal se consolidou como terra cristã e se expandiu como tal nos tempos medievais. Foi Continental, Insular e Ultramarino. Integrar de uma forma homogénea esses “Portugais,” com geografia e povos diferentes, sempre foi um desafio, uma missão impossível para o governo português. O sistema político-administrativo que Portugal exportava para as áreas periféricas ou de fronteiras era o mesmo do reino. Privilegiava o Centro, base do governo, e nas periferias (continentais, insulares ou ultramarinas) utilizava coutos homiziados para a ocupação da terra, garantindo assim a defesa dessas áreas instáveis, onde a paz era inconstante, como nas lutas contra os mouros, na época da formação da nação.

 

Nos Açores, no começo da povoação, não foi diferente. As ilhas atlânticas, distantes do reino, desabitadas, foram a princípio ocupadas por degredados, alguns judeus, e famílias com seus escravos, todos subordinados aos donatários, para manter esse espaço português, importante nas rotas de navegação, ponto de apoio para as naus que cruzavam o mar oceano.

 

Porém, no final do século XV e inicio do XVI o rei de Portugal, por motivos políticos, passou a receber nas ilhas colonos vindos da Europa, na maior parte do Continente, Flandres e França, que vinham com os seus parentes e senhores, súbditos da Coroa Portuguesa, fugidos da pobreza da Guerra dos Cem anos, à procura de uma vida mais afortunada. Essa miscelânea de povos deu origem ao açoriano, que em cada ilha tem sua característica e sua diferença, dependendo de quem ocupou aquele terreno.

 

Do inicio do século XVI ao século XVII algumas ilhas dos Açores conseguiram razoável desenvolvimento, à custa de ciclos de produção do pastel, urzelina, trigo, laranja, uva e gado que comerciavam com o Continente e alguns países da Europa. Em geral, nos postos de direcção da terra estavam os descendentes dos primeiros donatários e colonizadores, mas sempre subordinados às directrizes e controle da Coroa, que os mantinha num estrato social periférico, presos à terra, para assegurar o espaço português. Cultura só para a nobreza e os mais abastados que podiam assumir as despesas do estudo e da deslocação para o continente. Primordial era manter o homem comum na defesa da terra e na produção do trigo, para alimentar as praças de guerra na África e as necessidades cerealistas do reino.  A política era medieval, não primava pelo desenvolvimento intelectual, o importante era manter a fronteira portuguesa, até que as crises de alimento, provocadas pelas catástrofes naturais, frequentes naquelas ilhas vulcânicas, fizeram com que parte daquela gente procurasse noutras terras a sobrevivência.

 

Mas as ilhas eram em muitos aspectos diferentes. Na localização geográfica, na composição da população, nas características do solo, nas vocações, nas produções e até mesmo na atenção dispensada pela Coroa. Enquanto São Miguel, Terceira e Faial determinavam um eixo mais desenvolvido e economicamente representativo, recebendo da metrópole mais incentivos e até recursos, outras ilhas como Santa Maria, Pico, Flores, Corvo e São Jorge e Graciosa pouco eram visitadas pelos corregedores do rei.  Mas sob o aspecto político-administrativo todas recebiam o mesmo tratamento, eram dirigidas ou supervisionadas por membros da elite da corte, que visavam antes de tudo o favorecimento do reino. Essa diferenciação trouxe alguns privilégios na educação e na política de algumas ilhas, principalmente nas da Terceira e São Miguel. As demais dirigiram suas potencialidades para o artesanato, para a pesca, para a caça à baleia, para a criação de gado e produção de cereais e vinho, tentando achar um caminho salutar para a preservação da população. Nas ilhas de fraca economia e de pouca expressão política, o status social se dissociou do poder económico. O julgamento individual passou a ter mais importância que o colectivo, o valor moral e educacional passou a ser parâmetro de qualificação e admiração, não importando muito a riqueza material.

