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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

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Francisco Gomes de Amorim - autoretrato

Ambição, devassidão...

 

“O que torna impuro o homem é o que sai do seu interior. É de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”. Palavras do Homem que crucificaram e mataram por ter enfrentado os fortes e poderosos deste mundo, conforme São Marcos.

Sérgio Buarque de Holanda, como Gilberto Freyre, consideram o brasileiro um “ser cordial”. E é. Basta ver o sorriso e a disponibilidade como recebem e tratam o desconhecido, como acorrem, mesmo pobres, a dividir o pouco que possuem com as vítimas de alguma catástrofe, como cantam e dançam em todos os momentos de folga para dar vazão à sua alegria natural e cordialidade social. Há alguns anos uma escritora, agora citada n’O Globo, quis contradizer os dois grandes mestres da história e sociologia brasileira procurando demonstrar que o brasileiro é violento por ser “descendente da ordem escravocrata”! Um absurdo. Andando pelo interior imenso do país, pela caatinga, pelas serras das “Gerais”, na casa mais modesta, na aldeia mais remota, sempre se encontram as portas abertas, a divisão dum pouco de pão, mandioca ou rapadura - quando há - e sobretudo um sorriso e um carinho que só as gentes cordiais sabem dispensar sem favor.

Apesar da desgraça dos 50.000 homicídios por ano que acontecem no Brasil, esta cordialidade não se encontra em povos que “não matam”, como em qualquer país da Europa, por exemplo. Que também tiveram a sua época escravocrata, mesmo remota!

O descaso, o total abandono das classes mais desfavorecidas desde há mais de meio século, levou à desesperada luta pela sobrevivência. De qualquer modo. A vida deixou de ter valor, de modo que matar pode considerar-se praticar o bem por livrar o indivíduo da fome, da miséria, da segregação social, assim como ser morto é, para muitos, o encontro com a paz final.

O brasileiro, bem como qualquer outro homem deste planeta, em qualquer momento do seu antepassado viveu um regime escravocrata, sem que isso justifique a violência que o nosso país atravessa. O problema está no abandono a que foi votado, no paupérrimo sistema educacional, na permanente negação da sua história que lhe rouba a possibilidade de evoluir na cultura, na falta de perspectivas para o “seu” futuro, individual, na total aversão à classe governante e política, que o desilude e o espolia.

Não se investe na área pública. E o país, basta que não ande para a frente, anda para trás.

Mas continua a eleger homens impuros, que vivem naquela maior impureza, na imundície, que há já 2.000 anos indignava o Filho de Deus.

Valha-nos o Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

Rio de Janeiro, 5 de Setembro de  2006

Francisco Gomes de Amorim

O TERCEIRO PILAR

 

 

 

A profusão de indicadores que evidenciam as dificuldades por que a nossa Economia passa torna axiomática a necessidade de se construir um novo modelo de desenvolvimento.

 

No pressuposto de que é necessário voltarmos a apostar na produção de bens transaccionáveis, a isso me referi em artigo anterior onde considerei imprescindível a libertação da economia produtiva, processo que deverá assentar em três pilares:

 

  • Redução significativa da carga fiscal
  • Redução significativa do cerco burocrático às empresas
  • Criação de mecanismos que permitam a transparência dos mercados e a clarificação do método de formação de preços

 

Mais referi que o Governo está a actuar – a meu ver, correctamente – nos dois primeiros mas que está por provar se há vontade política para voltar a dar força à actividade produtiva em Portugal.

 

A questão da transparência dos mercados e da clarificação do método de formação dos preços é o busílis do sector alimentar nacional e podemos com relativa facilidade imaginar a relevância global do problema se tomarmos em conta as múltiplas ligações que essa actividade produtiva tem ao resto da Economia. Basta imaginar que a produção nacional de produtos agrários encontrava condições para aumentar o aprovisionamento de matérias prima à indústria alimentar para admitirmos uma redução equivalente nas importações, algum reequilíbrio na Balança Comercial, na de Transacções Correntes, na de Pagamentos. A partir do momento em que o endividamento sobre o exterior do sistema bancário deixasse de crescer, reduzir-se-ía nessa mesma dimensão o perigo de perda para o exterior de centros nacionais de decisão. Mas as ligações da Agricultura e das Pescas ao resto da Economia são tão grandes que o exemplo acima referido peca por clara falta de dimensão para que a partir dele possamos imaginar o efeito multiplicador do investimento no sector primário se, deixando de ser ruinoso, passasse a ser rentável.

