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A bem da Nação

O VICE-REINADO DO PRATA

DOMÍNIO INGLÊS NO PRATA
              A ANARQUIA E O CAUDILHISMO  - A ÉPOCA DE ROSAS
 
 
 
     Em As Razões da Fragmentação vimos que a nova política comercial espanhola continha a semente da contradição e que a prosperidade da metrópole espanhola induziu o movimento pela autonomia das suas colônias na América do Sul. O desenvolvimento das colônias continha , por sua vez, a semente da penetração inglesa e o seu domínio posterior. Como o grupo mercantil portenho aceitara e se beneficiara das medidas do novo sistema de comércio, esse mesmo grupo aceitaria e se beneficiaria do sistema imposto pela expansão inglesa. Sem constituir capital comercial suficiente para construir a produção manufatureira, mantendo unicamente o setor de circulação comercial, a burguesia portenha seria empresária de uma revolução pela autonomia frustrada, reduzida ao plano político. A Argentina constituiria, como o Brasil, dependência econômica e financeira da Inglaterra por todo século XIX e em grande parte do século XX, quando representou o último suporte do imperialismo inglês nesta parte do continente - o último a ceder lugar ao norte-americano.
 
 
                  A ANARQUIA E O CAUDILHISMO - A ÉPOCA DE ROSAS
 
    Buenos Aires conservava a primazia econômica e política desde que se tornou independente do julgo espanhol.
    Para consolidar a primazia política apoiou na sua alfândega, que lhe assegurou a fonte de enriquecimento e a influência sobre o território do antigo vice-reinado garantindo os direitos de entrada e distribuição de mercadorias. Para consolidar a primazia econômica, procurou estabelecer uma estrutura unitária de que seria o centro, ditar uma constituição escrita e adotar uma solução monárquica na pessoa de D. Carlota Joaquina. As bases de apoio para assentar a estrutura do novo País iriam ferir as demais partes do antigo vice-reinado. Em particular a segunda, uma vez que o sistema de monopólio imposto pela cidade comercial do estuário representava uma alteração do sistema de monopólio espanhol vigente até a autonomia. Sendo assim, a primazia econômica teria o papel apenas de cobertura em relação à primazia política. Ao contrário de promover a unidade, a autonomia transformou em agudas as antigas contradições e fez emergir as causas de fragmentação existentes no vice-reinado. A luta agora seria das províncias contra Buenos Aires.
 
          " Sacudiram o julgo da Espanha para receber Buenos Aires ..."
 ( ...)  " O governo de hoje, como o de Maio, é o governo dos povos argentinos por Buenos Aires e para Buenos Aires". ( ...) A soberania da Nação é uma palavra; sua dependência colonial em relação a Buenos Aires, é um fato".
"Todos os gêneros e artigos que do estrangeiro se introduziam em Buenos Aires pagavam ali os impostos de alfândega e pagavam também os impostos de extração que dela se fazia para as províncias".
"Na alfândega de Buenos Aires pagava-se um direito de depósito, um direito de reembarque; e todos esses impostos gravitavam sobre os demais povos argentinos, a que tais mercadorias eram levadas para consumo". "A federação era uma palavra sem sentido. A realidade era um poder tirânico da alfândega de Buenos Aires que, com os recursos de toda a nação, mantinha as províncias humilhadas".
 
 
     O desenvolvimento da navegação a vapor surge como uma nova condição e fator de agravamento do desequilíbrio platino. A navegação a vela era mais trabalhosa, consumia tempo e dificultava o fluxo das importações e sua distribuição. A função política dos rios data aos primeiros tempos da colonização, porque possibilitavam as penetrações e o povoamento. A função econômica ligada ao transporte encontrava obstáculo na vela. Ao longo dos rios de águas profundas do Paraná, Paraguai e Uruguai nasceram  e desenvolveram, dependentes de suas águas, praças comerciais importantes que em alguns casos eram subordinadas à lenta e difícil navegação a vela anterior à máquina a vapor. As localidades servidas pelos rios e roteiros terrestres ressentiam do contato direto com o exterior, contato esse monopolizado por Buenos Aires, de que dependiam. O advento da navegação a vapor possibilitava o uso das águas interiores, o transporte rápido, barato e volumoso e por isso os portos fluviais passaram a ter nova importância. Na navegação a vapor estava o progresso das áreas ribeirinhas. Santa Fé, Corrientes, Paraná, Assunção, Salto teriam nela o seu futuro econômico assegurado e, com elas as regiões que serviam. Abertos os rios, livres para o comércio, desenvolver-se-iam extraordinariamente e também as regiões delas dependentes.
 
Continua.
 
 
Campo Belo, 11 de agosto de 2007
Therezinha B. de Figueiredo   
 

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