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A bem da Nação

A REVOLUÇÃO COMERCIAL - PARTE 7

 
               Os Resultados da Revolução Comercial
 
 
 
         A Revolução Comercial foi um dos momentos mais significativos da história ocidental. Sem ela seria impossível todo o quadro da moderna vida económica, pois deslocou a base do comércio do plano local e regional da Idade Média para a escala mundial que desde então o tem caracterizado. A Revolução Comercial exaltou o poder do dinheiro, inaugurou os negócios com fins lucrativos, sancionou a acumulação de riqueza e estabeleceu a concorrência como base da produção e do comércio. Foi responsável por grande número de elementos que vieram constituir o regime capitalista.
 
       A Revolução Comercial proporcionou amplas flutuações da actividade económica. O que chamamos hoje de surtos de prosperidade e de depressões passou a alternar-se com espantosa rapidez. O fluxo de metais preciosos, combinado com um aumento da população, levou à alta dos preços e a uma demanda (procura) de artigos sem precedentes. Os negociantes eram tentados a expandir suas atividades depressa demais; os banqueiros concediam créditos tão prodigamente que os principais tomadores, sobretudo nobres, com frequência não honravam suas dívidas. A Espanha e a Itália foram os primeiros países a sofrer reveses. Num e noutro, o facto de os salários não acompanharem a carestia trouxe infortúnios indizíveis às classes inferiores. O empobrecimento tomava conta das cidades, enquanto o banditismo florescia nas áreas rurais. Na Espanha, alguns aristocratas arruinados uniam-se a bandos de vagabundos que erravam de cidade a cidade. Ao fim do século XV, o banco florentino dos Médicis fechou. Em meados do século seguinte assistiu-se a inúmeras falências na Espanha e ao declínio dos Fuggers na Alemanha. A Inglaterra e a Holanda e, até certo ponto, a França, prosperaram. Esta prosperidade caracterizou a "idade da prata", que durou mais ou menos de 1540 a 1620. No século XVII mais uma vez ocorreu um declínio, depois de a inflação perder sua força e em consequência de guerras religiosas e internacionais e de conflitos civis.
 
     A essa alternância de prosperidade e recessão, seguiram-se surtos de especulação, que chegaram ao apogeu no começo do século XVII. Os mais conhecidos foram o escândalo dos Mares do Sul e o escândalo do Mississipi. O primeiro resultou da inflação do capital da Companhia dos Mares do Sul, da Inglaterra. Os incorporadores dessa Companhia concordaram em assumir a responsabilidade por uma grande parte da dívida nacional e em troca receberam do governo inglês o direito de exclusividade no comércio com a América do Sul e as ilhas do Pacífico. As perspectivas de lucro pareciam quase ilimitadas. As acções da Companhia subiram rapidamente de valor até serem vendidas por mais de dez vezes seu valor normal. Quanto mais subia, mais crédulas se mostravam as pessoas. Gradualmente cresceu a suspeita de que as possibilidades da empresa tinham sido superestimadas. Os compradores fizeram tentativas para desfazerem de suas ações por qualquer preço. A falência, ocorrida em 1720, foi o resultado inevitável.
 
     Ao mesmo tempo em que se alimentava o sonho dos Mares do Sul na Inglaterra, os franceses atravessavam um período semelhante de onda especulativa. Em 1715, um escocês chamado John Law, estabeleceu-se em Paris, depois de ter vivido de jogo em outras cidades.
  John Law (1671-1729)
Persuadiu o regente da França a adoptar um plano seu para pagar a dívida nacional mediante a emissão de papel-moeda e lhe conceder o privilégio de organizar a Companhia do Mississipi para a colonização e exploração da Louisiana. À medida que os empréstimos governamentais eram resgatados, aqueles que recebiam o dinheiro eram levados a comprar acções da Companhia. As acções começaram a subir vertiginosamente, alcançando uma cotação de quarenta vezes seu valor original. Quando se começou a perceber que, a preços tão elevados, a Companhia nunca poderia pagar mais que um dividendo nominal por acção, os investidores mais prudentes começaram a vender suas acções. Em breve estavam todos tão ansiosos por vender como antes tinham estado para comprar. Em 1720, o escândalo estourou. Pessoas que tinham vendido propriedades para comprar acções a preços fantásticos ficaram completamente arruinadas. Durante algum tempo o colapso das Companhias dos Mares do Sul e do Mississipi arrefeceu um pouco a paixão do público pela especulação. Não tardou muito para que se reavivasse o desejo pelo lucro especulativo. Os surtos de compras de acções que acompanharam a Revolução Comercial repetiram-se muitas vezes durante os séculos XIX e XX.
 
 
Continua.
Campo Belo, 9 de julho de 2007
Therezinha B. de Figueiredo

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