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A bem da Nação

Aceita um cafezinho?

 

 

Não se entra em lar brasileiro, do mais modesto ao mais requintado, sem que se ofereça uma xícara de café, feito na hora, fresquinho, como sinal de apreço pela visita e receptividade do anfitrião. É sinal de boa “educação”! Seja em casa ou no trabalho, num bate-papo informal, confortavelmente instalados numa cafeteria ou em pé em qualquer bar de esquina, após uma refeição, numa pausa de Congresso, na choça do caboclo, na sala de qualquer Secretaria do Planalto, para estimular ou acalmar, ou mesmo sem motivo, o costume de tomar um cafezinho é um prazer nacional, e porque não dizer mundial.
 
Mas houve um tempo em que apreciar um bom café no Brasil, não era comum. O de melhor qualidade era exportado, ficando para a população o refugo, de categoria inferior. Motivo pelo qual muitos imigrantes se decepcionavam com o café brasileiro, quando cá chegavam. Havia também a idéia difundida que café fazia mal ao coração, sendo para as crianças, até desaconselhável.  Verdade é que, como estimulante circulatório, tomado em grandes quantidades, poderá levar a taquicardia (ritmo acelerado dos batimentos cardíacos), tendo neste caso os “antigos” alguma razão. Em recentes pesquisas, nas quais o marketing se embasa, esse conceito foi contrariado. Agora dizem que, como antioxidante natural, tomado logo após ser preparado, tem a virtude de combater doenças como Alzeheimer, Parkinson, depressão e até câncer.
 
Como outros produtos, que fazem a marca de uma nação, o café tem aumentado de consumo com a globalização. Até o Japão, a China, a Coréia do Sul e a Índia, onde o chá mais que um hábito é um ritual, tornaram-se grandes consumidores desse produto, em que o Brasil é o maior produtor mundial.
 
Desde o ano 2000, a ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) tem notificado a melhoria considerável da qualidade dos grãos plantados pelos nossos agricultores, trazendo à população um produto de qualidade. Agora já temos nos Supermercados café de tipo Superior e Gourmet, para a regalia dos apreciadores do ouro verde brasileiro. Apesar disso, temos a noticia que a safra de 2007/2008 deverá cair, por causa de problemas climáticos ocorridos na época da floração da planta. Segundo a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) uma redução de mais ou menos de 26,9% ante a safra de 2006. Somos o segundo maior consumidor mundial (16,33 milhões de sacas/ano), perdendo só para os USA (20milhões de sacas/ano). Preparemo-nos para mais uma alta no Mercado.
 
Esse fruto, de origem Africana (Etiópia), difundido pelos árabes e pelos venezianos levado à Europa, onde foi artigo de luxo, guardado e explorado pelos holandeses e franceses, no Brasil chegou romanticamente pelo Sargento-mor Francisco de Melo Palheta. (Qual o carioca que não se lembra do famoso Café Palheta, tão consumido no Rio de Janeiro, no meio do século passado?).  Trouxe-o escondido do Suriname, onde a esposa do governador da Guiana Holandesa lho dera em confiança. No Brasil encontrou terras e clima favoráveis ao seu cultivo. Com D. João VI foi estimulada a sua expansão e desenvolvimento principalmente nas terras do sul e sudeste, onde se tornou na época dos Barões do Café (século XIX e XX) um dos produtos de maior representatividade na economia e cultura brasileiras. Foi ainda a produção do café que trouxe para o país uma grande leva de imigrantes italianos e portugueses para trabalhar nos campos, quando a escravidão negra terminou no país, aumentando assim a miscigenação do povo brasileiro e enriquecendo a sua cultura. 
 
A história conta que do oriente à Europa apareceram as cafeterias. Das mais simples às mais luxuosas, ponto de encontro da burguesia e intelectuais. Johann Sebastian Bach prestou homenagem ao grão da Abissínia quando compôs a Cantata do Café. Em Viena misturou-se leite e açúcar ao café coado. Todos aprovam.
 
O café se propagou e se universalizou. Na América do Sul, o Brasil tornou-se um grande produtor-exportador. Santos Dummont foi o maior produtor mundial do seu tempo. Com a cafeicultura a riqueza chegou ao interior. Vieram então os ingleses trazendo as ferrovias. Foi com eles que os mineiros aprendem a falar o “UAI” (why). Na América do Norte cafeterias vulgarizaram-se. A saca de café passa  a ser cotada  pela Bolsa de Nova York. O café descafeinado é colocado no mercado por Ludwig Roselius. As máquinas de café expresso popularizam-no por todo o mundo.
 
O cultivo do café está cada vez mais aprimorado. No planalto mineiro, um dos maiores produtores do país, encontramos o café do Cerrado, cultivado em região demarcada, considerado um dos maiores potenciais agro-econômicos do país.
 
Para completar a “conversa”, que tal um cafezinho coado na hora, feito com grãos moídos, selecionados e torrados ao ponto, sem misturas ou sujeiras?
Hum... dá até pra sentir o seu aroma se espalhando pela casa inteira!
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 05/08/07

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