Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

A Encruzilhada de Quioto - 2

José Nunes Maia *

 

Junho de 2005


II PARTE

 

1.1             – A Base Política

 

Tendo em conta o antes exposto, somos levados a pensar que a razão de fundo que, em particular, motiva a posição da Comissão Europeia, conquanto não declarada, é de ordem política, não científica. (Privilegiamos a Comissão Europeia nesta análise por ser geralmente reconhecido o seu papel de liderança no atingimento do Protocolo de Quioto e pela diligente capacidade de iniciativa que vem exibindo na tomada de medidas inspiradas ou previstas pelo Protocolo).

 

A verdade é que, a ter êxito o programa em marcha na União Europeia, vão ser desenvolvidas novas tecnologias de produção e utilização energéticas em alternativa à queima dos combustíveis fósseis. É a procura de uma economia menos dependente do carbono. Objectivo que não custa considerar como estratégico para a União Europeia (EU), em face da crescente dependência do exterior da UE que se verifica no abastecimento energético do conjunto dos seus Estados. Mas trata-se de um objectivo cuja enunciação causaria óbvias dificuldades na frente diplomática: são conhecidas as preocupações dos produtores de petróleo acerca do ritmo de inovação nas alternativas ao petróleo e a extrema acuidade com que seguem as flutuações da procura do “ouro negro”, o que se reflecte na flutuação dos seus preços. Um cartel significativo deste mercado, a OPEP, é fonte recorrente de notícias há muitos anos. De resto, é uma evidência da história do último século a polarização de muitos e graves conflitos em torno da questão petrolífera (mais recentemente estendida ao gás natural), de tal forma que se pode dizer que, se o mundo economicamente desenvolvido tem tirado partido da utilização do petróleo, o mesmo mundo não se vem entretanto conseguindo furtar à ameaça da perspectiva da escassez do petróleo, que, sabemos, não é inesgotável. Mas que, por ora, só parece ser especialmente valorizado enquanto for considerado fonte maior do abastecimento energético, não parecendo bastante para a sua valorização enquanto fonte material para a produção de objectos (produção material).

 

É certo que, em rigor, a Comissão Europeia já reconheceu a importância estratégica da procura de alternativas ao petróleo [cf. Livro verde para a segurança de abastecimento energético da União, COM(2000)769, Bruxelas]. Mas é de todo compreensível, tendo em conta as dificuldades da diplomacia, que, ao alertar [cf. CE(2005)b, p. 28] para a necessidade de reforçar o financiamento das actividades dirigidas para as novas tecnologias energéticas (e de transportes) no âmbito do próximo Programa-Quadro, a Comissão Europeia não insista na caracterização de uma situação que pode ser configurada como, de facto, um garrote condicionador do desenvolvimento económico europeu no longo prazo, senão já no médio prazo [De resto, no citado e extenso documento CE(2005)b sequer se faz referência explícita ao Livro verde, de 2000. A referência à segurança do abastecimento energético aparece apenas como um co-benefício da redução dos gases com efeito de estufa - cf. CE(2005)b, p. 32 - , remetendo o texto para as previsões relativas ao consumo energético em 2030 constantes do World Energy Outlook, da Agência Internacional de Energia, e não para as do citado Livro verde, da UE]. Convenhamos que, em vez dessa argumentação, o recurso ao que se apresenta como uma eventual retórica de recorte ambientalista se encaixa muito bem na circunstância. Tirando aqui a Comissão Europeia partido de certos caminhos que a problemática do ambiente vem percorrendo, no caso, na frente diplomática. Um percurso, cabe assinalar, que tem sido trilhado com o contributo de muitos, não apenas com o concurso do Conselho Europeu ou da Comissão Europeia, reconheça-se.

 

Ilustra isto mesmo que vimos de afirmar o facto de, recentemente, o Conselho Europeu não se ter eximido a «confirmar» (cf. Conselho Europeu de Março de 2005, Conclusões da Presidência, p. 15) o limite de 2 ºC para a «subida média da temperatura», em relação aos níveis da época pré-industrial, em ordem a atingir o objectivo último da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. Esta decisão não se radicará, queremos acreditar, na convicção de que o Conselho Europeu esteja imbuído de competência científica para o efeito, antes se deverá a que, na linha do que já muito antes acontecera – em concreto, rezam os registos relativos a Junho de 1996 que o Conselho Europeu «acredita» [cf. CE (2005)b, p. 8.  Mesmo que de passagem, notemos entretanto que, em texto mais virado para a divulgação, a referência ao acreditar é substituída pela mais convincente referência de o limite de 2 ºC ter sido «estabelecido» pelo Conselho Europeu em 1996, cf. L’Environement pour les Europeens, n.º 19, Março de 2005, CE, p. 4. Mas isto não impede que a referência ao limite dos 2 ºC possa aparecer independente da decisão do Conselho Europeu: em recente documento do staff da Comissão Europeia afirma-se que a «ciência diz-nos que» devemos respeitar o limite de 2 ºC para conter os estragos ligados às alterações climáticas, cf. CE (2005)b, p. 8] que o limite de 2 ºC não deve ser excedido – o Conselho Europeu entende ser aceitável, porventura


recomendável, intrometer-se em domínio que, a nosso ver, à  ciência cabe cobrir, não à política. É caso para dizer, a César o que é de César, não o que à ciência respeita.

 

O motivo estratégico da procura de uma economia menos dependente do carbono é decerto bastante para conseguir a unidade, em torno deste programa, dos diferentes Estados-Membro, incluindo o Reino Unido, que, desta vez, apesar da relevância internacional e da natureza do assunto, não alinha com os EUA na rejeição ao Protocolo de Quioto. E isto ocorre mesmo dando-se o caso de o Reino Unido ainda ser um dos poucos Estados europeus com reservas de carvão. Mas o carácter de longo prazo de que a estratégia se revestirá terá ditado o distanciamento neste ponto entre os tradicionais aliados das margens atlânticas.

 

Estratégia que, eventualmente, pode falhar o alegado objectivo de vencer a batalha contra as alterações climáticas a nível planetário, no sentido de impedir estas, mas que pode tentar ganhar a aposta na mudança tecnológica, ao estilo ou por via de inspiração schumpeteriana.

 

A esfera das motivações políticas não se esgota, porém, nesta razão estratégica. Notemos que a concepção do Protocolo de Quioto comporta, entre outros, um óbice de monta: a ausência de um mecanismo eficaz que penalize o Estado que resolva sair do Protocolo, ou seja, a ausência da capacidade de retaliação. Por isso, não é por acaso que se admite agora a necessidade de o Protocolo de Quioto vir a ser ligado à Organização Mundial do Comércio.

 

Só que aquilo que se apresenta, por ora, impossível de resolver, ou, pelo menos, que é de muito difícil resolução no quadro global (ausência de autoridade que imponha retaliação), é facilmente resolúvel no quadro da União Europeia, enquanto entidade supranacional. A oportunidade de afirmação política para a burocracia centrada em Bruxelas trazida pelo Protocolo de Quioto é, evidentemente, de ouro, desde logo no quadro interno europeu. E, conseguindo êxito, nem que seja só no


comércio interno de emissões, fácil é de antever como se abrirão as velas ao vento em ordem a rotas mais alargadas...