 

Temo que o Governo nada esteja a fazer neste sentido, à semelhança de todos os que o antecederam até à fundação da Nacionalidade e que continuemos a pensar na PAC como uma proveitosa fonte de subsídios para confirmação do “set aside” e de Portugal como destino dos excedentes agrários europeus, nomeadamente espanhóis e franceses. Ora se parte significativa do défice comercial português sobre o exterior – UE incluída – tem a ver com o aprovisionamento alimentar, não faz sentido qualquer “set aside” porque o défice da Balança de Pagamentos sempre é uma realidade, mesmo com moeda única.

 

Não colhe o argumento de que a agricultura portuguesa não é competitiva. Havia antigamente uma ampla agricultura de subsistência que não se preocupava com saber se era competitiva ou não mas essa já está praticamente desaparecida sem que alguma vez se tenha tentado trazê-la para a economia monetária. Esse primarismo agrícola foi substituído pela emigração das populações rurais que abandonaram os campos em direcção às cidades e ao estrangeiro sem que alguma vez alguém se preocupasse com a identificação das razões de fundo para a falta de competitividade. E, contudo, esse mundo rural foi objecto de algumas abordagens, nomeadamente no âmbito do Estado Corporativo e, mais recentemente, com a Reforma Agrária, actuações estas que nada tinham a ver com o conceito de competitividade, de transparência dos mercados e com o método de formação dos preços.

 

Em todo o percurso de séculos que levam a agricultura e as pescas portuguesas, sempre o risco recaiu sobre o agricultor e sobre o pescador, com a completa salvaguarda dos demais intervenientes no circuito económico dos bens alimentares, pois a produção e a captura sempre se fizeram na ignorância prévia dos preços de transacção. Ou seja, desde sempre que o agricultor português começa por produzir e só depois é que vai à procura de mercado (o mesmo se diga relativamente ao pescador que começa por capturar e só depois é que vai à Lota). Na posse de produtos perecíveis, tanto o agricultor como o pescador se arriscam a ficar com o produto podre se não o venderem ao preço que o comprador decide. Entre as duas hipóteses, é claro que o negócio se faz pelo preço decidido pela procura, sem que a oferta possa ter qualquer palavra na matéria. O desespero da oferta leva os agricultores ao Terreiro do Paço espalhar batatas em frente dos Ministérios e os pescadores a despejarem a sardinha morta no porto de mar mais televisivo.

 

Contudo, no mundo civilizado estas ocorrências são raras porque os agricultores começam por ir à Bolsa de Mercadorias saber que preços estão fixados para um determinado prazo futuro (o da semeadura e colheita) de certos produtos estandardizados e só se o preço lhe interessar é que produz; caso contrário, não lhe interessando o preço encontrado, escolhe uma alternativa cujo preço lhe convenha e que lhe seja tecnicamente possível produzir. O mesmo se diga relativamente ao pescador que, antes de zarpar, deve saber o que vai capturar e em que quantidade a fim de não chegar a terra com algo que não tenha procura ao preço conveniente.

 

Mas se os mercados em fresco são ruinosos por definição, o sistema de leilão em Lota de pescado tem o requinte de ser invertido pelo que tudo se agrava em desfavor do pescador que nunca mais vê a procura mandar parar na escala descendente dos preços apregoados.

 

Com um método de formação de preços assim concebido, não é de estranhar que o Comércio tenha prosperado abrindo «urbi et orbi» monumentais centros comerciais e cada vez maiores e sofisticados hipermercados enquanto a Agricultura e as Pescas nacionais regridem, definham e morrem.

 "Nuestros hermanos" agradecem o primitivismo das pescarias portuguesas e os franceses continuam a impôr-nos os seus trigos, tudo porque nós achamos que os Serviços é que são elegantes . . .

 

Em conclusão, Portugal só poderá equilibrar a sua Balança Alimentar se erigir o terceiro pilar do desenvolvimento assegurando a transparência dos mercados e a clarificação do método de formação de preços, objectivos que se conseguem pela instalação de Bolsas de Mercadorias e pelo estabelecimento de operações sobre futuros. Entretanto, tudo são subsídios a fundo obviamente perdido para esconder que os destinatários estão economicamente moribundos.

 

 

Lisboa, Julho de 2006

 

Henrique Salles da Fonseca

 

(Publicado na edição de Agosto/Setembro de 2006 da “Economia Pura” com vírgulas de que não assumo a paternidade e com erradas correcções ortográficas)

CRÓNICA DO BRASIL

Nova receita: lula com mantega

 

Não é manteiga de vaca, não. É mantega mesmo, daquela que o governo usa na fazenda para... mentir.

