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A bem da Nação

DEMAGOGIA ANTIGA

Assim se chamou a revolução que em Maio de 1846, no reinado de D. Maria II, rebentou no Minho contra o Governo do cartista (1) António Bernardo da Costa Cabral (2).

 

A causa imediata da revolta foram o recrutamento militar e a proibição de os enterros serem feitos dentro das igrejas. Desempenhou papel activo na revolta uma mulher da Póvoa de Lanhoso conhecida por Maria da Fonte. Os tumultos tomaram as proporções de insurreição lavrando em grande parte do País. Com vista a acabar com a insurreição, a rainha D. Maria Il demitiu Costa Cabral da chefia do Governo, nomeou o Duque de Palmela para o cargo e o Duque da Terceira para Real Lugar-tenente no norte mas não lhes deu tempo e ela própria deu em 6 de Outubro de 1846 um verdadeiro golpe de Estado e, sem renomear Costa Cabral, formou um Governo declaradamente cartista presidido pelo Marechal Duque de Saldanha.

 

Rebentou então a revolta com espantosa energia, o Duque da Terceira foi preso no Porto e constituiu-se uma junta provisória cuja presidência se deu ao Conde das Antas e a Vice-Presidência a José da Silva Passos que era a alma da revolta e irmão do grande ministro progressista Manuel da Silva Passos (3). O Visconde de Sá da Bandeira (4) aderiu à revolução. A Junta do Porto legislava em nome da Rainha e fazia-lhe manifestações de dedicação mas o espírito popular era-lhe completamente hostil por ter dado o golpe de Estado.

 

O Espectro, jornal redigido por António Rodrigues Sampaio (5) e que se publicava em Lisboa sem que a Polícia conseguisse descobrir a imprensa que o imprimia nem os seus redactores, atacou pessoalmente a Rainha pela sua intervenção na politica partidária. A Junta do Porto, apesar de dispor de vastíssimos recursos, não era feliz por causa dos seus Generais: Sá da Bandeira foi batido em Vale Passos pelo Barão do Casal; o Conde de Bonfim batido em Torres Vedras pelo Marechal Saldanha em Dezembro de 1846 (batalha em que foi morto o General Mousinho de Albuquerque); o Barão de Casal tomara Braga, os marinheiros fiéis à Rainha tomaram Valença e Viana do Castelo; as tropas da Junta, comandadas pelo Visconde de Sá da Bandeira, eram batidas no Alto do Viso pelo General Vinhais. A Convenção de Gramido de 30 de Junho de 1847 pôs fim à insurreição.

 

A revolução da Maria da Fonte é um dos episódios mais importantes da História de Portugal no século XIX. Foi nesse movimento que muito se salientaram homens como Rodrigo da Fonseca Magalhães e José Estêvão Coelho de Magalhães cujos nomes figuram na toponímia de Lisboa. O Maestro Ângelo Frondoni compôs por essa ocasião um hino que durante muito tempo ficou como Hino Nacional e cujos primeiros acordes ainda actualmente são tocados no início das corridas de toiros em Portugal. Camilo Castelo Branco escreveu um livro com o título Maria da Fonte. São também interessantes os Apontamentos para a história da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte, pelo Padre Casimiro.

 

Passados quase 160 anos, apetece resumir os acontecimentos para concluirmos alguma coisa sem ficarmos submersos num excesso de informação.

 

Assim, a Rainha D. Maria II, filha de quem ganhara as Guerras Liberais, estava decidida a conduzir Portugal no sentido do progresso e a fazer vingar o constitucionalismo. Para isso, nomeara um Primeiro Ministro,– Costa Cabral,– da sua plena confiança política a quem incumbira de modernizar o País ao abrigo de uma Carta Constitucional. Mas essa acção governativa foi interferir com muitos interesses estabelecidos e isso fez com que se tornasse necessário encontrar um bode expiatório “democraticamente” aceitável, o povo analfabeto, para fazer a reposição dos direitos de que alguns nobres estavam a ser despojados.

