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A bem da Nação

A PENA VERRINOSA


Tirando-o da minha intimidade, quero partilhar convosco o seguinte pensamento:

Com frequência, desde há algum tempo, têm vindo a circular na Internet excertos de "As Farpas" de Eça de Queirós com a finalidade de denunciar o aparente paralelismo entre os tempos queirosianos e os tempos actuais. Na verdade, Eça utilizou a sua pena para zurzir sem apelo nem agravo a sociedade do seu tempo. Para isso, não só fez uso das suas crónicas, mais tarde compiladas em As Farpas, juntamente com as do Ramalho Ortigão, como, nos seus romances, pôs na boca dos seus personagens mais sagazes os desabafos mais desanimadores sobre o estado do País e da sociedade de então. A expressão "isto é uma choldra" é a que mais serviu o seu intento. Por outro lado, o próprio Eça, quando não falava por interposto personagem, não perdia o ensejo de mostrar o seu desprezo pelo país onde nasceu e se fez homem, mormente lá fora, onde exerceu os seus cargos diplomáticos. Poder-se-á pensar que o Eça, naqueles países (Inglaterra e França) se sentia purificado e renascido, julgando-se porventura senhor de uma auréola que lhe permitia olhar o seu Portugal de soslaio e com desdém.

Acontece que o consagrado romancista com isso criou um paradigma qualificativo que desde então é utilizado de forma recorrente por todos aqueles, sobretudo intelectuais, que julgam haver apenas motivos para desconsiderar o país e descrer das suas capacidades. Mas o problema é que os que criticam, regra geral gente supostamente da elite social ou intelectual, dificilmente conseguem disfarçar as suas próprias frustrações ou despeito por não conseguirem aceder por mérito próprio a lugares a que se acham com direito. E cabe aqui especular se o nosso Eça não estaria nessa situação, ele que poderia ter enveredado pela política activa para corrigir os males que abundantemente denunciava. Mas não, era arriscado, mais seguro era um cargo diplomático. Se virmos bem, podemos encontrar na actual sociedade personalidades que muito criticam, às vezes gratuitamente, mas que calariam a boca mal ascendessem aos privilégios que são alvos da sua censura ou aos postos do poder para os quais dirigem a sua sanha verrinosa. A memória é ainda fresca sobre os inúmeros casos de figuras de partidos que, desde Abril de 1974, entraram em rotura com os seus correligionários, saltando de partido em partido, só por não terem sido escolhidos para ambicionados cargos na estrutura partidária ou no governo da nação.

É indiscutível que se instalou no espírito dos portugueses um baixo sentimento de auto estima desde a campanha deletéria iniciada por Eça e Ramalho. Desde a Monarquia Constitucional até aos tempos de hoje, passando pela Primeira República e pelo Estado Novo, esse estado de espírito permanece incólume e não há meio de se conseguir uma regeneração. Poder-se-ia perguntar se esta patologia mental tem alguma coisa a ver com o regime democrático, onde para alguns medrará por causa da nossa aparente dificuldade em visar o desígnio nacional, mas a questão cai logo por terra se tivermos presente que o tempo da ditadura salazarista também não lhe trouxe cura. E sublinhe-se o paradoxo de a ditadura ter sido imposta precisamente por causa desse mesmo mal.

A verdade é que os estrangeiros não nos vêem com o mesmo pessimismo com que nos vemos a nós próprios. A verdade é que os portugueses conseguem singrar lá fora e realizar os seus projectos. A verdade é que dificilmente se vê um espanhol, um inglês ou um francês a dizer que o seu país é uma "choldra".