Depois da confirmação do brilhante avanço sócio econômico do país, os dois ingredientes acima, sexas, aliás vexas (derivado de vexame) solenemente: um atribuiu a culpa do raquítico crescimento do PIB (0,5% no 2° trimestre) à Copa do Mundo (os torcedores brasileiros trabalham menos nessa época, o que até é verdade!) e à gangue do PCC que atacou (e ataca) a cidade de São Paulo, o outro, ar ingênuo e intranqüilo, afirmou que a meta do des-governo, de crescer até ao fim do ano 4,75%, se mantém.

Ambos a tentarem passar um atestado de estupidez a toda a população! Mas têm razão. A estupidez é demasiado evidente quando o país se prepara para reeleger esta gente.

Depois de crescer 1,2% no 1° trimestre e 0,5% no 2°, alcançar 4,75% no fim do ano... nem que a porca tussa, mesmo com ajuda do padim Ciço! É muita sem vergonhice.

 Só muita Fé em Padre Cícero - "Padim Ciço" para o povo - faz brasileiro crer no futuro

Onde menos o país cresceu, aliás decresceu, foi nos investimentos. Claro. Quem é que acredita nesta bandalheira? A Volks prepara-se para fechar uma fábrica, a menina dos olhos do ex lider grevista Luis Lula, os investimentos de outras grandes empresas com bonitos planos de expansão... congelaram, enquanto, por exemplo, o custo da água no Rio de Janeiro aumentou, em oito anos, quase 215% quando os salários dos aposentados foram reajustados, no mesmo período, em menos de 20%. Uma alegria!

Temos as eleições de hoje a um mês. Um candidato que neste momento se antevê que as ganhe logo no primeiro turno, que não concede entrevistas, não comparece a debates televisivos, e que tem o descaramento de atribuir a desgraça em que estamos à Copa do Mundo, realmente tem todo o direito de nos passar um atestado de mentecaptos!

0,5% é a nova receita: metade lula e metade mantega!

Deve ser um petisco e tanto, a julgar pelas intenções de voto neste momento.

Depois agüentem! Está nos planos do "novo" governo controlar os órgãos de informação, rever as concessões de emissoras de tv, e...

Não se chama a isto ditadura? Só que não é do proletariado. É...

Deixa p'ra lá. Já tamo lixado mêmo, né, merrmão?

Rio de Janeiro, 2 de Setembro de 2006

Francisco Gomes de Amorim

CRÓNICA DO BRASIL

Votar... em  quem ?

 

A campanha eleitoral a que estamos assistindo é um espetáculo de miséria. Miséria intelectual e covardia. Os dois "principais" candidatos mentem, disfarçam, nada de novo contam aos eleitores e sobretudo parece que ambos terão tantos telhados de vidro que nenhum se atreve a atirar a primeira pedra. Miséria intelectual e covardia.

Entretanto surgiu nas telas das tvs um fato novo: a Telesur! Venezuelana, propaganda constante e maciça do Chavez com apoio à Bolívia e seu novo governo, a imiscuir-se na vida do Brasil! É sabido que também aqui estão as tvs francesa, americana, italiana, etc., mas sem propaganda dos governos!

Que temos nós a ver com Chavez ou Morales? Ou, o que é pior: que ligações existem entre o governo Lula e Chavez? Consta e, como é evidente, não se apura, que Chavez teria dado uns bons milhões para a campanha do Lula em 2002 e agora... talvez não fizesse falta dada a “generosidade com que o PT se mancomunou com dinheiros públicos.

Mas isto está feio. Feio e triste, e como sempre uma vez mais o futuro é adiado, a desigualdade social avança e ninguém tem em quem votar, de plena e feliz consciência.

Há dias fomos presenteados com uma bela crônica que o jornalista Arnaldo Bloch escreveu para O Globo. "VOTE EMA". Um bonequinho que ele comprou num camelô - haveria de comprar onde, senão ali? - e que dança e emite uns sons mais ou menos ininteligíveis. Tal qual o que se está a passar na propaganda eleitoral: frases, sem promessas, ininteligíveis.

Para os menos versados em fauna sul americana a Ema é a "prima" menor da avestruz! Apesar de não ser verdade, é voz corrente dizer-se que a avestruz quando está com medo ou se quer disfarçar, enfia a cabeça num buraco. Da Ema não consta nada disto.

 Ema, o fascínio da inteligência . . .

Dos políticos... tão desavergonhados estão já, que ninguém mais se esconde e nem os tribunais os condenam.

A grande solução é como diz o jornalista: Vote na Ema !

Rio de Janeiro, 30 de Agosto de  2006

Francisco Gomes de Amorim

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