 

O pretexto foi encontrado no sistema de recrutamento militar e na proibição de utilização do solo sagrado das igrejas para enterrar os mortos. Para sossegar os ânimos, a Rainha nomeou um Governo, o– do Duque de Palmela,– que poderia servir de meio termo entre o que ela pretendia e o que o povo exigia mas não lhe deu tempo para nada, deixou-se de diplomacias e retomou o rumo que a revolta a fizera suspender nomeando como novo Primeiro Ministro o Marechal Duque de Saldanha, cartista com provas dadas.

 

Os “democratas” da época acabaram por se indignar também com a Rainha pelo facto de ela, apesar de estar a fazer o que eles próprios queriam, não se manter equidistante dos vários Partidos e interferir directamente na vida política.

 

Conclusão: é muito difícil governar em Portugal e talvez por isso é que já o Imperador romano César Augusto dizia que “lá nos confins da Ibéria há um povo que não se governa nem se deixa governar”.

 

Lisboa, 18 de Outubro de 2005

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

(1) - Cartista, a favor da Carta Constitucional, por oposição a quem pretendia que o Rei governasse por inspiração divina

(2) – António Bernardo da Costa Cabral, 1º Conde e 1º Marquês de Tomar (n. 9 de Maio de 1803 - f. 1 de Setembro de 1889)

(3) - Ficou na História conhecido por Passos Manuel, um dos vultos mais proeminentes das lutas liberais; bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra; advogado, deputado em diversas legislaturas, Par do Reino, Ministro de Estado

(4) - Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo Sá da Bandeira, 1º Barão, 1º Visconde e 1º Marquês de Sá da Bandeira (n. a 26 de Setembro de 1795 - f. a 6 de Janeiro de 1876), Par do Reino, Ministro de Estado, Marechal de Campo, Director da Escola do Exército, Presidente do Conselho Ultramarino

(5) - António Rodrigues Sampaio (n. a 25 de Julho de 1806 - f. a 13 de Setembro de 1882), desempenhou cargos na magistratura superior, deputado, Ministro de Estado, jornalista.

O TÚMULO MISTÉRIO

Nasceu nos finais do século XVI em Oleiros, não longe de Castelo Branco; ainda novo, foi admitido no “Colégio das Onze Mil Virgens” em Coimbra, então um dos principais centros jesuítas de ensino, para quem o Padre Iñigo Lopez Recaldo – posteriormente conhecido como Santo Inácio de Loiola – escrevera as famosas “Ratio Studiorum”; em 1600 embarcou para Goa a fim de concluir os estudos e se ordenar.

Como jesuíta ordenado, é-lhe confiada a instalação da primeira missão católica no norte da Índia, mais precisamente em Agra, junto da corte muçulmana Moghul. É aí que ouve falar duma civilização de origem cristã, algures lá para o centro da Ásia.

Corre o ano de 1620 quando se dirige a Deli onde, com vestes indianas, se integra numa peregrinação ao Santuário de Badrinath, nos Himalaias. Chega ao glaciar onde nascem o Ganges e o Bramaputra mas continua a escalada e passa às vertentes norte da cordilheira. Trata-o das queimaduras do gelo e dá-lhe guarida o rei de Tsaparang que o autoriza a divulgar a Palavra. Assim conhece a civilização tibetana e de imediato constata que nada tem ela a ver com o cristianismo. Mas agrada-lhe a espiritualidade dessa outra religião e quando regressa a Agra para buscar quem o ajude a estabelecer a nova missão no Tibete, escreve uma longa carta ao Padre Geral da Companhia de Jesus, Muzzio Vitelleschi, dando-lhe notícia das novidades que descobrira do outro lado das montanhas.

Essa carta fez o espanto da Cúria romana, esbateu os relatos de Marco Polo e entusiasmou de tal modo quem a leu que se transformou num formidável êxito editorial em toda a Europa. Era o regresso à época dos descobrimentos; o mundo continuava a descobrir-se pela mão dos portugueses apesar do domínio espanhol. Foi traduzida em 14 línguas. Era o ressurgimento da portugalidade. Nem os Filipes conseguiram calar tamanho fenómeno literário e de orgulho nacionalista no país dominado.

Voltando mais duas vezes ao Tibete, somou seis escaladas dos Himalaias quando a maior parte das pessoas nem a uma sobreviveria.

