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A bem da Nação

O VICE-REINADO DO PRATA – DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA - 2

                    A  ANARQUIA E O CAUDILHISMO – A ÉPOCA DE ROSAS

 

 

    Resumo da primeira parte: As localidades servidas pelos rios e roteiros terrestres ressentiam do contacto directo com o exterior, contacto este monopolizado por Buenos Aires, de que dependiam. O advento da navegação a vapor possibilitava o uso das águas interiores, o transporte rápido, barato e volumoso; os portos fluviais passaram a ter nova importância a partir da navegação a vapor. Nela estava o progresso das áreas ribeirinhas. Abertos os rios, livres para o comércio, desenvolver-se-iam extraordinariamente e também as regiões delas dependentes.

 

  Segunda parte: O cenário político platino conturbado, apresenta o grave problema da liberdade fluvial que o advento da navegação a vapor coloca ainda mais pendente. Na luta pelo domínio dos rios platinos estavam implícitas as rotas comerciais, que a navegação a vapor acabou por transformar em necessidade de primeira ordem. Mas nesse conflito havia antagonismo: de um lado, Buenos Aires desejava fechar os rios para garantir o seu monopólio e permanecer como único porto distribuidor. Do outro, as províncias do litoral tais como Santa Fé, Corrientes, Entre Rios dependentes dos rios para o seu desenvolvimento, pleitearão a liberdade de navegação e de comércio. As províncias do interior que poderiam escoar seus produtos com mais facilidade por aqueles portos, insistem na luta contra a primazia de Buenos Aires situada na "boca" do rio detendo o direito sobre toda a sua extensão para abrir ou fechar a passagem aos estrangeiros.

 

       "Buenos Aires, ela somente, na vasta extensão argentina, está em contacto com as nações europeias; ela somente explora as vantagens do comércio estrangeiro; ela somente tem poder e renda. Em vão as províncias lhe pediram que lhes deixasse passar um pouco de civilização, de indústria e de população europeia: uma política estúpida e colonial fez-se surda a esses clamores".

 

Buenos Aires no séc. XXI

   O problema tem aspectos amplos e graves e podem ser assim resumidos:

  • Aspectos internos: a luta das províncias contra o predomínio exclusivista de Buenos Aires;
  • Aspecto platino: a luta do Paraguai e do Uruguai contra aquele predomínio;
  • Aspectos continentais: o choque entre aquele predomínio e os interesses comerciais e políticos do Brasil em primeiro lugar seguido pelos interesses do Chile e da Bolívia;
  • Aspectos internacionais: o choque entre aquele predomínio e os interesses comerciais ingleses principalmente e franceses em distribuir as suas mercadorias ao imenso território servido pelos rios platinos.

 

    O problema platino resulta da fragmentação do antigo vice-reinado somado ao problema interno da unidade nacional argentina, que Buenos Aires procurava solucionar sob sua liderança. O Paraguai e o Uruguai lutariam para assegurar suas autonomias. O Paraguai estava isolado no interior do continente e precisava de liberdade comercial para manter-se. Lutaria por ela tenaz e prolongadamente de 1810 a 1865. Toda história moderna do Paraguai resume a um conflito de cinquenta e cinco anos com Buenos Aires sobre a sua soberania. "Sobre as indústrias do Paraguai pesavam diversas travas: estanco para o tabaco, múltiplos impostos sobre a erva até aos seus múltiplos consumidores. Economicamente, todo o litoral veio a depender do porto e do comércio de Buenos Aires". O Uruguai dependia do acesso livre pelo rio a que tomaria o seu nome e da liberdade para a praça de Montevideu. Desse antagonismo faria a base para a sua autonomia, que Artigas definiu em sua luta. Buenos Aires fechou a navegação do Uruguai fortificando a ilha de Martín Garcial e, ao mesmo tempo, fez guerra comercial a Montevideu barrando o seu progresso.  

 

    

Montevideu no séc. XXI

   

       "A metade dos couros enviados ao velho mundo pelo vice-reinado saíam de estabelecimentos uruguaios. O regulamento de 1778 consentia sua exportação por Montevideu, simples arrecadadora de fundos que, sendo próprios, iam enriquecer o bolso alheio. Economicamente nenhuma vantagem havia para os orientais em entregar à alfândega de Buenos Aires os direitos impostos ao "intercâmbio". Por decreto de 4 de Março de 1836, o governo de Buenos Aires fixa direitos diferenciais para as mercadorias estrangeiras reembarcadas de cabos para o interior, que entrassem em portos argentinos. A recarga esmagadora era de 25%. Essa medida draconiana impunha lesão grave ao florescente tráfico estabelecido entre as capitais do estuário, ferindo de morte o porto de Montevideu, cuja maior propriedade repousava no transbordo de cargas para Buenos Aires".

 

 

Continua.

 

Campo Belo, 12 de Setembro de 2007

 

Therezinha B. de Figueiredo           

     

 

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