 

Podem, é certo, tecer-se muitas outras e as maiores dúvidas sobre a viabilidade dos dispositivos postos em marcha pelo Protocolo de Quioto (quem vai pagar, e quanto, quem vai receber, e quanto, e afinal porquê?, não parecem questões facilmente ultrapassáveis a nível internacional) ou observar que talvez seja pouco sério tentar avançar com o mesmo sem os EUA, como propõe David G. Victor [cf. VICTOR (2004)]. Mas o que, do ponto de vista político, parece estar em jogo explica sem ambiguidades o ímpeto que Bruxelas coloca nesta frente política.

 

- Engenheiro Químico IST, Doutorado ISCTE, Professor no ISCTE

 

FIM DA II PARTE (de 3)

A Encruzilhada de Quioto

José Nunes Maia*  

 

Junho de 2005

 

RESUMO

 

Ao Protocolo de Quioto parece continuar a faltar uma base científica inquestionável, mas, em compensação, não lhe falta base política.

 

Contudo, em alternativa à total rejeição do mesmo, considera-se a hipótese de que possa vir a haver lugar a uma forte vigilância crítica à aplicação das políticas e medidas correlacionadas, levando em conta a mudança tecnológica que pode estar associada ao Protocolo de Quioto. Reflexos na hierarquia de linhas de investigação científica podem ocorrer.


 

1.     A Natureza do Problema

 

De muitos pontos de vista, são várias e delicadas as questões que se continuam a levantar em torno do Plano Nacional das Alterações Climáticas (PNAC), do comércio de emissões de gases com efeito de estufa, do Protocolo de Quioto. Importa, antes de mais, analisar a natureza do que está em causa.

 

Se atentarmos na versão claramente dominante entre nós, todos estes assuntos se interligam e têm uma raiz comum, a saber: em resultado da industrialização, vêm-se acumulando na atmosfera gases com efeito de estufa, de que resulta o aquecimento global do planeta, que, por sua vez, induz as alterações climáticas, com consequências económicas e sociais possivelmente desastrosas.

 

Daí que o assunto tenha passado a constituir desde há anos um tema obrigatório da agenda ambiental, de que resultou finalmente o estabelecimento do Protocolo de Quioto, hoje formalmente em vigor, após o compromisso definitivo da Rússia.

 

Mais, para a Comissão Europeia, e apesar de os EUA terem rejeitado o Protocolo de Quioto e de a Austrália não o ter ratificado, não só há que ir em frente, como, literalmente, trilhando o caminho aberto pelo Protocolo de Quioto, assim se vai vencer a batalha contra as alterações climáticas a nível planetário [cf. Winning the Battle Against Global Climate Change, título da Comunicação da Comissão Europeia ao CE, PE, CESE e Comité das Regiões sobre a estratégia de redução de emissões no médio e longo prazo, isto é, após 2012, doravante referida por CE (2005)a, datada de 9 de Fevereiro de 2005].

 

E através de que mecanismo vai ser isso possível? Basicamente, através da contenção na produção antropogénica de gases com efeito de estufa, objectivo primeiro do Protocolo de Quioto, cuja extensão no pós-2012 se admite agora dever ser tal que o aquecimento global, em relação aos primórdios da industrialização, não ultrapasse os 2º C, limite tido como máximo tolerável para evitar alterações climáticas brutais. Como ainda só teremos subido 0,6º C, restar-nos-ão assim alguns anos para podermos atingir o objectivo de a economia continuar a crescer sem que aquele limite seja ultrapassado.


 

Embora se não explique tudo, tem-se adiantado, ao jeito de explicação científica, que, como é do conhecimento corrente, são de muitos milhões as toneladas de dióxido de carbono – apresentado frequentemente como o principal dos gases com efeito de estufa – que a Humanidade vem colocando na atmosfera em resultado da queima dos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão). Sendo que o fez concentradamente no último século/século e meio. A emissão anual actual rondará os 6 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono e a acumulação dá-se porque o ritmo da retirada do dióxido de carbono da atmosfera não iguala o ritmo das emissões conjuntas, de origem natural e humana, para a atmosfera.

 

Ora, para mais repousando nestas explicações, como a ideia de prevenir situações mais ou menos catastróficas é do óbvio agrado geral, fácil é entender a adesão a estas preocupações e a ampla aceitação do conjunto de expressões que, na mente de milhões de pessoas, significarão o mesmo: alteração climática <> aquecimento global <> Protocolo de Quioto.

 

Acontece, porém, que as mudanças que se estão a começar a colocar em prática, desde logo o comércio de emissões, não são gratuitas, antes levantam sérios obstáculos, para além dos custos de oportunidade que também têm. No caso de Portugal, por exemplo e em resultado de um apertadíssimo objectivo global consentido na negociação tendente ao estabelecimento das licenças de emissão de CO2, são de prever dificuldades, a somar às existentes, em particular no que respeita às actividades exportadoras. Não obstante, as reacções havidas têm sido do tipo de quem, no mínimo, considera politicamente incorrecto levantar objecções de fundo à questão.  

 

1.1             – A Base Científica

 

Como seria de esperar, um assunto desta envergadura não avançaria, em especial a partir de Bruxelas, sem a indispensável cobertura científica.

 

Com a criação e actuação do IPCC (International Panel for Climate Change, ligado à Organização das Nações Unidas), dá-se por resolvido o problema. Mercê de modelos computorizados sobre o funcionamento do clima que têm sido desenvolvidos nos últimos anos, apesar das incertezas científicas que restam, conclui-se como provável (para não dizer, simplesmente, possível, já que se trata de cenários de evolução do clima) que as emissões dos gases com efeito de estufa estejam a originar o aquecimento global, a que se atribuem as alterações climáticas.

 


Só que, para a Comissão Europeia, as incertezas são aparentemente irrelevantes e tudo se passa como se o que é provável (ou possível), já seja certo. E como há alterações climáticas significativas, não há tempo a perder. Daí o seu programa. Que, eventualmente, não teria de ser igual, caso fosse determinado pelo princípio da precaução, aplicado de forma prudente, está bem de ver.

 

Não se estranhará, por isso, que, quando aparece a dúvida sobre a natureza profunda do que está em causa, a resposta incida sobre o alegadamente elevado número de cientistas que apoia este ponto de vista, não sobre a explicação científica propriamente dita. Para o primeiro-ministro britânico Tony Blair, por exemplo, ainda há cientistas que não estão de acordo com a importância dos gases com efeito de estufa de origem antropogénica nas alterações climáticas, mas são minoritários e em número decrescente (cf. The Economist, 1 de Janeiro de 2005, p. 29).

 

Aqui ocorre observar como tudo seria bem mais simples em ciência se o conhecimento científico fosse atingível pelo critério das regras democráticas . . .

