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A bem da Nação

LÁGRIMAS DO BRASIL

AS  VAIAS  E  A  LIDERANÇA

 

Em uma das suas brilhantes entrevistas à RTV, quando lhe perguntaram: O senhor sente-se uma pessoa amada?, Agostinho da Silva respondeu com aquele sentimento do óbvio que lhe era característico: “Eu não sei se sou amado, nem me preocupo com isso. Eu é que tenho que amar os outros. E se assim todos fizerem o mundo se modificará!” Que maravilha de resposta. De Mestre.

No outro extremo da postura e do pensamento, o nosso grande líder, sentado em cima do seu imenso ego, da sua importância, da aparente intocabilidade do PT, da impunidade generalizada, num total absentismo pela governança e pela moralização da res pública, assunto que tanta bravata lhe forneceu quando líder operário, detentor do absurdo, ainda hoje, de quase 60% das intenções de votos, se pudesse voltar a se candidatar (e quem diz que não pode?) melindrou-se ao ser vaiado por 90.000 espectadores dentro do Maracanã, na abertura dos jogos Pan Americanos! Fez beicinho, abandonou o estádio e não pronunciou, de acordo com o protocolo, o discurso inaugural. Uma vergonha.

Em socorro do “papai entristecido” vieram a campo uns quantos idiotas puxa saco para “explicar” o sucedido:

- Que as vaias tinham sido orquestradas pelo Prefeito do Rio, que teria mandado uns 70 funcionários para iniciarem as vaias! Está-se bem a ver que 70 vozes no meio de 90.000 fariam grande efeito;

- Outros, muito mais sábios, desqualificaram a atitude do povo, dizendo que no estádio não estava o povo, mas somente elites!!! Aquele velho jargão esquerdista mais do que gasto...

Desconhecem os donos do poder uma palavra bonita, uma atitude ainda mais bonita, que se exprime por humildade.

Parece que ninguém leu, por exemplo, o poema 24 de Lao Tsé – com 2.600 anos – ”Quem se ergue na ponta dos pés, não pode ficar muito tempo. Quem se interpõe na luz, não pode luzir. Quem dá valor a si mesmo, é desvalorizado. Quem se julga importante, não merece importância. Quem se louva a si mesmo,  não é grande.

Faltou ao grande líder ser exactamente um líder! Ele sempre foi um cabeça de frente de bravatas sindicais e... nada mais do que isso.

Ali, perante 90.000 pessoas que lhe mostraram o quanto estão cansadas e envergonhadas com a impunidade e bandalheira no país, ele devia ter-se mostrado (se disso fosse capaz!) o chefe, o defensor oficioso do Brasil, mesmo roubando o título a Dom Pedro I, e em vez de se retirar como menino mimado a quem negaram o brinquedo, teria agradecido a oportunidade que lhe proporcionaram, mostrando o quanto o povo está descrente, e ter feito uma PROMESSA SOLENE de moralização das instituições mais graves do país: o congresso, o judiciário e a polícia.

Mas... de rabo preso... o cara ia fazer o quê? NADA.

Apavorou-se. Fugiu. E mandou capangas atribuir a vergonha da manifestação ao Prefeito do Rio e às elites, coisa que até hoje ninguém sabe o que é, já que foram as elites que lhe deram dinheiro para se eleger.

César Maia César Maia, economista, Prefeito do Rio de Janeiro

Este procedimento confirma o facto de o homem “civilizado” buscar mais a admiração dos outros do que a satisfação da própria consciência.

Enquanto assim for, o povo... Que povo?

Deus permita que, lá onde estiver, Mestre Agostinho da Silva que tanto fez pelo Brasil, não tome conhecimento de mais esta vergonha.

 

Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2007

Francisco Gomes de Amorim

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