E outras mais verdades se poderiam enunciar. Até já tenho recebido mails com dizeres do género: "Ó Eça volta novamente!" Para fazer o quê? Para ser mais um demolidor do moral da Nação? Provavelmente mais um invejoso sedento de mordomia? Não, desses o País não precisa. O País precisa, sim, é de tomar consciência de que é capaz de triunfar como os seus parceiros da Europa. Para isso, a sociedade civil tem de repensar a sua atitude e de saber assumir e partilhar as responsabilidades colectivas. É urgente acabar com o pensamento mesquinho e com a estreiteza provinciana com que olhamos a Pátria. A começar pelas elites intelectuais e pelas organizações partidárias. A verdade não pode ser para eles tão multiforme, não pode ser uma se estamos no governo e outra se estamos na oposição. Os camaleões são a mais abjecta praga que pode atacar um país. A comunicação social tem de servir seriamente o interesse do País servindo-se, não de gente inculta, inexperiente e leviana, mas de profissionais capazes e responsáveis. A classe empresarial tem de assumir a integridade do seu papel cívico, não visando apenas o lucro desmedido, mas emparceirando com o Estado na realização dos objectivos de justiça social.

Só assim podemos alimentar o sonho de tempos futuros mais risonhos.
Eu até admiro a obra literária do Eça de Queirós, que já li quase toda, mas dispenso receber mais crónicas de "As Farpas".

É claro que gostaria de ouvir a vossa opinião.


Adriano Miranda Lima

2006 – ANO DE VIRAGEM ?


Em 2005 desejei a todos um feliz Natal e – para os que acreditam no Pai Natal – um 2006 cheio de prosperidades.

É para mim óbvio que chegou a altura de pôr fim a 30 anos de acumulação de demagogia e que o modelo de desenvolvimento usado e abusado neste período já deu tudo e muito mais do que poderia dar.

Temo que o Estado tenha que reduzir substancialmente os actuais custos de funcionamento, a começar pelo Pessoal e arrisco mesmo o palpite de que cerca de metade dos funcionários públicos deverão ser dispensados para que ingressem na actividade realmente produtiva.

Desejo que o Estado deixe de estrangular a Economia e que o empreendedorismo receba um forte impulso com a libertação das actuais peias, nomeadamente a tributária e a burocrática.

Gostaria que se fizesse uma discussão pública sobre "A Missão do Estado Português Democrático" e que daí resultasse um menor e muito melhor Estado.

Julgo que o regime só teria a ganhar se os Deputados fossem seleccionados dentre Pessoas de grande experiência e provas curriculares irrepreensíveis.

Considero fundamental que a Lei de Financiamento dos Partidos seja transformada de modo a estancar tanta da opacidade que a comunicação social atribui à política portuguesa.

Eis alguns dos votos que formulo para 2006.

E se invoco o Pai Natal como ponto de verosimilhança em relação à prosperidade de 2006, não me atenho apenas à conjuntura internacional induzida pelo processo de globalização até há pouco tão louvaminhado pelos políticos em exercício; refiro-me muito em especial às circunstâncias meramente nacionais em que tanta gente vai ter que mudar de estilo de vida. E se não creio que 2006 possa deixar de ser um ano de viragem na política interna, julgo também que muitas serão as vozes que tentarão “domar” a globalização, essa que se tem pautado por tantos actos de alguma selvajaria.

Passados que estão 30 anos de engorda do Estado Português, está visto que os 3% de défice das Contas Públicas não são capazes de encaixar tanto funcionário. Há que acabar com missões de necessidade duvidosa nem sempre quantificáveis com algum rigor e que representam um factor contrário à competitividade da nossa Economia no contexto internacional. Continuo a crer que se torna imperioso pôr em prática um mecanismo que permita aos funcionários públicos passarem-se para o sector privado mas nas actuais circunstâncias isso não ocorrerá com naturalidade por duas razões de peso:

 Os vencimentos dos funcionários públicos são hoje significativamente mais elevados do que os homólogos privados
 O sector privado não tem qualquer motivação para receber os “excedentes” do Estado

Outras razões poderia aduzir mas convenhamos que estas duas já são suficientes para que não restem dúvidas de que o processo de emagrecimento não deixará de exigir alguma imaginação se não mesmo alguns riscos de ruptura negocial com os Sindicatos. Os 3% assim o exigem.

