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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

Só a educação nos salva

 

 

Mais uma vez os resultados do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica no Brasil vêm demonstrar o porquê da dificuldade do país atingir níveis sociais parecidos com os do “primeiro” mundo, apesar das riquezas naturais, de certos sectores que alavancam a economia e das inteligências que não ficam atrás das melhores cabeças do mundo. A nossa juventude não estuda o suficiente. Os estabelecimentos de ensino básico não conseguem fazer com que as metas educacionais sejam cumpridas. Crianças nas ruas, à disposição dos traficantes de drogas, a falta de instituições de ensino de qualidade, em tempo integral, e de políticas que obriguem pais e responsáveis a colocá-las na escola, programas ineficientes e mal aplicados sem a devida avaliação, com certeza, devem ser os responsáveis por tão mau desempenho escolar. Como se pode esperar equidade e justiça social num país que não prioriza a educação básica da população? Como esperar que o país faça parte do primeiro mundo com políticas populistas e ineficientes, onde os alunos da rede pública aparecem com notas abaixo de 3,5 (média nacional), tão diferentes da média dos paises desenvolvidos que é 6,0? Enquanto as autoridades não olharem com interesse o problema da educação no Brasil, qualquer investimento social não vai apresentar resultados duradouros.  Não adianta dar o peixe à população, é preciso ensinar a pescar, os antigos já diziam e sabiam.

 

Lembro-me ainda na minha terra natal, Ilha do Faial, mesmo sendo um lugar de gente humilde e remediada, mas nunca miserável, a Escola Santo António, que fora em tempos antigos uma espécie de orfanato para a infância desvalida, dava aulas pela manhã para as meninas e as tardes eram ocupadas com atividades educativas e recreativas como leituras, bordados, teatro e até música.

 

Em Uberaba, recentemente, duas escolas estaduais inauguraram o sistema de tempo integral, com oficinas de teatro, informática, prática desportiva e laboratório de pesquisas cientificas, além de um sector de atendimento especial às crianças com algum tipo de dificuldades nas matérias de estudo. É esse o caminho que deveria ser seguido por todas as escolas públicas.

 

Mas não basta a escola, antes e primeiro vem a casa, a família. É lá que começam os primeiros aprendizados, as primeiras informações para a vida e para o convívio com a sociedade. A escola deveria ser o complemento, a que dá as ferramentas, o estofo e o embasamento para o exercício da cidadania, com seus direitos e deveres. Porém, infelizmente, o que temos no nosso país são muitos maus modelos, principalmente aqueles que deveriam primar em dar bons exemplos, pela responsabilidade que têm com a sociedade. Desde a cúpula dirigente, passando pela mídia até à família, muitas vezes desestruturada e carente, o que se vê, e com frequência, são exemplos do que não se deve ser e/ou fazer.

 

 Não adianta a tecnologia avançada, computadores de ultima geração em casa ou nas salas de aula, se a criança não tiver a cabeça feita, uma boa formação, que lhe oriente como aproveitar de maneira inteligente todo esse conhecimento. O ser humano aprende com o exercício e a repetição.  Computadores não dão exemplos de boa ou má conduta, são apenas ferramentas de trabalho ou diversão, são instrumentos de informação.  

 

Não é de se estranhar se esta geração está tão agressiva, desinteressada e sem valores morais. Basta ver a corrupção que grassa na nossa política e os comportamentos amorais do vale tudo que são mostrados na mídia televisiva, refletidos na família, unidade básica da sociedade, para entender as crises moral e educacional por que passa a sociedade brasileira.

 

Maria Eduarda Fagundes

Brasão de Uberaba

Uberaba, 27/06/07

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