 

Ora, o que, no plano científico, encontramos [cf. CHANG (1994), pp. 801-807] como incontroverso nesta área é que o dióxido de carbono concorre para o efeito de estufa pela facto de a estrutura molecular da substância química (CO2) ser dotada de 3 átomos, ao contrário do que acontece com o oxigénio (O2) e o azoto (N2), principais constituintes da atmosfera, que têm moléculas biatómicas mas mononucleares. A molécula de dióxido de carbono é susceptível de absorver radiações infravermelhas porque a energia recebida é posta ao serviço da criação de momentos dipolares (Grandeza física, cujo módulo se define pelo produto de uma carga eléctrica por uma distância), momentos que se extinguem quando a energia que “excitou” vibracionalmente a molécula for reemitida, de novo sob a forma de radiações infravermelhas, para a terra. É o efeito de estufa. Porém, a molécula da água (H2O) também é triatómica e heteronuclear [Como o é a molécula do óxido nitroso (N20); as moléculas de metano (CH4) e do hexafluoreto de enxofre (SF6) são estruturas ainda com mais átomos], para além de ser polar, o que lhe confere propriedade similar à do tão falado dióxido de carbono. Propriedade que escapa ao oxigénio ou ao azoto, como referimos, pela comum incapacidade estrutural de as respectivas moléculas, por serem mononucleares, gerarem momentos dipolares [A explicação científica aqui referida pode ser aprofundada – cf. BAIRD (2002), pp. 195-242. Não propomos aqui o seu aprofundamento por, atendendo ao objectivo do presente artigo, isso nos parecer dispensável].

 

É de tal modo assim que, tendo em conta a importante proporção relativa de vapor de água na atmosfera terrestre, cabe (cf. Global Warming: a closer look at the numbers, in http://geograft.com) à água e não ao dióxido de carbono a parte do leão do efeito de estufa. O vapor de água contribui com 95 % do efeito de estufa. Ou seja, apenas 5 % do efeito de estufa não é explicável pelo vapor de água, mas ainda assim estes 5 % não são da total responsabilidade das actividades humanas; eis por que se estima que a contribuição antropogénica do dióxido de carbono para o efeito de estufa se queda por 0,117 % e o Protocolo de Quioto, caso vingasse, não mais implicaria do que reduzir 0,035 % do efeito de estufa, no que respeita ao dióxido de carbono. Nesta linha de raciocínio, a conclusão é óbvia: a alteração da composição atmosférica provocada pelas actividades humanas é diminuta para efeitos do fenómeno do efeito de estufa. Para o Prof. S. Fred Singer, o Protocolo de Quioto não teria (cf. Global Warming: a closer look at the numbers, in http://geograft.com) mais do que um efeito imperceptível – cerca de 0,05 ºC – por volta de 2050.

Estamos, é claro, habituados a ouvir outros números acerca do papel do dióxido de carbono, concretamente, que é da ordem dos 72 % a sua contribuição para o efeito de estufa. Ora, esta cifra obtém-se descontando a contribuição do vapor de água e avaliando a contribuição do dióxido de carbono (e diga-se que total, de origem natural e antropogénica) no conjunto dos outros gases considerados no Protocolo de Quioto: metano, óxido nitroso, hexafluoreto de enxofre e outros.

 

Dir-se-á que o vapor de água, ao contrário daqueles gases também com efeito de estufa, com origem antropogénica [designadamente resultante da queima dos derivados de petróleo e do gás natural (Cabe lembrar que os derivados de petróleo, bem como o gás natural, são na sua maior parte hidrocarbonetos (compostos químicos à base de carbono e hidrogénio), daí que a sua combustão completa dê origem a vapor de água, além de dióxido de carbono)] não se acumula praticamente na atmosfera, pelo que, se queremos ver a influência das actividades humanas na alteração da composição atmosférica, lógico é que dêmos destaque aos gases que se acumulam na atmosfera. Entretanto, isso não nos autoriza a esquecer a globalidade do efeito e como é de efeito de estufa que se quer falar, não podemos esquecer a contribuição dominante do vapor de água para o mesmo.

 

Mas não é apenas por causa da contribuição do vapor de água que há quem conteste a alegada importância do dióxido de carbono antropogénico no efeito de estufa.

 

 

Global Warming: A Chilling Perspective, in http:// geocraft.com

 

Quanto ao clima e às suas evoluções, da disciplina da geologia há quem colha leitura muito diversa para o que está a acontecer. Quanto ao aquecimento global, pode dizer-se (cf. Global Warming: A Chilling Perspective, in http://geocraft.com) que, em rigor, não é de agora, ele vem tendencialmente verificando-se nos últimos 18 mil anos, desde o fim da última idade do gelo. E a explicação que, com base na teoria dos ciclos de menor amplitude temporal (ver gráfico), fornece para a evolução da temperatura média do planeta consente a interpretação de que pode ser mera coincidência verificar-se o aumento de temperatura que se vem registando desde a segunda metade do século XIX em simultâneo com o aumento do consumo dos combustíveis fósseis.

 

Muito curioso, a este propósito, é que se a teoria dos ciclos se continuar a observar, podemos afinal estar nas vésperas de um novo ciclo de arrefecimento, pelo que a última coisa que nos conviria fazer é tentar reduzir a presença de dióxido de carbono na atmosfera.

 

Seja como for, parece avisado que retenhamos a possibilidade de o aquecimento global implicar alterações climáticas, mas não rejeitemos a hipótese de as alterações climáticas ocorrerem por causas diversas.

 

Não deixa de ser intrigante, entretanto, que, do ponto de vista da base científica, o actual estado das coisas conduza ao panorama esboçado (Realmente, estamos a simplificar. A controvérsia é extensa e compreende outros pormenores, até, por exemplo, ao nível da mera linguagem usada na referência à substância dióxido de carbono: para os entusiastas do Protocolo de Quioto o dióxido de carbono é um poluente, enquanto que outros estranham como se pode chamar assim a uma substância central na organização da vida na Terra, já que metade da massa florestal é constituída por dióxido de carbono, retirado à atmosfera pela via fotossintética). Então não parece óbvio que se deveria organizar o diálogo frutuoso entre perspectivas tão antagónicas? O problema é que, de momento, o mesmo parece, no mínimo, adiado. Do lado da Comissão Europeia [Ou, se se quiser, do lado do seu staff; confira o extenso documento CE (2005)b], por exemplo, o silêncio é total sobre a visão contrária. Por sua vez, do lado dos que contestam o significado do dióxido de carbono antropogénico nas alterações climáticas, a acusação é cortante: a hipervalorização do papel do dióxido de carbono no efeito de estufa resulta simplesmente da eliminação do papel do vapor de água no efeito de estufa, ou seja, as estatísticas e os modelos computorizadas da parte oposta não consideram (cf. Global Warming: A Chilling Perspective, in http://geocraft.com) a contribuição do vapor de água.

 

Assim, a avaliar pelos conhecimentos científicos a que conseguimos aceder até ao momento sobre este assunto, são no mínimo duvidosos os fundamentos científicos em que se apoia o Protocolo de Quioto (O Anexo A do Protocolo de Quioto exclui, com efeito, a água, melhor, o vapor de água, da lista dos gases com efeito de estufa) e que a Comissão Europeia invoca para basear um programa de iniciativas tão vastas como o que propõe na linha do aprovado pelo referido Protocolo.