Num processo de envelhecimento social como este por que passamos, é natural que os reformados pesem cada vez mais e não restam dúvidas de que alguma coisa tem que ser feita para se evitar a falência da Segurança Social daqui a 10 anos, diz o Ministro das Finanças. A simultaneidade do sistema actual tem que ir sendo progressivamente substituída pela capitalização de modo a que cada um venha a receber na reforma em função dos descontos que foi fazendo ao longo da sua própria vida activa. Claro está que nada disto tem a ver com os melhores 10 anos dos últimos 15 ou outros cálculos mais ou menos eleitoralistas. A mudança da simultaneidade para a capitalização não se pode processar rapidamente e de um só toque de varinha mágica mas que esse tem que ser o objectivo, não restam dúvidas de qualquer espécie. A propósito, pergunto-me se o Fundo de Pensões do Banco de Portugal deve ou não ser incluído no regime geral da Segurança Social … E o que dizer destes regimes especiais e das pensões dos reformados com origem nas antigas Casas do Povo? Haverá alguma uniformização possível ou sequer desejável? E, para baralhar mais os políticos, pergunto: os velhos devem-se reformar mais cedo para darem lugar aos novos no mercado de trabalho ou devem prolongar a carreira contributiva para não engrossarem as hostes de reformados? Relativamente à afirmação de que, a nada ser feito, o colapso se verifica em 2015, quase me apetece perguntar como é que se conseguiu chegar até hoje sem rupturas mais graves, quando a fuga à brutal tributação de 32% sobre o trabalho constitui um péssimo augúrio para o futuro e o sistemático agravamento dessa carga contributiva me leva a uma claríssima desaprovação das políticas até hoje seguidas. Enfim, prognostico para 2006 alguns solavancos neste dossier eminentemente político e sobretudo muita tinta de jornal mas temo que algumas decisões continuem a ser tomadas com processos eleitorais na mira.

A fiscalidade deveria constituir em 2006 o tema de grandes debates nacionais. Ouso mesmo imaginar que esse debate deveria desenvolver-se a nível europeu, sobretudo entre os países da Zona Euro. Dizer que o peso da fiscalidade directa e indirecta em Portugal é maior ou menor que noutros países, faz tanto sentido como averiguar se as taxas por cá são mais ou menos elevadas que lá fora. Haverá nas empresas portuguesas real valor acrescentado para que se consiga suportar a actual carga fiscal? Que interessa discutir taxas se o método de cálculo da matéria tributável é diferente em cada país? Estarão as normas internacionais de contabilidade já suficientemente maduras para que se avance em 2006 para o POC europeu? Temo que estes assuntos continuem a ser debatidos nos corredores dos Ministérios por Técnicos de muito mérito mas que os pagadores não sejam tidos nem achados. Aliás, se a tradição continuar a ser o que tem sido, lá virão mais catadupas de alterações aos códigos do IRS e do IRC já para não falar nas famosas Circulares Internas que por definição é suposto o contribuinte não conhecer mas a quem cumpre obedecer. Ironicamente, só encontro uma justificação para o aumento da carga fiscal: retirando liquidez à generalidade dos contribuintes, reduz-se o consumo daí resultando algum equilíbrio da Balança de Transacções Correntes pela via do decréscimo da taxa de crescimento das importações … Mas é de muito mau gosto ironizar com coisas tão sérias como esta do estrangulamento fiscal da Economia nacional. Se a isto somarmos a interminável teia burocrática que envolve o estabelecimento industrial, então bem podemos estar seguros de que o empreendedorismo se sentirá cilindrado pouco antes de se sentir desmoralizado e procurar outras paragens. Desejo que em 2006 o Legislador ponha a mão na consciência e se veja ao espelho como um dos mais poderosos instrumentos da crise que diz combater.

Mas a fiscalidade não é a única responsável pelas desgraças da nossa Economia e talvez nem sequer seja a maior responsável.

