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A bem da Nação

CURTINHAS SOBRE A NOSSA ECONOMIA

Curtinhas III.... (O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) é uma benção - mas, a julgar pelo que por aí se ouve, a regra parece conhecer, entre nós, umas quantas excepções)  Não há manual de Teoria Económica, nem economista, que não veja no IDE um factor imprescindível para que países mais atrasados, ou economias mais estagnadas, ganhem uma dinâmica de crescimento acelerado (na gíria, “catching up”).  A Espanha, até ver, está do lado de lá das nossas fronteiras e preenche todos os requisitos daquilo que seja para nós, portugueses, “o estrangeiro”.  Assim, o investimento directo com origem em Espanha é inegavelmente IDE.  Ergo, deveria ser uma benção por todos reconhecida.  Mas não é.  Estará o sentido patriótico a toldar-nos o juízo, abafando em nós o justo sentido da realidade? Ou será que a referida tese simplifica demais, mesmo no plano rasteiro da realidade económica?  Pelo que se ouve e lê, os que olham reticentemente para o IDE com origem espanhola vão beber a sua argumentação – ora às claras, ora com maior subtileza – ao sentido patriótico.  A um princípio, o da bondade do IDE, opõem esses tais um outro princípio, o da bondade dos centros de decisão nacionais – e todos à uma consideram a análise dos factos como uma enorme perda de tempo.  Não será possível ir mais longe na tarefa de emitir, com um módico de racionalidade, um juízo de valor sobre o IDE que vem de Espanha?  Declaro, antes do mais, que só duas coisas me preocupam no IDE que tem chegado até nós: é pouco e é, sobretudo, espanhol. E creio, mesmo, que a única pergunta consequente é esta: porque será que, nos últimos quinze anos, mais nenhum estrangeiro, com a conspícua excepção dos espanhóis, revela especial apetência por investir directamente aqui?  A lógica empresarial do IDE espanhol (com uma ou outra excepção, reconheço) é unicamente a de encontrar novos clientes para a sua própria oferta, tirando partido da contiguidade territorial e das afinidades culturais.  Encontrar novos mercados para a produção doméstica é uma estratégia que faz todo o sentido, seja qual for o país. Foi ela, aliás, que animou a segunda fase da expansão colonial europeia, a partir do séc. XVIII. É ela que anima os empresários espanhóis, desde início: vêm para cá em busca de compradores para os seus produtos.  O que faz sentido redobrado, uma vez que esta estratégia pode ser levada a cabo com custos baixos: nem grandes distâncias a vencer, nem o obstáculo insuperável da língua, nem a perspectiva de competidores poderosos e agressivos a defenderem o seu terreiro natal, nem a sombra de reguladores sagazes ou de supervisores atentos. Um cesto de benesses...  A união económica e monetária que ambos os países integram, não só permite, como incentiva a referida estratégia – proibindo expressamente que se lhe oponham quaisquer entraves de natureza legal, administrativa, aduaneira ou fiscal.  Mas vista deste lado da fronteira, é óbvio que tal estratégia não contribui, de maneira nenhuma, para o reforço da capacidade produtiva da economia portuguesa no sector dos bens transaccionáveis – afastando-nos, por isso, ainda mais dos grandes fluxos no comércio internacional.  É por isto, e só por isto, e não por vir de Espanha, que a estratégia não nos traz bons ventos.  Como impedi-la? Não é possível – e mesmo se fosse possível, por mim não seria desejável. Bani-la nada significaria para o sector de bens transaccionáveis, que é ele o nosso barómetro.  Ah! Afinal a tese teórica não é tão peremptória assim. Será preciso bem mais para qualificar asisadamente um qualquer IDE. A.PALHINHA MACHADO

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