 

FIM DA I PARTE (de 3)

* - Engenheiro Químico IST, Doutorado ISCTE, Professor no ISCTE

 

CRÓNICAS DO BRASIL

Déjà vu

  

 

Nascida dentro de uma família açoriana, desde pequena aprendi a valorizar a ordem, a paz, a limpeza. Admirar a beleza, contribuir com a manutenção e preservação do meio ambiente, sempre entendi que fossem atitudes universais, correctas para o bem viver. Por isso, quando ia ao sul do Brasil, em especial a Florianópolis, sentia-me bem, era chegar a um lugar onde as pessoas me pareciam mais responsáveis com a coisa pública, com a natureza.

Floripa - Santa Catarina

 

Mas em recente visita de férias à capital de Santa Catarina, terra por mim muito querida e apreciada, fiquei apreensiva com o que vi. Naquele paraíso de verdor e de lindas praias, já aparecem áreas degradadas, colinas desmatadas, perigosamente invadidas por construções mal ajambradas, desordenadas, definindo áreas de favelas. Em algumas praias esgotos não tratados e lixo espalhado, contaminando as areias e o mar, antes transparente e límpido onde era prazeroso o banho e o descanso à beira-mar. A violência já se percebe em locais de maior movimento. Profusão de obras, algumas até majestosas, tiram o visual do mar, tudo em nome do “desenvolvimento,” do comércio e da exploração imobiliária.

 

Senti uma sensação desagradável do “déjà vu”, e lembrei-me do que aconteceu a partir da década de 60 à Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Depois da instalação dos oleodutos da Petrobrás e do rápido crescimento da população, a ilha entrou num processo de descaracterização. As calmas águas da Baía da Guanabara, antes límpidas e convidativas, começaram a apresentar manchas de óleo escuro e viscoso que sujavam tudo aonde encostavam. Os esgotos, não tratados, vertidos para as praias, poluíam o ambiente com dejectos mal cheirosos que turvavam as águas. Os peixes, antes abundantes, rarearam. Os frequentadores das praias se retraíram e os turistas ano após ano quase desapareceram. A vegetação da Ilha foi dando lugar a construções rudimentares e mal acabadas, em geral feitas em lugares impróprios pela falta de espaço. As autoridades, passivas, a tudo assistiram, deixaram as coisas correrem, a ponto de hoje nada mais poderem fazer. A população cresceu, mas as adequações não foram feitas. Os problemas sociais agravaram-se. As favelas proliferaram, passaram a não só abrigar gente simples e humilde, mas também traficantes que comandam o “pedaço”, traficam drogas e vendem “protecção”. Na Ilha a violência cresce dia a dia, pessoas ficam reféns dos marginais, tudo por causa do descaso dos políticos e da inoperância dos nossos serviços. Só os mais velhos, que ali viveram, viram esse paraíso tropical se transformar num sítio urbano super populoso do qual pouco resta do antigo charme e beleza.

 

Olho a bela Floripa e meu coração estremece ao perceber as manchas da doença social se alargando sobre a Ilha de Santa Catarina, avançando sobre a cidade, tampando com os outdoors e excesso de construções a beleza natural da Ilha.

 

Será que os administradores e políticos sulinos estão alertados para essa realidade? Tomara que eles não se deixem levar pela ambição e que de facto assumam a suas responsabilidades, não deixando que se perca mais um paraíso tropical brasileiro.

 

Uberaba, 8 de Março de 2007

 

Maria Eduarda Fagundes

O CRISTO HISTÓRICO

Na mesma velocidade que se multiplicam as seitas de cariz religioso, grande número delas não passando de violentas fraudes e altíssimo negócio, os livros mais vendidos mundo fora, são os chamados de «auto-ajuda». Alguns deles verdadeiros monumentos à anti-literatura, mas ... vendem, e bem.

Tudo isto porque o homem cada vez mais procura por algo que não está disposto a encontrar. Ele quer o milagre fácil, a satisfação do seu eu em primeiro lugar, a promoção rápida no trabalho, a lotaria, enfim qualquer coisa que o satisfaça individualmente, lhe dê uma hipotética tranquilização da consciência, quando a tem.

 

E assim vão surgindo best-sellers, como “O Código de Da Vinci”, que vendem milhões e milhões e baralham as já fracas ideias e conceitos de outros tantos.

 

Surge agora mais um sensacionalismo: a descoberta de uns sarcófagos em Jerusalém que terão o nome de Jesus! E os «cientistas» querem provar, pelo DNA, que os ossos lá encontrados seriam de Jesus Cristo. Deve ser um tanto difícil comparar o DNA daqueles ossos com quem quer que seja, uma vez que não se sabe onde encontrar um parente cientificamente reconhecido! Muito menos com o DNA de Deus!

 O DNA de Deus? Blasfémia, claro !

Luta-se, ganha-se notoriedade e muito dinheiro com o Cristo homem, mas ninguém está interessado em discutir, e sobretudo seguir, o Cristo Homem. O Filho de Deus Vivo.

 O que Ele nos deixou supera tudo quanto seja possível apurar pela Ciência. Não há DNA que o possa negar.

Ele nos disse que nos “amássemos como irmãos” e nisso ninguém está interessado.

 

O interesse pelo Cristo histórico é puramente material. Vai vender. Filmes, livros, discussões, vergonhas, e o Cristo Verdadeiro continuará a ser ignorado, desprezado, se possível erradicado.

 O Cristo Verdadeiro incomoda. Já um dia expulsou os vendilhões do templo. Os que se aproveitavam da simplicidade dos menos favorecidos, dos fracos, para os espoliarem ainda mais.

Como se pode seguir a Sua Palavra, como se pode amar o próximo, fabricando e promovendo a venda de armamentos? Criando problemas para surgirem as guerras? Permitindo a venda de drogas pesadas que desfazem a vida dos fracos que se viciam? Concentrando cada vez mais riqueza na mão das indústrias farmacêuticas que ensaiam novos produtos em cobaias humanas em África, ou dos que fabricam medicamentos falsos? Fingindo que não vêem os constantes genocídios praticados por esse mundo todo, sobretudo em África, cada vez que surge do subsolo uma riqueza nova? Aceitando que os bancos espoliem os necessitados com lucros fabulosos? Ninguém parece interessado na Verdade.

O mundo não será um local pacificamente habitável enquanto cada um não se renovar a si mesmo. Enquanto a covardia predominar e os frouxos continuarem a preferir seguir o lucro do que o caminho da Paz.

Há algo de errado na condução do mundo, incluindo o cristão. O primeiro erro, grande, é a desagregação. Católicos, ortodoxos, luteranos, anglicanos, baptistas, metodistas e tantos outros, sem contar as modernas e imensas «casas de negócio» à sombra do nome de Jesus, além do abismo que se continua a promover entre o Ocidente e o Islão. Quem vai ouvir quem e porquê?

 “Conhece-te a ti próprio.” Olha-te bem no espelho! O que estás a fazer para melhorar a vida nesta terra?

 “Faz pelo próximo o que gostarias que fizessem por ti.” O que tens feito? Dás uma migalha das que te caem da mesa? Ou daquelas que descontas no imposto de renda?

 “Dá-te a ti próprio.”