Que dizer da contratação colectiva? Como se compatibiliza com a globalização? Não podemos ter dúvidas de que a internacionalização do capital suplantou claramente a internacionalização proletária mas isso não sucedeu apenas a nível internacional. Dentro de cada país – e em especial do nosso, que é o que mais nos interessa – com a deslocalização empresarial para locais de mão-de-obra barata e dócil, não estão por cá reunidas as condições para discutir melhorias de status mas apenas da respectiva manutenção. E se o status se mantiver, já todos estaremos cheios de sorte. Recorrendo a uma expressão algo prosaica, os sindicatos têm agora que “bater a bola baixinho” ou de mais não passarão do que de rampas de lançamento para mais deslocalizações. E bom será que comecem a pensar na globalização laboral de modo a que o princípio dos vasos comunicantes funcione de verdade e que a actual escravização laboral no Oriente se sinta ameaçada pela concorrência que as condições de trabalho ocidentais lhe façam. Ou os sindicatos alinham na globalização ou vamos todos parar ao buraco do desemprego. Mas o Ministro das Finanças já disse o que disse e se dentro de 10 anos não haverá dinheiro para as reformas, por certo que muito antes disso deixará de haver dinheiro para os desempregados. Portanto, admito que em 2006 as Centrais Sindicais europeias tenham que começar a servir-se de uma iguaria muito conhecida mas talvez pouco requintada: sapos vivos.

O Orçamento do Estado é a quantificação monetária das Grandes Opções de política económica por que o Governo se pretende pautar num determinado ano. Lógico seria que a discussão se centrasse nas GOP’s e não no Orçamento, seu resultado. Mas não. Todos se esgatanham por causa do Orçamento e as GOP’s quase passam despercebidas. O que interessa é o dinheiro, as políticas inspiram indiferença. E a questão é tão relevante quanto a discussão e sequente definição da “missão do Estado”. Passar “à vol d’oiseau” sobre temas deste calibre só significa que não se quer discutir a missão do Estado nem as demais políticas estruturantes do país. Só pode mesmo significar alguma dose de irresponsabilidade. Por isso mesmo, desejo que em 2006 a discussão nacional se centre nas GOP’s para 2007 e que, em seu resultado, se discuta o Orçamento. Assim estejam as bancadas parlamentares interessadas na discussão do efectivamente relevante.

Finalmente, desejo que em 2006 se faça uma reformulação da Lei de Financiamento dos Partidos de modo a que todos possam saber tudo e que os órgãos da comunicação deixem de ter motivos para tanto alardeamento de escândalos e mais escândalos.

Assim se vê como me contentarei com pouco: 2006 será por certo um ano de viragem mas temo que não no sentido que muitos gostariam…

Um bom ano de 2006 para todos os que conseguiram ler estes meus votos e que todos consigamos contribuir para o bem da nossa Nação.

Lisboa, Janeiro de 2006

Henrique Salles da Fonseca

CURTINHAS SOBRE A NOSSA ECONOMIA

CURTINHAS IV....