Regressado definitivamente a Agra, ouve falar de um tal Santo da Caxemira e qual não foi o seu espanto quando lhe dão a entender que se tratava do próprio Jesus Cristo sobrevivo à crucificação, ali enterrado não muito longe de Sua Mãe. Isto já não era uma nova religião mas sim uma blasfémia. E assim foi que tudo relatou ao Padre Geral Jesuíta a quem pediu orientações.

Só que esta carta não saiu dos corredores eclesiásticos; não foram dadas as orientações que tinham sido pedidas e, pelo contrário, foi decidido cortar quaisquer ligações com essa fonte blasfema.

Como prova de gratidão por altos serviços prestados à Igreja, foi nomeado Provincial Jesuíta do Oriente, em Goa.

Mas em Goa imperava a Inquisição que, sob o feroz comando dominicano, punia severamente hindus, judeus, jesuítas, franciscanos e outros que não temessem o seu Deus castigador e vingativo.

Sacrílegos, idólatras, supersticiosos, prostitutas e pregadores da Palavra do Deus infinitamente bom e do perdão, todos eram submetidos a julgamento e sentença da Inquisição.

Essa a diferença: o Deus castigador e vingativo de dominicanos e beneditinos e o Deus infinitamente bom e do perdão de jesuítas e franciscanos.

Agora que era o Provincial Jesuíta do Oriente, decidiu tudo fazer para acabar com a Inquisição em Goa e a melhor forma de o conseguir era implodi-la: intrometer-se e neutralizá-la. A implosão só se conseguiria depois da neutralização. Mas havia um problema: o anterior Padre Geral, Cláudio Acquaviva, tinha proibido os jesuítas de estabelecerem qualquer tipo de colaboração com a Inquisição e essa ordem mantinha-se em vigor.

Mas fora S. Francisco Xavier, jesuíta, que pedira ao rei D. João III que enviasse a Inquisição para Goa. Então, como era? Um jesuíta venerado podia fazer o que estava vedado a um jesuíta venerador?

Terá sido longa e secreta a meditação mas rápida e pública a decisão que se lhe seguiu e eis que se consegue fazer nomear Notário para um julgamento que iria por certo punir uma série de pobres almas que apenas haviam não correspondido às expectativas dos severos Inquisidores.

Pela primeira vez em muitas décadas, a Inquisição de Goa limitou-se a decidir muitas penitências mas não sentenciou ninguém à morte; o sermão da celebração que antecederia o auto-de-fé seria proferido pelo Notário.

Pela primeira vez na história, um auto-de-fé não seria antecedido por um sermão que exalasse ódio e medo de um Deus mau; a Palavra do bom Deus ganhava terrenos até então reservados a outras prédicas.

Mas o ambiente no Colégio de S. Paulo não era pacífico pois havia muito quem não aceitasse que o seu Provincial oficiasse num auto-de-fé. Havia que impedir que acto tão grave pudesse ocorrer.

Na véspera do auto-de-fé, o refeitório esperou que o Provincial se persignasse para se dar início à refeição da noite. Encomendados a Deus e agradecido o dom dos alimentos, o Padre Provincial sentou-se e bebeu um trago de água. Logo deitou as mãos à garganta e . . . morreu três dias depois em grande sofrimento.

Chamava-se António de Andrade e não subiu aos altares.

A Inquisição só foi extinta em Portugal em 31 de Março de 1821 em sessão das Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa e o túmulo da Caxemira continua a representar um grande mistério para muita gente. Quem será aquele Santo?


Lisboa, Setembro de 2005

Henrique Salles da Fonseca

Publicado em Panjim, Goa, em Outubro de 2005

Tratado de Viena de 1815

Artigo CV

Les Puissances, reconnaissant la justice des réclamations formées par S. A. R. le prince régent de Portugal e du Brésil, sur la ville d'Olivenza et les autres territoires cédés à Espagne par le traité de Badajoz de 1801, et envisageant la restitution de ces objets, comme une des mesures propres à assurer entre les deux royaumes de la péninsule, cette bonne harmonie complète et stable dont la conservation dans toutes les parties de l'Europe a été le but constant de leurs arrangements, s'engagent formellement à employer dans les voies de conciliation leurs efforts les plus efficaces, afin que la rétrocession desdits territoires en faveur du Portugal soi effectuée; et les puissances reconnaissent, autant qu'il dépend de chacune d'elles, que cet arrangement doit avoir lieu au plus tôt.

