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A bem da Nação

...

TAPAS Y CASTAÑOÇAS – 3
O Chefe de um Estado é um Rei, um Presidente ou um Papa. Não me lembro de outras possibilidades. Sim, há o Dalai Lama que equiparo aos Papas e há os Imperadores que são Reis turbo.
Espiritualidades à parte, resta o mundo temporal que se divide entre Reis e Presidentes.
Num plano de grande generalidade, ao Chefe de Estado actual, seja ele Rei ou Presidente, cumpre garantir a unidade nacional e o cumprimento da Constituição. No que se refere ao modo como exercem essas tarefas, vão desde o simbolismo da Rainha de Inglaterra e do Presidente da Alemanha aos executivos Presidentes americanos e russos. A meio da tabela estão o Presidente de Portugal e o Rei de Espanha, cada um com as especificidades que as respectivas Constituições determinam.
* * *
Para mim, português, é relativamente fácil abordar a questão espanhola - o que não significa que o não faça com alguma preocupação .
Com base na vitória militar (numa primeira fase), à custa da ditadura (numa segunda fase) e da autocracia e do garrote (numa terceira fase e até final do seu Regime), Franco assegurou a integridade territorial de Espanha e o cumprimento da sua própria Constituição; D. Juan Carlos assegurou a integridade territorial e o cumprimento de uma Constituição democrática sem outros instrumentos para além da sua capacidade de diálogo, o seu inegável Sentido de Estado e, a partir do momento que em 1981 se afirmou (e foi claramente reconhecido pela maioria dos espanhóis) como «o Pai da Democracia espanhola», com o seu prestígio pessoal.
Mas abdicou porque é pública a vida privada de qualquer Chefe de Estado.
Então, quando muitos espanhóis e alguns estrangeiros esperávamos que D. Juan Carlos tivesse passado à História, eis que lhe acendem as luzes negras da ribalta.
E a pergunta é: - Quem acendeu toda essa negritude?
Segue-se a resposta: - As luzes negras da nova ribalta de D. Juan Carlos não foram acesas pelos puritanos moralistas, os «ayatollahs» da nossa praça, foram acesas precisamente pelos inimigos (adversários numa escala letal) da Espanha unitária e liberal.
Inimigos da Espanha unitária porque adeptos dos vários nacionalismos a que – para facilitação de linguagem - chamamos espanhóis; inimigos da Espanha liberal porque adeptos do marxismo nas suas formas mais brutas (stalinismo, trotskismo, maoismo…) ou mais sofisticadas (gramscianismo, berlinguerismo…).
A gravidade maior foi terem-se misturado nacionalistas com revolucionários num «caldinho» que faz lembrar a «geringonça» de Manuel Azaña. Ou seja, está-se na iminência de entornar o caldo.
A menos que…
(continua)
Agosto de 2020
Henrique Salles da Fonseca

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