(Nós, portugueses ,convivemos mal com o risco. Preferimos o aconchego da fatalidade...)
Num artigo excelente (Miguel Sousa Tavares – O Expresso de 07/01/06), uma frase passa quase despercebida: (nós) não corremos riscos.
Pois é. Queremos certezas. Entregamo-nos de bom grado a quem nos prometa segurança para a vida. Mas correr riscos? Nem pensar, nunca!
O longo consulado de Salazar só é explicável porque íamos acreditando que ele nos resguardaria, sempre, do risco; que nos ofereceria, todos os dias, a certeza do amanhã; que, paternalmente, compreenderia as fatalidades de onde as nossa misérias e pecadilhos invariavelmente provêm (na realidade, se houve coisa que o homem nunca aceitou de bom grado foi a fatalidade, mas essa é outra história); em suma, estávamos por conta dele. Pertence-lhe por inteiro o mérito de deixar provado, à saciedade, que o português tem um horror atávico ao risco.
Mesmo aqueles que mais acirradamente se lhe opunham (o PCP) ganhavam espaço político à custa de prometerem, não desenvolvimento e bem-estar, antes certezas (uma escatologia histórica), segurança para sempre (provida pela vanguarda do proletariado) e, acima de tudo, ausência de risco (graças a uma economia planificada de cima a baixo).
Pobre de nós! Quando modernidade (económica, cultural, organizacional) e desenvolvimento são sinónimos de convivência com o risco, esta aversão absoluta ao risco arrasta-nos para uma mediania envergonhada, deixa-nos especialmente expostos a todos os riscos e afasta-nos lentamente do futuro. Recusamo-nos a acreditar que só possui um módico de certezas e segurança quem sabe enfrentar, medir, gerir e suavizar riscos.
A agricultura (e a pecuária, e a pesca) está pelas ruas da amargura? Como não haveria de estar se, desde há muito, todo o quadro legal se esforça por fazer recair sobre o agricultor, por inteiro, os riscos (financeiros e não-financeiros) inerentes a qualquer actividade económica, impedindo que surjam instrumentos e mercados onde tais riscos possam ser adequadamente cobertos (o Japão apercebeu-se disto no séc. XVI, e a Flandres no séc. XVII; nós ainda lá não chegámos)?
O espírito empresarial escasseia? Porque fás, ou porque nefas, haveria de abundar quando o insucesso de uma empresa (um cenário sempre possível, e nada excepcional, mesmo desejável em economia de mercado) é visto pelo nosso legislador com indisfarçada suspeição, e quase criminalizado?
A corrupção crepita? Mas onde existem alternativas para mitigar o risco de as coisas não correrem bem fora do apadrinhamento reconfortante?
O sonho de cada português é sentar-se à mesa do orçamento, perdida a esperança de ser ele, alguma vez, a “cortar o bolo”? Pois ingressemos todos na função pública – desde que sejam outros a suportarem os impostos.
A ordenação das nossas cidades é uma paródia, e a malha urbana uma ruína anunciada? Então proteja-se à outrance a certeza e a segurança dos inquilinos que estão, beneficiando-os com rendas congeladas – sem dar nenhuma oportunidade aos inquilinos que gostariam de estar.
Se quiséssemos ser honestos para com nós próprios, deveríamos colocar em todas as nossas fronteiras, bem visíveis para os que entram, grandes cartazes com os seguintes dizeres em letras garrafais:

PAI, PRECISA-SE !!!

Talvez aparecesse alguém...

Lisboa, Janeiro de 2006

A.PALHINHA MACHADO

PRIMEIRO ENCONTRO “A BEM DA NAÇÃO”



Ao iniciar o terceiro ano de existência do nosso blog, parece chegada a altura de nos conhecermos pessoalmente e de trocarmos ideias em directo.

Lembrei-me de organizar um Encontro de Ano Novo mas pareceu-me que o formalismo de uma Conferência poderia transformar o evento em apenas mais uma dentre as tantas que se realizam em Lisboa.

Assim, pedi sugestões e eis que a solução aponta para um jantar num restaurante lisboeta em dia de semana.

Procurei um pouco e cheguei à conclusão de que o restaurante “A PATEIRA”, (Tel: 213.622.001.) na Tapada da Ajuda, pertencente ao Clube de Râguebi de Agronomia, tem o ambiente que nos pode interessar. Fui lá jantar ontem e pagámos € 23,50 por cabeça, incluindo o chamado “vinho da casa” que é um alentejano «raisonable».

Sugiro o próximo dia 19 de Janeiro pelas 20,30 horas. Lá vos espero mas, se quiserem, digam-me alguma coisa (pelo telemóvel 964.030.227. ou pelo e-mail salles.fonseca@oninetspeed.pt) pois sempre é mais agradável saber quantos seremos a fim de mandar ou não fazer algum arranjo especial da sala.

Lisboa, 8 de Janeiro de 2006

Henrique Salles da Fonseca

NOTA EDITORIAL

Estando em curso a campanha eleitoral para a Presidência da República, informo que não me pronunciarei no blog a favor de qualquer candidato.