Não te preocupes com o Cristo histórico, mas com a Mensagem da Verdade. Segue-a.

Não há, verdadeiramente outro caminho.

Rio de Janeiro, 2 de Março de 2007

Francisco Gomes de Amorim

A vitória em S. Mamede

Teresa, para os botões do seu corpete, após o recontro de S. Mamede - que ela venceu

“Por fim, tenho ao alcance das minhas mãos o reino que foi de meu tio e que meu pai me negou. A mim, a sua filha preferida, só porque os senhores bispos ousaram fadar-me de ilegítima por ter nascido fora do ritual que Roma agora nos impõe. Para Urraca, minha irmã, a legítima que a Igreja incensava, tudo: reinos e senhorios, um primogénito para desposar (que de pouco lhe valeu, se não ela não teria chamado o meu Henrique para seu condestabre e sabe-se lá para que mais). E eu que me bastasse com um filho segundo que não tinha onde cair morto e um condado feito de bocados, cheio de gente rude que não conhece senhor e de moçárabes, os de Coimbra, que não são de fiar. Foi isto que de meu pai, Alfonsus Imperator, recebi. Ah! Mas eu ambicionava um reino, que só um reino era digno de mim. E reino havia. A Galiza, que meu avô Fernando fizera reino e doara a seu filho Garcia, morto este, quedara sem suserano a quem chamasse seu. Os grandes condes galegos, os Travas, os Toroños, os de Orense, instigados pelo bispo Xelmirez (que eu nunca o tenha por inimigo), bem se levantaram contra Leão, uma e outra vez. Não lhes faltava pretexto, ao verem tantos Francos a insinuarem-se nos favores reais e a instalarem o seu poder e as suas linhagens onde, até há pouco, era só terra de Godos. Faltava-lhes, sim, quem tivesse estirpe igual à da leonesa que queriam expulsar. De mais sabia eu o que atormentava Xelmirez. Não era a sorte do reino galego e dos seus ricos-homens. Era, sim, o medo de perder para o bispo de Toledo, Primaz das Espanhas desde os tempos dos reis antigos, e para mais um Franco, a veneração e o temor que Compostela, qual Compostela! que ele, Xelmirez, inspirava na nossa cristandade. O bispo de Braga, manhoso como todos os da sua raça, lá tem manobrado entre Compostela e Toledo para ver se agarra umas quantas mais sés sufragâneas, que sempre vão rendendo bons proventos. Durante anos e anos apoiei-o nessa lide, na esperança de fazer do condado portucalense um reino. Tarde me apercebi que Urraca nunca mo permitiria. Ainda esperei que ela, ora entretida a fazer guerra ao seu segundo marido, o navarro Alfonso (dizem que pouco dado à peleja amorosa...), ora distraída nos braços do seu amante Haro, me desse azo. Nunca mo deu. Estava escrito que o reino da Galiza seria o meu destino. Por ele lutei. Por ele venci. Mas não foi fácil. Aquela ideia de desposar uma filha minha com o meu amante Bermudo (quando este, por morte de seu pai, Pero Froilás, encabeçou o condado de Trava) para assim ter do meu lado os condes galegos e os seus homens d’armas, ia deitando tudo a perder. Incesto! Vociferava a nobreza de Entre-Douro-e-Minho. Incesto! Acusava o bispo bracarense e, com ele, todo o clero nas igrejas. Incesto! Repetiam cavaleiros vilãos e herdadores. Qual incesto! Estes, o que temiam era a sede insaciável dos nobres por terras, honras e senhorios. Disse-lhes que só uma rainha poderia reprimir tais apetites – e eles acreditaram. Hoje, não estiveram por mim, mas também não pegaram em armas, Deo gratias. Ao bispo de Braga não demovi, por mais que lhe jurasse que eu (não já condessa, mas rainha) nada ganharia com tornar Compostela a sé maior dos meus domínios. Os nobres portucalenses, esses, sabia eu, não queriam ver-se arrastados pelos seus senhores galegos para uma guerra com Leão da qual não esperavam tirar, nem honra, nem proveito: perdida a causa, não escapariam à vingança que de lá viria; em caso de vitória, só algumas migalhas lhes tocariam. Razão tinham, pois os fossados por terras de sarracenos sempre rendem melhores presas. Foi isso mesmo que eu lhes mostrei. Comigo rainha, seriamos, nobres galegos e nobres portucalenses, suficientemente fortes para fazer como meu pai e meu avô: assolar as cidades mouras, submeter os seus príncipes e obrigá-los a pagarem párias em ouro, prata, armas, cavalos, enfim, em tudo aquilo que serve para reter fidelidades e curar despeitos. Alguns convenceram-se, e estiveram hoje sob o meu pendão. Outros, na sua cegueira, arrastaram o meu filho contra mim. Bem lhe disse que este era o momento de eu ser rainha e de ele, um dia, ser rei. E mais lhe disse que, condes, só o seriamos enquanto soprassem bons ventos da corte leonesa. O momento era agora. Desaparecida a minha irmã (de parto! com quarenta anos já feitos!), com o meu sobrinho Alfonso ainda mal sentado no trono, Leão levaria tempo a reagir. E levou, se é que pensou fazê-lo. Os de Bragança, chamados em auxílio pelos que se me opunham, ainda devem estar à espera da ordem para avançar do seu suserano leonês, porque no campo de batalha não se fizeram ver. Laus Deo, que à vista das hostes dos Travas e de tantos outros cavaleiros galegos, mais aqueles que de cá se me juntaram, os que se escondiam atrás do meu filho acharam melhor furtar-se à peleja. Antes assim, que não se semearam novos rancores. E agora? Ala para Compostela, a preparar-me para quando Leão ripostar. Afonso Henriques virá comigo. Assim os que me combateram vão ficar a saber que também sei perdoar (e como necessito deles para o embate que aí vem!). Disputarei a Leão as párias das taifas mouras: Badajoz, Sevilha, Córdova e mais além, mas não impedirei que os meus cavaleiros, nobres e vilãos, continuem a lançar os seus fossados e correrias por terras de infiéis. Aos poucos, despojarei Leão das fontes que lhe têm dado riqueza e poder. Aos poucos, a corte leonesa, sem mais riquezas para distribuir, desmembrar-se-á. Será esse o dia de eu entrar em Leão. Mas deixarei o condado de Castela seguir o seu caminho. É melhor assim. Castela, em permanentes lutas com navarros e mouros saragoçanos, jamais reunirá forças para me ameaçar, e sempre irá mantendo longe de mim aqueles que hoje a guerreiam. Toledo não tardará a ser minha também. E, então sim, farei do Douro, do Tejo, do Guadalquivir e do Mar os fortes esteios de um grande reino que ninguém poderá alguma vez destruir. O domínio absoluto sobre metade da Hispânia, do mar ocidental às pastagens da Meseta, das Astúrias às costas da Bética e, porque não? de Múrcia - talvez um Império, se o Papa se deixar convencer – eis o que será de Afonso Henriques quando eu morrer. E morrerei em paz, reparada que fica a injustiça que meu pai me fez.”

Lisboa, Janeiro de 2007

 

a. palhinha machado

 

O QUE SERÁ DO FUTURO?