 

A instrução chegou às ilhas junto com os padres franciscanos e jesuítas, que ganharam dos nobres e devotos insulares espaço e dinheiro para construírem igrejas e colégios.

Em 1759 quando D. José declarou traidores os jesuítas e os expulsou do reino, os colégios açorianos passaram então a ser ocupados pelos oficiais letrados vindos do Continente,  e que depois rarearam, apesar de Pombal, pois nos Açores ganhava-se mal, não havia médicos e cirurgiões e deficitárias eram as acomodações.

 

O ministro todo-poderoso de D. José tentou, sem muito êxito, melhorar as condições de desenvolvimento das Ilhas, agora chamadas Adjacentes. Mas mais uma vez o Governador general para os Açores era do reino.  D. Antão de Almada embora ouvisse os açorianos nas suas queixas, só fazia o que de fato interessava ao rei. E como periodicamente acontecia, a terra tremia, os vulcões acordavam ou então o solo exaurido não dava o grão. Era outra época de dificuldades espantando os açorianos para o estrangeiro.   D. Antão não pensava assim, dizia em carta ao ministro, que a penúria era devida à preguiça dos açorianos.   Pombal, que receava a falta da já deficiente mão-de-obra nos campos, não titubeou, obrigou-os a terem passaporte. Só com a permissão do governador podiam se mobilizar dentro e fora do espaço português. Tratava-os como estrangeiros, sem liberdade, dentro do seu próprio país.  

 

Apesar da tentativa de sair da administração medieval, o arquipélago dos Açores continuava atrasado, sempre capitaneado por gente de fora, que nada tinha haver com as aspirações e as necessidades do povo ilhéu.   Mas com o tempo e as mudanças de regime político o açoriano aprendeu a se safar.

 

No Faial, ilha central e de certa importância para o arquipélago, pois tinha e tem um bom porto (da Horta), a Maçonaria nos anos 1800, através dos seus integrantes, naturais da ilha, gente de certa importância económica e política, fundou estabelecimentos de ensino (de nível primário e secundário), um grémio literário, uma biblioteca, uma escola de música, um periódico e até uma Secção da famosa Sociedade Geográfica de Lisboa (1881).

 

[maconaria.jpg]  Sem comentários ...

 

Com as idas e vindas dos migrantes a sociedade açoriana se modificou. Elementos novos foram agregados à maneira de viver do açoriano. A riqueza dos retornados bem sucedidos melhorou e muito a vida dos ilhéus, engrossou as divisas do país.

 

São Miguel, ilha de evolução diferenciada, a maior e a mais influente,  assumiu a liderança do arquipélago. Tentou a auto-administração em 1892, mas só a conseguiu dois anos após a revolução dos cravos, juntamente com a fundação da primeira Universidade dos Açores, em 1976. Finalmente Portugal Continental entendeu que ser açoriano é uma maneira diferente, especial, de ser português.

 

Após mais de cinco séculos onde o açoriano foi periferia e fronteira, delimitando o espaço, alimentando o sonho português, exposto às frequentes intempéries da natureza, às incertezas da guerra, aos ataques destruidores e gulosos dos corsários, à fome e à miséria, que tiraram muitos dos seus filhos do berço pátrio, os Açores entram na Idade contemporânea com um grande desafio, se adaptar as exigências do mundo actual, onde a educação e o conhecimento tecnológico são os factores básicos para o desenvolvimento. Hoje as barreiras a vencer são outras, não menos desafiadoras,  para todos os portugueses sejam eles insulares ou continentais.