Dentre os leitores do "A bem da Nação" haverá por certo opções diferentes e isso não significa que todos e cada um não queiramos de facto o melhor para Portugal.

Grave seria que não pudessemos escolher nem votar.

Peço a todos que nos mantenhamos no "A bem da Nação" com a elevação de que somos exemplo na blogosfera.

Lisboa, 2 de Janeiro de 2006

Henrique Salles da Fonseca


Ser ou não ser de Direita


Há eleições para a Presidência da República e há, pelo menos, 5 candidatos. Curiosamente, quatro dentre eles classificam-se como sendo de “esquerda” embora cada um deles se diga “da verdadeira esquerda”.
O outro, não diz que é de qualquer lado mas diz que quer trabalhar como sempre o fez, que estudará todos os “dossiers”, que pretende dar credibilidade à política, que dentro das suas competências constitucionais quer colaborar com os Governos para que estes possam trabalhar séria e honestamente em prol de Portugal.
Em face deste tenebroso programa, os quatro “de esquerda” multiplicam-se em avisos ao eleitorado sobre os malefícios do candidato a que chamam da “direita”: que vem aí o ajuste de contas da direita (trabalhar e estudar dossiers); que está em vista um golpe de Estado (colaborar com os Governos); que há uma agenda escondida (dar credibilidade à política) entre outros terríveis males. E isto, pasme-se, sem ser nenhum Prémio Nobel!
Cada um deles, entretanto, diz que nada poderá fazer porque o Presidente da República, além de umas viagens pelas Seicheles e pelo Brasil e do discurso de abertura do Congresso dos Cantoneiros, não tem mais poderes, embora sejam de opinião que deve dissolver a Assembleia se a água for privatizada (ainda não percebi o que isto é nem se é com peixes ou sem peixes), que deve fazer uma “rotura democrática” (também não entendi) e que não deve deixar passar qualquer lei que em sua opinião vá contra os “direitos” dos trabalhadores entre outras acções igualmente “democráticas”.

Depois disto e em face do que aprendi nesta campanha, estou a chegar à conclusão de que afinal não sou de “Direita” sou de “Extrema-direita” pois acho que para qualquer função, pública ou não, é preciso trabalhar muito, estudar muito, falar só do que se conhece bem, ser sério no pensamento e na execução e deixar trabalhar quem quer trabalhar

Lisboa, Dezembro de 2005

João Araújo Franco

O MOLUSCO DE EINSTEIN

(Contributo para a nossa sobrevivência entre micróbios e robots)