 

 

As novas sobre o clima e a repercussão dele sobre o meio ambiente são assustadoras. Mesmo com todo o alarde das pesquisas científicas e das organizações não governamentais que divulgam os graves riscos que a população mundial corre, muitos governos ainda não perceberam a importância da tomada de medidas urgentes para tratar e resguardar a natureza.

 

Segundo o IPCC (sigla inglesa para Painel Internacional para Mudança Climática), em Abril deste ano, em Bruxelas, sairá um relatório questionando o impacto que o efeito estufa está trazendo ao clima e as alterações sobre o meio ambiente, dele decorrentes. Segundo o jornal australiano “The Age”, há sérias perspectivas para um futuro próximo de fome e falta de água potável. Segundo estudos já divulgados, a temperatura do planeta está aumentando e pode chegar ao final deste século a mais de 4, 5 graus C acima dos níveis normais pré-indústrias, levando ao degelo gradativo das calotes polares e à elevação do nível dos mares com a possibilidade do desaparecimento de parte das cidades litorâneas em todo o planeta.

 

A Austrália, reciclando a água de esgoto para fazer frente à seca e aos incêndios, mudanças climáticas, tempestades e inundações em uns lugares, calor intenso e secas em outros, é a natureza em desequilibro, gritando sua revolta contra a poluição, ameaçando a biodiversidade e a persistência da vida humana na face da terra. Se não houver conscientização e atitude generalizadas da população e dos governos para a protecção do que resta dos nossos recursos naturais, o futuro será de facto preocupante.

  Que temanho teria o buraco do ozono quando Fernão de Magalhães descobriu o Estreito que ficou com o seu nome?

O Brasil é um dos países mais ricos em recursos hídricos e vegetais da Terra, mas por falta de educação ambiental e de políticas adequadas, ou por políticas egoístas e equivocadas, está perdendo a guerra contra a destruição do seu ainda rico meio ambiente. A poluição, por falta de atitudes governamentais efectivas e correctivas na área de limpeza urbana e saneamento, o desmatamento desregrado de áreas agricultáveis, o desrespeito às matas nas orlas fluviais, os esgotos escoados para os rios e mares sem o devido tratamento, o desleixo da população que joga lixo e plástico em ruas, praias e mangueirais, ameaçando a preservação da flora e da fauna, o desperdício com a má utilização da água doce, a exploração descontrolada da Amazónia, as queimadas e a destruição de parcelas enormes da floresta, pulmão do planeta, são atitudes que prejudicam não só a qualidade de vida as pessoas do país, mas de todo o mundo.

 

O noticiário da TV diariamente anuncia:

Lixo espalhado no espaço e no fundo do mar, maré vermelha, desaparecimento de espécies de animais e plantas, ar carregado e abafado nas cidades, clima quente onde era frio, frio onde era quente, tempestades de granizo no Verão, praias de águas sujas, inadequadas para banhos, chuvas constantes e abundantes levando à destruição de estradas, barreiras, pontes, casas, árvores e plantações. Inundações, tsunamis, secas, até na região amazónica, incêndios ambientais, todos esses sinais devem ser interpretados como um aviso do que nos espera.

 

Uberaba, 28 de Fevereiro de 2007

 

Maria Eduarda Fagundes

CRÓNICAS DO BRASIL

Os ratos da montanha

 

Não vamos falar dos Lusitanos, que descendo das montanhas faziam razias sobre os romanos, nem dos talibans que, escondidos nas Hindu Kush, desnorteiam e desmoralizam as chamadas “forças de coalisão”, já mais que descoalisadas! Por ora vão só notícias desta terra “onde se plantando tudo dá”!

 

Nalguns aspectos dá até demais. No Carnaval, por exemplo, a grande festa nacional, onde as escolas de samba só do Rio gastam mais para se exibirem uma ou duas vezes nas passarelas, do que o orçamento nacional para a segurança!

 

No Recife, a terra do Frevo, música bonita, na semana alegre carnavalesca houve ­­­ 29 assassinatos e mais 41 no restante do Estado de Pernambuco, além de 295 ónibus depredados, 125 a mais do que no ano anterior. E o ilustre secretário de Defesa Social lá do pedaço declarando que a Operação Carnaval foi um sucesso! A matarem assim e a depredar os ónibus, a cidade do Recife, não tarda é um deserto!

 

FREVO, DANÇA TÍPICA DO GALO DA MADRUGADA

 

Salvador ficou-se com 21 míseros homicídios e 59 arrastões em ónibus e o Rio com os triviais duelos polícia-bandidos, assaltos a cariocas e turistas – 2 franceses, 2 chineses, um polonês e outros assim variegados – que nem entram nas estatísticas e nem dá para calcular o número de mortes. Até o ministro das finanças foi assaltado e mantido como refém enquanto os bandidos foram ao banco levantar uns “trocos”, mas... o ministro não deu queixa! Talvez por vergonha. É mesmo uma vergonha. O trivial.

 

De facto o Carnaval é uma alegria... permanente.

 

Entretanto, o congresso recebe milhares de propostas de ilustres deputados, como a de uma sobredita que quer consagrar um dia nacional ao Frevo, por ser uma musiquinha da terra dela, outro quer regulamentar a profissão de surfista, um terceiro propõe que os enteados possam adoptar o sobrenome dos padrastos, uma outra quer proibir que as bicicletas andem na contramão dos automóveis, etc., etc. Um afã legislativo de profundíssimo alcance nacional, moral, social, económico e outros encómios.

 

Entretanto continua a tratar-se da violência como pouco mais do que de caso social. E como os casos sociais não se resolvem em menos de uma a duas gerações, a discussão sobre o aperfeiçoamento das leis, das condições carcerárias, da redução da idade para que um de menor, que assalta com pistola automática calibre 45, utilizada pelos marines dos EUA, possa responder como adulto, vai sendo protelada.

 

Hoje, um preso, mesmo por crime considerado hediondo (e os outros não o serão?) basta-lhe cumprir 1/6 da pena para sair em liberdade. Alguns entram com 18 anos de idade e 20 de condenação e, se não fugirem, ou a justiça se enganar, situações ambas bastante comuns, no máximo ao fim de 3 anos e 4 meses voltam para o meio da “sociedade” praticando a sua profissão com muito mais hediondez, aprendidos novos e requintados métodos nas prisões.

 Não se discute a reforma fiscal porque..., a política porque... e muito menos a da segurança social, falida, como em quase todo o mundo, porque isso tira votos. Quem vai querer aprovar uma reforma, séria, da segurança social, quando há ladrões, repetindo, ladrões, que à sombra de leis que eles próprios criam, continuam na activa, por exemplo como deputados, recebendo além da enormidade com que se pagam mais duas aposentadorias integrais por terem sido governadores de um estado e substituto durante seis meses de outro, ou como o Nosso Grande Líder que nem de meia dúzia de anos trabalhou, cortou um dedo e continua a receber cerca de 12 salários mínimos por mês.

Tem militar que à sombra dessas leis em proveito próprio, chega a receber mais de 15.000 Euros por mês, em casa, descansadão, dando risada na cara dos bobos como eu e talvez 99% da população do país que trabalharam mesmo e de repente viram os seus proventos reduzidos a quase nada!