AS CONFERÊNCIAS DE LISBOA – 7

Quando na passada 2ª feira, 10 de Outubro, foi anunciada a atribuição do Prémio Nobel da Economia de 2005 aos Professores Robert Aumann e Thomas Schelling, logo me dirigi à Internet em busca de informação sobre os trabalhos que a ambos haviam merecido tão elevado galardão. Tratava-se da Teoria dos Jogos e dei por mim a entender tanto como se em vez de inglês estivesse a ler mandarim ou cantonês: zero. Fiquei triste ao perceber que não tinha formação suficiente para compreender textos publicados na Internet e supostamente acessíveis ao grande público. Uma liçãozinha de humildade não faz mal a ninguém.

Foi portanto com redobrado interesse que aceitei o convite que o Professor Manuel Ennes Ferreira, na qualidade de responsável pela organização das conferências e seminários no ISEG, me endereçou para assistir hoje, 12 de Outubro, a uma Conferência no edifício da biblioteca daquele Instituto exactamente sobre o tema das minhas desilusões.

A mesa era composta pelo Professor José Pedro Fontes (ISEG), pela Professora Joana Pais (ISEG) e pelo Professor João Gata (Universidade de Aveiro). Na plateia não cabia muito mais gente para além de alunos, docentes e público em geral como eu.

Feito um breve resumo curricular dos laureados, ficámos a saber que o Professor Aumann é essencialmente um matemático e o Professor Schelling economista. Daqui resultam abordagens completamente diferentes à Teoria dos Jogos, na certeza porém de que ambos tomam como base de partida os estudos de John Nash, laureado Nobel em 1994, sobre aquilo que ficou conhecido como o “Equilíbrio de Nash” em jogos estratégicos não cooperativos (1).

Destas diferentes abordagens resultou em Schelling uma teoria da selecção de equilíbrios nos conflitos e nas situações de cooperação, na coordenação de pontos focais, na graduação das ameaças e das promessas credíveis. Tudo isto parece mandarim ou cantonês até que se começa a perceber que tudo está relacionado com a concorrência económica e com o controle de armamento. Schelling viveu intensamente a Guerra-fria junto do mais alto nível decisório americano, teorizou as estratégias da ameaça e da cooperação, sugeriu o estreitamento do leque de hipóteses alternativas no jogo (de gato e rato) em curso entre americanos e russos e propôs a definição da chamada “resposta automática”: se eles fizerem isto, nós respondemos automaticamente com aquilo. A isso chamámos mais tarde a Guerra das Estrelas. Sim, precisamente aquela resposta automática que, mesmo ainda no prelo, desmantelou a União Soviética. Eis o “bluff” perfeito. Bem se compreende assim porque é que a Teoria dos Jogos nasceu pela mão do Pocker.

Aumann dedicou-se sobretudo à questão do conhecimento que cada jogador tem nomeadamente das regras do próprio jogo, da racionalidade de cada interveniente e do conhecimento que cada um tem da racionalidade alheia. Introduziu um novo elemento (o processo repetitivo) na teoria de Nash que passou a chamar-se o “Equilíbrio forte de Nash” daí resultando uma teorização do apuramento das estratégias sucessivas, consolidadas ao longo de milhares de anos, o que lhe terá permitido proceder à análise do Talmud à luz da Teoria dos Jogos. Mas, mais pragmaticamente, permite também uma análise das guerras de preços e das consequências do incompleto conhecimento comum a todos os intervenientes. Tudo, com base matemática e partindo duma matriz de duas entradas.

Não é fácil entrar no tema mas estou certo de que, depois deste desbravamento, a próxima digressão internética já não será em mandarim ou cantonês vernáculos.

Lisboa, 12 de Outubro de 2005

Henrique Salles da Fonseca


(1) http://cepa.newschool.edu/het/profiles/nash.htm


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