À chegada, o prestigiado Presidente da ACUM (Academia das Ciências Universal Microbiana) trocou algumas palavras com o colega (e candidato à sua sucessão):
“Sabe, eu não dou muita importância a estas iniciativas do ministro Ogag, mas sempre é preferível falar para os jovens do que para os políticos".
Vieram chama-los. Ao entrar na sala milhares de jovens micróbios levantaram-se e aplaudiram fazendo vibrar as membranazinhas. Na realidade, não eram micróbios verdadeiros, mas robots de micróbios. A sessão era transmitida por vídeo-conferência para outras salas onde biliões de jovens micróbios, estes verdadeiros, a seguiam em directo com a possibilidade de fazerem perguntas.
Um elaborado programa permitia escolher as perguntas dos micróbios reais e fazer sínteses das suas intervenções que depois eram apresentadas pelos robots. Em sessões anteriores, os programas tinham eliminado as perguntas inteligentes e originais com o argumento de serem raras. As intervenções dos micróbios-robots tinham a tal ponto sido desinteressantes que o público tinha ficado com uma péssima impressão da juventude. Com o apoio da Academia tinham sido feitos programas alternativos, desde logo classificados de "elitistas", em que se procuravam seleccionar as "perguntas inteligentes". Naquela reunião ia ser testado um destes programas. Os conferencistas, carregando num botão com a indicação "pi", podiam fazer com que os robots, em vez das perguntas "médias", fizessem "perguntas inteligentes".
O Presidente começou: "Venho fazer-vos uma comunicação da maior importância. Como sabeis, a nossa comunidade científica tem dedicado boa parte do seu tempo a decifrar o valiosíssimo espólio científico da extinta espécie humana que, pode-se dizer, se auto-liquidou com aquela questão da globalização que diminuiu a biodiversidade e a deixou exposta ao nosso mortífero ataque. Num dos últimos séculos da sua existência destacou-se um cientista chamado Albert Einstein. Os nossos matemáticos trabalham para decifrar a sua obra, que não terão ainda inteiramente compreendido, mas ele teve a simpática ideia de escrever obras de divulgação. É com base numa delas que eu vos trago uma informação importantíssima para nós, micróbios: "Nós vivemos no interior de um imenso molusco, finito, mas sem limites".
Sentiu-se na sala um ambiente de satisfação. Embora a questão dos limites não fosse muito clara, a ideia de viverem no interior de um molusco era manifestamente agradável para os jovens micróbios. Aproveitando o bom ambiente, o Presidente carregou no botão "pi"e disse: "Podem agora fazer perguntas".
O primeiro a falar foi um pequeno robot com uma expressão inteligente:
"Como é a pele dele?".
"De quem?".
"Do molusco".
" Não tem".
"Então como é que está separado do exterior?".
"Não há exterior".
"Então, o molusco está dentro de quê?".
"Está dentro dele próprio".
Houve um silêncio e, depois, um robot disse:
"Não entendo".
Outras vozes seguiram-se:
"Eu também não".
"Eu também não".
"Vou explicar", disse o Presidente. "Vocês têm os 6 pontos cardiais: Norte, Sul, Este, Oeste, para Cima e para Baixo. Se andarmos sempre numa direcção regressamos vindos do lado oposto".
Um robot com ar de líder estudantil levantou-se e disse:
"Quer o senhor dizer que o nosso espaço não é euclidiano?".
"Exactamente", disse o Presidente.
"Então, se o nosso espaço não é euclidiano, porque é que nos obrigam no 17º ano de escolaridade a fazer um exame da cadeira de Geometria Descritiva euclidiana a 4 dimensões? Esta cadeira deve ser suprimida".
"Não", disseram imediatamente outros robots. "A Geometria Descritiva serve para elevar as nossas médias para entrar na Universidade".
A polémica estudantil estalou na sala e o Presidente teve a maior dificuldade em dar a palavra aos robots que já a tinham pedido. O último foi um pequenino robot, que começou a falar muito lentamente:
"Se eu tiver um irmão gémeo, ele ficar parado e eu partir numa dessas viagens para um lado com regresso vindo do outro, como é que o senhor me garante que não nos vamos encontrar, ele a mim e eu a ele virados do avesso?"
"Virados do avesso?".
"Sim, com a mão esquerda tocada pela direita".
O Presidente sentiu-se ele próprio virado do avesso e compreendeu que já não era capaz de dar mais explicações. A polémica estudantil reacendera-se e todos queriam falar. O indicador do nível de entropia encrostado no púlpito atingira níveis altíssimos. Disse, então:
"Vou pedir aqui ao meu colega para vos explicar todas estas questões."
O acompanhante não se fez rogado. Subiu ao púlpito, desligou imediatamente o botão "pi" e perguntou:
"Querem que vos explique tudo de um modo muito simples?".
"Sim, sim", gritaram os robots.
"Muito bem. Vocês sabem o que é o "big bang"?"
"Sim. Até já fizemos exames sobre isso."
"Óptimo. O "big bang" foi o instante em que nasceu o molusco em que agora vivemos. Fica tudo claro?"
"Sim, sim".
"Há mais alguma dúvida?"
"Não, não".
"Como os humanos na fase última", pensou o Presidente, mas, como não havia mais perguntas, encerrou a sessão. No dia seguinte a Imprensa sublinhou a excepcional clareza da intervenção do acompanhante, que quase todos os jornais apresentaram como futuro Presidente da ACUM.

Lisboa, Dezembro de 2005

António Brotas

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