 

 

Uberaba, 7 de Abril de 2007

 

Maria Eduarda Fagundes

 

Referências  bibliográficas:

 

Anais do Município da Horta (Marcelino Lima)

 

O Faial e a periferia açoriana dos séculos XV a XIX (Núcleo Cultural da Horta)

 

Arquipélago (Revista da Universidade dos Açores) História Vol. VI

 

Códice 529 – Açores

Do Arquivo Histórico Ultramarino

A Capitania-Geral dos Açores Durante o Consulado Pombalino

(Introdução e fixação do texto por JOSÉ GUILHERME REIS LEITE)

CRÓNICAS DO BRASIL

O  PIB, A DONA  MINISTRA  E  A  CEFALOPODOCRACIA

 

Depois de se mirambular pelas contas do país, o PIB cresceu. Quase 10%! Conseguimos assim, mediante esta mágica, ultrapassar o Paraguay. Que beleza. A matemática tem destas coisas. Tal como eu costumo fazer: volta e meia economizo aos milhares de Reais, Dólares ou Euros, duma forma extremamente simples. Ainda ontem; passei numa loja de automóveis que tinha um Porsche último modelo, lindão, por R$ 600.000,00. Não comprei. Ali, num vapt-vupt economizei seiscentos mil. Como o PIB.

 

Num país onde existe um ministério de igualdade racial, está-se bem a ver que a sua finalidade só pode estimular a desigualdade. Não são só as quotas para afro descendentes nas universidades (que promoverão assim a incultura, uma vez que o ensino básico é catastrófico), mas as palavras da madama dona ministra dessa pasta, que afirma, arrogante, que os negros têm todo o direito de não gostar dos brancos. Direito, têm, como o têm de não gostar de outros da mesma tonalidade de pele ou de qualquer outra. Nesta espécie de democracia em que vivemos, valha-nos Deus, ainda todos temos o direito de gostar de quem... se gosta. Independente da cor! O que não falta neste país são casais de cor diferente, que se gostam, constituem família e são exemplares.

 

Ou o pronunciamento televisivo do «chefe» de um movimento pró-afro num dos estados do país, que afirmou (eu vi!) que o Brasil só vai melhorar quando toda, TODA, a administração pública, municipal, estadual e federal for preenchida com africanos! Beleza, né?

 

Mas tudo isto, de momento não tem interesse. A moda é o «efeito estufa», o futuro de todos nós.

 

Já há muitos anos que se antevia a possibilidade de qualquer cidadão comum, com um mínimo de conhecimento, produzir uma bomba atómica «caseira». Já está. Um jovem americano, estudante de física, compra umas ferramentas aqui, uns «troços» ali, acabou fazendo, no porão de sua casa, a fissão nuclear. Parece que atingiu 48.000 C° para isso, mas, a verdade é que fez uma bomba, ATÓMICA, caseira.

 

Não tarda serão dezenas, depois centenas e até milhares de «curiosos» a seguir o mesmo caminho, e um deles vai-se «enganar» e explodir o brinquedo. Depois, uma reação em cadeia, e lá se vai a humanidade. Todinha.

 

Faleceu há pouco um homem extraordinário, grande cientista e humanista francês, biólogo, botânico, naturalista, pacifista, arqueólogo, que escreveu sobre isto num livro intitulado "E se a aventura humana falhar". Diz ele que na Terra, ameaçada não só pelo «monstro» do aquecimento global, mas sobretudo pela inconsciência global, onde se destaca a proliferação de armas atômicas e outras brincadeirinhas afins, a humanidade caminha para a sua auto destruição. E...

 

Mas não deixará de haver vida na Terra, o que significa que outro animal um dia tomará o lugar do homem. Diz o grande mestre, que os animais com a inteligência mais desenvolvida e olhos perfeitos, são os cefalópodes, sobretudo os polvos e as lulas. Talvez eles, ou um deles, venha a assumir o controle que hoje, descontroladamente, está nas mãos do homem.

 

Isso, como é óbvio, levará largos milhões de anos, mas não deixa de ser preocupante desde já. Cefalópode, vem do grego, , cérebro, e , pés. Os que têm os pés na cabeça. podecéfalo

 O polvo chegará a todo o lado ... se o deixarmos

Pior é um governo acefalópode: sem pés nem cabeça.

 

E nós disso sabemos bem: já vamos no segundo mandato,  e ... promete durar. A conferir.

 

 

Rio de Janeiro, 2 de Abril de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

 

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