 

Leis para levarem este país onde “se plantando tudo daria”, ninguém faz. Dá trabalho e não dá votos.

 

As nossas montanhas legislativas e executivas só parem mesmo é ratos. De esgoto.

 E o Brasil já teve coisas maravilhosas!

Abram http://www.youtube.com/watch?v=sMd0Iw1t9Co e depois chorem de saudade e de alegria!

Rio de Janeiro, 24 de Fevereiro de 2007

 

Francisco Gomes de Amorim

 

COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA

O PADRE E OS  ESPANHÓIS

 

Numa pequena povoação, mesmo junto à fronteira entre Portugal e Espanha, a Igreja fica cheia para a missa das 10h:  portugueses,  espanhóis, o Presidente da Junta, etc.

O Padre começa o sermão:

- Irmãos estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus... Aquele povo
desgraçado como esses espanhóis que estão aqui...

  Ohhhhhhh!!!!

O maior tumulto tomou conta da igreja. Os espanhóis ofenderam o padre, houve porrada na porta da igreja. O Presidente da Junta levou as mãos à cabeça, indignado.

Acabada a confusão, o Presidente da Junta foi falar com o padre na sacristia:

- Sr. Padre,  vá devagar, os espanhóis vêm para este lado, gastam nas lojas,
nos restaurantes, trazem divisas para Portugal. Não faça mais  provocações
.

Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: o Padre e o sermão de Domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi fazendo com que as pessoas ficassem curiosas e a querer saber mais sobre o que tinha acontecido.

Finalmente, chega o Domingo. O Presidente da Junta chega à sacristia e fala com o Padre:

- Padre, o Senhor lembra-se da nossa conversa, não? Por favor, não arranje nenhum problema hoje,  ok?

Vem a missa e o Padre começa o sermão:

- Irmãos . . . Estamos aqui reunidos hoje para falar de uma pessoa da Bíblia:
Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas
espanholas que estão aqui . . .


Caldeirada geral: pancadaria na igreja,  partiram velas nos corredores,  
chapadas, socos e alguns internamentos no SAP da povoação. O Presidente da Junta foi novamente ter com o Padre:

- Padre, o senhor não me disse que iria com mais calma? ... Se o senhor não
amansar, vou escrever uma carta ao Bispo e pedir a sua retirada imediata !


Naquela semana, o tumulto era maior ainda. As conversas eram maiores ainda.
Ninguém iria perder a missa do Domingo seguinte nem que a vaca tossisse. Na manhã de Domingo, o Presidente da Junta entra na sacristia com a Polícia e adverte o Padre:

- Sr. Padre, não provoque desta vez, senão acuso-o de provocação de tumulto e vai dentro!!

A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente. Começa o sermão:

- Irmãos . . . Estamos aqui reunidos hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia

O Presidente da Junta respirou aliviado . . .

- Jesus, naquele momento, disse aos apóstolos:" Esta noite, um de vocês trair-me-á.” Então João pergunta: “Mestre, sou eu?” 
E Jesus responde: Não, João, não serás tu”. Pedro pergunta: “Mestre, sou eu?” E Cristo responde: “Não, Pedro, não serás tu.” Então Judas pergunta:   “Mestre, soy Yo? . . .”

A PORRADA FOI GERAL !!!!!

  Os pássaros não respeitam as fronteiras

-  *  -  *  -  *  -

Esta anedota foi-me enviada por um diplomata amigo que, sem  pedir o anonimato nem me dizendo fosse o que fosse nesse sentido, me deixou a liberdade de interpretar o seu silêncio como melhor me parecesse. Pareceu-me conveniente optar pela actual solução em que sou eu a assumir integralmente esta perspectiva de que as relações transfronteiriças sempre foram matéria de alguma subtileza.

Se a evidente crispação transfronteiriça não fosse uma realidade um pouco "urbi et orbi" onde duas culturas geograficamente se tocam, poderiamos tomar esta peça como uma simples anedota. Não creio que o devamos fazer com tão grande simplicidade.

Lisboa, Março de 2007

Henrique Salles da Fonseca

O VICE-REINADO DO PRATA (4)

 DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA

 

A PRESENÇA INGLESA  

  

 

No final da parte (3) vimos que a Espanha encontrou apoio no grupo mercantil da colónia e da metrópole e nos latifundiários, que lutariam contra os prejuízos do contrabando e as pastagens do gado respectivamente. Estes dois grupos estabeleceram aliança, que acabou por transformar em característica comum a todas as colónias hispano americanas com base em princípios e interesses económicos.

 

 O farol de Colônia do Sacramento. Farol de Colónia do Sacramento

 

     

A existência do contrabando enraizado entre os povos sul-americanos revela não apenas as mazelas do sistema colonial como também aspectos do comércio das colónias americanas. O factor de fundamental importância é que por trás do contrabando exercido pelos portugueses no Prata e pelos brasileiros depois da autonomia, operavam os ingleses.

 

(...) Os portugueses esforçaram-se por colonizar as imediações do Rio Grande e implantar ali os seus rebanhos com o fim de prover as necessidades do Rio de Janeiro. O exercício do contrabando foi tal, que fez cessar o comércio com os espanhóis e diminuir a arrecadação fiscal.

 

Desde os fins do século XVII, a Inglaterra pressionava Portugal com o objectivo de alcançar sua presença no Prata. O esforço inglês na conquista do mercado platino resultou na fundação, em 1680, e luta para a manutenção da Colónia do Sacramento pelos portugueses. Sacramento facilitou tanto o contrabando no estuário, quanto a apropriação das pastagens e dos rebanhos da Banda Oriental. A luta pela conquista ou pela destruição dessa praça lusa, que facilitava o contrabando, quebrando o monopólio da coroa espanhola, foi problema permanente  dos governantes coloniais e dos mandatários de Madrid.

 

"O êxito da ofensiva espanhola foi tanto mais surpreendente quanto, na defesa da Banda Oriental, Portugal pode contar com o apoio da Inglaterra."

(...) "Houve reclamação inútil ao governo do Rio de Janeiro no sentido de restituir a Colónia de Sacramento.

(...) A Inglaterra interessava comerciar pelo Rio da Prata para poder fazer chegar a Lima, por terra, os seus produtos. Estimulados, os portugueses, donos da Banda Oriental do rio, reforçaram a praça. O comércio de contrabando foi em aumento, com benefício para os habitantes de Buenos Aires e do interior, mas com grave dano para os interesses dos comerciantes da metrópole."

 

(Carlos H. Pizzurno: Leciones de História Argentina, Buenos Aires, 1939 pág. 279)

 

       

A fundação de Montevideu (1726) destinada a nova cidade e porto era servir de base aos navios que fariam o policiamento comercial do estuário. Visava quebrar ou enfraquecer as possibilidades, já amplas, de contrabando que a Colónia do Sacramento permitia.

   

"A história das lutas pela destruição ou conquista da Colónia do Sacramento pelos espanhóis, na realidade, abre o largo quadro dos conflitos platinos em que o Brasil se viu envolvido, antes e depois da autonomia, encerrado com a guerra contra o Paraguai".

