Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

O VICE-REINADO DO PRATA – DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA - 2

                    A  ANARQUIA E O CAUDILHISMO – A ÉPOCA DE ROSAS

 

 

    Resumo da primeira parte: As localidades servidas pelos rios e roteiros terrestres ressentiam do contacto directo com o exterior, contacto este monopolizado por Buenos Aires, de que dependiam. O advento da navegação a vapor possibilitava o uso das águas interiores, o transporte rápido, barato e volumoso; os portos fluviais passaram a ter nova importância a partir da navegação a vapor. Nela estava o progresso das áreas ribeirinhas. Abertos os rios, livres para o comércio, desenvolver-se-iam extraordinariamente e também as regiões delas dependentes.

 

  Segunda parte: O cenário político platino conturbado, apresenta o grave problema da liberdade fluvial que o advento da navegação a vapor coloca ainda mais pendente. Na luta pelo domínio dos rios platinos estavam implícitas as rotas comerciais, que a navegação a vapor acabou por transformar em necessidade de primeira ordem. Mas nesse conflito havia antagonismo: de um lado, Buenos Aires desejava fechar os rios para garantir o seu monopólio e permanecer como único porto distribuidor. Do outro, as províncias do litoral tais como Santa Fé, Corrientes, Entre Rios dependentes dos rios para o seu desenvolvimento, pleitearão a liberdade de navegação e de comércio. As províncias do interior que poderiam escoar seus produtos com mais facilidade por aqueles portos, insistem na luta contra a primazia de Buenos Aires situada na "boca" do rio detendo o direito sobre toda a sua extensão para abrir ou fechar a passagem aos estrangeiros.

 

       "Buenos Aires, ela somente, na vasta extensão argentina, está em contacto com as nações europeias; ela somente explora as vantagens do comércio estrangeiro; ela somente tem poder e renda. Em vão as províncias lhe pediram que lhes deixasse passar um pouco de civilização, de indústria e de população europeia: uma política estúpida e colonial fez-se surda a esses clamores".

 

Buenos Aires no séc. XXI

   O problema tem aspectos amplos e graves e podem ser assim resumidos:

  • Aspectos internos: a luta das províncias contra o predomínio exclusivista de Buenos Aires;
  • Aspecto platino: a luta do Paraguai e do Uruguai contra aquele predomínio;
  • Aspectos continentais: o choque entre aquele predomínio e os interesses comerciais e políticos do Brasil em primeiro lugar seguido pelos interesses do Chile e da Bolívia;
  • Aspectos internacionais: o choque entre aquele predomínio e os interesses comerciais ingleses principalmente e franceses em distribuir as suas mercadorias ao imenso território servido pelos rios platinos.

 

    O problema platino resulta da fragmentação do antigo vice-reinado somado ao problema interno da unidade nacional argentina, que Buenos Aires procurava solucionar sob sua liderança. O Paraguai e o Uruguai lutariam para assegurar suas autonomias. O Paraguai estava isolado no interior do continente e precisava de liberdade comercial para manter-se. Lutaria por ela tenaz e prolongadamente de 1810 a 1865. Toda história moderna do Paraguai resume a um conflito de cinquenta e cinco anos com Buenos Aires sobre a sua soberania. "Sobre as indústrias do Paraguai pesavam diversas travas: estanco para o tabaco, múltiplos impostos sobre a erva até aos seus múltiplos consumidores. Economicamente, todo o litoral veio a depender do porto e do comércio de Buenos Aires". O Uruguai dependia do acesso livre pelo rio a que tomaria o seu nome e da liberdade para a praça de Montevideu. Desse antagonismo faria a base para a sua autonomia, que Artigas definiu em sua luta. Buenos Aires fechou a navegação do Uruguai fortificando a ilha de Martín Garcial e, ao mesmo tempo, fez guerra comercial a Montevideu barrando o seu progresso.  

 

    

Montevideu no séc. XXI

   

       "A metade dos couros enviados ao velho mundo pelo vice-reinado saíam de estabelecimentos uruguaios. O regulamento de 1778 consentia sua exportação por Montevideu, simples arrecadadora de fundos que, sendo próprios, iam enriquecer o bolso alheio. Economicamente nenhuma vantagem havia para os orientais em entregar à alfândega de Buenos Aires os direitos impostos ao "intercâmbio". Por decreto de 4 de Março de 1836, o governo de Buenos Aires fixa direitos diferenciais para as mercadorias estrangeiras reembarcadas de cabos para o interior, que entrassem em portos argentinos. A recarga esmagadora era de 25%. Essa medida draconiana impunha lesão grave ao florescente tráfico estabelecido entre as capitais do estuário, ferindo de morte o porto de Montevideu, cuja maior propriedade repousava no transbordo de cargas para Buenos Aires".

 

 

Continua.

 

Campo Belo, 12 de Setembro de 2007

 

Therezinha B. de Figueiredo           

     

 

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D