CRÓNICAS DO BRASIL
Mercantilismo ou Nacionalismo
Foram estas duas as posições que, além de outras de ordem religiosa, opuseram os holandeses, invasores, aos brasileiros, luso-brasileiros e/ou portugueses, que, desde há um século, haviam adotado o Nordeste do Brasil em sua terra e aberto os caminhos da produção com um esforço que hoje é difícil de imaginar e reconhecer.
Os holandeses vieram para chupar a teta da produção existente, assaltar e roubar, sem qualquer intenção de se fixarem ao solo e aqui formarem uma nova pátria, do mesmo modo que abandonaram Nova Amsterdam (aliás vendida, que de tudo eles sacavam grana), por não sair dali o negócio que os «patrões» nas Flandres, esperavam.
Ficou, da sua estadia, a marca de um homem, só. Maurício de Nassau. Grande administrador. Os seus antecessores e posteriores, movidos pela ganância e intolerância ajudaram a fomentar o nacionalismo local, que acabou por correr com eles daqui para fora. A um elevado custo, já que o frágil rei de Portugal precisava do apoio da Holanda para consolidar a coroa recém retomada dos Filipes, e apesar da grande vitória no terreno, sofreu forte derrota nas finanças!
Parece que a história se repete. Três séculos e meio mais tarde, o panorama que hoje se enxerga no Brasil é de um «mercantilismo» das instituições públicas, em triste confronto com o que seria de esperar: um nacionalismo verdadeiro, a elevação do nível geral da população, a começar pela instrução e cultura.
O mercantilismo impera em todos os segmentos da governança, e tanta é a pouca vergonha que os tribunais, em alguns casos, vão levar dez ou vinte anos para resolver, se... ainda nesse tempo longínquo algo houver a ser resolvido.
O compadrio é uma doença extremamente contagiosa. E o poder, um mal que, entrado no corpo, os «doentes» não o largam mais. É pior que alucinógeno!
O Brasil, como quase todos os países da América do Sul, vive no paternalismo político. O povo, paciente, aguarda que os governos resolvam os seus problemas, como no caso do Bolsa Família que já alcança mais de 25% da população (que votarão novamente no PT enquanto continuar esta mamata!), e assim o crescimento harmônico jamais acontecerá.
Estimula-se a vagabundice com esmolas e não se criam empregos que dignifiquem quem trabalha. Assim se compram votos e se mantém a maioria do povo na ignorância.
O que é essa compra de votos se não um mercantilismo moderno?
E nacionalismo não seria algo como o interesse em dar vida digna a todos?
Será que se perdeu a força da raça que, à custa Deus sabe de que sacrifícios, correu daqui com os invasores holandeses?
Rio de Janeiro, 25 de Agosto de 2007
Francisco Gomes de Amorim