 

No século XVII, a Inglaterra dividia com a França os direitos e lucros do contrato na competição pelos mercados americanos. Quando esses direitos e lucros foram monopolizados pela Inglaterra, a França perdeu sua posição na concorrência. A Inglaterra ganhou os privilégios ligados a Buenos Aires. À South Sea Company (Companhia do Mar do Sul), cabia o direito de adquirir terras na região. Apesar da alteração nas relações anglo-espanholas, a Companhia reafirmou suas pretensões territoriais por toda a duração do contrato. Assim Buenos Aires se manteve como a maior feitoria comercial da Inglaterra na América do Sul. A preeminência inglesa na região platina, acompanhava a preeminência de Buenos Aires. O comércio exercia uma função progressista e a Buenos Aires cabia uma função revolucionária.

 

A presença absorvente da Inglaterra no mercado platino e no porto do estuário iniciada no século XVII e em pleno desenvolvimento no século XVIII, iria marcar o pensamento económico e político predominante na época da independência. Ligaria a separação e o repúdio à dependência para com a Espanha à ideia de liberdade ampla do comércio. Liberalismo político e económico dominavam o pensamento de todos os grandes homens da fase da autonomia. A ideia capitalista desempenhou, na conquista da independência, um marco profundo e decisivo.

A cidade vinha sendo preparada desde o século XVIII, com a sua função comercial eminente e com os interesses que congregava e representava. O movimento pela autonomia, que liderou e desencadeou, foi diferente dos outros da época; mesmo daqueles surgidos na área de dominação espanhola. Diversa daquela que teve, por exemplo, o Rio de Janeiro. Na sede colonial portuguesa não existia o núcleo mercantil com as características do existente em Buenos Aires, nem a aliança dele com o latifúndio tinha o mesmo carácter. O latifúndio brasileiro era agrário e escravista.

 

No entanto, a presença da Inglaterra foi marcante. Abrangeu a totalidade da área colonial do continente em todo o movimento emancipador. O objectivo era desvendar e dominar o vastíssimo mercado nela contido. As faixas principais eram, certamente, o Brasil e o Prata. No caso brasileiro, as condições foram facilitadas pela dependência em que Portugal já estava, há muito, em relação à Grã-Bretanha. Dificultadas, no caso platino, pela rivalidade anglo-espanhola. Neste caso, a Inglaterra coloca-se atrás de Portugal e do Brasil para actuar no Prata. A questão platina, com seus episódios militares inclusive, é a longa história da luta da Inglaterra para dominar o mercado sulino. Tem seu último ato, com a participação brasileira, na guerra contra o Paraguai. Sua finalidade - quebrar o isolamento em que vinham mantendo os governos de Francia e dos Lopes naquele país. Esta foi a causa fundamental da questão platina.

 

Campo Belo, 24 de Fevereiro de 2007.

 

Therezinha B. de Figueiredo  

    

 

 

 

CURTINHAS XXXV

Reflexões sobre Democracia: Liberalismo e neo-liberalismo

v     Reina por aí alguma confusão ideológica quando se discute o liberalismo económico e a sua excrescência mais recente, o neo-liberalismo.

v     É certo que o liberalismo nasceu em berço ideológico e daí o enorme esforço intelectual que preencheu a 2ª metade do séc. XIX e boa parte do séc. XX para demonstrar a excelência inexcedível dos seus princípios (de que Pareto e as teorias do equilíbrio geral são, sem dúvida, belos exemplos).

v     Todas essas construções teóricas, umas mais matematizadas, outras mais discursivas – e mesmo aquelas que se lhes opunham – tinham em comum, porém, o seguinte: lidavam mal com os conceitos de dinheiro e de risco, se é que não os ignoravam tout court. E logo dois dos ingredientes essenciais ao modelo (o modelo do mercado) que se queria, apesar de tudo, enaltecer!

v     Em boa verdade, defensores e críticos, todos eles se apercebiam claramente de que o modelo do mercado, como então era praticado, tendia a gerar, fosse onde fosse, uma dinâmica imparável de desigualdades que caprichavam em reter na aba esquerda (nos quantis inferiores) da curva de distribuição do rendimento quem tivesse o infortúnio de lá cair. Só que nem uns nem outros estavam intelectualmente preparados para resolver este problema.

v      Os defensores porque, imbuídos de preocupações ideológicas, atribuíam isso, não à pureza do modelo, mas ao modo canhestro como ele era levado à prática – e recusavam-se a ver o óbvio: que o modelo do mercado, abandonado ao laissez faire e desprovido das duas regras que referi no artigo anterior, não possui mecanismos que contrariem espontaneamente a exclusão e a consequente ruptura do tecido social (para não falar já da tendência para a contracção do produto potencial através do desemprego).

v      Os críticos porque, com preocupações não menos ideológicas, se regozijavam com o que entendiam ser o pecado original do próprio modelo que queriam exorcizar – e afirmavam, sem nada provar, que tudo seria diferente com um ditador iluminado.

v     Por razões exclusivamente ideológicas, ainda que de sinal contrário, ninguém parecia muito interessado em desbravar o modelo do mercado e em conhecer-lhe os limites. Hoje, no entanto, já se vão dissipando algumas das dúvidas sobre a verdadeira natureza do pensamento liberal.

v     Começa a ser evidente que liberalismo não é sinónimo de ausência absoluta de regras (como pretendia o laissez faire). Muito pelo contrário, é um corpo de princípios e regras que visam manter a sociedade plural e sempre disponível para a mudança. É, também, um crivo que leva a banir regras que espartilhem sem propósito as preferências individuais. É, por fim, um tipo de organização social que necessita de ser completada por soluções que não passam por trocas monetárias, escapando assim à interpretação estrita do próprio modelo.

v     O aspecto mais desesperante, porém, resulta do facto de o modelo do mercado funcionar de modo aceitável na esfera real (produção, distribuição, orientação do excedente), mas não dispensar, nem um ditador iluminado (a Autoridade Monetária) na esfera nominal (volume e preço da liquidez), nem transferências de rendimento que parecem, também elas, fazer apelo às luzes de um ditador benevolente.

v     Por fim, há a propensão de considerar sistema capitalista como sinónimo de modelo do mercado. Não é. Do modelo do mercado, o sistema capitalista retém, apenas, duas coisas: (a) a organização social baseada na divisão do trabalho; (b) sujeitar a distribuição do produto social e a orientação do excedente a restrições de natureza monetária.

  v No mais, o capitalismo é uma das várias formas (e uma forma bastante extremada, aliás) que o modelo do mercado pode revestir. Uma variante na qual o capital financeiro (concentrado num número reduzido de mãos privadas ou no aparelho administrativo do Estado) aparece sozinho em cena para estruturar a sociedade e organizar a distribuição do produto e a orientação do excedente. O que é dizer, no capitalismo, fora do capital financeiro nenhuma diversidade terá maneiras de se manifestar.

FIM

Fevereiro de 2007

 

a. palhinha machado

                       Bilhete verde, eis o "ditador iluminado" do capitalismo

1 Dolar

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D