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A bem da Nação

Curtinhas XLII

“portela+1”? “1+portela”?

(nem sempre a ordem dos factores é arbitrária)

v      Não há fome que não dê em fartura. Antes, um e um só aeroporto – e logo na Ota. Mais recentemente, vá que não vá, uma alternativa: Alcochete. Agora, mangas arregaçadas e estude-se também “Portela+1” em todas as combinações imagináveis. Traço comum a todos os interesses em liça, o mesmo enorme silêncio sobre o que é verdadeiramente primordial: para que fluxos de tráfego aéreo se está a projectar o aeroporto?

v      Para compreender a dura realidade dos factos, convém ter presente que um aeroporto é bem mais que um complexo de pistas, instalações terrestres e equipamentos técnicos. Integram-no, também: (1) um “cilindro de aproximação”, em altitude, com um diâmetro de algumas dezenas de quilómetros (em função dos “picos de tráfego” previstos e das características dos aviões que o demandem); (2) “corredores de aproximação” às pistas, para as aterragens e descolagens (as operações aeroportuárias). Quanto a isto, a Portela não é excepção.

v      A orografia a norte de Lisboa faz deslocar o “cilindro de aproximação” da Portela ligeiramente para sul, localizando-o sobre o rio e a península de Setúbal. Em princípio, um “cilindro de aproximação” pode não estar localizado exactamente à vertical do respectivo aeroporto, mas, por razões de segurança, operacional, deverá estar sempre a uns, poucos, minutos de voo.

v      Se olharmos com atenção para o mapa, salta à vista que, num cenário de exploração comercial, os “cilindros de aproximação” de Alverca e do Montijo se sobrepõem ao da Portela. Não é, porém, um problema insuperável. Dois ou mais aeroportos podem partilhar o mesmo “cilindro de aproximação” sempre que este tenha diâmetro suficiente para acolher, em total segurança, os “picos de tráfego” que estiverem previstos para o conjunto desses aeroportos. Mas gerir esse espaço aéreo comum, dentro dos padrões internacionais, é um problema tanto mais complexo quanto maior for o número de pistas a operarem simultaneamente.

v      Já quanto aos “corredores de aproximação”, as coisas complicam-se. Por uma razão bastante simples: os “corredores de aproximação” nunca podem cruzar-se. Se, por fatalidade geográfica, se cruzarem, só um deles poderá estar activo de cada vez. Para todos os efeitos, é como se existisse então um só aeroporto a operar – e, neste, uma só pista (aliás, é o que se passa hoje na Portela, onde não é possível ter dois aviões a operar simultaneamente).

v      Acontece que o “corredor de aproximação” de Alverca cruza a baixa altitude todos (sob condições meteorológicas ideais, todos menos um) os “corredores de aproximação” da Portela. Logo, com um avião a operar (a aterrar ou a deslocar) num destes aeroportos, o outro aeroporto terá de ficar temporariamente inoperativo.

v      Com o Montijo as coisas não se passam de modo muito diferente. Ali, o “corredor de aproximação” é praticamente perpendicular aos “corredores de aproximação” na Portela. E de uma maneira ainda mais absoluta do que em Alverca, não são possíveis operações simultâneas na Portela e no Montijo.

v      Em conclusão: (1) a abertura de Alverca, ou do Montijo, à aviação comercial, desafogava, certamente, os terminais da Portela, mas não permitiria aumentar o número de operações aeroportuárias em Lisboa; (2) o “+1” da alternativa que acaba de ser proposta nunca poderá ser nem Alverca, nem Montijo, mas um aeroporto com pistas paralelas à pista longa da Portela, ou suficientemente distante da Portela para que os respectivos “corredores de aproximação” não se cruzem.

v      Curiosamente, os “corredores de aproximação” de Alverca e do Montijo são praticamente paralelos e encontram-se suficientemente afastados para permitirem operações aeroportuárias simultâneas. Mais uma alternativa a estudar?

v      E a Portela? Como situar a Portela nesta bouquet de alternativas? (cont.)

 

a. palhinha machado

Junho 2007

 

Alverca e Portela a operarem simultaneamente, só num cenário: em Alverca, a descolagem ser para Leste e, na Portela, a aterragem/descolagem ser para sul (pista curta) ou para sudoeste (pista longa).

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