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A bem da Nação

A REVOLUÇÃO COMERCIAL - 8ª Parte

                                  A NOVA SOCIEDADE
 
 
       Final da 7ª parte: Durante algum tempo o colapso das Companhias dos Mares do Sul e do Mississipi arrefeceu um pouco a paixão do público pela especulação. Não tardou muito para que reavivasse o desejo pelo lucro especulativo. Os surtos de compras de acções que acompanharam a Revolução Comercial repetiram-se muitas vezes durante os séculos XIX e XX.
 
      Além de ter propiciado a construção da base que veio a constituir o regime capitalista, a Revolução Comercial resultou na ascensão da burguesia ao poder económico no início da europeização do mundo e no restabelecimento da escravidão, entre outros. Ao fim do século XVII, a burguesia se tornara a classe económica dominante em quase todos os países da Europa ocidental. Dela faziam parte os comerciantes, os banqueiros, os proprietários de navios, os principais investidores e os empresários industriais. O alcance do poder pela burguesia deveu-se principalmente ao aumento da riqueza e a sua tendência de aliar-se ao rei contra a aristocracia. O poder da burguesia até então, era puramente económico. Somente no século XIX  conquistou a supremacia política.
     Por europeização do mundo deve-se entender a transplantação dos hábitos e da cultura da Europa para outros continentes. Em consequência da actividade de comerciantes, missionários e colonos das Américas do Norte e do Sul assumiram a feição de complemento da Europa. A Ásia teve um início de transformação mais acentuada em tempo posterior. Em especial o Japão e a China passaram a importar produtos da Europa como por exemplo, a locomotiva.
 
    O resultado mais trágico e deplorável, do ponto de vista humano, da Revolução Comercial foi o restabelecimento da escravidão, ou seja, a compra e venda de seres humanos, obrigados a produzir riqueza pelo trabalho forçado. A escravidão havia desaparecido da civilização europeia por volta do ano 1000. O desenvolvimento da mineração e da agricultura de plantations nas colónias inglesas, espanholas e portuguesas provocou enorme procura de trabalhadores sem qualificação. A princípio os colonizadores tentaram escravizar os índios americanos, mas estes, mostraram demasiada sensibilidade às doenças infecciosas europeias e pouco propensos a aceitar serem escravizados.
 Padre António Vieira (1608-1697) - expulso do Brasil por defender os índios dos maus tratos dos roceiros 
O problema foi resolvido no século XVI, mediante importação de negros africanos incorporados ao comércio colonial europeu até o século XIX, principalmente nas regiões que forneciam produtos agrícolas tropicais como açúcar e fumo. Depois de mais ou menos 1780, ficou incluído o algodão.
 
    A Revolução Comercial teve enorme importância na preparação do caminho para a Revolução Industrial. Em primeiro lugar, a Revolução Comercial criou uma classe de capitalistas, que procuravam constantemente novas oportunidades para investir seus lucros excedentes. Segundo, a política mercantilista, que dava ênfase à protecção das indústrias principiantes e à produção de mercadorias para exportação, deu poderoso estímulo ao desenvolvimento da manufactura. Terceiro, a fundação de impérios coloniais inundou a Europa de novas matérias-prima e aumentou a oferta de certos produtos que até então eram de consumo sumptuário. A maioria deles exigia manufactura antes de chegarem ao consumidor. Em consequência surgiram novas indústrias, livres de qualquer regulamentação por parte das corporações que ainda sobreviviam. Um exemplo foi a manufactura do algodão, que significativamente, foi uma das primeiras indústrias a se mecanizar.
 
   Por fim, a Revolução Comercial foi marcada pela tendência da adopção de métodos fabris em certas linhas de produção, juntamente com aperfeiçoamentos técnicos, como a descoberta de processos mais eficientes para refinar minérios. Assim, a Revolução Comercial conduziu inevitavelmente à Revolução Industrial.
 
 
Continua.
Campo Belo, 20 de julho de 2007
Therezinha B. de Figueiredo 

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